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Encontro com o rapazinho

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Vf TEXTO. fl\J ENCONTRO COM O RAPAZINHO
Ser homens não é um empreendimento fácil. De foto,
homens não nascem, mas assim se tornam, por meio cie um
aprendizado duro e difícil ainda que apaixonante. Porém, por
sorte, é possível. Vamos ver como.
O HOMEM: UMA IDENTIDADE MUITO DISCUTIDA
, Imaginemos um rapazinho cie quatorze anos (o clobro de
meu filho menor) muito esperto e que começa a escutar as
conversas que estão circulando, na mídia, jornais, televisão.
Ele terá ficado sabendo há pouco, por exemplo, do último
encontro (são numerosíssimos) no qual importantes professores
de todo o mundo decretaram que o cérebro masculino funciona
muito pior cio que o cérebro feminino. Os clois hemisférios não
estão alinhados, comunicam-se entre si de modo impreciso,
não se pode comparar com o que acontece com as mulheres.'
A comunicação mais rápida e completa cio cérebro feminino
permite, pois (salientam com entusiasmo os jornalistas), uma
melhor integração entre pensamento e emotividade, sensibiliza
e potencializa os processos de intuição na resolução dos
"A comunicação entre o hemisfério direito e esquerdo", disse, por exemplo
(durante o Encontro 'Cérebro masculino e feminino' realizado em Roma em j u n h o de
1999), Paolo Pancheri. professor de psiquiatria na Universidade 'La Sapienza' de Roma,
"é mais rápida e completa no cérebro feminino."
problemas e dilui a rigidez sequencial do pensamento masculino.
"É mais ativa também a parte frontal do cérebro que controla o
comportamento e a avaliação crítica."2
OS HOMENS, RAÇA INFERIOR
Qual é a conclusão diante desta superioridade feminina a
360 graus, sancionada pela ciência, segundo as melhores
tradições cie todo racismo "sério" (uso aqui o termo "racismo"
no seu sentido de "conjunto de crenças que justificam a
discriminação sobre a base cie uma suposta inferioridade de
um grupo")?3 "O clia no qual a mulher gerir em tudo e por tudo
a sua maternidade com a fecundação artificial", disse o professor
Paolo Pancheri, da Universidade La Sapienza de Roma, "para o
homem será a derrota total. Relegado a ser um carregador de
malas, um jardineiro, o faxineiro ou o instrumento sexual, o
pobre homem acabará por viver em uma gaiola dourada"/'
Declarações do mesmo Paolo Pancheri no Encontro já citado.
3
T.F. Pettigrew, RAV.Meertens. Lê mcisine voilé: dimensioiKet inésure(O racismo
velado: dimensões e medidas), in M. Wievorka. Racisme et modernité (Racismo e
modernidade). Paris: Kcl. I.a Découvene, 1993.
4
Palestra no Encontro acima citado. Colocações sucessivas valorizadas pelos
jornais completavam o quadro reportando as conclusões de não melhores precisos
"cientistas USA os quais 'asseguravam que ainda que se o cérebro feminino pese cerca
de 137 gramas a menos, "a densidade e concentração da massa cinzenta é maior na
mulher em relação ao homem". Ver também o meu artigo: Modesta protesta in nome
dal nuiscbio (Modesto protesto em nome dos homens), in 'Liberal', 8 de julho de 1999.
Mas u campanha jornalística sobre a inferioridade biológica do homem ainda continuou;
no caderno 'Saúde' cio Corriere delia Será de domingo 21 cie maio 2000, na primeira
página em caracteres grandes, o lítulo: Pensate come lei. La donna ragioiia meglio
(IclViiomo. Recenli slndi banno scoperto Ia particolarità dei cervello femminile (Pensem
como ela. A mulher raciocina melhor que o homem. Recentes estudos descobriram a
particularidade do cérebro feminino); nas páginas internas a reportagem de Adriana
Gasparini e nas várias seções se traziam as declarações sempre de Paolo Pancheri que
assegura entre outras coisas: "O cérebro feminino é mais refinado, mais sofisticado do
que o masculino, mais completo. Em síntese, é como uma máquina altamente sofisticada.
O cérebro masculino é mais comparável a um trator". Sobre outros aspectos da campanha,
ver as páginas Razzismo oggi. L'uomo, essere inferiore (Racismo hoje. O homem, ser
inferior) no site www.maschiselvatici.it.
Se, por acaso, o nosso rapazinho depara-se com esta
previsão de seu futuro não tem muita coisa cio que se alegrar.
Nós, porém, se queremos lhe dar uma mão, devemos
entender para que servem estas indefectíveis e científicas certezas
sobre a superioridade cia nova raça eleita pela mídia e pela
ciência "midiatizada", o género feminino e sobre o consequente
poder das mulheres no terceiro milénio.
Será que, cie verdade, a sociedade tardo-moclerna tem
tocla esta simpatia pelas mulheres? Então, por que as transveste
cie homens, lhes enxuga os humores vitais, as circunda de
solidão e por fim as abandona a algum psiquiatra especializado
no tratamento ultraquímico da depressão, alegria das empresas
cio setor?
As histórias destes seres potentes e superiores, as mulheres,
são na realidade tristes e muitas vezes dramáticas, tanto quanto
as histórias cios homens. Por exemplo, Donna. primeira clama
da capital do mundo, mulher do prefeito cie Nova Iorque,
Rudolph Giuliani, teria gostado, depois de anos cie solidão afetiva
e traições do marido com as secretárias, cie representar a si
mesma nos Monólogos da Vagina em um teatro cia Grande Maçã.
Não pode fazer nem mesmo isto porque Giuliani declarou
publicamente ter um câncer na próstata e a vagina precisou,
ainda uma vez, calar a sua solidão. Um feminino abandonado
que fala a si mesmo e uma virilidade doente: é esta a situação
autêntica dos dois géneros no fim da modernidade ocidental.
Mas então por que tocla esta glorificação do feminino, este grande
alarde cia "superioridade"da mulher?
Uma primeira resposta pocle ser dada talvez pelo
comunicado difundido no tempo da fusão entre as multinacionais
farmacêuticas Wyeth, Cyanamid e Irbi, da qual surgiu a Wyeth-
Lederle que foi, precisamente, a patrocinadora do Congresso
de Roma, acima citado, no qual o professor Paolo Pancheri
apresentou as suas perspectivas sobre o futuro dos dois sexos.
"Um papel importante nas atividades de pesquisa cio grupo"
CLÁUDIO RISE
afirma o comunicado, "é assinalado pelo desenvolvimento de
produtos farmacêuticos biotecnológicos para as mulheres:
engenharia genética e biotecnologia são, de fato, clois setores
sobre os quais são colocadas muitas esperanças". Esperanças
fundadas com a condição de que as mulheres aceitem fecundar-
se sozinhas.
É esse, de fato, como clisse Paolo Pancheri, o último
obstáculo e é, portanto, aquele que precisa ser aniquilado para
permitir uma ulterior e decisiva cartada das utilidades de Wyeth-
Lederle e de tantos outros. Naturalmente, avidamente atentos
ao grande mercado cio futuro, o único ainda disponível e
receptivo a novos produtos — o mercado cia vida. Se as mulheres,
como dizem os cientistas empenhados na pesquisa de mercado
do futuro, aceitarem não ser mais fecundadas biologicamente
(salvo aquelas costumeiras retrógradas, marginalizadas), os
destinos das multinacionais estão assegurados por um bom
tempo pois estará se abrindo diante delas um imenso mercado
de fabricação da vida. Para que isto aconteça, porém, é preciso
tirar de circulação um velho animal: o homem. E convencer a
mulher de sua própria grandeza, ou até mesmo, onipotência.
Depois de tê-la separado de seu antigo companheiro, fechada
em um universo de solidão, gratificada com um estilo de poder
que não é o seu, constrangida a monologar com a própria vagina,
é chegada a hora de fazê-la enlouquecer, de fazê-la acreditar que
é um indivíduo superior, onipotente.
A serpente que tenta Eva, convencenclo-a a tomar o
lugar cie Deus e a perder, desta maneira, o mundo, é, no fim da
modernidade ocidental, o complexo das grandes multinacionais
que apostam tudo sobre o último consumo, o único não ainda
"maduro", o único que pode ainda "expandir-se" - aquele da
venda cios seres humanos fabricados artificialmente. Mas a
abertura deste mercado depende do definitivo fechamento da
vagina, assim como cio coração cia mulher. Para que isto ocorra
SER HOMENS a virilidade em um mundo feminil

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