Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA das 
Obras de recuperação da Orla Marítima de 
Matinhos, Paraná 
 
 
 
 
 
 
 
Curitiba 
2010 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 I
SUMÁRIO 
Lista de Figuras................................................................................................................ IX 
Lista de Tabelas................................................................................................................. XV 
Lista de Quadros................................................................................................................ XVIII 
 
INDICE 
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR E EMPRESA CONSULTORA ............................ 1-1 
1.1. Identificação do empreendedor...................................................................................... 1-1 
1.2. Identificação da empresa consultora.............................................................................. 1-1 
1.3. Dados da equipe técnica multidisciplinar ....................................................................... 1-2 
1.4. Edição, revisão e geoprocessamento ............................................................................ 1-4 
1.5. Equipe de apoio do EIA/RIMA........................................................................................ 1-5 
2. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ................................................................... 2-6 
2.1. Histórico da ocupação costeira e das obras de contenção............................................ 2-6 
2.2. O histórico do empreendimento ................................................................................... 2-15 
2.3. Objetivos e justificativas do empreendimento .............................................................. 2-16 
2.3.1. Objetivos................................................................................................................ 2-16 
2.3.2. Justificativa ............................................................................................................ 2-17 
2.4. Localização geográfica................................................................................................. 2-17 
2.5. Caracterização do empreendimento ............................................................................ 2-23 
2.5.1. Guias-correntes e headlands ................................................................................ 2-23 
2.5.2. Alimentação artificial da praia................................................................................ 2-23 
2.5.3. Obras de urbanização e requalificação da paisagem ........................................... 2-25 
2.6. Inserção regional.......................................................................................................... 2-28 
2.7. Órgão financiador e valor da atividade......................................................................... 2-28 
3. ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS....................................................... 3-30 
3.1. Alternativas tecnológicas.............................................................................................. 3-30 
3.1.1. Alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla .................................. 3-30 
3.1.1.1. Recuo da urbanização.................................................................................... 3-30 
3.1.1.2. Quebra-mar submerso ................................................................................... 3-31 
3.1.2. Alternativas aos guias-corrente do canal de drenagem da Avenida Paraná em 
Caiobá ............................................................................................................................. 3-31 
3.1.2.1. Alternativa para a diminuição da poluição da praia........................................ 3-31 
3.1.2.2. Alternativa de diminuição do tamanho ........................................................... 3-32 
3.1.2.3. Alternativa de não construção ........................................................................ 3-32 
3.1.3. Alternativas aos guias-corrente do Rio Marinhos.................................................. 3-32 
3.1.3.1. Alternativa de diminuição do tamanho e mudança de orientação.................. 3-32 
3.1.4. Alternativas tecnológicas aos headlands .............................................................. 3-33 
3.1.4.1. Alternativa de diminuição do tamanho ........................................................... 3-33 
3.1.4.2. Alternativa de píer vazado.............................................................................. 3-33 
3.1.4.3. Alternativa de não construção ........................................................................ 3-33 
3.1.5. Alternativas à alimentação artificial da praia ......................................................... 3-33 
3.1.5.1. Fonte de areia ................................................................................................ 3-34 
3.1.5.1.1. Areia do setor externo do canal da Galheta ............................................ 3-34 
3.1.5.1.2. Areia da barra de Guaratuba................................................................... 3-34 
3.1.5.1.3. Areia da plataforma interna ..................................................................... 3-35 
3.1.5.2. Volume de areia ............................................................................................. 3-35 
3.1.5.3. Disposição de areia na praia .......................................................................... 3-35 
3.2. Alternativas locacionais................................................................................................ 3-35 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 II
3.3. Alternativa de não realização do empreendimento ...................................................... 3-36 
4. ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO ............................................................ 4-37 
4.1. Área diretamente afetada – ADA ................................................................................. 4-37 
4.1.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-37 
4.1.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-37 
4.1.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-37 
4.2. Área de Influência Direta – AID.................................................................................... 4-37 
4.2.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-37 
4.2.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-37 
4.2.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-37 
4.3. Área de Influência Indireta – AII ................................................................................... 4-38 
4.3.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-38 
4.3.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-38 
4.3.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-38 
5. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL................................................................................................ 5-2 
5.1. Diagnóstico.....................................................................................................................5-2 
5.1.1. Meio Físico .............................................................................................................. 5-2 
5.1.1.1. Oceanografia física e meteorologia.................................................................. 5-2 
5.1.1.1.1. Clima e condições meteorológicas............................................................ 5-2 
5.1.1.1.2. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ..................................................... 5-3 
5.1.1.1.2.1. Clima de ondas ou agitação marítima ................................................ 5-3 
5.1.1.1.3. Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) ............. 5-5 
5.1.1.1.4. Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas)......... 5-7 
5.1.1.1.5. Ocorrência de eventos extremos (ressacas) ............................................. 5-8 
5.1.1.2. Geologia e geomorfologia ................................................................................ 5-8 
5.1.1.2.1. A Baía de Guaratuba............................................................................... 5-10 
5.1.1.2.2. A Barra de Guaratuba ............................................................................. 5-10 
5.1.1.2.2.1. Dinâmica da barra ............................................................................ 5-14 
5.1.1.2.3. As praias paranaenses............................................................................ 5-15 
5.1.1.2.3.1. O arco praial de Caiobá – Ponta de Matinhos.................................. 5-16 
5.1.1.2.3.2. O arco praial Ponta de Matinhos - Pontal do Sul.............................. 5-19 
5.1.1.2.4. Dunas frontais ......................................................................................... 5-24 
5.1.1.2.4.1. Características.................................................................................. 5-24 
5.1.1.2.4.2. Relação entre as dunas a dinâmica da praia e a ocupação............. 5-25 
5.1.1.2.5. Plataforma interna ................................................................................... 5-27 
5.1.1.2.5.1. Características.................................................................................. 5-27 
5.1.1.2.5.2. Relação entre a plataforma a dinâmica da praia e a ocupação ....... 5-32 
5.1.1.3. Caracterização da qualidade dos sedimentos superficiais na área de captação 
de sedimentos ............................................................................................................. 5-32 
5.1.1.3.1. Distribuição dos contaminantes Orgânicos nos sedimentos superficiais 5-33 
5.1.1.3.1.1. Hidrocarbonetos policiclicos aromáticos (HPAs) .............................. 5-33 
5.1.1.3.1.2. Pesticidas organoclorados e PCBs .................................................. 5-33 
5.1.1.3.2. Elementos Traço nos Sedimentos Superficiais ......................................... 5-1 
5.1.1.3.3. Carbono orgânico, Nitrogênio e Fósforo Totais nos sedimentos superficiais
................................................................................................................................... 5-6 
5.1.1.3.4. Considerações Finais ................................................................................ 5-7 
5.1.1.4. Modelagem da Dispersão da Pluma de Sedimento ......................................... 5-9 
5.1.1.4.1. Caracterização Hidrodinâmica .................................................................. 5-9 
5.1.1.4.2. Hidrodinâmica de Larga Escala............................................................... 5-10 
5.1.1.4.3. Hidrodinâmica Próxima da Área da Jazida.............................................. 5-11 
5.1.1.4.4. Características dos sedimentos da jazida utilizada para engordamento da 
faixa de areia em Matinhos ..................................................................................... 5-14 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 III
5.1.1.4.5. Modelagem numérica do transporte de sedimento para região com 
semelhantes características hidrodinâmicas........................................................... 5-17 
5.1.1.4.6. Modelagem numérica do transporte de sedimento ................................. 5-18 
5.1.1.4.7. Discussão de resultados ......................................................................... 5-18 
5.1.2. Meio Biótico........................................................................................................... 5-23 
5.1.2.1. Biota terrestre ................................................................................................. 5-23 
5.1.2.1.1. Flora ........................................................................................................ 5-23 
5.1.2.1.1.1. Enquadramento fitogeográfico.......................................................... 5-23 
5.1.2.1.1.2. Caracterização Florística das Áreas Influenciadas pelo 
Empreendimento ................................................................................................. 5-24 
5.1.2.1.1.3. Espécies Endêmicas ........................................................................ 5-25 
5.1.2.1.1.4. Espécies Raras ou Ameaçadas de Extinção.................................... 5-26 
5.1.2.1.1.5. Espécies Medicinais, de Interesse Econômico ou Científico............ 5-26 
5.1.2.1.1.6. Espécies Exóticas Invasoras ............................................................ 5-27 
5.1.2.1.1.7. Caracterização fitofisionômica.......................................................... 5-27 
5.1.2.1.1.8. Áreas de Preservação Permanente – APP ...................................... 5-29 
5.1.2.1.1.9. Análise da paisagem ........................................................................ 5-29 
5.1.2.1.2. Fauna de vertebrados terrestres: Herpetofauna, Avifauna e Mastofauna5-30 
5.1.2.1.2.1. Comunidades da Plataforma Continental Interna............................. 5-30 
5.1.2.1.2.2. Comunidades do Entremarés ........................................................... 5-33 
5.1.2.1.2.3. Comunidades das Formações Pioneiras.......................................... 5-37 
5.1.2.2. Biota Aquática ................................................................................................ 5-42 
5.1.2.2.1. Plâncton................................................................................................... 5-42 
5.1.2.2.2. Fitoplâncton da Zona de Arrebentação ................................................... 5-42 
5.1.2.2.2.1. Zooplâncton da Zona de Arrebentação ............................................ 5-44 
5.1.2.2.3. Ictiofauna ................................................................................................. 5-47 
5.1.2.2.3.1. Área diretamente afetada – ADA...................................................... 5-47 
5.1.2.2.3.2. Área de influência direta – AID ......................................................... 5-53 
5.1.2.2.3.3. Área de influência indireta – AII........................................................ 5-60 
5.1.2.2.4. Bentos ..................................................................................................... 5-65 
5.1.2.2.4.1. Comunidades bentônicas das praias arenosas................................ 5-65 
5.1.2.2.4.2. Comunidades bentônicas da plataforma .......................................... 5-72 
5.1.2.3. Unidades de conservação .............................................................................. 5-81 
5.1.2.3.1. Unidades de Conservação ...................................................................... 5-81 
5.1.2.3.2. Áreas legalmente protegidas................................................................... 5-82 
5.1.3. Meio Sócio-Econômico.......................................................................................... 5-83 
5.1.3.1. Demografia, domicílios, atividade e renda ..................................................... 5-85 
5.1.3.1.1.População................................................................................................ 5-85 
5.1.3.1.2. Domicílios ................................................................................................ 5-91 
5.1.3.1.3. Atividade e renda..................................................................................... 5-94 
5.1.3.2. Condições gerais de habitação e infra-estrutura............................................ 5-97 
5.1.3.2.1. Abastecimento de água........................................................................... 5-98 
5.1.3.2.2. Disposição de banheiro e esgotamento sanitário.................................... 5-99 
5.1.3.2.3. Coleta e destino dos resíduos sólidos................................................... 5-100 
5.1.3.2.4. Abastecimento de energia elétrica ........................................................ 5-100 
5.1.3.2.5. Transporte ............................................................................................. 5-101 
5.1.3.2.6. Comunicações....................................................................................... 5-101 
5.1.3.3. Expectativas da população em relação ao empreendimento....................... 5-102 
5.1.3.3.1. Tomadores de decisão .......................................................................... 5-102 
5.1.3.3.2. Setores econômicos .............................................................................. 5-104 
5.1.3.3.3. Vizinhos ................................................................................................. 5-106 
5.1.3.3.4. Formadores de opinião.......................................................................... 5-107 
5.1.3.3.5. Conclusões sobre as expectativas da população.................................. 5-109 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 IV
5.1.3.4. Atividades Produtivas ................................................................................... 5-110 
5.1.3.4.1. Estrutura produtiva e serviços exercidos na AID................................... 5-110 
5.1.3.5. Lazer e Turismo............................................................................................ 5-112 
5.1.3.5.1. O turismo no Litoral do Paraná.............................................................. 5-112 
5.1.3.5.2. Lazer e turismo no município de Matinhos............................................ 5-115 
5.1.3.6. Considerações finais .................................................................................... 5-118 
5.1.3.7. Identificação e caracterização da atividade pesqueira................................. 5-119 
5.1.3.8. Uso e ocupação do solo e entorno............................................................... 5-126 
5.1.3.8.1. Caracterização da paisagem através de análise descritiva e histórica da 
ocupação humana na área de influência............................................................... 5-126 
5.1.3.9. Patrimônio histórico, cultural e arqueológico................................................ 5-133 
5.1.3.9.1. Contexto histórico - arqueológico regional ............................................ 5-135 
5.1.3.9.1.1. Tradição Umbu ............................................................................... 5-135 
5.1.3.9.1.2. Sambaqui: caçadores-coletores e pescadores da faixa costeira ... 5-136 
5.1.3.9.1.3. Populações ceramistas................................................................... 5-138 
5.1.3.9.1.4. A tradição Itararé-Taquara.............................................................. 5-139 
5.1.3.9.1.5. A Tradição Tupiguarani .................................................................. 5-140 
5.1.3.9.2. As ocupações coloniais de período histórico......................................... 5-142 
5.1.3.9.3. Tradição Neobrasileira – do mestiço ao caiçara.................................... 5-143 
5.1.3.9.4. Historia de matinhos e bens patrimoniais.............................................. 5-144 
5.1.3.9.5. Sobre o Tombamento, o Patrimônio Natural Tombado e alterações na Orla 
de Matinhos ........................................................................................................... 5-149 
6. ANÁLISE INTEGRADA ..................................................................................................... 6-154 
6.1. Sobre as anuências.................................................................................................... 6-156 
7. IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS ÀS OBRAS7-
157 
7.1. Impactos anteriores à implantação das obras............................................................ 7-160 
7.1.1. Meios físico e biótico ........................................................................................... 7-160 
7.1.2. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-160 
7.1.2.1. Impactos negativos....................................................................................... 7-161 
7.1.2.2. Impactos positivos ........................................................................................ 7-162 
7.2. Impactos durante a implantação das obras ............................................................... 7-163 
7.2.1. Meio físico ........................................................................................................... 7-163 
7.2.1.1. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ........................................................ 7-163 
7.2.1.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-163 
7.2.1.2. Geologia e geomorfologia ............................................................................ 7-164 
7.2.1.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-164 
7.2.2. Meio biótico ......................................................................................................... 7-165 
7.2.2.1. Na flora ......................................................................................................... 7-165 
7.2.2.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-165 
7.2.2.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-166 
7.2.2.2. Na fauna de répteis, aves e mamíferos marinhos........................................ 7-166 
7.2.2.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-166 
7.2.2.3. No plâncton .................................................................................................. 7-167 
7.2.2.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-167 
7.2.2.4. Na ictiofauna................................................................................................. 7-168 
7.2.2.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-168 
7.2.2.5. Nas comunidades bentônicas das praias..................................................... 7-169 
7.2.2.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-170 
7.2.2.6. Nas comunidades bentônicas da plataforma ............................................... 7-171 
7.2.2.6.1. Impactos negativos................................................................................ 7-171 
7.2.2.7. Nas Unidades de Conservação.................................................................... 7-172 
7.2.2.7.1. Impactos negativos................................................................................ 7-172 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 V
7.2.2.8. Nas áreas legalmente protegidas.................................................................7-172 
7.2.3. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-173 
7.2.3.1. População..................................................................................................... 7-175 
7.2.3.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-175 
7.2.3.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-178 
7.2.3.2. Atividades produtivas ................................................................................... 7-179 
7.2.3.3. Uso e ocupação do solo do entorno............................................................. 7-179 
7.2.3.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-179 
7.2.3.4. Lazer e turismo............................................................................................. 7-182 
7.2.3.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-182 
7.2.3.5. Pesca............................................................................................................ 7-183 
7.2.3.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-183 
7.2.3.6. Patrimônio histórico, cultural e arqueológico................................................ 7-184 
7.2.3.6.1. Impactos negativos................................................................................ 7-185 
7.3. Impactos após a implantação das obras.................................................................... 7-185 
7.3.1. Meio físico ........................................................................................................... 7-185 
7.3.1.1. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ........................................................ 7-185 
7.3.1.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-185 
7.3.1.2. Geologia e geomorfologia ............................................................................ 7-186 
7.3.1.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-186 
7.3.1.2.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-190 
7.3.1.3. Hidrologia ..................................................................................................... 7-195 
7.3.1.3.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-195 
7.3.2. Meio biótico ......................................................................................................... 7-197 
7.3.2.1. Na flora ......................................................................................................... 7-197 
7.3.2.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-197 
7.3.2.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-197 
7.3.2.2. Na fauna ....................................................................................................... 7-197 
7.3.2.2.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-197 
7.3.2.3. No plâncton .................................................................................................. 7-198 
7.3.2.4. Na ictiofauna................................................................................................. 7-198 
7.3.2.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-198 
7.3.2.4.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-199 
7.3.2.5. Nas comunidades bentônicas das praias..................................................... 7-199 
7.3.2.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-199 
7.3.2.5.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-200 
7.3.2.6. Nas Unidades de Conservação.................................................................... 7-201 
7.3.2.7. Nas áreas legalmente protegidas................................................................. 7-201 
7.3.3. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-202 
7.3.3.1. População..................................................................................................... 7-202 
7.3.3.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-202 
7.3.3.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-204 
7.3.3.2. Atividades produtivas ................................................................................... 7-206 
7.3.3.2.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-206 
7.3.3.3. Uso e ocupação do solo do entorno............................................................. 7-207 
7.3.3.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-207 
7.3.3.3.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-207 
7.3.3.4. Lazer e turismo............................................................................................. 7-208 
7.3.3.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-208 
7.3.3.4.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-209 
7.3.3.5. Pesca............................................................................................................ 7-210 
7.3.3.5.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-210 
7.4. Matriz de Impactos Ambientais Anteriores a Implantação das Obras........................ 7-213 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 VI
7.4.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-213 
7.4.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-213 
7.4.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-213 
7.5. Matriz de Impactos Ambientais Durante a Implantação das Obras ........................... 7-213 
7.5.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-213 
7.5.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-214 
7.5.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-215 
7.6. Matriz de Impactos Ambientais Após a Implantação das Obras................................ 7-216 
7.6.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-216 
7.6.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-217 
7.6.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-218 
8. MEDIDAS PREVENTIVAS, MITIGADORAS, REPARADORAS, COMPENSATÓRIAS E 
POTENCIALIZADORAS, E PROGRAMAS DE CONTROLE E DE MONITORAMENTO ......... 8-1 
8.1. Medidas Preventivas, Mitigadoras, Reparadoras, Compensatórias e Potencializadoras.8-
48.1.1. Durante a implantação das obras............................................................................ 8-4 
8.1.1.1. Medidas para os meios físico e biológico......................................................... 8-4 
8.1.1.1.1. Medida mitigadora de diminuição das áreas circulação das máquinas (I-
FB1-M)....................................................................................................................... 8-4 
8.1.1.1.2. Medida preventiva, mitigadora e reparadora de manutenção e recuperação 
das dunas frontais (I-FB2-PMR) ................................................................................ 8-4 
8.1.1.1.3. Medida preventiva e reparadora de manutenção e recuperação das 
formações pioneiras nativas (I-FB3-PR) ................................................................... 8-5 
8.1.1.1.4. Medida preventiva e mitigadora de contenção e tratamento de efluentes 
líquidos e resíduos sólidos (I-FB4-PM)...................................................................... 8-5 
8.1.1.1.5. Medida mitigadora de orientação e gerenciamento da deposição do 
material dragado (I-FB5-M) ....................................................................................... 8-6 
8.1.1.1.6. Medida mitigadora de redução da pluma de sedimentos durante as 
dragagens (I-FB6-M) ................................................................................................. 8-6 
8.1.1.1.7. Medida compensatória de monitoramento da ictiofauna (I-FB7-C) ........... 8-6 
8.1.1.1.8. Medida preventiva de não implantação das obras de 
urbanização/requalificação da paisagem na praia central de Matinhos até a 
confirmação da recuperação da praia (I-FB8-P) ....................................................... 8-6 
8.1.1.2. Medidas para o meio socioeconômico ............................................................. 8-7 
8.1.1.2.1. Medidas mitigadoras e compensatórias do prejuízo a demandantes, 
locatários e proprietários frágeis, pelo encarecimento de imóveis, e mitigação do 
aumento das ocupações irregulares (I-S01-MC)....................................................... 8-8 
8.1.1.2.2. Medidas de potencialização dos benefícios aos proprietários, imobiliárias, 
construtoras e à Prefeitura Municipal devido ao aumento de preços dos imóveis (I-
S02-T)........................................................................................................................ 8-8 
8.1.1.2.3. Medidas mitigadoras do impacto de danos à saúde pela contaminação 
atmosférica causada pelo trânsito de caminhões e operação da maquinaria (I-S03-M)
................................................................................................................................... 8-9 
8.1.1.2.4. Medidas para mitigação dos prejuízos ao comércio e aos serviços pelo 
tráfego de caminhões e operação da maquinaria (I-S04-M) ..................................... 8-9 
8.1.1.2.5. Medidas de prevenção e mitigação do risco de acidentes na área das obras 
por movimentação de caminhões, maquinaria e materiais (I-S05-PM)................... 8-10 
8.1.1.2.6. Medidas de prevenção e mitigação dos impactos de piora das condições de 
circulação, danos às vias, e aumento do risco de acidentes na PR-508 e na área 
urbana (I-S06-PM)................................................................................................... 8-10 
8.1.1.2.7. Medidas preventivas, de mitigação, reparação e compensação para danos 
a imóveis próximos ao trajeto dos caminhões e maquinaria devido a seu peso e 
vibrações produzidas (I-S07-PMRC)....................................................................... 8-11 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 VII
8.1.1.2.8. Medidas de prevenção e mitigação ao incremento de ocupações irregulares 
de terrenos e áreas ambientalmente impróprias (I-S08-PM)................................... 8-12 
8.1.1.2.9. Medidas de mitigação da perda de atratividade turística e limitações de uso 
da orla devido à realização das obras (I-S09-M)..................................................... 8-12 
8.1.1.2.10. Medidas de mitigação do aumento do desemprego e da pobreza devido á 
imigração superior à oferta de emprego (I-S10-M).................................................. 8-12 
8.1.1.2.11. Medidas para mitigação da carência de infra-estrutura e piora de serviços 
por aumento de demanda (I-S11-M) ....................................................................... 8-13 
8.1.1.2.12. Medidas de potencialização do impulso a novos investimentos e 
fortalecimento das atividades devido à maior atratividade turística (I-S12-T) ......... 8-13 
8.1.1.2.13. Medidas para potencialização da melhora da qualidade urbana e 
paisagística na área agenciada (I-S13-T)................................................................ 8-13 
8.1.1.2.14. Medida de mitigação da perda parcial de atratividade turística por perda 
de visão contínua da paisagem da praia (I-S14-M)................................................. 8-14 
8.1.1.2.15. Medida de mitigação da perda parcial de atratividade turística por 
empecilhos à circulação de pedestres (I-S15-M) .................................................... 8-14 
8.1.1.2.16. Medidas de mitigação da perda parcial de atratividade turística devido à 
mudança na textura e cor da areia da praia (I-S16-M)............................................ 8-14 
8.1.1.2.17. Medidas para potencializar o aumento de atratividade turística por 
engorda das praias e paisagismo a beira-mar (I-S17-T) ......................................... 8-15 
8.1.2. Após a implantação da obras ................................................................................ 8-16 
8.1.2.1. Medidas para os meios físico e biológico....................................................... 8-16 
8.1.2.1.1. Medida preventiva de estudo de viabilidade de implantação de recifes 
submersos no setor norte do arco praial de Caiobá (PI-FB01-P)............................ 8-16 
8.1.2.1.2. Medida mitigadora de transposição de areia no Rio Matinhos (PI-FB02-M)8-
16 
8.1.2.1.3. Medida compensatória de criação de áreas marinhas protegidas (PI-FB03-
C)............................................................................................................................. 8-16 
8.1.2.2. Medidas para o meio socioeconômico ........................................................... 8-17 
8.1.2.2.1. Medida compensatória de retirada de duas poitas (PI-S01-C)................ 8-17 
8.1.2.2.2. Medida compensatória de aumento da altura da ponte do rio Matinhos (PI-
S02-C) ..................................................................................................................... 8-17 
8.1.2.2.3. Medida compensatória de construção de trapiches dentro do rio Matinhos 
(PI-S03-C) ............................................................................................................... 8-17 
8.2. Programas de Controle e Monitoramento .................................................................... 8-17 
8.2.1. Meios físico e biótico ............................................................................................. 8-17 
8.2.1.1. Programa de gestão de resíduos da Construção Civil (PGRCC)................... 8-17 
8.2.1.2. Programa de Gerenciamento de Efluentes (PGE) ......................................... 8-18 
8.2.1.3. Programa de Monitoramento do Volume Praial (PMVP)................................ 8-18 
8.2.1.4. Programa de Monitoramento da Turbidez da Pluma de Sedimentos da 
Dragagem (PMP)......................................................................................................... 8-19 
8.2.1.5. Programa de monitoramento dos impactos da dragagem na ictiofauna, plâncton 
e bentos (PMFA) ......................................................................................................... 8-19 
8.2.1.5.1. Monitoramento da Ictiofauna ...................................................................8-19 
8.2.1.5.2. Monitoramento do Zooplâncton............................................................... 8-20 
8.2.1.6. Programa de Gerenciamento de Riscos e Acidentes na Construção (PGRAC) 8-
21 
8.2.1.7. Programa de Reposição das Perdas de Areia (PRPA) .................................. 8-21 
8.2.1.8. Programa de Monitoramento dos Impactos da Engorda na Fauna de Praias 
(PMP) .......................................................................................................................... 8-21 
8.2.1.9. Programa de Gestão das Dunas Frontais (PGDF)......................................... 8-22 
8.2.2. Meio socioeconômico ............................................................................................ 8-22 
8.2.2.1. Programas de controle relativos aos impactos no meio socioeconômico ...... 8-22 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 VIII
8.2.2.1.1. Programa de Qualificação Turística e Desenvolvimento de Matinhos 
(PQTD) .................................................................................................................... 8-23 
8.2.2.1.2. Programa Habitacional e de Prevenção de Ocupações Irregulares (PHPOI)
................................................................................................................................. 8-23 
8.2.2.1.3. Programa de Comunicação Social (PCS) ............................................... 8-23 
8.2.2.1.4. Programa de Capacitação Profissional (PCP)......................................... 8-24 
8.2.2.1.5. Programa de Assistência Social (PAS) ................................................... 8-24 
8.2.2.1.6. Programa de Mitigação dos Impactos nas Vias de Circulação e Adjacências 
(PMIVCA) ................................................................................................................ 8-24 
8.2.2.1.7. Programa de Saúde e Segurança do Trabalho nas obras (PSST) ......... 8-24 
8.2.2.2. Monitoramento de impactos no meio socioeconômico................................... 8-25 
8.2.2.2.1. Programa de Monitoramento Histórico, Cultural e Arqueológico (PMHCA) 8-
25 
8.2.2.2.2. Programa de Salvaguarda do Material Arqueológico (PSMA) ................ 8-26 
8.2.2.2.3. Programas de Educação Patrimonial e Divulgação (PEPD) ................... 8-26 
8.2.2.2.4. Programas de Musealização e Cultura.................................................... 8-28 
9. CONCLUSÃO...................................................................................................................... 9-29 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................ 10-30 
10.1. Referências bibliográficas Capítulo 2....................................................................... 10-30 
10.2. Referências bibliográficas Capítulo 3....................................................................... 10-31 
10.3. Referências Bibliográficas Capítulo 5 ...................................................................... 10-31 
10.4. Referências bibliográficas Capítulo 7....................................................................... 10-49 
10.5. Referencias bibliográficas Capítulo 8....................................................................... 10-51 
11. GLOSSÁRIO ................................................................................................................... 11-53 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 IX
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 2.1: Praia Central ou Mansa de Matinhos no final dos anos 20 (Bigarella 1991). ......... 2-6 
Figura 2.2: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1934 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e 
muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. ...................................................................... 2-6 
Figura 2.3: Praia Central ou Mansa de Matinhos entre 1934 e 1936 (Bigarella 1991). Notar a 
ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. .................................................. 2-7 
Figura 2.4: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1937 (Bigarella 1991). Notar a ocupação 
sobre a faixa dinâmica da praia. ............................................................................................... 2-7 
Figura 2.5: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1948 (Bigarella 1991). Notar a ocupação 
na faixa dinâmica da praia e sobre a praia. .............................................................................. 2-7 
Figura 2.6: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 
1980. ......................................................................................................................................... 2-8 
Figura 2.7: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 
1980. Notar as raízes expostas da palmeira e altura do banco, evidenciando erosão............. 2-8 
Figura 2.8: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento 
precário. .................................................................................................................................... 2-9 
Figura 2.9: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento 
precário. .................................................................................................................................... 2-9 
Figura 2.10: Erosão costeira e muro de contenção em pedra destruído na praia central de 
Matinhos, em 1980.................................................................................................................. 2-10 
Figura 2.11: Extremo norte do muro de contenção em pedra, em 1980. Notar que apenas a 
parte final do muro permanecia em pé e além deste para o norte (direita na fotografia), não há 
problema erosivo..................................................................................................................... 2-10 
Figura 2.12: Linha de costa de Caiobá em 1953 (em azul) e traçado da Avenida Beira-Mar (em 
vermelho), evidenciando sua construção muito próxima ou mesmo sobre a praia (Pierri et al. 
2006). ...................................................................................................................................... 2-11 
Figura 2.13: Praia Brava de Matinhos ou do Guarituba em 1949. Notar (a) a larga praia com 
baixa declividade; (b) as dunas frontais e (c) a larga faixa de areia com vegetação (indicações 
nossas sobre fotografia de Bigarella 1991)............................................................................. 2-11 
Figura 2.14: Soleira em gabião recém construída na parte central do arco praial Caiobá-
Matinhos (Foto de 25 de outubro de 1985 do arquivo do jornal Gazeta do Povo, extraído de 
Gouvêa da Costa 2002). Notar a construção sobre a praia.................................................... 2-12 
Figura 2.15: Soleira e espigões em gabião na parte central do arco praial Caiobá-Matinhos, em 
12 de julho de 1994................................................................................................................. 2-12 
Figura 2.16: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá-Matinhos, em 
12 de julho de 1994................................................................................................................. 2-12 
Figura 2.17: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos (Foto 
de 14 de setembro de 1995 de Eduardo F. Gobbi, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a 
avanço das obras sobre a praia e a modificação da forma natural do arco praial. ................. 2-13 
Figura 2.18: Avenida Beira-Mar no balneário Riviera, em 12 de julho de 1994. Notar o avanço 
da avenida sobre a faixa dinâmica da praia, evidenciada pela quebra da curvatura natural do 
arco praial................................................................................................................................2-13 
Figura 2.19: Soleira em gabião parcialmente destruída na parte norte do arco praial Caiobá–
Matinhos, em 1989.................................................................................................................. 2-14 
Figura 2.20: Soleira e espigões destruídos por eventos de alta energia na parte norte do arco 
praial Caiobá–Matinhos, em 2 de maio de1995...................................................................... 2-14 
Figura 2.21: Calçadão destruído na Praia Central de Matinhos, em 12 de julho de 1994...... 2-15 
Figura 2.22: Concepção artística dos guias-corrente (Gobbi 2007)........................................ 2-16 
Figura 2.23: Concepção artística dos headlands (Gobbi 2007). ............................................. 2-16 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 X
Figura 2.24: Mapa de localização das obras propostas.......................................................... 2-18 
Figura 2.25: Principais rios do Município de Matinhos em planta de 1945 (Bigarella 1991)... 2-19 
Figura 2.26: Bacias de drenagem interligadas dos rios do município de Matinhos (Milani 2001).
................................................................................................................................................ 2-20 
Figura 2.27: Unidades de Conservação na área de influência direta do empreendimento .... 2-21 
Figura 2.28: Localização dos Parques Municipais de Matinhos ............................................. 2-22 
Figura 2.29: Planta geral das obras propostas (Paranacidade 2009)..................................... 2-24 
Figura 2.30: Guias-corrente do canal da Praia Brava de Caiobá (Paranacidade 2009). ........ 2-24 
Figura 2.31: Guias-corrente da foz do rio Matinhos (Paranacidade 2009). ............................ 2-25 
Figura 2.32: Headland do balneário Flórida (Paranacidade 2009). ........................................ 2-25 
Figura 4.1: Área Diretamente Afetada (ADA) para os meios físico, biótico e socioeconômico. 4-1 
Figura 4.2: Área de Influência Direta (AID) para os meios físico, biótico e socioeconômico .... 4-1 
Figura 4.3: Área de Influência Indireta (AII) para os meios físico e biótico ............................... 4-1 
Figura 4.4: Área de Influência Indireta (AII) para o meio socioeconômico................................ 4-1 
Figura 5.1: Gráfico da percentagem de ocorrência de parâmetros de onda: altura significativa 
(Hs) e período do pico (Tp) na frente do Balneário Shangri-la (Lima et al. 2009). ................... 5-5 
Figura 5.2: Localização e principais unidades geomorfológicas da região litorânea do Paraná. 
(1) planaltos; (2) serras originadas por dissecação de borda de planalto; (3) serras originadas 
por erosão diferencial; (4) tálus, leques aluviais e planícies aluviais; (5) planície costeira; 
(6) divisor de águas; (7) limite interestadual (Angulo 1999)...................................................... 5-9 
Figura 5.3: Modelo de delta de maré vazante (Hayes 1975) .................................................. 5-11 
Figura 5.4: Modelos de deltas de maré vazante com várias configurações resultantes da 
dominância de diferentes processos (Oertel 1975). (a) dominado por ondas; (b) dominado por 
ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o norte; (c) dominado por ondas com 
corrente de deriva litorânea fluindo para o sul; (d) dominado por marés................................ 5-11 
Figura 5.5: Modelo de delta de maré vazante na desembocadura da Baía de Guaratuba. 
(1) barras de espraiamento e barras submersas; (2) barra de margem de canal; (3) lobo 
terminal; (4) canal de vazante principal; (5) direção inferida de deriva litorânea predominante 
(Angulo 1999).......................................................................................................................... 5-12 
Figura 5.6: Configuração da barra da Baía de Guaratuba (a) em 27 de agosto de 1954, (b) em 
5 de maio 1965, (c) em 25 de setembro de 1980. (1) planície costeira; (2) serra e morros; 
(3) praia; (4) barra de espraiamento; (5) barra submersa com arrebentação; (6) barra submersa 
com esbeltamento de ondas; (7) planície de maré; (8) direção inferida de avanço de dunas 
subaquosas (comprimento de onda de 5 a 15 m); (9) direção preferencial inferida de corrente 
de maré vazante; (10) direção predominante inferida de deriva litorânea; (11) rios, córregos e 
canais de maré; (12) esporões artificiais (Angulo 1999). ........................................................ 5-13 
Figura 5.7: Fotografia aérea de 1997 da parte sul da praia Brava de caiobá (Paranacidade), 
com indicação da posição dos bancos que compõem o lobo frontal do delta de maré vazante 
da baía de Guaratuba, em diferentes datas............................................................................ 5-15 
Figura 5.8: Configuração da praia Brava de Caiobá em (a) 1954, (b) em 1965 e (c) em 1980. . 5-
15 
Figura 5.9: Perfis do arco praial Caiobá-Matinhos e gráfico de inclinação média da praia de 
norte para sul e percentagens nos vários intervalos de classe granulométrica (Bigarella et al. 
1966). ...................................................................................................................................... 5-17 
Figura 5.10: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 1990 (a partir 
de dados do Lecost inédito) .................................................................................................... 5-17 
Figura 5.11: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 2009 ...... 5-18 
Figura 5.12: Foto aérea oblíqua do arco praial de Caiobá – Matinhos, em 1994. Notar o 
alargamento da praia na parte sul associado à existência da barra transversal à praia e 
estreitamento na parte norte. .................................................................................................. 5-19 
Figura 5.13: Dunas frontais e larga pós-praia na parte sul do arco praial de Caiobá-Matinhos, 
próximo ao banco de areia transversal à praia, em 2009. ...................................................... 5-19 
Figura 5.14: Figura do arco praial de Matinhos – Pontal do Sul (Google). ............................. 5-20 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XI
Figura 5.15: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos-
Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 1990 (a partir de dados do 
Lecost inédito). ........................................................................................................................ 5-20 
Figura 5.16: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos-
Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 2009............................. 5-21 
Figura 5.17: Problemas de erosão costeira na praia Central de Matinhos, em 1994. ............ 5-22 
Figura 5.18: Problemas de erosão costeira na parai Central de Matinhos, em 2009. ............ 5-22 
Figura 5.19: Alteração do arco praial pela ocupação e construção da Avenida Beira-Mar no 
Balneário Flamingo, em 1994. A seta indica a área de ocupação irregular. ........................... 5-23 
Figura 5.20: Fotografias tomadas do mesmo local com vista para (a) sul, onde se observa o 
perfil praial em equilíbrio e dunas frontais e (b) norte onde se observa o problema erosivo 
originado pela ocupação e as obras de contenção, em 2007................................................. 5-23 
Figura 5.21: Pequena faixa com dunas frontais entre a praia e a calçada, onde ainda o perfil de 
equilíbrio da praia pode ser mantido, no Balneário Riviera, em 2009..................................... 5-24 
Figura 5.22: Cordões de dunas e paleodunas frontais na Praia Deserta no Superagüi, em 1992.
................................................................................................................................................5-25 
Figura 5.23: Dunas frontais parcialmente erodidas após evento de alta energia de ondas, na 
Praia Deserta no Superagüi, em 1987. ................................................................................... 5-25 
Figura 5.24: Dunas frontais formadas com o auxilio da grama utilizada para paisagismo no 
setor sul da Praia Brava de Caiobá......................................................................................... 5-26 
Figura 5.25: Dunas frontais formadas pela vegetação nativa paranaense no setor sul da praia 
Brava de Caiobá...................................................................................................................... 5-26 
Figura 5.26 Dunas frontais formadas após o ano 2000 após a remoção da ocupação, ao norte 
do rio Matinhos........................................................................................................................ 5-27 
Figura 5.27: Dunas frontais existentes ao norte do balneário Riviera..................................... 5-27 
Figura 5.28: Distribuição da média granulométrica nos sedimentos de fundo da plataforma 
continental interna rasa da porção central do litoral paranaense, segundo a classificação 
nominal de Folk & Ward (1957), baseada no diâmetro médio (Veiga et al. 2004).................. 5-28 
Figura 5.29: Teores de carbonato nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na 
porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004)......................................................... 5-29 
Figura 5.30: Teores de matéria orgânica presentes nos sedimentos da plataforma continental 
interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004)................................ 5-30 
Figura 5.31: Distribuição das concentrações de arsênio (As) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. ....................................................................................................................... 5-2 
Figura 5.32: Distribuição das concentrações de cádmio (Cd) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. ....................................................................................................................... 5-2 
Figura 5.33: Distribuição das concentrações de cromo (Cr) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. ............................................................................................................................... 5-3 
Figura 5.34: Distribuição das concentrações de cobre (Cu) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. ............................................................................................................................... 5-3 
Figura 5.35: Distribuição das concentrações de níquel (Ni) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. ............................................................................................................................... 5-4 
Figura 5.36: Distribuição das concentrações de chumbo (Pb) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. ....................................................................................................................... 5-4 
Figura 5.37: Distribuição das concentrações de zinco (Zn) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. ............................................................................................................................... 5-5 
Figura 5.38: Distribuição das concentrações de carbono orgânico (COT) nos sedimentos 
uperficiais na área investigada.................................................................................................. 5-7 
Figura 5.39: Distribuição das concentrações de Nitrogênio Total nos sedimentos superficiais na 
área investigada. ....................................................................................................................... 5-8 
Figura 5.40: Distribuição das concentrações de Fósforo Total nos sedimentos superficiais na 
área investigada. ....................................................................................................................... 5-8 
Figura 5.41: Localização da área de estudo ............................................................................. 5-9 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XII
Figura 5.42: Circulação de larga escala – Atlântico Sul.......................................................... 5-10 
Figura 5.43: Campo de corrente em situação de sizígia – maré vazante ............................... 5-12 
Figura 5.44: Campo de corrente em situação de sizígia – maré enchente............................. 5-12 
Figura 5.45: Campo de velocidade enchente na baía de Paranaguá e na plataforma interna. .. 5-
13 
Figura 5.46: Campo de velocidade vazante na baía de Paranaguá e na plataforma interna. 5-14 
Figura 5.47: Localização da jazida de sedimentos (pontos vermelhos e verdes) a ser utilizada 
para engordamento da faixa de areia em Matinhos................................................................ 5-14 
Figura 5.48: Localização da área de estudo com os perfis e os pontos amostrais (Veiga et al. 
2004) ....................................................................................................................................... 5-16 
Figura 5.49: Classificação dos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção 
central do litoral paranaense segundo a classificação de Shepard (1954) (Veiga et al. 2004) .. 5-
16 
Figura 5.50: Comportamento da concentração na coluna d'água de 6 descartes de 11.000 m3 
de sedimento, mostrado a cada 8 h em condições de maré de sizígia .................................. 5-17 
Figura 5.51: Distância da área da jazida em relação à costa ................................................. 5-19 
Figura 5.52: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 900 segundos. ......................... 5-20 
Figura 5.53: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 10560 segundos. ..................... 5-21 
Figura 5.54: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 67200 de segundos. ..................... 5-21 
Figura 5.55: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 109440 de segundos. ................... 5-22 
Figura 5.56: Série de elevação para o nó próximo à jazida. ................................................... 5-22 
Figura 5.57: Exemplos de espécies características de vegetação de restinga herbácea 
encontradas nas áreas estudadas. A. Rumohra adiantiformis; B. Tibouchina clavata; C. 
Hydrocotyle bonariensis; D. Cordia curassavica..................................................................... 5-25 
Figura 5.58: Fisionomia de trecho do balneário Flórida, evidenciado contaminação por 
Braquiária em primeiro plano. ................................................................................................. 5-27 
Figura 5.59: Fisionomias de diferentes trechos localizados nas áreas estudadas. A. Praia Brava 
de Caiobá (ADA, Matinhos): vegetação escassa ou ausente; B. Balneário Riviera (ADA, 
Matinhos): vegetação alterada ou ausente; C. Balneário Flórida (ADA, Matinhos): vegetação 
em melhor estado; D. Praia de Barranco (AII, Pontal do Paraná): restinga em bom estado de 
conservação, formando um contínuo com as formações arbustivas e florestais (em último 
plano). ..................................................................................................................................... 5-28 
Figura 5.60: Média e erro padrão do número de espécies de aves associadas ao ambiente de 
entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. ........................................................ 5-35 
Figura 5.61: Média e erro padrão do número de indivíduos de aves associadas ao ambiente de 
entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. ........................................................ 5-35 
Figura 5.62: Aspecto do ambiente de entremarés na Área Diretamente Afetada................... 5-36 
Figura 5.63: Bando misto de aves consumindo descartes da pescano ambiente de entremarés.
................................................................................................................................................ 5-36 
Figura 5.64: Nidificação da coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia, em área de Formação 
Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. ................................ 5-41 
Figura 5.65: Nidificação do quero-quero, Vanellus chilensis, em área de Formação Pioneira de 
Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. ................................................... 5-41 
Figura 5.66: Perfis topográficos nas quatro áreas de coleta. Os pontos representam as 
estações de coleta (10 por praia)............................................................................................ 5-69 
Figura 5.67: Resultados da analise multivariada (MDS) mostrando as similaridades entre as 
estações de coleta das quatro áreas amostradas................................................................... 5-71 
Figura 5.68: Resultados da analise multivariada (MDS) mostrando as similaridades entre as 
espécies coletadas nas quatro áreas amostradas. ................................................................. 5-72 
Figura 5.69: Médias ( ), erros-padrão (±EP) ( ) e intervalos com 95% de confiança 
(±1.96*EP) ( ) da riqueza, abundância e diversidade de Shannon-Wiener de organismos ao 
longo dos pontos de coleta dos transectos 1 e 2 .................................................................... 5-77 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XIII
Figura 5.70: Análise de proximidade (MDS) entre todas as amostras analisadas (3 réplicas por 
ponto) ...................................................................................................................................... 5-79 
Figura 5.71: Análise de proximidade (MDS) entre pontos amostrais (médias de três réplicas por 
ponto) ...................................................................................................................................... 5-79 
Figura 5.72: Análise de proximidade (MDS) mostrando os pontos de ocorrência e a abundância 
relativa dos seis táxons com maior contribuição (Mellita sp., Amphipoda sp1, Armandia loboi, 
Ophiuroidea sp1, Nephtys squamosa e Owenia sp.). O diâmetro dos círculos indica a 
abundância de organismos presentes por amostra ................................................................ 5-80 
Figura 5.73: Imagem aérea do município de Matinhos (Fonte: Google 2009)........................ 5-84 
Figura 5.74: Domicílios particulares permanentes ocupados, segundo setores censitários 
urbanos – Matinhos, 2007....................................................................................................... 5-85 
Figura 5.75: Pirâmide relativa por idade simples Matinhos e litoral paranaense em 2007. Fonte: 
IBGE- Contagem Populacional 2007 ...................................................................................... 5-89 
Figura 5.76: Distribuição dos domicílios particulares permanentes de uso ocasional na região 
do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 Fonte: IBGE-Censo Demográfico, 2000; Contagem 
Populacional, 2007.................................................................................................................. 5-93 
Figura 5.77: Fluxo de turistas para o litoral do Paraná, em 2000 a 2005.............................. 5-113 
Figura 5.78: Distribuição do fluxo de turistas do litoral do Paraná por município (%), em 2004 e 
2005. Fonte: SETU 2006....................................................................................................... 5-113 
Figura 5.79: Entrevista semi-estruturada com o presidente da Colônia de Pescadores de 
Matinhos Z-4, Mário Jorge Hanek ......................................................................................... 5-119 
Figura 5.80: Entrevista semi-estruturada com o vereador Jair Pescador ............................. 5-120 
Figura 5.81: Entrevista semi-estruturada com o pescador residente nas margens do Rio 
Matinhos................................................................................................................................ 5-120 
Figura 5.82: Entrevista semi-estruturada com pescadores do município de Matinhos......... 5-120 
Figura 5.83: Canoas de fibra utilizadas pelos pescadores de Matinhos .............................. 5-121 
Figura 5.84: Canoa de fibra utilizada por pescadores que residem nas margens do Rio 
Matinhos................................................................................................................................ 5-122 
Figura 5.85: Mercado Municipal de Pescados Manuel Machado.......................................... 5-122 
Figura 5.86: Pescadores concertando redes de pesca no entorno do Mercado de Pescado..... 5-
123 
Figura 5.87: Rede Alta – Petrecho utilizado por 80% dos pescadores de Matinhos ............ 5-124 
Figura 5.88: Rede Alta – Petrecho utilizado por 80% dos pescadores de Matinhos ............ 5-124 
Figura 5.89: Mapeamento participativo das áreas de pesca utlizadas pelos pescadores de 
Matinhos, PR......................................................................................................................... 5-125 
Figura 5.90: Panorâmica do Segmento 1 (Fonte: Roberto Sampaio) ................................... 5-129 
Figura 5.91: Canal de Caiobá (Fonte: Roberto Sampaio)..................................................... 5-130 
Figura 5.92: Panorâmica do setor sul Segmento 2 (Fonte: Roberto Sampaio) .................... 5-131 
Figura 5.93: Panorâmica do setor norte Segmento 2 (Fonte: Roberto Sampaio)................. 5-131 
Figura 5.94: Setor erodido e com obras de contenção da Averina Beira Mar no Segmento 3 
(Fonte: Roberto Sampaio)..................................................................................................... 5-132 
Figura 5.95: Panorâmica do Segmento 3 (Fonte: Roberto Sampaio). .................................. 5-133 
Figura 5.96: Gravuras de material cultural da Tradição Umbu no Paraná............................ 5-136 
Figura 5.97: Gravura com material cultural dos sítios Sambaqui. (a-b- Laguna SC, c- Torres RS) 
pedras furadas de uso desconhecido. (d) antropomorfo Pântano do Sul SC. (e) platiforme- 
Santa Marta SC. (f) ave em cópula- Linguado SC. (i) cricuforme- Cubatãozinho SC. (g) anta (j) 
ninhada de aves- Rio Velho SC. (h) nucleiforme- Torres RS (Prous 1992).......................... 5-137 
Figura 5.98: gravura de material cultural da Tradição Itararé-Taquara no Paraná. .............. 5-140 
Figura 5.99: Gravura de material cultural da Tradição Tupiguarani no Estado do Paraná. .. 5-141 
Figura 5.100: Gravura de material cultural da Tradição Neobrasileira no Estado do Paraná. .... 5-
144 
Figura 5.101: Pinguela sobre o rio Matinhos datada de 1947, fotografo anônimo................ 5-146 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XIV
Figura 5.102: vista geral do centro antigo de Matinhos com a Capela de São Pedro a direita 
(Igrejinha). Foto anônima, datada de 1947. .......................................................................... 5-146 
Figura 5.103: Vista geral da fachada frontal da Capela de São Pedro, município de Matinhos. 5-
147 
Figura 5.104: Vista do interior da Capela de São Pedro, município de Matinhos................. 5-147 
Figura 5.105: Vista do interior da Capela de São Pedro, detalhe do piso original confeccionado 
em cimento queimado policromo, município de Matinhos. ................................................... 5-147 
Figura 5.106: Vista geral Pico de Matinhos. Em primeiro plano, canoas defronte a Colônia de 
Pescadores. Ao fundo o morro do Pico, referenciado historicamente e excelente ponto para 
prática de surf........................................................................................................................ 5-148 
Figura7.1: Parte sul dos arcos praiais de Caiobá (a) e Matinhos (b). Notar a mudança de 
orientação da linha de costa próximo aos Morro do Boi e Ponta de Matinhos. .................... 7-188 
Figura 7.2.: Vista em planta do posicionamento dos headlands propostos, no mar (Gobbi et al. 
2003, página 84). .................................................................................................................. 7-188 
Figura 7.3.: Vista em planta do posicionamento dos headlands propostos, no mar (Gobbi 2007, 
página 24). ............................................................................................................................ 7-189 
Figura 7.4: Previsão da morfologia da praia após a construção dos guias-corrente do canal da 
Avenida Paraná. A) vista em planta, B) vista obliqua ........................................................... 7-189 
Figura 7.5: Previsão da morfologia da praia após a construção do headland do balneário 
Flórida. A) vista em planta, B) vista obliqua .......................................................................... 7-190 
Figura 7.6: Praia estreita e rebaixada no setor norte do arco praial de Caiobá decorrente do 
intenso processo erosivo, em agosto de 2009...................................................................... 7-192 
Figura 7.7: Praia larga no setor norte do arco praial de Caiobá na década de 40 (Bigarella 
1991). .................................................................................................................................... 7-192 
Figura 7.8: Quebra do arco praial (indicado pela seta), decorrente da ocupação sobre a faixa 
dinâmica da praia no Balneário Flamingo. ............................................................................ 7-193 
Figura 7.9: Canal da Avenida Paraná em Caiobá, em agosto de 2009. Notar a não existência 
de guias-corrente. ................................................................................................................. 7-196 
Figura 7.10: Guias-corrente do rio Matinhos, em julho de 1994. Notar o assoreamento do canal 
do rio. .................................................................................................................................... 7-196 
Figura 8.1: Fotografia aérea vertical da praia central de Matinhos, em abril de 1997, do setor 
(indicado pela seta) onde seria desejável o recuo da ocupação para recompor o arco praial e 
propiciar a recomposição e estabilização da praia. .................................................................. 8-7 
Figura 8.2: Setor sul do arco praial da praia central de Matinhos da área onde seria desejável o 
recuo da ocupação para recompor o arco praial e propiciar a recomposição e estabilização da 
praia. ......................................................................................................................................... 8-7 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XV
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 2.1: Custo das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos.......................... 2-28 
Tabela 2.2: Custo dos materiais das estruturas semiflexíveis. ............................................... 2-29 
Tabela 5.1: Parâmetros de ondas observadas na região ......................................................... 5-5 
Tabela 5.2: Taxas de deslocamento da extremidade norte do lobo frontal delta de maré vazante 
da barra de Guaratuba ou da barra transversal da praia Brava de Caiobá. ........................... 5-13 
Tabela 5.3: Distribuição granulométrica das amostras da área alvo da jazida ....................... 5-31 
Tabela 5.4: Distribuição dos teores carbonato de cálcio (CaCO3) e de matéria orgânica das 
amostras da área alvo da jazida ............................................................................................. 5-31 
Tabela 5.5: Concentração de HPAs (µg kg-1), para os sedimentos superficiais coletados na 
jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos, em 
comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 
344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método.............................................. 5-34 
Tabela 5.6: Concentração de pesticidas e PCBs (µg kg-1) para os sedimentos superficiais 
coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de 
Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da 
Legislação CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método........... 5-34 
Tabela 5.7: Dados granulométricos (teor de cascalho, areia, silte e argila) e classificação do 
tamanho dos grãos (segundo Shepard 1954 e Folk & Ward 1957) para os sedimentos 
superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município 
de Matinhos............................................................................................................................... 5-1 
Tabela 5.8: Concentração dos elementos traços (mg/kg) nos sedimentos superficiais. Para 
mercúrio (Hg) os valores foram não detectáveis (n.d.). ............................................................ 5-1 
Tabela 5.9: Correlação entre os resultados dos elementos traço e demais parâmetros 
analisados nos sedimentos superficiais. ................................................................................... 5-6 
Tabela 5.10: Classificação do sedimento encontrado na área da jazida. ............................... 5-15 
Tabela 5.11: Porcentagem de cada uma das classes encontradas na área da jazida. .......... 5-15 
Tabela 5.12: Lista de espécies de tartarugas marinhas com ocorrência para o Litoral do Estado 
do Paraná. Registro: Status: EP= em perigo. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do 
Paraná..................................................................................................................................... 5-31 
Tabela 5.13: Lista das espécies de aves da plataforma continental. Registro: Status: VU= 
vulnerável, NT= quase ameaçada. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná. 5-31 
Tabela 5.14: Lista das espécies de mamíferos da Plataforma Continental registradas para o 
litoral do estado do Paraná. Status: DD=dados deficientes, VU=vulnerável. Fonte: Paraná 
(2004). ..................................................................................................................................... 5-32 
Tabela 5.15: Espécies de aves que ocorrem em ambientes de entremarés de praias oceânicas 
na costa do Paraná. Status NT= quase ameaçada, DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná 
(2004). ..................................................................................................................................... 5-34 
Tabela 5.16: Lista das espécies de anfíbios registradas na área de influência e no entorno do 
empreendimento. .................................................................................................................... 5-37 
Tabela 5.17: Lista das espécies de répteis registradas na área de influência e no entorno do 
empreendimento. .................................................................................................................... 5-38 
Tabela 5.18: Aves que ocorrem nos ambientes Pioneiros sob Influência Marinha e Fluvial na 
costa paranaense. Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada e DD= dados insuficientes. 
Fonte: Paraná (2004). ............................................................................................................. 5-38 
Tabela 5.19: Organismos fitoplanctônicos identificados na zona de arrebentação da Praia de 
Pontal do Sul. Modificado de Rezende (1995)........................................................................ 5-43 
Tabela 5.20: Copépodes coletados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul em 
Novembro de 2009..................................................................................................................5-46 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XVI
Tabela 5.21: Copépodes registrados na plataforma interna do Paraná por Sartori & Lopes 
(2000). ..................................................................................................................................... 5-47 
Tabela 5.22: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área diretamente afetada. ............................................................................ 5-48 
Tabela 5.23: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada. ....................... 5-49 
Tabela 5.24: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área diretamente afetada. ....................................................................................................... 5-50 
Tabela 5.25: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada.................................... 5-51 
Tabela 5.26: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma 
continental na área diretamente afetada................................................................................. 5-52 
Tabela 5.27: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada........................ 5-53 
Tabela 5.28: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área de influência direta............................................................................... 5-54 
Tabela 5.29: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta. ......................... 5-55 
Tabela 5.30: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área de influência direta. ......................................................................................................... 5-56 
Tabela 5.31: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. .................................... 5-58 
Tabela 5.32: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma 
continental na área de influência direta................................................................................... 5-59 
Tabela 5.33: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta.......................... 5-59 
Tabela 5.34: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área de influência indireta. ........................................................................... 5-60 
Tabela 5.35: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. ...................... 5-61 
Tabela 5.36: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área de influência indireta. ...................................................................................................... 5-62 
Tabela 5.37: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência indireta................................... 5-63 
Tabela 5.38: Composição, abundância absoluta (N) e relativa (% N), contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma 
continental na área de influência indireta................................................................................ 5-64 
Tabela 5.39: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na plataforma continental na área de influência indireta....................... 5-65 
Tabela 5.40: No de espécies e abundancia linear em praias da planície costeira de Praia de 
Leste, de dados secundários (os valores seguem a seguinte ordem: entre marés – infralitoral – 
total). Atami, Praia de Leste e Gaivotas extraído de Borzone et al. (1996), Brava (áreas I e II 
amostradas neste trabalho) de Barros et al. (2001)................................................................ 5-66 
Tabela 5.41: Lista de especies da macrofauna betonica de praias arenosas achadas no litoral 
do Parana................................................................................................................................ 5-66 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XVII
Tabela 5.42: Resultado das analises granulométricas das amostras obtidas na face praial (fp) e 
na zona de arrebentação (ar) das áreas amostradas. ............................................................ 5-70 
Tabela 5.43: Resultado das coletas de macrofauna com valores de riqueza (numero de 
espécies), número de indivíduos totais coletados e por metro quadrado, e abundancia linear 
(numero de indivíduos m-1). ................................................................................................... 5-70 
Tabela 5.44: Grupos taxonômicos das espécies e morfotipos identificados com suas 
respectivas abundâncias totais (AT) e freqüências relativas percentuais (FRP) .................... 5-75 
Tabela 5.45: Resultados da ANOSIM pareada. Valores de R próximos de 1 indicam alta 
dissimilaridade e próximos a 0 indicam alta similaridade........................................................ 5-78 
Tabela 5.46: Resultados da análise SIMPER ......................................................................... 5-80 
Tabela 5.47: População por situação de domicílio, segundo municípios do litoral – Paraná, 
1991, 2000 e 2007 .................................................................................................................. 5-86 
Tabela 5.48: Grau de urbanização segundo municípios do litoral – Paraná, 1991, 2000 e 2007
................................................................................................................................................ 5-86 
Tabela 5.49: Taxa de crescimento da população por situação de domicílio, segundo municípios 
do litoral – Paraná, 1991/2000 e 2000/2007 ........................................................................... 5-87 
Tabela 5.50: Proporção de chefes segundo idade, em Matinhos e litoral, em 2007. ............. 5-89 
Tabela 5.51: Proporção de chefes segundo idade e sexo, em Matinhos e litoral, em 2007... 5-90 
Tabela 5.52: Número de imigrantes de data fixa por local de origem, segundo municípos de 
destino, no litoral paranaense, em 2007. ................................................................................ 5-90 
Tabela 5.53: Domicílios particulares permanentes por condição de ocupação, segundo 
municípios do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 ...................................................................5-91 
Tabela 5.54: Incremento total e taxa de crescimento anual dos domicílios por condição de 
ocupação segundo municípios do litoral do Paraná, em 2000-2007 ...................................... 5-92 
Tabela 5.55: Domicílios particulares permanentes não ocupados por categoria, segundo 
municípios do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 ................................................................... 5-93 
Tabela 5.56: Domicílios particulares permanentes por condição de propriedade no Paraná, 
Microrregião de Paranaguá e Matinhos, em 2000 .................................................................. 5-94 
Tabela 5.57: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por 
seção de atividade do trabalho principal, segundo os municípios no litoral paranaense, em 
2000. ....................................................................................................................................... 5-95 
Tabela 5.58: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por 
posição na ocupação e a categoria do emprego no trabalho principal, segundo os municípios 
do litoral paranaense, em 2000............................................................................................... 5-96 
Tabela 5.59: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por 
classes de rendimento nominal mensal de todos os trabalhos, segundo os municípios do litoral 
paranaense, em 2000. ............................................................................................................ 5-97 
Tabela 5.60: Domicílios particulares permanentes segundo a forma de abastecimento de água 
no Paraná, Litoral e Matinhos, em 2000. ................................................................................ 5-98 
Tabela 5.61: Abastecimento de água, pela Sanepar, segundo as categorias, em 2008. ....... 5-99 
Tabela 5.62: Domicílios particulares permanentes segundo tipo de esgotamento sanitário no 
Paraná, Litoral e Matinhos, em 2000. ..................................................................................... 5-99 
Tabela 5.63: Domicílios particulares permanentes ocupados segundo destino do lixo no 
Paraná, em 2000................................................................................................................... 5-100 
Tabela 5.64: Consumo e número de consumidores de energia elétrica, em Matinhos, em 2008.
.............................................................................................................................................. 5-101 
Tabela 5.65: Produto Interno Bruto, segundo municípios da região litorânea do Paraná em 
2001-2007 ............................................................................................................................. 5-110 
Tabela 5.66: Proporção do Produto Interno Bruto nos setores de atividade, segundo municípios 
da região litorânea do Paraná, em 2002 e 2006. .................................................................. 5-111 
Tabela 5.67: Perfil do turista que visitou o litoral do Paraná, em 1998-2006........................ 5-115 
Tabela 5.68: Perfil do turista que visitou Matinhos em 1998 a 2006..................................... 5-117 
Tabela 5.69: Principais espécies capturadas por período do ano ..........................................5-123 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 XVIII
 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 8.1: Quadro das medidas para os meios físico e biológico e programas relacionados8-1 
Quadro 8.2: Quadro das medidas para o meio socioeconômico e programas relacionados.... 8-2 
 
 
 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 1-1
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR E EMPRESA CONSULTORA 
1.1. Identificação do empreendedor 
? Nome ou razão social: Serviço Social Autônomo PARANACIDADE 
? Número do CNPJ: 01.450.804/0001-55 
? Endereço completo: Rua Deputado Mário de Barro, 1290 – 1º andar 
Centro Cívico - CEP 80530-913 – Curitiba/PR 
? Telefone e fax: 41-3350-3300, fax 41-3353-3300 
? Representante legal: 
Nome: Luiz Forte Netto 
CPF: 000.299.809-25 
End: Av. Anita Garibaldi, 491 
Fone: 41-3350-7240 
Email: fortenetto@paranacidade.org.br 
? Pessoa de contato: 
Nome: Miryan Kravchychyn 
CPF: 355.344.279-49 
End: R. Abel Scuissiato, 195, bl. 1 ap.3 
Fone: 41-3350-3304 
Email: miryan@paranacidade.org.br 
? Certidão Negativa de Débitos Ambientais junto ao IBAMA: nº 1311472 
? Registros no Cadastro Técnico Federal (IBAMA): 4598767 
1.2. Identificação da empresa consultora 
? Nome ou razão social: AMB – Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda. 
? Número do CNPJ: 80.787.153/0001-60 
? Endereço completo: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 
81530-420 Curitiba-PR. 
? Telefone e fax: 41 3266 3963 
? Representante legal: 
Nome: Rodolfo José Angulo 
CPF: 358.944.079-15 
Endereço: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 81530-
420 Curitiba-PR. 
Fone: 41 91284609, 41 32663962 
Email: amb@ambplan.com; 
? Pessoa de contato: 
Nome: Rodolfo José Angulo 
CPF: 358.944.079-15 
Endereço: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 81530-
420 Curitiba-PR. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 1-2
Fone: 41 91284609, 41 32663962 
Email: amb@ambplan.com; 
? Registro no Cadastro Técnico Federal (IBAMA): 1666081 
1.3. Dados da equipe técnica multidisciplinar 
Coordenação geral 
Rodolfo José Angulo 
Geólogo, Doutor em Geologia sedimentar 
Registro IBAMA 93948 
 
Meio físico 
Rodolfo José Angulo 
Geólogo, Doutor em Geologia sedimentar 
Registro IBAMA 93948 
Geologia e geomorfologia 
 
Eduardo Marone 
Físico, Doutor em Oceanografia Física 
Registro IBAMA 482665 
Caracterização meteorológica e da oceanografia física 
 
Eunice da Costa Machado 
Oceanógrafa, Doutora em Ciências Naturais 
Registro IBAMA 483033 
Qualidade dos sedimentos marinhos 
 
César de Castro Martins 
Químico, Doutor em Oceanografia Química e Geológica 
Registro IBAMA 1851869 
Qualidade dos sedimentos marinhos e contaminantes orgânicos 
 
José Eduardo Gonçalves 
Físico, Doutor em Oceanografia Física 
Registro IBAMA 558021 
Modelagem numérica hidrodinâmica e transporte de sedimento 
 
Maria Cristina de Souza 
Geóloga, Doutora em Geologia Ambiental 
CREA/PR 29934-D, CONFEA 170495956-0 Registro IBAMA 539803 
Geologia e geomorfologia 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 1-3
Meio biológico 
Ricardo Krul 
Biólogo, Mestre em Zoologia 
CRBio 28238-03D, Registro IBAMA 241572 
Vertebrados terrestres e aquáticos 
 
Mayara Krasinski Caddah 
Bióloga, Mestre em Biologia Vegetal 
CRBio 66254/07D Registro Ibama 2422593 
Flora 
 
Leonardo Morrissy Hostin 
Biólogo, Mestre em Zoologia 
CRBio 25.545-07D, Registro IBAMA 2686701 
Macrofauna bêntica da plataforma rasa 
 
Orlei Antonio Negrello Filho 
Biólogo, Doutor em Zoologia 
CRBio 28536-03D, Registro IBAMA 245062 
Macrofauna bêntica da plataforma rasa 
 
Carlos Alberto Borzone 
Biólogo, Doutor em Ciências Biológicas 
Registro IBAMA 552090 
Caracterização do bentos de praias arenosas 
 
Henry Louis Spach 
Biólogo, Doutor em Oceanografia Biológica 
Registro IBAMA 511462 
Ictiofauna 
 
José Guilherme Bersano Filho 
Oceanólogo, Doutor em Oceanografia 
Registro IBAMA 568483 
Plâncton marinho 
 
Paulo Rogério Mangini 
Médico Veterinário, Mestre em Medicina Veterinária 
CRM/PR 3347, Registro IBAMA 534851 
Vertebrados terrestres e aquáticos 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 1-4
Meio socioeconômico 
Naina Pierri Estades 
Socióloga, Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento 
Registro IBAMA 960522 
Coordenação do meio socioeconômico, turismo e expectativa da população 
 
Marley Vanice Deschamps 
Economista, Demógrafa, Doutora em MeioAmbiente e Desenvolvimento 
CORECON 2259, Registro IBAMA 1055170 
Demografia, economia, condições socioeconômicas 
 
Humberto Zontini Malheiros 
Biólogo, Mestre em Sistemas Costeiros e Oceânicos 
CRBio 47446/01-D, Registro IBAMA 567927 
Pesca artesanal e recursos pesqueiros 
 
Roberto Sampaio 
Arquiteto, Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento 
CREA/SP 67888-D, CREA/PR 4294-V, Registro Nacional no Sistema CONFEA/CREAs 
(recadastramento) 260514685-5, Registro IBAMA 1670550 
Uso e ocupação do solo e entorno 
 
André Essenfelder Borges 
Licenciado e Bacharel em História, Mestre em Antropologia Social 
Registro IBAMA 290664 
Patrimônio histórico, cultural e arqueológico 
 
1.4. Edição, revisão e geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Geóloga, Doutora em Geologia Ambiental 
CREA/PR 29934-D, CONFEA 170495956-0 Registro IBAMA 539803 
Edição, revisão e geoprocessamento 
 
Mauricio Almeida Noernberg 
Oceanógrafo, Doutor em Geologia Ambiental 
Registro IBAMA 186941 
Geoprocessamento 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 1-5
1.5. Equipe de apoio do EIA/RIMA 
Fabian Sá 
Oceanógrafo, Doutor em Oceanográfica química 
Apoio no diagnóstico da qualidade do sedimento marinho 
 
Gisele Costa Fredo 
Estudante de Oceanografia 
Apoio no diagnóstico socioeconômico 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-6
2. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO 
2.1. Histórico da ocupação costeira e das obras de contenção 
Na orla marítima do município de Matinhos ocorrem problemas ambientais que afetam 
seu potencial turístico. Em dois setores de suas praias ocorre erosão costeira que tem 
diminuído significativamente a faixa de areia de praia para recreação e destruído 
parcialmente a infraestrutura urbana da orla, tal como ruas, avenidas e passeios à 
beira-mar. Na orla também ocorre à descarga de águas poluídas provenientes de rios e 
canais de drenagem. No município também ocorrem inundações decorrentes das 
enchentes do rio Matinhos. Assim, as obras propostas, analisadas neste EIA-RIMA, 
teriam o objetivo de minimizar ou eliminar estes problemas. 
A erosão costeira na orla de Matinhos decorre principalmente de uma ocupação 
inadequada. Notadamente da ocupação da faixa dinâmica da praia, ou mesmo da 
praia, e da destruição das dunas frontais, como descrito a seguir. 
O ilustre Professor João José Bigarella no seu abrangente livro sobre o município, 
denominado Matinho: Homem e Terra - Reminiscências... (1991), descreve e ilustra a 
ocupação da região. Em algumas fotografias deste livro é possível observar como a 
ocupação ocorreu muito próxima ou mesmo sobre a faixa de areia da praia (Figuras 2.1 
a 2.5). 
 
Figura 2.1: Praia Central ou Mansa de Matinhos no final dos anos 20 (Bigarella 1991). 
 
Figura 2.2: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1934 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e 
muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-7
 
Figura 2.3: Praia Central ou Mansa de Matinhos entre 1934 e 1936 (Bigarella 1991). Notar a 
ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. 
 
Figura 2.4: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1937 (Bigarella 1991). Notar a ocupação 
sobre a faixa dinâmica da praia. 
 
Figura 2.5: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1948 (Bigarella 1991). Notar a ocupação 
na faixa dinâmica da praia e sobre a praia. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-8
Nos anos 70 ocorreram problemas de erosão costeira nas praias Mansa e Brava de 
Caiobá (Angulo & Andrade 1982). A erosão na praia Brava ocorria em dois locais: no 
extremo sul da praia, junto ao Morro do Boi e na parte central da praia (Figuras 2.6 a 
2.9). 
 
Figura 2.6: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 
1980. 
 
Figura 2.7: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 
1980. Notar as raízes expostas da palmeira e altura do banco, evidenciando erosão. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-9
 
Figura 2.8: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento 
precário. 
 
Figura 2.9: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento 
precário. 
Segundo Angulo & Andrade (1982) a erosão no extremo sul teria causas naturais 
decorrente do deslocamento dos bancos de areia associados à barra de Guaratuba. Na 
parte central da praia o problema teria sido ocasionado pela ocupação da faixa 
dinâmica da praia, ou mesmo de parte da praia, devido à construção do passeio e 
avenida beira-mar. Estes autores mostram que a erosão na parte central da praia 
ocorria apenas ao longo do setor onde tinha sido construído um muro de contenção, 
que já em 1980 tinha sido completamente destruído, restando apenas suas 
extremidades, além das quais não mais se observavam processos erosivos 
significativos, mostrando claramente a associação do problema de erosão com a 
ocupação da faixa dinâmica da praia (Figuras 2.10 e 2.11). O avanço da ocupação 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-10
sobre a faixa dinâmica da praia e sobre a própria praia também pode ser observado 
comparando fotografias aéreas anteriores e posteriores à construção da avenida beira-
mar (Figura 2.12). 
 
Figura 2.10: Erosão costeira e muro de contenção em pedra destruído na praia central de 
Matinhos, em 1980. 
 
Figura 2.11: Extremo norte do muro de contenção em pedra, em 1980. Notar que apenas a 
parte final do muro permanecia em pé e além deste para o norte (direita na fotografia), não há 
problema erosivo. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-11
Oceano Atlântico
Caiobá
N250m 
Figura 2.12: Linha de costa de Caiobá em 1953 (em azul) e traçado da Avenida Beira-Mar (em 
vermelho), evidenciando sua construção muito próxima ou mesmo sobre a praia (Pierri et al. 
2006). 
A continuidade da ocupação da orla costeira acentuou esta prática de invasão da praia. 
Dois casos merecem destaque. O passeio da praia Brava de Matinhos e a Avenida 
Beira-Mar nos balneários Flamingo e Riviera, onde coincidentemente ocorrem os 
principais problemas de erosão costeira. 
A Praia Brava de Matinhos ou Praia do Guarituba, na sua antiga denominação 
(Bigarella 1991) apresentava ocupação incipiente no final dos anos 40. Sua 
configuração, então, era a de uma larga praia com dunas frontais à retaguarda e uma 
larga faixa de areia com vegetação existia entre a praia e o caminho à beira-mar, 
garantindo a manutenção da dinâmica costeira (Figura 2.13). 
 
Figura 2.13: Praia Brava de Matinhos ou do Guarituba em 1949. Notar (a) a larga praia com 
baixa declividade; (b) as dunas frontais e (c) a larga faixa de areia com vegetação (indicações 
nossas sobre fotografia de Bigarella 1991). 
Nos anos 80, como relatado, existiam problemas de erosão na parte central do arco 
praial entre Caiobá e Matinhos, que posteriormente foram se estendendo para norte até 
alcançar a ponta de Matinhos. Nos anos 80 e 90 e primeiros anos do século XXI, 
diversas obras foram executadas na tentativa de resolver os problemas de erosão 
costeira, principalmente com a implantação de muros, soleiras e espigões em gabião 
(Figuras 2.14 a 2.17). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-12
 
Figura 2.14: Soleira em gabião recém construída na parte central do arco praial Caiobá-
Matinhos (Foto de 25 de outubro de 1985 do arquivo do jornal Gazeta do Povo, extraído de 
Gouvêa da Costa 2002). Notar a construção sobre a praia. 
 
Figura 2.15: Soleira e espigões em gabião na parte central do arco praial Caiobá-Matinhos, em 
12 de julho de 1994. 
 
Figura 2.16: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arcopraial Caiobá-Matinhos, em 
12 de julho de 1994. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-13
 
Figura 2.17: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos (Foto 
de 14 de setembro de 1995 de Eduardo F. Gobbi, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a 
avanço das obras sobre a praia e a modificação da forma natural do arco praial. 
Ao norte da foz do rio Matinhos, nos balneários Flamingo e Riviera os problemas de 
erosão se iniciaram nos anos 90 como decorrência da construção do passeio e da 
Avenida Beira-Mar que invadiram a faixa ativa da praia (Figuras 2.18). 
 
Figura 2.18: Avenida Beira-Mar no balneário Riviera, em 12 de julho de 1994. Notar o avanço 
da avenida sobre a faixa dinâmica da praia, evidenciada pela quebra da curvatura natural do 
arco praial. 
As obras mantiveram a tendência de avanço em direção ao mar com a ocupação da 
faixa dinâmica de praia e, às vezes, da própria praia, o que agravou os problemas de 
erosão costeira. 
Ademais diversas obras se mostraram inadequadas. Por exemplo, as soleiras e 
espigões em gabião frequentemente não resistiam às ondas de maior energia 
(Figuras 2.19 e 2.20). Em diversos locais da orla as obras foram refeitas em várias 
oportunidades. Cabe ressaltar que não foram encontrados estudos contendo 
levantamentos ou análises críticas destas obras que permitissem avaliar seus erros e 
acertos, para subsidiar obras futuras nestas áreas afetadas ou outras regiões costeiras. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-14
 
Figura 2.19: Soleira em gabião parcialmente destruída na parte norte do arco praial Caiobá–
Matinhos, em 1989. 
 
 
Figura 2.20: Soleira e espigões destruídos por eventos de alta energia na parte norte do arco 
praial Caiobá–Matinhos, em 2 de maio de1995. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-15
 
Figura 2.21: Calçadão destruído na Praia Central de Matinhos, em 12 de julho de 1994. 
Pode-se concluir que os problemas erosivos desencadeados pela ocupação 
inadequada se agravaram com o passar do tempo e que em diversos locais ainda não 
foram resolvidos, o que torna necessário à continuidade das ações para tentar resolvê-
los. 
2.2. O histórico do empreendimento 
O inicio do empreendimento pode ser considerado a partir do Relatório Técnico 
nº 0001/2003 do Laboratório de Estudos em Monitoramento e Modelagem Ambiental – 
LEMMA do Instituto Tecnológico Simepar, elaborado por Eduardo Felga Gobbi, 
Maurício Felga Gobbi e José Eduardo Gonçalves, em 2003, denominado Detalhamento 
e Modelagem das Obras Complementares, Referentes aos Estudos e Projetos da 
Recuperação da Praia Brava, Central, e Balneário Flamingo e Riviera na Orla do 
Município de Matinhos e Prainha na Orla do Município de Guaratuba – Litoral do 
Estado do Paraná. 
O objetivo deste relatório era apresentar um conjunto de alternativas de obras 
complementares ao engordamento da praia a ser implementado pela Suderhsa, no 
litoral do Estado do Paraná (grifo nosso). Neste documento foram propostos os guias-
corrente do Canal da Avenida Atlântica e da foz do rio Matinhos e três alternativas de 
outras obras complementares: (a) 14 espigões, (b) 20 quebra-mares ou 
(c) 14 headlands. 
Posteriormente Eduardo Felga Gobbi elaborou, em 2007, o Ante-Projeto para Obras de 
Recuperação da Orla Paranaense. O objetivo do relatório era complementar o estudo 
anterior e apresentar (a) o ante-projeto das estruturas terminais das desembocaduras 
dos canais de drenagem e esporões/headlands, (b) avaliação e especificações da areia 
a ser utilizada para engordamento das praias e (c) estudos complementares das 
correntes e forçantes como as ondas, nos locais de canais de desemboque e 
esporões/headlands. Neste documento é proposta a construção dos guias-corrente da 
foz do rio Matinhos e do Canal da Rua Ásia e de três headlands, e são apresentadas 
concepções artísticas dos guias-corrente e dos headlands (Figuras 2.22 e 2.23). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-16
 
Figura 2.22: Concepção artística dos guias-corrente (Gobbi 2007). 
 
Figura 2.23: Concepção artística dos headlands (Gobbi 2007). 
Em junho de 2008 a empresa Aquamodelo, contratada pelo Paranacidade, apresentou 
o Relatório Final do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos, que 
modificava e detalhava as obras proposta por Gobbi em 2007. Neste relatório é 
proposta a construção dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná e do rio 
Matinhos e de dois headlands um no balneário Riviera e outro no balneário Flórida. 
Em novembro 2009 a empresa Aquamodelo apresentou o Relatório Final-Revisão 01 
do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos, que detalhava alguns 
aspectos das obras e a empresa Slomp & Busarello Arquitetos apresentou o Projeto de 
Urbanização/Requalificação Urbana da Orla Marítima de Matinhos-PR, nos quais se 
baseou este estudo de impacto ambiental. 
2.3. Objetivos e justificativas do empreendimento 
2.3.1. Objetivos 
As obras analisadas neste EIA-RIMA têm por objetivo recuperar e revitalizar a orla 
marítima do município de Matinhos, para aumentar o turismo e consequentemente 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-17
gerar receita para a população do município. As obras também visam resolver o 
problema erosivo de forma duradoura, racionalizando o gasto público. 
Elas visam especificamente: (a) minimizar o processo erosivo; (b) aumentar a faixa de 
areia para recreação; (c) recuperar a infraestrutura; (d) diminuir o risco de enchentes na 
área de influência do rio Matinhos; (e) diminuir a poluição das praias próximas à foz do 
rio Matinhos e do canal da praia Brava de Caiobá. 
2.3.2. Justificativa 
A degradação da orla marítima no município de Matinhos tem causado prejuízos aos 
poderes públicos estadual e municipal, aos munícipes e aos veranistas. Nos setores 
degradados da costa, onde a praia foi reduzida, as águas contaminadas, a 
infraestrutura urbana danificada e a paisagem degradada, houve desvalorização dos 
imóveis, redução do afluxo turístico, diminuição das áreas de lazer dos moradores e 
turistas e diminuição do emprego, mesmo temporário no período de verão. 
Desde os anos 70 diversas tentativas para resolver os problemas costeiros têm sido 
realizadas. Contudo, em alguns setores da costa os problemas persistem. 
As obras propostas, objeto deste estudo de impacto ambiental, visam resolver de forma 
satisfatória os problemas ao longo de 6,5 km da costa do município de Matinhos, entre 
o Morro do Boi e o Balneário Flórida, investindo aproximadamente R$ 22.000.000,00. 
As autoridades municipal, estadual e federal esperam com isto poder revitalizar a orla e 
o próprio município. 
2.4. Localização geográfica 
As obras propostas estão localizadas ao longo de 6,5 km da costa do Município de 
Matinhos, no litoral paranaense, entre o morro do Boi e o Balneário Flórida, entre as 
coordenadas UTM 747020.2/749161.1 e 7140561.4/7146305.1, conforme indicado na 
figura 2.24. 
Aos fins deste estudo, a costa considerada pode ser dividida em três setores principais: 
(a) o arco praial de Caiobá, que se estende desde o Morro do Boi até a Ponta de 
Matinhos; (b) a praia Central de Matinhos, entre a Ponta de Matinhos e a foz do rio 
Matinhos e (c) as praias ao norte da foz do rio Matinhos, entre sua foz e o Balneário 
Flórida (Figura 2.24). 
Toda a orla apresenta ocupação urbana pertencente ao Município de Matinhos. De sul 
para norte podem ser identificados os seguintes balneários: Caiobá, Matinhos, 
Balneário Flamingo, Riviera, Praia Grande e Flórida. 
As obras devem afetar principalmente as atividades urbanas e turísticas e as 
relacionadas a ela. 
Também será afetada a comunidade de pescadores artesanais da colônia de Matinhosque se localiza na praia Central de Matinhos. 
 
25° 46'
25° 47'
25° 48'
25° 49'
25° 50'
25° 51'
48° 26'48° 27'48° 28'48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33'
Isóbatas
-20.00
-10.00
-5.00
Oceano Atlântico
Balneário Riviera
Balneário Flamingo
Balneário Flórida
Foz do Rio Matinhos
Matinhos
Ponta de Matinhos
Foz do Canal de Caiobá
Caiobá
Morro do Boi
Balneário Praia Grande
Oceano Atlântico
Baía de Guaratuba
Colônia de Pescadores de Matinhos
1 0 4 km
Jazidas
Engorda de Praia
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
 
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras 
de recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 2.24: Mapa de localização do 
empreendimento 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:50.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-19
Os principais rios do município que deságuam no mar são: Matinhos, Guarituba e 
Caiobá (Figura 2.25). Atualmente devido às canalizações realizada na planície costeira 
as bacias destes rios foram alteradas e interligadas (Figura 2.26). As nascentes destes 
rios localizam-se na Serra da Prata, que faz parte da Serra do Mar (Figura 2.25). A 
parte inferior da bacia destes rios é densamente ocupada, onde são freqüentes os 
problemas de enchentes. 
 
Figura 2.25: Principais rios do Município de Matinhos em planta de 1945 (Bigarella 1991). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-20
 
Figura 2.26: Bacias de drenagem interligadas dos rios do município de Matinhos (Milani 2001). 
Na área de influência do empreendimento foram encontradas as seguintes unidades de 
conservação federais e estaduais: (a) Parque Florestal do Rio da Onça, (b) Área de 
Proteção Ambiental Estadual de Guaratuba, (c) Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, 
(d) Ilha de Itacolomis e (e) Ilha dos Currais (Figura 2.27). Na área de influência também 
ocorrem os seguintes parques municipais: Parque Municipal do Sertãozinho, Parque 
Municipal Morro do Sambaqui, Parque Municipal Morro do Boi, Parque Municipal do 
Tabuleiro e Parque Municipal Praia Grande (Figura 2.28). 
Na área de influência direta do empreendimento foram identificadas as seguintes áreas 
legalmente protegidas: (a) a faixa de 80 m a partir da linha de preamar médio do ano 
de 1831, (b) a faixa de 2.000 m a partir da mesma linha, (c) as áreas em torno de 10 
km das unidades de proteção integral, (d) as restingas, (e) as margens de rios e canais, 
(F) as dunas frontais, (g) as praias e a faixa de 12 milhas marítimas (Figura 2.27). 
Também foi identificado o Tombamento da Orla de Matinhos. 
 
25° 33'
25° 36'
25° 39'
25° 42'
25° 45'
25° 48'
25° 51'
48° 20'48° 25'48° 30'48° 35'
Praia de Leste
Matinhos
Caiobá
Pontal do Sul
Ilha Itacolomis
Ilha Currais
Ilha do Mel
BR 277
PR 407
PR 405
PR 508
PR 405
2 0 10 km
Isóbatas
-20.00
-10.00
-5.00
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
Balneário Flórida
Balneário Riviera
Baía de Guaratuba
Oceano Atlântico
Unidades de Conservação
APA ESTADUAL DE GUARATUBA
PARQUE FLORESTAL DO RIO DA ONÇA
PARQUE NACIONAL SAINT-HILAIRE / LANGE
Drenagem
Rodovias
Raio de 10 km das UCs
Jazidas
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 2.27: Unidade de Conservação na área de 
influência do empreendimento 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:185.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
25° 46'
25° 47'
25° 48'
25° 49'
25° 50'
25° 51'
48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33'48° 34'
Balneário Riviera
Balneário Flamingo
Balneário Flórida
Foz do Rio Matinhos
Matinhos
Ponta de Matinhos
Foz do Canal de Caiobá
Caiobá
Morro do Boi
Balneário Praia Grande
Oceano Atlântico
Baía de Guaratuba
Colônia de Pescadores de Matinhos
1 0 2 km
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
Isóbatas
-20.00
-10.00
-5.00
Engorda de Praia
Parques Municipais
Parque Municipal do Sertãozinho
Parque Municipal do Tabuleiro
Parque Municipal Morro do Boi
Parque Municipal Morro do Sambaqui
Parque Municipal Praia Grande
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
 
Figura 2.28: Localização dos Parques Municipais de 
Matinhos 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:50.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-23
 
2.5. Caracterização do empreendimento 
As obras de recuperação da orla marítima de Matinhos avaliadas neste EIA-RIMA 
podem ser agrupadas em três tipos: (a) guias-correntes e headlands, (b) alimentação 
artificial da praia e (c) recuperação de taludes, urbanização e paisagismo. 
Os documentos nos quais foi baseada a caracterização do empreendimento são: 
1. O Relatório Técnico no 001/2003 denominado Detalhamento e Modelagem das 
Obras Complementares, Referentes aos Estudos e Projetos da Recuperação da Praia 
Brava, Central, e Balneário Flamingo e Riviera na Orla do Município de Matinhos e 
Prainha na Orla do Município de Guaratuba – Litoral do Estado do Paraná (Gobbi et al. 
2003). 
2. O Relatório Técnico do Ante-Projeto para Obras de Recuperação da Orla 
Paranaense (Gobbi 2007). 
2. O Relatório Final do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 
(Aquamodelo 2008). 
4. O Relatório Final-Revisão 01 do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de 
Matinhos (Aquamodelo 2009a). 
5. O Projeto de Urbanização/Requalificação Urbana da Orla Marítima de Matinhos-PR 
(Slomp & Busarello Arquitetos 2009). 
6. O Relatório sobre o uso de jazidas de areia submersas como fonte de material para 
alimentação artificial de praias com problemas erosivos na porção central da costa 
paranaense (Ferma Engenharia 2009). 
7. O relatório da Modelagem Computacional de Evolução de Praia da Orla Marítima do 
Município de Matinhos – PR (Aquamodelo 2009b) 
 
2.5.1. Guias-correntes e headlands 
As obras consistem em dois pares de guias-corrente um no canal de drenagem da 
Avenida Paraná na praia Brava de Caiobá e outro na foz do rio Matinhos e dois 
headlands localizados nos balneários Riviera e Flórida (Figura 2.29). 
As características dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná na praia Brava de 
Caiobá estão apresentadas na figura 2.30 e as da foz do rio Matinhos na figura 2.31. 
As características dos headlands estão apresentadas na figura 2.32. 
2.5.2. Alimentação artificial da praia 
A alimentação artificial ou engorda da praia compreende a reposição de 1.300.000 m3 
de areia ao longo de 6,5 km de praia, entre o Morro do Boi e o headland do Balneário 
Flórida, conforme indicados na figura 2.29. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-24
 
Figura 2.29: Planta geral das obras propostas (Paranacidade 2009) 
 
 
Figura 2.30: Guias-corrente do canal da Praia Brava de Caiobá (Paranacidade 2009). 
 
 
GGuuiiaass 
C t
EEnnrroonnccaammeennttooss 
((HHeeaaddllaannddss)) 
Engorda Artificial de Areia
GGuuiiaass CCoorrrreenntteess ddaa PPrraaiiaa BBrraavvaaGGuuiiaa CCoorrrreennttee SSuull 
GGuuiiaa CCoorrrreennttee NNoorrttee 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-25
 
Figura 2.31: Guias-corrente da foz do rio Matinhos (Paranacidade 2009). 
 
Figura 2.32: Headland do balneário Flórida (Paranacidade 2009). 
 
2.5.3. Obras de urbanização e requalificação da paisagem 
Segundo o projeto de Requalificação da Paisagem da Orla de Matinhos de Slomp & 
Busarello Arquitetos (2009) o trecho onde estão previstas as obras tem 
GG i CC t SS l
GG i CC t N t
PPeeddrraass ddee 
55,,33 aa 88,,99 ttoonneellaaddaass 
HHeeaaddllaanndd ddooss BBaallnneeáárriiooss –– FFllóórriiddaa ee RRiivviieerraa 
BBaallnneeáárriioo 
FFllóórriiddaa 
PPeeddrraass ddee 
22,,22 aa 33,,77 ttoonneellaaddaass 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-26
aproximadamente 7,5 km e é composto por três compartimentos com paisagem de 
características bem definidas: 
(1) A Praia Brava, entre Caiobá e Matinhos. É a praia com maior densidade 
populacional e onde a demanda por espaços públicos equipados é maior. O Morro do 
Boi é o referencial cênico natural mais importante; 
(2) A Praia Central de Matinhos, entre o Morro das Pedras e o Canal do Rio Matinhos 
apresenta ocupação de baixa densidade, é o trecho de ocupação mais antiga, com 
pequeno hotel, bares, restaurantes e mercado de peixes. O formato de pequena 
enseada, os barcos de pescadores e o Morro são destaques cênicos do lugar; 
(3) A paisagem entre o Canal do Rio Matinhos, o Balneário Riviera e Balneário Florida. 
O destaque é a volumetria horizontal das edificações, o traçado da praia é retilíneo. É o 
espaço com maior presença de vegetação de restinga (nas antedunas) em processo de 
regeneração, em todo o trecho. 
Nos dois primeiros compartimentos a arborização pública é descontinua e incipiente, 
com pouca potencialidade cênica e conforto térmico. 
Segundo o mesmo projeto a requalificação da Orla de Matinhos tem como objetivos 
reconstruir, remodelar e equipar os espaços, após a execução das obras de 
engordamento da praia, e as estruturas complementares. Teria por objetivo a criação 
de ambientes de estar, encontro e convivência, segurança a circulação de pedestres, 
ciclistas e deficientes físicos, sombreamento para o controle ao excesso de insolação, 
mobiliário urbano com múltiplas funções e redução da velocidade dos veículos foram 
as diretrizes determinantes para a concepção da nova Orla de Matinhos. 
Fazer da paisagem da beira mar, com os equipamentos, quiosques e pergolados, 
arborização e espaços gerados, importante lugar de interesse, atração e bem estar 
para a população local e turistas. 
A seguir são apresentados os aspectos construtivos indicados no projeto: 
O projeto propõe o mesmo sistema construtivo para as diferentes funções de cada 
quiosque, que, segundo seus autores, além de adequado às condições climáticas e 
tecnológicas, será de fácil construção e manutenção. 
As fundações para pergolados e quiosques serão compostas por 4 sapatas de concreto 
por módulo. O terreno será compactado e nivelado para receber a sub-base, base e 
pisos. 
A estrutura principal, pilares e vigas é composta por peças de madeira com dimensões 
mínimas e indicativas. As dimensões finais serão definidas pelo projeto estrutural. 
Os painéis de fechamento dos quiosques serão em alvenaria revestida com madeira ou 
cerâmica, alumínio e vidro, conforme as funções de cada ambiente. 
As coberturas dos quiosques serão em capim Santa Fé, impermeabilizado com produto 
anti-chamas. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-27
As pérgolas que fazem parte dos ambientes dos quiosques poderão receber cobertura 
em painéis de policarbonato, vidro laminado ou lona plástica transparente. 
Nas vias de veículos automotores, ciclovia e pista de corrida o piso será asfáltico, os 
passeios para circulação e caminhadas serão em mosaico português (petit pave). 
O mosaico será utilizado como importante meio de organização dos espaços funcionais 
gerados pelo traçado do projeto. 
O uso do mosaico permite a execução de desenhos ricos de formas. Foram estilizados 
os movimentos das ondas, formando desenhos com grande efeito estético e simbólico. 
Nas áreas de estacionamento utilizamos peças de concreto intercaladas com grama 
(concregrama) para melhorar as condições de drenagem e diminuir a carga térmica. 
Os materiais escolhidos para pisos e pavimentações, por suas características 
funcionais, técnicas, econômicas e estéticas (cores e textura) são determinantes para a 
harmonia de todos os espaços projetados. 
Para a iluminação de ruas e passeios serão utilizados 2 tipos de postes: (1) Poste alto 
com duas luminárias colocadas em duas alturas e com lâmpadas de cores diferentes 
serão colocados a cada 30 m aproximadamente. A luminária alta será para iluminar a 
rua e a mais baixa para iluminar a ciclovia. (2) Poste baixo com duas luminárias 
colocadas na mesma altura com lâmpadas de cores iguais para iluminar a pista de 
corrida, passeio e ciclovia. Serão colocados intercalados entre os postes altos. 
Para a iluminação dos quiosques, pérgolas e vegetação serão utilizados três tipos de 
luminárias: (1) parede, (2) teto, (3) piso. Cada tipo de acordo com as necessidades de 
luz ambiente, trabalho ou destaque. 
A comunicação visual será projetada de maneira a facilitar aos usuários o 
entendimento e a orientação dos deslocamentos a seguir e a identificação dos espaços 
de ruas, ciclovia, estacionamentos, travessias, etc. A sinalização será do tipo vertical e 
horizontal, de acordo com as normas do DETRAN. 
Com referência à vegetação o projeto prevê a utilização de espécies de porte arbóreo, 
arbustivo e herbáceo da flora local regional e nacional e indica que poderão ser 
utilizadas também espécies exóticas aclimatadas e incorporadas na cultura da 
paisagem brasileira. 
As espécies arbóreas e algumas de suas características listadas no projeto são as 
seguintes: Cocus Nucífera – coqueiro (ocorre na costa Atlântica Brasileira, na restinga). 
Arecastrum Romanzoffianum – coqueiro gerivá (ocorrência e habitat nos estados do 
sul) frutifica o ano todo, frutos apreciados pela fauna. Oxpsis Lutesceus – areca bambu. 
Terminacia Catappa – amendoeira, sombreiro. Delonix Regia – flamboiã floresce de 
outubro a janeiro. Bounganvillea Glabra – primavera (ocorre com freqüência nas 
florestas da mata Atlântica), floresce nos meses de novembro – fevereiro. As espécies 
herbáceas são: Stenotaphrum Secundatum – grama de jardim, grama de santo 
Agostinho (nativa, ocorre em toda a América Subtropical) e Arachis Repens – grama 
amendoim (nativa do Brasil). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-28
Para reposição florística das antedunas (dunas frontais) o projeto indica: Ipomea Pes-
caprae – ipomea (vegetação pioneira característica das antedunas) e Canavalia 
Obtusifolia. 
2.6. Inserção regional 
O projeto de recuperação de orla de Matinhos possui interação com o Plano Diretor do 
Município de Matinhos; o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – GERCO; o 
Projeto Orla, o Zoneamento Marinho; o Zoneamento Econômico Ecológico do Estado 
do Paraná - ZEE e o Zoneamento Econômico Ecológico do Litoral Paranaense. 
O Plano Diretor do Município de Matinhos foi aprovado pelo poder executivo e se 
encontra no Conselho de Desenvolvimento do Litoral Paranaense – COLIT, para 
relatoria. Os possíveis conflitos entre este plano diretor e as obras foram analisados no 
prognóstico. 
Projeto Orla para o Município de Matinhos foi elaborado e apresentado e esta em 
processo de avaliação pelo Ministério do Meio Ambiente. Os possíveis conflitos entre o 
projeto orla e as obras foram analisados no prognóstico. 
Plano de Gerenciamento Costeiro – GERCO, o Zoneamento EconômicoEcológico -
ZEE e o Zoneamento Marinho do Litoral Paranaense estão em diversos estágios de 
elaboração e ainda não foram apresentados ou aprovados. 
2.7. Órgão financiador e valor da atividade 
Os recursos para executar as obras são provenientes do Governo de Estado do 
Paraná, em cooperação com o Ministério da Integração Nacional, no âmbito do 
Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. 
O custo total do projeto é de aproximadamente R$ 22 milhões conforme discriminado 
na tabela 2.1, sendo em torno de R$ 8 milhões para as obras semiflexíveis, R$ 12 
milhões para a engorda artificial e R$ 2 milhões para urbanização e paisagismo. 
O custo da cada obra semiflexível varia entre R$ 1,6 e 2,3 milhões, conforme 
discriminado na tabela 2.2. 
O custo estimado da alimentação é de R$ 9,00 por m3 totalizando R$ 11,7 milhões. 
Tabela 2.1: Custo das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos. 
Obra Custo (em reais) 
Projeto executivo das quatro estruturas e engordamento da praia 350.000 
Guias-corrente do canal da Avenida Paraná 2.060.990 
Guias-corrente do rio Matinhos 2.302.006 
Headland do Balneário Riviera 1.838.139 
Headland do Balneário Flórida 1.627.205 
Engorda artificial (1.300.000 m3 de areia x R$ 9,00) 11.700.00 
Recuperação de taludes, urbanização e paisagismo 2.100.000 
Total 21.978.340 
Fonte: Paranacidade (julho de 2009). 
 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 2-29
 
Tabela 2.2: Custo dos materiais das estruturas semiflexíveis. 
Estrutura Pedra Areia Concreto ciclópico Geofôrma Totais 
Guias-corrente do canal da 
praia Brava de Caiobá 1.007.960 115.000 204.440 733.590 2.060.990
Guias-corrente do rio Matinhos 2.302.006 -- -- -- 2.302.006
Headland do Balneário Riviera 548.704 177.000 242.100 870.335 1.838.139
Headland do Balneário Flórida 532.870 97.000 269.000 728.335 1.627.205
Totais 4.391.540 389.000 715.540 2.332.260 7.828.340
Fonte: Paranacidade (julho de 2009). 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-30
3. ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS 
3.1. Alternativas tecnológicas 
Existem diversas alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla marítima 
de Matinhos propostas. Estas alternativas decorrem do tipo de costa desejado, que 
depende de fatores históricos, culturais, políticos e econômicos, entre outros. Porém, 
as análises destas alternativas estão além do alcance deste estudo. Contudo um 
aspecto é claro: a erosão que afeta alguns setores da costa do Município de Matinhos 
torna estas praias menos atrativas para o turismo e põe em risco a infraestrutura 
urbana e costeira. Assim, parece não haver dúvida que há necessidade de ações que 
melhorem a qualidade ambiental destas áreas, com fins turísticos. Portanto, deve-se 
considerar quais são as ações alternativas para resolver os problemas dentro do marco 
da ocupação atual e as tendências históricas e culturais predominantes. Neste marco 
podem ser considerados dois tipos principais de ações: as que visam restaurar as 
condições originais naturais e as que visam modificar as condições naturais e criar uma 
nova situação favorável ao uso pretendido. Contudo, estas duas estratégias de ação 
podem ser utilizadas complementarmente, restaurando as condições mais próximas do 
natural onde for possível e modificando as condições onde for necessário. 
O recuo das construções tem sido e é a alternativa utilizada pelas populações 
tradicionais da costa, porém está não é a tendência em áreas urbanizadas. No caso de 
Matinhos a alternativa de restaurar as condições originais implicaria no recuo da 
ocupação até liberar uma faixa da orla onde os agentes costeiros – ondas, correntes e 
ventos - pudessem restabelecer as condições de equilíbrio dinâmico das praias. Esta 
alternativa tem sido implementada com sucesso em diversos países, notadamente nos 
estados Unidos da América e na Espanha, e já foi proposta para alguns setores da 
área em questão (Gouvêa da Costa 2002). 
3.1.1. Alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla 
Como alternativas tecnológicas às obras de recuperação proposta serão consideradas 
(a) o recuo da urbanização e (b) a construção de quebra-mares submersos. 
3.1.1.1. Recuo da urbanização 
O histórico da ocupação costeira paranaense evidencia que esta ocorreu sem 
considerar a dinâmica costeira. Pode-se destacar (a) a ocupação da faixa dinâmica de 
praia, (b) o avanço das construções sobre a praia e (c) a destruição das dunas frontais. 
Deste modo, para tentar reverter os problemas de erosão costeira poderia ser 
considerado o recuo da ocupação deixando uma faixa livre para possibilitar o 
restabelecimento do equilíbrio dinâmico das praias e a reconstrução das dunas frontais. 
Contudo, esta opção demanda estudos de viabilidade econômica e sua confrontação 
com outros tipos de soluções. 
Esta solução já foi sugerida por Gouvêa da Costa (2002) para a praia central de 
Matinhos, onde a ocupação reconhecidamente avançou sobre a praia. Nesta área, não 
estão sendo propostas obras semiflexíveis nem engorda da praia. Para aplicar esta 
solução em Matinhos seriam necessários estudos de custo/benefício em relação as 
outras alternativas. Ademais a solução de recuo é, sem dúvida, muito mais demorada 
pois envolve políticas publicas, processos de desapropriação e possíveis ações 
judiciais. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-31
Deste modo, sugere-se que seja realizado um estudo de viabilidade para avaliar 
efetivamente a possibilidade de recuar a ocupação, mesmo que seja em alguns 
setores, o que certamente traria expressivos ganhos de qualidade ambiental deste 
setor da orla. Esta medida pode ser complementar as obras proposta no projeto de 
reurbanização da área de Matinhos, conforme sugerido nas medidas compensatórias. 
Nas áreas com problemas erosivos de Caiobá, Flamingo e Riviera existem ocupações 
consolidadas, que provavelmente inviabiliza a solução do recuo da ocupação, contudo 
neste EIA-RIMA foram indicadas medidas mitigadoras que visam manter a maior faixa 
possível da orla sem ocupação, que poderia propiciar melhora significativa da 
estabilidade e conseqüentemente da durabilidade das obras de engorda de praia. 
3.1.1.2. Quebra-mar submerso 
A recuperação da praia poderia ser feita com a implantação de quebra-mares 
submersos, seja de forma isolada ou associada à engorda da praia. Os quebra-mares 
poderiam substituir a engorda ou aumentar sua durabilidade de forma significativa. 
Inclusive, poderiam tornar a praia estável sem necessidade de reposição das perdas de 
areia. Contudo, a implantação deste tipo de obra requer dados precisos de ondas, 
correntes, batimetria e transporte de sedimentos, que não estão disponíveis para a 
área, e projetos de engenharia sofisticados, ainda pouco utilizados no Brasil. 
A alternativa de quebra-mares submersos poderá ser utilizada no futuro para eliminar a 
necessidade de reposição periódica das perdas da areia da engorda da praia. 
3.1.2. Alternativas aos guias-corrente do canal de drenagem da Avenida Paraná 
em Caiobá 
Neste item serão analisadas alternativas para atingir os objetivos considerados para a 
construção dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná em Caiobá. 
3.1.2.1. Alternativa para a diminuição da poluição da praia 
Uma das justificativas para a construção dos guias-correntes do canal da Avenida 
Paraná, em Caiobá é o lançamento das águas contaminadas do canal mais longe no 
mar. 
Os guias-correntes deverão diminuir a contaminação das areias da praia devido a que 
fixarão o fluxo das águas do canal, evitando que se espalhem sobre a areia. Contudo, a 
dispersão dos poluentes no mar não será muito eficiente, pois as águas serão lançadas 
na zona de surfe onde as ondas geram correntes que transportam as águas em direção 
à costa. Deste modo, mesmo com a construção dos guias-correntesseriam 
necessárias outras ações para descontaminar as águas do canal e garantir a melhora 
da qualidade das águas costeiras. 
A descontaminação poderia ser feita eliminando os esgotos clandestinos e ampliando a 
rede já existente para abranger toda a bacia de captação do canal. Contudo, esta 
alternativa depende de outras obras e requer estudos além do alcance deste EIA-
RIMA. 
Uma das alternativas já aventadas para a eliminação do problema de lançamento das 
águas contaminada do canal de Caiobá é o da inversão de sua drenagem para o 
interior. Esta alternativa eliminaria a necessidade de construção dos guias-corrente. 
Contudo, esta solução implica na realização de projetos e obras de macro e micro 
drenagem urbana e estudos além do alcance deste EIA-RIMA. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-32
3.1.2.2. Alternativa de diminuição do tamanho 
Os guias-corrente propostos poderiam ter seu tamanho reduzido, tanto na altura e 
largura como no comprimento. O objetivo de lançar as água do canal no mar, evitando 
que se espalhem sobre a areia da praia emersa, poderia ser alcançado com guias-
corrente mais estreitos e mais baixos. Contudo esta solução não permitiria o uso 
proposto no projeto, que é o da utilização dos guias-corrente com fins de lazer. 
3.1.2.3. Alternativa de não construção 
A não construção dos guias-correntes da Avenida Paraná em Caiobá, não teria efeitos 
significativos na engorda da praia, principalmente na durabilidade da obra, pois eles se 
localizam na parte central do arco praial. Como explicitado no diagnóstico e prognóstico 
deste EIA-RIMA, o transporte natural de areia ao longo da praia é de sul para norte. 
Como a parte sul do arco praial de Caiobá, entre o Morro do Boi e o canal da Avenida 
Paraná, não apresenta processo significativo de erosão não haveria necessidade de 
implantar uma obra transversal à costa para reter areia. Contudo, deve-se lembrar que 
a não construção dos guias-correntes impediria fixar o fluxo das águas contaminadas 
do canal e a sua utilização com fins urbanos. 
3.1.3. Alternativas aos guias-corrente do Rio Marinhos 
Neste item serão consideradas as alternativas de diminuição do tamanho dos guias-
corrente do Rio Matinhos e a mudança de sua orientação. 
3.1.3.1. Alternativa de diminuição do tamanho e mudança de orientação 
A principal justificativa para a construção dos guias-corrente é (a) impedir o 
assoreamento da foz do Rio Matinhos para diminuir as enchentes e (b) lançar as águas 
poluídas do rio mais longe no mar, para facilitar sua diluição. 
Os guias-correntes existentes na foz do rio Matinhos são mais curtos, baixos e de 
orientação diferente dos propostos no projeto ora analisado. A nova orientação é 
perpendicular à praia, que segundo os projetistas seria a mais adequada para evitar o 
assoreamento. A nova configuração, tanto no que se refere a sua orientação como 
comprimento, deve diminuir significativamente o assoreamento do canal facilitando o 
fluxo do rio e conseqüentemente a diluição das águas poluídas no mar. 
Com relação as enchente, os novos guias-corrente devem melhorar a vazão do rio e 
conseqüentemente diminuir as enchentes, contudo deve-se lembrar que uma das 
variáveis importante que controla as enchentes na bacia do rio é o nível do mar e que 
este não será modificado. Ou seja, quando o nível do mar estiver alto, as águas do rio 
serão represadas e causaram enchentes, independentemente do tamanho do canal. 
Contudo, quando o mar baixar, o escoamento será mais rápido, diminuindo a duração 
da enchente. 
Ademais, como relatado neste EIA-RIMA, os pescadores artesanais utilizam o canal do 
rio Matinhos como abrigo para suas embarcações. A nova configuração deve facilitar a 
entrada, navegação e permanência das embarcações no canal. Inclusive, no capítulo 
das medidas deste EIA-RIMA foram incluídas recomendações de obras 
complementares para melhorar o potencial de utilização do canal pelos pescadores 
artesanais. 
O principal impacto negativo dos novos guias-corrente é a interrupção parcial da deriva 
litorânea longitudinal, que será significativamente maior que a atual, devido a maior 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-33
altura e comprimento. No capítulo de medidas mitigadoras foi proposto um sistema de 
transposição de areia no rio Matinhos para minimizar o impacto da interrupção do 
transporte de sedimentos ao longo das praias pelos novos guias-corrente. 
3.1.4. Alternativas tecnológicas aos headlands 
Neste item são apresentadas as alternativas tecnológicas e de não construção dos 
headlands. 
3.1.4.1. Alternativa de diminuição do tamanho 
A principal justificativa para a construção dos headlands é a de reter parte da areia da 
engorda para aumentar a vida útil da obra. A outra justificativa é sua utilização com fins 
urbanos de lazer. 
O objetivo de retenção de areia pode ser obtido com estruturas transversais de menor 
altura ou com perfil transversal igual ao da praia após a engorda. Neste último caso 
ficariam soterradas, sem alterar a paisagem e somente em caso de perda de areia, as 
estruturas se tornariam aparentes. Esta configuração é tão eficiente para a retenção de 
areia quanto à dos headlands propostos. Contudo, esta nova configuração elimina a 
possibilidade de utilização da estrutura com fins urbanos como proposto no projeto. 
3.1.4.2. Alternativa de píer vazado 
Além de serem obras complementares à engorda, os headlands têm funções turísticas, 
pois permitem implantação de infraestrutura de apoio a esta atividade, acesso e 
circulação de pessoas. Contudo, a mesma função turística também poderia ser obtida 
com outros tipos de obras tais como os píers vazados, que não interferem 
significativamente na dinâmica costeira. Os píers podem ser construídos sobre pilotis 
nas dimensões desejadas para os fins turísticos sem interferir no transporte de 
sedimentos ao longo das praias, nem na morfologia do arco praial. Contudo, os píers 
vazados não têm a função de retenção de areia e, portanto, não é uma obra 
complementar à engorda da praia. 
3.1.4.3. Alternativa de não construção 
Os headlands foram idealizados como obras complementares à engorda da praia, com 
o objetivo de aumentar a vida útil da obra pela retenção de areia. Contudo, os dados 
disponíveis sobre transporte de sedimentos ao longo da praia e sobre balanço 
sedimentar na região não permitem estimar de quanto será o aumento da vida útil da 
alimentação com os headlands ou a diminuição sem eles. O monitoramento do volume 
praial após as obras de engorda permitiria definir se construção dos headlands ou outra 
obra transversal seriam necessárias para reter areia ao longo da praia. Contudo, a 
alternativa de não construção dos headlands aumentaria a incerteza quanto à 
durabilidade da obra e, obviamente, impossibilitaria o seu uso com fins turísticos. 
3.1.5. Alternativas à alimentação artificial da praia 
A alimentação artificial de praia tem se mostrado à alternativa mais adequada para 
recuperar praias com déficit de sedimentos ou para aumentar a faixa de praia. A 
reposição de perdas de areia da praia ou o seu aumento pode ser considerado a 
estratégia mais adequada para melhorar o uso turístico e a qualidade ambiental das 
praias. As alternativas à alimentação artificial, além do recuo já comentado, seriam as 
obras rígidas tais como espigões, muros e quebra-mares, que ademais podem ser 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-34
utilizadas como obras complementares junto com a alimentação artificial, como é o 
caso das obras aqui analisadas. 
As alternativas tecnológicas da alimentação artificial podem ser resumidas a três 
aspectos principais: (a) a fonte de areia a ser utilizada; (b) o volume de areia a ser 
reposto e (c) a forma de disposição da areia na praia. Estas alternativas definem (a) os 
custos, (b) os impactosambientais e (c) a durabilidade das obras. 
3.1.5.1. Fonte de areia 
O tipo de areia é determinado pelas jazidas disponíveis e seu custo de extração e 
deposição na praia. Nas obras aqui analisadas podem ser consideradas três fontes 
principais: (a) areia proveniente da dragagem do setor externo do canal da Galheta de 
acesso ao porto de Paranaguá; (b) areias da barra de Guaratuba e (c) areia da 
plataforma interna. 
3.1.5.1.1. Areia do setor externo do canal da Galheta 
A areia proveniente da dragagem do setor externo do canal da Galheta, sem dúvida é 
uma opção excelente devido a vários fatores. Primeiro os impactos ambientais da 
obtenção da areia iriam ocorrer de qualquer modo devido à necessidade de manter o 
canal propicio a navegação, não havendo impactos ambientais adicionais. Ademais, a 
areia que seria descartada para áreas de despejo, seriam utilizadas para recuperar 
outra área, o que pode ser considerado com uma reciclagem da areia. Outro aspecto 
importante é que a areia retirada do canal faz parte da areia do sistema de transporte 
de sedimentos de praias e deltas de maré que mantém, ou pelo menos mantinha, as 
praias e deltas em equilíbrio dinâmico. A dragagem do canal de acesso ao porto 
interrompeu o transporte de sedimentos ao longo do delta de maré vazante ou barra. A 
utilização da areia para alimentação artificial de praia pode ser considerada uma 
medida compensatória, pois visa reduzir o déficit de sedimentos causado num setor da 
costa pela dragagem do canal, aumentado o aporte de sedimentos em outro setor da 
costa. 
Cabe lembrar que uma das preocupações mais freqüentes quando da utilização de 
material dragado em portos refere-se a possível contaminação dos sedimentos. 
Contudo, neste caso trata-se dos sedimentos dragados no setor externo do canal, no 
delta de maré vazante ou barra, localizado em mar aberto, na plataforma interna, e 
muito provavelmente livre de contaminação. 
Contudo, esta alternativa, inicialmente considerada pelo empreendedor, não foi 
implementada por diversos fatores, cuja análise está fora do escopo deste EIA-RIMA. 
De qualquer modo, recomenda-se que a areia proveniente da dragagem do setor 
externo do Canal da Galheta seja utilizada em futuras alimentações. 
3.1.5.1.2. Areia da barra de Guaratuba 
A alternativa de fonte de areia para a engorda da praia seria a da barra de Guaratuba. 
Inclusive, esta opção foi considerada em trabalho anterior (Gouvêa da Costa 2002). 
Contudo, extrair areia da barra implica em retirar areia do próprio sistema costeiro. Isto 
aumenta o risco de modificações indesejadas no sistema costeiro, tais como erosão ou 
assoreamento na barra ou nas praias próximas. Para se extrair areia do dinâmico 
sistema costeiro seria necessário contar com modelagens precisas da dinâmica de 
ondas e correntes e do transporte de sedimentos ao longo das praias e da barra, que 
por sua vez demandam dados precisos de ondas, correntes, batimetria e 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-35
características dos sedimentos. Dados estes que não estão disponíveis para a área, 
que tem custos relativamente elevados para sua obtenção e demandam certo tempo 
para sua obtenção. 
3.1.5.1.3. Areia da plataforma interna 
A areia da plataforma não faz parte do sistema praial, ela foi depositada na plataforma 
em condições diferentes das atuais, provavelmente quando o mar tinha nível inferior ao 
atual há alguns milhares de anos. A extração de areia da plataforma interna tem a 
vantagem de retirar areia de outro sistema costeiro e incorpora-lo ao sistema praial. Ou 
seja, se acrescenta areia ao sistema praial. Ademais, as areias da plataforma são 
geralmente livres de contaminantes, devido ao alto poder de diluição do mar. Deste 
modo, conjuntamente com as areias de dragagem não contaminadas, é a melhor 
alternativa ambiental de jazida para a engorda de praia. 
3.1.5.2. Volume de areia 
A alimentação proposta é de 1,3 milhões de m3 de areia. Este volume foi definido pelos 
projetistas para obter um aumento da largura da praia de 50 a 80 m ao longo dá área 
do projeto. A principio este é um aumento apropriado da largura da praia para fins 
turísticos. Ademais, são valores similares aos utilizados em outras obras de engorda no 
Brasil e no mundo. 
Como se trata da primeira engorda deste tipo a ser realizada na área e não há dados 
suficientes que permitam avaliar com segurança a durabilidade da obra, torna-se difícil 
avaliar se o volume proposto é adequado ou não antes da implantação da obra. O 
monitoramento do volume praial possibilitará medir as perdas de areia e 
conseqüentemente definir com maior segurança os volumes adequados para garantir a 
durabilidade desejada. 
3.1.5.3. Disposição de areia na praia 
Com relação à disposição de areia na praia existem dois modos principais. Um é o 
lançamento da areia na parte submersa da praia e outro na parte emersa. 
O lançamento na parte submersa implica que a areia será redistribuída pelas ondas e 
correntes. Ele pode ter custo menor que o lançamento na parte emersa, mas aumenta 
a incerteza sobre o resultado final da obra, que é, principalmente, aumentar a parte 
emersa da praia, sobretudo em áreas onde não há conhecimento detalhado do clima 
de ondas e correntes e do transporte de sedimentos. Ademais, pode demorar meses 
ou anos para que a areia seja transportada para a parte emersa da praia. 
A disposição de areia na parte emersa da praia, que é a opção escolhida pelo 
empreendedor, é mais segura quanto à obtenção do perfil de praia emerso desejado. 
Ademais, a redistribuição da areia com máquinas na parte emersa da praia é uma 
operação relativamente simples e rápida que facilita a obtenção dos perfis de praia 
desejados. 
3.2. Alternativas locacionais 
As alternativas locacionais das obras se restringem à engorda e aos headlands, pois a 
localização dos guias-correntes está determinada pelos dois cursos d’água - o canal da 
Av. Paraná e o rio Matinhos - não havendo alternativas para sua localização. 
Duas alternativas locacionais para a engorda podem ser consideradas. Uma seria a 
engorda da praia entre a Ponta de Matinhos e os guias-corrente do rio Matinhos. O 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 3-36
empreendedor optou por não alimentar este setor, pois considera que a areia 
proveniente do arco praial de Caiobá, deverá alimentar naturalmente este setor da 
praia. A outra seria estender a engorda ao norte do headland do balneário Flórida. 
Como, não há evidencias de processo erosivo ao norte deste balneário a engorda seria 
desnecessária, ademais este setor deve ser alimentado naturalmente pelas areias da 
engorda das praias ao sul. 
A localização dos headlands foi definida pelo projetista, contudo eles poderiam ser 
construídos em locais diferentes dos propostos. Ao longo da costa entre o rio Matinhos 
e o Balneário Flórida não há diferenças significativas nas características ambientais 
que possam justificar a mudança de sua localização. Ou seja, os impactos ambientais 
em qualquer localização neste setor da costa seriam equivalentes. 
3.3. Alternativa de não realização do empreendimento 
A não realização do empreendimento implicaria no agravamento do problema erosivo 
com perda de praia para fins turísticos e recreativos, dano ou destruição de infra-
estrutura da orla e até danos a propriedades. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 4-37
4. ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO 
4.1. Área diretamente afetada – ADA 
4.1.1. Meio Físico 
A área diretamente afetada (ADA) do meio físico compreende: (a) a área da praia que 
sofrerá alimentação artificial; (b) a orla costeira adjacente incluindo os calçadões, 
avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) a foz do rio Matinhos e do canal da Praia 
Brava de Caiobá, onde está proposta a construção dos guias-corrente; (d) os locais 
ondeestá proposta a construção dos headlands e (e) a área de dragagem, na 
plataforma rasa, conforme indicado na figura 4.1. 
4.1.2. Meio Biótico 
A área diretamente afetada (ADA) do meio biótico compreende: (a) a área da praia que 
sofrerá alimentação artificial; (b) a orla costeira adjacente incluindo os calçadões, 
avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) a foz do rio Matinhos e do canal da Praia 
Brava de Caiobá, onde está proposta a construção dos guias-corrente; (d) os locais 
onde está proposta a construção dos headlands e (e) a área de dragagem, na 
plataforma rasa conforme indicado na figura 4.1. 
4.1.3. Meio Socioeconômico 
A área diretamente afetada (ADA) do meio socioeconômico compreende: (a) a orla 
costeira onde serão realizadas as obras, a praia adjacente, a área de dragagem, na 
plataforma rasa, conforme indicado na figura 4.1. Para o item Uso e Ocupação do Solo 
a ADA corresponde às vias que serão objeto do projeto de reurbanização/paisagismo e 
a praia, na extensão da avenida beira-mar objeto deste projeto. 
4.2. Área de Influência Direta – AID 
4.2.1. Meio Físico 
A área de influência direta (AID) considerada para o meio físico compreende: (a) as 
praias Brava de Caiobá, Matinhos e dos balneários ao norte de Matinhos até Praia de 
Leste; (b) a orla costeira adjacente a estas praias incluindo os calçadões, avenidas 
beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de 
Caiobá e (e) as áreas da pluma de dispersão de sedimentos na plataforma, conforme 
indicado na figura 4.2. 
4.2.2. Meio Biótico 
A área de influência direta (AID) considerada para o meio biótico compreende: (a) as 
praias Brava de Caiobá, Matinhos e dos balneários ao norte de Matinhos até Praia de 
Leste; (b) a orla costeira adjacente a estas praias incluindo os calçadões, avenidas 
beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de 
Caiobá e (e) as áreas da pluma de dispersão de sedimentos na plataforma, conforme 
indicado na figura 4.2. 
4.2.3. Meio Socioeconômico 
A área de influência direta (AID) considerada para o meio socioeconômico compreende 
o Município de Matinhos e sua plataforma continental adjacente. Para o item Uso do 
Solo a AID corresponde: a) em terra, a faixa constituída pela primeira linha de quadras, 
que fazem frente para a avenida beira-mar; b) no mar, uma faixa paralela à praia, com 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 4-38
o mesmo comprimento considerado para esta, e com largura de aproximadamente 
100 m, contados a partir da linha de baixa-mar, conforme indicado na figura 4.2. 
4.3. Área de Influência Indireta – AII 
4.3.1. Meio Físico 
A área de influência indireta (AII) considerada para o meio físico é: (a) o arco praial 
desde a praia Brava de Caiobá até Pontal do Sul; (b) a orla costeira adjacente a este 
arco praial incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias 
do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá e (d) a plataforma interna rasa 
adjacente, conforme indicado na figura 4.3. 
4.3.2. Meio Biótico 
A área de influência indireta (AII) considerada para o meio biótico é: (a) o arco praial 
desde a praia Brava de Caiobá até Pontal do Sul; (b) a orla costeira adjacente a este 
arco praial incluindo restinga e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal 
da Praia Brava de Caiobá e (d) a plataforma interna rasa adjacente, conforme indicado 
na figura 4.3. 
4.3.3. Meio Socioeconômico 
A área de influência indireta (AII) considerada para o meio socioeconômico é a região 
do litoral paranaense e sua plataforma continental adjacente, e para o item Uso do Solo 
a área urbana de Matinhos conforme indicado na figura 4.4. 
 
25° 47'
25° 48'
25° 49'
25° 50'
25° 51'
48° 25'48° 26'48° 27'48° 28'48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33'48° 34'
Isóbatas
-20.00
-10.00
-5.00
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
1 0 3 km
Matinhos
Foz do Rio Matinhos
Caiobá
Balneário Flórida
Engorda
Foz do Canal de Caiobá
Morro do Boi
Balneário Riviera
Ponta de Matinhos
Oceano Atlântico
Baía de Guaratuba
Área de Dragagem
Jazidas
Rio Matinhos
 
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 4.1: Área Diretamente Afetada (ADA) para os 
meios físico, biótico e socioeconômico 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:55.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
 
25° 40'
25° 41'
25° 42'
25° 43'
25° 44'
25° 45'
25° 46'
25° 47'
25° 48'
25° 49'
25° 50'
25° 51'
25° 52'
25° 53'
25° 54'48° 24'48° 27'48° 30'48° 33'
2 0 6 km
Foz do Rio Matinhos
Ponta de Matinhos
Foz do Canal de Caiobá
Morro do Boi
Baía de Guaratuba
Oceano Atlântico
Rio Matinhos
Ilha Itacolomis
Jazidas
Área de Dragagem
Balneário Riviera
Balneário Flórida
Balneário Praia de Leste
Área da pluma de dispersão
Isóbatas (m)
-20.00
-10.00
-5.00
Matinhos
Caiobá
Rodovias
Balneário Soly mar
Balneário Gaiv otas
PR 508
PR 405
PR 407
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 4.2: Área de Influência Direta (AID) para os 
meios físico, biótico e socioeconômico 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:135.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
25° 33'
25° 36'
25° 39'
25° 42'
25° 45'
25° 48'
25° 51'
48° 20'48° 25'48° 30'48° 35'
Praia de Leste
Matinhos
Caiobá
Pontal do Sul
Ilha Itacolomis
Ilha Currais
Ilha do Mel
BR 277
PR 407
PR 405
PR 508
PR 405
2 0 10 km
Isóbatas
-20.00
-10.00
-5.00
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
Balneário Flórida
Balneário Riviera
Baía de Guaratuba
Oceano Atlântico
Drenagem
Rodovias
Jazidas
Morro do Boi
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 4.3: Área de Influência Indireta (AII) para os 
meios físico e biótico 
Data 
dez/2009 
Escala 
1:185.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
25° 00'
25° 10'
25° 20'
25° 30'
25° 40'
25° 50'
48° 15'48° 30'48° 45'
10 0 30 km
Oceano Atlântico
Área de Dragagem
Área da pluma de dispersão
Isóbatas (m)
-20.00
-10.00
-5.00
PR 405
Tipo de Estrutura
Guias-corrente
Headland
Paranaguá
Guaraqueçaba
Antonina
Morretes
Matinhos
Guaratuba
Paraná
Pontal do
Baía de Guaratuba
Baía das
Baía de Paranaguá
Laranjeiras
Ilhas Currais
Ilha Itacolomis
Ilha do
Mel
Ilha das
Peças
Ilha de
Superagui
PR 407
PR 508
BR 277
BR 277
BR 116
PR 405
PR 405
BR 340
PR 411
PR 410
PR 408
PR 412
Rodovias
Divisa Municipal
 
Coordenador Geral 
Rodolfo José Angulo 
Geoprocessamento 
Maria Cristina de Souza 
Mauricio Almeida Noernberg 
Relatório de impacto ambiental para as obras de 
recuperação da orla marítima de Matinhos, 
Paraná 
Figura 4.4: Área de Influência Indireta (AII) para o 
meio socioeconômico 
Data 
dez/2009Escala 
1:570.000 
AMB Planejamento Ambiental 
e Biotecnologia Ltda 
 Serviço Social Autônomo 
PARANACIDADE 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-2
5. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL 
5.1. Diagnóstico 
5.1.1. Meio Físico 
5.1.1.1. Oceanografia física e meteorologia 
Os parâmetros relevantes para a caracterização oceanográfica física das áreas do 
empreendimento, pela sua ordem de importância, são: 
• Condições meteorológicas 
• Clima de ondas ou agitação marítima 
• Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) 
• Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas) 
• Ocorrência de eventos extremos (ressacas) 
Em regiões estuarinas, adiciona-se a esta listagem, a descarga de água doce dos rios, 
que geram seus próprios fenômenos hidrodinâmicos relativos aos gradientes de 
densidade. Este tipo de forçante é menos relevante na área do empreendimento, 
apesar de existir evidências das plumas do Complexo Estuarino de Paranaguá e da 
baía de Guaratuba como elementos relevantes na circulação da plataforma rasa. 
Dados e informações meteorológicas existem para a escala da AII (estação do 
GFM/CEM em Pontal do Sul e outras no litoral do Estado), não havendo dados deste 
tipo na ADA, mas condições meteorológicas gerais do litoral do Estado do Paraná 
podem ser consideradas como representativas para as escalas da AII e da AID, 
incluindo a ADA, já que não são esperados eventos meteorológicos de alta relevância 
na escala local (ADA), a não ser eventos de ventos locais de tempestade e sistemas de 
brisa/terral. 
Existem dados esparsos da oceanografia física na escala espacial da AII, e são apenas 
suficientes para uma caracterização básica da área. Dados de maré e meteorológicos 
existem para dois locais, nas desembocaduras das baías de Guaratuba e Paranaguá, e 
ondas e correntes na plataforma rasa em frente a Pontal do Sul e Shangri-lá Existem 
poucos dados da oceanografia física na escala espacial da AID, e não são 
completamente suficientes para uma caracterização detalhada da mesma. Existem 
dados históricos de ondas e correntes nas proximidades do Arquipélago dos Currais, 
no limite externo Norte da AID. 
Não existem dados suficientes da oceanografia física na escala espacial local, pelo que 
há limitações para uma caracterização detalhada da ADA. 
5.1.1.1.1. Clima e condições meteorológicas 
A região pode ser caracterizada meteorologicamente pelos seguintes parâmetros 
(Marone et al. 2005, Lana et al. 2001): 
• Clima na região: tipo Cfa. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-3
- C: clima pluvial temperado 
- f: sempre úmido, com chuva todos os meses do ano 
- a: temperatura média do mês mais quente acima de 22oC. 
• Período mais chuvoso: meses de verão (fevereiro) 
• Período mais seco: meses de inverno (julho e agosto) 
• Quantidade de chuva (média anual): 1988mm 
• Décimos de céu encoberto (média anual): 7 
• Temperatura do ar média anual: 21oC 
máxima: 34oC 
mínima: 01oC 
média das máximas: 29oC 
média das mínimas:18oC 
Precipitação (média anual): 2000 mm 
• Ventos 
predominantes: Leste e Sudeste 
velocidade máxima: 25m/s (S - SSW) 
velocidade média: 4 m/s 
direções predominantes: E/SE/NE 
• Umidade relativa do ar 
média anual: 85% 
média mensal máxima: 90% 
média mensal mínima: 40 - 50% 
As condições meteorológicas gerais do litoral do Estado do Paraná podem ser 
consideradas como representativas para as escalas da AII e da AID, com ventos 
predominantes dos quadrantes E; SE e NE, velocidades médias de 4 m/s e máximas, 
para ventos do quadrante S-SSW de até 25 m/s. De um modo geral, pode-se citar que 
o fator meteorológico mais relevante para todas as escalas é o das passagens de 
sistemas frontais e os ventos associados e, em raras ocasiões, ventos locais de grande 
intensidade; brisa e terral. Não há informações que levem a esperar fenômenos 
microclimáticos relevantes na escala da ADA, mas há registros de tempestades locais 
no litoral, e não pode ser desprezada a ação da brisa (e terral). 
5.1.1.1.2. Oceanografia e hidrodinâmica costeira 
5.1.1.1.2.1. Clima de ondas ou agitação marítima 
A climatologia de ondas da região sul do Brasil, onde a área do empreendimento se 
encontra, foi descrita por Araújo et al. (2003) destacando-se a esparcidade de dados na 
escala geográfica e os curtos comprimentos dos registros existentes, na escala 
temporal. 
No caso particular de ondas e suas correntes associadas (de deriva litorânea e de 
retorno), a ausência de dados locais impede caracterizar a ADA apropriadamente. 
Para a ADA não existem registros ou dados de onda. Para um local próximo à AID 
existe apenas um registro de ondas e foi realizado próximo à Ilha dos Currais, ao largo 
da Praia de Leste no litoral paranaense (PORTOBRAS 1983, Homsi 1993). A 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-4
campanha coletou dados de 1/09/1982 a 31/08/1983. Os dados foram também 
publicados por Nateec (1994), de onde surge que as direções de ondas predominantes 
são provenientes de E-SE, com alturas máximas das ondas de maior ocorrência entre 
1,1 e 1,6 m; alturas significativas de 0,5 a 1,0 m; predominando as ondas com período 
médio entre 6 a 9 s e sendo mais freqüentes as ondas com período de crista entre 3 e 
6 s. Registraram-se ondas de alturas máximas de até 3,7 m e períodos máximos de 
19 s. 
De um modo geral, estes dados, pelos problemas indicados (limite externo da AID), são 
pouco representativos para uma caracterização detalhada seja da AID e, muito menos, 
da ADA. 
Existem alguns registros de ondas para locais próximos ou dentro da AII. O mais antigo 
foi realizado e analisado por Bandeira (1974) do INPH, e também estudado por Homsi 
(1978). O registro foi obtido entre abril de 1972 e março de 1973 utilizando um 
ondógrafo da marca “Neyrpic” (a ultra som), que foi fundeado na isóbata de 10 m de 
profundidade numa região entre as Ilhas Currais e o atual Canal da Galheta. 
O período observado para as ondas variou de 3 a 10 s, sendo Tz= 6 s o período mais 
freqüente durante nesse ano. A altura significativa média anual mais freqüente foi de 
80 cm (com freqüência de 15,34%). As alturas máximas mais freqüentes ao longo do 
ano desse registro correspondem a HMÁX= 1,0 m com 12,09% de freqüência de 
ocorrência. Cabe aqui destacar que houve algum problema de análise ou registro dos 
dados já que, por definição, a HMÄX teria que ser bem superior aos números 
apresentados pelos autores citados, considerando uma altura significativa de 0,8 m. 
As ondas observadas foram relativamente mais longas de abril a agosto e 
relativamente mais curtas entre setembro e março. De julho a dezembro foram mais 
altas e com direções provenientes dos dois lados da normal à praia, esperando-se, por 
tanto, correntes de deriva litorânea nos dois sentidos (como também indicado por 
Tessler (1988) para as direções de propagação, observadas no período 1955-1959 em 
fotografias aéreas no litoral Sul de São Paulo). Não houve uma variação nítida no 
regime de ondas durante o ano que permitisse identificar algum padrão sazonal. Os 
períodos Tz mais freqüentes ao longo do ano foram de 6 s, com 26,9%, e de 5 s com 
26,35%. A direção de incidência mais freqüente ao longo do ano foi de 120°SE com 
14,48%. 
Um segundo estudo, também do INPH junto à PORTOBRAS, descrito como 
pertencente à AID, foi realizado próximo à Ilha dos Currais, ao largo da Praia de Leste 
no litoral paranaense (PORTOBRÁS 1983, Homsi 1993). A campanha coletou dados 
de 1/09/1982 a 31/08/1983. 
O terceiro estudo, realizado pelo GFM/CEM, corresponde a três trimestres entre 
outubro de 2006 e outubro de 2007 com a instalação de um ondógrafo/correntômetro 
S4-ADW InterOcean, medindo ondas a 2 Hz durante 18 minutos a cada 3-4 horas e 4 
trimestres para correntes a cada 30minutos. O equipamento foi fundeado na isóbata 
dos 10 m num ponto entre Praia de Leste e Pontal do Sul (Lat - 25°38´30" Long - 
48°24´32"). Os resultados deste registro podem ser vistos na figura 5.1 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-5
 
Figura 5.1: Gráfico da percentagem de ocorrência de parâmetros de onda: altura significativa 
(Hs) e período do pico (Tp) na frente do Balneário Shangri-la (Lima et al. 2009). 
Na tabela 5.1 são resumidos os parâmetros de onda obtidos por diversos autores e 
métodos, indicando-se em itálico aqueles que correspondem a regiões fora da AII mas 
que pela sua proximidade ajudam na caracterização da área, e em negrito as 
relevantes dentro da AII. Nota-se que os dados fora da AII diferem bastante dos obtidos 
dentro da AII, especialmente aqueles obtidos dos dados estatísticos do GWS. 
Tabela 5.1: Parâmetros de ondas observadas na região 
Observação / Modelo Tmed - s Hmed - m Hmáx - m Dirmed Dirmáx 
1. Área 87 do GWS 7,64 2,27 > 3 NE S-SE 
2. Área 74 do GWS 7,19 2,06 > 3 E NE-E 
3. Bom Abrigo 55-59 8,8 1,85 > 2 SE S-SE 
4. Bom Abrigo 68-69 8,8 1,73 > 2,6 ESE S-SE 
5. Paranaguá 72/73 6,0 0,8 1,0 (?) ESE S-SE 
6. Praia do Una 7,24 0,93 NI ESE S 
7. Ilha dos Currais 7,9 0,9 > 3,6 E-SE S 
8. Agenor Campos 9,3 0,9 > 2 SE S-SE 
9. Capão da Canoa 9,08 0,82 > 2 SE S-SE 
10. Pontal do Paraná 7,0 1,0 > 5,5 SE SE 
1 & 2: Hogben (1986); 3: GEOBRÁS (1966); 4: CTH-USP (1973); 5: Bandeira (1974) em Homsi (1978); 6: Bomtempo 
(1991); 7: PORTOBRAS (1983), Nateec (1994); 8 & 9: Melo (1993); 10: Porto 2008, Gandor et al. (2009). 
 
5.1.1.1.3. Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) 
Da mesma forma que não há registros de ondas na escala da ADA, não há 
observações in situ das correntes de deriva litorânea e das correntes de retorno. 
Diversos autores e observações em locais próximos à ADA indicam uma deriva 
litorânea de Sul a Norte que pode reverter, ocasionalmente, quando as passagens de 
sistemas frontais. Noernberg et al. (2009), através da interpretação de imagens de 
satélite, mostraram que a escala espacial das correntes de retorno é de apenas 
algumas centenas de metros. Correntes nas proximidades da ADA (mas não 
exatamente nela) realizadas em fundeios do GFM/CEM nas proximidades do Balneário 
Shangri-lá, mostraram correntes com valores de até 30 cm/s na maior parte do tempo, 
atingindo máximos de até 1,0 m/s. Assim sendo, a maior parte do tempo, nos locais 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-6
das observações, as correntes apresentam intensidade superior ao limiar de transporte 
de sedimentos como os encontrados na ADA. 
O único registro de correntes existente na AID foi obtido durante o período de 10 a 17 
de Janeiro de 1994, pelo então Laboratório de Física Marinha do CEM (Marone et al. 
1995a) que realizou uma campanha de medições oceanográficas e de variáveis 
meteorológicas na região do Arquipélago dos Currais. Foi utilizado um correntógrafo 
SensorData SD6000 equipado com sensor de temperatura, o qual foi fundeado no 
canal entre a ilha dos Currais e a ilhota mais próxima, num ponto cuja profundidade é 
de aproximadamente nove metros, sendo que o instrumento ficou a 1,5 m do fundo, 
com intervalo de amostragem de cinco minutos. Houve predomínio das correntes para 
SW no início do registro das correntes, embora as primeiras horas de dados 
indicassem correntes para NE. A partir de 60 horas de registro, pôde-se observar uma 
alternância nas direções, sendo que no final da série, isto é, após a hora 130 
aproximadamente, o predomínio de correntes foi para NE. Os valores médios 
chegaram a 21,4 cm/s na direção 217º e 27,4 cm/s na direção 47º. 
O diagrama de vetores progressivos realizado com estes dados indicou a trajetória de 
uma partícula imaginária que se deslocaria a partir da origem na Ilha dos Currais. 
Observou-se que, no início, a partícula se desloca para NE; a seguir caminha bastante 
para SW (aproximadamente 20 km); e daí começa a alternar as direções da trajetória, 
provavelmente por ser devida somente à maré, e na parte final das observações, se 
move para NE. 
Pode-se associar a predominância das correntes para NE como sendo correntes de 
deriva litorânea resultantes da atuação de ondas do quadrante SW, originadas por 
ventos do quadrante Sul. Já a predominância das correntes para SW é associada às 
condições meteorológicas estáveis, como a Alta do Atlântico Sul, com ventos de E e 
NE, gera uma deriva em direção inversa (SW). Vale frisar que o sistema de correntes 
costeiras não é diretamente influenciado pelo vento local, e sim por toda uma condição 
meteorológica em escala maior. As variações de pressão e vento em dado local podem 
ser os principais indicadores dessas condições meteorológicas. É coerente este 
raciocínio no presente caso, uma vez que: (i) o começo das medições foi caracterizado 
como um período pós-frontal pelos dados de pressão e vento, e neste período foi 
observada uma corrente para NE; (ii) logo após se observa um fluxo para SW que 
persistiu por cerca de dois dias, período no qual ocorreram as máximas pressões e os 
ventos de N e NE mais intensos; (iii) entre as 60 e as 130 horas de observações, a 
corrente apresentou alternância no sentido e os ventos foram de moderado a fraco e, 
portanto, as correntes foram de enchente e vazante de maré; (iv) no final das 
observações, a partir da hora 140, ocorreu a inversão na direção do vento e as 
correntes para NE foram predominantes. 
Além do registro das correntes já mencionado, obtido no Arquipélago dos Currais em 
1994, e um estudo com garrafas de deriva (Marone et al. 1995b) que indicou correntes 
de deriva predominantes na direção N-NE, mas com algumas ocorrências no sentido 
inverso (S-SW), um outro registro, obtido pelo mesmo instrumento usado para ondas 
(S4-ADW) corresponde a quatro trimestres entre 2007 e início de 2008 com a 
instalação de um ondógrafo/correntômetro S4-ADW InterOcean, medindo correntes a 
cada 30 minutos. Neste longo fundeio foram observadas correntes máximas de mais de 
0,60 cm/s, direções de deriva litorânea preponderantes para N (NE), mas com eventos 
na direção oposta (Alberti 2009). Decompostas as correntes nas suas componentes 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-7
perpendiculares e paralelas à costa, e filtradas para eliminar as variações de alta 
freqüência, o citado autor encontrou valores máximos das correntes paralelas à costa 
(deriva litorânea) de até 30 cm/s, assim como correntes perpendiculares da mesma 
magnitude e, num caso, superiores a 40 cm/s (correntes de retorno). 
A troca de propriedades entre a zona de surf e a plataforma rasa na região foi estudada 
por Noernberg (2003), observando a presença de correntes de retorno erosivas. O 
autor também constatou que as plumas de sedimentos, que delimitam estas correntes 
de retorno, são provenientes da ressuspensão de sedimentos causada pela ação de 
ondas sobre o fundo da área. 
Levantamentos das velocidades e direções das correntes, com Acoustic Doppler 
Profiler (ADP), constataram que as correntes se deslocam para sul nos períodos de 
vazante do CEP, próximo ao balneário de Pontal do Sul. Na área próxima a Praia de 
Leste, a direção preferencial das correntes é para norte, devido ao período de estofa da 
vazante, quando se têm correntes costeiras sem ação da maré (Veiga et al. 2003). 
5.1.1.1.4. Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas) 
O regime de maré na AII foi usado como referência para a ADA e a AID e é descrito a 
partir de dados da entrada da Baía de Guaratuba e a maré na desembocadura da Baía 
de Paranaguá. A maré é do tipo semi-diurna, com desigualdades (isto é, duas 
preamares e duas baixa-mares por dia, sendo diferentes entre elas, especialmente nos 
períodos de quadratura) e apresentando range máximo(diferença entre máximas 
preamares e baixamares) inferior aos dois metros (micro-maré). O nível do mar devido 
às marés astronômicas pode ser alterado por efeitos meteorológicos em até 1 m, por 
variações da pressão atmosférica (efeito do barômetro invertido ou de Torricelli) e/o 
ventos perpendiculares à costa (wind setup ou set-down). Marés meteorológicas 
(positivas e negativas) ocorrem durante todo o ano com intensidades equivalentes. São 
mais freqüentes no inverno, mas suas intensidades independem da época do ano 
(Marone et al. 1995c). 
O regime de maré na AID pode ser descrito como intermediário entre o da entrada da 
Baía de Guaratuba e a maré na desembocadura da Baía de Paranaguá, sendo por 
tanto do tipo semi-diurna, com desigualdades e inferior aos dois metros, e pode ser 
alterado por efeitos meteorológicos, como variações da pressão atmosférica. Marés 
meteorológicas (positivas e negativas) ocorrem durante todo o ano com intensidades 
equivalentes, associadas à ação de sistemas frontais no Atlântico Sul sendo mais 
freqüentes no inverno, mas suas intensidades independem da época do ano. 
O regime de maré na ADA pode ser considerado muito parecido ao da entrada na Baía 
de Guaratuba. Assim sendo, a maré é do tipo semi-diurna, com desigualdades (isto é, 
duas preamares e duas baixa-mares por dia, sendo diferentes entre elas, 
especialmente nos períodos de quadratura) e apresentando range máximo (diferença 
entre máximas preamares e baixamares) inferior aos dois metros. O nível do mar 
devido às marés astronômicas pode ser alterado por efeitos meteorológicos. Quando 
ocorrem as marés meteorológicas positivas, as marés astronômicas irão variar em 
torno de um nível médio do mar bem mais alto que o normal. Se uma maré 
meteorológica de 1 m coincide com uma maré de lua cheia, com uma preamar prevista 
de 1 m acima do nível médio do mar, a preamar atingiria 2 m acima do nível médio 
normal. Uma subida de nível de 2 m em uma praia com declividade da ordem de 1:20, 
implica num avanço da linha d’água de 40 m em direção ao continente. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-8
5.1.1.1.5. Ocorrência de eventos extremos (ressacas) 
Ressacas são aqui denominadas às situações de estado do mar com uma grande 
agitação marítima (ondas de alta energia) que podem ocorrer concomitantemente com 
outros fatores que elevam o nível relativo do mar acima do usualmente determinado 
pelas marés astronômicas (maré meteorológica). Ressacas podem acontecer sem uma 
grande maré meteorológica, mas usualmente o nível médio do mar sobe 
significativamente por alguns dias devido ao empilhamento de água na costa devido à 
ação das ondas (wave setup), subida que é da ordem de 15% a 20% da altura de 
arrebentação das ondas. Isso acrescentaria algo como 0,4 m para ondas com cerca de 
2,5 m de altura. No caso de uma praia com declividade de 1:20, em situação de maré 
meteorológica extrema (1 m a mais da astronômica) e ondas de 2,5 m, o máximo 
resultante numa sizígia pode atingir mais de 2,5 m acima do nível do mar, penetrando 
mais de 50 m em direção ao continente. 
Ressacas no Litoral do Estado do Paraná são comuns em qualquer época do ano, 
chegando a ter periodicidades diretamente relacionadas às das passagens de sistemas 
frontais na área. Assim sendo, são mais freqüentes nos meses de inverno e início de 
primavera. 
5.1.1.2. Geologia e geomorfologia 
A região litorânea do Estado do Paraná é formada por um conjunto de serras, 
denominado Serra do Mar, e por extensas planícies costeiras recortadas por 
complexos estuarinos (Figura 5.2). As características geomorfológicas da Serra do Mar 
originam bacias hidrográficas, que drenam para os complexos estuarinos, com 
vertentes íngremes com desníveis de mais de 1.500 m. A Serra da Prata, uma 
ramificação da Serra do Mar, com orientação noroeste alcança o mar, dividindo a 
região em duas bacias hidrográficas principais: a de Paranaguá e a de Guaratuba. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-9
 
Figura 5.2: Localização e principais unidades geomorfológicas da região litorânea do Paraná. 
(1) planaltos; (2) serras originadas por dissecação de borda de planalto; (3) serras originadas 
por erosão diferencial; (4) tálus, leques aluviais e planícies aluviais; (5) planície costeira; 
(6) divisor de águas; (7) limite interestadual (Angulo 1999). 
A planície costeira formou-se no Quaternário, decorrente principalmente das variações 
do nível relativo do mar ocorridas no Quaternário e do balanço positivo de sedimentos. 
No Paraná foram reconhecidas planícies de duas idades: uma do Pleistoceno Tardio, 
de aproximadamente 120.000 anos e outra do Holoceno médio e tardio de idade entre 
7.000 anos e presente (Angulo et al. 2009). A planície tem altitude inferior a 20 m 
decrescendo desde o interior até o oceano. Os sedimentos que compõem a planície 
costeira pertencem a duas unidades principais: (a) planície com cordões litorâneos, que 
inclui sedimentos arenosos praiais e eólicos; (b) estuarino-lagunar, que possui 
principalmente sedimentos arenosos e areno-argilosos de planície de maré e fundos 
rasos (Angulo 2004). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-10
Na costa paranaense ocorrem diversos ambientes de sedimentação costeira, 
destacando-se: (a) estuários e complexos estuarinos, denominados localmente de 
baías, (b) deltas de maré, (d) plataforma interna, (e) praias e (f) dunas frontais. A seguir 
serão descritos aqueles ambientes relacionados às obras em análise. 
5.1.1.2.1. A Baía de Guaratuba 
A Baía de Guaratuba é um complexo estuarino raso de orientação leste-oeste, 
comprimento em torno de 16 km e largura máxima aproximada de 3 km, quando se 
considera a linha de maré baixa, e 10 km, quando se inclui a planície de maré. 
A bacia hidrográfica tem aproximadamente 1.886 km2, sendo o principal afluente o rio 
São João, que drena uma porção do Planalto de Curitiba. 
A foz da baía é estreita, com aproximadamente 500 m de largura, estando limitada 
entre dois pontais rochosos correspondentes ao extremo meridional da Serra da Prata, 
ao norte, e ao Morro de Guaratuba, ao sul. A baía alarga-se em direção ao continente, 
apresentando numerosos canais e ilhas, sendo margeada em quase todo seu 
perímetro por extensos manguezais. 
5.1.1.2.2. A Barra de Guaratuba 
Na barra de Guaratuba existem extensos bancos arenosos que compõem um sistema 
deposicional denominado delta de maré vazante (Angulo 1999). 
Os deltas de maré vazante são sistemas deposicionais relacionados às 
desembocaduras de lagunas ou estuários. Segundo Hayes (1975) o delta de maré 
vazante apresenta os seguintes componentes: (1) canal principal de maré vazante, 
(2) barras lineares marginais ao canal de maré vazante, (3) lobo terminal, (4) 
plataformas de espraiamento, (5) barras de espraiamento e (6) canais marginais de 
enchente (Figura 5.3). O canal principal é dominado pelas correntes de maré vazante. 
As barras lineares marginais ao canal principal são feições semelhantes a diques 
marginais e se formam pela interação das correntes de maré vazante e as ondas. O 
lobo terminal localiza-se na parte terminal do canal principal, onde o fluxo da corrente 
de maré vazante diminui, permitindo uma substancial deposição de sedimentos; as 
plataformas de espraiamento são constituídas por lençóis de areia depositados 
principalmente pelas ondas entre o canal principal e a costa. As barras de 
espraiamento formam-se e migram através da plataforma de espraiamento pela ação 
de correntes geradas pela arrebentação das ondas. Os canais marginais de enchente 
são dominados pelas correntes de maré enchente e podem ocorrer entre a plataforma 
de espraiamento e a costa, tanto a montante como a jusante da deriva litorânea. Oertel 
(1975, 1977) desenvolveu esquemas da configuração dos deltas de maré vazante, 
dependendoda interação das marés, ondas e correntes de deriva litorânea 
(Figura 5.4). Os deltas dominados por ondas (Figuras 5.4a,b,c) têm raio menor que os 
dominados por marés (Figura 5.4d), ou seja, tem menor projeção em direção ao mar, 
evidenciando o predomínio da ação das ondas em relação as correntes de maré 
vazante. Quando há ação efetiva das correntes de deriva litorânea, os deltas de 
vazante apresentam o canal principal orientado na direção da deriva predominante 
(Figura 5.4b,c), quando isso não ocorre os deltas tendem a ser simétricos (Figura 5.4a). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-11
 
Figura 5.3: Modelo de delta de maré vazante (Hayes 1975) 
 
 
Figura 5.4: Modelos de deltas de maré vazante com várias configurações resultantes da 
dominância de diferentes processos (Oertel 1975). (a) dominado por ondas; (b) dominado por 
ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o norte; (c) dominado por ondas com 
corrente de deriva litorânea fluindo para o sul; (d) dominado por marés. 
Comparando com os modelos de Oertel (1975), observa-se que o delta da baía de 
Guaratuba, corresponde aos deltas dominados por marés, devido ao maior 
desenvolvimento na direção das correntes de maré, ou seja, na direção transversal à 
linha de costa (Angulo 1999). Os pontais rochosos limitam a desembocadura, 
dificultando a segregação dos fluxos de maré enchente e vazante e, 
consequentemente, os canais marginais de enchente. 
O delta de vazante de Guaratuba apresenta maior desenvolvimento de sua parte sul, 
permitindo inferir direção predominante de transporte de deriva litorânea de sudoeste 
para nordeste. Esta direção coincide com interpretações realizadas a partir de outras 
feições morfológicas da costa tais como a inflexão para nordeste da foz de pequenos 
córregos que deságuam na praia (Bigarella et al. 1966, Angulo 1992). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-12
Dentre as feições deposicionais existentes na Barra de Guaratuba podem ser 
reconhecidos o canal principal de vazante, as barras lineares de margem do canal 
principal e o lobo terminal, do modelo de Hayes (1975) (Figura 5.5). As barras de 
espraiamento estão reduzidas a pequenas barras próximas à desembocadura, sendo a 
maior parte barras de arrebentação. A barra de margem esquerda é conhecida 
localmente como banco Cantagalo. A desembocadura limitada entre dois pontais 
rochosos aparentemente não permite a circulação preferencial de fluxos de maré 
enchente e vazante em locais diferentes, como definido nos modelos de Hayes (1975). 
 
Figura 5.5: Modelo de delta de maré vazante na desembocadura da Baía de Guaratuba. 
(1) barras de espraiamento e barras submersas; (2) barra de margem de canal; (3) lobo 
terminal; (4) canal de vazante principal; (5) direção inferida de deriva litorânea predominante 
(Angulo 1999). 
O delta de maré de Guaratuba, do mesmo modo que outros deltas de maré da região, 
embora mantenham sua configuração geral, apresentam importantes variações na sua 
morfologia, evidenciando altas taxas de transporte de sedimentos. Estas mudanças 
causam processos acelerados de deposição e erosão, que originam grandes variações 
da linha de costa (Angulo 1999). 
Em fotografias aéreas de diversas datas (1954, 1965 e 1980) são identificáveis, duas 
barras em pontal, que se projetam para leste a partir das praias das Caieiras e Prainha 
(Figura 5.6) e delimitam um canal, com largura semelhante à foz da baía, que se alarga 
em direção ao mar. Na barra da margem esquerda observam-se, na fotografia de 1980, 
dunas subaquosas e ondas de areia com comprimento de onda de 3 a 5 m, que 
avançam para nordeste, na direção das correntes de maré vazante. Após as barras em 
pontal, em direção ao oceano, existem barras frontais, que se estendem até mais de 
4 km da desembocadura. Nas fotografias de 1965 e 1980 estas barras se prolongavam 
para o norte até constituírem uma barra transversal, na frente da Praia Brava de 
Caiobá (Figuras 5.6b, c) e provocavam refração das ondas e progradação da parte 
emersa da praia (Angulo 1999). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-13
 
Figura 5.6: Configuração da barra da Baía de Guaratuba (a) em 27 de agosto de 1954, (b) em 
5 de maio 1965, (c) em 25 de setembro de 1980. (1) planície costeira; (2) serra e morros; 
(3) praia; (4) barra de espraiamento; (5) barra submersa com arrebentação; (6) barra submersa 
com esbeltamento de ondas; (7) planície de maré; (8) direção inferida de avanço de dunas 
subaquosas (comprimento de onda de 5 a 15 m); (9) direção preferencial inferida de corrente 
de maré vazante; (10) direção predominante inferida de deriva litorânea; (11) rios, córregos e 
canais de maré; (12) esporões artificiais (Angulo 1999). 
Comparando a orientação das barras em pontal que margeiam o canal principal, em 
1965 e 1980, observa-se um deslocamento que pode ser interpretado como uma 
rotação do canal para sul, a partir dos pontos fixos constituídos pelos afloramentos 
rochosos que delimitam a desembocadura. Estas modificações provocaram erosão no 
extremo norte da Praia das Caieiras e intensa sedimentação na Prainha, onde a linha 
de costa avançou até 200 m, no período (Angulo 1984). As barras frontais também se 
deslocaram. Em 1954, as mais externas, estavam a menos de 4 km da 
desembocadura, sendo que seu extremo norte localizava-se próximo ao Morro do Boi 
(Figura 5.6a). Em 1965, as barras tinham se deslocado para norte aproximadamente 
133 m, alcançando o extremo sul da Praia Brava de Caiobá (Figura 5.6b). Já em 1980, 
as barras estavam mais afastadas da desembocadura e o extremo norte do arco 
formava uma barra transversal na parte sul da Praia Brava de Caiobá, 333 m ao norte 
de sua posição em 1965 (Figura 5.6c). Em 1997 a barra tinha se deslocado mais 67 m 
para norte e em 2003, 90 m para sul (Tabela 5.2). 
Tabela 5.2: Taxas de deslocamento da extremidade norte do lobo frontal delta de maré vazante 
da barra de Guaratuba ou da barra transversal da praia Brava de Caiobá. 
Período Deslocamento (m) Taxa (m/ano) 
1954-1965 133 12,1 
1965-1980 333 22,2 
1980-1997 67 3,9 
1997-2003 -90 -15,0 
Nota: os valores positivos indicam migração para norte e os negativos para sul. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-14
5.1.1.2.2.1. Dinâmica da barra 
Os bancos de areia que compõem a barra ou delta de maré vazante, com foi 
comentado, possuem alta mobilidade. Sua configuração e dinâmica resultam da 
interação das ondas e marés e correntes por elas geradas. As ondas, devido ao 
processo de refração, tendem a retificar a costa, deste modo elas têm tendência a 
mover os bancos em direção à costa. Por outro lado, as correntes de maré vazante que 
saem da baía tendem a empurrar os bancos costa afora. Assim, os bancos localizam-
se na zona de equilíbrio entre estas duas forçantes. Em períodos de maior energia de 
ondas eles têm tendência a serem deslocados em direção à costa e em anos com 
correntes de maré vazante mais fortes, por exemplo, durante períodos de chuvas 
intensas, serão deslocados em direção ao mar. Contudo, na barra também ocorre à 
segregação das correntes de maré enchente e vazante. A morfologia do estuário 
associada à amplitude e velocidade das ondas das marés propiciam defasagem 
temporal das correntes de enchente e vazante e consequentemente a sua segregação. 
Esta segregação origina no delta de maré vazante canais preferenciais com fluxo de 
correntes de enchente ou vazante. As mudanças de fluxo nestes canais podem 
modificar significativamente a morfologia dos deltas. Esta parece ter sido a causa das 
modificações observadas no período nos bancos localizados na frente da praia Brava 
de Caiobá. As correntes de maré vazante parecem ter forçado os bancos, que fazem 
parte do lobo frontal do delta, para nordeste,principalmente no período de 1954 a 1980 
com taxas de deslocamento entre 12 e 22 m por ano (Tabela 5.2 e Figura 5.7). 
Posteriormente, a barra permaneceu aproximadamente na mesma posição, com 
avanços e recuos inferiores a 100 m e taxas entre 4 e 15 m por ano (Figura 5.7). O 
recuo para sul, pode ter sido originado por um período de maior ação das ondas de 
leste e nordeste ou um enfraquecimento das correntes de maré vazante na parte mais 
setentrional do canal principal. 
O posicionamento dos bancos arenosos que compõem o lobo frontal do delta de maré 
vazante, na frente da praia Brava de Caiobá mudou a sua configuração. Em 1954 a 
praia tinha configuração em arco típica das praias com dinâmica dominada por ondas 
(Figura 5.8a). Já em 1965 os bancos posicionados no extremo sul da praia, tinham 
provocado o seu alargamento neste local (Figura 5.8b). Em 1980 tinha provocado um 
alargamento na parte sul da praia (Figura 5.8c). Este alargamento foi provocado pela 
refração das ondas sobre o banco, que criou uma zona de convergência das correntes 
de deriva litorânea longitudinal. Mas, também uma zona de divergência mais ao norte, 
causando o estreitamento da praia na parte central do arco praial (Figura 5.8c). 
No futuro os bancos podem continuar se deslocando para norte ou para sul, mas 
também podem ser removidos se as correntes de maré vazante deixarem de fluir por 
este setor do canal. Neste caso as ondas, rapidamente, devem transportar a areia dos 
bancos para a praia e restabelecer a configuração original em arco semelhante ao 
observado em 1954 (Figura 5.8a). Isto favoreceria a perda de sedimentos na parte sul 
da praia, hoje com grande acumulo de areia evidenciado pelo alargamento da praia e a 
formação de dunas frontais, e alargamento mais a norte devido ao desaparecimento da 
zona de divergência da deriva litorânea longitudinal. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-15
 
Figura 5.7: Fotografia aérea de 1997 da parte sul da praia Brava de caiobá (Paranacidade), 
com indicação da posição dos bancos que compõem o lobo frontal do delta de maré vazante 
da baía de Guaratuba, em diferentes datas. 
a b c 
Figura 5.8: Configuração da praia Brava de Caiobá em (a) 1954, (b) em 1965 e (c) em 1980. 
5.1.1.2.3. As praias paranaenses 
A costa paranaense tem forma em suave curva, com orientação aproximadamente 
norte-sul, ao sul, passando para nordeste-sudoeste na parte norte. As praias se 
estendem ao longo da costa oceânica por aproximadamente 126 km, desde a Barra do 
Ararapira até a Barra do Saí; a sua continuidade é interrompida por pontais rochosos e 
desembocaduras das baías. As praias possuem morfologia variada, predominando as 
de características intermediárias a dissipativas, com face praial larga, baixa declividade 
e bancos geralmente bem desenvolvidos. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-16
As praias paranaenses podem ser classificadas em dois tipos principais: (a) oceânicas 
ou de mar aberto, cuja dinâmica é dominada por ondas e correntes geradas por ondas 
e, (b) praias com influencia das desembocaduras estuarinas, cuja dinâmica é 
influenciada, além das ondas, pelas correntes de maré (Angulo & Araújo 1996). 
As praias paranaenses estão inseridas num sistema dinâmico maior que vai desde 
Barra Velha em Santa Catarina até Ilha Comprida em São Paulo, onde ocorre o 
transporte de sedimentos entre as diferentes praias (Angulo et al. 2006). As correntes 
de deriva longitudinal transportariam os sedimentos ao longo das praias. Entre as 
praias o transporte ocorreria através dos deltas de maré vazante, conhecidos 
regionalmente como barras. Os seja, as barras seriam os sistemas de ligação entre as 
diferentes praias. Porém, esta dinâmica teria sido alterada pela dragagem dos canais 
de acesso aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, que teria interrompido a 
passagem de sedimentos através das barras (Angulo et al. 2006). 
As praias são constituídas por areias, bem selecionadas, com grãos principalmente de 
quartzo e teores variáveis de fragmentos carbonáticos biodetríticos e minerais pesados. 
Entre o Morro do Boi, em Caiobá, e Pontal do Sul existem praias ao longo de 
aproximadamente 37 km, ocorrendo apenas um pontal rochoso, denominado Ponta de 
Matinhos e a foz de um rio importante denominado Rio Matinhos. 
A Ponta de Matinhos e a foz do rio Matinhos interferem na deriva litorânea, mas não 
são grandes o suficiente para interrompê-la. 
Neste setor podem ser reconhecidos dois arcos praiais: (a) desde o Morro do Boi até a 
Ponta de Matinhos e (b) da Ponta de Matinhos até Pontal do Sul. 
5.1.1.2.3.1. O arco praial de Caiobá – Ponta de Matinhos 
Características 
O arco praial de Caiobá–Ponta de Matinhos, é formado pelas praias Brava de Caiobá e 
Brava de Matinhos, tem orientação aproximadamente N20ºE e comprimento de 3,2 km. 
Na década de 60, Bigarella et al. (1966), levantaram perfis topográficos (Figura 5.9). 
Neles se observa que a inclinação da face praial aumenta de sul para norte e que 
predomina a morfologia praial com berma e pós-praia. 
As praias são constituídas predominantemente por areias finas a médias. Bigarella et 
al. (1966). Em levantamentos da década de 90 foi encontrada areia fina a grossa 
(Lecost inédito). 
Bigarella et al. (1966) verificaram que o diâmetro médio e a inclinação da praia 
aumentavam de sul para norte, no sentido do transporte, enquanto a seleção diminuía 
no mesmo sentido (Figura 5.9). Na década de 90, também foi encontrado padrão 
semelhante (Figura 5.10, Lecost inédito). 
Novos levantamentos realizados para este EIA-RIMA que evidenciaram que as praias 
são formadas predominantemente por areia fina a média e subsidiariamente areia 
grossa. Os novos levantamentos também evidenciaram padrão de distribuição do 
diâmetro médio e seleção semelhante aos dos anos anteriores (Figura 5.11). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-17
 
Figura 5.9: Perfis do arco praial Caiobá-Matinhos e gráfico de inclinação média da praia de 
norte para sul e percentagens nos vários intervalos de classe granulométrica (Bigarella et al. 
1966). 
Parametros granulometricos de 1990 
Arco praial Morro do Boi - Ponta de Matinhos
0,00
0,50
1,00
1,50
2,00
2,50
3,00
3,50
C01b C02b C03b C04b C05b C06b C07b C08b
Amostra
Di
am
et
ro
 m
ed
io
 (F
i)
0,00
0,10
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
0,70
0,80
0,90
1,00
De
sv
io
 p
ad
rã
o 
(F
i)
Diâmetro médio 1990 Desvio Padrão 1990 Linear (Desvio Padrão 1990) Linear (Diâmetro médio 1990) 
Figura 5.10: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 1990 (a partir 
de dados do Lecost inédito) 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-18
Parametros granulometricos de 2009
Arco praial Morro do Boi - Ponta de Matinhos
0,00
0,50
1,00
1,50
2,00
2,50
3,00
5 7 9 11 12 13
Amostra
Di
am
et
ro
 m
ed
io
 (F
i)
0,00
0,10
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
0,70
0,80
De
sv
io
 p
ad
rã
o 
(F
i)
Diâmetro médio 2009 Desvio padrão 2009 Linear (Desvio padrão 2009) Linear (Diâmetro médio 2009) 
Figura 5.11: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 2009 
Relação entre a dinâmica da praia e a ocupação 
A ocupação do arco praial Caiobá – Matinhos com fins turísticos iniciou-se nos anos 30 
(Bigarella 1991). Atualmente, a orla é completamente urbanizada com ocupação densa. 
Os problemas de erosão costeira já ocorriam no final da década de 70 e ainda não 
foram completamente resolvidos apesar das inúmeras obras realizadas. 
A ocupação da faixa dinâmica da praia, a destruição das dunas frontais e a ocupação 
sobre a praia têm sido apontadas como as causas principais dos problemas deerosão 
costeira neste arco praial (Para mais detalhes ver capítulo 2 item 2.1). 
Mudanças na morfologia da barra de Guaratuba, que alcança a parte sul do arco praial, 
também causaram modificações significativas da morfologia da praia com alargamento 
na frente do banco frontal e estreitamento na zona de divergência das correntes de 
deriva (Figura 5.12). 
Como conseqüência da ocupação, obras de controle da erosão e mudanças naturais e 
induzidas, o arco praial apresenta atualmente as seguintes características e problemas: 
Na parte sul e central da praia, não há problema erosivo. O banco transversal, que 
origina a convergência das correntes de deriva litorânea, tem promovido acumulo 
significativo de areia nestes setores da praia, com a formação de dunas frontais e larga 
pós-praia (Figura 5.13). 
No extremo sul da praia observa-se um pequeno déficit de areia, devido provavelmente 
à localização do banco mais ao norte, criando uma pequena zona de divergência. 
No setor norte – Praia Brava de Matinhos – existe intenso processo erosivo. Neste 
setor o avanço da ocupação sobre a faixa dinâmica de praia e talvez sobre a própria 
praia, tem originado a erosão da praia. As diversas obras realizadas não tiveram 
sucesso. 
A existência de obras rígidas ou semirígidas, tais como aterros, enrocamentos e 
soleiras em gabião na faixa dinâmica dificultam ou impedem o espraiamento das ondas 
incidentes e consequentemente impedem que a praia alcance o seu perfil de equilíbrio. 
Assim, a energia das ondas, que seria dissipada na praia é utilizada na mobilização e 
suspensão da areia da praia, que é mais facilmente transportada pelas correntes de 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-19
deriva longitudinal e de retorno. Estes processos têm provocado diminuição da largura 
da praia emersa e o seu rebaixamento. 
 
Figura 5.12: Foto aérea oblíqua do arco praial de Caiobá – Matinhos, em 1994. Notar o 
alargamento da praia na parte sul associado à existência da barra transversal à praia e 
estreitamento na parte norte. 
 
Figura 5.13: Dunas frontais e larga pós-praia na parte sul do arco praial de Caiobá-Matinhos, 
próximo ao banco de areia transversal à praia, em 2009. 
5.1.1.2.3.2. O arco praial Ponta de Matinhos - Pontal do Sul 
Características 
O arco praial entre a Ponta de Matinhos e o balneário Pontal do Sul tem comprimento 
em torno de 43 km e orientação N25ºE na parte sul, girando progressivamente até 
N60ºE, no extremo norte, em Pontal do Sul (Figura 5.14). 
As praias são compostas por areia média a fina. 
Na década de 60, Bigarella et al. (1969a) verificaram que, entre Matinhos e Pontal do 
Sul, aumento do diâmetro médio, no sentido norte, até Praia de Leste e diminuição até 
Pontal do Sul. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-20
Um levantamento realizado na década de 90 na parte sul do arco praial, entre a Ponta 
de Matinhos e o Balnéario Flórida evidenciou diâmetro médio semelhante ao longo do 
trecho e melhora da seleção para norte (Figura 5.15 Lecost inédito). 
Dados levantados para este EIA-RIMA no mesmo setor sul deste arco praial 
evidenciaram aumento do diâmetro médio a piora da seleção (Figura 5.16). 
 
Figura 5.14: Figura do arco praial de Matinhos – Pontal do Sul (Google). 
Parametros granulometricos de 1990 
Arco praial Ponta de Matinhos - Balneário Flórida
0,00
0,50
1,00
1,50
2,00
2,50
3,00
M01b M02b M03b M04b M05b M06b M07b M08b M09b M10b M11b M12b M13b M14b
Amostra
D
ia
m
et
ro
 m
ed
io
 (F
i)
0,00
0,10
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
0,70
0,80
0,90
1,00
De
sv
io
 P
ad
rã
o 
(F
i)
Diâmetro médio 1990 Desvio Padrão 1990 Linear (Desvio Padrão 1990) Linear (Diâmetro médio 1990) 
Figura 5.15: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos-
Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 1990 (a partir de dados do 
Lecost inédito). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-21
Parametros granulometricos de 2009
Arco praial Ponta de Matinhos - Balneário Florida
0,00
0,50
1,00
1,50
2,00
2,50
3,00
15 16 17 19 20 21 23 25 27 29
Amostra
D
ia
m
et
ro
 m
ed
io
 (F
i)
0,00
0,10
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
0,70
0,80
0,90
1,00
De
sv
io
 p
ad
rã
o 
(F
i)
Diametro medio 2009 Desvio padrão 2009 Linear (Desvio padrão 2009) Linear (Diametro medio 2009)
 
Figura 5.16: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos-
Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 2009 
 
Relação entre a dinâmica da praia e a ocupação 
Para analisar a relação entre a dinâmica da praia e a ocupação, o arco praial pode ser 
dividido em três setores: (a) a praia Central ou Mansa de Matinhos, entre a Ponta de 
Matinhos e a foz do rio Matinhos; (b) o setor entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida 
e (c) entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul. 
a) Praia Central de Matinhos 
A ocupação da praia a praia Central de Matinhos, ou Mansa como era chamada, com 
fins turísticos teve seu inicio nos anos 30 (Bigarella 1991). Ela se caracterizou, desde o 
início, pela ocupação da faixa dinâmica da praia e de parte da praia (Para mais 
detalhes ver capítulo 2 item 2.1). Posteriormente, a urbanização avançou ainda mais 
sobre a praia. Como conseqüência desta ocupação, o extremo sul da praia apresenta 
problema crônico de erosão costeira (Figura 5.17). As diversas e sucessivas obras 
realizadas na tentativa de resolver o problema não tiveram sucesso. Atualmente quase 
não há praia e as ondas de maior energia danificam constantemente o calçadão 
(Figura 5.18). 
b) Praia entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida 
Entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida ocorrem problemas erosivos, principalmente 
nos balneários Flamingo e Riviera. Neste setor o problema erosivo foi causado pela 
ocupação sobre a faixa dinâmica da praia, principalmente pela construção da Avenida 
Beira-mar, que interferiu no arco natural da praia, o que é observado claramente em 
fotografias aéreas e no próprio local (Figura 5.19). A erosão iniciou-se logo após a 
construção da obra na parte mais avançada do arco praial, no balneário Flamingo, e foi 
propagando-se para o norte. 
A obra dificultava ou impedia o espraiamento das ondas e a formação do perfil de 
equilíbrio da praia. O perfil de equilíbrio da praia é a forma mais eficiente de dissipar a 
energia das ondas. Quando ele não pode se formar por interferência da ocupação da 
faixa dinâmica da praia a energia das ondas é dissipada por reflexão e difração, que 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-22
promove a suspensão da areia da praia e o seu transporte pelas correntes de deriva 
litorânea longitudinal e pelas correntes de retorno, o que causa a erosão da praia. 
 
Figura 5.17: Problemas de erosão costeira na praia Central de Matinhos, em 1994. 
 
Figura 5.18: Problemas de erosão costeira na parai Central de Matinhos, em 2009. 
 
Isto pode ser verificado observando dois locais próximos da mesma praia com e sem 
ocupação. Ao sul do Balneário Riviera, onde a ocupação irregular existente até o ano 
2000 (Figura 5.19), foi retirada após a sua destruição parcial pelo evento de alta 
energia de ondas, associado às marés de sizígia e marés meteorológicas, conhecido 
popularmente como “ressaca”, o perfil de equilíbrio da praia foi restabelecido após a 
desocupação da área, inclusive com a formação de dunas frontais (Figura 5.20a). Ao 
lado, onde a ocupação permaneceu, o perfil de equilíbrio da praia não pode ser 
restabelecido e o problema de erosão continuou até o presente (Figura 5.20b). 
A partir do Balneário Flamingo a erosão foi se propagando para o norte,devido ao 
crescente déficit de sedimento na praia promovido pela maior retirada e transporte de 
areia pelas ondas e correntes. 
O problema erosivo ocorre onde foram realizadas obras de contenção, principalmente 
enrocamentos, que impedem a formação do perfil de equilíbrio da praia (Figura 5.20b). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-23
Mais ao norte, onde não há obras de contenção, houve uma diminuição da largura da 
faixa de areia e dunas frontais, mas como as ondas não alcançaram as obras o perfil 
de equilíbrio da praia pode ser mantido (Figura 5.21). Deste modo, ainda não há 
problema erosivo, apenas uma situação de risco. Caso o déficit de sedimentos 
continue, a linha de costa pode recuar até alcançar as obras, configurando assim um 
problema erosivo. 
 c) Praia entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul 
Entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul não ocorrem problemas erosivos. Entre a 
ocupação e a praia existe sempre uma faixa de largura variável que inclui a faixa 
dinâmica da praia e as dunas frontais. Ela esta relacionada com os setores mais ao sul, 
pois recebe os sedimentos trazidos dessa direção pelas correntes de deriva litorânea 
longitudinal. A diminuição deste fluxo de sedimentos vindos de sul deve causar déficit 
de sedimentos e pode causar problemas de erosão costeira. 
 
Figura 5.19: Alteração do arco praial pela ocupação e construção da Avenida Beira-Mar no 
Balneário Flamingo, em 1994. A seta indica a área de ocupação irregular. 
a b 
Figura 5.20: Fotografias tomadas do mesmo local com vista para (a) sul, onde se observa o 
perfil praial em equilíbrio e dunas frontais e (b) norte onde se observa o problema erosivo 
originado pela ocupação e as obras de contenção, em 2007. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-24
 
Figura 5.21: Pequena faixa com dunas frontais entre a praia e a calçada, onde ainda o perfil de 
equilíbrio da praia pode ser mantido, no Balneário Riviera, em 2009. 
5.1.1.2.4. Dunas frontais 
5.1.1.2.4.1. Características 
Ao longo da costa paranaense ocorrem dunas frontais. As dunas frontais são 
acumulações de areia transportada pelo vento desde a praia e depositada, junto à 
praia, com o auxilio da vegetação pioneira adaptada a estes ambientes. 
Na planície costeira paranaense existiam e ainda existem onde não foram destruídos 
pela urbanização, diversos cordões de dunas costeiras, que foram estudados por 
Bigarella (1946, 1965, 1972), Bigarella et al. (1969a,b, 1970/71, 1978). Posteriormente 
Angulo (1993) interpretou que a maioria dos cordões de dunas corresponderia a 
paleodunas frontais (Figura 5.22). 
No Paraná, os cordões eólicos costeiros podem ser agrupados em dois tipos principais: 
os desenvolvidos e os incipientes ou embrionários, podendo ocorrer formas 
transicionais (Angulo 1993). Os cordões desenvolvidos podem alcançar 8 m de altura. 
Os incipientes têm altura geralmente inferior a 1 m e são formados pela coalescência 
de pequenas dunas linguóides ou dômicas. 
Freqüentemente os cordões incipientes possuem uma forma assimétrica, com o lado 
de barlavento mais íngreme, resultante de erosão parcial do cordão pelas ondas de 
tempestade (Figura 5.23). 
As dunas frontais iniciam-se como pequenas acumulações de areia ao encontro das 
primeiras linhas de vegetação. A areia retirada da praia pode ser acumulada de 
encontro às escarpas de praia, elaboradas por ondas de tempestade (Bigarella et al. 
1970/71, Angulo 1993). Os cordões incipientes podem se formar em curtos períodos de 
tempo. Embora não existam medições, observações de campo permitem estimar que 
dunas incipientes de até 1 m possam se formar em apenas uma temporada enquanto 
que dunas maiores demandam anos. 
A cobertura vegetal esparsa das dunas frontais, constituída principalmente por 
Sporobolus, tem papel ativo na formação das dunas, pois aumenta a rugosidade efetiva 
da superfície e, conseqüentemente, a espessura da camada de ar com velocidade 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-25
zero, favorecendo a deposição de areia (Goldsmith 1979; Pethick 1984; Hesp 1988). 
Como foi salientado por vários autores, é muito difícil a areia escapar da armadilha 
constituída pela vegetação (Pethick 1984; Goldsmith 1979; Hesp 1983). Assim, a maior 
parte da areia retirada da praia pelo vento fica retida no primeiro cordão de dunas. 
 
Figura 5.22: Cordões de dunas e paleodunas frontais na Praia Deserta no Superagüi, em 1992. 
 
Figura 5.23: Dunas frontais parcialmente erodidas após evento de alta energia de ondas, na 
Praia Deserta no Superagüi, em 1987. 
 
5.1.1.2.4.2. Relação entre as dunas a dinâmica da praia e a ocupação 
As dunas frontais constituem um verdadeiro estoque de areia para a praia. Durante 
eventos de alta energia ou ressacas, as dunas podem ser parcial ou totalmente 
erodidas. Deste modo a areia, anteriormente retirada do sistema praial pelo vento, volta 
à praia pela ação das ondas. 
Numa praia sem ocupação, a areia retirada da praia pelo vento se acumula junto às 
primeiras linhas de vegetação formando as dunas frontais, que podem aumentar de 
tamanho com o tempo, até alcançar vários metros de altura. Devido às características 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-26
dos ventos e precipitações na costa paranaense, a vegetação consegue crescer 
juntamente com o acumulo de areia evitando que a duna se torne móvel e migre em 
direção ao continente, como acontece em outros locais da costa brasileira. 
No setor da costa onde estão previstas as obras, entre o Morro do Boi e o Balneário 
Flórida ocorrem dunas frontais em diversos locais. Na parte sul da praia Brava de 
Caiobá as dunas foram removidas durante a urbanização da orla costeira, porém o 
acúmulo de areia na praia, decorrente da convergência da deriva litorânea, causada 
pelos bancos transversais à costa, ali existentes, favoreceu a ação do vento e a 
formação das dunas frontais. Inicialmente as dunas se formaram com o auxilio da 
grama utilizada no paisagismo (Figura 5.24). Posteriormente surgiram mais dunas 
frontais formadas com auxilio da vegetação exótica e nativa (Figura 5.25). Entre o rio 
Matinhos e o balneário Flamingo ocorrem dunas frontais formadas após a retirada da 
ocupação na área em 2000 (Figura 5.26). Ao norte do Balneário Riviera também 
ocorrem pequenas dunas frontais com vegetação nativa (Figura 5.27). 
 
Figura 5.24: Dunas frontais formadas com o auxilio da grama utilizada para paisagismo no 
setor sul da Praia Brava de Caiobá. 
 
Figura 5.25: Dunas frontais formadas pela vegetação nativa paranaense no setor sul da praia 
Brava de Caiobá. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-27
 
Figura 5.26 Dunas frontais formadas após o ano 2000 após a remoção da ocupação, ao norte 
do rio Matinhos. 
 
Figura 5.27: Dunas frontais existentes ao norte do balneário Riviera. 
 
5.1.1.2.5. Plataforma interna 
5.1.1.2.5.1. Características 
A plataforma interna entre Pontal do Sul e Matinhos apresenta declives suaves, que 
diminuem com o aumento da profundidade, passando de 1/65 (1,54 %) entre o nível 
médio do mar e 7 m de profundidade até 1/700 (0,14 %) entre 12 e 15 m de 
profundidade (Veiga et al. 2004). Entre 7 e 12 m onde se localizam as áreas das 
jazidas o declive é em torno de 1/300 (0,33%). A oeste do arquipélago de Itacolomis 
ocorrem altos fundos (Veiga et al. 2004). 
Os sedimentos que recobrem a superfície da plataforma interna são 
predominantemente arenosos com teores variáveis de silte e argila; 
predominantemente compostos por areias siliciclásticas, com teores variáveis de 
carbonato biodetrítico e matéria orgânica. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-28
Na plataforma interna predominam areias e ocorrem também areias médias e grossas(Figura 5.28). Os teores de carbonato de cálcio geralmente são inferiores a 5% e 
podem alcançar 15% (Figura 5.29). Já, os teores de matéria orgânica são geralmente 
inferiores a 2,5% e podem alcançar 12% (Figura 5.30) 
Na plataforma interna de Matinhos Segundo Veiga et al. (2004) podem ser 
reconhecidos cinco tipos diferentes de sedimentos superficiais: 
 
Figura 5.28: Distribuição da média granulométrica nos sedimentos de fundo da plataforma 
continental interna rasa da porção central do litoral paranaense, segundo a classificação 
nominal de Folk & Ward (1957), baseada no diâmetro médio (Veiga et al. 2004) 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-29
 
Figura 5.29: Teores de carbonato nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na 
porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004) 
 
Nas áreas alvos das jazidas predominam as areias medias e grossas, com baixos 
teores de matéria orgânica e carbonato de cálcio (Figuras 5.28 a 5.30). 
Os resultados das análises sedimentológicas das amostras obtidas para este EIA-
RIMA, na área alvo da jazida, evidenciaram predomínio de areias finas e médias e 
subsidiariamente grossas e muito finas Os teores médios destas frações de areia 
foram: 47% de areia fina, 27 % de areia média, 11% de areia grossa e 11% de areia 
muito fina (Tabela 5.3). O teor médio de areia nas amostras é de 98%, mas ocorreu 
uma amostra com apenas 45% de areia. O teor médio de finos (silte+argila) é de 1,5%, 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-30
mas ocorre uma amostra com 55% (Tabela 5.3). O teor médio de carbonato de cálcio é 
de 2,1% e de matéria orgânica de 1,2% (Tabela 5.4) 
 
 
Figura 5.30: Teores de matéria orgânica presentes nos sedimentos da plataforma continental 
interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004) 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-31
Tabela 5.3: Distribuição granulométrica das amostras da área alvo da jazida 
Faixa Granulométrica (%) 
Cascalho Areia Finos Amostra 
Seixos Grânulos Muito Grossa Grossa Média Fina 
Muito 
Fina Argila Total 
a01 0,00 0,07 0,11 1,05 11,87 80,48 6,43 0,00 0,00
a02 0,00 0,02 0,37 2,36 8,80 78,15 10,26 0,03 0,03
a03 0,00 0,00 0,03 1,60 22,84 60,36 15,16 0,00 0,00
a04 0,00 0,04 0,32 31,22 49,49 18,46 0,47 0,00 0,00
a05 0,00 0,27 2,76 36,20 48,45 11,52 0,80 0,00 0,00
a06 0,00 0,01 0,15 10,40 50,45 38,47 0,51 0,00 0,00
a07 0,00 0,09 0,26 2,42 13,30 44,16 39,77 0,00 0,00
a08 0,00 0,01 0,10 1,18 9,74 58,77 30,09 0,11 0,11
a09 0,00 0,40 0,06 0,90 20,19 65,25 13,21 0,00 0,00
a10 0,00 0,00 0,00 0,00 10,24 85,71 4,05 0,00 0,00
a11 0,00 0,00 0,00 0,66 16,06 72,96 10,26 0,06 0,06
a12 0,00 0,05 0,18 7,97 44,84 43,70 3,25 0,00 0,00
a13 0,00 0,00 0,17 6,75 34,96 50,12 8,00 0,00 0,00
a14 0,00 0,02 0,45 10,32 51,04 37,48 0,68 0,00 0,00
a15 0,00 1,98 7,26 41,70 34,08 14,54 0,44 0,00 0,00
a16 0,00 0,00 0,03 55,07 36,80 7,74 0,36 0,00 0,00
a17 0,00 0,00 0,00 3,79 13,32 63,08 19,80 0,00 0,00
a18 0,00 0,00 0,68 7,79 31,40 53,27 6,30 0,25 0,25
a19 0,00 0,00 0,01 0,48 23,65 65,15 10,71 0,00 0,00
a20 0,00 0,07 0,13 1,80 36,03 59,39 2,58 0,00 0,00
b01 0,00 0,00 0,20 2,28 21,89 74,42 1,16 0,04 0,04
b02 0,00 0,04 0,19 1,27 6,28 73,30 18,90 0,00 0,00
b03 0,00 0,30 0,78 24,28 47,80 24,80 2,04 0,00 0,00
b04 0,00 0,02 0,10 0,50 1,75 39,98 57,26 0,38 0,38
b05 0,00 0,06 0,04 0,58 6,58 81,40 11,23 0,00 0,11
b06 0,00 1,81 0,62 9,49 47,71 38,69 1,69 0,00 0,00
b07 0,02 0,09 2,04 29,52 46,07 20,32 1,94 0,00 0,00
b08 0,00 0,09 0,08 0,48 4,06 48,12 47,18 0,00 0,00
b09 0,00 0,11 0,22 1,01 3,65 20,82 19,42 2,85 54,76
b10 0,00 0,00 0,00 0,81 10,35 77,19 11,64 0,01 0,01
b11 0,00 12,45 2,01 19,19 36,56 23,34 6,28 0,17 0,17
b12 0,00 0,00 1,70 5,79 41,36 37,59 13,52 0,04 0,04
b13 0,00 0,43 1,45 36,99 46,28 14,75 0,09 0,00 0,00
b14 0,00 0,19 0,24 10,72 46,37 38,96 3,52 0,00 0,00
b15 0,00 0,23 0,21 35,20 48,34 15,21 0,82 0,00 0,00
b16 0,00 0,00 0,02 0,57 7,61 73,59 18,22 0,00 0,00
b17 0,00 0,04 0,10 1,42 9,47 69,88 18,97 0,12 0,12
b18 0,00 0,71 1,77 32,68 43,46 20,35 1,04 0,00 0,00
Máximo 0,02 12,45 7,26 55,07 51,04 85,71 57,26 2,85 54,76
Mínimo 0,00 0,00 0,00 0,00 1,75 7,74 0,09 0,00 0,00
Média 0,00 0,52 0,65 11,48 27,45 47,41 11,00 0,11 1,48
Desvio 
Padrão 0,00 2,01 1,28 14,71 16,98 23,40 13,21 0,46 8,76
 
Tabela 5.4: Distribuição dos teores carbonato de cálcio (CaCO3) e de matéria orgânica das 
amostras da área alvo da jazida 
Amostra CaCO3 Matéria Orgânica 
a01 2,10 0,23 
a02 2,89 0,33 
a03 2,23 0,36 
a04 2,81 1,06 
a05 2,36 1,93 
a06 1,10 0,99 
a07 2,43 0,00 
a08 2,35 0,53 
a09 2,53 1,04 
a10 2,56 1,09 
a11 2,64 1,83 
a12 1,96 2,96 
a13 1,60 2,05 
a14 2,98 2,13 
a15 1,96 2,22 
a16 1,22 1,31 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-32
a17 1,15 1,87 
a18 1,51 1,18 
a19 1,94 0,23 
a20 1,75 0,16 
b01 2,45 0,18 
b02 2,32 0,29 
b03 2,53 0,31 
b04 1,27 0,84 
b05 2,44 0,85 
b06 0,97 0,87 
b07 2,87 1,02 
b08 2,61 1,07 
b09 1,90 1,85 
b10 1,67 2,15 
b11 2,22 1,34 
b12 2,86 0,43 
b13 2,21 2,01 
b14 1,76 1,20 
b15 1,92 2,03 
b16 2,08 2,16 
b17 1,25 2,33 
b18 1,94 1,61 
Máximo 2,98 2,96 
Mínimo 0,97 0,00 
Média 2,09 1,21 
Desvio Padrão 0,55 0,77 
5.1.1.2.5.2. Relação entre a plataforma a dinâmica da praia e a ocupação 
As areias que formam as praias paranaenses têm suas fontes principais em áreas 
localizadas mais ao sul em Santa Catarina e provavelmente na plataforma continental 
interna. As areias vindas do sul são trazidas pelas correntes de deriva litorânea 
longitudinal geradas por ondas. Há evidências geológicas que isto possa ter acontecido 
de forma predominante nos últimos 7.000 anos (Lessa et al. 2000), embora possam ter 
ocorrido períodos de inversão desta tendência (Angulo et al. 2009). Embora não 
existam medições precisas, os dados existentes sugerem valores de deriva litorânea 
liquida de ordem de dezenas a centenas de milhares de m3 por ano na direção norte 
(Angulo et al. 2009). Outras fontes de sedimentos poderiam ser os rios e a plataforma 
interna. 
Os rios paranaenses que descem da Serra do Mar deságuam nas baías. Contudo, a 
areia trazida por estes rios é depositada preferencialmente nos deltas de cabeceira que 
existem no fundo das baías. 
Com relação à plataforma interna não existem dados sobre a sua possível contribuição 
como fonte de sedimentos. As plataformas têm sido apontadas como principal fonte de 
sedimentos em muitas áreas costeiras do planeta. A elevação acelerada do nível do 
mar entre 18.000 e 7.000 anos antes do presente propiciou a transferência de 
sedimentos para a costa, sobretudo em áreas com plataforma de baixo gradiente, 
como a paranaense. Contudo, a relativa estabilização do nível do mar nos últimos 
7.000 anos parece ter propiciado a diminuição significativa do aporte de sedimentos da 
plataforma para o sistema praial. No Paraná a ocorrência de afloramentos de 
sedimentos antigos na plataforma interna, indica uma plataforma faminta (Angulo et al. 
2009), pouco propícia como fonte de sedimentos da plataforma para a praia. 
5.1.1.3. Caracterização da qualidade dos sedimentos superficiais na área de captação 
de sedimentos 
Tendo em vista que as operações de captação de sedimentos para cumprir os 
objetivos das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, podem causar 
eventualmente a liberação de compostos orgânicos e elementos traço estocados desta 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-33
matriz em atendimento à Resolução CONAMA 344/04 conforme previsto no TR do EIA-
RIMA, efetuou-se à caracterização dos sedimentos superficiais que foram coletados na 
área da plataforma rasa próxima a orla de Matinhos. 
Considerando-se que não há informações prévias sobre as concentrações de 
contaminantes orgânicose metais na área estudada, a metodologia de amostragem 
está baseada na Tabela I do Anexo da Resolução CONAMA 344/04 que, para um 
volume de 500.000 a 2.000.000 m3 de sedimentos a serem dragados, estabelece um 
número mínimo de 16 amostras para a avaliação da qualidade dos sedimentos, sendo 
os resultados obtidos mostrados a seguir. 
5.1.1.3.1. Distribuição dos contaminantes Orgânicos nos sedimentos superficiais 
5.1.1.3.1.1. Hidrocarbonetos policiclicos aromáticos (HPAs) 
Os resultados dos 13 HPAs analisados nas amostras de sedimento de superfície estão 
expressos em µg kg-1 (peso seco de sedimento) na tabela 5.5. 
Os resultados demonstraram que não houve HPAs presentes em concentrações acima 
dos valores estabelecidos na Legislação CONAMA 344/2004 para os Níveis 1 e 2 de 
águas salina-salobras. Em todos os pontos analisados os compostos estiveram abaixo 
do limite de detecção do método, portanto as concentrações de HPAs totais não 
violaram o nível 1 da Resolução CONAMA 344/04. 
Os resultados são consistentes uma vez que os limites de detecção do método estão 
próximos daqueles apresentados em diversos trabalhos desta natureza, as 
recuperações dos padrões surrogados estiveram entre 80 e 110% e a análise dos 
brancos não apresentou nenhum dos HPAs estudados. 
5.1.1.3.1.2. Pesticidas organoclorados e PCBs 
Os resultados dos 11 pesticidas organoclorados e o somatório de PCBs (44 
congêneros) analisados nas amostras de sedimento de superfície estão expressos em 
µg kg-1 (peso seco de sedimento) na tabela 5.6. 
Os resultados indicaram que as amostras de sedimento avaliadas não apresentaram 
níveis detectáveis dos pesticidas organoclorados e PCBs analisados, estando as 
concentrações abaixo do valor limite para o nível 1 da resolução CONAMA 344/04. 
Os resultados são consistentes uma vez que os limites de detecção do método estão 
próximos daqueles apresentados em diversos trabalhos desta natureza, as 
recuperações dos padrões estiveram entre 60 e 115% e a análise dos brancos não 
apresentou nenhum dos compostos organoclorados estudados. 
A adsorção de contaminantes orgânicos está intimamente relacionada com a 
distribuição granulométrica dos sedimentos, ou seja, quanto maior a proporção de finos 
(silte e argila) maior a capacidade de reter matérias orgânica e, conseqüentemente, 
contaminantes como os HPAs, PCBs e pesticidas organoclorados (Kubicki & Apitz 
1999, Kowalska et al. 1994). Assim, as baixas porcentagens de frações finas do 
sedimento verificadas na área de estudo contribuem para a ausência e acumulação de 
compostos orgânicos (Tabela 5.7). 
 
 
 
 
EIA – Recuperação da Orla Marítima de 
Matinhos 
 
 5-68
Tabela 5.5: Concentração de HPAs (µg kg-1), para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, 
próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 344/2004. 
O valor LDM indica o limite de detecção do método. 
 LDM Nível 1 
Nível 
2 #A2 #A4 #A6 #A12 #A14 #A15 #A16 #A18 #A20 #B2 #B5 #B8 #B10 #B13 #B15 #B18 
Benzo(a)antracen
o 1,2 74,8 693 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Benzo(a)pireno 1,1 88,8 763 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Criseno 1,2 108 846 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Dibenzo(a,h)antra
ceno 1,0 6,22 135 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Acenafteno 1,3 16,0 500 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Acenaftileno 3,7 44,0 640 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Antraceno 1,1 85,3 1100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Fenantreno 2,6 240 1500 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Fluoranteno 1,3 600 5100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Fluoreno 1,3 19,0 540 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
2-metilnaftaleno 1,3 70,0 670 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Naftaleno 1,6 160 2100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Pireno 1,3 665 2600 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
 
Soma de HPAs 1,0 1000 3000 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Tabela 5.6: Concentração de pesticidas e PCBs (µg kg-1) para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa 
paranaense, próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação 
CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método. 
 LDM Nível 1 
Nível 
2 #A2 #A4 #A6 #A12 #A14 #A15 #A16 #A18 #A20 #B2 #B5 #B8 #B10 #B13 #B15 #B18 
BHC (Alfa-BHC) 0,12 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
BHC (Beta-BHC) 0,13 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
BHC (Delta-BHC) 0,11 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
BHC (Gama-
BHC/Lindano) 0,12 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Clordano (Alfa) 0,11 2,26 4,79 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Clordano (Gama) 0,11 2,26 4,79 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
DDD 0,08 1,22 7,81 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
DDE 0,18 2,07 374 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
DDT 0,53 1,19 4,77 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Dieldrin 0,03 0,71 4,30 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
Endrin 0,14 2,67 62,4 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
 
 PCBs Totais 0,88 22,7 180 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-1
Tabela 5.7: Dados granulométricos (teor de cascalho, areia, silte e argila) e classificação do 
tamanho dos grãos (segundo Shepard 1954 e Folk & Ward 1957) para os sedimentos 
superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município 
de Matinhos. 
Pontos Classificação % Cascalho % Areia % Silte % Argila 
A2 Areia fina 0,02 99,95 0,00 0,03 
A4 Areia média 0,04 99,96 0,00 0,00 
A6 Areia média 0,01 99,99 0,00 0,00 
A12 Areia média 0,05 99,94 0,00 0,00 
A14 Areia média 0,02 99,98 0,00 0,00 
A15 Areia média 1,98 98,02 0,00 0,00 
A16 Areia média 0,00 100,00 0,00 0,00 
A18 Areia fina 0,00 99,44 0,00 0,56 
A20 Areia fina 0,07 99,93 0,00 0,00 
B2 Areia fina 0,04 99,96 0,00 0,00 
B5 Areia fina 0,06 99,83 0,11 0,00 
B8 Areia fina 0,09 99,91 0,00 0,00 
B10 Areia fina 0,00 99,99 0,00 0,01 
B13 Areia média 0,43 99,57 0,00 0,00 
B15 Areia média 0,23 99,77 0,00 0,00 
B18 Areia média 0,71 99,29 0,00 0,00 
 
5.1.1.3.2. Elementos Traço nos Sedimentos Superficiais 
A tabela 5.8 apresenta os resultados obtidos para os elementos traços analisados nos 
sedimentos superficiais da área a ser dragada como suprimento de material para a 
recuperação da orla do município de Matinhos. 
Tabela 5.8: Concentração dos elementos traços (mg/kg) nos sedimentos superficiais. Para 
mercúrio (Hg) os valores foram não detectáveis (n.d.). 
Pontos As Cd Cr Cu Ni Pb Zn Hg 
2A 0,930 0,000 2,209 0,260 0,484 0,919 3,419n.d. 
4A 3,196 0,089 2,507 0,403 0,766 0,919 4,528 n.d. 
6A 1,166 0,104 3,623 0,551 0,995 1,624 5,650 n.d. 
12A 0,930 0,000 2,209 0,260 0,484 0,919 3,419 n.d. 
14A 1,753 0,062 2,227 0,388 0,591 0,523 2,907 n.d. 
15A 0,819 0,074 2,089 0,412 0,629 0,809 4,708 n.d. 
16A 1,007 0,132 3,533 0,589 0,910 1,900 6,120 n.d. 
18A 1,327 0,109 3,347 0,553 1,025 1,520 6,791 n.d. 
20A 0,791 0,038 2,040 0,360 0,553 0,442 4,725 n.d. 
2B 1,075 0,113 3,794 0,668 1,040 1,884 7,901 n.d. 
5B 1,513 0,148 4,224 0,646 1,219 1,933 6,927 n.d. 
8B 1,418 0,166 4,696 0,628 1,084 2,279 7,567 n.d. 
10B 1,018 0,082 2,695 0,559 0,749 1,152 7,181 n.d. 
13B 1,983 0,050 2,011 0,278 0,540 0,682 3,326 n.d. 
15B 1,200 0,068 1,879 0,399 0,547 0,791 3,958 n.d. 
18B 1,572 0,066 1,757 0,353 0,715 0,656 7,702 n.d. 
 
O plano amostral possibilitou a confecção de mapas com as concentrações dos 
elementos traço nos sedimentos superficiais da área investigada (Figuras 5.31 a 5.37). 
Observa-se que todos os elementos apresentaram concentrações situadas abaixo dos 
valores estabelecidos na legislação Conama 344/04 para o Nível 1 de águas salinas-
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-2
salobras. Apenas para o elemento mercúrio (Hg) as concentrações estiveram abaixo do 
limite de detecção (<1 µg/kg) utilizada nas amostras analisadas. 
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0.7
0.9
1.1
1.3
1.5
1.7
1.9
2.1
2.3
2.5
2.7
2.9
3.1
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
As (mg/kg)
 
Figura 5.31: Distribuição das concentrações de arsênio (As) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. 
 
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0
0.02
0.04
0.06
0.08
0.1
0.12
0.14
0.16
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
Cd (mg/kg)
 
Figura 5.32: Distribuição das concentrações de cádmio (Cd) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-3
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
1.6
2
2.4
2.8
3.2
3.6
4
4.4
4.8
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
Cr (mg/kg)
 
Figura 5.33: Distribuição das concentrações de cromo (Cr) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. 
 
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0.26
0.3
0.34
0.38
0.42
0.46
0.5
0.54
0.58
0.62
0.66
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
Cu (mg/kg)
 
Figura 5.34: Distribuição das concentrações de cobre (Cu) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-4
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0.45
0.55
0.65
0.75
0.85
0.95
1.05
1.15
1.25
0 10 20
km
Baía de Paranaguá
Matinhos
Ni (mg/kg)
 
Figura 5.35: Distribuição das concentrações de níquel (Ni) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. 
 
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0.4
0.6
0.8
1
1.2
1.4
1.6
1.8
2
2.2
0 10 20
Baía de Guaratuba
Matinhos
Pb (mg/kg)
km
 
Figura 5.36: Distribuição das concentrações de chumbo (Pb) nos sedimentos superficiais na 
área investigada. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-5
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
2.8
3.2
3.6
4
4.4
4.8
5.2
5.6
6
6.4
6.8
7.2
7.6
8
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
Zn (mg/kg)
 
Figura 5.37: Distribuição das concentrações de zinco (Zn) nos sedimentos superficiais na área 
investigada. 
 
As concentrações de metais traços e Arsênio normalmente variam conforme a 
granulometria, ou seja, quanto maior for o teor de material fino (silte e argila) maior 
serão as concentrações destes elementos. A relação positiva entre os teores dos 
elementos traço e o teor de sedimento fino é esperada, uma vez que, a concentração 
de metais em sedimentos não é distribuída homogeneamente, mesmo se 
considerarmos uma mesma amostra. Um dos fatores que influenciam a 
heterogeneidade dessa distribuição é o tamanho de grão. Numa distribuição 
granulométrica, as frações mais finas, constituídas, principalmente, por argila, 
apresentam valores relativamente mais altos para os metais traço. Óxidos de Ferro, 
substâncias húmicas e compostos fosfatados, que constituem importantes mecanismos 
de remoção de elementos menores da coluna d’água, apresentam maior afinidade de 
ligação com a fração mais fina de sedimento (Salomons & Forstner 1984). 
Porém, a área investigada na plataforma rasa do litoral paranaense e neste caso a 
granulometria variou entre areia fina e areia média. Devido a estas condições os teores 
de matéria orgânica foram baixos, o que explica as baixas concentrações de todos os 
elementos traço analisados, uma vez que esta é uma das condicionantes para o 
aprisionamento destes elementos nos sedimentos (Horst & Zabel 2000). Desta forma 
as concentrações encontradas devem estar associadas à presença de óxi-hidróxidos 
de ferro e manganês, os quais seriam os principais agentes removedores de elementos 
traço da coluna d’água neste ambiente, sendo distribuídos pela dinâmica local (Michel 
et al., 2001). Isto pode ser evidenciado na tabela 5.9, onde a correlação entre os 
elementos traço e demais parâmetros analisados nos sedimentos superficiais é 
apresentada. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-6
 
 
Tabela 5.9: Correlação entre os resultados dos elementos traço e demais parâmetros 
analisados nos sedimentos superficiais. 
Correlations (plan análise metais.sta) 
Marked correlations are significant at p < ,05000 
N=16 (Casewise deletion of missing data) Variáveis 
As Cd Cr Cu Ni Pb Zn C N P M.O. CaCO3 
As 1,00 
Cd 0,16 1,00 
Cr -0,04 0,84 1,00 
Cu -0,10 0,91 0,88 1,00 
Ni 0,08 0,91 0,92 0,92 1,00 
Pb -0,12 0,82 0,97 0,86 0,89 1,00 
Zn -0,13 0,72 0,64 0,79 0,79 0,68 1,00 
C -0,06 0,19 0,32 0,27 0,28 0,33 0,32 1,00 
N -0,09 0,20 0,49 0,26 0,25 0,56 0,19 0,34 1,00 
P -0,04 0,50 0,46 0,45 0,39 0,56 0,21 0,07 0,31 1,00 
M.O. 0,02 -0,28 -0,42 -0,36 -0,42 -0,35 -0,35 -0,27 -0,24 -0,25 1,00 
CaCO3 0,47 -0,14 -0,07 -0,24 -0,17 -0,16 -0,29 0,50 0,20 -0,31 -0,11 1,00 
 
Esta distribuição é similar para quase todos os elementos analisados, exceto arsênio, 
que apresentaram as maiores concentrações no setor B, enquanto arsênio no setor A. 
Mas todas estas amostras de maiores concentrações encontram-se ao sul da área 
investigada, demonstrando que todos os elementos traço possuem o mesmo 
mecanismo de remoção da coluna d’água, porém a mobilidade geoquímica é uma 
característica diferente para cada elemento. Por fim, estes valores de concentração dos 
elementos traço não demonstram níveis de contaminação e refletem a geoquímica 
regional, pois concentrações similares já foram observadas na plataforma rasa da 
desembocadura do Complexo Estuarino de Paranaguá (Ademadan 2006). 
5.1.1.3.3. Carbono orgânico, Nitrogênio e Fósforo Totais nos sedimentos superficiais 
A distribuição dos teores de carbono orgânico total, COT (%), nos sedimentos 
superficiais na área diretamente afetada pelas atividades de dragagem é apresentada 
na figura 5.38. Como pode ser verificado, as concentrações mais elevadas de COT 
estão associados aos sedimentos mais finos (areia fina) e também aos níveis mais 
elevados de elementos traço (Figuras 5.31 a 5.37). Os teores de COT verificados na 
área investigada não violaram o valor alerta, de 10%, estabelecido pela Resolução 
CONAMA 344/05 eestão na faixa de valores reportados para muitos sedimentos 
marinhos costeiros (Knoppers et al. 1999) e são inferiores às concentrações 
registradas para os sedimentos superficiais da Baía de Guaratuba (Brandini 2008), em 
frente à área investigada. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-7
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
0.04
0.06
0.08
0.1
0.12
0.14
0.16
0.18
0.2
0.22
0.24
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
% C
 
Figura 5.38: Distribuição das concentrações de carbono orgânico (COT) nos sedimentos 
uperficiais na área investigada. 
 
As concentrações de nitrogênio total (Figura 5.39) e fósforo total (Figura 5.40) também 
não ultrapassaram os valores alerta preconizados na legislação, de 4000 mg/kg e 2000 
mg/kg, respectivamente, e estiveram dentro da faixa de valores reportada 
recentemente para os sedimentos superficiais da Baía de Guaratuba (Brandini 2008) e 
do Complexo Estuarino de Paranaguá (Cazati 2006). Entretanto, os padrões de 
distribuição espacial não seguiram exatamente o dos elementos traço e do COT, 
evidenciando um enriquecimento ao sul para o nitrogênio e ao norte para o fósforo, os 
quais poderiam estar associados à aportes da Baía de Guaratuba e de Matinhos, 
respectivamente. 
5.1.1.3.4. Considerações Finais 
Em todas as amostras analisadas, não foram detectados os contaminantes orgânicos 
analisados segundo exigência da CONAMA 344/04. Da mesma forma, os elementos 
traço, bem como o carbono orgânico e o nitrogênio e fósforo totais estiveram abaixo do 
nível 1 e valores alerta preconizados pela resolução vigente. Estes resultados podem 
ser justificados em função de dois fatores primordiais: 
(i) a distância da área de estudo em relação às principais fontes de contaminantes 
orgânicos descritas para o litoral do estado do Paraná a citar, as atividades indústrias, 
portuárias e de ocupação populacional desenvolvidas no interior da Baia de 
Paranaguá, em particular, no entorno da cidade de Paranaguá/PR; 
(ii) o tipo de sedimento verificado na área de estudo deste diagnóstico. 
 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-8
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
700
800
900
1000
1100
1200
1300
1400
1500
1600
1700
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
N (mg/kg)
 
Figura 5.39: Distribuição das concentrações de Nitrogênio Total nos sedimentos superficiais na 
área investigada. 
735000 740000 745000 750000 755000 760000
7130000
7135000
7140000
7145000
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
26
28
0 10 20
km
Baía de Guaratuba
Matinhos
P (mg/kg)
 
Figura 5.40: Distribuição das concentrações de Fósforo Total nos sedimentos superficiais na 
área investigada. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-9
5.1.1.4. Modelagem da Dispersão da Pluma de Sedimento 
A modelagem da dispersão da pluma de sedimento, que possivelmente será gerada 
com a operação da draga no ponto escolhido para a coleta da areia, é capaz de 
predizer os níveis e o alcance das concentrações de sedimento na coluna d’água. 
A coleta da areia será feita a uma profundidade aproximada de 15 m, com a operação 
da draga, espera-se que o sedimento mais fino seja suspenso na coluna de água, e 
transportado pelo sistema de correntes. 
O tamanho da área que será perturbada pela ação da dragagem, depende de alguns 
fatores, dentre os quais podemos citar: (1) a forma como a dragagem é realizada, (2) o 
sistema de correntes na área dragada, (3) a composição do sedimento de fundo da 
área dragada. 
• Nesse capítulo serão apresentados os dados e resultados considerados de 
estudos anteriores e o diagnóstico extraído da modelagem hidrodinâmica e de 
transporte de sedimentos para o local específico da jazida. 
5.1.1.4.1. Caracterização Hidrodinâmica 
A região de maior interesse desse estudo se localiza na plataforma continental interna 
nas proximidades da desembocadura da baía de Guaratuba, entre as isóbatas de 10 e 
15 metros, conforme ilustrado na figura 5.41. 
 
Figura 5.41: Localização da área de estudo 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-10
 
Para se obter uma visão mais abrangente da hidrodinâmica da área de interesse é 
conveniente realizar uma descrição do sistema de correntes que dominam a circulação 
de larga escala, ou seja, além da fronteira da plataforma continental, a circulação na 
região da plataforma continental interna, que é a área onde se localiza a jazida de 
sedimento que será dragado, e finalmente os sistemas de correntes gerados pela 
presença dos estuários que se encontram nas proximidades. 
5.1.1.4.2. Hidrodinâmica de Larga Escala 
A circulação no contorno oeste do Atlântico Sul, que se estende entre as latitudes de 
20º S e 40º S, é dominada pela presença da corrente do Brasil (CB), que se forma 
devido à bifurcação da Corrente Sul Equatorial ao redor 15º S (Figura 5.42). A Corrente 
do Brasil se desloca para sul, acompanhado a quebra da plataforma continental. A 28º 
S, ou seja, nas proximidades da latitude da região de interesse, Muller et al. (1998) 
observou que o fluxo da CB atingiu profundidades da ordem de 670 m e apresentou 
velocidade média de 0,45 m/s. 
 
Figura 5.42: Circulação de larga escala – Atlântico Sul 
Instabilidades hidrodinâmicas de meso-escala sobre a plataforma continental 
freqüentemente são observadas nas proximidades de irregularidades topográficas onde 
tanto a plataforma quanto o talude derivam substancialmente de suas formas suaves, 
tipicamente ao longo da linha de costa. Em inúmeros casos, vórtices ciclônicos têm 
sido observados sobre a plataforma, localizados entre a costa e o fluxo médio o qual se 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-11
desloca sobre o talude continental. Estes vórtices são tipicamente da ordem de 100 Km 
de diâmetro e persistem por várias semanas. Wunsch (1993) descreveu vórtices 
aprisionados no mar de Shelikof nas proximidades da ilha Kodiak no Alasca. Bogden et 
al. (1993) apresentou evidencias de vórtices anticiclônicos ao norte do Golfo do Alaska, 
entre as ilhas Kayake Montague. 
Na região da Corrente do Brasil (CB) vários autores têm mostrado a ocorrência de 
instabilidades de meso-escala principalmente na região de Cabo Frio. Signorine (1978), 
capturou um vórtice anticiclônico em sua análise dinâmica de dados hidrográficos, 
ligeiramente ao norte de Cabo Frio. Campos et al. (1995) destaca uma importante 
característica sobre a topografia na região de Cabo Frio. Este autor aponta para o fato 
da mudança de orientação da linha de costa e do gradiente da topografia de fundo 
(plataforma estreita e abrupta ao norte de Cabo Frio, e mais extensa e suave na Bacia 
de Santos). Baseado no balanço de vorticidade Campos et al. 1996) sugere que, ao se 
deslocar do norte ao longo da quebra de plataforma, a CB dirige-se por inércia a águas 
mais profundas na latitude de Cabo Frio devido à mudança na direção da linha de 
costa. Para que ocorra conservação de vorticidade, espera-se que a CB meandre 
ciclonicamente e se comporte como uma onda de Rossby topográfica dentro da Bacia 
de Santos. 
Os meandros gerados por essas instabilidades hidrodinâmicas forçam as águas da CB 
sobre a plataforma continental, fazendo com que a circulação da plataforma continental 
interna sofra influência do fluxo da CB. 
5.1.1.4.3. Hidrodinâmica Próxima da Área da Jazida 
A hidrodinâmica da área de principal interesse, região onde se encontra a jazida a ser 
dragada, é dominada para circulação da plataforma interna, que é bastante 
influenciada pelas forçantes atmosféricas, principalmente os ventos gerados pelos 
sistemas frontais, que são capazes de inverterema fluxo das correntes. Embora a área 
de interesse se encontre nas proximidades da desembocadura da baía de Guaratuba, 
as correntes mais intensas, correntes de maré desse estuário, se concentram no canal 
principal e perdem energia rapidamente quando se deslocam sobre a plataforma 
interna. 
A figura 5.43 é a representação do campo de correntes de maré nas proximidades da 
área de interesse, ilustrando como as correntes de maré apresentam as maiores 
velocidades o canal principal do estuário, e perde energia sobre a plataforma 
continental interna. 
Observe que as correntes mais intensas ocorrem nos momentos de maré de vazante, e 
mesmo nessa situação, os máximos valores modelados foram da ordem de 0,90 m/s 
no canal mais estreito e da ordem de 0,10 m/s nas áreas abertas, ou seja, na 
plataforma continental interna nas proximidades da jazida, onde o fluxo deriva em 
direção norte. 
Durante a enchente (Figura 5.44) as velocidades são um pouco menos intensas no 
canal de entrada do estuário, mantendo o padrão de baixa energia na área da 
plataforma continental interna. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-12
 
Figura 5.43: Campo de corrente em situação de sizígia – maré vazante 
 
 
Figura 5.44: Campo de corrente em situação de sizígia – maré enchente 
 
Na região da plataforma continental interna, localizada ligeiramente ao norte da área de 
interesse, encontramos uma situação análoga, ou seja, o sistema de corrente sendo 
perturbado pela presença de um estuário, a baía de Paranaguá. Da mesma forma que 
na área da baía de Guaratuba, o fluxo mais intenso da corrente de maré se concentra 
no interior do estuário e perde energia na medida em que se desloca em direção a 
oceano aberto, sobre a plataforma continental. Embora as correntes de maré na região 
de Paranaguá sejam mais intensas, o comportamento na área da plataforma 
continental é semelhante, ou seja, a energia das correntes decresce com a distância ao 
canal de entrada da baía. Esse comportamento pode ser observado na figura 5.45, que 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-13
apresenta o campo de corrente, situação de enchente, modelado na região da baía de 
Paranaguá. É possível observar ainda que as velocidades na região localizada na 
plataforma interna apresentaram valores entre 0,05 m/s e 0,15 m/s, ou seja, correntes 
de baixa energia, como as observadas no exemplo anterior. 
 
Figura 5.45: Campo de velocidade enchente na baía de Paranaguá e na plataforma interna. 
 
Na situação de vazante (Figura 5.46), os fluxos apresentaram o mesmo 
comportamento da situação anterior. Ou seja, correntes intensas localizadas nos 
canais mais estreitos do estuário e correntes de baixa energia localizadas na região da 
plataforma continental interna. 
É importante ressaltar que: sendo o campo hidrodinâmico o forçante responsável pelo 
transporte da pluma de sedimento gerada pela ação da dragagem no local da jazida, é 
conclusivo que as correntes de baixa energia simuladas nessa região não serão 
capazes de transportar o sedimento em suspensão na coluna de água por grandes 
distâncias. Esse fato será explorado com maiores detalhes na seção seguinte, onde 
serão apresentadas as características dos sedimentos que serão dragadas da área da 
jazida. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-14
 
Figura 5.46: Campo de velocidade vazante na baía de Paranaguá e na plataforma interna. 
 
5.1.1.4.4. Características dos sedimentos da jazida utilizada para engordamento da faixa de 
areia em Matinhos 
Os sedimentos a serem utilizados para engordamento da faixa de areia em Matinhos 
serão provenientes de duas áreas localizadas entre aproximadamente 5 a 12 km da 
costa e entre as linhas de profundidade de 10 e 15 m (Figura 5.47). 
 
Figura 5.47: Localização da jazida de sedimentos (pontos vermelhos e verdes) a ser utilizada 
para engordamento da faixa de areia em Matinhos 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-15
As características sedimentológicas da região da jazida foram estudadas por Veiga et 
al. (2004) com o levantamento de 16 perfis transversais à linha de costas e amostras 
retiradas a cada 600 m, conforme ilustrado na figura 5.48. 
Os resultados da análise granulométrica empreendida por Veiga et al. (2004) indicaram 
grande predominância de areia fina. Contudo, nas profundidades entre 10 e 15 m, que 
é a profundidade da jazida ilustrada na figura 5.47, foram encontrados corpos de areia 
média e grossa. Na parcela de areias finas, os minerais pesados representam 20 a 
40% do total. Em areias médias e grossas, que apresentam 90% dos grãos 
subarredondados e assimetria negativa, este percentual cai para cerca de 5% (Veiga et 
al., 2004) . 
A tabela 5.10 mostra os resultados da análise das amostras coletadas em 33 pontos na 
área da jazida. 
Tabela 5.10: Classificação do sedimento encontrado na área da jazida. 
Pontos Média Classificação Pontos Média Classificação 
d2m 0-20 2.032 Areia fina e6m 0-20 2.045 Areia fina 
d2m 26-42 3.575 Areia muito fina e6m 75-95 2.969 Areia fina 
d4m 0-20 2.046 Areia fina f1m 0-20 2.571 Areia fina 
d4m 65-85 2.452 Areia fina f1m 27-40 1.669 Areia média 
d5m 0-20 2.693 Areia fina f1m 60-75 3.142 Areia muito fina
d5m 49-69 2.244 Areia fina f2m 0-20 2.434 Areia fina 
d6m 0-20 2.037 Areia fina f2m 62-78 2.447 Areia fina 
e1m 0-20 0.7891 Areia grossa f3m 0-20 2.193 Areia fina 
e1m 87-107 1.902 Areia média f3m 63-78 2.875 Areia fina 
e2m 0-20 2.69 Areia fina f4m 0-20 2.273 Areia fina 
e2m 77-97 2.591 Areia fina f4m 68-90 2.994 Areia fina 
e3m 0-20 0.8855 Areia grossa f5m 0-20 1.767 Areia média 
e3m 40-57 2.813 Areia fina f5m 69-83 2.718 Areia fina 
e4m 0-20 1.74 Areia média f5m 83-88 1.629 Areia média 
e5m 0-20 1.576 Areia média f6m 0-20 1.681 Areia média 
e5m 88-108 3.161 Areia muito fina f6m 55-75 2.482 Areia fina 
 
Da análise dos resultados verifica-se que a jazida é composta principalmente por areia 
grossa, média e areia fina, o que representa 78,99%, com predominância dessa última 
classe com 39,5% do total. A tabela 5.11 resume a proporção das classes encontradas 
no monitoramento dos pontos na área de interesse. 
Tabela 5.11: Porcentagem de cada uma das classes encontradas na área da jazida. 
Classe Grân. Ar. M. fina Ar. grossa Ar. média Ar. fina Ar.M. fina Silte Argila
% 1,30 2,74 10,47 28,62 39,50 9,28 3,46 4,22 
 
Os teores de matéria orgânica encontrados por Veiga et al. (2004) não ultrapassaram 
12%, sendo predominantemente inferiores a 2,5%. Os teores de carbonato variaram 
entre 7,5% e 15%, sendo mais elevados na profundidade da jazida da figura 5.47. A 
figura 5.49 apresenta as características dos sedimentos amostrados por Veiga et al. 
(2004) segundo a classificação de Shepard (1954). 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-16
 
Figura 5.48: Localização da área de estudo com os perfis e os pontos amostrais (Veiga et al. 
2004) 
 
Figura 5.49: Classificação dos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção 
central do litoral paranaense segundo a classificação de Shepard (1954) (Veiga et al. 2004) 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-17
5.1.1.4.5. Modelagem numérica do transporte de sedimento para região com semelhantes 
características hidrodinâmicas 
Nas seções anteriores foram apresentados resultados de simulações hidrodinâmicas 
para as áreas da baía de Paranaguá, Guaratuba e parte da plataforma continental 
interna, onde se observou que as correntes mais intensas se concentram nos canais de 
acesso aos estuários, e que nas proximidades da área, onde será realizada a coleta de 
areia, as correntes apresentam baixa energia. E ainda foram apresentados argumentos 
que apontam para a intrínsecarelação entre a intensidade do campo hidrodinâmico e 
sua capacidade em transportar sedimentos em suspensão na coluna de água. Esse 
fato pode ser observado na figura 5.50, que mostra uma seqüência de imagens que 
ilustram a dispersão de sedimentos lançados na coluna de água em uma área de 
correntes de baixa intensidade. 
Logicamente, a distância que uma determinada quantidade de sedimento pode ser 
transportada em suspensão na coluna de água, dependerá não somente da 
intensidade das correntes marinhas, mas também do tempo que esse sedimento é 
capaz de permanecer em suspensão. O tempo que um determinado sedimento 
permanece em suspensão na coluna de água, depende das características desse 
sedimento, ou seja, sedimentos mais leves como silte e areia muito fina tendem a 
permanecer em suspensão por períodos mais longos do que areia média e areia 
grossa. Esse tempo é determinado pela velocidade de queda do sedimento na coluna 
de água. 
 
 
 
Figura 5.50: Comportamento da concentração na coluna d'água de 6 descartes de 11.000 m3 
de sedimento, mostrado a cada 8 h em condições de maré de sizígia 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-18
Nesse exemplo apresentado na figura 5.50, as simulações foram realizadas 
considerando uma mistura composta principalmente por areia grossa, areia média e 
areia fina, lançada na coluna de água em um ponto de baixa circulação hidrodinâmica, 
localizado na plataforma interna. Assim, a idéia de que o transporte de sedimento em 
suspensão na coluna de água, em uma região que apresenta correntes com baixa 
energia, possui curto alcance foi confirmada. 
5.1.1.4.6. Modelagem numérica do transporte de sedimento 
Como comentado anteriormente, a principal forçante responsável pelo transporte de 
sedimento em suspensão na coluna de água é o campo hidrodinâmico. Assim, para se 
realizar a modelagem numérica do transporte de sedimento em uma determinada área 
de interesse, primeiramente deve-se realizar a simulação numérica do regime de 
correntes que dominam essa região. 
As simulações foram realizadas com a aplicação do modelo hidrodinâmico e de 
transporte de sedimento denominado ECOMSED. Trata-se de um código 
computacional tridimensional da hidrodinâmica e transporte de sedimentos 
desenvolvido pela HydroQual para aplicação em sistemas marinhos e de água doce. 
Os componentes do modelo são desenhados para executar em conjunto com outros, 
de forma que a saída de um modelo é diretamente relacionada aos outros modelos. Os 
modelos compartilham a mesma estrutura de grid numérico e técnicas de solução 
numérica. 
O desenvolvimento do ECOMSED tem suas origens na década de 1980, com a criação 
do Princeton Ocean Model (POM), que foi seguido por uma versão de atualização 
denominada ECOM para ambientes de águas rasas, como rios, lagos, estuários e 
costas oceânicas. Na década de 1990, conceitos de ressuspensão e assentamento de 
sedimentos desenvolvidos por W. Lick, da Universidade da Califórnia, foram 
incorporados à estrutura do ECOM. 
5.1.1.4.7. Discussão de resultados 
A seguir são analisados os resultados tanto do ponto de vista teórico, com aplicação 
direta de equações para análise da velocidade de queda dos sedimentos quanto pela 
utilização da modelagem numérica do transporte de sedimentos 
Como era de se esperar, os resultados mostraram que as correntes de maré dominam 
a circulação nessas regiões e concentra a maior parte da energia nos canais de acesso 
aos estuários. Esse fato foi observado tanto nos canal de acesso à baía de Guaratuba 
quanto no canal de Paranaguá. 
A jazida de onde será retirado o material do engordamento das praias, se localiza na 
plataforma continental interna, nas proximidades da desembocadura do estuário de 
Guaratuba. Os resultados da modelagem hidrodinâmica, mostraram que nessa região 
as correntes são muito menos intensas que as correntes localizadas nos canais de 
acesso ao interior da baía, ou seja, a energia das correntes de maré decaem 
rapidamente nas áreas localizadas na plataforma interna. O mesmo comportamento 
pode ser observado na modelagem realizada para a baía de Paranaguá, que 
apresentou fluxo de baixa intensidade nas regiões sobre a plataforma interna, entre as 
isóbatas de 10 m e 20 m. 
A simulação do transporte de uma pluma de sedimento composta por uma mistura de 
areia média, areia fina e silte, suspensa na coluna de água em um ponto localizado 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-19
sobre a plataforma interna, na área de correntes de baixa energia, mostrou que a 
pluma sofre pouco deslocamento. O material mais pesado, composto pelo sedimento 
não coesivo, areia média e fina, depõe-se rapidamente e sedimenta no fundo oceânico, 
sendo que o pequeno deslocamento observado é da pluma de silte, que por ser mais 
leve, permanece em suspensão por um período de tempo um pouco mais longo, 
ficando exposto à circulação hidrodinâmica da região. 
A lei de Stokes (equação 16) dá a velocidade de queda para partículas menores 100 µ, 
que são sedimentos finos e que permanecem por mais tempo em suspensão na coluna 
de água. 
Sabendo que a jazida que será dragada é composta na sua maior parte por areia 
média, areia fina e muito fina, é possível estimar o tempo que uma nuvem de 
sedimento permanecerá em suspensão na coluna de água. 
Com comentado nas seções iniciais, o problema a ser entendido é estimar o 
deslocamento de uma pluma de sedimento em suspensão na coluna de água, gerada 
pela ação da dragagem no momento de coleta do sedimento na jazida. 
Assim, analisando o caso mais crítico, que é uma pluma de sedimento composta por 
materiais muito finos e leves, como partículas da ordem de 64 µm (areia muito fina), 
suspensa na coluna de água a uma altura de 5 m. Com base na lei de Stokes observa-
se uma velocidade de queda da ordem de: 
Ws = 1,251x10-4 m/s 
Ou seja, as partículas de areia muito fina, afundam 1,251x10-4 m em um segundo, ou 
45 cm em uma hora. 
As simulações hidrodinâmicas mostraram que o campo de correntes na área da jazida 
apresenta velocidades médias da ordem de 0,05 m/s, ou 5 cm/s. Com base nessa 
informação, a pluma de sedimento suspensa a 5 m de altura na coluna de água se 
deslocará uma distância da ordem de 1900 m e levará ao redor de 10:00 horas para 
depositar no fundo submarino. 
A figura 5.51 mostra que a área da jazida se localiza a 9,3 Km, em linha reta, da praia 
de Matinhos, assim, podemos concluir que a pluma de sedimento em suspensão 
sedimentará antes de atingir os balneários. 
 
 
Figura 5.51: Distância da área da jazida em relação à costa 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-20
A aplicação do Modelo de Transporte da pluma de sedimentos para o problema foi 
realizada com os resultados de circulação hidrodinâmica. Os resultados da simulação 
do Modelo de Transporte podem ser visualizados nas figuras 5.52 a 5.55, na dispersão 
da pluma do sedimento fino, o diâmetro das partículas é de aproximadamente 64 µm. 
Por o sedimento ser leve, o mesmo permaneceu bastante tempo em suspensão. 
Foi escolhida a maré de sizígia para a simulação, pois os fluxos energéticos eram 
grandes conseqüentemente as correntes e velocidades eram mais altas. Neste 
experimento a pluma de sedimentos foi lançada a uma profundidade de 5 m em relação 
ao fundo submarino com o objetivo de simular a ação de uma draga retirando areia. 
As Figuras a seguir mostram uma parte da baia de Paranaguá, a baía Guaratuba e 
uma circunferência de raio de 3,5 Km no oceano entre essas baias, região que delimita 
a evolução da dispersão da pluma de sedimentos na área da Jazida. 
A figura 5.52 representa o início da simulação, no tempo de 900 segundos. 
 
#
#######
#################
###
###
###
##
#
#
###
#
#
###
#
#######
#
###
#####
###
######
############
############
##
####
########
################
#########
#
#####
#
#
#
##
#########
####
#######
########
##
#
###
##
#
#####
#####
#
#
#######
############
#####
#
####
#
#
#
##
###
##########
#####
##########
#########
##
######
#
#
##
##########
####
#
########
########
#
##
##########
#
##
#####
#
##
###
##########
##
###
#
#
#
#
#########
####
####
#######
########
#######
##
####
######
####
#
######
####
#
##
######
##########
######
#############
##
#
###################
#
####
#######
###########
#
#######
########################
#
##
##
############
###################
#######
###############
###########
################
##################
#
###################
#############
###############
#
#######
#
########################
#
######
#
###########
###################
#
#######
##########
#
###########
#############
Pl uma de Sedi ment os
N
700000
700000
720000
720000
740000
740000
760000
760000
780000
780000
800000
800000
71
40
00
0 7140000
71
60
00
0 7160000
71
80
00
0 7180000
72
00
00
0 7200000
Bai a de Paranaguá e de Guarat uba
Legenda
Al ti metria
0 - 50
50 - 100
100 - 150
150 - 200
200 - 250
250 - 300
300 - 350
350 - 400
400 - 450
450 - 500
500 - 600
600 - 700
700 - 800
800 - 900
900 - 1000
1000 - 1200
1200 - 1500
1500 - 2700
Oceano e Bai as
Buff er 3, 5 Km
#
Pl u ma#
Fonte
4000 0 4000 8000 Metros
 
Figura 5.52: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 900 segundos. 
A figura 5.53 representa o começo da dispersão, no tempo de 10560 segundos. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-21
##
#
##
#
#
###
## ##
#
#
#
#
#
##
#
##
#
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
##
####
#
#
#
###
###
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
# ##
#
###
# #
##
##
##
#
##
#
#
##
#
## #
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#### ##
# #
#
#
#
###
#
####
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
####
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
##
#
##
#
##
#
# #
#
#
#
#
# ##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
## ##
#
#
##
#
###
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
###
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
### ##
##
#
#
###
#
## #
#
#
#
#
#
###
#
#
#
##
#
##
##
##
#
##
#
#
####
#
#
#
#
#
## #
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
###
#
#
###
#
# #
#
##
##
#
#
#
#
##
##
#
#
#
#
####
#
#
##
##
#
###
##
##
#
#
###
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#####
# ##
#
##
###
#
#
##
#
#
#
######
##
###
#
#
#
#
#
####
#
# #
#
#
#
###
#
#
#
#
#
## #
#
#
#
## #
#
##
##
##
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
####
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
##
######
#
#
#
####
##
#
#
#### #
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
##
#
##
##
#
#
#
#
### ##
#
##
#
#
#
##
## #
##
#
#
#
#
# #
## #
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
## #
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
##
# #
#
#
###
#
###
#
#
#
#
#
#
#
# ###
##
###
#
##
###
#
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
###
#
##
##
#
#
#
## #
###
#
#
#
## ##
# #
###
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
##
##
#
##
#
##
##
#
#
#
#
## ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
####
#
#
# #
#
#
#
####
####
###
#
##
#
##
###
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# #
#
#
#
#
###
##
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
####
#
#
#
#
#
#
##
##
#
####
####
##
#
###
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
###
##
#
#
#
#
# #
##
# #
#####
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
###
##
#
##
#
##
##
#
###
#
##
#
## ###
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# ##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
## ##
#
#
#
###
###
#
##
#
#
#
#
# #
##
#
##
#
####
#
###
#
#
##
#
#
#
##
#
##
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
###
##
#
##
# ##
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
##
###
#
###
# #
#
#
#
#
#
#
####
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
##
###
#
#
#
#
###
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
####
#
##
#
##
#
##
###
##
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
####
###
#
#
#
####
#
#
##
##
# ###
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
##
##
#
#
#
##
#
##
#
##
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
####
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
# ###
#
#
#
#
#
#
##
#
##
##
#
# #
##
#
## #
#
#
#
#
#
##
#
# #
##
#
#
#
####
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#####
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#####
#
#
#
#
##
###
#
#
#
#
##
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
###
#####
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
## ##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
#
###
#
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
### ####
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
# ##
#
#
####
#
##
#
#
###
###
#
##
#
#
#
#
#
#
#
###
###
#
#
##
#
#
# #
#
###
#
##
#
#####
#
###
#
# #
##
##
##
#
#
#
#
#
#
# ##
#
#
#
#
##
##
##
##
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
##
#
###
#
#
##
##
### #
#
#
#
#
#
#
##
#
####
#
#
#
#####
#
#
####
####
#
#
##
####
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
###
#
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
####
#
#
##
#
#
# ####
##
##
####
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
###
#
#
##
#
#
#
##
##
#
###
#
##
#
#
# #
#####
##
##
#
#
#
#
#
##
###
##
#
## #
#
#
#
#
#
###
##
# #
#
#
## #
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
## ##
#
#
#
#
#
#
#
# ###
#
#
#
###
#
# ##
##
#
##
##
##
#
### ##
# #
####
####
#
###
##
#
#
# ###
#
#
#
#
#
### #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# ##
#
#
# #
##
#
#
#
#
#
#
#
#
###
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
# #
###
###
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
###
###
##
####
##
#
#
#
#
#
#
#
#
###
##
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
##
##
#
#
#
#
###
#
##
#
##
#
#
#
#
##
#
###
##
###
###
###
#
#
##### #
###
#
###
#
#
#
#
##
#
#
##
#
###
#####
# #
#
#
#
#
#
##########
#
###
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
###
###
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# ##
#
##
#
##
### #
#
#
##
##
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#####
#
#
####
#
#
##
#
#
##
#
#
#
##
###
#
#
#
##
#
####
#
#
#
#
#
#
#
##
#
###
#
#
#
#
# ###
##
#
#
#
#
#
##
#
## #
###
##
##
#
#
#
##
#
##
##
#
#
# #
##
# #
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
# #
#
#
##
#
##
#
#
##
######
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#### #
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
###
#
### #
#
#
#
##
#
#
## #
#
###
#
##
###
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
##
###
#
#
##
#####
###
#
#
#
##
##
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
# ########
##
#
#
###
####
#
#
#
#
##
###
##
##
####
#
#
##
#
#
#
#
# #
#
#########
#
#
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
##
###
#
#
#
##
#
#
###
#
#
##
#
##
#
###
#
#
#
#
##
#
#
##
###
#
#####
####
#
#
#
##
#
#
#
##
##
##
#
#
#
## #
##
#
#
#
#
#
#
##
##
#
###
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
####
####
#
#
#
#
#
##
#
##
###
#
#
###
#
#
#
#
## ##
#
#
#
#
#
###
###
#
##
##
###
## #
#
###
# #
#
#
Pl u ma de Sedi ment os
N
700000
700000
720000
720000
740000
740000
760000
760000
780000
780000
800000
800000
71
40
00
0 7140000
71
60
00
0 7160000
71
80
00
0 7180000
72
00
00
0 7200000
Bai a de Paranaguá e de Guarat uba
Legenda
Alti metria
0 - 50
50 - 100
100 - 150
150 - 200
200 - 250
250 - 300
300 - 350
350 - 400
400 - 450
450 - 500
500 - 600
600 - 700
700 - 800
800 - 900
900 - 1000
1000 - 1200
1200 - 1500
1500 - 2700
Oceano e Bai as
Buff er 3,5 Km
#
Pl uma#
Fonte
4000 0 4000 8000 Metros
 
Figura 5.53: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 10560 segundos. 
As figuras 5.54 a 5.55 representam o final da dispersão. 
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
##
#
# ##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
####
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
###
#
#
##
#
#
#
#
#
## #
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
# #
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
##
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# ##
#
# #
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
# #
#
#
#
##
#
#
# #
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# ###
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
## ##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
## ##
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
##
##
#
#
#
#
####
##
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
# #
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# #
#
##
#
# #
#
#
###
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# ##
#
#
#
#
## #
#
#
#
#
#
# #
#
#
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
##
#
##
##
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
##
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# #
#
#
#
#
#
##
## ##
#
##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
# #
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# ##
##
#
#
# # #
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
##
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
# #
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
## #
#
#
#
#
#
# #
#
# #
#
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
# #
# #
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
## #
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
###
#
#
##
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
# ##
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
# ## #
#
#
# #
#
#
#
###
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# ##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
## ##
##
##
#
#
#
##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
##
###
###
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
## # #
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
##
##
# #
##
#
# #
##
#
#
#
#
# ##
##
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
##
#
#
####
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
## #
##
#
#
#
# #
#
#
# #
#
#
#
#
##
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
# #
##
#
##
##
#
#
##
#
##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# ##
#
#
##
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
## #
#
Pl u ma de Sedi ment os
N
700000
700000
720000
720000
740000
740000
760000
760000
780000
780000
800000
800000
71
40
00
0 7140000
71
60
00
0 7160000
71
80
00
0 7180000
72
00
00
0 7200000
Bai a de Paranaguá e de Guarat uba
Legenda
Alti metri a
0 - 50
50 - 100
100 - 150
150 - 200
200 - 250
250 - 300
300 - 350
350 - 400
400 - 450
450 - 500
500 - 600
600 - 700
700 - 800
800 - 900
900 - 1000
1000 - 1200
1200 - 1500
1500 - 2700
Oceano e Bai as
Buff er 3,5 Km
#
Pl uma#
Fonte
4000 0 4000 8000 Metros
 
Figura 5.54: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 67200 de segundos. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-22
# #
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
###
#
#
#
#
##
#
#
## #
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
# #
##
##
###
##
##
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
## #
#
##
#
#
#
#
#
#
## #
#
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
# #
#
#
# #
##
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
###
#
#
#
##
###
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
##
###
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
#
# ##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
# #
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
####
#
#
#
#
#
##
#
#
# #
#
#
#
#
#
# #
# #
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
## #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
## #
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
##
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
# #
#
#
#
#
#
#
#
#
#
#
## #
#
Pl u ma de Sedi ment os
N
700000
700000
720000
720000
740000
740000
760000
760000
780000
780000
800000
800000
7140
00
0 7140000
71
60
00
0 7160000
71
80
00
0 7180000
72
00
00
0 7200000
Bai a de Paranaguá e de Guarat uba
Legenda
Alti metri a
0 - 50
50 - 100
100 - 150
150 - 200
200 - 250
250 - 300
300 - 350
350 - 400
400 - 450
450 - 500
500 - 600
600 - 700
700 - 800
800 - 900
900 - 1000
1000 - 1200
1200 - 1500
1500 - 2700
Oceano e Bai as
Buff er 3,5 Km
#
Pl uma#
Fonte
4000 0 4000 8000 Metros
 
Figura 5.55: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 109440 de segundos. 
A figura 5.56 mostra uma série de elevação para um ponto próximo da jazida. A maré 
encontrava-se em situação de sizígia e as variações de nível eram altas. A flecha 
indica o momento da dispersão da pluma da figura 5.55. 
 
 
 
Figura 5.56: Série de elevação para o nó próximo à jazida. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-23
 
5.1.2. Meio Biótico 
5.1.2.1. Biota terrestre 
5.1.2.1.1. Flora 
Apesar do tamanho relativo, o estado do Paraná abriga grande parte dos ecossistemas 
brasileiros. O domínio da Mata Atlântica engloba, além das florestas, os ecossistemas 
da costa litorânea associados às planícies arenosas e às dunas. Tais ecossistemas são 
chamados Formações Pioneiras de Influência Marinha ou, simplesmente, “restingas” e 
são ambientalmente frágeis, devido à estrita interdependência substrato-vegetação. 
5.1.2.1.1.1. Enquadramento fitogeográfico 
Ao longo do litoral brasileiro, bem como dos cursos e depressões d’água (como rios, 
pântanos e lagoas) podem-se observar áreas com vegetação característica, cuja 
fisionomia repete-se ao longo de todo o país, independente da região geo-climática, 
diferente do que acontece com outros ecossistemas. Essas áreas são tecnicamente 
conhecidas como Áreas de Formações Pioneiras e ocupam os terrenos rejuvenescidos 
pelas seguidas deposições de areia marinha nas praias, os aluviões fluviomarinhos nas 
desembocaduras dos rios e os solos ribeirinhos aluviais e lacustres. Podem ser 
classificadas como: de Influência Marinha (Restingas), Fluvial (Caxetais, Mata Ciliar, 
Pântanos, Várzeas) ou Fluviomarinha (Manguezal) (Veloso & Góes-Filho 1982). A 
designação “formações pioneiras” neste caso não reflete nenhum estágio de sucessão 
ecológica, mas, sim, visa a delinear o dinamismo das vegetações de primeira 
ocupação, vinculadas principalmente a fatores edáficos, e não climáticos (Leite 1994). 
A vegetação das Formações Pioneiras está assentada sobre solos instáveis e as 
espécies que a compõe são importantes na preparação do ambiente para espécies 
mais exigentes e menos adaptadas à instabilidade do meio. 
A fisionomia das Restingas, ou Formações Pioneiras de Influência Marinha, reflete 
diretamente as condições extremas do ambiente, como a ação intensa e permanente 
dos ventos, das marés e da salinidade, e as características desfavoráveis do solo 
(Roderjan et al. 2002). Essas áreas são caracterizadas pela presença de espécies 
psamófilas e halófilas e podem ser compostas por ervas, arbustos até árvores, na 
forma de um gradiente em direção ao continente, onde muitas vezes se confundem 
com as florestas de terras baixas. 
Na faixa de praia no estado do Paraná, sobre substratos não consolidados (depósitos 
psamíticos), são características espécies como Ipomoea pes-caprae (Convolvulaceae), 
Hydrocotyle bonariensis (Araliaceae), Blutaparon portulacoides (Amaranthaceae), 
Polygala cyparissias (Polygalaceae), Cordia curassavica (Boraginaceae), Scaevola 
plumieri (Goodeniaceae), Smilax campestris (Smilacaceae), Canavalia rosea 
(Fabaceae), muitas Poaceae (como Paspalum, Spartina, Eragrostis e Panicum) e 
Cyperaceae (Androtrichum, Cyperus, Remirea e Rynchospora) (Roderjan et al. 1996, 
Roderjan & Kuniyoshi 1988, Roderjan et al. 2002). As espécies que ocupam tal 
ambiente adverso normalmente possuem diversas características relacionadas a esse 
ambiente, como folhas pequenas, suculentas e anfiestomáticas (Boeger & Gluzezack 
2006), sendo em sua maioria representadas por hábitos reptantes, rizomatosos ou 
cespitosos (Martins et al. 2008) que, dada a fragilidade do ecossistema, exercem papel 
fundamental na estabilização do substrato arenoso e na drenagem natural (CONAMA 
1996). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-24
Neste contexto, o Código Florestal Brasileiro (Brasil 1965; Lei nº 4.771/65 e alterações 
posteriores) estabelece a proteção de áreas com função ambiental, como áreas para 
preservação de recursos hídricos, estabilidade geológica e biodiversidade, visando, 
além da garantia ao ambiente ecologicamente equilibrado (Brasil 1988; artigo nº 225), a 
prevenção de desastres sócio-econômicos por degradação ambiental de origem 
antrópica. A partir de então, tais áreas são consideradas Áreas de Preservação 
Permanente (APPs) e a supressão de sua vegetação, mesmo que parcial, é 
condicionada à necessidade de ações de utilidade pública ou interesse social, 
devidamente autorizadas pelo órgão ambiental competente. Entre as APPs 
explicitamente apontadas pela lei (e normatizadas pelas resoluções CONAMA 
004/1993; 007/1996 [São Paulo]; 261/1999 [Santa Catarina]; 303/2002; 341/2003) 
estão as restingas, pela ação de fixação das dunas e estabilização de manguezais. 
5.1.2.1.1.2. Caracterização Florística das Áreas Influenciadas pelo Empreendimento 
Através de incursão às áreas diretamente afetadas (ADA) e que sofrerão influência 
direta do empreendimento (AID), pode-se observar um ambiente altamente degradado 
por ação antrópica, apresentando grande pobreza florística quando comparado a locais 
próximos mais preservados (p.e. Ilha do Mel - Silva 1998, e Praia do Barranco, Pontal 
do Paraná – obs. pessoal). Nas praias de Matinhos, a vegetação é dominada por 
poucas espécies, generalistas, comumente espécies exóticas invasoras, oportunistas 
ou ruderais, podendo também ser encontradas espécies ornamentais, cultivadas na 
forma de jardins e canteiros, sobre o substrato da restinga. Também é notável a 
ausência de algumas espécies indicadoras da vegetação de restinga, atestado o alto 
grau de alteração da vegetação, além da existência de trechos com completa ausência 
de vegetação. 
Muitas espécies consideradas nativas das vegetações de restingas são consideradas 
também espécies oportunistas ou invasoras, pois possuem naturalmente os atributos 
para ocupar ambientes adversos em outras áreas. Dentro desse grupo, foram 
encontradas nas áreas de estudo as ervas Ipomoea pes-caprae (L.) R.Br. (Salsa-da-
praia – Convolvulaceae) e Hydrocotyle bonariensis Lam. (Acariçoba - Araliaceae), e o 
arbusto Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult. (Erva-baleeira - Boraginaceae), 
sendo as duas ervas especialmente importantes na área de estudo em termos de 
dominância relativa (cobertura do substrato em comparação às outras espécies). A 
primeira, uma erva estolonífera, está entre as espécies mais influenciadas pelas marés, 
e a segunda, uma erva rizomatosa, é mais importante nas zonas adjacentes, mais 
altas. 
Entre as espécies características da vegetação de restinga (Figura 5.57) foram 
encontradas nas ADA e AID espécies de Gramineae (como Spartina ciliata e 
Schizachyrium condensatum) e Cyperaceae (Cyperus spp. e Remirea maritima), 
importantes agente na fixação do substrato arenoso, devido aos seu sistema radicular. 
Também são espécies indicadoras desse tipo de vegetação e foram encontradas 
nessas áreas o Bredo-da-praia (Blutaparon portulacoides (A. St.-Hil.) Mears – 
Amaranthaceae), o Rabo-de-bugio, (Dalbergia ecastophyllum (L.) Taub. – Fabaceae), o 
Carrapicho-da-praia (Acicarpha spathulata R.Br. – Calyceraceae), o Feijão-de-praia 
(Sophora tomentosa L. – Fabaceae), o Pinheirinho-da-praia (Polygala cyparissias A. 
St.-Hil & Moq. – Polygalaceae), a Samambaia-preta (Rumohra adiantiformis (G.Fosrt.) 
Ching. – Dryopteridaceae), a Salsaparrilha (Smilax campestris Griseb.– Smilacaceae), 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-25
Alternanthera littoralis var. maritima (Mart.) Pedersen (Amaranthaceae) e Diodella 
radula (Willd. & Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Delprete – Rubiaceae). 
Cenário diferente é constatado quando observadas as áreas indiretamente 
influenciadas pelo empreendimento (AII). O estado de conservação da vegetação de 
restinga das praias melhora sensivelmente no sentido Balneário Flórida (Matinhos) – 
Pontal do Sul (Pontal do Paraná). Assim, pode-se constatar um enriquecimento 
florístico na mesma direção. Além das espécies típicas da restinga presentes nas ADA 
e AID, aparecem apenas na AII espécies como a Orelha-de-onça (Tibouchina clavata 
(Pers.) Wurdack – Melastomataceae), a Barba-de-São-João (Polygala paniculata L. – 
Polygalaceae), a carqueja (Baccharis genistelloides (Lam.) Pers. - Asteraceae), o 
Pega-pega (Desmodium intortum (Mill.) Urb.) e a Meladinha (Stylosanthes viscosa (L.) 
Sw.- Fabaceae). Plantas jovens de árvores como o Araçá (Psidium cattleianum Sabine 
– Myrtaceae) e o Guanandi (Calophyllum brasiliense Cambess. – Clusiaceae), típicas 
da vegetação de restinga arbórea (floresta), já podem ser encontradas restinga 
herbáceo-arbustiva dessas áreas. 
 
Figura 5.57: Exemplos de espécies características de vegetação de restinga herbácea 
encontradas nas áreas estudadas. A. Rumohra adiantiformis; B. Tibouchina clavata; C. 
Hydrocotyle bonariensis; D. Cordia curassavica. 
 
5.1.2.1.1.3. Espécies Endêmicas 
Não foram encontradas espécies endêmicas nas áreas diretamente afetadas ou 
influenciadas pelo empreendimento. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-26
5.1.2.1.1.4. Espécies Raras ou Ameaçadas de Extinção 
Nas áreas diretamente afetadas ou influenciadas pelo empreendimento não foram 
encontradas espécies que constem nas listas oficiais de espécies raras ou ameaçadas 
de extinção do Paraná (SEMA 1995), do Brasil (IBAMA 1992) ou internacionais (IUCN 
2009) 
5.1.2.1.1.5. Espécies Medicinais, de Interesse Econômico ou Científico 
Devido a grande descaracterização ambiental das áreas estudadas e ao conseqüente 
empobrecimento da flora, as espécies medicinais encontradas na área são 
principalmente espécies oportunistas e ruderais, ou seja, amplamente distribuídas em 
diversas vegetações por extensas áreas, principalmente próximas a habitações 
humanas. A caracterização das propriedades medicinal foi baseada em literatura 
científica específica e, principalmente, em Lorenzi & Matos (2002). 
A Centela (Centella asiatica (L.) Urban – Apiaceae) é uma espécie exótica invasora, 
nativa do sul e sudeste da Ásia, amplamente disseminada pelo Brasil, principalmente 
na planície litorânea. É utilizada na medicina popular no tratamento de doenças 
cardiovasculares e como agente antiinflamatório e cicatrizante. É componente de 
diversos produtos fitoterápicos que promovem melhora da circulação sanguínea. A 
Acariçoba (Hydrocotyle bonariensis Lam. – Araliaceae) é empregada na medicina 
caseira pela ação diurética, vomitiva e anti-reumática, e para remoção de pintas e 
sardas. O Mentrasto (Ageratum conyzoides L. – Asteraceae), apesar de nativa no 
Brasil, é uma espécie oportunista, por invadir espontaneamente ambientes onde não é 
naturalmente encontrada. Possui propriedades hemostáticas, cicatrizantes e 
analgésicas. O Algodão-de-preá (Emilia sonchifolia (L.) DC. - Asteraceae) é originária 
da Ásia tropical e está naturalizada em todo o Brasil. São atribuídas a esta espécie 
propriedades febrífugas e anti-oftálmicas, sendo amplamente utilizada na medicina 
popular contra doenças do trato respiratório e urinário. É também relatado seu uso na 
alimentação, na forma de saladas e refogados. A Erva-baleeira (Cordia curassavica 
(Jacq.) Roem. & Schult.) é amplamente utilizada na região litorânea contra dores 
reumáticas, musculares e da coluna, nevralgias e contusões. Estudos científicos têm 
comprovado suas propriedades medicinais, e já tem sido comercializada na forma de 
compostos fitoterápicos. As folhas da Salsa-da-praia (Ipomoea pes-caprae (L.) R. Br. – 
Convolvulaceae) são consideradas emolientes e vulnerárias, enquanto suas raízes são 
usadas na medicina caseira pela ação diurética e purgativa. A Vassourinha-de-botão 
(Spermacoce verticillata L. – Rubiaceae) ocorre naturalmente no Brasil, mas é 
considerada oportunista por ocorrer espontaneamente em ambientes onde não 
ocorreria naturalmente. É utilizada na medicina popular amplamente por todo o país, 
sendo suas raízes utilizadas pela ação vomitiva e diurética, e suas folhas cozidas são 
usadas em banhos contra erisipela, hemorróidas e varizes. A Barba-de-São-João 
(Polygala paniculata L. – Polygalaceae) e a Carqueja (Baccharis genistelloides (Lam.) 
Pers. - Asteraceae) são utilizada há muitos anos na medicina popular das regiões 
costeiras do Brasil. A primeira é utilizada como agente anti-blenorrágico, vomitivo, 
purgativo e diurético, enquanto à Carqueja são atribuídas ações para problemas 
hepáticos, estomacais e intestinais, sendo vastamente comercializada na forma de chá. 
A Samabaia-preta (Rumohra adiantiformis (G.Fosrt.) Ching. – Dryopteridaceae) é 
coletada por comunidades litorâneas para a venda ao comércio de floriculturas, devido 
a sua utilização em arranjos. A Orelha-de-onça (Tibouchina clavata (Pers.) Wurdack – 
Melastomataceae) e o Araçá (Psidium cattleianum Sabine – Myrtaceae) são cultivados 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-27
e comercializada como espécie ornamental e alimentícia, respectivamente. O Guanandi 
(Calophyllum brasiliense Cambess. – Clusiaceae) já foi amplamente utilizado e 
comercializado na região litorânea para a fabricação de pequenas embarcações e, 
menos comumente, edificações residenciais. 
Não foram encontradas espécies de especial valor científico nas ADA e AID. 
5.1.2.1.1.6. Espécies Exóticas Invasoras 
A contaminação biológica por espécies exóticas invasoras é considerada a segunda 
causa mais importante da perda da diversidade biológica em todo o mundo (está atrás 
apenas da destruição direta dos ambientes pela ação humana). Esta contaminação se 
dá quando uma espécie não nativa invade um ecossistema e, devido a diversos 
motivos como ausência de competidores e agressividade natural, esta espécie domina 
o ambiente, em detrimento das espécies nativas, causando diversos e sérios danos ao 
meio. Assim, espécies exóticas invasoras são aquelas espécies não nativas que 
causam algum tipo de dano aos ecossistemas naturais, e sua erradicação é obrigatória 
(IAP 2007). 
Entremeadas entre as espécies nativas de Gramineae, figuram na área afetada pelo 
empreendimento espécies de Braquiária (p.e., Brachiaria decumbems Stapf - 
Gramineae, Figura 5.58), que infestam praticamente toda a área de vegetação do 
empreendimento, em maior ou menor grau, chegando a dominar algumas áreas. Estas 
espécies são poderosas invasoras de difícil erradicação e que, paulatinamente, 
substituem e impedem o estabelecimento das espécies nativas. 
Além das braquiárias, são exóticas invasoras as espécies Centela (Centella asiática 
(L.) Urban – Apiaceae) e o Algodão-de-preá (Emilia sonchifolia (L.) DC. - Asteraceae), 
já amplamente naturalizadas por todo o Brasil. 
 
Figura 5.58: Fisionomia de trecho do balneário Flórida, evidenciado contaminação por 
Braquiária em primeiro plano. 
 
5.1.2.1.1.7. Caracterização fitofisionômica 
As ADA e AID podem ser enquadradas na fisionomia de restinga herbácea, vegetação 
mais influenciada pelas marés e pela salinidade. No entanto, foi constatado alto grau 
de degradação ambiental nestas áreas, todas se constituindo de vegetação secundária 
(aquela que coloniza o substrato após supressão total ou parcial da vegetação original). 
Entre o balneário Flórida e o balneário de Caiobá, área que sofrerá o engordamentoRIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-28
artificial (ADA), a vegetação de restinga está seriamente depauperada e alterada, tanto 
florística como fisionomicamente, ou mesmo ausente, expondo completamente o 
substrato (Figura 5.59A e B). 
 
Figura 5.59: Fisionomias de diferentes trechos localizados nas áreas estudadas. A. Praia Brava 
de Caiobá (ADA, Matinhos): vegetação escassa ou ausente; B. Balneário Riviera (ADA, 
Matinhos): vegetação alterada ou ausente; C. Balneário Flórida (ADA, Matinhos): vegetação 
em melhor estado; D. Praia de Barranco (AII, Pontal do Paraná): restinga em bom estado de 
conservação, formando um contínuo com as formações arbustivas e florestais (em último 
plano). 
 
Nas praias de Matinhos, as áreas de vegetação em melhor estado estão localizadas no 
balneário Flórida (Figura 5.59C), contínuas em direção ao município de Pontal do 
Paraná, incluindo Praia de Leste. Nesta região, a vegetação está representada por 
trechos que variam entre 5 e 30 m (Matinhos – Balneário Flórida) ou até 70 m (Pontal 
do Paraná - Balneário de Praia de Leste) de largura entre a praia e o início do 
calçamento. Em alguns pontos, a vegetação de restinga prolonga-se além das ruas, em 
terrenos ainda não ocupados por edificações. Importante notar que, apesar da 
fisionomia compatível com o esperado para uma vegetação de restinga, essa 
vegetação apresenta-se seriamente empobrecida em termos florísticos, indicando o 
alto grau de perturbação. 
Essa vegetação é constituída predominantemente por espécies herbáceas. Nas áreas 
mais próximas à praia, a vegetação é dominada por poucas espécies (usualmente 
Blutaparon portulacoides e Ipomoea pes-caprae), caracteristicamente estoloníferas e 
rizomatosas, que se distribuem esparsamente sobre o substrato. Poucos metros acima 
desta área, a vegetação torna-se densa, cobrindo quase a totalidade do substrato. O 
hábito herbáceo continua a predominar, no entanto, arbustos até um metro de altura já 
podem ser encontrados (usualmente Lantana undulata Schrank - Verbenaceae e 
Dalbergia ecastophylla). Árvores não ocorrem nestas áreas (a não ser aquelas 
plantadas com a finalidade de arborização, como o sombreiro – Terminalia catappa L.) 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-29
e, portanto, não existe estratificação da vegetação em termos de subosque e dossel, e 
a serapilheira é irrelevante. Gramineae e Cyperaceae são importantes componentes 
destas áreas, conferindo ao ambiente muitas vezes uma fisionomia campestre. Epífitas 
são raras nestes ambientes e lianas, quando presentes, adotam um hábito escandente 
sobre o substrato e a vegetação (p.e. Smilax campestris, Mikania involucrata Hook. & 
Arn. - Asteraceae.). 
A área indiretamente influenciada (AII) pelo empreendimento engloba as praias de 
Pontal do Paraná, que apresentam em vários locais uma vegetação de restinga 
herbáceo-arbustiva em bom estado de conservação (Figura 5.59D), em alguns pontos 
continua a restinga arbórea (Praia de Barranco). Nestes trechos é possível ainda 
observar a seqüência fisionômica natural da restinga, que evolui de uma vegetação 
esparsa de plantas estoloníferas e rizomatosas, passando pela vegetação herbácea, 
herbáceo-arbustiva, arbustiva até finalmente a restinga arbórea, que já se confunde 
com a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas de estágio intermediário de 
sucessão. 
5.1.2.1.1.8. Áreas de Preservação Permanente – APP 
Áreas de Preservação Permanente (APP) são definidas como áreas cobertas ou não 
por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a 
paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, 
proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (Medida Provisória 
2166-67/2001, que altera e acrescenta dispositivos ao Código Florestal Brasileiro – Lei 
4771/1965). 
As APP são definidas e delineadas na Resolução Conama 303/2002. Esta resolução 
determina como APP, entre outras áreas, toda área situada em restinga (Art. 3º, Inciso 
IX): 
“a) em faixa mínima de trezentos metros, medidos a partir da 
linha de preamar máxima; 
b) em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por 
vegetação com função fixadora de dunas ou estabilizadora de 
mangues” 
Dessa forma, as ADA, AID e AII deste empreendimento estão situadas integralmente 
dentro de área definida como de preservação permanente e a supressão de vegetação 
nestas áreas está limitada a situações eventuais e de baixo impacto, e apenas a 
empreendimentos de utilidade pública. No caso do presente empreendimento, a 
supressão da vegetação requerida é extremamente limitada, visto que o procedimento 
é necessário apenas em trechos localizados da ADA, que atualmente estão totalmente 
desprovidos de vegetação ou estão cobertos por vegetação secundária já seriamente 
comprometida. 
5.1.2.1.1.9. Análise da paisagem 
As áreas afetadas ou influenciadas pelo empreendimento não estão inseridas em 
Unidades de Conservação. As ADA e AID estão totalmente localizadas em ambiente 
urbano e sua importância em termos de conectividade com áreas de vegetação em 
bom estado é desprezível. Dentro da AII estão localizados importantes remanescentes 
da vegetação de restinga que, no entanto, não deverão sofrer alteração em termos 
florísticos ou fitofisionômicos pelo empreendimento. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-30
5.1.2.1.2. Fauna de vertebrados terrestres: Herpetofauna, Avifauna e Mastofauna 
A fauna de vertebrados aqui avaliada inclui animais que, além da importância 
ecológica, também se destacam como elementos conspícuos na paisagem e por 
despertar muita atenção, tanto em relação à conservação das espécies quanto no 
publico em geral. A zona costeira do litoral do Estado do Paraná, apesar da pequena 
extensão, abriga um mosaico de ecossistemas e, dessa forma, oferece uma variedade 
de habitats e micro-habitats, que por sua vez possibilitam a ocorrência de elevada 
biodiversidade, inclusive muitas espécies de interesse conservacionista. Nas áreas de 
influência do empreendimento ocorrem comunidades biológicas particulares, 
destacando-se aquelas associadas à plataforma continental, ao entremarés e às 
formações pioneiras. 
De uma maneira geral há limitada disponibilidade de estudos científicos referentes aos 
grupos animais avaliados na região do empreendimento, com um cenário relativamente 
melhor no caso das aves. No entanto, estudos enfocando vertebrados de ambientes 
pioneiros sob influência marinha e fluvial praticamente inexistem. 
5.1.2.1.2.1. Comunidades da Plataforma Continental Interna 
A região marinha costeira abriga comunidades características de Répteis, de Aves e de 
Mamíferos que em sua maioria são representados por animais conspícuos, de vida 
longa e que se concentram em locais específicos para reproduzir. Essas condições 
favorecem a condução de estudos de maior abrangência, principalmente relacionados 
à dinâmica populacional, os quais têm apontado declínios no número de indivíduos de 
muitas espécies. Nesse sentido, entre as aves classificadas como essencialmente 
marinhas, cerca de 30% delas estão ameaçadas (Birdlife International Seabird 
Conservation Programme 2007), bem como as cinco espécies de tartarugas marinhas 
que ocorrem em águas brasileiras. No caso dos mamíferos aquáticos, das 39 espécies 
de cetáceos registradas para costa brasileira, 58,83% delas figuram no Plano de Ação 
para os Mamíferos Aquáticos do Brasil (IBAMA 2001) como espécies vulneráveis. 
A costa paranaense, apesar da sua limitada extensão, foi classificada por Avaliação e 
Ações Prioritárias para a Zona Costeira e Marinha (BIO-RIO 2002) como de extrema 
importância para a conservação de aves marinhas no Brasil. A importância do litoral 
paranaense é justificada pela utilização desta área como ponto de parada de espéciesmigratórias, por haver reprodução de aves aquáticas coloniais e também por abrigar 
importantes sítios de alimentação para aves marinhas em geral. Da mesma forma, este 
ambiente assume grande importância para mamíferos marinhos e mais recentemente 
tem sido detectada relevância também para tartarugas marinhas (Rosa 2005, Guebert 
2008, Barrera 2009). 
Herpetofauna - a Herpetofauna da Plataforma Continental no litoral do Paraná é 
formada apenas por tartarugas-marinhas, com registro de cinco espécies (Tabela 5.12), 
e destaque para a tartaruga-verde, Chelonia mydas. Todas as espécies têm 
distribuição cosmopolita (Meylan & Meylan 1999), geralmente são encontradas em 
mares tropicais e subtropicais (Márquez 1990) e três delas estão ameaçadas de 
extinção e duas são listadas como vulneráveis (Tabela 5.12). 
 
 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-31
Tabela 5.12: Lista de espécies de tartarugas marinhas com ocorrência para o Litoral do Estado 
do Paraná. Registro: Status: EP= em perigo. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do 
Paraná. 
Táxon Nome comum Status 
Chelonia mydas Tartaruga verde EP 
Caretta caretta Tartaruga cabeçuda EP 
Lepidochelys olivacea Tartaruga oliva EP 
Eretmochelys imbricata Tartaruga de pente EP 
Dermochelys coriacea Tartaruga de couro EP 
A tartaruga-verde, C. mydas, é o representante mais freqüente e abundante entre as 
cinco espécies do grupo, especialmente indivíduos jovens com medidas de carapaça 
variando entre 25 e 51 cm (Bjornald & Bolten 1989; D´Amato 1991). Estudos da dieta 
desta tartaruga revelam um comportamento oportunista e generalista (Guebert 2008), 
sendo possível destacar a importância de macroalgas do gênero Ulva em ambientes de 
mar aberto. 
Avifauna - três espécies de aves marinhas se destacam em relação à frequência e a 
abundância na região da Plataforma Continental Interna, que são: o atobá, Sula 
leucogaster, o tesoureiro, Fregata magnificens, e a gaivota, Larus dominicanus (Moraes 
& Krul, 1995, 1999). No entanto, a comunidade de aves associada à Plataforma 
Continental é formada por muitas espécies, com destaque para os trinta-réis, Sterna 
spp., o pingüim-de-magalhães, Spheniscus magellanicus, os albatrozes, Diomedea 
spp., dentre outras (Tabela 5.13). 
Tabela 5.13: Lista das espécies de aves da plataforma continental. Registro: Status: VU= 
vulnerável, NT= quase ameaçada. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná. 
Espécies Nome comum Status 
Spheniscus magellanicus Pinguim-de-magalhães NT 
Podiceps major Mergulhão-grande 
Diomedea exulans Albatroz-viageiro VU 
Diomedea epomophora Albatroz-real 
Diomedea melanophris Albatroz-de-sobrancelha 
Diomedea chlororhynchos Albatroz-bico-amarelo 
Diomedea chrysostoma Albatroz-cabeça-cinza 
Phoebetria palpebrata Albatroz-marron 
Macronectes halli Petrel-gigante VU 
Macronectes giganteus Petrel-gigante VU 
Fulmarus glacialoides Petrel-prateado 
Daption capense Pomba-do-cabo 
Pterodroma incerta Fura-buxo-de-capuz 
Pterodroma mollis Fura-buxo-de-coroa 
Pterodroma brevirostris Fura-buxo-cinza 
Pachyptila belcheri Faigão-de-bico-fino 
Pachyptila vittata Faigão-de-bico-largo 
Procellaria aequinoctialis Pardela-preta VU 
Procellaria conspicilata Pardela-preta VU 
Callonectris diomedea Pardela-debico-amarelo 
Puffinus gravis Pardela-de-sobre-branco 
Puffinus griseus Pardela-escura 
Puffinus puffinus Pardela pequena 
Oceanites oceanicus Alma-de-mestre 
Sula leucogaster Atobá 
Sula dactylatra Atobá-branco 
Fregata magnificens Tesourão 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-32
Chionis alba Pomba-antartica 
Catharacta maccormicki Gaivota-rapineira 
Catharacta antarctica Gaivota-rapineira 
Stercorarius parasiticus Gaivota-rapineira-comum 
Larus dominicanus Gaivota 
Sterna hirundinacea Trinta-réis-bico-vermelho 
Sterna hirundo Trinta-réis-boreal 
Sterna trudeaui Trinta-réis-corôa-branca 
Thalasseus maximus Trinta-réis-real NT 
Thalasseus sandvicensis Trinta-réis-bico-amarelo 
As espécies que compõem a comunidade de aves da Plataforma Continental atuam 
como predadoras em diversos níveis nas cadeias tróficas e consomem importante 
parcela da produção. Em mar aberto, ao redor de colônias de reprodução, o consumo 
pode atingir até 27% da produtividade secundária (Wiens & Scott 1975, Furness 1978, 
Furness & Nettleship 1990). As aves dessa comunidade apresentam diferentes 
adaptações para a exploração do ambiente aquático relacionada à captura de presas, 
que incluem plâncton principalmente, lulas e peixes. 
Mastofauna - o representante mais comum entre os mamíferos da Plataforma 
Continental (Tabela 5.14) é o boto-cinza, Sotalia guianensis, embora o número de 
estudos esteja concentrado em ambientes de baía (Rautenberg 1999, Rosas 2000, 
Bonin 2001, Oliveira 2003, Filla 2004, Domit 2006, Pereira 2006). Outros 
representantes a serem destacados são: a toninha, Pontoporia blainvillei, e espécies 
caracteristicamente oceânicas como o golfinho-pintado-do-atlântico, Stenella frontallis, 
e o golfinho-comum, Delphinus capensis. Também ocorrem neste ambiente a baleia-
franca, Eubalaena australis, que procura as águas temperadas do litoral sul do Brasil 
para reproduzir e a jubarte, Megaptera novaengliae, também ocorrem neste ambiente 
(Pinedo et al. 1992). 
Tabela 5.14: Lista das espécies de mamíferos da Plataforma Continental registradas para o 
litoral do estado do Paraná. Status: DD=dados deficientes, VU=vulnerável. Fonte: Paraná 
(2004). 
Táxon Nome comum Status 
Eubalaena australis Baleia-franca DD 
Balaenoptera edeni Baleia-de-Bryde 
Megaptera novaengliae Jubarte 
Kogia simus Cachalote-anão 
Steno bredanensis Golfinho-de-dentes-rugosos 
Sotalia guianensis Boto-cinza VU 
Tursiops truncatus Golfinho-nariz-de-garrafa 
Stenella frontallis Golfinho-pintado-do-atlântico 
Delphinus capensis Golfinho-comum 
Orcinus orça Orca 
Pontoporia blainvillei Toninha 
Arctocephalus australis Lobo-marinho-do-sul 
Arctocephalus tropicalis Lobo-marinho-de-subantártico 
Áreas de influência do empreendimento na Plataforma Continental 
Área Diretamente Afetada - na Área Diretamente Afetada pelo empreendimento na 
Plataforma Continental, que diz respeito à jazida de onde será retirado o material para 
a engorda da praia, ocorrem representantes dos três grandes grupos animais aqui 
avaliados. Em relação aos répteis, ocorrem apenas tartarugas-marinhas, 
principalmente a tartaruga-verde, C. mydas, que utiliza este setor principalmente como 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-33
área de deslocamento, pois o fundo é arenoso, condição que não favorece a ocorrência 
de itens alimentares para esta espécie. Aves e mamíferos marinhos são comuns neste 
setor e, além de se encontrarem na área em atividade de deslocamento, também há 
possibilidades desses grupos animais utilizaram a área para a captura de alimento, 
principalmente pequenos peixes. 
Área de Influência Direta - na área de Influência Direta destacam-se os costões 
rochosos do Morro do Boi e da Ilha do Farol como áreas de maior relevância para a 
tartaruga-verde, C. mydas, pois nestes locais ocorrem os principais itens da sua dieta 
em ambiente de mar aberto. Observações conduzidas durante o mês de setembro no 
costão da Ilha do Farol proporcionaram frequentes avistagens de representantes 
juvenis da espécie. Em relação às proximidades da área da jazida/empréstimo se 
destaca o trânsito de animais, especialmente C. mydas. Aves e mamíferos marinhos 
são comuns neste setor e, além de se encontrarem na área em atividade de 
deslocamento, efetuam a captura de presas, principalmente pequenos peixes. Em 
relação às aves é freqüente a associação destas, principalmente o atobá, S. 
leucogaster, e o tesoureiro, F. magnificens, e embarcações pesqueiras que estejam 
rejeitandopescado sem valor comercial. 
Área de Influência Indireta - de uma maneira geral, há importantes sítios de 
alimentação para tartarugas, especialmente para a tartaruga-verde, C. mydas, no 
entorno do empreendimento. Nesse sentido, destacam-se as ilhas do Arquipélago 
Currais, as ilhas Itacolomis e os costões associados à desembocadura da Baía de 
Guaratuba. Estas ilhas também assumem grande relevância para aves marinhas, pois 
abrigam importantes sítios de reprodução para cinco espécies, que são: o atobá, S. 
leucogaster, e o tesoureiro, F. magnificens, a gaivota, Larus dominicanus, o trinta-réis-
de-bico-amarelo, Sterna eurygnatha, O trinta-réis-de-bico-vermelho, S. hirundinacea 
(Krul 1999, 2004). 
5.1.2.1.2.2. Comunidades do Entremarés 
As aves representam o grupo de vertebrados que domina o ambiente de entremarés 
das praias oceânicas, ao passo que representantes dos répteis e dos mamíferos 
ocorrem principalmente mortos ou debilitados, trazidos pela ação dos ventos, das 
correntes marítimas e da maré. 
A região de praias arenosas expostas ao mar aberto, apesar de aparentemente de ser 
uma região fornecedora de poucos recursos para a fauna em geral, representa local de 
repouso e de alimentação para muitas espécies de aves residentes e migratórias, 
conferindo grande importância na manutenção de várias populações (Schiefler & 
Soares 1994, Bertellotti et al. 2003, Costa 2007, Festti 2007). Estudos recentes 
conduzidos em praias do município de Pontal do Paraná apontam para uma 
comunidade formada por 37 espécies, que apresentam diferentes graus de associação 
a este ambiente, com especial atenção aos Charadriiformes mas para toda a costa 
paranaense o número acumulado de espécies ao longo do tempo é maior (Tabela 5.15) 
(Festti 2007, Festti et al. em preparação). A alta porcentagem de Charadriiformes 
(46,4%) registrada nestes estudos também se confirma em outros trabalhos (Moraes 
1998, Moraes & Krul 1999, Vooren & Brusque 1999). Isso reflete adaptações 
particulares das aves dessa ordem ao ambiente do entremarés, principalmente 
relacionadas à predação de invertebrados bênticos, caso dos representantes das 
famílias Scolopacidae e Charadriidae, que são os populares maçaricos e batuíras. 
Essas aves dependem principalmente da zona intermareal para a obtenção de 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-34
alimento, que é representado por invertebrados da endofauna desses habitats. 
Representante típico desse grupo é o maçarico, Charadrius collaris, espécie residente 
da costa paranaense, observada sempre aos pares defendendo território. Porém, a 
maioria das espécies utiliza as praias como área de invernada, com destaque para as 
espécies migrantes do Hemisfério Norte. 
Condições particulares em setores específicos da praia também são importantes 
fatores que influenciam a ocorrência de aves em ambientes de entremarés. Nesse 
sentido destaca-se que desembocaduras de rios podem elevar as médias de registro 
de espécies e de indivíduos em censos, assim como constatado em praias do 
município de Pontal do Paraná (Figuras 5.60 e 5.61). Da mesma forma, ações 
antrópicas representadas pela presença de pessoas, de veículos e cães na praia 
tendem a influenciar negativamente a comunidade de aves desse ambiente (Bueno 
Netto 1998, Barbieri & Pinna 2005, Festti et al. em preparação). 
Tabela 5.15: Espécies de aves que ocorrem em ambientes de entremarés de praias oceânicas 
na costa do Paraná. Status NT= quase ameaçada, DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná 
(2004). 
Espécies Nome comum Status 
Egretta thula Garça-branca-pequena 
Coragyps atratus Urubu-comum 
Cathartes aura Urubu-cabeça-vermelha 
Milvago chimachima Carrapateiro 
Milvago chimango Chimango DD 
Polyborus plancus Carcará 
Falco femoralis Falcão-de-coleira 
Haematopus ostralegus Piru-piru 
Vanellus chilensis Quero-quero 
Pluvialis dominica Batuiruçu 
Pluvialis squatarola Batuiruçu-de-axila-preta 
Charadrius semipalmatus Batuíra-da-praia 
Charadrius collaris Batuíra-de-coleira 
Charadrius modestus Batuíra 
Arenaria interpres Vira-pedras 
Tringa solitaria Maçarico-solitário 
Tringa flavipes Maçarico-perna-amarela 
Tringa melanoleuca Maçarico grande 
Tringa macularia Maçarico pintado 
Catoptrophorus semipalmatus Maçarico-de-asa-branca 
Calidris canutus Maçarico-papo-vermelho 
Calidris fuscicollis Maçarico-de-sobre-branco 
Calidris melanotos Maçarico-de-colete 
Calidris alba Maçarico-branco 
Micropalama himantopus Maçarico-pernilongo 
Tringites subruficollis Maçarico-acanelado 
Steganopus tricolor Pisa-n´água 
Stercorarius parasiticus Gaivota-rapineira-comum 
Larus dominicanus Gaivota 
Larus cirrocephalus Gaivota-de-cabeça-cinza 
Larus maculipennis Gaivota-maria-velha 
Gelochelidon nilotica Trinta-réis-de-bico-preto 
Sterna hirundinacea Tinta-réis-bico-vermelho 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-35
Sterna hirundo Trinta-réis-boreal 
Sterna vittata Trinta-réis-antártico 
Sterna trudeaui Trinta-réis-corôa-branca 
Sterna superciliaris Trinta-réis-anão 
Thalasseus maximus Trinta-réis-real NT 
Thalasseus sandvicensis Trinta-réis-bico-amarelo 
Rynchops niger Talha-mar 
Pitangus sulphuratus Bem-te-vi 
Tachycineta leucorrhoa Andorinha-testa-branca 
Tachycineta leucopyga Andorinha 
Progne tapera Andorinha 
Progne chalybea Andorinha 
Notiochelidon cyanoleuca Andorinha 
Hirundo rústica Andorinha 
Zonotrichia capensis Tico-tico 
 
Figura 5.60: Média e erro padrão do número de espécies de aves associadas ao ambiente de 
entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. 
 
Figura 5.61: Média e erro padrão do número de indivíduos de aves associadas ao ambiente de 
entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. 
Áreas de influência do empreendimento no Entremarés 
Área Diretamente Afetada – Esta área se encontra profundamente impactada: por um 
lado há processos erosivos intensos sobre a praia e por outro a ocupação desordenada 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-36
da orla (Figura 5.62) associada a intenso fluxo de pessoas nos período de férias. Todos 
esses fatores atuam em conjunto e tem potencial de alterar o ambiente e 
conseqüentemente causar variações na estrutura da comunidade de aves. 
 
Figura 5.62: Aspecto do ambiente de entremarés na Área Diretamente Afetada. 
A antropização atua de maneira diferenciada sobre as espécies que, por sua vez, 
respondem de forma variada. As aves generalistas, como Coragyps atratus e Larus 
dominicanus geralmente são beneficiadas em áreas antropizadas, explorando todos os 
tipos de recursos e sendo desta forma favorecidos. Por outro lado, as espécies 
especialistas são prejudicadas pela perda de espaço e pela limitação dos recursos 
alimentares, como é o caso dos Charadriideos e Scolopacídeos (Sick 1997, Moraes 
1998, Moraes & Krul 1999, Silva Rodriguez et al. 2005). 
A desembocadura do Rio Matinhos agrega grande número de espécies e indivíduos de 
aves, principalmente gaivota, L. dominicanus, e garças, Egretta spp. Além disso, a 
proximidade do Mercado do Peixe tende a realçar a ocorrência destas espécies, pois é 
comum a interação destas aves com descartes da pesca (Figura 5.63). 
 
Figura 5.63: Bando misto de aves consumindo descartes da pesca no ambiente de entremarés. 
 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-37
Área de Influência Direta – nos ambientes de entremarés desta área se observa um 
gradiente antrópico, com maior pressão na região de Caiobá/Matinhos. De uma 
maneira geral há possibilidades de ocorrência de uma rica comunidade de aves, pois, 
até certo ponto, as aves toleram ações antrópicas, embora elas se movam ou voem, 
quando diretamente perturbadas, assim como constatado na ilha do Mel por Costa 
(2007) e por Vooren & Brusque (1999) em praiasdo RS. 
Área de Influência Indireta – nesta área, especialmente na sua porção norte, ocorrem 
praias com amplo entremarés e menores níveis de pressões antrópicas, representadas 
principalmente pela presença de pessoas durante os períodos de férias. 
5.1.2.1.2.3. Comunidades das Formações Pioneiras 
Estes ambientes novos, ou seja, áreas recentemente disponíveis à colonização 
biológica, tanto as regiões de dunas, com predominância de vegetação herbácea, 
quanto as regiões de brejos de intercordão e taboais, abrigam várias espécies da 
Herpetofauna e da Mastofauna, ao passo que para a Ornitofauna o número de 
espécies é muito maior. Para estes três grandes grupos animais praticamente 
inexistem publicações científicas relacionadas à estrutura das comunidades nestes 
ambientes específicos na costa paranaense, exceto para as aves (Bornschein & 
Reinert 1997). No entanto, ressalta-se que a maior estruturação dos ambientes pela 
sucessão ecológica propicia a ocorrência de maior número de espécies, especialmente 
naquelas áreas onde há o desenvolvimento de brejos de intercordão e taboais. 
Apesar das informações sobre a Herpetofauna serem incipientes para toda a planície 
costeira, os dados disponíveis permitem apresentar uma lista com 18 espécies de 
anfíbios (Tabela 5.16) e 24 de répteis (Tabela 5.17) para a região costeira do Paraná. 
Tabela 5.16: Lista das espécies de anfíbios registradas na área de influência e no entorno do 
empreendimento. 
Espécies Nome comum 
Chaunus crucifer 
Dendrophryniscus leucomystax 
Dendropsophus berthalutzae Perereca 
Dendropsophus werneri Perereca 
Phyllomedusa distincta Perereca 
Trachycephalus mesophaeus Perereca-grudenta 
Hypsiboas albomarginatus Perereca-araponga 
Scinax argyreornatus Pererequinha 
Scinax cuspidatus Perereca-raspa-cuia 
Scinax rizibillis Perereca-rizadinha 
Itapotihyla langsdorffii Perereca-líguen 
Adenomera bokermanni 
Leptodactylus ocellatus Rã-manteiga 
Leptodactylus notoaktites Rã-goteira 
Physalaemus spiniger 
Physalaemus nanus 
Elachistocleis ovalis Sapo-guarda 
A comunidade de aves é formada por aproximadamente 100 espécies (Tabela 5.18), 
com maior número de espécies nos ambientes úmidos, destacando-se as saracuras, 
Porzana spp., os frangos-d’água, Laterallus melanophaius e Gallinula chloropus, o 
curutié, Certhiaxis cinnamomea, e o chopinzinho, Agelaius cyanopus. Em adição, é 
importante destacar que nos brejos intercordões ocorrem espécies de aves, Ixobrychus 
involucris, Botaurus pinnatus, Phleocryptes melanops e Polystictus pectoralis, 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-38
consideradas ameaçadas de extinção. A relevância dessas áreas úmidas também é 
revelada pela ocorrência de espécies que possuem registros apenas nestas áreas 
litorâneas do Estado do Paraná. 
Tabela 5.17: Lista das espécies de répteis registradas na área de influência e no entorno do 
empreendimento. 
Espécies Nome comum 
Hydromedusa tectifera Cágado 
Caiman latirostris Jacaré-do-papo-amarelo 
Hemidactylus mabouia Lagartixa 
Enyalius iheringii Camaleãozinho 
Diploglossus fasciatus Lagarto-coral 
Ophiodes fragilis Cobra-de-vidro 
Tupinambis merianae Lagarto, teiu 
Colobodactylus taunayi 
Placosoma cordylinum Lagartinho 
Placosoma glabellum Lagartinho 
Leposternon microcephalum Cobra-de-duas-cabeças 
Chironius exoletus Cobra-cipó 
Chironius foveatus Cobra-cipó 
Chironius fuscus Cobra-cipó 
Chironius laevicollis Cobra-cipó 
Clelia plumbea Muçarana 
Dipsas albifrons Dormideira 
Echinanthera bilineata Cobra-cipó 
Echinanthera cyanopleura Cobra-cipó 
Helicops carinicaudus Cobra-d’água 
Imantodes cenchoa Dormideira 
Liophis miliaris Cobra-d’água 
Oxyrhopus clathratus Falsa-coral 
Sibynomorphus neuwiedi Dormideira 
Siphlophis pulcher Falsa-coral 
Sordellina punctata Cobra-d’água 
Spilotes pullatus Caninana 
Tropidodryas serra Giboinha 
Uromacerina ricardinii Cobra-bicuda 
Xenodon neuwiedii Boipevinha 
Incertae amarali 
Micrurus corallinus Coral-verdadeira 
Bothrops jararaca Jajaraca 
Bothrops jararacussu* Jararacuçu 
Tabela 5.18: Aves que ocorrem nos ambientes Pioneiros sob Influência Marinha e Fluvial na 
costa paranaense. Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada e DD= dados insuficientes. 
Fonte: Paraná (2004). 
Espécies Nome comum Status 
Podilymbus podiceps Mergulhão 
Syrigma sibilatrix Maria-faceira 
Ardea alba Garça-branca-grande 
Egretta thula Garça-branca-pequena 
Bubulcus íbis Garça-vaqueira 
Butorides striatus Socozinho 
Nycticorax nycticorax Socó-dorminhoco 
Tigrisoma lineatum Socó-boi 
Ixobrychus involucris Socoí-amarelo DD 
Botaurus pinnatus Socó-boi-baio DD 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-39
Dendrocygna bicolor Marreca 
Anas georgica Marreca 
Amazonetta brasiliensis Marreca 
Coragyps atratus Urubu-comum 
Cathartes aura Urubu-cabeça-vermelha 
Milvago chimachima Gavião-pinhé 
Milvago chimango Gavião-chimango DD 
Polyborus plancus Carcará 
Falco peregrinus Falcão-peregrino 
Falco femoralis Falcão-de-coleira 
Porzana albicollis Saracura-sanã 
Porzana flaviventer Saracura-pintada DD 
Laterallus melanophaius Saracura-monjolinho 
Porphyriops melanops Saracura-monjolinho 
Gallinula chloropus Frango-d´água 
Porphyrula martinica Frango-d´água-azul 
Porphyrula flavirostris Frango-d´água-pequeno DD 
Fulica leucoptera Carqueja-asa-branca 
Jacana jacana Jaçanã 
Nycticryphes semicollaris Narceja 
Vanellus chilensis Quero-quero 
Charadrius semipalmatus Batuíra 
Charadrius collaris Batuíra 
Zonibyx modestus Batuíra 
Tringa flavipes Maçarico-perna-amarela 
Tringa melanoleuca Maçarico-grande 
Micropalama himantopus Maçarico 
Tringites subruficollis Maçarico DD 
Bartramia longicauda Maçarico 
Numenius phaeopus Maçaricão 
Gallinago gallinago Narceja 
Steganopus tricolor Pisa-n´água 
Crotophaga ani Anu-preto 
Guira guira Anu-branco 
Speotyto cunicularia Coruja-buraqueira 
Chordeiles acutipennis Bacurau 
Podager nacunda Bacurau 
Colaptes campestris Pica-pau-do-campo 
Furnarius rufos João-de-barro 
Phleocryptes melanops Bate-bico VU 
Synallaxis spixi Bentererê 
Certhiaxis cinnamomea Curutié-do-banhado 
Camptostoma obsoletum Risadinha 
Elaenia flavogaster Tuque 
Serpophaga subcristata Alegrinho 
Tachuris rubrigastra Papa-piri 
Polystictus pectoralis Papa-moscas-canela DD 
Pyrocephalus rubinos Príncipe 
Lessonia rufa Colegial 
Gubernetes yetapa Tesoura-do-brejo 
Satrapa icterophrys Siriri-de-sobrancelhas 
Machetornis rixosa Siriri-cavaleiro 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-40
Tyrannus savana Tesourinha 
Tyrannus melancholicus Siriri 
Pitangus sulphuratus Bem-te-vi 
Tachycineta leucorrhoa Andorinha-testa-branca 
Tachycineta leucopyga Andorinha 
Progne tapera Andorinha 
Progne chalybea Andorinha 
Notiochelidon cyanoleuca Andorinha 
Stelgidopteryx ruficollis Andorinha-de-barranco 
Riparia riparia Andorinha-de-coleira 
Hirundo rustica Andorinha 
Petrochelidon pyrrhonota Andorinha-castanha 
Anthus lutescens Caminheiro 
Anthus correndera Caminheiro 
Troglodytes aedon Corruíra 
Mimus gilvus Sabiá-da-praia 
Mimus triurus Calandra-real 
Mimus saturninus Sabiá-do-campo 
Turdus amaurochalinus Sabiá-poca 
Zonotrichia capensis Tico-tico 
Sicalis flaveola Canário-da-terra 
Sporophila caerulescens Coleirinho 
Geothlypis aequinoctialis Pia-cobra 
Agelaius thilius Sargento NT 
Agelaius cyanopus Chopim-do-banhado 
Agelaius ruficapillus Garibaldi 
Leistes militaris Polícia-inglesa 
Molothrus bonariensis Chopim 
Dolichonyx oryzivorus Triste-piá 
Estrilda astrild Bico-de-lacre 
Passer domesticus Pardal 
Área Diretamente Afetada – esta área se encontra profundamente reduzida e alterada 
pela ocupação desordenada da orla marítima. Dessa forma, poucos representantes 
dessascomunidades animais podem ser encontrados no local. Entre os anfíbios 
provavelmente ocorre a rã-manteiga Leptodactylus ocellatus, espécie freqüente e 
abundante em ambientes pioneiros antropizados. Entre os répteis a lagartixa, 
Hemidactylus mabouia, se faz presente, pois apresenta íntima associação com 
ambientes antrópicos e periantrópicos. Entre os vertebrados o grupo das aves é o mais 
conspícuo e com maior número de espécies, podendo se destacar o pardal, Passer 
domesticus, o bem-te-vi, Pitangus sulphuratus, o urubu, Coragyps atratus, a corruíra, 
Troglodytes aedon, o joão-de-barro, Furnarius rufus, o sabiá-laranjeira, Turdus 
rufiventris, e a rolinha, Columbina talpacoti. Entre os mamíferos é possível a presença 
de gambás, Didelphis spp, e de ratazanas, Rattus spp. 
Área de Influência Direta – As pressões antrópicas representadas pela ocupação 
desordenada da costa se fazem presentes, mas a área começa a ser mais 
representativa em direção norte. Além das espécies citadas para a Área Diretamente 
Afetada, entre os anfíbios pode-se citar Bufo crucifer e Elachistocleis ovalis e entre os 
répteis o teiú, Tupinambis merianae e as cobras Liophis miliaris e Helicops 
carinicaudus. Aves muito comuns são a coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia e o 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-41
quero-quero, Vanellus chilensis, inclusive, durante o mês de setembro de 2009 foi 
observado ninhos destas duas espécies na praia de Caiobá (Figuras 5.64 e 5.65). 
 
Figura 5.64: Nidificação da coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia, em área de Formação 
Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. 
 
Figura 5.65: Nidificação do quero-quero, Vanellus chilensis, em área de Formação Pioneira de 
Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. 
Área de Influência Indireta – os locais temporária e permanentemente alagados 
abrigam muitas espécies de anfíbios: Hypsiboas spp., Scinax spp., Leptodactylus spp. 
e Physalaemus, dentre outras. Entre os répteis cita-se a cobra-de-vidro, Ophiodes 
fragilis, a cobra-dormideira, Sibynomorphus neuwiedi e até serpentes do gênero 
Bothrops. Entre as aves ocorrem mais de 100 espécies, sendo várias delas de 
interesse conservacionista, caso do bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), 
espécie recentemente descrita com base em exemplares capturados no litoral do 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-42
Paraná. Entre os mamíferos podem ser encontrados o furão, Galictis cuja e o preá, 
Cavia aperea, além de ratos-d’água, Nectomys spp. 
5.1.2.2. Biota Aquática 
5.1.2.2.1. Plâncton 
5.1.2.2.2. Fitoplâncton da Zona de Arrebentação 
A zona de arrebentação (ZA) constitui a porção do infralitoral próxima à costa, que se 
estende desde a primeira linha de quebra das ondas até a zona de varrido (Komar 1976). 
De acordo com McLachlan (1980) muitas praias arenosas e suas respectivas zonas de 
arrebentação podem funcionar como ecossistemas viáveis, principalmente as praias 
expostas à forte ação de ondas. 
Alguns estudos têm mostrado que zonas de arrebentação de praias arenosas podem 
representar importantes áreas de crescimento e alimentação para muitos peixes 
marinhos, principalmente devido à grande disponibilidade de plâncton (Lasiak 1981, 
McLachlan 1990). 
O fitoplâncton da ZA é extremamente abundante sendo geralmente representado por 
diatomáceas que promovem uma grande produtividade primária (Brown & McLachlan 
1990). 
As praias do litoral paranaense não têm sido alvo de muitos estudos mas o trabalho de 
Rezende (1995) fornece uma boa idéia da composição e abundância dos principais 
grupos. Num estudo realizado no inverno e no verão de 1992, na zona de arrebentação 
interna (< 1 m de profundidade) da Praia de Pontal do Sul, esta autora registrou 35 
gêneros de diatomáceas com 41 espécies, 13 gêneros de dinoflagelados, 3 gêneros de 
cianofíceas, 1 gênero de euglenofícea, 2 gêneros de silicoflagelados e 3 gêneros de 
cocolitoforídeos. A lista completa de espécies registradas encontra-se na tabela 5.19. 
Os grupos mais importantes em termos de abundância e freqüência de ocorrência 
foram os fitoflagelados (não classificados taxonomicamente) e as diatomáceas. Os 
maiores valores de abundância dos fitoflagelados foram registrados no verão variando 
entre aproximadamente 5 x 105 a 3,7 x 106 células mL-1. 
Com relação as diatomáceas, as espécies mais importantes foram as Penales 
Asterionellopsis glacialis, Clampylosira cymbelliformes, Nitzschia spp e Phaeodactylum 
tricornutum, entre outras. Dentre as Centrales, Anaulus sp., Bacteriastrum spp., 
Chaetoceros spp, Coscinodiscus sp. e Skeletonema costatum, se destacaram durante 
o período estudado. 
Embora os picos de abundância das diferentes espécies de diatomáceas, tenham 
apresentado grande variabilidade temporal, alguns padrões puderam ser observados, 
como no caso de Asterionellopsis glaciallis e Anaulus sp. que estiveram fortemente 
associadas as a passagem de sistemas frontais com ventos SE. Já Skeletonema 
costatum, uma espécie muito abundante em estuários, ocorreu em grandes densidades 
na zona de arrebentação, principalmente no inverno. 
Vale enfatizar que de acordo com Rezende (1995), Asterionellopsis glacialis foi 
responsável por boa parte dos picos de densidade fitoplanctônica registrados na zona 
de arrebentação de Pontal do Sul, apresentado um máximo em torno de 3 x 106 células 
mL-1. Este resultado concorda com as informações fornecidas por pesquisas realizadas 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-43
no Rio Grande do Sul, mais precisamente na zona de arrebentação da Praia do 
Cassino. 
Tabela 5.19: Organismos fitoplanctônicos identificados na zona de arrebentação da Praia de 
Pontal do Sul. Modificado de Rezende (1995). 
Taxon 
Diatomáceas 
Asterionellopsis glacialis Campylosira cymbelliformes 
Diploneis spp. Haslia wawrickae 
Nitzchia spp. Phaeodactylum tricornutum 
Plagiogrammopsis vanheuerckii Pleurosigma sp. 
Stauroneis sp Stauroneis membranaceae 
Thalassionema nitzschioides Thalassiothrix frauenfeldii 
Thalassiothrix mediterranea Actinoptychus sp. 
Anaulus sp. Asteromphalus sp 
Biddulphia sp Biddulphia longicruris 
Bacteriastrum sp Cerataulina pelágica 
Chaetoceros affinis Chaetoceros spp. 
Chaetoceros dydimus Chaetoceros coractatus 
Chaetoceros peruvianus Chaetoceros laevis 
Chaetoceoros pendulus Climacodium frauenfeldianum
Coscinodiscus sp. Corethron criophylum 
Dytilum brightwellii Cyclotella sp 
Guinardia flacida Eucampia sp. 
Hemiaulus membranaceus Hemiaulus sinensis 
Helichoteca sp. Lauderia sp. 
Leptocylindrus minimus Leptocylindrus danicus 
Lithodesmium undulatum Licmophora sp. 
Odontella mobiliensis Odontella sinensis 
Melosira sp Paralia sulcata. 
Rhizosolenia bergonii Rhizosolenia alata 
Rhizosolenia fragilissima Rhizosolenia delicatula 
Rhizosolenia imbrincata Rhizosolenia stolterfothii 
Rhizosolenia cf. setigera Rhizosolenia turris 
Rhizosolenia cf. styliformis Thalassiosira subtilis 
Skeletonema costatum 
 
Dinoflagelados 
Amphidinium sp. Ceratium sp. 
Ceratium contrarium Ceratium decinatum 
Ceratium furca Ceratium fusus 
Ceratium kofoidii Ceratium massiliense 
Ceratium petagonum tenerum Ceratium trichoceros 
Ceratium tripos Dinophysis sp. 
Dinophysis ovum Dinophysis tripos 
Ébria sp. Gymnodinum spp. 
Gonyaulax sp. Noctiluca miliaris 
Oxytoxum sp. Podolampas sp. 
Prorocentrum aporum Prorocentrum compressum 
Prorocentrum micans Prorocentrum minimum 
Protoperidinium sp. Pseliodinium sp. 
Pyrocistys obtusa Scripsiella sp. 
 
Cianofícias 
Anabaena sp Trichodesmium sp. 
Merismopedia sp. 
Silicoflagelados 
Dictyocha fibula 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-44
 
Cocolitoforídeos 
Calciopappus sp. Calciosolenia sp. 
Emiliana huxleyi 
A Praia doCassino é notoriamente caracterizada por apresentar grandes acumulações 
da diatomácea penada Asterionellopsis glacialis principalmente após a passagem de 
frentes frias (Odebrecht et al. 1995, Rörig & Garcia 2003). De acordo com Gianuca 
(1983, 1985) Asterionellopsis glacialis pode formar manchas marrons escuras 
conspícuas, desde o fim do verão até início de primavera, sendo que as mesmas 
podem se estender por vários quilômetros de praia. Este fenômeno se dá pela ação de 
ventos do quadrante sul, após as passagens de frentes atmosféricas (Odebrecht et al. 
1995), chegando a alcançar elevados valores de clorofila a e densidades de até 7 x 108 
cel. L-1 (Odebrecht et al. 1995, Rörig 1997, Rörig & Garcia 2003). 
Em função de sua abundância, Asterionellopsis glacialis tem sido considerada uma 
importante fonte de alimento para organismos bentônicos suspensívoros (Gianuca 
1983 e 1985) e também para organismos nectônicos como no caso de Mugil platanus e 
Mugil gaimardianus (Vieira 1985). 
Embora ainda não se tenha muitos estudos sobre a importância das diatomáceas na 
zona de arrebentação de praias paranaenses, os resultados preliminares apresentados 
por Rezende (1995) indicam padrões similares àqueles observados para o Rio Grande 
do Sul. 
5.1.2.2.2.1. Zooplâncton da Zona de Arrebentação 
O zooplâncton da zona de arrebentação de praias arenosas é geralmente dominado 
por crustáceos, principalmente por copépodes e misídeos. Os copépodes apresentam 
uma maior quantidade de espécies, mas quando se considera a abundância numérica, 
os misídeos podem ser responsáveis em algumas situações por até 70% da densidade 
total (McLachlan 1990, Bersano 1994). 
Devido à sua grande abundância e biomassa, o zooplâncton da ZA ocupa uma posição 
chave neste ecossistema pois representa uma importante fonte alimentar para diversas 
espécies de peixes (Lasiak 1981, McLachlan 1990). 
Segundo McLachlan (1990) o zooplâncton da ZA pode ser representado por 
organismos residentes e não-residentes. Os residentes incluem formas 
verdadeiramente planctônicas e formas bento-planctônicas e/ou hipoplanctônicas 
(vivem na coluna d’água próximo ao fundo). 
Os residentes planctônicos são representados por indivíduos de tamanho relativamente 
grande com boa capacidade de natação, como os misídeos por exemplo. Estes 
organismos atingem valores de biomassa extremamente elevados e geralmente são 
considerados os componentes residentes mais importantes da ZA. 
Os não-residentes são representados pelo holoplâncton (micro, meso e 
macrozooplâncton) e pelo meroplâncton (larvas de crustáceos, moluscos, poliquetos e 
demais organismos provenientes de outros ambientes, como estuários, costões 
rochosos e plataforma continental). A ocorrência dos não-residentes dentro da zona de 
arrebentação é altamente variável, estando condicionada a advecção de correntes 
geradas pela ação de ventos, ondas e marés. Os copépodos são na maior parte dos 
casos os componentes não-residentes mais frequentes e dominantes na ZA. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-45
É importante esclarecer que, pelas razões expostas acima, neste trabalho serão 
considerados representantes do zooplâncton da ZA apenas os misídeos e os 
copépodes. 
No Paraná os estudos sobre o zooplâcton da zona de arrebentação são ainda 
incipientes sendo que apenas o grupo dos misídeos foi avaliado com maior 
detalhamento por Calil (2002) e Borzone et al. (2007). 
Durante o período compreendido entre agosto de 1999 e julho de 2000, Calil (2002) 
realizou amostragens na ZA em profundidades variando entre 0,2 m e 2,0 m na praia 
do Atami e registrou a presença de Metamysidopsis neritica (hipoplanctônica) e 
Bowmaniella brasiliensis (epibêntica), sendo a primeira bem mais abundante e 
freqüente em todas as profundidades durante todo o período estudado. 
Com relação a variação da composição, abundância e distribuição dos misídeos para 
duas praias do litoral paranaense, uma dissipativa (Praia do Atami) e outra refletiva 
(Praia Mansa), Borzone et al. (2007) registraram a presença de seis espécies, sendo 
elas: Metamysidopsis neritica, Bowmaniella brasiliensis, Mysidopsis coelhoi, Mysidopsis 
tortonesei, Brasilomysis castroi, e Promysis atlântica. Estas espécies podem ocorrer 
em várias regiões do sul e sudeste do Brasil, mas a única que pode ser considerada 
verdadeiramente planctônica é Metamysidopsis nerítica. De acordo com Borzone et al. 
(2007) esta espécie foi a mais importante com 97-98.97% da abundância total dos 
indivíduos registrados para a praia do Atami (4.401 individuos m-3) e para a praia 
Mansa (23.481 individuos m-3). 
Embora sejam bastante importantes como pontos de referência para pesquisas futuras 
no litoral do Paraná, tanto o estudo de Calil (2002) como o de Borzone et al. (2007), 
buscaram estudar apenas os misídeos distribuídos próximos ao fundo e usaram uma 
rede de epibentos para a obtenção de amostras na ZA. Sendo assim, é possível que os 
valores de abundância tenham sido subestimados para espécies que ocorrem também 
na coluna d’água. Para efeitos comparativos, cabe informar que na praia do Cassino, os 
maiores picos de abundância de Metamysidopsis ocorrerem geralmente nos períodos de 
primavera e verão, podendo atingir valores de densidade 112.000 org.m-3 e biomassa 
de até 8.100 mg C.m-3 (Bersano 1994). Estes valores estão entre os máximos já 
registrados para áreas costeiras, demonstrando um enorme potencial energético 
disponível a níveis tróficos superiores. 
Com relação aos copépodes, representantes holoplanctônicos não-residentes da ZA, 
pode-se dizer que a composição dos mesmos é regida basicamente pelos processos 
de circulação vigentes na zona nerítica. Através de uma coleta realizada na ZA da 
Praia de Pontal do Sul por Bersano (Observação pessoal), foi constatado que as 
principais espécies encontradas (Tabela 5.20) são comuns no plâncton de águas 
costeiras do sul do Brasil como o caso de Acartia lilljeborgi, Oncaea waldemari, 
Paracalanus spp, Subeucalanus pileatus e Temora turbinata (Bjornberg 1981, Bersano 
& Boxshall 1994), e também, em águas estuarinas como Pseudodiaptomus sp. (Montú 
1980). 
A variação temporal da composição e abundância do zooplâncton de zona de 
arrebentação e de zona nerítica no sul do Brasil está diretamente relacionada com a 
influência sazonal de diferentes massas de água, como a Água Tropical e a Água 
Central do Atlântico, e com as descargas continentais que afetam distintas regiões dos 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-46
estados do sul do Brasil, como os aportes do Rio da Prata, Lagoa dos Patos e da Baia 
de Paranaguá (Bersano 1994, Montú et al. 1998, Sartori & Lopes 2000). 
De fato, Bersano (1994) verificou variações sazonais bastante marcadas no 
holoplâncton da ZA da praia do Cassino – RS, as quais eram geralmente governadas 
pelos mesmos processos oceanográficos operantes na zona nerítica. Os copépodes 
Subeucalanus pileatus, e Centropages velificatus, comumente associados com águas 
costeiras quentes, foram registrados em elevadas densidades nos meses de verão, 
enquanto que Ctenocalanus vanus esteve geralmente associado com águas frias durante 
o inverno e primavera. Já Pseudodiaptomus richardi, um copépode estuarino, apresentou 
maior freqüência na primavera, em função dos regimes de vazante do Estuário da Lagoa 
dos Patos condicionados sobretudo pela ação de ventos NE. 
Tabela 5.20: Copépodes coletados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul em 
Novembro de 2009. 
Táxon 
COPEPODA 
Paracalanus spp. 
Parvocalanus crassirostris 
Subeucalanus pileatus 
Centropages velificatus 
Pseudodiaptomus sp. 
Labidocera fluviatilis 
Pontellopsis sp. 
Temora turbinata 
Acartia lilljeborgi 
Oithona spp. 
Euterpina acutifrons 
Oncaea waldemari 
Oncaea spp. 
Corycaeus spp. 
Copepoditos ñ ident. 
Para a plataforma internado Paraná, Sartori & Lopes (2000) registraram durante um ciclo 
anual a presença de 44 espécies de copépodes pertencentes a 4 ordens e 29 gêneros 
(Tabela 5.21). 
Durante o verão Oncaea waldemari foi a mais abundante apresentando até 50% da 
abundância total, sendo seguida por Temora turbinata, Temora stylifera, Clausocalanus 
furcatus e Oithona plumifera. Nos meses menos quentes Parvocalanus crassirostris e 
Subeucalanus pileatus foram bastante importantes, entre outros. Através de uma análise 
de agrupamento os autores observaram a separação de dois grupos de espécies, um 
grupo composto por espécies mais oceânicas e outro por espécies típicas de plataforma 
interna como O. waldemari, Parvocalanus crassirostris, Euterpina acutifros e Oithona 
hebes. 
Devido à proximidade com a zona de arrebentação, as espécies pertencentes ao grupo 
de plataforma interna, são perfeitamente passíveis de ocorrer na zona de arrebentação 
das praias de Matinhos e de todo o litoral paranaense, fato já confirmado por Bersano 
(Observação pessoal) para algumas espécies como Parvocalanus crassirostris, 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-47
Subeucalanus pileatus, Centropages velificatus, Temora turbinata, Euterpina acutifrons e 
Oncaea waldemari (Tabelas 5.20 e 5.21). 
Em virtude da grande ocorrência e abundância reportada para o misídeo 
Metamysidopsis e para os copépodes Oncaea waldemari, Temora spp., Parvocalanus 
crassirostris e Subeucalanus pileatus entre outros, pode-se dizer que os mesmos 
poderão ser utilizados como indicadores biológicos em estudos de monitoramento 
ambiental que venham a ser desenvolvidos futuramente na região costeira do Paraná. 
Tabela 5.21: Copépodes registrados na plataforma interna do Paraná por Sartori & Lopes 
(2000). 
Taxon 
Copépodes 
Acartia danae Acartia lilljeborgi 
Acrocalanus longicornis Calanopia americana 
Calocalanus pavo Calocalanus pavoninus 
Calocalanus styliremis Candacia sp. 
Centropages velificatus Clausocalanus furcatus 
Clytemnestra rostrata Copilia mirabilis 
Corycareus amazonicus Corycareus giesbrechti 
Corycareus speciosus Ctenocalanus vanus 
Dolichocerea tenuis Subeucalanus pileatus 
Euterpina acutifrons Ferranula gracilis 
Hemicyclops thalassius Macrosetella gracilis 
Mecynocera clausi Microsetella sp. 
Monothula subtilis Oithona hebes 
Oithona nana Oithona plumifera 
Oithona simplex Oithona 
Oncaea waldemari Oncaea media 
Oncaea venusta venella Paracalanus aculeatus 
Paracalanus nanus Paracalanus quasimodo 
Paracalanus sp. Parvocalanus crassirostris 
Pontellopsis brevis Pseudodiaptomus acutus 
Sapphirina sp. Temora stylifera 
Temora turbinata Unidinula vulgaris 
5.1.2.2.3. Ictiofauna 
5.1.2.2.3.1. Área diretamente afetada – ADA 
Zona de arrebentação 
Vinte taxa (18 espécies) de oito famílias foram capturados na zona de arrebentação da 
área diretamente afetada (Tabela 5.22). A assembléia foi composta principalmente por 
indivíduos juvenis, que corresponderam a 98,8% dos peixes capturados. Odontesthes 
bonariensis foi a única espécie representada por indivíduos adultos em estágio 
reprodutivo e juvenis, o que sugere o uso da área durante todo o seu ciclo de vida. As 
demais espécies ocorreram exclusivamente como juvenis e parecem utilizar o local 
somente durante a fase inicial de desenvolvimento. 
As famílias Carangidae (cinco taxa), Mugilidae (quatro taxa) e Sciaenidae (três taxa) 
tiveram os maiores números de taxa. Considerando o número de indivíduos, 
dominaram as famílias Clupeidae (45,8%), Sciaenidae (23,5%), Atherinopsidae 
(14,3%), Mugilidae (11,2%) e Carangidae (4,2%), com as demais representando 
individualmente menos de 1% dos indivíduos capturados. Os taxa mais abundantes na 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-48
zona de arrebentação foram Harengula clupeola (45,2%), Menticirrhus littoralis (23%), 
O. bonariensis (14,3%), Mugil sp. (10,5%) e Trachinotus goodei (2%), que juntos 
somaram 94,5% dos indivíduos coletados. Quanto à biomassa, a assembleia foi 
dominada por H. clupeola (29,3%), O. bonariensis (26,3%), T. goodei (17,7%), M. 
littoralis (12,1%), Mugil gaimardianus (2,7%), Trachinotus carolinus (2,5%) e Sardinella 
brasiliensis (2,1%), que contribuíram com 92,7% da biomassa total (Tabela 5.22). 
A guilda dos zooplanctívoros teve maior biomassa e número de taxa (61,5% da 
biomassa total e seis taxa), seguida pelos zoobentívoros (30,8% e cinco taxa), 
herbívoros (0,5% e quatro taxa), piscívoros (0,1% e três taxa) e onívoros (0,01% e um 
taxa). Quanto ao número de indivíduos, os zooplanctívoros (62% dos indivíduos 
capturados), zoobentívoros (26%) e os herbívoros (11,2%) foram mais abundantes, 
com os piscívoros e os onívoros tendo as menores contribuições (cada guilda com < 
0,01 da abundância total). Entre os peixes zooplanctívoros, H. clupeola (45,3%) e O. 
bonariensis (14,4%) foram os mais abundantes. Menticirrhus littoralis (23%) teve a 
maior contribuição entre os zoobentívoros, Mugil sp. entre os herbívoros (10,5%) e O. 
saurus (0,3%) entre os piscívoros. Hyporhamphus unifasciatus foi a única espécie 
onívora e contribuiu com menos de 0,1% da abundância total (Tabela 5.22). 
Entre os 24 taxa capturados na área, 15 são altamente comerciais, três são comerciais 
e somente um taxa não tem valor comercial (Tabela 5.22). Os taxa altamente 
comerciais foram mais representativos em biomassa e número de indivíduos (54,6% da 
biomassa total e 83% dos indivíduos capturados), seguidos pela espécie não comercial 
O. bonariensis (26,3 e 14,3%) e pelas comerciais (19 e 0,2%). H. clupeola teve maior 
biomassa e número de indivíduos entre os taxa altamente comerciais e T. goodei entre 
os comerciais. 
Tabela 5.22: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área diretamente afetada. 
Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica
Atherinopsidae 
Odontesthes bonariensis 228 14.37 26.33 Zooplanctívoro Não Comercial 
Carangidae 
Oligoplites saurus 6 0.38 0.44 Piscívoro Altamente comercial 
Trachinotus carolinus 20 1.26 2.55 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Trachinotus goodei 33 2.08 17.72 Zoobentívoro Comercial 
Trachinotus marginatus 4 0.25 0.75 Zoobentívoro Altamente comercial 
Trachinotus sp. 4 0.25 0.01 
Clupeidae 
Harengula clupeola 718 45.24 29.37 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Sardinella brasiliensis 10 0.63 2.11 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Engraulidae 
Anchoa tricolor 1 0.06 0.01 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Lycengraulis grossidens 1 0.06 0.28 Piscívoro Altamente comercial 
Hemiramphidae 
Hyporhamphus unifasciatus 1 0.06 0.16 Onívoro Comercial 
Mugilidae 
Mugil curema 2 0.13 0.75 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil gaimardianus 9 0.57 2.69 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil incilis 1 0.06 1.54 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil sp. 167 10.52 0.79 Herbívoro Altamente comercial 
Pomatomidae 
Pomatomus saltarix 4 0.25 0.92 Piscívoro Altamente comercial 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-49
Pristigasteridae 
Pellona harroweri 4 0.25 1.18 Zooplanctívoro Comercial 
Sciaenidae 
Menticirrhus littoralis 365 23 12.14 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stellifer rastrifer 8 0.5 0.2 Zoobentívoro Altamente comercial 
Umbrina canosai 1 0.06 0.06 Zoobentívoro Altamente comercial 
Os indivíduos capturados na zona de arrebentação foram em geral, de pequeno porte, 
com o comprimento total variando entre 18 e 211 mm. Trachinotus sp. teve em média o 
menor comprimento (19,2 mm) e T. goodei o maior (133,1 mm) (Tabela 5.23). 
Tabela 5.23: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada.Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Anchoa tricolor 44 44 44 
Harengula clupeola 80.01 ± 8.49 52 143 
Hyporhamphus unifasciatus 159 159 159 
Lycengraulis grossidens 126 126 126 
Menticirrhus littoralis 59.27 ± 23.37 24 172 
Mugil curema 124.5 ± 7.77 119 130 
Mugil gaimardianus 116.88 ± 4.83 111 126 
Mugil incilis 200 200 200 
Mugil sp. 27.89 ± 1.22 25 33 
Odontesthes bonariensis 104.13 ± 19.77 55 211 
Oligoplites saurus 74.33 ± 22.68 52 108 
Pellona harroweri 120.75 ± 7.54 116 132 
Pomatomus saltarix 103.75 ± 21.2 86 134 
Sardinella brasiliensis 116.5 ± 7.1 103 127 
Stellifer rastrifer 52 ± 8.46 41 68 
Trachinotus carolinus 74.85 ± 20.78 32 117 
Trachinotus goodei 133.18 ± 25.6 83 172 
Trachinotus marginatus 85.5 ± 11.9 78 103 
Trachinotus sp. 19.25 ± 0.95 18 20 
Umbrina canosai 63 63 63 
Infralitoral raso 
Um total de 24 espécies pertencentes a 13 famílias foram capturadas no infralitoral 
raso das praias de Matinhos e Brava (Tabela 5.24). Os juvenis foram dominantes, 
representando 81,4% do número total de indivíduos capturados. Stellifer rastrifer, 
Stellifer stellifer e Paralonchurus brasiliensis foram as únicas espécies representadas 
por indivíduos juvenis e adultos com gônadas maturas, sugerindo o uso da área para 
reprodução. As 21 espécies restantes foram representadas exclusivamente por juvenis. 
As famílias Sciaenidae (oito espécies) e Achiridae (três espécies) apresentaram as 
maiores diversidades de espécies. Em relação ao número de indivíduos, dominaram as 
famílias Sciaenidae (73,5%), Achiridae (8,5%), Tetraodontidae (6,4%) e Pristigasteridae 
(3,6%), com as demais famílias tendo menos de 2% do total de indivíduos coletados. 
As espécies mais representativas em número de indivíduos foram S. rastrifer (40%), S. 
stellifer (12,1%), P. brasiliensis (11,8%), Larimus breviceps (7,5%), Lagocephalus 
laevigatus (6,4%) e Achirus lineatus (5%), correspondendo a 82,8% dos indivíduos 
coletados. Em relação ao peso, S. rastrifer (45,1%), P. brasiliensis (22,9%), S. stellifer 
(9,9%), Narcine brasiliensis (3,4%) e L. breviceps (2,8%) dominaram, contribuindo com 
84,1% da biomassa total (Tabela 5.24). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-50
Os peixes zoobentívoros foram os mais representativos em biomassa e número de 
espécies (94,7% da biomassa total e 19 espécies), seguidos pelos zooplanctívoros 
(2,6% e três espécies) e onívoros (2,5% e duas espécies). Em relação ao número de 
indivíduos, o mesmo padrão se manteve, com os zoobentívoros sendo os mais 
abundantes (94,2% do número total de indivíduos), seguidos pelos zooplanctívoros 
(4,6%) e onívoros (1%) (Tabela 5.24). 
Quanto à importância econômica para a pesca, os peixes altamente comerciais tiveram 
a maior contribuição em biomassa e número de espécies (60% da biomassa total e 10 
espécies), seguidos pelos não comerciais (33,4% e nove espécies) e comerciais (6,5% 
e cinco espécies). Em relação ao número de indivíduos, o ranque foi o mesmo, com os 
peixes altamente comerciais sendo os mais abundantes (62,5% do número total de 
indivíduos), seguidos pelos não comerciais (24%) e comerciais (13,5%) (Tabela 5.24). 
Tabela 5.24: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área diretamente afetada. 
Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica
Achiridae 
Achirus lineatus 14 5 2.5 Zoobentívoro Não comercial 
Trinectes microphthalmus 3 1.07 0.52 Zoobentívoro Não comercial 
Trinectes paulistanus 7 2.5 2.11 Zoobentívoro Não comercial 
Ariidae 
Genidens genidens 2 0.71 2.27 Onívoro Comercial 
Clupeidae 
Sardinella brasiliensis 3 1.07 1.51 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Cynoglosidae 
Symphurus plagusia 4 1.43 0.82 Zoobentívoro Não comercial 
Gadidae 
Urophycis brasiliensis 2 0.71 0.77 Zoobentívoro Altamente comercial 
Haemulidae 
Haemulon steindachneri 1 0.36 0.29 Zoobentívoro Não comercial 
Monacantidae 
Monacanthus ciliatus 1 0.36 0.26 Onívoro Não comercial 
Narcinidae 
Narcine brasiliensis 2 0.71 3.45 Zoobentívoro Não comercial 
Pleuronectidae 
Oncopterus darwinii 2 0.71 0.56 Zoobentívoro Não comercial 
Pristigasteridae 
Chirocentrodon bleekerianus 1 0.36 0.14 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Pellona harroweri 9 3.21 1.05 Zooplanctívoro Comercial 
Sciaenidae 
Cynoscion microlepidotus 2 0.71 0.24 Zoobentívoro Altamente comercial 
Isopisthus parvipinnis 2 0.71 0.21 Zoobentívoro Comercial 
Larimus breviceps 21 7.5 2.88 Zoobentívoro Comercial 
Paralonchurus brasiliensis 33 11.79 22.89 Zoobentívoro Não comercial 
Stellifer rastrifer 112 40 45.12 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stellifer stellifer 34 12.14 9.98 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stelllifer sp. 1 0.36 0.04 Zoobentívoro Altamente comercial 
Umbrina canosai 1 0.36 0.02 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stromateidae 
Peprilus paru 4 1.43 0.17 Zoobentívoro Comercial 
Tetraodontidae 
Lagocephalus laevigatus 18 6.43 1.85 Zoobentívoro Altamente comercial 
Triglidae 
Prionotus punctatus 1 0.36 0.32 Zoobentívoro Altamente comercial 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-51
 
O comprimento médio deferiu entre as espécies, com N. brasiliensis apresentando o 
maior comprimento médio (154 mm) e Peprilus paru o menor (39 mm). O comprimento 
total dos indivíduos variou entre 33 e 200 mm. As espécies com maiores amplitudes no 
comprimento foram P. brasiliensis (55-200 mm) e S. rastrifer (41-155 mm) e as com 
menores amplitudes foram Urophycis brasiliensis (116-120 mm) e Symphurus plagusia 
(91-97 mm) (Tabela 5.25). 
Tabela 5.25: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Achirus lineatus 56.71 ± 12.32 43 77 
Chirocentrodon bleekerianus 87 87 87 
Cynoscion microlepidotus 75.5 ± 6.36 71 80 
Genidens genidens 150 ± 0 150 150 
Haemulon steindachneri 92 92 92 
Isopisthus parvipinnis 67.5 ± 9.19 61 74 
Larimus breviceps 66.47 ± 18.28 55 135 
Lagocephalus laevigatus 52.16 ± 9.77 43 76 
Monacanthus ciliatus 75 75 75 
Narcine brasiliensis 154 ± 18.38 141 167 
Oncopterus darwinii 70.5 ± 33.23 47 94 
Pellona harroweri 61 ± 31.66 38 117 
Peprilus paru 39 ± 4.69 33 44 
Prionotus punctatus 95 95 95 
Paralonchurus brasiliensis 116.96 ± 47.36 55 200 
Sardinella brasiliensis 131.33 ± 5.13 127 137 
Symphurus plagusia 95 ± 2.7 91 97 
Stellifer rastrifer 91.89 ± 29.18 41 155 
Stellifer stellifer 89.82 ± 17.02 62 145 
Stelllifer sp. 56 56 56 
Trinectes microphthalmus 60 ± 7.81 51 65 
Trinectes paulistanus 64.14 ± 29.4 38 102 
Urophycis brasiliensis 118 ± 2.82 116 120 
Umbrina canosai 42 42 42 
Plataforma continental 
No total, 14 espécies de oito famílias foram capturadas na área que será utilizada como 
jazida de sedimento, localizada entre 12 e 15 m de profundidade, na plataforma 
continental adjacente a Matinhos (Tabela 5.26). A assembléia foi dominada por 
indivíduos juvenis, que corresponderam a 86,1% da abundância total. Chirocentrodon 
bleekerianus, Ctenosciaena gracilicirrhus, Eucinostomus argenteus e Menticirrhus 
americanus foram representadas por juvenis e adultos. Etropus crossotus, Orthopristis 
ruber e Chilomycterus spinosus spinosus foram representadas exclusivamente por 
adultos e as demais espécies somente por juvenis. 
As famílias com os maiores números de espécies foram Sciaenidae (quatro espécies), 
Gerreidae, Paralichthyidae e Haemulidae (duas espécies). Em relação ao número de 
indivíduos, as famílias mais representativas foram Pristigasteridae (33% da captura 
total), Haemulidae e Sciaenidae (26,6%) e Gerreidae (6,4%). As espécies mais 
abundantes foram C. bleekerianus (33%), Pomadasys corvinaeformis (24,5%),C. 
gracilicirrhus (20,2%), E. argenteus (5,3%) e M. americanus (4,3%), com as demais 
espécies representando individualmente 2,1% ou menos dos exemplares capturados. 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-52
Quanto ao peso, C. spinosus spinosus (27,8%), M. americanus (20,3%), O. ruber 
(15%), P. corvinaeformis (11,3%), E. argenteus (9,5%) e C. gracilicirrhus (5,2%) 
dominaram, somando 89% da biomassa total capturada (Tabela 5.26). 
A guilda trófica dos zoobentívoros foi a mais representativa em número de espécies e 
indivíduos (11 espécies e 64% dos indivíduos capturados), seguida pelos 
zooplanctívoros (duas espécies e 35,1%) e por último a guilda dos onívoros (uma 
espécie e 1%), representada exclusivamente por C. spinosus spinosus. Os 
zoobentívoros também dominaram na biomassa total capturada (69,4%), e foram 
seguidos pela espécie onívora C. spinosus spinosus (28%) e pelos zooplanctívoros 
(3%) (Tabela 5.26). 
A maioria das espécies capturadas foram altamente comerciais (oito espécies) ou 
comerciais (cinco espécies), com somente uma espécie sem importância econômica. 
As espécies altamente comerciais representaram 91,5% dos indivíduos capturados e 
52,8% da biomassa, as comerciais foram responsáveis por 7,4% dos indivíduos 
capturados e 19,9% da biomassa e as não comerciais foram representadas por um 
único indivíduo, de grande porte, da espécie C. spinosus spinosus, que correspondeu a 
1% dos indivíduos capturados e 27,8% da biomassa (Tabela 5.26). 
A ictiofauna demersal foi representada, em geral, por indivíduos de pequeno porte, com 
o comprimento total variando entre 32 e 280 mm. As espécies com as maiores médias 
de comprimento foram O. ruber (254 mm), M. americanus (245 mm) e E. argenteus 
(166 mm). As espécies C. gracilicirrhus (32-171 mm) e P. corvinaeformis (73-160 mm) 
tiveram as maiores amplitudes no comprimento, enquanto Etropus crossotus (138-147 
mm) e Chloroscombrus chrysurus (109-118 mm) tiveram as menores (Tabela 5.27). 
 
Tabela 5.26: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma 
continental na área diretamente afetada. 
Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica
Carangidae 
Chloroscombrus chrysurus 2 2.13 0.79 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Diodontidae 
Chilomycterus spinosus spinosus 1 1.06 27.8 Onívoro Não Comercial 
Gerreidae 
Diapterus rhombeus 1 1.06 1.34 Zoobentívoro Altamente comercial 
Eucinostomus argenteus 5 5.32 9.54 Zoobentívoro Altamente comercial 
Haemulidae 
Orthopristis ruber 2 2.13 14.92 Zoobentívoro Comercial 
Pomadasys corvinaeformis 23 24.47 11.35 Zoobentívoro Altamente comercial 
Paralichthyidae 
Etropus crossotus 2 2.13 2.04 Zoobentívoro Comercial 
Syacium micrurum 1 1.06 1.06 Zoobentívoro Comercial 
Pristigasteridae 
Chirocentrodon bleekerianus 31 32.98 1.96 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Sciaenidae 
Ctenosciaena gracilicirrhus 19 20.21 5.19 Zoobentívoro Altamente comercial 
Cynoscion jamaicensis 1 1.06 1.8 Zoobentívoro Altamente comercial 
Isopisthus parvipinnis 1 1.06 1.89 Zoobentívoro Comercial 
Menticirrhus americanus 4 4.26 20.3 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stromateidae 
Peprilus paru 1 1.06 0.03 Zoobentívoro Comercial 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-53
Tabela 5.27: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Chilomycterus spinosus spinosus 280 280 280 
Chirocentrodon bleekerianus 72 ± 6.76 60 86 
Chloroscombrus chrysurus 113.5 ± 6.36 109 118 
Ctenosciaena gracilicirrhus 76.89 ± 27.74 32 171 
Cynoscion jamaicensis 173 173 173 
Diapterus rhombeus 152 152 152 
Etropus crossotus 142.5 ± 6.36 138 147 
Eucinostomus argenteus 166.8 ± 29.3 142 209 
Isopisthus parvipinnis 177 177 177 
Menticirrhus americanus 245.25 ± 25.19 222 269 
Orthopristis ruber 254 ± 22.62 238 270 
Peprilus paru 35 35 35 
Pomadasys corvinaeformis 101 ± 23.15 73 160 
Syacium micrurum 147 147 147 
5.1.2.2.3.2. Área de influência direta – AID 
Zona de arrebentação 
Um total de 29 taxa de 12 famílias foram capturadas na zona de arrebentação da praia 
de Leste (Tabela 5.28). Cerca de 98% dos exemplares eram juvenis, ocorrendo na área 
nos estágios juvenil e adulto as espécies Mugil gaimardianus, Mugil incilis, Odontesthes 
bonariensis, Menticirrhus americanus e Cynoscion leiarchus, enquanto que Mugil 
curema e Cynoscion leiarchus foram representadas somente por indivíduos adultos. A 
maioria das espécies parecem não usar a zona de arrebentação como área de 
reprodução. 
Um maior número de taxa foi observado nas famílias Carangidae (seis taxa), 
Sciaenidae (seis taxa), Engraulidae (quatro taxa) e Mugilidae (quatro taxa). 
Apresentaram maior número de exemplares as famílias Sciaenidae (16,8%), Mugilidae 
(14,6%), Atherinopsidae (11%), Carangidae (9,5%) e Clupeidae (7,6%), com as demais 
famílias contribuindo com menos de 1% dos indivíduos capturados (Tabela 5.28). 
Foram mais abundantes na zona de arrebentação da área de influência direta os taxa 
Menticirrhus littoralis (23%), Odontesthes bonariensis (8,3%), Mugil sp. (5,3%) e 
Trachinotus carolinus (5,1%). Na área predominaram em peso Menticirrhus littoralis 
(28,1%), Harengula clupeola (17,3%), Odontesthes bonariensis (14,8%), Mugil sp. 
(9,5%) e Trachinotus carolinus (9,1%) (Tabela 5.28). 
A guilda dos zoobentívoros apresentou a maior captura em peso (45,9% da captura 
total) e a guilda dos zooplanctívoros apresentou a maior captura em número de 
indivíduos (46,3%). Uma menor captura em peso foi observada na guilda dos 
piscívoros (3,3%), enquanto que em número foram menores nas guildas dos herbívoros 
(16%) e piscívoros (16,2%). Um maior número de taxa era de zoobentívoro (nove taxa), 
seguido por zooplanctívoros (sete taxa) e piscívoros (sete taxa), com um menor 
número ocorrendo nos herbívoros (quatro taxa) (Tabela 5.28). As espécies Harengula 
clupeola (17,3%), Odontesthes bonariensis (14,8%) e Trachinotus carolinus (9,1%) 
foram as mais abundantes entre os zooplanctívoros, já entre os zoobentívoros dominou 
em número Menticirrhus littoralis (28,1%). A maior contribuição para a captura em 
número nos herbívoros foi de Mugil sp. (9,5%) e nos piscívoros de Oligoplites saurus 
(1,2%) (Tabela 5.28). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-54
Entre as espécies capturadas na zona de arrebentação, 25 são altamente comerciais, 
uma é comercial e duas não tem valor comercial. A maior captura em número e peso 
foi dos taxa altamente comerciais, seguido pelos não comerciais (Tabela 5.28). 
Tabela 5.28: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área de influência direta. 
Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica 
Atherinopsidae 
Odontesthes bonariensis 193 14,83 10,51 Zooplanctívoro Não Comercial 
Belonidae 
Strongylura timucu 3 0,23 1,14 Piscívoro Não Comercial 
Carangidae 
Caranx ruber 44 3,38 0,20 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Oligoplites saurus 15 1,15 0,31 Piscívoro Altamente comercial 
Trachinotus carolinus 119 9,15 6,71 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Trachinotus goodei 32 2,46 7,98 Zoobentívoro Comercial 
Trachinotus marginatus 3 0,23 0,32 Zoobentívoro Altamente comercial 
Trachinotus sp. 69 5,30 0,17 
Clupeidae 
Harengula clupeola 225 17,30 7,92 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Sardinella brasiliensis 6 0,46 0,45 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Engraulidae 
Anchoa parva 2 0,15 0,007 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Anchoa tricolor14 1,07 0,08 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Cetengraulis edentulus 4 0,30 1,27 Piscívoro Altamente comercial 
Lycengraulis grossidens 2 0,15 0,04 Piscívoro Altamente comercial 
Gerreidae 
Diapterus rhombeus 5 0,38 1,41 Zoobentívoro Altamente comercial 
Haemulidae 
Pomadasys corvinaeformis 1 0,07 0,48 Zoobentívoro Altamente comercial 
Mugilidae 
Mugil curema 8 0,61 8,29 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil gaimardianus 10 0,76 3,32 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil incilis 5 0,38 4,29 Herbívoro Altamente comercial 
Mugil sp. 123 9,46 0,14 Herbívoro Altamente comercial 
Paralichthyidae 
Citharichthys arenaceus 2 0,15 0,46 Zoobentívoro Altamente comercial 
Pomatomidae 
Pomatomus saltarix 14 1,07 0,88 Piscívoro Altamente comercial 
Sciaenidae 
Cynoscion leiarchus 2 0,25 9,14 Piscívoro Altamente comercial 
Cynoscion microlepidotus 1 0,07 3,45 Piscívoro Altamente comercial 
Cynoscion virescens 1 0,07 0,004 Piscívoro Altamente comercial 
Menticirrhus americanus 23 1,76 5,93 Zoobentívoro Altamente comercial 
Menticirrhus littoralis 365 28,07 29,19 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stellifer rastrifer 8 0,61 0,008 Zoobentívoro Altamente comercial 
Tetraodontidae 
Lagocephalus laevigatus 1 0,07 0,11 Zoobentívoro Altamente comercial 
A maioria dos exemplares coletados era de pequeno porte, apresentando comprimento 
total variando entre 17 e 368 mm. Mugil sp. apresentou o menor comprimento médio 
(27 mm), com a maior média presente em Strongylura timucu (292 mm). As menores 
amplitudes de variação do comprimento total foram observadas em Mugil sp. (21-33 
mm) e Cynoscion leiarchus (31-45 mm), com as maiores nas espécies Menticirrhus 
littoralis (21-371 mm) e Menticirrhus americanus (24-317 mm) (Tabela 5.29). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-55
Tabela 5.29: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Anchoa parva 42.15±8.23 35 71 
Anchoa tricolor 48.81±11.83 40 87 
Caranx ruber 38.55±3.14 32 52 
Cetengraulis edentulus 177.00±27.64 144 215 
Citharichthys arenaceus 139.75±22.17 119 164 
Cynoscion leiarchus 38.00±9.89 31 45 
Cynoscion microlepidotus 368 368 368 
Cynoscion virescens 40 40 40 
Diapterus rhombeus 140.42±12.10 125 161 
Harengula clupeola 80.05±13.76 40 143 
Lagocephalus laevigatus 92 92 92 
Lycengraulis grossidens 117.00±39.16 78 180 
Menticirrhus americanus 69.32±62.01 24 317 
Menticirrhus littoralis 65.60±42.68 21 371 
Mugil curema 248.42±45.43 119 375 
Mugil gaimardianus 111.52±45.46 25 248 
Mugil incilis 212.60±11.10 200 227 
Mugil sp. 27.24±1.87 21 33 
Odontesthes bonariensis 101.52±29.83 39 218 
Oligoplites saurus 82.15±23.87 52 188 
Pomadasys corvinaeformis 196 196 196 
Pomatomus saltarix 101.75±18.07 59 138 
Sardinella brasiliensis 55.39±32.58 28 170 
Stellifer rastrifer 52.33±7.98 41 68 
Strongylura timucu 292.20±77.47 192 393 
Trachinotus carolinus 77.41±27.03 18 187 
Trachinotus goodei 143.06±23.62 82 178 
Trachinotus marginatus 58.42±21.22 45 148 
Trachinotus sp. 27.90±8.73 17 53 
Infralitoral raso 
No infralitoral da praia de Leste foram coletados exemplares de 34 taxa de peixes 
pertencentes a 16 famílias (Tabela 5.30). Cerca de 75% dos indivíduos eram juvenis, 
com os taxa Trinectes paulistanus, Cetengraulis edentulus, Lycengraulis grossidens, 
Chirocentrodon bleekerianus, Isopisthus parvipinnis, Menticirrhus americanus, 
Paralonchurus brasiliensis, Stellifer brasiliensis, Stellifer rastrifer, Stellifer sp. e 
Sphoeroides testudineus presentes na área nos estádios juvenil e adulto. Todos os 
demais taxa foram representados exclusivamente por juvenis. 
A diversidade de espécies foi maior nas famílias Sciaenidae (oito taxa), Achiiridae (três 
taxa) e Carangidae (três taxa). Em número de indivíduos dominaram as famílias 
Sciaenidae (81,3%), Carangidae (7,2%), Engraulidae (3,7%), Pristigasteridae (2,4%) e 
Tetraodontidae (2,3%), com as demais famílias apresentando cada uma, menos de 2% 
da captura total (Tabela 5.30). No infralitoral predominaram em número as espécies 
Stellifer rastrifer (60,3%), Paralonchurus brasiliensis (11,2%) e Selene setapinnis 
(7,1%), representando 78,7% dos peixes coletados. Contribuíram mais para a captura 
em peso as espécies Stellifer rastrifer (47,7%), Cetengraulis edentulus (8,9%), 
Paralonchurus brasiliensis (8,9%) e Larimus breviceps (4,1%), correspondendo a 
75,2% da biomassa capturada (Tabela 5.30). 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-56
Os peixes zoobentívoros foram os que mais contribuíram em biomassa (79,5%) e 
número de taxa (25). Foram significativamente menores a biomassa e o número de 
peixes nas demais guildas tróficas. Em número de peixes, novamente predominaram 
os zoobentívoros (92,3%), com as demais guildas apresentando cada uma menos de 
3% dos exemplares capturados. As espécies Stelifer rastrifer (60,3%) e Paralonchurus 
brasiliensis (11,2%) foram as mais abundantes entre os zoobentívoros, com uma maior 
contribuição numérica de Pellona harroweri para os zooplanctívoros e de Lycengraulis 
grossidens para os piscívoros. As guildas onívora e herbívora tiveram apenas uma 
espécie cada (Tabela 5.30). 
Maiores capturas em número de indivíduos (79,5%), peso (72,7%) e número de taxa 
(17) foram de peixes com alta importância econômica, sendo Stellifer rastrifer a espécie 
que mais contribuiu para o número e peso dos peixes com este nível de importância 
econômica. Onze espécies de peixes não comerciais contribuíram com 14% dos 
exemplares e 14% da biomassa amostrada na área, com a espécie Paralonchurus 
barsiliensis tendo a maior contribuição para a abundância e a biomassa deste grupo. 
As seis espécies comerciais responderam 6,3% da captura em número e 13% da 
biomassa, sendo maior a contribuição das espécies Genidens genidens e Pellona 
harroweri neste grupo (Tabela 5.30). 
Tabela 5.30: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área de influência direta. 
Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica 
Achiridae 
Achirus lineatus 1 0,05 0,01 Zoobentívoro Não comercial 
Trinectes microphthalmus 2 0,09 0,04 Zoobentívoro Não comercial 
Trinectes paulistanus 3 0,14 0,59 Zoobentívoro Não comercial 
Ariidae 
Genidens genidens 23 1,09 4,06 Onívoro Comercial 
Batrachoididae 
Porichthys porosissimus 4 0,19 0,08 Piscívoro Não comercial 
Carangidae 
Oligoplites saurus 1 0,05 0,01 Piscívoro Altamente comercial 
Selene setapinnis 150 7,11 1,28 Zoobentívoro Altamente comercial 
Selene vomer 2 0,09 0,01 Zoobentívoro Altamente comercial 
Clupeidae 
Harengula clupeola 1 0,05 0,01 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Cynoglosidae 
Symphurus plagusia 2 0,09 0,06 Zoobentívoro Não comercial 
Engraulidae 
Cetengraulis edentulus 49 2,32 8,89 Herbívoro Altamente comercial 
Lycengraulis grossidens 29 1,37 5,6 Piscívoro Altamente comercial 
Haemulidae 
Anisotremus surinamensis 3 0,14 0,31 Zoobentívoro Altamente comercial 
Pomadasys corvinaeformis 2 0,09 0,42 Zoobentívoro Não comercial 
Narcinidae 
Narcine brasiliensis 1 0,05 0,14 Zoobentívoro Não comercial 
Paralichthyidae 
Citharichthys spilopterus 1 0,05 0,1 Zoobentívoro Altamente comercial 
Etropus crossotus 1 0,05 0,1 Zoobentívoro Comercial 
Pristigasteridae 
Chirocentrodon bleekerianus 5 0,24 0,12 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Pellona harroweri 45 2,13 1,5 Zooplanctívoro Comercial 
Sciaenidae 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-57
Isopisthus parvipinnis 30 1,42 2,91 Zoobentívoro Comercial 
Larimus breviceps 20 0,95 4,13 Zoobentívoro ComercialMenticirrhus americanus 8 0,38 2,05 Zoobentívoro Altamente comercial 
Menticirrhus littoralis 5 0,24 0,56 Zoobentívoro Altamente comercial 
Ophioscion punctatissimus 1 0,05 0,24 Zoobentívoro Não comercial 
Paralonchurus brasiliensis 237 11,23 8,86 Zoobentívoro Não comercial 
Stellifer brasiliensis 40 1,9 1,68 Zoobentívoro Não comercial 
Stellifer rastrifer 1273 60,33 47,73 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stellifer stellifer 14 0,66 1,18 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stelllifer sp. 88 4,17 4,1 Zoobentívoro Altamente comercial 
Stromateidae 
Peprilus paru 14 0,66 0,23 Zoobentívoro Comercial 
Tetraodontidae 
Lagocephalus laevigatus 43 2,04 0,8 Zoobentívoro Altamente comercial 
Sphoeroides testudineus 6 0,28 1,96 Zoobentívoro Não comercial 
Trichiuridae 
Trichurus lepturus 5 0,25 0,02 Piscívoro Altamente comercial 
Triglidae 
Prionotus punctatus 1 0,05 0,05 Zoobentívoro Altamente comercial 
Em média, foi maior a espécie Genidens genidens (154 mm) e menor Selene 
setapinnis (39 mm). A ictiofauna apresentou comprimentos variando entre 11 e 980 
mm, com as maiores amplitudes de variação ocorrendo em Paralonchurus brasiliensis 
(47-980 mm), Stellifer rastrifer (11-184 mm) e Menticirrhus americanus (58-228 mm), e 
as menores em Selene vomer (39-40 mm), Pomadasys corvinaeformis (146-148 mm) e 
Symphurus paglusia (97-100 mm) (Tabela 5.31). 
Plataforma continental 
Foram coletadas 22 espécies de peixes de 13 famílias na profundidade de 12 a 15 m 
da plataforma interna adjacente a praia de Leste (Tabela 5.32). Na sua maioria os 
exemplares amostrados nesta área eram juvenis (98%), com a espécie Isopisthus 
parvipinnis presente nos estágios juvenil e adulto. Todas as demais espécies de peixes 
só apresentaram indivíduos no estágio juvenil. 
Uma maior diversidade de espécies ocorreu em Sciaenidae (seis espécies), 
Gerrreidae, Paralichthyidae, Pristigasteridae e Serranidae, cada uma delas com duas 
espécies. Um maior número de exemplares foi observado nas famílias Sciaenidae 
(66,4%), Pristigasteridae (12%), Haemulidae (8,9%), Gerreidae (3,5%), Paralichthyidae 
(3,1%) e Clupeidae (2,3%), com cada uma das demais famílias contribuindo com 
menos de 2% da captura total (Tabela 5.32). As espécies com maior número de 
indivíduos foram: Ctenosciaena gracilicirrhus (54,4%), Cherocentrodon bleekerianus 
(9,7%), Pomadasys corvinaeformis (8,9%) e Paralonchurus brasiliensis (5,4%). Em 
termos de biomassa, as maiores contribuições foram das espécies Ctenosciaena 
gracilicirrhus (20,4%), Pomadasys corvinaeformis (17,3%), Chilomycterus spinosus 
spinosus (7,8%), Zapteryx brevirostris (7,%) e Diplectrum formosum (6,3%) 
(Tabela 5.32). 
Foi mais significativa a contribuição dos zoobentívoros para a captura em número de 
indivíduos (83,4%), biomassa (82,2%) e número de espécies (15). As espécies 
Ctenosciaena gracilicirrhus (54,4%) e Pomadasys corvinaeformis (8,9%) foram as mais 
abundantes entre as zoobentívoras. Cerca de 15,5% do número de indivíduos e 7% da 
biomassa pertencia a quatro espécies da guilda trófica dos zooplanctívoros, 
predominando numericamente nessa guilda Chirocentrodon bleekerianus (9,6%) e 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-58
Sardinella brasiliensis (2,3%). A guilda trófica dos onívoros foi representada pela 
espécie Chilomycterus spinosus spinosus, a qual foi responsável por 0,39% dos 
exemplares e 7,85 da biomassa coletada. Só duas espécies eram piscívoras, cada uma 
presente na área com apenas um exemplar (Tabela 5.32). 
As 14 espécies de peixes com alta importância econômica foram responsáveis por 
89,2% dos peixes e 71,1% da biomassa, com maior abundância de Ctenosciaena 
gracilicirrhus e Pomadasys corvinaeformis. As quatro espécies de peixes com 
importância comercial foram responsáveis por 3,4 % e 7,8% das capturas em número e 
peso, respectivamente, enquanto que as quatro espécies sem importância comercial 
contribuíram com 6,7% dos indivíduos e 21,1% da biomassa. Etropus crossotus foi a 
espécie mais abundante entre as comerciais e Paralonchurus brasiliensis entre as não 
comerciais (Tabela 5.32). 
Tabela 5.31: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Achirus lineatus 55 55 55 
Anisotremus surinamensis 117.00±9.16 109 127 
Cetengraulis edentulus 150.34±8.55 135 171 
Chirocentrodon bleekerianus 96.20±14.61 71 109 
Citharichthys spilopterus 128 128 128 
Etropus crossotus 120 120 120 
Genidens genidens 154.13±24.64 122 228 
Harengula clupeola 73 73 73 
Isopisthus parvipinnis 111.33±41.64 41 191 
Lagocephalus laevigatus 55.27±9.43 42 84 
Larimus breviceps 145.35±19.81 111 194 
Lycengraulis grossidens 152.17±17.49 77 173 
Menticirrhus americanus 159.87±52.73 58 228 
Menticirrhus littoralis 131.20±19.33 102 151 
Narcine brasiliensis 18 128 128 
Oligoplites saurus 85 85 85 
Ophioscion punctatissimus 175 175 175 
Paralonchurus brasiliensis 97.97±65.84 47 980 
Pellona harroweri 88.06±20.36 55 148 
Peprilus paru 53.92±6.23 42 64 
Pomadasys corvinaeformis 147.00±1.41 146 148 
Porichthys porosissimus 77.75±3.59 75 83 
Prionotus punctatus 105 105 105 
Selene setapinnis 53.91±5.94 40 75 
Selene vomer 39.50±0.70 39 40 
Sphoeroides testudineus 148.33±18.57 124 179 
Stellifer brasiliensis 87.05±22.69 12 136 
Stellifer rastrifer 116.22±16.85 11 184 
Stellifer stellifer 111.07±13.37 76 129 
Stelllifer sp. 92.37±17.28 46 132 
Symphurus plagusia 98.50±2.12 97 100 
Trichurus lepturus 124.60±67.51 51 220 
Trinectes microphthalmus 60.00±7.07 55 65 
Trinectes paulistanus 122.66±23.18 96 138 
O comprimento dos peixes coletados entre a profundidade de 10 e 15 m na plataforma 
adjacente a praia de Leste variou de 44 a 362 mm, com Selene setapinnis (49,3 mm) 
tendo o menor comprimento total médio e Eucinostomus argenteus (160,5 mm) o 
maior. As amplitudes de variação do comprimento foram maiores em Pomadasys 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-59
corvinaeformis (98-221 mm) e Paralonchurus brasiliensis (67-164 mm) e menores em 
Larimus breviceps (120-124 mm) e Diapterus rhombeus (141-150 mm) (Tabela 5.33). 
Tabela 5.32: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma 
continental na área de influência direta. 
Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica
Carangidae 
Selene setapinnis 3 1,16 0,13 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Centropomidae 
Centropomus parallelus 1 0,39 5,49 Piscívoro Altamente comercial 
Clupeidae 
Sardinella brasiliensis 6 2,32 3,86 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Diodontidae 
Chilomycterus spinosus spinosus 1 0,39 7,77 Onívoro Não Comercial 
Gerreidae 
Diapterus rhombeus 5 1,93 5,11 Zoobentívoro Altamente comercial 
Eucinostomus argenteus 4 1,54 4,48 Zoobentívoro Altamente comercial 
Haemulidae 
Pomadasys corvinaeformis 23 8,88 17,35 Zoobentívoro Altamente comercial 
Paralichthyidae 
Etropus crossotus 6 2,32 4,15 Zoobentívoro Comercial 
Syacium papillosum 2 0,77 2,04 Zoobentívoro Comercial 
Pristigasteridae 
Chirocentrodon bleekerianus 25 9,65 2,22 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Pellona harroweri 6 2,32 0,73 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Rhinobatidae 
Zapterix brevirostris 1 0,39 7,26 Zoobentívoro Altamente comercial 
Sciaenidae 
Ctenosciaena gracilicirrhus 141 54,44 20,44 Zoobentívoro Altamente comercial 
Cynoscion jamaicensis 10 3,86 0,84 Zoobentívoro Altamente comercial 
Isopisthus parvipinnis 1 0,39 0,62 Zoobentívoro Comercial 
Larimus breviceps 2 0,77 0,95 Zoobentívoro Comercial 
Menticirrhus americanus 4 1,54 2,51 Zoobentívoro Altamente comercial 
Paralonchurus brasiliensis 14 5,41 4,48 ZoobentívoroNão Comercial 
Serranidae 
Diplectrum radiale 1 0,39 2,54 Zoobentívoro- Não Comercial 
Diplectrum formosum 1 0,39 6,29 Zoobentívoro- Não Comercial 
Trichiuridae 
Trichurus lepturus 1 0,39 0,47 Piscívoro Altamente comercial 
Triglidae 
Prionotus punctatus 1 0,39 0,18 Zoobentívoro Altamente comercial 
 
Tabela 5.33: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Centropomus parallelus 302 302 302 
Chilomycterus spinosus spinosus 212 212 212 
Chirocentrodon bleekerianus 87.04±7.43 75 101 
Ctenosciaena gracilicirrhus 80.54±9.49 58 95 
Cynoscion jamaicensis 67.40±19.46 50 119 
Diapterus rhombeus 147,00±3.53 141 150 
Diplectrum formosum 283 283 283 
Diplectrum radiale 212 212 212 
Etropus crossotus 144.00±8.64 131 156 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-60
Eucinostomus argenteus 160.50±27.25 134 185 
Isopisthus parvipinnis 139 139 139 
Larimus breviceps 122.00±2.82 120 124 
Menticirrhus americanus 140.25±23.55 120 169 
Paralonchurus brasiliensis 115.64±34.67 67 164 
Pellona harroweri 85.33±14.09 75 113 
Pomadasys corvinaeformis 126.34±28.10 98 221 
Prionotus punctatus 96 96 96 
Sardinella brasiliensis 132.50±18.79 97 148 
Selene setapinnis 49.33±7.57 44 58 
Syacium papillosum 164.50±7.77 159 170 
Trichurus lepturus 357 357 357 
Zapterix brevirostris 362 362 362 
 
5.1.2.2.3.3. Área de influência indireta – AII 
Zona de arrebentação 
Na praia de Barrancos foram capturados sete taxa de cinco famílias de peixes 
(Tabela 5.34). Todos os indivíduos coletados eram juvenis. 
Um maior número de taxa foi da família Carangidae (três taxa), com cada uma das 
demais famílias representadas na praia por apenas um táxon. Foi maior o número de 
exemplares nas famílias Carangidae (56,9%) e Sciaenidae (32,6%), seguidas pelas 
famílias Clupeidae (5,5%) e Mugilidae (4,4%), com apenas um exemplar na família 
Pomatomidae. Foram mais abundantes nessa praia as espécies Trachinotus carolinus 
(39,8%), Menticirrhus littoralis (32,6%) e Trachinotus goodei (16,6%), que juntas 
responderam por 88,9% do total de peixes amostrados. Em termos de peso, a 
ictiofauna foi dominada por Menticirrhus littoralis (37,5%), Trachinotus carolinus (28%), 
Trachinotus goodei (16,7%) e Harengula clupeola (14,8%), que contribuíram com 
97,1% da biomassa total (Tabela 5.34). 
Os zoobentívoros dominaram em número (49,7%) e peso (51,7%), seguidos pelos 
zooplanctívoros que responderam por 45,3% do número de peixes e 42,8% da 
biomassa. Entre os zooplanctívoros foram mais abundantes Trachinotus carolinus 
(39,8%) e Harengula clupeola (5,5%). Também foi considerável a abundância dos 
zoobentívoros Menticirrhus littoralis (32,6%) e Trachinotus goodei (16,6%). Os 
herbívoros e piscívoros estiveram representados nas amostras por apenas um táxon 
cada (Tabela 5.34). 
As seis espécies de peixes com alta importância econômica contribuíram com 83,4% 
do número de exemplares e 83,2% da biomassa coletada, sendo Trachinotus carolinus 
a mais abundante entre elas. O carangideo Trachinotus goodei, foi a única espécie 
comercial, sendo responsável por 16,6% dos indivíduos capturados e 16,7% da 
biomassa amostrada. Não foi coletado nenhum peixe sem importância comercial 
(Tabela 5.34). 
Os peixes coletados na área tinham comprimentos totais entre 32 e 130 mm. A espécie 
Harengula clupeola apresentou o maior comprimento total médio (75 mm), enquanto 
que o menor foi de Mugil sp. (27 mm). A menor amplitude de tamanho foi de Mugil sp. 
(26-28 mm), com as maiores amplitudes tendo sido observadas em Menticirrhus 
littoralis (52-130 mm) e Trachinotus goodei (38-82 mm) (Tabela 5.35). 
Tabela 5.34: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-61
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de 
arrebentação da área de influência indireta. 
Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica 
Carangidae 
Trachinotus carolinus 72 39,78 27,97 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Trachinotus goodei 30 16,57 16,75 Zoobentívoro Comercial 
Trachinotus marginatus 1 0,55 0,44 Zoobentívoro Altamente comercial 
Clupeidae 
Harengula clupeola 10 5,52 14,84 Zooplanctívoro Altamente comercial 
Mugilidae 
Mugil sp. 8 4,42 0,47 Herbívoro Altamente comercial 
Pomatomidae 
Pomatomus saltarix 1 0,55 1,96 Piscívoro Altamente comercial 
Sciaenidae 
Menticirrhus littoralis 59 32,6 37,53 Zoobentívoro Altamente comercial 
 
Tabela 5.35: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das 
espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. 
Espécie Média ± DP Mínimo Máximo 
Harengula clupeola 75.50±5.24 68 83 
Menticirrhus littoralis 58.55±16.21 32 130 
Mugil sp. 27.00±0.75 26 28 
Pomatomus saltarix 94,0 94 94 
Trachinotus carolinus 44.11±3.86 38 58 
Trachinotus goodei 49.63±8.82 38 82 
Trachinotus marginatus 45 45 45 
Infralitoral raso 
A ictiofauna amostrada no infralitoral da praia de Barrancos foi constituída por 17 
espécies de 10 famílias de peixes. A família Sciaenidae foi representada na área por 
sete espécies e contribuiu com 68,5% do total de peixes coletados. As espécies 
Chloroscombrus chrysurus e Selene setapinnis foram as duas representantes da 
família Carangidae e responderam por 11% dos indivíduos presentes nas amostras. As 
oito famílias restantes foram representadas por apenas uma espécie cada 
(Tabela 5.36). 
Foram mais abundantes na área Isopisthus parvipinnis (20,5%), Paralonchurus 
brasiliensis (19,2%), Stellifer rastrifer (11%) e Stellifer stellifer (8,2%), as quais 
contribuíram com 58,9% dos exemplares coletados. Em termos de biomassa, a 
ictiofauna foi dominada por Isopisthus parvipinnis (27,7%), Stellifer rastrifer (18,5%), 
Stellifer brasiliensis (11,2%) e Paralonchurus brasiliensis (10,8%), responsáveis por 
67,7% da biomassa total (Tabela 5.36). 
A guilda dos zoobentívoros apresentou as maiores capturas em número de peixes 
(76,7%) e peso (91,6%), e foi representada na área por 13 espécies. As espécies 
Isopisthus parvipinnis (20,5%), Paralonchurus brasiliensis (19,2%) e Stellifer rastrifer 
(11%) foram as mais abundantes dentro dessa guilda trófica. Todas as demais guildas 
tróficas só tiveram uma espécie cada e responderam por 23,3% do número de peixes e 
8,4% da biomassa total (Tabela 5.36). 
Entre as espécies coletadas no infralitoral da praia de Barrancos, seis são altamente 
7comerciais, cinco são comerciais e seis não em valor comercial. Os taxa altamente 
 
 
RIMA – Recuperação da Orla Marítima 
de Matinhos 
 
 5-62
comerciais contribuíram com 34,2% e 33,3% das capturas em número e peso, 
respectivamente, com uma maior contribuição para estas capturas por parte das 
espécies Stellifer rastrifer e Stellifer stellifer. Por parte das espécies comerciais, a 
contribuição para o número e peso da captura foi de 33,6% e 37,6%, respectivamente, 
com Isopisthus parvipinnis sendo responsável por maior parte destas capturas. Os 
peixes sem importância comercial foram responsáveis por 31,5% da captura em 
número e 29% da biomassa, com uma maior contribuição para estes valores por parte 
de Paralonchurus brasiliensis e Stellifer brasiliensis (Tabela 5.36). 
Tabela 5.36: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa 
total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da 
área de influência indireta. 
Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica 
Achiridae 
Trinectes paulistanus 1 1,37 1,41 Zoobentívoro Não comercial 
Ariidae 
Aspistor luniscutis 1 1,37 0,59 Onívoro Comercial