CONCEITOS DE PSICOLOGIA JUNGUIANA
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CONCEITOS DE PSICOLOGIA JUNGUIANA


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CONCEITOS DE PSICOLOGIA JUNGUIANA
ADALBERTO RICARDO PESSOA - CRT 41163
Serão definidos a partir de agora alguns conceitos da teoria analítica junguiana que permeiam outros textos e trabalhos que publico sobre a Psicologia de Carl Gustav Jung, cuja linha teórica é a principal norteadora de meu trabalho.
I) A consciência
A consciência pode ser definida como função ou atividade que mantém a relação entre os conteúdos psíquicos e o ego, enquanto puderem assim ser entendidas pelo ego. Relações com o ego, porém não percebidas pelo mesmo, são inconscientes[1].
Jung distingue conceitualmente consciência de psique, sendo que esta engloba tanto a consciência quanto o inconsciente:
Consciência não é a mesma coisa que psique, pois a psique representa o conjunto de todos os conteúdos psíquicos; estes não estão todos necessariamente vinculados ao eu (ego), isto é, relacionados de tal forma com o eu que lhes caiba a qualidade de conscientes. Existe uma boa quantidade de complexos psíquicos que não estão necessariamente vinculados ao eu[2].
 Segundo a concepção junguiana da psique, a consciência individual é uma superestrutura que tem por base e origem o inconsciente. Além disso, não há consciência sem discriminação de opostos[3].
II) Ego ou \u201cEu\u201d
O ego é o centro da consciência, ou o complexo central no campo da consciência[4]. Segundo as palavras de Jung,
Entendo o \u201ceu\u201d como um complexo de representações que constitui para mim o centro de meu campo de consciência e que me parece ter grande continuidade e identidade consigo mesmo. Por isso, falo também de complexo do eu. O complexo do eu é tanto um conteúdo quanto uma condição da consciência, pois um elemento psíquico me é consciente enquanto estiver relacionado com o complexo do eu. Enquanto eu for apenas o centro do meu campo consciente, não é idêntico ao todo da minha psique, mas apenas um complexo entre outros complexos. Por isso distingo entre eu e si-mesmo. O eu é o sujeito apenas da minha consciência, mas o si-mesmo é o sujeito do meu todo, também da psique inconsciente. Neste sentido o si-mesmo seria uma grandeza (ideal) que encerraria dentro dele o eu[5]. 
Jung observou que o conhecimento da personalidade egóica é, muitas vezes, confundido com o conhecimento do self (si-mesmo). Assim, uma pessoa que possua alguma consciência de sua identidade de ego, pode achar que conhece a si mesma de maneira completa, quando na verdade, o ego conhece apenas seus próprios conteúdos, e não o material psíquico real provindo do inconsciente, e desconhecido pelo sujeito[6].
III) O Inconsciente
O inconsciente é a totalidade dos fenômenos psíquicos, destituídos da qualidade de consciência[7]. A esse respeito Jung expõe:
Teoricamemte é impossível fixar limites no campo da consciência, uma vez que ela pode estender-se indefinidamente. Empiricamente, porém, ele sempre atinge seus limites, ao atingir o desconhecido. Este último é constituído por tudo aquilo que ignoramos, por aquilo que não tem qualquer relação com o eu, centro dos campos de consciência[8]. 
O inconsciente é, ao mesmo tempo, vasto e inexaurível. Na verdade é mais do que o desconhecido ou o depósito de pensamentos e emoções conscientes que foram reprimidos, mas inclui os conteúdos que podem ou que irão se tornar conscientes[9]. O inconsciente é \u201ca fonte de todas as forças instintivas da psique e encerra as formas ou categorias que as regulam, quais sejam precisamente os arquétipos\u201d[10].
Além disso, Jung aponta a necessidade de se acrescentar ao conceito de inconsciente o sistema psicóide, que não é capaz de se tornar consciente, e do qual apenas temos algum conhecimento indireto, quando por exemplo, pesquisamos o relacionamento entre matéria e espírito[11].
Como afirma Jung,
Assim definido, o inconsciente retrata um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que eu sei, mas em que não estou pensando no momento; tudo aquilo que um dia eu estava consciente, mas de que atualmente estou esquecido; tudo o que meus sentidos percebem, mas minha mente consciente não considera; tudo o que sinto, penso, recordo, desejo e faço involuntariamente e sem prestar atenção; todas as coisas futuras que se formam dentro de mim e somente mais tarde chegarão à consciência; tudo isto são conteúdos do inconsciente[12].
 Como Freud, Jung usa o termo inconsciente tanto para descrever conteúdos psíquicos que estão fora do campo de acesso do ego, como para delimitar um lugar psíquico com seu caráter, suas leis e funções próprias[13].
Jung define a existência de um relacionamento funcional compensatório entre a consciência e o inconsciente porque,
... de acordo com a experiência, o processo inconsciente traz à luz material subliminal constelado pela situação da consciência, portanto todos aqueles conteúdos que não poderiam faltar no cenário consciente, se tudo fosse consciente. A função compensatória do inconsciente se manifesta com tanto maior clareza quanto mais unilateral for a atitude consciente; e disso dá muitos exemplos a patologia[14]. 
Com relação à natureza dos conteúdos do inconsciente, Jung propôs uma classificação geral que distingue um inconsciente pessoal que engloba todas as aquisições da existência pessoal \u2013 o esquecido, o reprimido, o subliminalmente percebido, pensado e sentido \u2013 e ao lado desses, a existências de outros conteúdos que não provêm das aquisições pessoais, mas da possibilidade hereditária do funcionamento psíquico em geral, ou seja, da estrutura cerebral herdada: são as conexões mitológicas, os motivos e imagens que podem nascer de novo, a qualquer tempo e lugar, sem tradição ou migração históricas. Jung denominou esses conteúdos como pertencentes ao inconsciente coletivo[15], uma camada mais profunda da psique, onde encontramos os instintos e os arquétipos.
Se essa divisão é válida teoricamente, por outro lado essas duas camadas do inconsciente não devem ser entendidas como divisões estanques. Como os conteúdos do inconsciente coletivo exigem o envolvimento de elementos do inconsciente pessoal para sua manifestação no comportamento, os dois tipos de inconscientes são, portanto, indivisíveis[16]. Entretanto, são conceitos funcionais na prática. 
IV) Inconsciente Pessoal
O inconsciente pessoal é a camada pessoal ou individual do inconsciente que contém memórias perdidas, idéias dolorosas reprimidas, percepções subliminares (percepções dos sentidos que não são suficientemente fortes a ponto de atingir a consciência) e, finalmente, conteúdos que ainda não estão maduros para a consciência[17]. Também é designada como psique subjetiva.
V) Inconsciente Coletivo
O inconsciente coletivo é uma camada estrutural da psique humana, mais profunda do que o inconsciente pessoal, que contém elementos herdados, ou seja, os instintos e os arquétipos[18]. Também é designada como psique objetiva.
 Segundo Jung,
... encontramos também no inconsciente propriedades que não foram adquiridas individualmente; foram herdadas, assim como os instintos e os impulsos que levam à execução de ações comandadas por uma necessidade, mas não por uma motivação consciente. Nesta camada \u201cmais profunda\u201d da psique encontramos os arquétipos. Os instintos e os arquétipos constituem, juntos, o inconsciente coletivo. Eu o chamo coletivo porque, ao contrário do inconsciente pessoal, não é constituído de conteúdos individuais, mais ou menos únicos e que não se repetem, mas de conteúdos que são universais e aparecem regularmente.
Os conteúdos do inconsciente pessoal são parte integrante da personalidade individual e poderiam, pois, ser conscientes. Os conteúdos do inconsciente coletivo constituem como uma condição ou base da psique em si mesma, condição onipresente, imutável, idêntica a si própria em toda parte[19]. 
 VI) Psique
 A psique é a totalidade de todos os processos psicológicos, tanto conscientes quanto inconscientes.
 VII) Arquétipos
 São padrões potenciais inatos de imaginação, pensamento ou comportamento que podem ser encontrados nos seres humanos