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RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos Relatório de Impacto Ambiental – RIMA das Obras de recuperação da Orla Marítima de Matinhos, Paraná Curitiba 2010 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos I SUMÁRIO Lista de Figuras................................................................................................................ IX Lista de Tabelas................................................................................................................. XV Lista de Quadros................................................................................................................ XVIII INDICE 1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR E EMPRESA CONSULTORA ............................ 1-1 1.1. Identificação do empreendedor...................................................................................... 1-1 1.2. Identificação da empresa consultora.............................................................................. 1-1 1.3. Dados da equipe técnica multidisciplinar ....................................................................... 1-2 1.4. Edição, revisão e geoprocessamento ............................................................................ 1-4 1.5. Equipe de apoio do EIA/RIMA........................................................................................ 1-5 2. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ................................................................... 2-6 2.1. Histórico da ocupação costeira e das obras de contenção............................................ 2-6 2.2. O histórico do empreendimento ................................................................................... 2-15 2.3. Objetivos e justificativas do empreendimento .............................................................. 2-16 2.3.1. Objetivos................................................................................................................ 2-16 2.3.2. Justificativa ............................................................................................................ 2-17 2.4. Localização geográfica................................................................................................. 2-17 2.5. Caracterização do empreendimento ............................................................................ 2-23 2.5.1. Guias-correntes e headlands ................................................................................ 2-23 2.5.2. Alimentação artificial da praia................................................................................ 2-23 2.5.3. Obras de urbanização e requalificação da paisagem ........................................... 2-25 2.6. Inserção regional.......................................................................................................... 2-28 2.7. Órgão financiador e valor da atividade......................................................................... 2-28 3. ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS....................................................... 3-30 3.1. Alternativas tecnológicas.............................................................................................. 3-30 3.1.1. Alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla .................................. 3-30 3.1.1.1. Recuo da urbanização.................................................................................... 3-30 3.1.1.2. Quebra-mar submerso ................................................................................... 3-31 3.1.2. Alternativas aos guias-corrente do canal de drenagem da Avenida Paraná em Caiobá ............................................................................................................................. 3-31 3.1.2.1. Alternativa para a diminuição da poluição da praia........................................ 3-31 3.1.2.2. Alternativa de diminuição do tamanho ........................................................... 3-32 3.1.2.3. Alternativa de não construção ........................................................................ 3-32 3.1.3. Alternativas aos guias-corrente do Rio Marinhos.................................................. 3-32 3.1.3.1. Alternativa de diminuição do tamanho e mudança de orientação.................. 3-32 3.1.4. Alternativas tecnológicas aos headlands .............................................................. 3-33 3.1.4.1. Alternativa de diminuição do tamanho ........................................................... 3-33 3.1.4.2. Alternativa de píer vazado.............................................................................. 3-33 3.1.4.3. Alternativa de não construção ........................................................................ 3-33 3.1.5. Alternativas à alimentação artificial da praia ......................................................... 3-33 3.1.5.1. Fonte de areia ................................................................................................ 3-34 3.1.5.1.1. Areia do setor externo do canal da Galheta ............................................ 3-34 3.1.5.1.2. Areia da barra de Guaratuba................................................................... 3-34 3.1.5.1.3. Areia da plataforma interna ..................................................................... 3-35 3.1.5.2. Volume de areia ............................................................................................. 3-35 3.1.5.3. Disposição de areia na praia .......................................................................... 3-35 3.2. Alternativas locacionais................................................................................................ 3-35 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos II 3.3. Alternativa de não realização do empreendimento ...................................................... 3-36 4. ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO ............................................................ 4-37 4.1. Área diretamente afetada – ADA ................................................................................. 4-37 4.1.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-37 4.1.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-37 4.1.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-37 4.2. Área de Influência Direta – AID.................................................................................... 4-37 4.2.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-37 4.2.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-37 4.2.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-37 4.3. Área de Influência Indireta – AII ................................................................................... 4-38 4.3.1. Meio Físico ............................................................................................................ 4-38 4.3.2. Meio Biótico........................................................................................................... 4-38 4.3.3. Meio Socioeconômico ........................................................................................... 4-38 5. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL................................................................................................ 5-2 5.1. Diagnóstico.....................................................................................................................5-2 5.1.1. Meio Físico .............................................................................................................. 5-2 5.1.1.1. Oceanografia física e meteorologia.................................................................. 5-2 5.1.1.1.1. Clima e condições meteorológicas............................................................ 5-2 5.1.1.1.2. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ..................................................... 5-3 5.1.1.1.2.1. Clima de ondas ou agitação marítima ................................................ 5-3 5.1.1.1.3. Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) ............. 5-5 5.1.1.1.4. Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas)......... 5-7 5.1.1.1.5. Ocorrência de eventos extremos (ressacas) ............................................. 5-8 5.1.1.2. Geologia e geomorfologia ................................................................................ 5-8 5.1.1.2.1. A Baía de Guaratuba............................................................................... 5-10 5.1.1.2.2. A Barra de Guaratuba ............................................................................. 5-10 5.1.1.2.2.1. Dinâmica da barra ............................................................................ 5-14 5.1.1.2.3. As praias paranaenses............................................................................ 5-15 5.1.1.2.3.1. O arco praial de Caiobá – Ponta de Matinhos.................................. 5-16 5.1.1.2.3.2. O arco praial Ponta de Matinhos - Pontal do Sul.............................. 5-19 5.1.1.2.4. Dunas frontais ......................................................................................... 5-24 5.1.1.2.4.1. Características.................................................................................. 5-24 5.1.1.2.4.2. Relação entre as dunas a dinâmica da praia e a ocupação............. 5-25 5.1.1.2.5. Plataforma interna ................................................................................... 5-27 5.1.1.2.5.1. Características.................................................................................. 5-27 5.1.1.2.5.2. Relação entre a plataforma a dinâmica da praia e a ocupação ....... 5-32 5.1.1.3. Caracterização da qualidade dos sedimentos superficiais na área de captação de sedimentos ............................................................................................................. 5-32 5.1.1.3.1. Distribuição dos contaminantes Orgânicos nos sedimentos superficiais 5-33 5.1.1.3.1.1. Hidrocarbonetos policiclicos aromáticos (HPAs) .............................. 5-33 5.1.1.3.1.2. Pesticidas organoclorados e PCBs .................................................. 5-33 5.1.1.3.2. Elementos Traço nos Sedimentos Superficiais ......................................... 5-1 5.1.1.3.3. Carbono orgânico, Nitrogênio e Fósforo Totais nos sedimentos superficiais ................................................................................................................................... 5-6 5.1.1.3.4. Considerações Finais ................................................................................ 5-7 5.1.1.4. Modelagem da Dispersão da Pluma de Sedimento ......................................... 5-9 5.1.1.4.1. Caracterização Hidrodinâmica .................................................................. 5-9 5.1.1.4.2. Hidrodinâmica de Larga Escala............................................................... 5-10 5.1.1.4.3. Hidrodinâmica Próxima da Área da Jazida.............................................. 5-11 5.1.1.4.4. Características dos sedimentos da jazida utilizada para engordamento da faixa de areia em Matinhos ..................................................................................... 5-14 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos III 5.1.1.4.5. Modelagem numérica do transporte de sedimento para região com semelhantes características hidrodinâmicas........................................................... 5-17 5.1.1.4.6. Modelagem numérica do transporte de sedimento ................................. 5-18 5.1.1.4.7. Discussão de resultados ......................................................................... 5-18 5.1.2. Meio Biótico........................................................................................................... 5-23 5.1.2.1. Biota terrestre ................................................................................................. 5-23 5.1.2.1.1. Flora ........................................................................................................ 5-23 5.1.2.1.1.1. Enquadramento fitogeográfico.......................................................... 5-23 5.1.2.1.1.2. Caracterização Florística das Áreas Influenciadas pelo Empreendimento ................................................................................................. 5-24 5.1.2.1.1.3. Espécies Endêmicas ........................................................................ 5-25 5.1.2.1.1.4. Espécies Raras ou Ameaçadas de Extinção.................................... 5-26 5.1.2.1.1.5. Espécies Medicinais, de Interesse Econômico ou Científico............ 5-26 5.1.2.1.1.6. Espécies Exóticas Invasoras ............................................................ 5-27 5.1.2.1.1.7. Caracterização fitofisionômica.......................................................... 5-27 5.1.2.1.1.8. Áreas de Preservação Permanente – APP ...................................... 5-29 5.1.2.1.1.9. Análise da paisagem ........................................................................ 5-29 5.1.2.1.2. Fauna de vertebrados terrestres: Herpetofauna, Avifauna e Mastofauna5-30 5.1.2.1.2.1. Comunidades da Plataforma Continental Interna............................. 5-30 5.1.2.1.2.2. Comunidades do Entremarés ........................................................... 5-33 5.1.2.1.2.3. Comunidades das Formações Pioneiras.......................................... 5-37 5.1.2.2. Biota Aquática ................................................................................................ 5-42 5.1.2.2.1. Plâncton................................................................................................... 5-42 5.1.2.2.2. Fitoplâncton da Zona de Arrebentação ................................................... 5-42 5.1.2.2.2.1. Zooplâncton da Zona de Arrebentação ............................................ 5-44 5.1.2.2.3. Ictiofauna ................................................................................................. 5-47 5.1.2.2.3.1. Área diretamente afetada – ADA...................................................... 5-47 5.1.2.2.3.2. Área de influência direta – AID ......................................................... 5-53 5.1.2.2.3.3. Área de influência indireta – AII........................................................ 5-60 5.1.2.2.4. Bentos ..................................................................................................... 5-65 5.1.2.2.4.1. Comunidades bentônicas das praias arenosas................................ 5-65 5.1.2.2.4.2. Comunidades bentônicas da plataforma .......................................... 5-72 5.1.2.3. Unidades de conservação .............................................................................. 5-81 5.1.2.3.1. Unidades de Conservação ...................................................................... 5-81 5.1.2.3.2. Áreas legalmente protegidas................................................................... 5-82 5.1.3. Meio Sócio-Econômico.......................................................................................... 5-83 5.1.3.1. Demografia, domicílios, atividade e renda ..................................................... 5-85 5.1.3.1.1.População................................................................................................ 5-85 5.1.3.1.2. Domicílios ................................................................................................ 5-91 5.1.3.1.3. Atividade e renda..................................................................................... 5-94 5.1.3.2. Condições gerais de habitação e infra-estrutura............................................ 5-97 5.1.3.2.1. Abastecimento de água........................................................................... 5-98 5.1.3.2.2. Disposição de banheiro e esgotamento sanitário.................................... 5-99 5.1.3.2.3. Coleta e destino dos resíduos sólidos................................................... 5-100 5.1.3.2.4. Abastecimento de energia elétrica ........................................................ 5-100 5.1.3.2.5. Transporte ............................................................................................. 5-101 5.1.3.2.6. Comunicações....................................................................................... 5-101 5.1.3.3. Expectativas da população em relação ao empreendimento....................... 5-102 5.1.3.3.1. Tomadores de decisão .......................................................................... 5-102 5.1.3.3.2. Setores econômicos .............................................................................. 5-104 5.1.3.3.3. Vizinhos ................................................................................................. 5-106 5.1.3.3.4. Formadores de opinião.......................................................................... 5-107 5.1.3.3.5. Conclusões sobre as expectativas da população.................................. 5-109 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos IV 5.1.3.4. Atividades Produtivas ................................................................................... 5-110 5.1.3.4.1. Estrutura produtiva e serviços exercidos na AID................................... 5-110 5.1.3.5. Lazer e Turismo............................................................................................ 5-112 5.1.3.5.1. O turismo no Litoral do Paraná.............................................................. 5-112 5.1.3.5.2. Lazer e turismo no município de Matinhos............................................ 5-115 5.1.3.6. Considerações finais .................................................................................... 5-118 5.1.3.7. Identificação e caracterização da atividade pesqueira................................. 5-119 5.1.3.8. Uso e ocupação do solo e entorno............................................................... 5-126 5.1.3.8.1. Caracterização da paisagem através de análise descritiva e histórica da ocupação humana na área de influência............................................................... 5-126 5.1.3.9. Patrimônio histórico, cultural e arqueológico................................................ 5-133 5.1.3.9.1. Contexto histórico - arqueológico regional ............................................ 5-135 5.1.3.9.1.1. Tradição Umbu ............................................................................... 5-135 5.1.3.9.1.2. Sambaqui: caçadores-coletores e pescadores da faixa costeira ... 5-136 5.1.3.9.1.3. Populações ceramistas................................................................... 5-138 5.1.3.9.1.4. A tradição Itararé-Taquara.............................................................. 5-139 5.1.3.9.1.5. A Tradição Tupiguarani .................................................................. 5-140 5.1.3.9.2. As ocupações coloniais de período histórico......................................... 5-142 5.1.3.9.3. Tradição Neobrasileira – do mestiço ao caiçara.................................... 5-143 5.1.3.9.4. Historia de matinhos e bens patrimoniais.............................................. 5-144 5.1.3.9.5. Sobre o Tombamento, o Patrimônio Natural Tombado e alterações na Orla de Matinhos ........................................................................................................... 5-149 6. ANÁLISE INTEGRADA ..................................................................................................... 6-154 6.1. Sobre as anuências.................................................................................................... 6-156 7. IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS ÀS OBRAS7- 157 7.1. Impactos anteriores à implantação das obras............................................................ 7-160 7.1.1. Meios físico e biótico ........................................................................................... 7-160 7.1.2. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-160 7.1.2.1. Impactos negativos....................................................................................... 7-161 7.1.2.2. Impactos positivos ........................................................................................ 7-162 7.2. Impactos durante a implantação das obras ............................................................... 7-163 7.2.1. Meio físico ........................................................................................................... 7-163 7.2.1.1. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ........................................................ 7-163 7.2.1.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-163 7.2.1.2. Geologia e geomorfologia ............................................................................ 7-164 7.2.1.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-164 7.2.2. Meio biótico ......................................................................................................... 7-165 7.2.2.1. Na flora ......................................................................................................... 7-165 7.2.2.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-165 7.2.2.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-166 7.2.2.2. Na fauna de répteis, aves e mamíferos marinhos........................................ 7-166 7.2.2.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-166 7.2.2.3. No plâncton .................................................................................................. 7-167 7.2.2.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-167 7.2.2.4. Na ictiofauna................................................................................................. 7-168 7.2.2.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-168 7.2.2.5. Nas comunidades bentônicas das praias..................................................... 7-169 7.2.2.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-170 7.2.2.6. Nas comunidades bentônicas da plataforma ............................................... 7-171 7.2.2.6.1. Impactos negativos................................................................................ 7-171 7.2.2.7. Nas Unidades de Conservação.................................................................... 7-172 7.2.2.7.1. Impactos negativos................................................................................ 7-172 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos V 7.2.2.8. Nas áreas legalmente protegidas.................................................................7-172 7.2.3. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-173 7.2.3.1. População..................................................................................................... 7-175 7.2.3.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-175 7.2.3.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-178 7.2.3.2. Atividades produtivas ................................................................................... 7-179 7.2.3.3. Uso e ocupação do solo do entorno............................................................. 7-179 7.2.3.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-179 7.2.3.4. Lazer e turismo............................................................................................. 7-182 7.2.3.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-182 7.2.3.5. Pesca............................................................................................................ 7-183 7.2.3.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-183 7.2.3.6. Patrimônio histórico, cultural e arqueológico................................................ 7-184 7.2.3.6.1. Impactos negativos................................................................................ 7-185 7.3. Impactos após a implantação das obras.................................................................... 7-185 7.3.1. Meio físico ........................................................................................................... 7-185 7.3.1.1. Oceanografia e hidrodinâmica costeira ........................................................ 7-185 7.3.1.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-185 7.3.1.2. Geologia e geomorfologia ............................................................................ 7-186 7.3.1.2.1. Impactos negativos................................................................................ 7-186 7.3.1.2.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-190 7.3.1.3. Hidrologia ..................................................................................................... 7-195 7.3.1.3.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-195 7.3.2. Meio biótico ......................................................................................................... 7-197 7.3.2.1. Na flora ......................................................................................................... 7-197 7.3.2.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-197 7.3.2.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-197 7.3.2.2. Na fauna ....................................................................................................... 7-197 7.3.2.2.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-197 7.3.2.3. No plâncton .................................................................................................. 7-198 7.3.2.4. Na ictiofauna................................................................................................. 7-198 7.3.2.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-198 7.3.2.4.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-199 7.3.2.5. Nas comunidades bentônicas das praias..................................................... 7-199 7.3.2.5.1. Impactos negativos................................................................................ 7-199 7.3.2.5.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-200 7.3.2.6. Nas Unidades de Conservação.................................................................... 7-201 7.3.2.7. Nas áreas legalmente protegidas................................................................. 7-201 7.3.3. Meio socioeconômico .......................................................................................... 7-202 7.3.3.1. População..................................................................................................... 7-202 7.3.3.1.1. Impactos negativos................................................................................ 7-202 7.3.3.1.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-204 7.3.3.2. Atividades produtivas ................................................................................... 7-206 7.3.3.2.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-206 7.3.3.3. Uso e ocupação do solo do entorno............................................................. 7-207 7.3.3.3.1. Impactos negativos................................................................................ 7-207 7.3.3.3.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-207 7.3.3.4. Lazer e turismo............................................................................................. 7-208 7.3.3.4.1. Impactos negativos................................................................................ 7-208 7.3.3.4.2. Impactos positivos ................................................................................. 7-209 7.3.3.5. Pesca............................................................................................................ 7-210 7.3.3.5.1. Impactos positivos ................................................................................. 7-210 7.4. Matriz de Impactos Ambientais Anteriores a Implantação das Obras........................ 7-213 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos VI 7.4.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-213 7.4.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-213 7.4.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-213 7.5. Matriz de Impactos Ambientais Durante a Implantação das Obras ........................... 7-213 7.5.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-213 7.5.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-214 7.5.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-215 7.6. Matriz de Impactos Ambientais Após a Implantação das Obras................................ 7-216 7.6.1. Meio Físico .......................................................................................................... 7-216 7.6.2. Meio Biótico......................................................................................................... 7-217 7.6.3. Meio Socioeconômico ......................................................................................... 7-218 8. MEDIDAS PREVENTIVAS, MITIGADORAS, REPARADORAS, COMPENSATÓRIAS E POTENCIALIZADORAS, E PROGRAMAS DE CONTROLE E DE MONITORAMENTO ......... 8-1 8.1. Medidas Preventivas, Mitigadoras, Reparadoras, Compensatórias e Potencializadoras.8- 48.1.1. Durante a implantação das obras............................................................................ 8-4 8.1.1.1. Medidas para os meios físico e biológico......................................................... 8-4 8.1.1.1.1. Medida mitigadora de diminuição das áreas circulação das máquinas (I- FB1-M)....................................................................................................................... 8-4 8.1.1.1.2. Medida preventiva, mitigadora e reparadora de manutenção e recuperação das dunas frontais (I-FB2-PMR) ................................................................................ 8-4 8.1.1.1.3. Medida preventiva e reparadora de manutenção e recuperação das formações pioneiras nativas (I-FB3-PR) ................................................................... 8-5 8.1.1.1.4. Medida preventiva e mitigadora de contenção e tratamento de efluentes líquidos e resíduos sólidos (I-FB4-PM)...................................................................... 8-5 8.1.1.1.5. Medida mitigadora de orientação e gerenciamento da deposição do material dragado (I-FB5-M) ....................................................................................... 8-6 8.1.1.1.6. Medida mitigadora de redução da pluma de sedimentos durante as dragagens (I-FB6-M) ................................................................................................. 8-6 8.1.1.1.7. Medida compensatória de monitoramento da ictiofauna (I-FB7-C) ........... 8-6 8.1.1.1.8. Medida preventiva de não implantação das obras de urbanização/requalificação da paisagem na praia central de Matinhos até a confirmação da recuperação da praia (I-FB8-P) ....................................................... 8-6 8.1.1.2. Medidas para o meio socioeconômico ............................................................. 8-7 8.1.1.2.1. Medidas mitigadoras e compensatórias do prejuízo a demandantes, locatários e proprietários frágeis, pelo encarecimento de imóveis, e mitigação do aumento das ocupações irregulares (I-S01-MC)....................................................... 8-8 8.1.1.2.2. Medidas de potencialização dos benefícios aos proprietários, imobiliárias, construtoras e à Prefeitura Municipal devido ao aumento de preços dos imóveis (I- S02-T)........................................................................................................................ 8-8 8.1.1.2.3. Medidas mitigadoras do impacto de danos à saúde pela contaminação atmosférica causada pelo trânsito de caminhões e operação da maquinaria (I-S03-M) ................................................................................................................................... 8-9 8.1.1.2.4. Medidas para mitigação dos prejuízos ao comércio e aos serviços pelo tráfego de caminhões e operação da maquinaria (I-S04-M) ..................................... 8-9 8.1.1.2.5. Medidas de prevenção e mitigação do risco de acidentes na área das obras por movimentação de caminhões, maquinaria e materiais (I-S05-PM)................... 8-10 8.1.1.2.6. Medidas de prevenção e mitigação dos impactos de piora das condições de circulação, danos às vias, e aumento do risco de acidentes na PR-508 e na área urbana (I-S06-PM)................................................................................................... 8-10 8.1.1.2.7. Medidas preventivas, de mitigação, reparação e compensação para danos a imóveis próximos ao trajeto dos caminhões e maquinaria devido a seu peso e vibrações produzidas (I-S07-PMRC)....................................................................... 8-11 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos VII 8.1.1.2.8. Medidas de prevenção e mitigação ao incremento de ocupações irregulares de terrenos e áreas ambientalmente impróprias (I-S08-PM)................................... 8-12 8.1.1.2.9. Medidas de mitigação da perda de atratividade turística e limitações de uso da orla devido à realização das obras (I-S09-M)..................................................... 8-12 8.1.1.2.10. Medidas de mitigação do aumento do desemprego e da pobreza devido á imigração superior à oferta de emprego (I-S10-M).................................................. 8-12 8.1.1.2.11. Medidas para mitigação da carência de infra-estrutura e piora de serviços por aumento de demanda (I-S11-M) ....................................................................... 8-13 8.1.1.2.12. Medidas de potencialização do impulso a novos investimentos e fortalecimento das atividades devido à maior atratividade turística (I-S12-T) ......... 8-13 8.1.1.2.13. Medidas para potencialização da melhora da qualidade urbana e paisagística na área agenciada (I-S13-T)................................................................ 8-13 8.1.1.2.14. Medida de mitigação da perda parcial de atratividade turística por perda de visão contínua da paisagem da praia (I-S14-M)................................................. 8-14 8.1.1.2.15. Medida de mitigação da perda parcial de atratividade turística por empecilhos à circulação de pedestres (I-S15-M) .................................................... 8-14 8.1.1.2.16. Medidas de mitigação da perda parcial de atratividade turística devido à mudança na textura e cor da areia da praia (I-S16-M)............................................ 8-14 8.1.1.2.17. Medidas para potencializar o aumento de atratividade turística por engorda das praias e paisagismo a beira-mar (I-S17-T) ......................................... 8-15 8.1.2. Após a implantação da obras ................................................................................ 8-16 8.1.2.1. Medidas para os meios físico e biológico....................................................... 8-16 8.1.2.1.1. Medida preventiva de estudo de viabilidade de implantação de recifes submersos no setor norte do arco praial de Caiobá (PI-FB01-P)............................ 8-16 8.1.2.1.2. Medida mitigadora de transposição de areia no Rio Matinhos (PI-FB02-M)8- 16 8.1.2.1.3. Medida compensatória de criação de áreas marinhas protegidas (PI-FB03- C)............................................................................................................................. 8-16 8.1.2.2. Medidas para o meio socioeconômico ........................................................... 8-17 8.1.2.2.1. Medida compensatória de retirada de duas poitas (PI-S01-C)................ 8-17 8.1.2.2.2. Medida compensatória de aumento da altura da ponte do rio Matinhos (PI- S02-C) ..................................................................................................................... 8-17 8.1.2.2.3. Medida compensatória de construção de trapiches dentro do rio Matinhos (PI-S03-C) ............................................................................................................... 8-17 8.2. Programas de Controle e Monitoramento .................................................................... 8-17 8.2.1. Meios físico e biótico ............................................................................................. 8-17 8.2.1.1. Programa de gestão de resíduos da Construção Civil (PGRCC)................... 8-17 8.2.1.2. Programa de Gerenciamento de Efluentes (PGE) ......................................... 8-18 8.2.1.3. Programa de Monitoramento do Volume Praial (PMVP)................................ 8-18 8.2.1.4. Programa de Monitoramento da Turbidez da Pluma de Sedimentos da Dragagem (PMP)......................................................................................................... 8-19 8.2.1.5. Programa de monitoramento dos impactos da dragagem na ictiofauna, plâncton e bentos (PMFA) ......................................................................................................... 8-19 8.2.1.5.1. Monitoramento da Ictiofauna ...................................................................8-19 8.2.1.5.2. Monitoramento do Zooplâncton............................................................... 8-20 8.2.1.6. Programa de Gerenciamento de Riscos e Acidentes na Construção (PGRAC) 8- 21 8.2.1.7. Programa de Reposição das Perdas de Areia (PRPA) .................................. 8-21 8.2.1.8. Programa de Monitoramento dos Impactos da Engorda na Fauna de Praias (PMP) .......................................................................................................................... 8-21 8.2.1.9. Programa de Gestão das Dunas Frontais (PGDF)......................................... 8-22 8.2.2. Meio socioeconômico ............................................................................................ 8-22 8.2.2.1. Programas de controle relativos aos impactos no meio socioeconômico ...... 8-22 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos VIII 8.2.2.1.1. Programa de Qualificação Turística e Desenvolvimento de Matinhos (PQTD) .................................................................................................................... 8-23 8.2.2.1.2. Programa Habitacional e de Prevenção de Ocupações Irregulares (PHPOI) ................................................................................................................................. 8-23 8.2.2.1.3. Programa de Comunicação Social (PCS) ............................................... 8-23 8.2.2.1.4. Programa de Capacitação Profissional (PCP)......................................... 8-24 8.2.2.1.5. Programa de Assistência Social (PAS) ................................................... 8-24 8.2.2.1.6. Programa de Mitigação dos Impactos nas Vias de Circulação e Adjacências (PMIVCA) ................................................................................................................ 8-24 8.2.2.1.7. Programa de Saúde e Segurança do Trabalho nas obras (PSST) ......... 8-24 8.2.2.2. Monitoramento de impactos no meio socioeconômico................................... 8-25 8.2.2.2.1. Programa de Monitoramento Histórico, Cultural e Arqueológico (PMHCA) 8- 25 8.2.2.2.2. Programa de Salvaguarda do Material Arqueológico (PSMA) ................ 8-26 8.2.2.2.3. Programas de Educação Patrimonial e Divulgação (PEPD) ................... 8-26 8.2.2.2.4. Programas de Musealização e Cultura.................................................... 8-28 9. CONCLUSÃO...................................................................................................................... 9-29 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................ 10-30 10.1. Referências bibliográficas Capítulo 2....................................................................... 10-30 10.2. Referências bibliográficas Capítulo 3....................................................................... 10-31 10.3. Referências Bibliográficas Capítulo 5 ...................................................................... 10-31 10.4. Referências bibliográficas Capítulo 7....................................................................... 10-49 10.5. Referencias bibliográficas Capítulo 8....................................................................... 10-51 11. GLOSSÁRIO ................................................................................................................... 11-53 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos IX LISTA DE FIGURAS Figura 2.1: Praia Central ou Mansa de Matinhos no final dos anos 20 (Bigarella 1991). ......... 2-6 Figura 2.2: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1934 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. ...................................................................... 2-6 Figura 2.3: Praia Central ou Mansa de Matinhos entre 1934 e 1936 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. .................................................. 2-7 Figura 2.4: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1937 (Bigarella 1991). Notar a ocupação sobre a faixa dinâmica da praia. ............................................................................................... 2-7 Figura 2.5: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1948 (Bigarella 1991). Notar a ocupação na faixa dinâmica da praia e sobre a praia. .............................................................................. 2-7 Figura 2.6: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 1980. ......................................................................................................................................... 2-8 Figura 2.7: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 1980. Notar as raízes expostas da palmeira e altura do banco, evidenciando erosão............. 2-8 Figura 2.8: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento precário. .................................................................................................................................... 2-9 Figura 2.9: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento precário. .................................................................................................................................... 2-9 Figura 2.10: Erosão costeira e muro de contenção em pedra destruído na praia central de Matinhos, em 1980.................................................................................................................. 2-10 Figura 2.11: Extremo norte do muro de contenção em pedra, em 1980. Notar que apenas a parte final do muro permanecia em pé e além deste para o norte (direita na fotografia), não há problema erosivo..................................................................................................................... 2-10 Figura 2.12: Linha de costa de Caiobá em 1953 (em azul) e traçado da Avenida Beira-Mar (em vermelho), evidenciando sua construção muito próxima ou mesmo sobre a praia (Pierri et al. 2006). ...................................................................................................................................... 2-11 Figura 2.13: Praia Brava de Matinhos ou do Guarituba em 1949. Notar (a) a larga praia com baixa declividade; (b) as dunas frontais e (c) a larga faixa de areia com vegetação (indicações nossas sobre fotografia de Bigarella 1991)............................................................................. 2-11 Figura 2.14: Soleira em gabião recém construída na parte central do arco praial Caiobá- Matinhos (Foto de 25 de outubro de 1985 do arquivo do jornal Gazeta do Povo, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a construção sobre a praia.................................................... 2-12 Figura 2.15: Soleira e espigões em gabião na parte central do arco praial Caiobá-Matinhos, em 12 de julho de 1994................................................................................................................. 2-12 Figura 2.16: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá-Matinhos, em 12 de julho de 1994................................................................................................................. 2-12 Figura 2.17: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos (Foto de 14 de setembro de 1995 de Eduardo F. Gobbi, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a avanço das obras sobre a praia e a modificação da forma natural do arco praial. ................. 2-13 Figura 2.18: Avenida Beira-Mar no balneário Riviera, em 12 de julho de 1994. Notar o avanço da avenida sobre a faixa dinâmica da praia, evidenciada pela quebra da curvatura natural do arco praial................................................................................................................................2-13 Figura 2.19: Soleira em gabião parcialmente destruída na parte norte do arco praial Caiobá– Matinhos, em 1989.................................................................................................................. 2-14 Figura 2.20: Soleira e espigões destruídos por eventos de alta energia na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos, em 2 de maio de1995...................................................................... 2-14 Figura 2.21: Calçadão destruído na Praia Central de Matinhos, em 12 de julho de 1994...... 2-15 Figura 2.22: Concepção artística dos guias-corrente (Gobbi 2007)........................................ 2-16 Figura 2.23: Concepção artística dos headlands (Gobbi 2007). ............................................. 2-16 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos X Figura 2.24: Mapa de localização das obras propostas.......................................................... 2-18 Figura 2.25: Principais rios do Município de Matinhos em planta de 1945 (Bigarella 1991)... 2-19 Figura 2.26: Bacias de drenagem interligadas dos rios do município de Matinhos (Milani 2001). ................................................................................................................................................ 2-20 Figura 2.27: Unidades de Conservação na área de influência direta do empreendimento .... 2-21 Figura 2.28: Localização dos Parques Municipais de Matinhos ............................................. 2-22 Figura 2.29: Planta geral das obras propostas (Paranacidade 2009)..................................... 2-24 Figura 2.30: Guias-corrente do canal da Praia Brava de Caiobá (Paranacidade 2009). ........ 2-24 Figura 2.31: Guias-corrente da foz do rio Matinhos (Paranacidade 2009). ............................ 2-25 Figura 2.32: Headland do balneário Flórida (Paranacidade 2009). ........................................ 2-25 Figura 4.1: Área Diretamente Afetada (ADA) para os meios físico, biótico e socioeconômico. 4-1 Figura 4.2: Área de Influência Direta (AID) para os meios físico, biótico e socioeconômico .... 4-1 Figura 4.3: Área de Influência Indireta (AII) para os meios físico e biótico ............................... 4-1 Figura 4.4: Área de Influência Indireta (AII) para o meio socioeconômico................................ 4-1 Figura 5.1: Gráfico da percentagem de ocorrência de parâmetros de onda: altura significativa (Hs) e período do pico (Tp) na frente do Balneário Shangri-la (Lima et al. 2009). ................... 5-5 Figura 5.2: Localização e principais unidades geomorfológicas da região litorânea do Paraná. (1) planaltos; (2) serras originadas por dissecação de borda de planalto; (3) serras originadas por erosão diferencial; (4) tálus, leques aluviais e planícies aluviais; (5) planície costeira; (6) divisor de águas; (7) limite interestadual (Angulo 1999)...................................................... 5-9 Figura 5.3: Modelo de delta de maré vazante (Hayes 1975) .................................................. 5-11 Figura 5.4: Modelos de deltas de maré vazante com várias configurações resultantes da dominância de diferentes processos (Oertel 1975). (a) dominado por ondas; (b) dominado por ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o norte; (c) dominado por ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o sul; (d) dominado por marés................................ 5-11 Figura 5.5: Modelo de delta de maré vazante na desembocadura da Baía de Guaratuba. (1) barras de espraiamento e barras submersas; (2) barra de margem de canal; (3) lobo terminal; (4) canal de vazante principal; (5) direção inferida de deriva litorânea predominante (Angulo 1999).......................................................................................................................... 5-12 Figura 5.6: Configuração da barra da Baía de Guaratuba (a) em 27 de agosto de 1954, (b) em 5 de maio 1965, (c) em 25 de setembro de 1980. (1) planície costeira; (2) serra e morros; (3) praia; (4) barra de espraiamento; (5) barra submersa com arrebentação; (6) barra submersa com esbeltamento de ondas; (7) planície de maré; (8) direção inferida de avanço de dunas subaquosas (comprimento de onda de 5 a 15 m); (9) direção preferencial inferida de corrente de maré vazante; (10) direção predominante inferida de deriva litorânea; (11) rios, córregos e canais de maré; (12) esporões artificiais (Angulo 1999). ........................................................ 5-13 Figura 5.7: Fotografia aérea de 1997 da parte sul da praia Brava de caiobá (Paranacidade), com indicação da posição dos bancos que compõem o lobo frontal do delta de maré vazante da baía de Guaratuba, em diferentes datas............................................................................ 5-15 Figura 5.8: Configuração da praia Brava de Caiobá em (a) 1954, (b) em 1965 e (c) em 1980. . 5- 15 Figura 5.9: Perfis do arco praial Caiobá-Matinhos e gráfico de inclinação média da praia de norte para sul e percentagens nos vários intervalos de classe granulométrica (Bigarella et al. 1966). ...................................................................................................................................... 5-17 Figura 5.10: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 1990 (a partir de dados do Lecost inédito) .................................................................................................... 5-17 Figura 5.11: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 2009 ...... 5-18 Figura 5.12: Foto aérea oblíqua do arco praial de Caiobá – Matinhos, em 1994. Notar o alargamento da praia na parte sul associado à existência da barra transversal à praia e estreitamento na parte norte. .................................................................................................. 5-19 Figura 5.13: Dunas frontais e larga pós-praia na parte sul do arco praial de Caiobá-Matinhos, próximo ao banco de areia transversal à praia, em 2009. ...................................................... 5-19 Figura 5.14: Figura do arco praial de Matinhos – Pontal do Sul (Google). ............................. 5-20 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XI Figura 5.15: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos- Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 1990 (a partir de dados do Lecost inédito). ........................................................................................................................ 5-20 Figura 5.16: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos- Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 2009............................. 5-21 Figura 5.17: Problemas de erosão costeira na praia Central de Matinhos, em 1994. ............ 5-22 Figura 5.18: Problemas de erosão costeira na parai Central de Matinhos, em 2009. ............ 5-22 Figura 5.19: Alteração do arco praial pela ocupação e construção da Avenida Beira-Mar no Balneário Flamingo, em 1994. A seta indica a área de ocupação irregular. ........................... 5-23 Figura 5.20: Fotografias tomadas do mesmo local com vista para (a) sul, onde se observa o perfil praial em equilíbrio e dunas frontais e (b) norte onde se observa o problema erosivo originado pela ocupação e as obras de contenção, em 2007................................................. 5-23 Figura 5.21: Pequena faixa com dunas frontais entre a praia e a calçada, onde ainda o perfil de equilíbrio da praia pode ser mantido, no Balneário Riviera, em 2009..................................... 5-24 Figura 5.22: Cordões de dunas e paleodunas frontais na Praia Deserta no Superagüi, em 1992. ................................................................................................................................................5-25 Figura 5.23: Dunas frontais parcialmente erodidas após evento de alta energia de ondas, na Praia Deserta no Superagüi, em 1987. ................................................................................... 5-25 Figura 5.24: Dunas frontais formadas com o auxilio da grama utilizada para paisagismo no setor sul da Praia Brava de Caiobá......................................................................................... 5-26 Figura 5.25: Dunas frontais formadas pela vegetação nativa paranaense no setor sul da praia Brava de Caiobá...................................................................................................................... 5-26 Figura 5.26 Dunas frontais formadas após o ano 2000 após a remoção da ocupação, ao norte do rio Matinhos........................................................................................................................ 5-27 Figura 5.27: Dunas frontais existentes ao norte do balneário Riviera..................................... 5-27 Figura 5.28: Distribuição da média granulométrica nos sedimentos de fundo da plataforma continental interna rasa da porção central do litoral paranaense, segundo a classificação nominal de Folk & Ward (1957), baseada no diâmetro médio (Veiga et al. 2004).................. 5-28 Figura 5.29: Teores de carbonato nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004)......................................................... 5-29 Figura 5.30: Teores de matéria orgânica presentes nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004)................................ 5-30 Figura 5.31: Distribuição das concentrações de arsênio (As) nos sedimentos superficiais na área investigada. ....................................................................................................................... 5-2 Figura 5.32: Distribuição das concentrações de cádmio (Cd) nos sedimentos superficiais na área investigada. ....................................................................................................................... 5-2 Figura 5.33: Distribuição das concentrações de cromo (Cr) nos sedimentos superficiais na área investigada. ............................................................................................................................... 5-3 Figura 5.34: Distribuição das concentrações de cobre (Cu) nos sedimentos superficiais na área investigada. ............................................................................................................................... 5-3 Figura 5.35: Distribuição das concentrações de níquel (Ni) nos sedimentos superficiais na área investigada. ............................................................................................................................... 5-4 Figura 5.36: Distribuição das concentrações de chumbo (Pb) nos sedimentos superficiais na área investigada. ....................................................................................................................... 5-4 Figura 5.37: Distribuição das concentrações de zinco (Zn) nos sedimentos superficiais na área investigada. ............................................................................................................................... 5-5 Figura 5.38: Distribuição das concentrações de carbono orgânico (COT) nos sedimentos uperficiais na área investigada.................................................................................................. 5-7 Figura 5.39: Distribuição das concentrações de Nitrogênio Total nos sedimentos superficiais na área investigada. ....................................................................................................................... 5-8 Figura 5.40: Distribuição das concentrações de Fósforo Total nos sedimentos superficiais na área investigada. ....................................................................................................................... 5-8 Figura 5.41: Localização da área de estudo ............................................................................. 5-9 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XII Figura 5.42: Circulação de larga escala – Atlântico Sul.......................................................... 5-10 Figura 5.43: Campo de corrente em situação de sizígia – maré vazante ............................... 5-12 Figura 5.44: Campo de corrente em situação de sizígia – maré enchente............................. 5-12 Figura 5.45: Campo de velocidade enchente na baía de Paranaguá e na plataforma interna. .. 5- 13 Figura 5.46: Campo de velocidade vazante na baía de Paranaguá e na plataforma interna. 5-14 Figura 5.47: Localização da jazida de sedimentos (pontos vermelhos e verdes) a ser utilizada para engordamento da faixa de areia em Matinhos................................................................ 5-14 Figura 5.48: Localização da área de estudo com os perfis e os pontos amostrais (Veiga et al. 2004) ....................................................................................................................................... 5-16 Figura 5.49: Classificação dos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense segundo a classificação de Shepard (1954) (Veiga et al. 2004) .. 5- 16 Figura 5.50: Comportamento da concentração na coluna d'água de 6 descartes de 11.000 m3 de sedimento, mostrado a cada 8 h em condições de maré de sizígia .................................. 5-17 Figura 5.51: Distância da área da jazida em relação à costa ................................................. 5-19 Figura 5.52: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 900 segundos. ......................... 5-20 Figura 5.53: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 10560 segundos. ..................... 5-21 Figura 5.54: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 67200 de segundos. ..................... 5-21 Figura 5.55: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 109440 de segundos. ................... 5-22 Figura 5.56: Série de elevação para o nó próximo à jazida. ................................................... 5-22 Figura 5.57: Exemplos de espécies características de vegetação de restinga herbácea encontradas nas áreas estudadas. A. Rumohra adiantiformis; B. Tibouchina clavata; C. Hydrocotyle bonariensis; D. Cordia curassavica..................................................................... 5-25 Figura 5.58: Fisionomia de trecho do balneário Flórida, evidenciado contaminação por Braquiária em primeiro plano. ................................................................................................. 5-27 Figura 5.59: Fisionomias de diferentes trechos localizados nas áreas estudadas. A. Praia Brava de Caiobá (ADA, Matinhos): vegetação escassa ou ausente; B. Balneário Riviera (ADA, Matinhos): vegetação alterada ou ausente; C. Balneário Flórida (ADA, Matinhos): vegetação em melhor estado; D. Praia de Barranco (AII, Pontal do Paraná): restinga em bom estado de conservação, formando um contínuo com as formações arbustivas e florestais (em último plano). ..................................................................................................................................... 5-28 Figura 5.60: Média e erro padrão do número de espécies de aves associadas ao ambiente de entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. ........................................................ 5-35 Figura 5.61: Média e erro padrão do número de indivíduos de aves associadas ao ambiente de entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. ........................................................ 5-35 Figura 5.62: Aspecto do ambiente de entremarés na Área Diretamente Afetada................... 5-36 Figura 5.63: Bando misto de aves consumindo descartes da pescano ambiente de entremarés. ................................................................................................................................................ 5-36 Figura 5.64: Nidificação da coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia, em área de Formação Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. ................................ 5-41 Figura 5.65: Nidificação do quero-quero, Vanellus chilensis, em área de Formação Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. ................................................... 5-41 Figura 5.66: Perfis topográficos nas quatro áreas de coleta. Os pontos representam as estações de coleta (10 por praia)............................................................................................ 5-69 Figura 5.67: Resultados da analise multivariada (MDS) mostrando as similaridades entre as estações de coleta das quatro áreas amostradas................................................................... 5-71 Figura 5.68: Resultados da analise multivariada (MDS) mostrando as similaridades entre as espécies coletadas nas quatro áreas amostradas. ................................................................. 5-72 Figura 5.69: Médias ( ), erros-padrão (±EP) ( ) e intervalos com 95% de confiança (±1.96*EP) ( ) da riqueza, abundância e diversidade de Shannon-Wiener de organismos ao longo dos pontos de coleta dos transectos 1 e 2 .................................................................... 5-77 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XIII Figura 5.70: Análise de proximidade (MDS) entre todas as amostras analisadas (3 réplicas por ponto) ...................................................................................................................................... 5-79 Figura 5.71: Análise de proximidade (MDS) entre pontos amostrais (médias de três réplicas por ponto) ...................................................................................................................................... 5-79 Figura 5.72: Análise de proximidade (MDS) mostrando os pontos de ocorrência e a abundância relativa dos seis táxons com maior contribuição (Mellita sp., Amphipoda sp1, Armandia loboi, Ophiuroidea sp1, Nephtys squamosa e Owenia sp.). O diâmetro dos círculos indica a abundância de organismos presentes por amostra ................................................................ 5-80 Figura 5.73: Imagem aérea do município de Matinhos (Fonte: Google 2009)........................ 5-84 Figura 5.74: Domicílios particulares permanentes ocupados, segundo setores censitários urbanos – Matinhos, 2007....................................................................................................... 5-85 Figura 5.75: Pirâmide relativa por idade simples Matinhos e litoral paranaense em 2007. Fonte: IBGE- Contagem Populacional 2007 ...................................................................................... 5-89 Figura 5.76: Distribuição dos domicílios particulares permanentes de uso ocasional na região do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 Fonte: IBGE-Censo Demográfico, 2000; Contagem Populacional, 2007.................................................................................................................. 5-93 Figura 5.77: Fluxo de turistas para o litoral do Paraná, em 2000 a 2005.............................. 5-113 Figura 5.78: Distribuição do fluxo de turistas do litoral do Paraná por município (%), em 2004 e 2005. Fonte: SETU 2006....................................................................................................... 5-113 Figura 5.79: Entrevista semi-estruturada com o presidente da Colônia de Pescadores de Matinhos Z-4, Mário Jorge Hanek ......................................................................................... 5-119 Figura 5.80: Entrevista semi-estruturada com o vereador Jair Pescador ............................. 5-120 Figura 5.81: Entrevista semi-estruturada com o pescador residente nas margens do Rio Matinhos................................................................................................................................ 5-120 Figura 5.82: Entrevista semi-estruturada com pescadores do município de Matinhos......... 5-120 Figura 5.83: Canoas de fibra utilizadas pelos pescadores de Matinhos .............................. 5-121 Figura 5.84: Canoa de fibra utilizada por pescadores que residem nas margens do Rio Matinhos................................................................................................................................ 5-122 Figura 5.85: Mercado Municipal de Pescados Manuel Machado.......................................... 5-122 Figura 5.86: Pescadores concertando redes de pesca no entorno do Mercado de Pescado..... 5- 123 Figura 5.87: Rede Alta – Petrecho utilizado por 80% dos pescadores de Matinhos ............ 5-124 Figura 5.88: Rede Alta – Petrecho utilizado por 80% dos pescadores de Matinhos ............ 5-124 Figura 5.89: Mapeamento participativo das áreas de pesca utlizadas pelos pescadores de Matinhos, PR......................................................................................................................... 5-125 Figura 5.90: Panorâmica do Segmento 1 (Fonte: Roberto Sampaio) ................................... 5-129 Figura 5.91: Canal de Caiobá (Fonte: Roberto Sampaio)..................................................... 5-130 Figura 5.92: Panorâmica do setor sul Segmento 2 (Fonte: Roberto Sampaio) .................... 5-131 Figura 5.93: Panorâmica do setor norte Segmento 2 (Fonte: Roberto Sampaio)................. 5-131 Figura 5.94: Setor erodido e com obras de contenção da Averina Beira Mar no Segmento 3 (Fonte: Roberto Sampaio)..................................................................................................... 5-132 Figura 5.95: Panorâmica do Segmento 3 (Fonte: Roberto Sampaio). .................................. 5-133 Figura 5.96: Gravuras de material cultural da Tradição Umbu no Paraná............................ 5-136 Figura 5.97: Gravura com material cultural dos sítios Sambaqui. (a-b- Laguna SC, c- Torres RS) pedras furadas de uso desconhecido. (d) antropomorfo Pântano do Sul SC. (e) platiforme- Santa Marta SC. (f) ave em cópula- Linguado SC. (i) cricuforme- Cubatãozinho SC. (g) anta (j) ninhada de aves- Rio Velho SC. (h) nucleiforme- Torres RS (Prous 1992).......................... 5-137 Figura 5.98: gravura de material cultural da Tradição Itararé-Taquara no Paraná. .............. 5-140 Figura 5.99: Gravura de material cultural da Tradição Tupiguarani no Estado do Paraná. .. 5-141 Figura 5.100: Gravura de material cultural da Tradição Neobrasileira no Estado do Paraná. .... 5- 144 Figura 5.101: Pinguela sobre o rio Matinhos datada de 1947, fotografo anônimo................ 5-146 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XIV Figura 5.102: vista geral do centro antigo de Matinhos com a Capela de São Pedro a direita (Igrejinha). Foto anônima, datada de 1947. .......................................................................... 5-146 Figura 5.103: Vista geral da fachada frontal da Capela de São Pedro, município de Matinhos. 5- 147 Figura 5.104: Vista do interior da Capela de São Pedro, município de Matinhos................. 5-147 Figura 5.105: Vista do interior da Capela de São Pedro, detalhe do piso original confeccionado em cimento queimado policromo, município de Matinhos. ................................................... 5-147 Figura 5.106: Vista geral Pico de Matinhos. Em primeiro plano, canoas defronte a Colônia de Pescadores. Ao fundo o morro do Pico, referenciado historicamente e excelente ponto para prática de surf........................................................................................................................ 5-148 Figura7.1: Parte sul dos arcos praiais de Caiobá (a) e Matinhos (b). Notar a mudança de orientação da linha de costa próximo aos Morro do Boi e Ponta de Matinhos. .................... 7-188 Figura 7.2.: Vista em planta do posicionamento dos headlands propostos, no mar (Gobbi et al. 2003, página 84). .................................................................................................................. 7-188 Figura 7.3.: Vista em planta do posicionamento dos headlands propostos, no mar (Gobbi 2007, página 24). ............................................................................................................................ 7-189 Figura 7.4: Previsão da morfologia da praia após a construção dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná. A) vista em planta, B) vista obliqua ........................................................... 7-189 Figura 7.5: Previsão da morfologia da praia após a construção do headland do balneário Flórida. A) vista em planta, B) vista obliqua .......................................................................... 7-190 Figura 7.6: Praia estreita e rebaixada no setor norte do arco praial de Caiobá decorrente do intenso processo erosivo, em agosto de 2009...................................................................... 7-192 Figura 7.7: Praia larga no setor norte do arco praial de Caiobá na década de 40 (Bigarella 1991). .................................................................................................................................... 7-192 Figura 7.8: Quebra do arco praial (indicado pela seta), decorrente da ocupação sobre a faixa dinâmica da praia no Balneário Flamingo. ............................................................................ 7-193 Figura 7.9: Canal da Avenida Paraná em Caiobá, em agosto de 2009. Notar a não existência de guias-corrente. ................................................................................................................. 7-196 Figura 7.10: Guias-corrente do rio Matinhos, em julho de 1994. Notar o assoreamento do canal do rio. .................................................................................................................................... 7-196 Figura 8.1: Fotografia aérea vertical da praia central de Matinhos, em abril de 1997, do setor (indicado pela seta) onde seria desejável o recuo da ocupação para recompor o arco praial e propiciar a recomposição e estabilização da praia. .................................................................. 8-7 Figura 8.2: Setor sul do arco praial da praia central de Matinhos da área onde seria desejável o recuo da ocupação para recompor o arco praial e propiciar a recomposição e estabilização da praia. ......................................................................................................................................... 8-7 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XV LISTA DE TABELAS Tabela 2.1: Custo das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos.......................... 2-28 Tabela 2.2: Custo dos materiais das estruturas semiflexíveis. ............................................... 2-29 Tabela 5.1: Parâmetros de ondas observadas na região ......................................................... 5-5 Tabela 5.2: Taxas de deslocamento da extremidade norte do lobo frontal delta de maré vazante da barra de Guaratuba ou da barra transversal da praia Brava de Caiobá. ........................... 5-13 Tabela 5.3: Distribuição granulométrica das amostras da área alvo da jazida ....................... 5-31 Tabela 5.4: Distribuição dos teores carbonato de cálcio (CaCO3) e de matéria orgânica das amostras da área alvo da jazida ............................................................................................. 5-31 Tabela 5.5: Concentração de HPAs (µg kg-1), para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método.............................................. 5-34 Tabela 5.6: Concentração de pesticidas e PCBs (µg kg-1) para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método........... 5-34 Tabela 5.7: Dados granulométricos (teor de cascalho, areia, silte e argila) e classificação do tamanho dos grãos (segundo Shepard 1954 e Folk & Ward 1957) para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos............................................................................................................................... 5-1 Tabela 5.8: Concentração dos elementos traços (mg/kg) nos sedimentos superficiais. Para mercúrio (Hg) os valores foram não detectáveis (n.d.). ............................................................ 5-1 Tabela 5.9: Correlação entre os resultados dos elementos traço e demais parâmetros analisados nos sedimentos superficiais. ................................................................................... 5-6 Tabela 5.10: Classificação do sedimento encontrado na área da jazida. ............................... 5-15 Tabela 5.11: Porcentagem de cada uma das classes encontradas na área da jazida. .......... 5-15 Tabela 5.12: Lista de espécies de tartarugas marinhas com ocorrência para o Litoral do Estado do Paraná. Registro: Status: EP= em perigo. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná..................................................................................................................................... 5-31 Tabela 5.13: Lista das espécies de aves da plataforma continental. Registro: Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná. 5-31 Tabela 5.14: Lista das espécies de mamíferos da Plataforma Continental registradas para o litoral do estado do Paraná. Status: DD=dados deficientes, VU=vulnerável. Fonte: Paraná (2004). ..................................................................................................................................... 5-32 Tabela 5.15: Espécies de aves que ocorrem em ambientes de entremarés de praias oceânicas na costa do Paraná. Status NT= quase ameaçada, DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná (2004). ..................................................................................................................................... 5-34 Tabela 5.16: Lista das espécies de anfíbios registradas na área de influência e no entorno do empreendimento. .................................................................................................................... 5-37 Tabela 5.17: Lista das espécies de répteis registradas na área de influência e no entorno do empreendimento. .................................................................................................................... 5-38 Tabela 5.18: Aves que ocorrem nos ambientes Pioneiros sob Influência Marinha e Fluvial na costa paranaense. Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada e DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná (2004). ............................................................................................................. 5-38 Tabela 5.19: Organismos fitoplanctônicos identificados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul. Modificado de Rezende (1995)........................................................................ 5-43 Tabela 5.20: Copépodes coletados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul em Novembro de 2009..................................................................................................................5-46 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XVI Tabela 5.21: Copépodes registrados na plataforma interna do Paraná por Sartori & Lopes (2000). ..................................................................................................................................... 5-47 Tabela 5.22: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada. ............................................................................ 5-48 Tabela 5.23: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada. ....................... 5-49 Tabela 5.24: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada. ....................................................................................................... 5-50 Tabela 5.25: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada.................................... 5-51 Tabela 5.26: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada................................................................................. 5-52 Tabela 5.27: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada........................ 5-53 Tabela 5.28: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta............................................................................... 5-54 Tabela 5.29: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta. ......................... 5-55 Tabela 5.30: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. ......................................................................................................... 5-56 Tabela 5.31: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. .................................... 5-58 Tabela 5.32: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta................................................................................... 5-59 Tabela 5.33: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta.......................... 5-59 Tabela 5.34: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. ........................................................................... 5-60 Tabela 5.35: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. ...................... 5-61 Tabela 5.36: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência indireta. ...................................................................................................... 5-62 Tabela 5.37: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência indireta................................... 5-63 Tabela 5.38: Composição, abundância absoluta (N) e relativa (% N), contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência indireta................................................................................ 5-64 Tabela 5.39: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência indireta....................... 5-65 Tabela 5.40: No de espécies e abundancia linear em praias da planície costeira de Praia de Leste, de dados secundários (os valores seguem a seguinte ordem: entre marés – infralitoral – total). Atami, Praia de Leste e Gaivotas extraído de Borzone et al. (1996), Brava (áreas I e II amostradas neste trabalho) de Barros et al. (2001)................................................................ 5-66 Tabela 5.41: Lista de especies da macrofauna betonica de praias arenosas achadas no litoral do Parana................................................................................................................................ 5-66 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XVII Tabela 5.42: Resultado das analises granulométricas das amostras obtidas na face praial (fp) e na zona de arrebentação (ar) das áreas amostradas. ............................................................ 5-70 Tabela 5.43: Resultado das coletas de macrofauna com valores de riqueza (numero de espécies), número de indivíduos totais coletados e por metro quadrado, e abundancia linear (numero de indivíduos m-1). ................................................................................................... 5-70 Tabela 5.44: Grupos taxonômicos das espécies e morfotipos identificados com suas respectivas abundâncias totais (AT) e freqüências relativas percentuais (FRP) .................... 5-75 Tabela 5.45: Resultados da ANOSIM pareada. Valores de R próximos de 1 indicam alta dissimilaridade e próximos a 0 indicam alta similaridade........................................................ 5-78 Tabela 5.46: Resultados da análise SIMPER ......................................................................... 5-80 Tabela 5.47: População por situação de domicílio, segundo municípios do litoral – Paraná, 1991, 2000 e 2007 .................................................................................................................. 5-86 Tabela 5.48: Grau de urbanização segundo municípios do litoral – Paraná, 1991, 2000 e 2007 ................................................................................................................................................ 5-86 Tabela 5.49: Taxa de crescimento da população por situação de domicílio, segundo municípios do litoral – Paraná, 1991/2000 e 2000/2007 ........................................................................... 5-87 Tabela 5.50: Proporção de chefes segundo idade, em Matinhos e litoral, em 2007. ............. 5-89 Tabela 5.51: Proporção de chefes segundo idade e sexo, em Matinhos e litoral, em 2007... 5-90 Tabela 5.52: Número de imigrantes de data fixa por local de origem, segundo municípos de destino, no litoral paranaense, em 2007. ................................................................................ 5-90 Tabela 5.53: Domicílios particulares permanentes por condição de ocupação, segundo municípios do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 ...................................................................5-91 Tabela 5.54: Incremento total e taxa de crescimento anual dos domicílios por condição de ocupação segundo municípios do litoral do Paraná, em 2000-2007 ...................................... 5-92 Tabela 5.55: Domicílios particulares permanentes não ocupados por categoria, segundo municípios do litoral do Paraná, em 2000 e 2007 ................................................................... 5-93 Tabela 5.56: Domicílios particulares permanentes por condição de propriedade no Paraná, Microrregião de Paranaguá e Matinhos, em 2000 .................................................................. 5-94 Tabela 5.57: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por seção de atividade do trabalho principal, segundo os municípios no litoral paranaense, em 2000. ....................................................................................................................................... 5-95 Tabela 5.58: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por posição na ocupação e a categoria do emprego no trabalho principal, segundo os municípios do litoral paranaense, em 2000............................................................................................... 5-96 Tabela 5.59: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por classes de rendimento nominal mensal de todos os trabalhos, segundo os municípios do litoral paranaense, em 2000. ............................................................................................................ 5-97 Tabela 5.60: Domicílios particulares permanentes segundo a forma de abastecimento de água no Paraná, Litoral e Matinhos, em 2000. ................................................................................ 5-98 Tabela 5.61: Abastecimento de água, pela Sanepar, segundo as categorias, em 2008. ....... 5-99 Tabela 5.62: Domicílios particulares permanentes segundo tipo de esgotamento sanitário no Paraná, Litoral e Matinhos, em 2000. ..................................................................................... 5-99 Tabela 5.63: Domicílios particulares permanentes ocupados segundo destino do lixo no Paraná, em 2000................................................................................................................... 5-100 Tabela 5.64: Consumo e número de consumidores de energia elétrica, em Matinhos, em 2008. .............................................................................................................................................. 5-101 Tabela 5.65: Produto Interno Bruto, segundo municípios da região litorânea do Paraná em 2001-2007 ............................................................................................................................. 5-110 Tabela 5.66: Proporção do Produto Interno Bruto nos setores de atividade, segundo municípios da região litorânea do Paraná, em 2002 e 2006. .................................................................. 5-111 Tabela 5.67: Perfil do turista que visitou o litoral do Paraná, em 1998-2006........................ 5-115 Tabela 5.68: Perfil do turista que visitou Matinhos em 1998 a 2006..................................... 5-117 Tabela 5.69: Principais espécies capturadas por período do ano ..........................................5-123 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos XVIII LISTA DE QUADROS Quadro 8.1: Quadro das medidas para os meios físico e biológico e programas relacionados8-1 Quadro 8.2: Quadro das medidas para o meio socioeconômico e programas relacionados.... 8-2 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 1-1 1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR E EMPRESA CONSULTORA 1.1. Identificação do empreendedor ? Nome ou razão social: Serviço Social Autônomo PARANACIDADE ? Número do CNPJ: 01.450.804/0001-55 ? Endereço completo: Rua Deputado Mário de Barro, 1290 – 1º andar Centro Cívico - CEP 80530-913 – Curitiba/PR ? Telefone e fax: 41-3350-3300, fax 41-3353-3300 ? Representante legal: Nome: Luiz Forte Netto CPF: 000.299.809-25 End: Av. Anita Garibaldi, 491 Fone: 41-3350-7240 Email: fortenetto@paranacidade.org.br ? Pessoa de contato: Nome: Miryan Kravchychyn CPF: 355.344.279-49 End: R. Abel Scuissiato, 195, bl. 1 ap.3 Fone: 41-3350-3304 Email: miryan@paranacidade.org.br ? Certidão Negativa de Débitos Ambientais junto ao IBAMA: nº 1311472 ? Registros no Cadastro Técnico Federal (IBAMA): 4598767 1.2. Identificação da empresa consultora ? Nome ou razão social: AMB – Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda. ? Número do CNPJ: 80.787.153/0001-60 ? Endereço completo: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 81530-420 Curitiba-PR. ? Telefone e fax: 41 3266 3963 ? Representante legal: Nome: Rodolfo José Angulo CPF: 358.944.079-15 Endereço: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 81530- 420 Curitiba-PR. Fone: 41 91284609, 41 32663962 Email: amb@ambplan.com; ? Pessoa de contato: Nome: Rodolfo José Angulo CPF: 358.944.079-15 Endereço: Rua Marechal Cardoso Junior no106, Jardim das Américas, 81530- 420 Curitiba-PR. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 1-2 Fone: 41 91284609, 41 32663962 Email: amb@ambplan.com; ? Registro no Cadastro Técnico Federal (IBAMA): 1666081 1.3. Dados da equipe técnica multidisciplinar Coordenação geral Rodolfo José Angulo Geólogo, Doutor em Geologia sedimentar Registro IBAMA 93948 Meio físico Rodolfo José Angulo Geólogo, Doutor em Geologia sedimentar Registro IBAMA 93948 Geologia e geomorfologia Eduardo Marone Físico, Doutor em Oceanografia Física Registro IBAMA 482665 Caracterização meteorológica e da oceanografia física Eunice da Costa Machado Oceanógrafa, Doutora em Ciências Naturais Registro IBAMA 483033 Qualidade dos sedimentos marinhos César de Castro Martins Químico, Doutor em Oceanografia Química e Geológica Registro IBAMA 1851869 Qualidade dos sedimentos marinhos e contaminantes orgânicos José Eduardo Gonçalves Físico, Doutor em Oceanografia Física Registro IBAMA 558021 Modelagem numérica hidrodinâmica e transporte de sedimento Maria Cristina de Souza Geóloga, Doutora em Geologia Ambiental CREA/PR 29934-D, CONFEA 170495956-0 Registro IBAMA 539803 Geologia e geomorfologia RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 1-3 Meio biológico Ricardo Krul Biólogo, Mestre em Zoologia CRBio 28238-03D, Registro IBAMA 241572 Vertebrados terrestres e aquáticos Mayara Krasinski Caddah Bióloga, Mestre em Biologia Vegetal CRBio 66254/07D Registro Ibama 2422593 Flora Leonardo Morrissy Hostin Biólogo, Mestre em Zoologia CRBio 25.545-07D, Registro IBAMA 2686701 Macrofauna bêntica da plataforma rasa Orlei Antonio Negrello Filho Biólogo, Doutor em Zoologia CRBio 28536-03D, Registro IBAMA 245062 Macrofauna bêntica da plataforma rasa Carlos Alberto Borzone Biólogo, Doutor em Ciências Biológicas Registro IBAMA 552090 Caracterização do bentos de praias arenosas Henry Louis Spach Biólogo, Doutor em Oceanografia Biológica Registro IBAMA 511462 Ictiofauna José Guilherme Bersano Filho Oceanólogo, Doutor em Oceanografia Registro IBAMA 568483 Plâncton marinho Paulo Rogério Mangini Médico Veterinário, Mestre em Medicina Veterinária CRM/PR 3347, Registro IBAMA 534851 Vertebrados terrestres e aquáticos RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 1-4 Meio socioeconômico Naina Pierri Estades Socióloga, Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Registro IBAMA 960522 Coordenação do meio socioeconômico, turismo e expectativa da população Marley Vanice Deschamps Economista, Demógrafa, Doutora em MeioAmbiente e Desenvolvimento CORECON 2259, Registro IBAMA 1055170 Demografia, economia, condições socioeconômicas Humberto Zontini Malheiros Biólogo, Mestre em Sistemas Costeiros e Oceânicos CRBio 47446/01-D, Registro IBAMA 567927 Pesca artesanal e recursos pesqueiros Roberto Sampaio Arquiteto, Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento CREA/SP 67888-D, CREA/PR 4294-V, Registro Nacional no Sistema CONFEA/CREAs (recadastramento) 260514685-5, Registro IBAMA 1670550 Uso e ocupação do solo e entorno André Essenfelder Borges Licenciado e Bacharel em História, Mestre em Antropologia Social Registro IBAMA 290664 Patrimônio histórico, cultural e arqueológico 1.4. Edição, revisão e geoprocessamento Maria Cristina de Souza Geóloga, Doutora em Geologia Ambiental CREA/PR 29934-D, CONFEA 170495956-0 Registro IBAMA 539803 Edição, revisão e geoprocessamento Mauricio Almeida Noernberg Oceanógrafo, Doutor em Geologia Ambiental Registro IBAMA 186941 Geoprocessamento RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 1-5 1.5. Equipe de apoio do EIA/RIMA Fabian Sá Oceanógrafo, Doutor em Oceanográfica química Apoio no diagnóstico da qualidade do sedimento marinho Gisele Costa Fredo Estudante de Oceanografia Apoio no diagnóstico socioeconômico RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-6 2. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO 2.1. Histórico da ocupação costeira e das obras de contenção Na orla marítima do município de Matinhos ocorrem problemas ambientais que afetam seu potencial turístico. Em dois setores de suas praias ocorre erosão costeira que tem diminuído significativamente a faixa de areia de praia para recreação e destruído parcialmente a infraestrutura urbana da orla, tal como ruas, avenidas e passeios à beira-mar. Na orla também ocorre à descarga de águas poluídas provenientes de rios e canais de drenagem. No município também ocorrem inundações decorrentes das enchentes do rio Matinhos. Assim, as obras propostas, analisadas neste EIA-RIMA, teriam o objetivo de minimizar ou eliminar estes problemas. A erosão costeira na orla de Matinhos decorre principalmente de uma ocupação inadequada. Notadamente da ocupação da faixa dinâmica da praia, ou mesmo da praia, e da destruição das dunas frontais, como descrito a seguir. O ilustre Professor João José Bigarella no seu abrangente livro sobre o município, denominado Matinho: Homem e Terra - Reminiscências... (1991), descreve e ilustra a ocupação da região. Em algumas fotografias deste livro é possível observar como a ocupação ocorreu muito próxima ou mesmo sobre a faixa de areia da praia (Figuras 2.1 a 2.5). Figura 2.1: Praia Central ou Mansa de Matinhos no final dos anos 20 (Bigarella 1991). Figura 2.2: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1934 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-7 Figura 2.3: Praia Central ou Mansa de Matinhos entre 1934 e 1936 (Bigarella 1991). Notar a ocupação e muro em pedra sobre a faixa dinâmica da praia. Figura 2.4: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1937 (Bigarella 1991). Notar a ocupação sobre a faixa dinâmica da praia. Figura 2.5: Praia Central ou Mansa de Matinhos em 1948 (Bigarella 1991). Notar a ocupação na faixa dinâmica da praia e sobre a praia. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-8 Nos anos 70 ocorreram problemas de erosão costeira nas praias Mansa e Brava de Caiobá (Angulo & Andrade 1982). A erosão na praia Brava ocorria em dois locais: no extremo sul da praia, junto ao Morro do Boi e na parte central da praia (Figuras 2.6 a 2.9). Figura 2.6: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 1980. Figura 2.7: Erosão costeira no extremo sul da praia de Caiobá, próximo ao Morro do Boi, em 1980. Notar as raízes expostas da palmeira e altura do banco, evidenciando erosão. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-9 Figura 2.8: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento precário. Figura 2.9: Erosão costeira na parte central da praia de Caiobá em 1980, com enrocamento precário. Segundo Angulo & Andrade (1982) a erosão no extremo sul teria causas naturais decorrente do deslocamento dos bancos de areia associados à barra de Guaratuba. Na parte central da praia o problema teria sido ocasionado pela ocupação da faixa dinâmica da praia, ou mesmo de parte da praia, devido à construção do passeio e avenida beira-mar. Estes autores mostram que a erosão na parte central da praia ocorria apenas ao longo do setor onde tinha sido construído um muro de contenção, que já em 1980 tinha sido completamente destruído, restando apenas suas extremidades, além das quais não mais se observavam processos erosivos significativos, mostrando claramente a associação do problema de erosão com a ocupação da faixa dinâmica da praia (Figuras 2.10 e 2.11). O avanço da ocupação RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-10 sobre a faixa dinâmica da praia e sobre a própria praia também pode ser observado comparando fotografias aéreas anteriores e posteriores à construção da avenida beira- mar (Figura 2.12). Figura 2.10: Erosão costeira e muro de contenção em pedra destruído na praia central de Matinhos, em 1980. Figura 2.11: Extremo norte do muro de contenção em pedra, em 1980. Notar que apenas a parte final do muro permanecia em pé e além deste para o norte (direita na fotografia), não há problema erosivo. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-11 Oceano Atlântico Caiobá N250m Figura 2.12: Linha de costa de Caiobá em 1953 (em azul) e traçado da Avenida Beira-Mar (em vermelho), evidenciando sua construção muito próxima ou mesmo sobre a praia (Pierri et al. 2006). A continuidade da ocupação da orla costeira acentuou esta prática de invasão da praia. Dois casos merecem destaque. O passeio da praia Brava de Matinhos e a Avenida Beira-Mar nos balneários Flamingo e Riviera, onde coincidentemente ocorrem os principais problemas de erosão costeira. A Praia Brava de Matinhos ou Praia do Guarituba, na sua antiga denominação (Bigarella 1991) apresentava ocupação incipiente no final dos anos 40. Sua configuração, então, era a de uma larga praia com dunas frontais à retaguarda e uma larga faixa de areia com vegetação existia entre a praia e o caminho à beira-mar, garantindo a manutenção da dinâmica costeira (Figura 2.13). Figura 2.13: Praia Brava de Matinhos ou do Guarituba em 1949. Notar (a) a larga praia com baixa declividade; (b) as dunas frontais e (c) a larga faixa de areia com vegetação (indicações nossas sobre fotografia de Bigarella 1991). Nos anos 80, como relatado, existiam problemas de erosão na parte central do arco praial entre Caiobá e Matinhos, que posteriormente foram se estendendo para norte até alcançar a ponta de Matinhos. Nos anos 80 e 90 e primeiros anos do século XXI, diversas obras foram executadas na tentativa de resolver os problemas de erosão costeira, principalmente com a implantação de muros, soleiras e espigões em gabião (Figuras 2.14 a 2.17). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-12 Figura 2.14: Soleira em gabião recém construída na parte central do arco praial Caiobá- Matinhos (Foto de 25 de outubro de 1985 do arquivo do jornal Gazeta do Povo, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a construção sobre a praia. Figura 2.15: Soleira e espigões em gabião na parte central do arco praial Caiobá-Matinhos, em 12 de julho de 1994. Figura 2.16: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arcopraial Caiobá-Matinhos, em 12 de julho de 1994. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-13 Figura 2.17: Soleira e espigões em gabião na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos (Foto de 14 de setembro de 1995 de Eduardo F. Gobbi, extraído de Gouvêa da Costa 2002). Notar a avanço das obras sobre a praia e a modificação da forma natural do arco praial. Ao norte da foz do rio Matinhos, nos balneários Flamingo e Riviera os problemas de erosão se iniciaram nos anos 90 como decorrência da construção do passeio e da Avenida Beira-Mar que invadiram a faixa ativa da praia (Figuras 2.18). Figura 2.18: Avenida Beira-Mar no balneário Riviera, em 12 de julho de 1994. Notar o avanço da avenida sobre a faixa dinâmica da praia, evidenciada pela quebra da curvatura natural do arco praial. As obras mantiveram a tendência de avanço em direção ao mar com a ocupação da faixa dinâmica de praia e, às vezes, da própria praia, o que agravou os problemas de erosão costeira. Ademais diversas obras se mostraram inadequadas. Por exemplo, as soleiras e espigões em gabião frequentemente não resistiam às ondas de maior energia (Figuras 2.19 e 2.20). Em diversos locais da orla as obras foram refeitas em várias oportunidades. Cabe ressaltar que não foram encontrados estudos contendo levantamentos ou análises críticas destas obras que permitissem avaliar seus erros e acertos, para subsidiar obras futuras nestas áreas afetadas ou outras regiões costeiras. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-14 Figura 2.19: Soleira em gabião parcialmente destruída na parte norte do arco praial Caiobá– Matinhos, em 1989. Figura 2.20: Soleira e espigões destruídos por eventos de alta energia na parte norte do arco praial Caiobá–Matinhos, em 2 de maio de1995. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-15 Figura 2.21: Calçadão destruído na Praia Central de Matinhos, em 12 de julho de 1994. Pode-se concluir que os problemas erosivos desencadeados pela ocupação inadequada se agravaram com o passar do tempo e que em diversos locais ainda não foram resolvidos, o que torna necessário à continuidade das ações para tentar resolvê- los. 2.2. O histórico do empreendimento O inicio do empreendimento pode ser considerado a partir do Relatório Técnico nº 0001/2003 do Laboratório de Estudos em Monitoramento e Modelagem Ambiental – LEMMA do Instituto Tecnológico Simepar, elaborado por Eduardo Felga Gobbi, Maurício Felga Gobbi e José Eduardo Gonçalves, em 2003, denominado Detalhamento e Modelagem das Obras Complementares, Referentes aos Estudos e Projetos da Recuperação da Praia Brava, Central, e Balneário Flamingo e Riviera na Orla do Município de Matinhos e Prainha na Orla do Município de Guaratuba – Litoral do Estado do Paraná. O objetivo deste relatório era apresentar um conjunto de alternativas de obras complementares ao engordamento da praia a ser implementado pela Suderhsa, no litoral do Estado do Paraná (grifo nosso). Neste documento foram propostos os guias- corrente do Canal da Avenida Atlântica e da foz do rio Matinhos e três alternativas de outras obras complementares: (a) 14 espigões, (b) 20 quebra-mares ou (c) 14 headlands. Posteriormente Eduardo Felga Gobbi elaborou, em 2007, o Ante-Projeto para Obras de Recuperação da Orla Paranaense. O objetivo do relatório era complementar o estudo anterior e apresentar (a) o ante-projeto das estruturas terminais das desembocaduras dos canais de drenagem e esporões/headlands, (b) avaliação e especificações da areia a ser utilizada para engordamento das praias e (c) estudos complementares das correntes e forçantes como as ondas, nos locais de canais de desemboque e esporões/headlands. Neste documento é proposta a construção dos guias-corrente da foz do rio Matinhos e do Canal da Rua Ásia e de três headlands, e são apresentadas concepções artísticas dos guias-corrente e dos headlands (Figuras 2.22 e 2.23). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-16 Figura 2.22: Concepção artística dos guias-corrente (Gobbi 2007). Figura 2.23: Concepção artística dos headlands (Gobbi 2007). Em junho de 2008 a empresa Aquamodelo, contratada pelo Paranacidade, apresentou o Relatório Final do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos, que modificava e detalhava as obras proposta por Gobbi em 2007. Neste relatório é proposta a construção dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná e do rio Matinhos e de dois headlands um no balneário Riviera e outro no balneário Flórida. Em novembro 2009 a empresa Aquamodelo apresentou o Relatório Final-Revisão 01 do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos, que detalhava alguns aspectos das obras e a empresa Slomp & Busarello Arquitetos apresentou o Projeto de Urbanização/Requalificação Urbana da Orla Marítima de Matinhos-PR, nos quais se baseou este estudo de impacto ambiental. 2.3. Objetivos e justificativas do empreendimento 2.3.1. Objetivos As obras analisadas neste EIA-RIMA têm por objetivo recuperar e revitalizar a orla marítima do município de Matinhos, para aumentar o turismo e consequentemente RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-17 gerar receita para a população do município. As obras também visam resolver o problema erosivo de forma duradoura, racionalizando o gasto público. Elas visam especificamente: (a) minimizar o processo erosivo; (b) aumentar a faixa de areia para recreação; (c) recuperar a infraestrutura; (d) diminuir o risco de enchentes na área de influência do rio Matinhos; (e) diminuir a poluição das praias próximas à foz do rio Matinhos e do canal da praia Brava de Caiobá. 2.3.2. Justificativa A degradação da orla marítima no município de Matinhos tem causado prejuízos aos poderes públicos estadual e municipal, aos munícipes e aos veranistas. Nos setores degradados da costa, onde a praia foi reduzida, as águas contaminadas, a infraestrutura urbana danificada e a paisagem degradada, houve desvalorização dos imóveis, redução do afluxo turístico, diminuição das áreas de lazer dos moradores e turistas e diminuição do emprego, mesmo temporário no período de verão. Desde os anos 70 diversas tentativas para resolver os problemas costeiros têm sido realizadas. Contudo, em alguns setores da costa os problemas persistem. As obras propostas, objeto deste estudo de impacto ambiental, visam resolver de forma satisfatória os problemas ao longo de 6,5 km da costa do município de Matinhos, entre o Morro do Boi e o Balneário Flórida, investindo aproximadamente R$ 22.000.000,00. As autoridades municipal, estadual e federal esperam com isto poder revitalizar a orla e o próprio município. 2.4. Localização geográfica As obras propostas estão localizadas ao longo de 6,5 km da costa do Município de Matinhos, no litoral paranaense, entre o morro do Boi e o Balneário Flórida, entre as coordenadas UTM 747020.2/749161.1 e 7140561.4/7146305.1, conforme indicado na figura 2.24. Aos fins deste estudo, a costa considerada pode ser dividida em três setores principais: (a) o arco praial de Caiobá, que se estende desde o Morro do Boi até a Ponta de Matinhos; (b) a praia Central de Matinhos, entre a Ponta de Matinhos e a foz do rio Matinhos e (c) as praias ao norte da foz do rio Matinhos, entre sua foz e o Balneário Flórida (Figura 2.24). Toda a orla apresenta ocupação urbana pertencente ao Município de Matinhos. De sul para norte podem ser identificados os seguintes balneários: Caiobá, Matinhos, Balneário Flamingo, Riviera, Praia Grande e Flórida. As obras devem afetar principalmente as atividades urbanas e turísticas e as relacionadas a ela. Também será afetada a comunidade de pescadores artesanais da colônia de Matinhosque se localiza na praia Central de Matinhos. 25° 46' 25° 47' 25° 48' 25° 49' 25° 50' 25° 51' 48° 26'48° 27'48° 28'48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33' Isóbatas -20.00 -10.00 -5.00 Oceano Atlântico Balneário Riviera Balneário Flamingo Balneário Flórida Foz do Rio Matinhos Matinhos Ponta de Matinhos Foz do Canal de Caiobá Caiobá Morro do Boi Balneário Praia Grande Oceano Atlântico Baía de Guaratuba Colônia de Pescadores de Matinhos 1 0 4 km Jazidas Engorda de Praia Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 2.24: Mapa de localização do empreendimento Data dez/2009 Escala 1:50.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-19 Os principais rios do município que deságuam no mar são: Matinhos, Guarituba e Caiobá (Figura 2.25). Atualmente devido às canalizações realizada na planície costeira as bacias destes rios foram alteradas e interligadas (Figura 2.26). As nascentes destes rios localizam-se na Serra da Prata, que faz parte da Serra do Mar (Figura 2.25). A parte inferior da bacia destes rios é densamente ocupada, onde são freqüentes os problemas de enchentes. Figura 2.25: Principais rios do Município de Matinhos em planta de 1945 (Bigarella 1991). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-20 Figura 2.26: Bacias de drenagem interligadas dos rios do município de Matinhos (Milani 2001). Na área de influência do empreendimento foram encontradas as seguintes unidades de conservação federais e estaduais: (a) Parque Florestal do Rio da Onça, (b) Área de Proteção Ambiental Estadual de Guaratuba, (c) Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, (d) Ilha de Itacolomis e (e) Ilha dos Currais (Figura 2.27). Na área de influência também ocorrem os seguintes parques municipais: Parque Municipal do Sertãozinho, Parque Municipal Morro do Sambaqui, Parque Municipal Morro do Boi, Parque Municipal do Tabuleiro e Parque Municipal Praia Grande (Figura 2.28). Na área de influência direta do empreendimento foram identificadas as seguintes áreas legalmente protegidas: (a) a faixa de 80 m a partir da linha de preamar médio do ano de 1831, (b) a faixa de 2.000 m a partir da mesma linha, (c) as áreas em torno de 10 km das unidades de proteção integral, (d) as restingas, (e) as margens de rios e canais, (F) as dunas frontais, (g) as praias e a faixa de 12 milhas marítimas (Figura 2.27). Também foi identificado o Tombamento da Orla de Matinhos. 25° 33' 25° 36' 25° 39' 25° 42' 25° 45' 25° 48' 25° 51' 48° 20'48° 25'48° 30'48° 35' Praia de Leste Matinhos Caiobá Pontal do Sul Ilha Itacolomis Ilha Currais Ilha do Mel BR 277 PR 407 PR 405 PR 508 PR 405 2 0 10 km Isóbatas -20.00 -10.00 -5.00 Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Balneário Flórida Balneário Riviera Baía de Guaratuba Oceano Atlântico Unidades de Conservação APA ESTADUAL DE GUARATUBA PARQUE FLORESTAL DO RIO DA ONÇA PARQUE NACIONAL SAINT-HILAIRE / LANGE Drenagem Rodovias Raio de 10 km das UCs Jazidas Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 2.27: Unidade de Conservação na área de influência do empreendimento Data dez/2009 Escala 1:185.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE 25° 46' 25° 47' 25° 48' 25° 49' 25° 50' 25° 51' 48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33'48° 34' Balneário Riviera Balneário Flamingo Balneário Flórida Foz do Rio Matinhos Matinhos Ponta de Matinhos Foz do Canal de Caiobá Caiobá Morro do Boi Balneário Praia Grande Oceano Atlântico Baía de Guaratuba Colônia de Pescadores de Matinhos 1 0 2 km Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Isóbatas -20.00 -10.00 -5.00 Engorda de Praia Parques Municipais Parque Municipal do Sertãozinho Parque Municipal do Tabuleiro Parque Municipal Morro do Boi Parque Municipal Morro do Sambaqui Parque Municipal Praia Grande Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 2.28: Localização dos Parques Municipais de Matinhos Data dez/2009 Escala 1:50.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-23 2.5. Caracterização do empreendimento As obras de recuperação da orla marítima de Matinhos avaliadas neste EIA-RIMA podem ser agrupadas em três tipos: (a) guias-correntes e headlands, (b) alimentação artificial da praia e (c) recuperação de taludes, urbanização e paisagismo. Os documentos nos quais foi baseada a caracterização do empreendimento são: 1. O Relatório Técnico no 001/2003 denominado Detalhamento e Modelagem das Obras Complementares, Referentes aos Estudos e Projetos da Recuperação da Praia Brava, Central, e Balneário Flamingo e Riviera na Orla do Município de Matinhos e Prainha na Orla do Município de Guaratuba – Litoral do Estado do Paraná (Gobbi et al. 2003). 2. O Relatório Técnico do Ante-Projeto para Obras de Recuperação da Orla Paranaense (Gobbi 2007). 2. O Relatório Final do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos (Aquamodelo 2008). 4. O Relatório Final-Revisão 01 do Projeto Básico de Recuperação da Orla Marítima de Matinhos (Aquamodelo 2009a). 5. O Projeto de Urbanização/Requalificação Urbana da Orla Marítima de Matinhos-PR (Slomp & Busarello Arquitetos 2009). 6. O Relatório sobre o uso de jazidas de areia submersas como fonte de material para alimentação artificial de praias com problemas erosivos na porção central da costa paranaense (Ferma Engenharia 2009). 7. O relatório da Modelagem Computacional de Evolução de Praia da Orla Marítima do Município de Matinhos – PR (Aquamodelo 2009b) 2.5.1. Guias-correntes e headlands As obras consistem em dois pares de guias-corrente um no canal de drenagem da Avenida Paraná na praia Brava de Caiobá e outro na foz do rio Matinhos e dois headlands localizados nos balneários Riviera e Flórida (Figura 2.29). As características dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná na praia Brava de Caiobá estão apresentadas na figura 2.30 e as da foz do rio Matinhos na figura 2.31. As características dos headlands estão apresentadas na figura 2.32. 2.5.2. Alimentação artificial da praia A alimentação artificial ou engorda da praia compreende a reposição de 1.300.000 m3 de areia ao longo de 6,5 km de praia, entre o Morro do Boi e o headland do Balneário Flórida, conforme indicados na figura 2.29. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-24 Figura 2.29: Planta geral das obras propostas (Paranacidade 2009) Figura 2.30: Guias-corrente do canal da Praia Brava de Caiobá (Paranacidade 2009). GGuuiiaass C t EEnnrroonnccaammeennttooss ((HHeeaaddllaannddss)) Engorda Artificial de Areia GGuuiiaass CCoorrrreenntteess ddaa PPrraaiiaa BBrraavvaaGGuuiiaa CCoorrrreennttee SSuull GGuuiiaa CCoorrrreennttee NNoorrttee RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-25 Figura 2.31: Guias-corrente da foz do rio Matinhos (Paranacidade 2009). Figura 2.32: Headland do balneário Flórida (Paranacidade 2009). 2.5.3. Obras de urbanização e requalificação da paisagem Segundo o projeto de Requalificação da Paisagem da Orla de Matinhos de Slomp & Busarello Arquitetos (2009) o trecho onde estão previstas as obras tem GG i CC t SS l GG i CC t N t PPeeddrraass ddee 55,,33 aa 88,,99 ttoonneellaaddaass HHeeaaddllaanndd ddooss BBaallnneeáárriiooss –– FFllóórriiddaa ee RRiivviieerraa BBaallnneeáárriioo FFllóórriiddaa PPeeddrraass ddee 22,,22 aa 33,,77 ttoonneellaaddaass RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-26 aproximadamente 7,5 km e é composto por três compartimentos com paisagem de características bem definidas: (1) A Praia Brava, entre Caiobá e Matinhos. É a praia com maior densidade populacional e onde a demanda por espaços públicos equipados é maior. O Morro do Boi é o referencial cênico natural mais importante; (2) A Praia Central de Matinhos, entre o Morro das Pedras e o Canal do Rio Matinhos apresenta ocupação de baixa densidade, é o trecho de ocupação mais antiga, com pequeno hotel, bares, restaurantes e mercado de peixes. O formato de pequena enseada, os barcos de pescadores e o Morro são destaques cênicos do lugar; (3) A paisagem entre o Canal do Rio Matinhos, o Balneário Riviera e Balneário Florida. O destaque é a volumetria horizontal das edificações, o traçado da praia é retilíneo. É o espaço com maior presença de vegetação de restinga (nas antedunas) em processo de regeneração, em todo o trecho. Nos dois primeiros compartimentos a arborização pública é descontinua e incipiente, com pouca potencialidade cênica e conforto térmico. Segundo o mesmo projeto a requalificação da Orla de Matinhos tem como objetivos reconstruir, remodelar e equipar os espaços, após a execução das obras de engordamento da praia, e as estruturas complementares. Teria por objetivo a criação de ambientes de estar, encontro e convivência, segurança a circulação de pedestres, ciclistas e deficientes físicos, sombreamento para o controle ao excesso de insolação, mobiliário urbano com múltiplas funções e redução da velocidade dos veículos foram as diretrizes determinantes para a concepção da nova Orla de Matinhos. Fazer da paisagem da beira mar, com os equipamentos, quiosques e pergolados, arborização e espaços gerados, importante lugar de interesse, atração e bem estar para a população local e turistas. A seguir são apresentados os aspectos construtivos indicados no projeto: O projeto propõe o mesmo sistema construtivo para as diferentes funções de cada quiosque, que, segundo seus autores, além de adequado às condições climáticas e tecnológicas, será de fácil construção e manutenção. As fundações para pergolados e quiosques serão compostas por 4 sapatas de concreto por módulo. O terreno será compactado e nivelado para receber a sub-base, base e pisos. A estrutura principal, pilares e vigas é composta por peças de madeira com dimensões mínimas e indicativas. As dimensões finais serão definidas pelo projeto estrutural. Os painéis de fechamento dos quiosques serão em alvenaria revestida com madeira ou cerâmica, alumínio e vidro, conforme as funções de cada ambiente. As coberturas dos quiosques serão em capim Santa Fé, impermeabilizado com produto anti-chamas. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-27 As pérgolas que fazem parte dos ambientes dos quiosques poderão receber cobertura em painéis de policarbonato, vidro laminado ou lona plástica transparente. Nas vias de veículos automotores, ciclovia e pista de corrida o piso será asfáltico, os passeios para circulação e caminhadas serão em mosaico português (petit pave). O mosaico será utilizado como importante meio de organização dos espaços funcionais gerados pelo traçado do projeto. O uso do mosaico permite a execução de desenhos ricos de formas. Foram estilizados os movimentos das ondas, formando desenhos com grande efeito estético e simbólico. Nas áreas de estacionamento utilizamos peças de concreto intercaladas com grama (concregrama) para melhorar as condições de drenagem e diminuir a carga térmica. Os materiais escolhidos para pisos e pavimentações, por suas características funcionais, técnicas, econômicas e estéticas (cores e textura) são determinantes para a harmonia de todos os espaços projetados. Para a iluminação de ruas e passeios serão utilizados 2 tipos de postes: (1) Poste alto com duas luminárias colocadas em duas alturas e com lâmpadas de cores diferentes serão colocados a cada 30 m aproximadamente. A luminária alta será para iluminar a rua e a mais baixa para iluminar a ciclovia. (2) Poste baixo com duas luminárias colocadas na mesma altura com lâmpadas de cores iguais para iluminar a pista de corrida, passeio e ciclovia. Serão colocados intercalados entre os postes altos. Para a iluminação dos quiosques, pérgolas e vegetação serão utilizados três tipos de luminárias: (1) parede, (2) teto, (3) piso. Cada tipo de acordo com as necessidades de luz ambiente, trabalho ou destaque. A comunicação visual será projetada de maneira a facilitar aos usuários o entendimento e a orientação dos deslocamentos a seguir e a identificação dos espaços de ruas, ciclovia, estacionamentos, travessias, etc. A sinalização será do tipo vertical e horizontal, de acordo com as normas do DETRAN. Com referência à vegetação o projeto prevê a utilização de espécies de porte arbóreo, arbustivo e herbáceo da flora local regional e nacional e indica que poderão ser utilizadas também espécies exóticas aclimatadas e incorporadas na cultura da paisagem brasileira. As espécies arbóreas e algumas de suas características listadas no projeto são as seguintes: Cocus Nucífera – coqueiro (ocorre na costa Atlântica Brasileira, na restinga). Arecastrum Romanzoffianum – coqueiro gerivá (ocorrência e habitat nos estados do sul) frutifica o ano todo, frutos apreciados pela fauna. Oxpsis Lutesceus – areca bambu. Terminacia Catappa – amendoeira, sombreiro. Delonix Regia – flamboiã floresce de outubro a janeiro. Bounganvillea Glabra – primavera (ocorre com freqüência nas florestas da mata Atlântica), floresce nos meses de novembro – fevereiro. As espécies herbáceas são: Stenotaphrum Secundatum – grama de jardim, grama de santo Agostinho (nativa, ocorre em toda a América Subtropical) e Arachis Repens – grama amendoim (nativa do Brasil). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-28 Para reposição florística das antedunas (dunas frontais) o projeto indica: Ipomea Pes- caprae – ipomea (vegetação pioneira característica das antedunas) e Canavalia Obtusifolia. 2.6. Inserção regional O projeto de recuperação de orla de Matinhos possui interação com o Plano Diretor do Município de Matinhos; o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – GERCO; o Projeto Orla, o Zoneamento Marinho; o Zoneamento Econômico Ecológico do Estado do Paraná - ZEE e o Zoneamento Econômico Ecológico do Litoral Paranaense. O Plano Diretor do Município de Matinhos foi aprovado pelo poder executivo e se encontra no Conselho de Desenvolvimento do Litoral Paranaense – COLIT, para relatoria. Os possíveis conflitos entre este plano diretor e as obras foram analisados no prognóstico. Projeto Orla para o Município de Matinhos foi elaborado e apresentado e esta em processo de avaliação pelo Ministério do Meio Ambiente. Os possíveis conflitos entre o projeto orla e as obras foram analisados no prognóstico. Plano de Gerenciamento Costeiro – GERCO, o Zoneamento EconômicoEcológico - ZEE e o Zoneamento Marinho do Litoral Paranaense estão em diversos estágios de elaboração e ainda não foram apresentados ou aprovados. 2.7. Órgão financiador e valor da atividade Os recursos para executar as obras são provenientes do Governo de Estado do Paraná, em cooperação com o Ministério da Integração Nacional, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. O custo total do projeto é de aproximadamente R$ 22 milhões conforme discriminado na tabela 2.1, sendo em torno de R$ 8 milhões para as obras semiflexíveis, R$ 12 milhões para a engorda artificial e R$ 2 milhões para urbanização e paisagismo. O custo da cada obra semiflexível varia entre R$ 1,6 e 2,3 milhões, conforme discriminado na tabela 2.2. O custo estimado da alimentação é de R$ 9,00 por m3 totalizando R$ 11,7 milhões. Tabela 2.1: Custo das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos. Obra Custo (em reais) Projeto executivo das quatro estruturas e engordamento da praia 350.000 Guias-corrente do canal da Avenida Paraná 2.060.990 Guias-corrente do rio Matinhos 2.302.006 Headland do Balneário Riviera 1.838.139 Headland do Balneário Flórida 1.627.205 Engorda artificial (1.300.000 m3 de areia x R$ 9,00) 11.700.00 Recuperação de taludes, urbanização e paisagismo 2.100.000 Total 21.978.340 Fonte: Paranacidade (julho de 2009). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 2-29 Tabela 2.2: Custo dos materiais das estruturas semiflexíveis. Estrutura Pedra Areia Concreto ciclópico Geofôrma Totais Guias-corrente do canal da praia Brava de Caiobá 1.007.960 115.000 204.440 733.590 2.060.990 Guias-corrente do rio Matinhos 2.302.006 -- -- -- 2.302.006 Headland do Balneário Riviera 548.704 177.000 242.100 870.335 1.838.139 Headland do Balneário Flórida 532.870 97.000 269.000 728.335 1.627.205 Totais 4.391.540 389.000 715.540 2.332.260 7.828.340 Fonte: Paranacidade (julho de 2009). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-30 3. ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS 3.1. Alternativas tecnológicas Existem diversas alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla marítima de Matinhos propostas. Estas alternativas decorrem do tipo de costa desejado, que depende de fatores históricos, culturais, políticos e econômicos, entre outros. Porém, as análises destas alternativas estão além do alcance deste estudo. Contudo um aspecto é claro: a erosão que afeta alguns setores da costa do Município de Matinhos torna estas praias menos atrativas para o turismo e põe em risco a infraestrutura urbana e costeira. Assim, parece não haver dúvida que há necessidade de ações que melhorem a qualidade ambiental destas áreas, com fins turísticos. Portanto, deve-se considerar quais são as ações alternativas para resolver os problemas dentro do marco da ocupação atual e as tendências históricas e culturais predominantes. Neste marco podem ser considerados dois tipos principais de ações: as que visam restaurar as condições originais naturais e as que visam modificar as condições naturais e criar uma nova situação favorável ao uso pretendido. Contudo, estas duas estratégias de ação podem ser utilizadas complementarmente, restaurando as condições mais próximas do natural onde for possível e modificando as condições onde for necessário. O recuo das construções tem sido e é a alternativa utilizada pelas populações tradicionais da costa, porém está não é a tendência em áreas urbanizadas. No caso de Matinhos a alternativa de restaurar as condições originais implicaria no recuo da ocupação até liberar uma faixa da orla onde os agentes costeiros – ondas, correntes e ventos - pudessem restabelecer as condições de equilíbrio dinâmico das praias. Esta alternativa tem sido implementada com sucesso em diversos países, notadamente nos estados Unidos da América e na Espanha, e já foi proposta para alguns setores da área em questão (Gouvêa da Costa 2002). 3.1.1. Alternativas tecnológicas às obras de recuperação da orla Como alternativas tecnológicas às obras de recuperação proposta serão consideradas (a) o recuo da urbanização e (b) a construção de quebra-mares submersos. 3.1.1.1. Recuo da urbanização O histórico da ocupação costeira paranaense evidencia que esta ocorreu sem considerar a dinâmica costeira. Pode-se destacar (a) a ocupação da faixa dinâmica de praia, (b) o avanço das construções sobre a praia e (c) a destruição das dunas frontais. Deste modo, para tentar reverter os problemas de erosão costeira poderia ser considerado o recuo da ocupação deixando uma faixa livre para possibilitar o restabelecimento do equilíbrio dinâmico das praias e a reconstrução das dunas frontais. Contudo, esta opção demanda estudos de viabilidade econômica e sua confrontação com outros tipos de soluções. Esta solução já foi sugerida por Gouvêa da Costa (2002) para a praia central de Matinhos, onde a ocupação reconhecidamente avançou sobre a praia. Nesta área, não estão sendo propostas obras semiflexíveis nem engorda da praia. Para aplicar esta solução em Matinhos seriam necessários estudos de custo/benefício em relação as outras alternativas. Ademais a solução de recuo é, sem dúvida, muito mais demorada pois envolve políticas publicas, processos de desapropriação e possíveis ações judiciais. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-31 Deste modo, sugere-se que seja realizado um estudo de viabilidade para avaliar efetivamente a possibilidade de recuar a ocupação, mesmo que seja em alguns setores, o que certamente traria expressivos ganhos de qualidade ambiental deste setor da orla. Esta medida pode ser complementar as obras proposta no projeto de reurbanização da área de Matinhos, conforme sugerido nas medidas compensatórias. Nas áreas com problemas erosivos de Caiobá, Flamingo e Riviera existem ocupações consolidadas, que provavelmente inviabiliza a solução do recuo da ocupação, contudo neste EIA-RIMA foram indicadas medidas mitigadoras que visam manter a maior faixa possível da orla sem ocupação, que poderia propiciar melhora significativa da estabilidade e conseqüentemente da durabilidade das obras de engorda de praia. 3.1.1.2. Quebra-mar submerso A recuperação da praia poderia ser feita com a implantação de quebra-mares submersos, seja de forma isolada ou associada à engorda da praia. Os quebra-mares poderiam substituir a engorda ou aumentar sua durabilidade de forma significativa. Inclusive, poderiam tornar a praia estável sem necessidade de reposição das perdas de areia. Contudo, a implantação deste tipo de obra requer dados precisos de ondas, correntes, batimetria e transporte de sedimentos, que não estão disponíveis para a área, e projetos de engenharia sofisticados, ainda pouco utilizados no Brasil. A alternativa de quebra-mares submersos poderá ser utilizada no futuro para eliminar a necessidade de reposição periódica das perdas da areia da engorda da praia. 3.1.2. Alternativas aos guias-corrente do canal de drenagem da Avenida Paraná em Caiobá Neste item serão analisadas alternativas para atingir os objetivos considerados para a construção dos guias-corrente do canal da Avenida Paraná em Caiobá. 3.1.2.1. Alternativa para a diminuição da poluição da praia Uma das justificativas para a construção dos guias-correntes do canal da Avenida Paraná, em Caiobá é o lançamento das águas contaminadas do canal mais longe no mar. Os guias-correntes deverão diminuir a contaminação das areias da praia devido a que fixarão o fluxo das águas do canal, evitando que se espalhem sobre a areia. Contudo, a dispersão dos poluentes no mar não será muito eficiente, pois as águas serão lançadas na zona de surfe onde as ondas geram correntes que transportam as águas em direção à costa. Deste modo, mesmo com a construção dos guias-correntesseriam necessárias outras ações para descontaminar as águas do canal e garantir a melhora da qualidade das águas costeiras. A descontaminação poderia ser feita eliminando os esgotos clandestinos e ampliando a rede já existente para abranger toda a bacia de captação do canal. Contudo, esta alternativa depende de outras obras e requer estudos além do alcance deste EIA- RIMA. Uma das alternativas já aventadas para a eliminação do problema de lançamento das águas contaminada do canal de Caiobá é o da inversão de sua drenagem para o interior. Esta alternativa eliminaria a necessidade de construção dos guias-corrente. Contudo, esta solução implica na realização de projetos e obras de macro e micro drenagem urbana e estudos além do alcance deste EIA-RIMA. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-32 3.1.2.2. Alternativa de diminuição do tamanho Os guias-corrente propostos poderiam ter seu tamanho reduzido, tanto na altura e largura como no comprimento. O objetivo de lançar as água do canal no mar, evitando que se espalhem sobre a areia da praia emersa, poderia ser alcançado com guias- corrente mais estreitos e mais baixos. Contudo esta solução não permitiria o uso proposto no projeto, que é o da utilização dos guias-corrente com fins de lazer. 3.1.2.3. Alternativa de não construção A não construção dos guias-correntes da Avenida Paraná em Caiobá, não teria efeitos significativos na engorda da praia, principalmente na durabilidade da obra, pois eles se localizam na parte central do arco praial. Como explicitado no diagnóstico e prognóstico deste EIA-RIMA, o transporte natural de areia ao longo da praia é de sul para norte. Como a parte sul do arco praial de Caiobá, entre o Morro do Boi e o canal da Avenida Paraná, não apresenta processo significativo de erosão não haveria necessidade de implantar uma obra transversal à costa para reter areia. Contudo, deve-se lembrar que a não construção dos guias-correntes impediria fixar o fluxo das águas contaminadas do canal e a sua utilização com fins urbanos. 3.1.3. Alternativas aos guias-corrente do Rio Marinhos Neste item serão consideradas as alternativas de diminuição do tamanho dos guias- corrente do Rio Matinhos e a mudança de sua orientação. 3.1.3.1. Alternativa de diminuição do tamanho e mudança de orientação A principal justificativa para a construção dos guias-corrente é (a) impedir o assoreamento da foz do Rio Matinhos para diminuir as enchentes e (b) lançar as águas poluídas do rio mais longe no mar, para facilitar sua diluição. Os guias-correntes existentes na foz do rio Matinhos são mais curtos, baixos e de orientação diferente dos propostos no projeto ora analisado. A nova orientação é perpendicular à praia, que segundo os projetistas seria a mais adequada para evitar o assoreamento. A nova configuração, tanto no que se refere a sua orientação como comprimento, deve diminuir significativamente o assoreamento do canal facilitando o fluxo do rio e conseqüentemente a diluição das águas poluídas no mar. Com relação as enchente, os novos guias-corrente devem melhorar a vazão do rio e conseqüentemente diminuir as enchentes, contudo deve-se lembrar que uma das variáveis importante que controla as enchentes na bacia do rio é o nível do mar e que este não será modificado. Ou seja, quando o nível do mar estiver alto, as águas do rio serão represadas e causaram enchentes, independentemente do tamanho do canal. Contudo, quando o mar baixar, o escoamento será mais rápido, diminuindo a duração da enchente. Ademais, como relatado neste EIA-RIMA, os pescadores artesanais utilizam o canal do rio Matinhos como abrigo para suas embarcações. A nova configuração deve facilitar a entrada, navegação e permanência das embarcações no canal. Inclusive, no capítulo das medidas deste EIA-RIMA foram incluídas recomendações de obras complementares para melhorar o potencial de utilização do canal pelos pescadores artesanais. O principal impacto negativo dos novos guias-corrente é a interrupção parcial da deriva litorânea longitudinal, que será significativamente maior que a atual, devido a maior RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-33 altura e comprimento. No capítulo de medidas mitigadoras foi proposto um sistema de transposição de areia no rio Matinhos para minimizar o impacto da interrupção do transporte de sedimentos ao longo das praias pelos novos guias-corrente. 3.1.4. Alternativas tecnológicas aos headlands Neste item são apresentadas as alternativas tecnológicas e de não construção dos headlands. 3.1.4.1. Alternativa de diminuição do tamanho A principal justificativa para a construção dos headlands é a de reter parte da areia da engorda para aumentar a vida útil da obra. A outra justificativa é sua utilização com fins urbanos de lazer. O objetivo de retenção de areia pode ser obtido com estruturas transversais de menor altura ou com perfil transversal igual ao da praia após a engorda. Neste último caso ficariam soterradas, sem alterar a paisagem e somente em caso de perda de areia, as estruturas se tornariam aparentes. Esta configuração é tão eficiente para a retenção de areia quanto à dos headlands propostos. Contudo, esta nova configuração elimina a possibilidade de utilização da estrutura com fins urbanos como proposto no projeto. 3.1.4.2. Alternativa de píer vazado Além de serem obras complementares à engorda, os headlands têm funções turísticas, pois permitem implantação de infraestrutura de apoio a esta atividade, acesso e circulação de pessoas. Contudo, a mesma função turística também poderia ser obtida com outros tipos de obras tais como os píers vazados, que não interferem significativamente na dinâmica costeira. Os píers podem ser construídos sobre pilotis nas dimensões desejadas para os fins turísticos sem interferir no transporte de sedimentos ao longo das praias, nem na morfologia do arco praial. Contudo, os píers vazados não têm a função de retenção de areia e, portanto, não é uma obra complementar à engorda da praia. 3.1.4.3. Alternativa de não construção Os headlands foram idealizados como obras complementares à engorda da praia, com o objetivo de aumentar a vida útil da obra pela retenção de areia. Contudo, os dados disponíveis sobre transporte de sedimentos ao longo da praia e sobre balanço sedimentar na região não permitem estimar de quanto será o aumento da vida útil da alimentação com os headlands ou a diminuição sem eles. O monitoramento do volume praial após as obras de engorda permitiria definir se construção dos headlands ou outra obra transversal seriam necessárias para reter areia ao longo da praia. Contudo, a alternativa de não construção dos headlands aumentaria a incerteza quanto à durabilidade da obra e, obviamente, impossibilitaria o seu uso com fins turísticos. 3.1.5. Alternativas à alimentação artificial da praia A alimentação artificial de praia tem se mostrado à alternativa mais adequada para recuperar praias com déficit de sedimentos ou para aumentar a faixa de praia. A reposição de perdas de areia da praia ou o seu aumento pode ser considerado a estratégia mais adequada para melhorar o uso turístico e a qualidade ambiental das praias. As alternativas à alimentação artificial, além do recuo já comentado, seriam as obras rígidas tais como espigões, muros e quebra-mares, que ademais podem ser RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-34 utilizadas como obras complementares junto com a alimentação artificial, como é o caso das obras aqui analisadas. As alternativas tecnológicas da alimentação artificial podem ser resumidas a três aspectos principais: (a) a fonte de areia a ser utilizada; (b) o volume de areia a ser reposto e (c) a forma de disposição da areia na praia. Estas alternativas definem (a) os custos, (b) os impactosambientais e (c) a durabilidade das obras. 3.1.5.1. Fonte de areia O tipo de areia é determinado pelas jazidas disponíveis e seu custo de extração e deposição na praia. Nas obras aqui analisadas podem ser consideradas três fontes principais: (a) areia proveniente da dragagem do setor externo do canal da Galheta de acesso ao porto de Paranaguá; (b) areias da barra de Guaratuba e (c) areia da plataforma interna. 3.1.5.1.1. Areia do setor externo do canal da Galheta A areia proveniente da dragagem do setor externo do canal da Galheta, sem dúvida é uma opção excelente devido a vários fatores. Primeiro os impactos ambientais da obtenção da areia iriam ocorrer de qualquer modo devido à necessidade de manter o canal propicio a navegação, não havendo impactos ambientais adicionais. Ademais, a areia que seria descartada para áreas de despejo, seriam utilizadas para recuperar outra área, o que pode ser considerado com uma reciclagem da areia. Outro aspecto importante é que a areia retirada do canal faz parte da areia do sistema de transporte de sedimentos de praias e deltas de maré que mantém, ou pelo menos mantinha, as praias e deltas em equilíbrio dinâmico. A dragagem do canal de acesso ao porto interrompeu o transporte de sedimentos ao longo do delta de maré vazante ou barra. A utilização da areia para alimentação artificial de praia pode ser considerada uma medida compensatória, pois visa reduzir o déficit de sedimentos causado num setor da costa pela dragagem do canal, aumentado o aporte de sedimentos em outro setor da costa. Cabe lembrar que uma das preocupações mais freqüentes quando da utilização de material dragado em portos refere-se a possível contaminação dos sedimentos. Contudo, neste caso trata-se dos sedimentos dragados no setor externo do canal, no delta de maré vazante ou barra, localizado em mar aberto, na plataforma interna, e muito provavelmente livre de contaminação. Contudo, esta alternativa, inicialmente considerada pelo empreendedor, não foi implementada por diversos fatores, cuja análise está fora do escopo deste EIA-RIMA. De qualquer modo, recomenda-se que a areia proveniente da dragagem do setor externo do Canal da Galheta seja utilizada em futuras alimentações. 3.1.5.1.2. Areia da barra de Guaratuba A alternativa de fonte de areia para a engorda da praia seria a da barra de Guaratuba. Inclusive, esta opção foi considerada em trabalho anterior (Gouvêa da Costa 2002). Contudo, extrair areia da barra implica em retirar areia do próprio sistema costeiro. Isto aumenta o risco de modificações indesejadas no sistema costeiro, tais como erosão ou assoreamento na barra ou nas praias próximas. Para se extrair areia do dinâmico sistema costeiro seria necessário contar com modelagens precisas da dinâmica de ondas e correntes e do transporte de sedimentos ao longo das praias e da barra, que por sua vez demandam dados precisos de ondas, correntes, batimetria e RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-35 características dos sedimentos. Dados estes que não estão disponíveis para a área, que tem custos relativamente elevados para sua obtenção e demandam certo tempo para sua obtenção. 3.1.5.1.3. Areia da plataforma interna A areia da plataforma não faz parte do sistema praial, ela foi depositada na plataforma em condições diferentes das atuais, provavelmente quando o mar tinha nível inferior ao atual há alguns milhares de anos. A extração de areia da plataforma interna tem a vantagem de retirar areia de outro sistema costeiro e incorpora-lo ao sistema praial. Ou seja, se acrescenta areia ao sistema praial. Ademais, as areias da plataforma são geralmente livres de contaminantes, devido ao alto poder de diluição do mar. Deste modo, conjuntamente com as areias de dragagem não contaminadas, é a melhor alternativa ambiental de jazida para a engorda de praia. 3.1.5.2. Volume de areia A alimentação proposta é de 1,3 milhões de m3 de areia. Este volume foi definido pelos projetistas para obter um aumento da largura da praia de 50 a 80 m ao longo dá área do projeto. A principio este é um aumento apropriado da largura da praia para fins turísticos. Ademais, são valores similares aos utilizados em outras obras de engorda no Brasil e no mundo. Como se trata da primeira engorda deste tipo a ser realizada na área e não há dados suficientes que permitam avaliar com segurança a durabilidade da obra, torna-se difícil avaliar se o volume proposto é adequado ou não antes da implantação da obra. O monitoramento do volume praial possibilitará medir as perdas de areia e conseqüentemente definir com maior segurança os volumes adequados para garantir a durabilidade desejada. 3.1.5.3. Disposição de areia na praia Com relação à disposição de areia na praia existem dois modos principais. Um é o lançamento da areia na parte submersa da praia e outro na parte emersa. O lançamento na parte submersa implica que a areia será redistribuída pelas ondas e correntes. Ele pode ter custo menor que o lançamento na parte emersa, mas aumenta a incerteza sobre o resultado final da obra, que é, principalmente, aumentar a parte emersa da praia, sobretudo em áreas onde não há conhecimento detalhado do clima de ondas e correntes e do transporte de sedimentos. Ademais, pode demorar meses ou anos para que a areia seja transportada para a parte emersa da praia. A disposição de areia na parte emersa da praia, que é a opção escolhida pelo empreendedor, é mais segura quanto à obtenção do perfil de praia emerso desejado. Ademais, a redistribuição da areia com máquinas na parte emersa da praia é uma operação relativamente simples e rápida que facilita a obtenção dos perfis de praia desejados. 3.2. Alternativas locacionais As alternativas locacionais das obras se restringem à engorda e aos headlands, pois a localização dos guias-correntes está determinada pelos dois cursos d’água - o canal da Av. Paraná e o rio Matinhos - não havendo alternativas para sua localização. Duas alternativas locacionais para a engorda podem ser consideradas. Uma seria a engorda da praia entre a Ponta de Matinhos e os guias-corrente do rio Matinhos. O RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 3-36 empreendedor optou por não alimentar este setor, pois considera que a areia proveniente do arco praial de Caiobá, deverá alimentar naturalmente este setor da praia. A outra seria estender a engorda ao norte do headland do balneário Flórida. Como, não há evidencias de processo erosivo ao norte deste balneário a engorda seria desnecessária, ademais este setor deve ser alimentado naturalmente pelas areias da engorda das praias ao sul. A localização dos headlands foi definida pelo projetista, contudo eles poderiam ser construídos em locais diferentes dos propostos. Ao longo da costa entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida não há diferenças significativas nas características ambientais que possam justificar a mudança de sua localização. Ou seja, os impactos ambientais em qualquer localização neste setor da costa seriam equivalentes. 3.3. Alternativa de não realização do empreendimento A não realização do empreendimento implicaria no agravamento do problema erosivo com perda de praia para fins turísticos e recreativos, dano ou destruição de infra- estrutura da orla e até danos a propriedades. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 4-37 4. ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO 4.1. Área diretamente afetada – ADA 4.1.1. Meio Físico A área diretamente afetada (ADA) do meio físico compreende: (a) a área da praia que sofrerá alimentação artificial; (b) a orla costeira adjacente incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) a foz do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá, onde está proposta a construção dos guias-corrente; (d) os locais ondeestá proposta a construção dos headlands e (e) a área de dragagem, na plataforma rasa, conforme indicado na figura 4.1. 4.1.2. Meio Biótico A área diretamente afetada (ADA) do meio biótico compreende: (a) a área da praia que sofrerá alimentação artificial; (b) a orla costeira adjacente incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) a foz do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá, onde está proposta a construção dos guias-corrente; (d) os locais onde está proposta a construção dos headlands e (e) a área de dragagem, na plataforma rasa conforme indicado na figura 4.1. 4.1.3. Meio Socioeconômico A área diretamente afetada (ADA) do meio socioeconômico compreende: (a) a orla costeira onde serão realizadas as obras, a praia adjacente, a área de dragagem, na plataforma rasa, conforme indicado na figura 4.1. Para o item Uso e Ocupação do Solo a ADA corresponde às vias que serão objeto do projeto de reurbanização/paisagismo e a praia, na extensão da avenida beira-mar objeto deste projeto. 4.2. Área de Influência Direta – AID 4.2.1. Meio Físico A área de influência direta (AID) considerada para o meio físico compreende: (a) as praias Brava de Caiobá, Matinhos e dos balneários ao norte de Matinhos até Praia de Leste; (b) a orla costeira adjacente a estas praias incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá e (e) as áreas da pluma de dispersão de sedimentos na plataforma, conforme indicado na figura 4.2. 4.2.2. Meio Biótico A área de influência direta (AID) considerada para o meio biótico compreende: (a) as praias Brava de Caiobá, Matinhos e dos balneários ao norte de Matinhos até Praia de Leste; (b) a orla costeira adjacente a estas praias incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá e (e) as áreas da pluma de dispersão de sedimentos na plataforma, conforme indicado na figura 4.2. 4.2.3. Meio Socioeconômico A área de influência direta (AID) considerada para o meio socioeconômico compreende o Município de Matinhos e sua plataforma continental adjacente. Para o item Uso do Solo a AID corresponde: a) em terra, a faixa constituída pela primeira linha de quadras, que fazem frente para a avenida beira-mar; b) no mar, uma faixa paralela à praia, com RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 4-38 o mesmo comprimento considerado para esta, e com largura de aproximadamente 100 m, contados a partir da linha de baixa-mar, conforme indicado na figura 4.2. 4.3. Área de Influência Indireta – AII 4.3.1. Meio Físico A área de influência indireta (AII) considerada para o meio físico é: (a) o arco praial desde a praia Brava de Caiobá até Pontal do Sul; (b) a orla costeira adjacente a este arco praial incluindo os calçadões, avenidas beira-mar e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá e (d) a plataforma interna rasa adjacente, conforme indicado na figura 4.3. 4.3.2. Meio Biótico A área de influência indireta (AII) considerada para o meio biótico é: (a) o arco praial desde a praia Brava de Caiobá até Pontal do Sul; (b) a orla costeira adjacente a este arco praial incluindo restinga e dunas frontais; (c) as bacias do rio Matinhos e do canal da Praia Brava de Caiobá e (d) a plataforma interna rasa adjacente, conforme indicado na figura 4.3. 4.3.3. Meio Socioeconômico A área de influência indireta (AII) considerada para o meio socioeconômico é a região do litoral paranaense e sua plataforma continental adjacente, e para o item Uso do Solo a área urbana de Matinhos conforme indicado na figura 4.4. 25° 47' 25° 48' 25° 49' 25° 50' 25° 51' 48° 25'48° 26'48° 27'48° 28'48° 29'48° 30'48° 31'48° 32'48° 33'48° 34' Isóbatas -20.00 -10.00 -5.00 Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland 1 0 3 km Matinhos Foz do Rio Matinhos Caiobá Balneário Flórida Engorda Foz do Canal de Caiobá Morro do Boi Balneário Riviera Ponta de Matinhos Oceano Atlântico Baía de Guaratuba Área de Dragagem Jazidas Rio Matinhos Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 4.1: Área Diretamente Afetada (ADA) para os meios físico, biótico e socioeconômico Data dez/2009 Escala 1:55.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE 25° 40' 25° 41' 25° 42' 25° 43' 25° 44' 25° 45' 25° 46' 25° 47' 25° 48' 25° 49' 25° 50' 25° 51' 25° 52' 25° 53' 25° 54'48° 24'48° 27'48° 30'48° 33' 2 0 6 km Foz do Rio Matinhos Ponta de Matinhos Foz do Canal de Caiobá Morro do Boi Baía de Guaratuba Oceano Atlântico Rio Matinhos Ilha Itacolomis Jazidas Área de Dragagem Balneário Riviera Balneário Flórida Balneário Praia de Leste Área da pluma de dispersão Isóbatas (m) -20.00 -10.00 -5.00 Matinhos Caiobá Rodovias Balneário Soly mar Balneário Gaiv otas PR 508 PR 405 PR 407 Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 4.2: Área de Influência Direta (AID) para os meios físico, biótico e socioeconômico Data dez/2009 Escala 1:135.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE 25° 33' 25° 36' 25° 39' 25° 42' 25° 45' 25° 48' 25° 51' 48° 20'48° 25'48° 30'48° 35' Praia de Leste Matinhos Caiobá Pontal do Sul Ilha Itacolomis Ilha Currais Ilha do Mel BR 277 PR 407 PR 405 PR 508 PR 405 2 0 10 km Isóbatas -20.00 -10.00 -5.00 Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Balneário Flórida Balneário Riviera Baía de Guaratuba Oceano Atlântico Drenagem Rodovias Jazidas Morro do Boi Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 4.3: Área de Influência Indireta (AII) para os meios físico e biótico Data dez/2009 Escala 1:185.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE 25° 00' 25° 10' 25° 20' 25° 30' 25° 40' 25° 50' 48° 15'48° 30'48° 45' 10 0 30 km Oceano Atlântico Área de Dragagem Área da pluma de dispersão Isóbatas (m) -20.00 -10.00 -5.00 PR 405 Tipo de Estrutura Guias-corrente Headland Paranaguá Guaraqueçaba Antonina Morretes Matinhos Guaratuba Paraná Pontal do Baía de Guaratuba Baía das Baía de Paranaguá Laranjeiras Ilhas Currais Ilha Itacolomis Ilha do Mel Ilha das Peças Ilha de Superagui PR 407 PR 508 BR 277 BR 277 BR 116 PR 405 PR 405 BR 340 PR 411 PR 410 PR 408 PR 412 Rodovias Divisa Municipal Coordenador Geral Rodolfo José Angulo Geoprocessamento Maria Cristina de Souza Mauricio Almeida Noernberg Relatório de impacto ambiental para as obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, Paraná Figura 4.4: Área de Influência Indireta (AII) para o meio socioeconômico Data dez/2009Escala 1:570.000 AMB Planejamento Ambiental e Biotecnologia Ltda Serviço Social Autônomo PARANACIDADE RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-2 5. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL 5.1. Diagnóstico 5.1.1. Meio Físico 5.1.1.1. Oceanografia física e meteorologia Os parâmetros relevantes para a caracterização oceanográfica física das áreas do empreendimento, pela sua ordem de importância, são: • Condições meteorológicas • Clima de ondas ou agitação marítima • Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) • Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas) • Ocorrência de eventos extremos (ressacas) Em regiões estuarinas, adiciona-se a esta listagem, a descarga de água doce dos rios, que geram seus próprios fenômenos hidrodinâmicos relativos aos gradientes de densidade. Este tipo de forçante é menos relevante na área do empreendimento, apesar de existir evidências das plumas do Complexo Estuarino de Paranaguá e da baía de Guaratuba como elementos relevantes na circulação da plataforma rasa. Dados e informações meteorológicas existem para a escala da AII (estação do GFM/CEM em Pontal do Sul e outras no litoral do Estado), não havendo dados deste tipo na ADA, mas condições meteorológicas gerais do litoral do Estado do Paraná podem ser consideradas como representativas para as escalas da AII e da AID, incluindo a ADA, já que não são esperados eventos meteorológicos de alta relevância na escala local (ADA), a não ser eventos de ventos locais de tempestade e sistemas de brisa/terral. Existem dados esparsos da oceanografia física na escala espacial da AII, e são apenas suficientes para uma caracterização básica da área. Dados de maré e meteorológicos existem para dois locais, nas desembocaduras das baías de Guaratuba e Paranaguá, e ondas e correntes na plataforma rasa em frente a Pontal do Sul e Shangri-lá Existem poucos dados da oceanografia física na escala espacial da AID, e não são completamente suficientes para uma caracterização detalhada da mesma. Existem dados históricos de ondas e correntes nas proximidades do Arquipélago dos Currais, no limite externo Norte da AID. Não existem dados suficientes da oceanografia física na escala espacial local, pelo que há limitações para uma caracterização detalhada da ADA. 5.1.1.1.1. Clima e condições meteorológicas A região pode ser caracterizada meteorologicamente pelos seguintes parâmetros (Marone et al. 2005, Lana et al. 2001): • Clima na região: tipo Cfa. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-3 - C: clima pluvial temperado - f: sempre úmido, com chuva todos os meses do ano - a: temperatura média do mês mais quente acima de 22oC. • Período mais chuvoso: meses de verão (fevereiro) • Período mais seco: meses de inverno (julho e agosto) • Quantidade de chuva (média anual): 1988mm • Décimos de céu encoberto (média anual): 7 • Temperatura do ar média anual: 21oC máxima: 34oC mínima: 01oC média das máximas: 29oC média das mínimas:18oC Precipitação (média anual): 2000 mm • Ventos predominantes: Leste e Sudeste velocidade máxima: 25m/s (S - SSW) velocidade média: 4 m/s direções predominantes: E/SE/NE • Umidade relativa do ar média anual: 85% média mensal máxima: 90% média mensal mínima: 40 - 50% As condições meteorológicas gerais do litoral do Estado do Paraná podem ser consideradas como representativas para as escalas da AII e da AID, com ventos predominantes dos quadrantes E; SE e NE, velocidades médias de 4 m/s e máximas, para ventos do quadrante S-SSW de até 25 m/s. De um modo geral, pode-se citar que o fator meteorológico mais relevante para todas as escalas é o das passagens de sistemas frontais e os ventos associados e, em raras ocasiões, ventos locais de grande intensidade; brisa e terral. Não há informações que levem a esperar fenômenos microclimáticos relevantes na escala da ADA, mas há registros de tempestades locais no litoral, e não pode ser desprezada a ação da brisa (e terral). 5.1.1.1.2. Oceanografia e hidrodinâmica costeira 5.1.1.1.2.1. Clima de ondas ou agitação marítima A climatologia de ondas da região sul do Brasil, onde a área do empreendimento se encontra, foi descrita por Araújo et al. (2003) destacando-se a esparcidade de dados na escala geográfica e os curtos comprimentos dos registros existentes, na escala temporal. No caso particular de ondas e suas correntes associadas (de deriva litorânea e de retorno), a ausência de dados locais impede caracterizar a ADA apropriadamente. Para a ADA não existem registros ou dados de onda. Para um local próximo à AID existe apenas um registro de ondas e foi realizado próximo à Ilha dos Currais, ao largo da Praia de Leste no litoral paranaense (PORTOBRAS 1983, Homsi 1993). A RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-4 campanha coletou dados de 1/09/1982 a 31/08/1983. Os dados foram também publicados por Nateec (1994), de onde surge que as direções de ondas predominantes são provenientes de E-SE, com alturas máximas das ondas de maior ocorrência entre 1,1 e 1,6 m; alturas significativas de 0,5 a 1,0 m; predominando as ondas com período médio entre 6 a 9 s e sendo mais freqüentes as ondas com período de crista entre 3 e 6 s. Registraram-se ondas de alturas máximas de até 3,7 m e períodos máximos de 19 s. De um modo geral, estes dados, pelos problemas indicados (limite externo da AID), são pouco representativos para uma caracterização detalhada seja da AID e, muito menos, da ADA. Existem alguns registros de ondas para locais próximos ou dentro da AII. O mais antigo foi realizado e analisado por Bandeira (1974) do INPH, e também estudado por Homsi (1978). O registro foi obtido entre abril de 1972 e março de 1973 utilizando um ondógrafo da marca “Neyrpic” (a ultra som), que foi fundeado na isóbata de 10 m de profundidade numa região entre as Ilhas Currais e o atual Canal da Galheta. O período observado para as ondas variou de 3 a 10 s, sendo Tz= 6 s o período mais freqüente durante nesse ano. A altura significativa média anual mais freqüente foi de 80 cm (com freqüência de 15,34%). As alturas máximas mais freqüentes ao longo do ano desse registro correspondem a HMÁX= 1,0 m com 12,09% de freqüência de ocorrência. Cabe aqui destacar que houve algum problema de análise ou registro dos dados já que, por definição, a HMÄX teria que ser bem superior aos números apresentados pelos autores citados, considerando uma altura significativa de 0,8 m. As ondas observadas foram relativamente mais longas de abril a agosto e relativamente mais curtas entre setembro e março. De julho a dezembro foram mais altas e com direções provenientes dos dois lados da normal à praia, esperando-se, por tanto, correntes de deriva litorânea nos dois sentidos (como também indicado por Tessler (1988) para as direções de propagação, observadas no período 1955-1959 em fotografias aéreas no litoral Sul de São Paulo). Não houve uma variação nítida no regime de ondas durante o ano que permitisse identificar algum padrão sazonal. Os períodos Tz mais freqüentes ao longo do ano foram de 6 s, com 26,9%, e de 5 s com 26,35%. A direção de incidência mais freqüente ao longo do ano foi de 120°SE com 14,48%. Um segundo estudo, também do INPH junto à PORTOBRAS, descrito como pertencente à AID, foi realizado próximo à Ilha dos Currais, ao largo da Praia de Leste no litoral paranaense (PORTOBRÁS 1983, Homsi 1993). A campanha coletou dados de 1/09/1982 a 31/08/1983. O terceiro estudo, realizado pelo GFM/CEM, corresponde a três trimestres entre outubro de 2006 e outubro de 2007 com a instalação de um ondógrafo/correntômetro S4-ADW InterOcean, medindo ondas a 2 Hz durante 18 minutos a cada 3-4 horas e 4 trimestres para correntes a cada 30minutos. O equipamento foi fundeado na isóbata dos 10 m num ponto entre Praia de Leste e Pontal do Sul (Lat - 25°38´30" Long - 48°24´32"). Os resultados deste registro podem ser vistos na figura 5.1 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-5 Figura 5.1: Gráfico da percentagem de ocorrência de parâmetros de onda: altura significativa (Hs) e período do pico (Tp) na frente do Balneário Shangri-la (Lima et al. 2009). Na tabela 5.1 são resumidos os parâmetros de onda obtidos por diversos autores e métodos, indicando-se em itálico aqueles que correspondem a regiões fora da AII mas que pela sua proximidade ajudam na caracterização da área, e em negrito as relevantes dentro da AII. Nota-se que os dados fora da AII diferem bastante dos obtidos dentro da AII, especialmente aqueles obtidos dos dados estatísticos do GWS. Tabela 5.1: Parâmetros de ondas observadas na região Observação / Modelo Tmed - s Hmed - m Hmáx - m Dirmed Dirmáx 1. Área 87 do GWS 7,64 2,27 > 3 NE S-SE 2. Área 74 do GWS 7,19 2,06 > 3 E NE-E 3. Bom Abrigo 55-59 8,8 1,85 > 2 SE S-SE 4. Bom Abrigo 68-69 8,8 1,73 > 2,6 ESE S-SE 5. Paranaguá 72/73 6,0 0,8 1,0 (?) ESE S-SE 6. Praia do Una 7,24 0,93 NI ESE S 7. Ilha dos Currais 7,9 0,9 > 3,6 E-SE S 8. Agenor Campos 9,3 0,9 > 2 SE S-SE 9. Capão da Canoa 9,08 0,82 > 2 SE S-SE 10. Pontal do Paraná 7,0 1,0 > 5,5 SE SE 1 & 2: Hogben (1986); 3: GEOBRÁS (1966); 4: CTH-USP (1973); 5: Bandeira (1974) em Homsi (1978); 6: Bomtempo (1991); 7: PORTOBRAS (1983), Nateec (1994); 8 & 9: Melo (1993); 10: Porto 2008, Gandor et al. (2009). 5.1.1.1.3. Correntes locais (geradas pelas ondas, marés, e outros efeitos) Da mesma forma que não há registros de ondas na escala da ADA, não há observações in situ das correntes de deriva litorânea e das correntes de retorno. Diversos autores e observações em locais próximos à ADA indicam uma deriva litorânea de Sul a Norte que pode reverter, ocasionalmente, quando as passagens de sistemas frontais. Noernberg et al. (2009), através da interpretação de imagens de satélite, mostraram que a escala espacial das correntes de retorno é de apenas algumas centenas de metros. Correntes nas proximidades da ADA (mas não exatamente nela) realizadas em fundeios do GFM/CEM nas proximidades do Balneário Shangri-lá, mostraram correntes com valores de até 30 cm/s na maior parte do tempo, atingindo máximos de até 1,0 m/s. Assim sendo, a maior parte do tempo, nos locais RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-6 das observações, as correntes apresentam intensidade superior ao limiar de transporte de sedimentos como os encontrados na ADA. O único registro de correntes existente na AID foi obtido durante o período de 10 a 17 de Janeiro de 1994, pelo então Laboratório de Física Marinha do CEM (Marone et al. 1995a) que realizou uma campanha de medições oceanográficas e de variáveis meteorológicas na região do Arquipélago dos Currais. Foi utilizado um correntógrafo SensorData SD6000 equipado com sensor de temperatura, o qual foi fundeado no canal entre a ilha dos Currais e a ilhota mais próxima, num ponto cuja profundidade é de aproximadamente nove metros, sendo que o instrumento ficou a 1,5 m do fundo, com intervalo de amostragem de cinco minutos. Houve predomínio das correntes para SW no início do registro das correntes, embora as primeiras horas de dados indicassem correntes para NE. A partir de 60 horas de registro, pôde-se observar uma alternância nas direções, sendo que no final da série, isto é, após a hora 130 aproximadamente, o predomínio de correntes foi para NE. Os valores médios chegaram a 21,4 cm/s na direção 217º e 27,4 cm/s na direção 47º. O diagrama de vetores progressivos realizado com estes dados indicou a trajetória de uma partícula imaginária que se deslocaria a partir da origem na Ilha dos Currais. Observou-se que, no início, a partícula se desloca para NE; a seguir caminha bastante para SW (aproximadamente 20 km); e daí começa a alternar as direções da trajetória, provavelmente por ser devida somente à maré, e na parte final das observações, se move para NE. Pode-se associar a predominância das correntes para NE como sendo correntes de deriva litorânea resultantes da atuação de ondas do quadrante SW, originadas por ventos do quadrante Sul. Já a predominância das correntes para SW é associada às condições meteorológicas estáveis, como a Alta do Atlântico Sul, com ventos de E e NE, gera uma deriva em direção inversa (SW). Vale frisar que o sistema de correntes costeiras não é diretamente influenciado pelo vento local, e sim por toda uma condição meteorológica em escala maior. As variações de pressão e vento em dado local podem ser os principais indicadores dessas condições meteorológicas. É coerente este raciocínio no presente caso, uma vez que: (i) o começo das medições foi caracterizado como um período pós-frontal pelos dados de pressão e vento, e neste período foi observada uma corrente para NE; (ii) logo após se observa um fluxo para SW que persistiu por cerca de dois dias, período no qual ocorreram as máximas pressões e os ventos de N e NE mais intensos; (iii) entre as 60 e as 130 horas de observações, a corrente apresentou alternância no sentido e os ventos foram de moderado a fraco e, portanto, as correntes foram de enchente e vazante de maré; (iv) no final das observações, a partir da hora 140, ocorreu a inversão na direção do vento e as correntes para NE foram predominantes. Além do registro das correntes já mencionado, obtido no Arquipélago dos Currais em 1994, e um estudo com garrafas de deriva (Marone et al. 1995b) que indicou correntes de deriva predominantes na direção N-NE, mas com algumas ocorrências no sentido inverso (S-SW), um outro registro, obtido pelo mesmo instrumento usado para ondas (S4-ADW) corresponde a quatro trimestres entre 2007 e início de 2008 com a instalação de um ondógrafo/correntômetro S4-ADW InterOcean, medindo correntes a cada 30 minutos. Neste longo fundeio foram observadas correntes máximas de mais de 0,60 cm/s, direções de deriva litorânea preponderantes para N (NE), mas com eventos na direção oposta (Alberti 2009). Decompostas as correntes nas suas componentes RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-7 perpendiculares e paralelas à costa, e filtradas para eliminar as variações de alta freqüência, o citado autor encontrou valores máximos das correntes paralelas à costa (deriva litorânea) de até 30 cm/s, assim como correntes perpendiculares da mesma magnitude e, num caso, superiores a 40 cm/s (correntes de retorno). A troca de propriedades entre a zona de surf e a plataforma rasa na região foi estudada por Noernberg (2003), observando a presença de correntes de retorno erosivas. O autor também constatou que as plumas de sedimentos, que delimitam estas correntes de retorno, são provenientes da ressuspensão de sedimentos causada pela ação de ondas sobre o fundo da área. Levantamentos das velocidades e direções das correntes, com Acoustic Doppler Profiler (ADP), constataram que as correntes se deslocam para sul nos períodos de vazante do CEP, próximo ao balneário de Pontal do Sul. Na área próxima a Praia de Leste, a direção preferencial das correntes é para norte, devido ao período de estofa da vazante, quando se têm correntes costeiras sem ação da maré (Veiga et al. 2003). 5.1.1.1.4. Variações do nível do mar (marés astronômicas e meteorológicas) O regime de maré na AII foi usado como referência para a ADA e a AID e é descrito a partir de dados da entrada da Baía de Guaratuba e a maré na desembocadura da Baía de Paranaguá. A maré é do tipo semi-diurna, com desigualdades (isto é, duas preamares e duas baixa-mares por dia, sendo diferentes entre elas, especialmente nos períodos de quadratura) e apresentando range máximo(diferença entre máximas preamares e baixamares) inferior aos dois metros (micro-maré). O nível do mar devido às marés astronômicas pode ser alterado por efeitos meteorológicos em até 1 m, por variações da pressão atmosférica (efeito do barômetro invertido ou de Torricelli) e/o ventos perpendiculares à costa (wind setup ou set-down). Marés meteorológicas (positivas e negativas) ocorrem durante todo o ano com intensidades equivalentes. São mais freqüentes no inverno, mas suas intensidades independem da época do ano (Marone et al. 1995c). O regime de maré na AID pode ser descrito como intermediário entre o da entrada da Baía de Guaratuba e a maré na desembocadura da Baía de Paranaguá, sendo por tanto do tipo semi-diurna, com desigualdades e inferior aos dois metros, e pode ser alterado por efeitos meteorológicos, como variações da pressão atmosférica. Marés meteorológicas (positivas e negativas) ocorrem durante todo o ano com intensidades equivalentes, associadas à ação de sistemas frontais no Atlântico Sul sendo mais freqüentes no inverno, mas suas intensidades independem da época do ano. O regime de maré na ADA pode ser considerado muito parecido ao da entrada na Baía de Guaratuba. Assim sendo, a maré é do tipo semi-diurna, com desigualdades (isto é, duas preamares e duas baixa-mares por dia, sendo diferentes entre elas, especialmente nos períodos de quadratura) e apresentando range máximo (diferença entre máximas preamares e baixamares) inferior aos dois metros. O nível do mar devido às marés astronômicas pode ser alterado por efeitos meteorológicos. Quando ocorrem as marés meteorológicas positivas, as marés astronômicas irão variar em torno de um nível médio do mar bem mais alto que o normal. Se uma maré meteorológica de 1 m coincide com uma maré de lua cheia, com uma preamar prevista de 1 m acima do nível médio do mar, a preamar atingiria 2 m acima do nível médio normal. Uma subida de nível de 2 m em uma praia com declividade da ordem de 1:20, implica num avanço da linha d’água de 40 m em direção ao continente. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-8 5.1.1.1.5. Ocorrência de eventos extremos (ressacas) Ressacas são aqui denominadas às situações de estado do mar com uma grande agitação marítima (ondas de alta energia) que podem ocorrer concomitantemente com outros fatores que elevam o nível relativo do mar acima do usualmente determinado pelas marés astronômicas (maré meteorológica). Ressacas podem acontecer sem uma grande maré meteorológica, mas usualmente o nível médio do mar sobe significativamente por alguns dias devido ao empilhamento de água na costa devido à ação das ondas (wave setup), subida que é da ordem de 15% a 20% da altura de arrebentação das ondas. Isso acrescentaria algo como 0,4 m para ondas com cerca de 2,5 m de altura. No caso de uma praia com declividade de 1:20, em situação de maré meteorológica extrema (1 m a mais da astronômica) e ondas de 2,5 m, o máximo resultante numa sizígia pode atingir mais de 2,5 m acima do nível do mar, penetrando mais de 50 m em direção ao continente. Ressacas no Litoral do Estado do Paraná são comuns em qualquer época do ano, chegando a ter periodicidades diretamente relacionadas às das passagens de sistemas frontais na área. Assim sendo, são mais freqüentes nos meses de inverno e início de primavera. 5.1.1.2. Geologia e geomorfologia A região litorânea do Estado do Paraná é formada por um conjunto de serras, denominado Serra do Mar, e por extensas planícies costeiras recortadas por complexos estuarinos (Figura 5.2). As características geomorfológicas da Serra do Mar originam bacias hidrográficas, que drenam para os complexos estuarinos, com vertentes íngremes com desníveis de mais de 1.500 m. A Serra da Prata, uma ramificação da Serra do Mar, com orientação noroeste alcança o mar, dividindo a região em duas bacias hidrográficas principais: a de Paranaguá e a de Guaratuba. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-9 Figura 5.2: Localização e principais unidades geomorfológicas da região litorânea do Paraná. (1) planaltos; (2) serras originadas por dissecação de borda de planalto; (3) serras originadas por erosão diferencial; (4) tálus, leques aluviais e planícies aluviais; (5) planície costeira; (6) divisor de águas; (7) limite interestadual (Angulo 1999). A planície costeira formou-se no Quaternário, decorrente principalmente das variações do nível relativo do mar ocorridas no Quaternário e do balanço positivo de sedimentos. No Paraná foram reconhecidas planícies de duas idades: uma do Pleistoceno Tardio, de aproximadamente 120.000 anos e outra do Holoceno médio e tardio de idade entre 7.000 anos e presente (Angulo et al. 2009). A planície tem altitude inferior a 20 m decrescendo desde o interior até o oceano. Os sedimentos que compõem a planície costeira pertencem a duas unidades principais: (a) planície com cordões litorâneos, que inclui sedimentos arenosos praiais e eólicos; (b) estuarino-lagunar, que possui principalmente sedimentos arenosos e areno-argilosos de planície de maré e fundos rasos (Angulo 2004). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-10 Na costa paranaense ocorrem diversos ambientes de sedimentação costeira, destacando-se: (a) estuários e complexos estuarinos, denominados localmente de baías, (b) deltas de maré, (d) plataforma interna, (e) praias e (f) dunas frontais. A seguir serão descritos aqueles ambientes relacionados às obras em análise. 5.1.1.2.1. A Baía de Guaratuba A Baía de Guaratuba é um complexo estuarino raso de orientação leste-oeste, comprimento em torno de 16 km e largura máxima aproximada de 3 km, quando se considera a linha de maré baixa, e 10 km, quando se inclui a planície de maré. A bacia hidrográfica tem aproximadamente 1.886 km2, sendo o principal afluente o rio São João, que drena uma porção do Planalto de Curitiba. A foz da baía é estreita, com aproximadamente 500 m de largura, estando limitada entre dois pontais rochosos correspondentes ao extremo meridional da Serra da Prata, ao norte, e ao Morro de Guaratuba, ao sul. A baía alarga-se em direção ao continente, apresentando numerosos canais e ilhas, sendo margeada em quase todo seu perímetro por extensos manguezais. 5.1.1.2.2. A Barra de Guaratuba Na barra de Guaratuba existem extensos bancos arenosos que compõem um sistema deposicional denominado delta de maré vazante (Angulo 1999). Os deltas de maré vazante são sistemas deposicionais relacionados às desembocaduras de lagunas ou estuários. Segundo Hayes (1975) o delta de maré vazante apresenta os seguintes componentes: (1) canal principal de maré vazante, (2) barras lineares marginais ao canal de maré vazante, (3) lobo terminal, (4) plataformas de espraiamento, (5) barras de espraiamento e (6) canais marginais de enchente (Figura 5.3). O canal principal é dominado pelas correntes de maré vazante. As barras lineares marginais ao canal principal são feições semelhantes a diques marginais e se formam pela interação das correntes de maré vazante e as ondas. O lobo terminal localiza-se na parte terminal do canal principal, onde o fluxo da corrente de maré vazante diminui, permitindo uma substancial deposição de sedimentos; as plataformas de espraiamento são constituídas por lençóis de areia depositados principalmente pelas ondas entre o canal principal e a costa. As barras de espraiamento formam-se e migram através da plataforma de espraiamento pela ação de correntes geradas pela arrebentação das ondas. Os canais marginais de enchente são dominados pelas correntes de maré enchente e podem ocorrer entre a plataforma de espraiamento e a costa, tanto a montante como a jusante da deriva litorânea. Oertel (1975, 1977) desenvolveu esquemas da configuração dos deltas de maré vazante, dependendoda interação das marés, ondas e correntes de deriva litorânea (Figura 5.4). Os deltas dominados por ondas (Figuras 5.4a,b,c) têm raio menor que os dominados por marés (Figura 5.4d), ou seja, tem menor projeção em direção ao mar, evidenciando o predomínio da ação das ondas em relação as correntes de maré vazante. Quando há ação efetiva das correntes de deriva litorânea, os deltas de vazante apresentam o canal principal orientado na direção da deriva predominante (Figura 5.4b,c), quando isso não ocorre os deltas tendem a ser simétricos (Figura 5.4a). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-11 Figura 5.3: Modelo de delta de maré vazante (Hayes 1975) Figura 5.4: Modelos de deltas de maré vazante com várias configurações resultantes da dominância de diferentes processos (Oertel 1975). (a) dominado por ondas; (b) dominado por ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o norte; (c) dominado por ondas com corrente de deriva litorânea fluindo para o sul; (d) dominado por marés. Comparando com os modelos de Oertel (1975), observa-se que o delta da baía de Guaratuba, corresponde aos deltas dominados por marés, devido ao maior desenvolvimento na direção das correntes de maré, ou seja, na direção transversal à linha de costa (Angulo 1999). Os pontais rochosos limitam a desembocadura, dificultando a segregação dos fluxos de maré enchente e vazante e, consequentemente, os canais marginais de enchente. O delta de vazante de Guaratuba apresenta maior desenvolvimento de sua parte sul, permitindo inferir direção predominante de transporte de deriva litorânea de sudoeste para nordeste. Esta direção coincide com interpretações realizadas a partir de outras feições morfológicas da costa tais como a inflexão para nordeste da foz de pequenos córregos que deságuam na praia (Bigarella et al. 1966, Angulo 1992). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-12 Dentre as feições deposicionais existentes na Barra de Guaratuba podem ser reconhecidos o canal principal de vazante, as barras lineares de margem do canal principal e o lobo terminal, do modelo de Hayes (1975) (Figura 5.5). As barras de espraiamento estão reduzidas a pequenas barras próximas à desembocadura, sendo a maior parte barras de arrebentação. A barra de margem esquerda é conhecida localmente como banco Cantagalo. A desembocadura limitada entre dois pontais rochosos aparentemente não permite a circulação preferencial de fluxos de maré enchente e vazante em locais diferentes, como definido nos modelos de Hayes (1975). Figura 5.5: Modelo de delta de maré vazante na desembocadura da Baía de Guaratuba. (1) barras de espraiamento e barras submersas; (2) barra de margem de canal; (3) lobo terminal; (4) canal de vazante principal; (5) direção inferida de deriva litorânea predominante (Angulo 1999). O delta de maré de Guaratuba, do mesmo modo que outros deltas de maré da região, embora mantenham sua configuração geral, apresentam importantes variações na sua morfologia, evidenciando altas taxas de transporte de sedimentos. Estas mudanças causam processos acelerados de deposição e erosão, que originam grandes variações da linha de costa (Angulo 1999). Em fotografias aéreas de diversas datas (1954, 1965 e 1980) são identificáveis, duas barras em pontal, que se projetam para leste a partir das praias das Caieiras e Prainha (Figura 5.6) e delimitam um canal, com largura semelhante à foz da baía, que se alarga em direção ao mar. Na barra da margem esquerda observam-se, na fotografia de 1980, dunas subaquosas e ondas de areia com comprimento de onda de 3 a 5 m, que avançam para nordeste, na direção das correntes de maré vazante. Após as barras em pontal, em direção ao oceano, existem barras frontais, que se estendem até mais de 4 km da desembocadura. Nas fotografias de 1965 e 1980 estas barras se prolongavam para o norte até constituírem uma barra transversal, na frente da Praia Brava de Caiobá (Figuras 5.6b, c) e provocavam refração das ondas e progradação da parte emersa da praia (Angulo 1999). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-13 Figura 5.6: Configuração da barra da Baía de Guaratuba (a) em 27 de agosto de 1954, (b) em 5 de maio 1965, (c) em 25 de setembro de 1980. (1) planície costeira; (2) serra e morros; (3) praia; (4) barra de espraiamento; (5) barra submersa com arrebentação; (6) barra submersa com esbeltamento de ondas; (7) planície de maré; (8) direção inferida de avanço de dunas subaquosas (comprimento de onda de 5 a 15 m); (9) direção preferencial inferida de corrente de maré vazante; (10) direção predominante inferida de deriva litorânea; (11) rios, córregos e canais de maré; (12) esporões artificiais (Angulo 1999). Comparando a orientação das barras em pontal que margeiam o canal principal, em 1965 e 1980, observa-se um deslocamento que pode ser interpretado como uma rotação do canal para sul, a partir dos pontos fixos constituídos pelos afloramentos rochosos que delimitam a desembocadura. Estas modificações provocaram erosão no extremo norte da Praia das Caieiras e intensa sedimentação na Prainha, onde a linha de costa avançou até 200 m, no período (Angulo 1984). As barras frontais também se deslocaram. Em 1954, as mais externas, estavam a menos de 4 km da desembocadura, sendo que seu extremo norte localizava-se próximo ao Morro do Boi (Figura 5.6a). Em 1965, as barras tinham se deslocado para norte aproximadamente 133 m, alcançando o extremo sul da Praia Brava de Caiobá (Figura 5.6b). Já em 1980, as barras estavam mais afastadas da desembocadura e o extremo norte do arco formava uma barra transversal na parte sul da Praia Brava de Caiobá, 333 m ao norte de sua posição em 1965 (Figura 5.6c). Em 1997 a barra tinha se deslocado mais 67 m para norte e em 2003, 90 m para sul (Tabela 5.2). Tabela 5.2: Taxas de deslocamento da extremidade norte do lobo frontal delta de maré vazante da barra de Guaratuba ou da barra transversal da praia Brava de Caiobá. Período Deslocamento (m) Taxa (m/ano) 1954-1965 133 12,1 1965-1980 333 22,2 1980-1997 67 3,9 1997-2003 -90 -15,0 Nota: os valores positivos indicam migração para norte e os negativos para sul. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-14 5.1.1.2.2.1. Dinâmica da barra Os bancos de areia que compõem a barra ou delta de maré vazante, com foi comentado, possuem alta mobilidade. Sua configuração e dinâmica resultam da interação das ondas e marés e correntes por elas geradas. As ondas, devido ao processo de refração, tendem a retificar a costa, deste modo elas têm tendência a mover os bancos em direção à costa. Por outro lado, as correntes de maré vazante que saem da baía tendem a empurrar os bancos costa afora. Assim, os bancos localizam- se na zona de equilíbrio entre estas duas forçantes. Em períodos de maior energia de ondas eles têm tendência a serem deslocados em direção à costa e em anos com correntes de maré vazante mais fortes, por exemplo, durante períodos de chuvas intensas, serão deslocados em direção ao mar. Contudo, na barra também ocorre à segregação das correntes de maré enchente e vazante. A morfologia do estuário associada à amplitude e velocidade das ondas das marés propiciam defasagem temporal das correntes de enchente e vazante e consequentemente a sua segregação. Esta segregação origina no delta de maré vazante canais preferenciais com fluxo de correntes de enchente ou vazante. As mudanças de fluxo nestes canais podem modificar significativamente a morfologia dos deltas. Esta parece ter sido a causa das modificações observadas no período nos bancos localizados na frente da praia Brava de Caiobá. As correntes de maré vazante parecem ter forçado os bancos, que fazem parte do lobo frontal do delta, para nordeste,principalmente no período de 1954 a 1980 com taxas de deslocamento entre 12 e 22 m por ano (Tabela 5.2 e Figura 5.7). Posteriormente, a barra permaneceu aproximadamente na mesma posição, com avanços e recuos inferiores a 100 m e taxas entre 4 e 15 m por ano (Figura 5.7). O recuo para sul, pode ter sido originado por um período de maior ação das ondas de leste e nordeste ou um enfraquecimento das correntes de maré vazante na parte mais setentrional do canal principal. O posicionamento dos bancos arenosos que compõem o lobo frontal do delta de maré vazante, na frente da praia Brava de Caiobá mudou a sua configuração. Em 1954 a praia tinha configuração em arco típica das praias com dinâmica dominada por ondas (Figura 5.8a). Já em 1965 os bancos posicionados no extremo sul da praia, tinham provocado o seu alargamento neste local (Figura 5.8b). Em 1980 tinha provocado um alargamento na parte sul da praia (Figura 5.8c). Este alargamento foi provocado pela refração das ondas sobre o banco, que criou uma zona de convergência das correntes de deriva litorânea longitudinal. Mas, também uma zona de divergência mais ao norte, causando o estreitamento da praia na parte central do arco praial (Figura 5.8c). No futuro os bancos podem continuar se deslocando para norte ou para sul, mas também podem ser removidos se as correntes de maré vazante deixarem de fluir por este setor do canal. Neste caso as ondas, rapidamente, devem transportar a areia dos bancos para a praia e restabelecer a configuração original em arco semelhante ao observado em 1954 (Figura 5.8a). Isto favoreceria a perda de sedimentos na parte sul da praia, hoje com grande acumulo de areia evidenciado pelo alargamento da praia e a formação de dunas frontais, e alargamento mais a norte devido ao desaparecimento da zona de divergência da deriva litorânea longitudinal. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-15 Figura 5.7: Fotografia aérea de 1997 da parte sul da praia Brava de caiobá (Paranacidade), com indicação da posição dos bancos que compõem o lobo frontal do delta de maré vazante da baía de Guaratuba, em diferentes datas. a b c Figura 5.8: Configuração da praia Brava de Caiobá em (a) 1954, (b) em 1965 e (c) em 1980. 5.1.1.2.3. As praias paranaenses A costa paranaense tem forma em suave curva, com orientação aproximadamente norte-sul, ao sul, passando para nordeste-sudoeste na parte norte. As praias se estendem ao longo da costa oceânica por aproximadamente 126 km, desde a Barra do Ararapira até a Barra do Saí; a sua continuidade é interrompida por pontais rochosos e desembocaduras das baías. As praias possuem morfologia variada, predominando as de características intermediárias a dissipativas, com face praial larga, baixa declividade e bancos geralmente bem desenvolvidos. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-16 As praias paranaenses podem ser classificadas em dois tipos principais: (a) oceânicas ou de mar aberto, cuja dinâmica é dominada por ondas e correntes geradas por ondas e, (b) praias com influencia das desembocaduras estuarinas, cuja dinâmica é influenciada, além das ondas, pelas correntes de maré (Angulo & Araújo 1996). As praias paranaenses estão inseridas num sistema dinâmico maior que vai desde Barra Velha em Santa Catarina até Ilha Comprida em São Paulo, onde ocorre o transporte de sedimentos entre as diferentes praias (Angulo et al. 2006). As correntes de deriva longitudinal transportariam os sedimentos ao longo das praias. Entre as praias o transporte ocorreria através dos deltas de maré vazante, conhecidos regionalmente como barras. Os seja, as barras seriam os sistemas de ligação entre as diferentes praias. Porém, esta dinâmica teria sido alterada pela dragagem dos canais de acesso aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, que teria interrompido a passagem de sedimentos através das barras (Angulo et al. 2006). As praias são constituídas por areias, bem selecionadas, com grãos principalmente de quartzo e teores variáveis de fragmentos carbonáticos biodetríticos e minerais pesados. Entre o Morro do Boi, em Caiobá, e Pontal do Sul existem praias ao longo de aproximadamente 37 km, ocorrendo apenas um pontal rochoso, denominado Ponta de Matinhos e a foz de um rio importante denominado Rio Matinhos. A Ponta de Matinhos e a foz do rio Matinhos interferem na deriva litorânea, mas não são grandes o suficiente para interrompê-la. Neste setor podem ser reconhecidos dois arcos praiais: (a) desde o Morro do Boi até a Ponta de Matinhos e (b) da Ponta de Matinhos até Pontal do Sul. 5.1.1.2.3.1. O arco praial de Caiobá – Ponta de Matinhos Características O arco praial de Caiobá–Ponta de Matinhos, é formado pelas praias Brava de Caiobá e Brava de Matinhos, tem orientação aproximadamente N20ºE e comprimento de 3,2 km. Na década de 60, Bigarella et al. (1966), levantaram perfis topográficos (Figura 5.9). Neles se observa que a inclinação da face praial aumenta de sul para norte e que predomina a morfologia praial com berma e pós-praia. As praias são constituídas predominantemente por areias finas a médias. Bigarella et al. (1966). Em levantamentos da década de 90 foi encontrada areia fina a grossa (Lecost inédito). Bigarella et al. (1966) verificaram que o diâmetro médio e a inclinação da praia aumentavam de sul para norte, no sentido do transporte, enquanto a seleção diminuía no mesmo sentido (Figura 5.9). Na década de 90, também foi encontrado padrão semelhante (Figura 5.10, Lecost inédito). Novos levantamentos realizados para este EIA-RIMA que evidenciaram que as praias são formadas predominantemente por areia fina a média e subsidiariamente areia grossa. Os novos levantamentos também evidenciaram padrão de distribuição do diâmetro médio e seleção semelhante aos dos anos anteriores (Figura 5.11). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-17 Figura 5.9: Perfis do arco praial Caiobá-Matinhos e gráfico de inclinação média da praia de norte para sul e percentagens nos vários intervalos de classe granulométrica (Bigarella et al. 1966). Parametros granulometricos de 1990 Arco praial Morro do Boi - Ponta de Matinhos 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 C01b C02b C03b C04b C05b C06b C07b C08b Amostra Di am et ro m ed io (F i) 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00 De sv io p ad rã o (F i) Diâmetro médio 1990 Desvio Padrão 1990 Linear (Desvio Padrão 1990) Linear (Diâmetro médio 1990) Figura 5.10: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 1990 (a partir de dados do Lecost inédito) RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-18 Parametros granulometricos de 2009 Arco praial Morro do Boi - Ponta de Matinhos 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 5 7 9 11 12 13 Amostra Di am et ro m ed io (F i) 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 De sv io p ad rã o (F i) Diâmetro médio 2009 Desvio padrão 2009 Linear (Desvio padrão 2009) Linear (Diâmetro médio 2009) Figura 5.11: Diâmetro médio e seleção de amostras do arco praial de Caiobá em 2009 Relação entre a dinâmica da praia e a ocupação A ocupação do arco praial Caiobá – Matinhos com fins turísticos iniciou-se nos anos 30 (Bigarella 1991). Atualmente, a orla é completamente urbanizada com ocupação densa. Os problemas de erosão costeira já ocorriam no final da década de 70 e ainda não foram completamente resolvidos apesar das inúmeras obras realizadas. A ocupação da faixa dinâmica da praia, a destruição das dunas frontais e a ocupação sobre a praia têm sido apontadas como as causas principais dos problemas deerosão costeira neste arco praial (Para mais detalhes ver capítulo 2 item 2.1). Mudanças na morfologia da barra de Guaratuba, que alcança a parte sul do arco praial, também causaram modificações significativas da morfologia da praia com alargamento na frente do banco frontal e estreitamento na zona de divergência das correntes de deriva (Figura 5.12). Como conseqüência da ocupação, obras de controle da erosão e mudanças naturais e induzidas, o arco praial apresenta atualmente as seguintes características e problemas: Na parte sul e central da praia, não há problema erosivo. O banco transversal, que origina a convergência das correntes de deriva litorânea, tem promovido acumulo significativo de areia nestes setores da praia, com a formação de dunas frontais e larga pós-praia (Figura 5.13). No extremo sul da praia observa-se um pequeno déficit de areia, devido provavelmente à localização do banco mais ao norte, criando uma pequena zona de divergência. No setor norte – Praia Brava de Matinhos – existe intenso processo erosivo. Neste setor o avanço da ocupação sobre a faixa dinâmica de praia e talvez sobre a própria praia, tem originado a erosão da praia. As diversas obras realizadas não tiveram sucesso. A existência de obras rígidas ou semirígidas, tais como aterros, enrocamentos e soleiras em gabião na faixa dinâmica dificultam ou impedem o espraiamento das ondas incidentes e consequentemente impedem que a praia alcance o seu perfil de equilíbrio. Assim, a energia das ondas, que seria dissipada na praia é utilizada na mobilização e suspensão da areia da praia, que é mais facilmente transportada pelas correntes de RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-19 deriva longitudinal e de retorno. Estes processos têm provocado diminuição da largura da praia emersa e o seu rebaixamento. Figura 5.12: Foto aérea oblíqua do arco praial de Caiobá – Matinhos, em 1994. Notar o alargamento da praia na parte sul associado à existência da barra transversal à praia e estreitamento na parte norte. Figura 5.13: Dunas frontais e larga pós-praia na parte sul do arco praial de Caiobá-Matinhos, próximo ao banco de areia transversal à praia, em 2009. 5.1.1.2.3.2. O arco praial Ponta de Matinhos - Pontal do Sul Características O arco praial entre a Ponta de Matinhos e o balneário Pontal do Sul tem comprimento em torno de 43 km e orientação N25ºE na parte sul, girando progressivamente até N60ºE, no extremo norte, em Pontal do Sul (Figura 5.14). As praias são compostas por areia média a fina. Na década de 60, Bigarella et al. (1969a) verificaram que, entre Matinhos e Pontal do Sul, aumento do diâmetro médio, no sentido norte, até Praia de Leste e diminuição até Pontal do Sul. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-20 Um levantamento realizado na década de 90 na parte sul do arco praial, entre a Ponta de Matinhos e o Balnéario Flórida evidenciou diâmetro médio semelhante ao longo do trecho e melhora da seleção para norte (Figura 5.15 Lecost inédito). Dados levantados para este EIA-RIMA no mesmo setor sul deste arco praial evidenciaram aumento do diâmetro médio a piora da seleção (Figura 5.16). Figura 5.14: Figura do arco praial de Matinhos – Pontal do Sul (Google). Parametros granulometricos de 1990 Arco praial Ponta de Matinhos - Balneário Flórida 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 M01b M02b M03b M04b M05b M06b M07b M08b M09b M10b M11b M12b M13b M14b Amostra D ia m et ro m ed io (F i) 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00 De sv io P ad rã o (F i) Diâmetro médio 1990 Desvio Padrão 1990 Linear (Desvio Padrão 1990) Linear (Diâmetro médio 1990) Figura 5.15: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos- Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 1990 (a partir de dados do Lecost inédito). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-21 Parametros granulometricos de 2009 Arco praial Ponta de Matinhos - Balneário Florida 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 15 16 17 19 20 21 23 25 27 29 Amostra D ia m et ro m ed io (F i) 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00 De sv io p ad rã o (F i) Diametro medio 2009 Desvio padrão 2009 Linear (Desvio padrão 2009) Linear (Diametro medio 2009) Figura 5.16: Diâmetro médio e seleção de amostras do setor sul do arco praial de Matinhos- Pontal do Sul, entre a Ponta de Matinhos e o Balneário Flórida, em 2009 Relação entre a dinâmica da praia e a ocupação Para analisar a relação entre a dinâmica da praia e a ocupação, o arco praial pode ser dividido em três setores: (a) a praia Central ou Mansa de Matinhos, entre a Ponta de Matinhos e a foz do rio Matinhos; (b) o setor entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida e (c) entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul. a) Praia Central de Matinhos A ocupação da praia a praia Central de Matinhos, ou Mansa como era chamada, com fins turísticos teve seu inicio nos anos 30 (Bigarella 1991). Ela se caracterizou, desde o início, pela ocupação da faixa dinâmica da praia e de parte da praia (Para mais detalhes ver capítulo 2 item 2.1). Posteriormente, a urbanização avançou ainda mais sobre a praia. Como conseqüência desta ocupação, o extremo sul da praia apresenta problema crônico de erosão costeira (Figura 5.17). As diversas e sucessivas obras realizadas na tentativa de resolver o problema não tiveram sucesso. Atualmente quase não há praia e as ondas de maior energia danificam constantemente o calçadão (Figura 5.18). b) Praia entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida Entre o rio Matinhos e o Balneário Flórida ocorrem problemas erosivos, principalmente nos balneários Flamingo e Riviera. Neste setor o problema erosivo foi causado pela ocupação sobre a faixa dinâmica da praia, principalmente pela construção da Avenida Beira-mar, que interferiu no arco natural da praia, o que é observado claramente em fotografias aéreas e no próprio local (Figura 5.19). A erosão iniciou-se logo após a construção da obra na parte mais avançada do arco praial, no balneário Flamingo, e foi propagando-se para o norte. A obra dificultava ou impedia o espraiamento das ondas e a formação do perfil de equilíbrio da praia. O perfil de equilíbrio da praia é a forma mais eficiente de dissipar a energia das ondas. Quando ele não pode se formar por interferência da ocupação da faixa dinâmica da praia a energia das ondas é dissipada por reflexão e difração, que RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-22 promove a suspensão da areia da praia e o seu transporte pelas correntes de deriva litorânea longitudinal e pelas correntes de retorno, o que causa a erosão da praia. Figura 5.17: Problemas de erosão costeira na praia Central de Matinhos, em 1994. Figura 5.18: Problemas de erosão costeira na parai Central de Matinhos, em 2009. Isto pode ser verificado observando dois locais próximos da mesma praia com e sem ocupação. Ao sul do Balneário Riviera, onde a ocupação irregular existente até o ano 2000 (Figura 5.19), foi retirada após a sua destruição parcial pelo evento de alta energia de ondas, associado às marés de sizígia e marés meteorológicas, conhecido popularmente como “ressaca”, o perfil de equilíbrio da praia foi restabelecido após a desocupação da área, inclusive com a formação de dunas frontais (Figura 5.20a). Ao lado, onde a ocupação permaneceu, o perfil de equilíbrio da praia não pode ser restabelecido e o problema de erosão continuou até o presente (Figura 5.20b). A partir do Balneário Flamingo a erosão foi se propagando para o norte,devido ao crescente déficit de sedimento na praia promovido pela maior retirada e transporte de areia pelas ondas e correntes. O problema erosivo ocorre onde foram realizadas obras de contenção, principalmente enrocamentos, que impedem a formação do perfil de equilíbrio da praia (Figura 5.20b). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-23 Mais ao norte, onde não há obras de contenção, houve uma diminuição da largura da faixa de areia e dunas frontais, mas como as ondas não alcançaram as obras o perfil de equilíbrio da praia pode ser mantido (Figura 5.21). Deste modo, ainda não há problema erosivo, apenas uma situação de risco. Caso o déficit de sedimentos continue, a linha de costa pode recuar até alcançar as obras, configurando assim um problema erosivo. c) Praia entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul Entre o Balneário Flórida e Pontal do Sul não ocorrem problemas erosivos. Entre a ocupação e a praia existe sempre uma faixa de largura variável que inclui a faixa dinâmica da praia e as dunas frontais. Ela esta relacionada com os setores mais ao sul, pois recebe os sedimentos trazidos dessa direção pelas correntes de deriva litorânea longitudinal. A diminuição deste fluxo de sedimentos vindos de sul deve causar déficit de sedimentos e pode causar problemas de erosão costeira. Figura 5.19: Alteração do arco praial pela ocupação e construção da Avenida Beira-Mar no Balneário Flamingo, em 1994. A seta indica a área de ocupação irregular. a b Figura 5.20: Fotografias tomadas do mesmo local com vista para (a) sul, onde se observa o perfil praial em equilíbrio e dunas frontais e (b) norte onde se observa o problema erosivo originado pela ocupação e as obras de contenção, em 2007. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-24 Figura 5.21: Pequena faixa com dunas frontais entre a praia e a calçada, onde ainda o perfil de equilíbrio da praia pode ser mantido, no Balneário Riviera, em 2009. 5.1.1.2.4. Dunas frontais 5.1.1.2.4.1. Características Ao longo da costa paranaense ocorrem dunas frontais. As dunas frontais são acumulações de areia transportada pelo vento desde a praia e depositada, junto à praia, com o auxilio da vegetação pioneira adaptada a estes ambientes. Na planície costeira paranaense existiam e ainda existem onde não foram destruídos pela urbanização, diversos cordões de dunas costeiras, que foram estudados por Bigarella (1946, 1965, 1972), Bigarella et al. (1969a,b, 1970/71, 1978). Posteriormente Angulo (1993) interpretou que a maioria dos cordões de dunas corresponderia a paleodunas frontais (Figura 5.22). No Paraná, os cordões eólicos costeiros podem ser agrupados em dois tipos principais: os desenvolvidos e os incipientes ou embrionários, podendo ocorrer formas transicionais (Angulo 1993). Os cordões desenvolvidos podem alcançar 8 m de altura. Os incipientes têm altura geralmente inferior a 1 m e são formados pela coalescência de pequenas dunas linguóides ou dômicas. Freqüentemente os cordões incipientes possuem uma forma assimétrica, com o lado de barlavento mais íngreme, resultante de erosão parcial do cordão pelas ondas de tempestade (Figura 5.23). As dunas frontais iniciam-se como pequenas acumulações de areia ao encontro das primeiras linhas de vegetação. A areia retirada da praia pode ser acumulada de encontro às escarpas de praia, elaboradas por ondas de tempestade (Bigarella et al. 1970/71, Angulo 1993). Os cordões incipientes podem se formar em curtos períodos de tempo. Embora não existam medições, observações de campo permitem estimar que dunas incipientes de até 1 m possam se formar em apenas uma temporada enquanto que dunas maiores demandam anos. A cobertura vegetal esparsa das dunas frontais, constituída principalmente por Sporobolus, tem papel ativo na formação das dunas, pois aumenta a rugosidade efetiva da superfície e, conseqüentemente, a espessura da camada de ar com velocidade RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-25 zero, favorecendo a deposição de areia (Goldsmith 1979; Pethick 1984; Hesp 1988). Como foi salientado por vários autores, é muito difícil a areia escapar da armadilha constituída pela vegetação (Pethick 1984; Goldsmith 1979; Hesp 1983). Assim, a maior parte da areia retirada da praia pelo vento fica retida no primeiro cordão de dunas. Figura 5.22: Cordões de dunas e paleodunas frontais na Praia Deserta no Superagüi, em 1992. Figura 5.23: Dunas frontais parcialmente erodidas após evento de alta energia de ondas, na Praia Deserta no Superagüi, em 1987. 5.1.1.2.4.2. Relação entre as dunas a dinâmica da praia e a ocupação As dunas frontais constituem um verdadeiro estoque de areia para a praia. Durante eventos de alta energia ou ressacas, as dunas podem ser parcial ou totalmente erodidas. Deste modo a areia, anteriormente retirada do sistema praial pelo vento, volta à praia pela ação das ondas. Numa praia sem ocupação, a areia retirada da praia pelo vento se acumula junto às primeiras linhas de vegetação formando as dunas frontais, que podem aumentar de tamanho com o tempo, até alcançar vários metros de altura. Devido às características RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-26 dos ventos e precipitações na costa paranaense, a vegetação consegue crescer juntamente com o acumulo de areia evitando que a duna se torne móvel e migre em direção ao continente, como acontece em outros locais da costa brasileira. No setor da costa onde estão previstas as obras, entre o Morro do Boi e o Balneário Flórida ocorrem dunas frontais em diversos locais. Na parte sul da praia Brava de Caiobá as dunas foram removidas durante a urbanização da orla costeira, porém o acúmulo de areia na praia, decorrente da convergência da deriva litorânea, causada pelos bancos transversais à costa, ali existentes, favoreceu a ação do vento e a formação das dunas frontais. Inicialmente as dunas se formaram com o auxilio da grama utilizada no paisagismo (Figura 5.24). Posteriormente surgiram mais dunas frontais formadas com auxilio da vegetação exótica e nativa (Figura 5.25). Entre o rio Matinhos e o balneário Flamingo ocorrem dunas frontais formadas após a retirada da ocupação na área em 2000 (Figura 5.26). Ao norte do Balneário Riviera também ocorrem pequenas dunas frontais com vegetação nativa (Figura 5.27). Figura 5.24: Dunas frontais formadas com o auxilio da grama utilizada para paisagismo no setor sul da Praia Brava de Caiobá. Figura 5.25: Dunas frontais formadas pela vegetação nativa paranaense no setor sul da praia Brava de Caiobá. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-27 Figura 5.26 Dunas frontais formadas após o ano 2000 após a remoção da ocupação, ao norte do rio Matinhos. Figura 5.27: Dunas frontais existentes ao norte do balneário Riviera. 5.1.1.2.5. Plataforma interna 5.1.1.2.5.1. Características A plataforma interna entre Pontal do Sul e Matinhos apresenta declives suaves, que diminuem com o aumento da profundidade, passando de 1/65 (1,54 %) entre o nível médio do mar e 7 m de profundidade até 1/700 (0,14 %) entre 12 e 15 m de profundidade (Veiga et al. 2004). Entre 7 e 12 m onde se localizam as áreas das jazidas o declive é em torno de 1/300 (0,33%). A oeste do arquipélago de Itacolomis ocorrem altos fundos (Veiga et al. 2004). Os sedimentos que recobrem a superfície da plataforma interna são predominantemente arenosos com teores variáveis de silte e argila; predominantemente compostos por areias siliciclásticas, com teores variáveis de carbonato biodetrítico e matéria orgânica. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-28 Na plataforma interna predominam areias e ocorrem também areias médias e grossas(Figura 5.28). Os teores de carbonato de cálcio geralmente são inferiores a 5% e podem alcançar 15% (Figura 5.29). Já, os teores de matéria orgânica são geralmente inferiores a 2,5% e podem alcançar 12% (Figura 5.30) Na plataforma interna de Matinhos Segundo Veiga et al. (2004) podem ser reconhecidos cinco tipos diferentes de sedimentos superficiais: Figura 5.28: Distribuição da média granulométrica nos sedimentos de fundo da plataforma continental interna rasa da porção central do litoral paranaense, segundo a classificação nominal de Folk & Ward (1957), baseada no diâmetro médio (Veiga et al. 2004) RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-29 Figura 5.29: Teores de carbonato nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004) Nas áreas alvos das jazidas predominam as areias medias e grossas, com baixos teores de matéria orgânica e carbonato de cálcio (Figuras 5.28 a 5.30). Os resultados das análises sedimentológicas das amostras obtidas para este EIA- RIMA, na área alvo da jazida, evidenciaram predomínio de areias finas e médias e subsidiariamente grossas e muito finas Os teores médios destas frações de areia foram: 47% de areia fina, 27 % de areia média, 11% de areia grossa e 11% de areia muito fina (Tabela 5.3). O teor médio de areia nas amostras é de 98%, mas ocorreu uma amostra com apenas 45% de areia. O teor médio de finos (silte+argila) é de 1,5%, RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-30 mas ocorre uma amostra com 55% (Tabela 5.3). O teor médio de carbonato de cálcio é de 2,1% e de matéria orgânica de 1,2% (Tabela 5.4) Figura 5.30: Teores de matéria orgânica presentes nos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense (Veiga et al. 2004) RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-31 Tabela 5.3: Distribuição granulométrica das amostras da área alvo da jazida Faixa Granulométrica (%) Cascalho Areia Finos Amostra Seixos Grânulos Muito Grossa Grossa Média Fina Muito Fina Argila Total a01 0,00 0,07 0,11 1,05 11,87 80,48 6,43 0,00 0,00 a02 0,00 0,02 0,37 2,36 8,80 78,15 10,26 0,03 0,03 a03 0,00 0,00 0,03 1,60 22,84 60,36 15,16 0,00 0,00 a04 0,00 0,04 0,32 31,22 49,49 18,46 0,47 0,00 0,00 a05 0,00 0,27 2,76 36,20 48,45 11,52 0,80 0,00 0,00 a06 0,00 0,01 0,15 10,40 50,45 38,47 0,51 0,00 0,00 a07 0,00 0,09 0,26 2,42 13,30 44,16 39,77 0,00 0,00 a08 0,00 0,01 0,10 1,18 9,74 58,77 30,09 0,11 0,11 a09 0,00 0,40 0,06 0,90 20,19 65,25 13,21 0,00 0,00 a10 0,00 0,00 0,00 0,00 10,24 85,71 4,05 0,00 0,00 a11 0,00 0,00 0,00 0,66 16,06 72,96 10,26 0,06 0,06 a12 0,00 0,05 0,18 7,97 44,84 43,70 3,25 0,00 0,00 a13 0,00 0,00 0,17 6,75 34,96 50,12 8,00 0,00 0,00 a14 0,00 0,02 0,45 10,32 51,04 37,48 0,68 0,00 0,00 a15 0,00 1,98 7,26 41,70 34,08 14,54 0,44 0,00 0,00 a16 0,00 0,00 0,03 55,07 36,80 7,74 0,36 0,00 0,00 a17 0,00 0,00 0,00 3,79 13,32 63,08 19,80 0,00 0,00 a18 0,00 0,00 0,68 7,79 31,40 53,27 6,30 0,25 0,25 a19 0,00 0,00 0,01 0,48 23,65 65,15 10,71 0,00 0,00 a20 0,00 0,07 0,13 1,80 36,03 59,39 2,58 0,00 0,00 b01 0,00 0,00 0,20 2,28 21,89 74,42 1,16 0,04 0,04 b02 0,00 0,04 0,19 1,27 6,28 73,30 18,90 0,00 0,00 b03 0,00 0,30 0,78 24,28 47,80 24,80 2,04 0,00 0,00 b04 0,00 0,02 0,10 0,50 1,75 39,98 57,26 0,38 0,38 b05 0,00 0,06 0,04 0,58 6,58 81,40 11,23 0,00 0,11 b06 0,00 1,81 0,62 9,49 47,71 38,69 1,69 0,00 0,00 b07 0,02 0,09 2,04 29,52 46,07 20,32 1,94 0,00 0,00 b08 0,00 0,09 0,08 0,48 4,06 48,12 47,18 0,00 0,00 b09 0,00 0,11 0,22 1,01 3,65 20,82 19,42 2,85 54,76 b10 0,00 0,00 0,00 0,81 10,35 77,19 11,64 0,01 0,01 b11 0,00 12,45 2,01 19,19 36,56 23,34 6,28 0,17 0,17 b12 0,00 0,00 1,70 5,79 41,36 37,59 13,52 0,04 0,04 b13 0,00 0,43 1,45 36,99 46,28 14,75 0,09 0,00 0,00 b14 0,00 0,19 0,24 10,72 46,37 38,96 3,52 0,00 0,00 b15 0,00 0,23 0,21 35,20 48,34 15,21 0,82 0,00 0,00 b16 0,00 0,00 0,02 0,57 7,61 73,59 18,22 0,00 0,00 b17 0,00 0,04 0,10 1,42 9,47 69,88 18,97 0,12 0,12 b18 0,00 0,71 1,77 32,68 43,46 20,35 1,04 0,00 0,00 Máximo 0,02 12,45 7,26 55,07 51,04 85,71 57,26 2,85 54,76 Mínimo 0,00 0,00 0,00 0,00 1,75 7,74 0,09 0,00 0,00 Média 0,00 0,52 0,65 11,48 27,45 47,41 11,00 0,11 1,48 Desvio Padrão 0,00 2,01 1,28 14,71 16,98 23,40 13,21 0,46 8,76 Tabela 5.4: Distribuição dos teores carbonato de cálcio (CaCO3) e de matéria orgânica das amostras da área alvo da jazida Amostra CaCO3 Matéria Orgânica a01 2,10 0,23 a02 2,89 0,33 a03 2,23 0,36 a04 2,81 1,06 a05 2,36 1,93 a06 1,10 0,99 a07 2,43 0,00 a08 2,35 0,53 a09 2,53 1,04 a10 2,56 1,09 a11 2,64 1,83 a12 1,96 2,96 a13 1,60 2,05 a14 2,98 2,13 a15 1,96 2,22 a16 1,22 1,31 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-32 a17 1,15 1,87 a18 1,51 1,18 a19 1,94 0,23 a20 1,75 0,16 b01 2,45 0,18 b02 2,32 0,29 b03 2,53 0,31 b04 1,27 0,84 b05 2,44 0,85 b06 0,97 0,87 b07 2,87 1,02 b08 2,61 1,07 b09 1,90 1,85 b10 1,67 2,15 b11 2,22 1,34 b12 2,86 0,43 b13 2,21 2,01 b14 1,76 1,20 b15 1,92 2,03 b16 2,08 2,16 b17 1,25 2,33 b18 1,94 1,61 Máximo 2,98 2,96 Mínimo 0,97 0,00 Média 2,09 1,21 Desvio Padrão 0,55 0,77 5.1.1.2.5.2. Relação entre a plataforma a dinâmica da praia e a ocupação As areias que formam as praias paranaenses têm suas fontes principais em áreas localizadas mais ao sul em Santa Catarina e provavelmente na plataforma continental interna. As areias vindas do sul são trazidas pelas correntes de deriva litorânea longitudinal geradas por ondas. Há evidências geológicas que isto possa ter acontecido de forma predominante nos últimos 7.000 anos (Lessa et al. 2000), embora possam ter ocorrido períodos de inversão desta tendência (Angulo et al. 2009). Embora não existam medições precisas, os dados existentes sugerem valores de deriva litorânea liquida de ordem de dezenas a centenas de milhares de m3 por ano na direção norte (Angulo et al. 2009). Outras fontes de sedimentos poderiam ser os rios e a plataforma interna. Os rios paranaenses que descem da Serra do Mar deságuam nas baías. Contudo, a areia trazida por estes rios é depositada preferencialmente nos deltas de cabeceira que existem no fundo das baías. Com relação à plataforma interna não existem dados sobre a sua possível contribuição como fonte de sedimentos. As plataformas têm sido apontadas como principal fonte de sedimentos em muitas áreas costeiras do planeta. A elevação acelerada do nível do mar entre 18.000 e 7.000 anos antes do presente propiciou a transferência de sedimentos para a costa, sobretudo em áreas com plataforma de baixo gradiente, como a paranaense. Contudo, a relativa estabilização do nível do mar nos últimos 7.000 anos parece ter propiciado a diminuição significativa do aporte de sedimentos da plataforma para o sistema praial. No Paraná a ocorrência de afloramentos de sedimentos antigos na plataforma interna, indica uma plataforma faminta (Angulo et al. 2009), pouco propícia como fonte de sedimentos da plataforma para a praia. 5.1.1.3. Caracterização da qualidade dos sedimentos superficiais na área de captação de sedimentos Tendo em vista que as operações de captação de sedimentos para cumprir os objetivos das obras de recuperação da orla marítima de Matinhos, podem causar eventualmente a liberação de compostos orgânicos e elementos traço estocados desta RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-33 matriz em atendimento à Resolução CONAMA 344/04 conforme previsto no TR do EIA- RIMA, efetuou-se à caracterização dos sedimentos superficiais que foram coletados na área da plataforma rasa próxima a orla de Matinhos. Considerando-se que não há informações prévias sobre as concentrações de contaminantes orgânicose metais na área estudada, a metodologia de amostragem está baseada na Tabela I do Anexo da Resolução CONAMA 344/04 que, para um volume de 500.000 a 2.000.000 m3 de sedimentos a serem dragados, estabelece um número mínimo de 16 amostras para a avaliação da qualidade dos sedimentos, sendo os resultados obtidos mostrados a seguir. 5.1.1.3.1. Distribuição dos contaminantes Orgânicos nos sedimentos superficiais 5.1.1.3.1.1. Hidrocarbonetos policiclicos aromáticos (HPAs) Os resultados dos 13 HPAs analisados nas amostras de sedimento de superfície estão expressos em µg kg-1 (peso seco de sedimento) na tabela 5.5. Os resultados demonstraram que não houve HPAs presentes em concentrações acima dos valores estabelecidos na Legislação CONAMA 344/2004 para os Níveis 1 e 2 de águas salina-salobras. Em todos os pontos analisados os compostos estiveram abaixo do limite de detecção do método, portanto as concentrações de HPAs totais não violaram o nível 1 da Resolução CONAMA 344/04. Os resultados são consistentes uma vez que os limites de detecção do método estão próximos daqueles apresentados em diversos trabalhos desta natureza, as recuperações dos padrões surrogados estiveram entre 80 e 110% e a análise dos brancos não apresentou nenhum dos HPAs estudados. 5.1.1.3.1.2. Pesticidas organoclorados e PCBs Os resultados dos 11 pesticidas organoclorados e o somatório de PCBs (44 congêneros) analisados nas amostras de sedimento de superfície estão expressos em µg kg-1 (peso seco de sedimento) na tabela 5.6. Os resultados indicaram que as amostras de sedimento avaliadas não apresentaram níveis detectáveis dos pesticidas organoclorados e PCBs analisados, estando as concentrações abaixo do valor limite para o nível 1 da resolução CONAMA 344/04. Os resultados são consistentes uma vez que os limites de detecção do método estão próximos daqueles apresentados em diversos trabalhos desta natureza, as recuperações dos padrões estiveram entre 60 e 115% e a análise dos brancos não apresentou nenhum dos compostos organoclorados estudados. A adsorção de contaminantes orgânicos está intimamente relacionada com a distribuição granulométrica dos sedimentos, ou seja, quanto maior a proporção de finos (silte e argila) maior a capacidade de reter matérias orgânica e, conseqüentemente, contaminantes como os HPAs, PCBs e pesticidas organoclorados (Kubicki & Apitz 1999, Kowalska et al. 1994). Assim, as baixas porcentagens de frações finas do sedimento verificadas na área de estudo contribuem para a ausência e acumulação de compostos orgânicos (Tabela 5.7). EIA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-68 Tabela 5.5: Concentração de HPAs (µg kg-1), para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método. LDM Nível 1 Nível 2 #A2 #A4 #A6 #A12 #A14 #A15 #A16 #A18 #A20 #B2 #B5 #B8 #B10 #B13 #B15 #B18 Benzo(a)antracen o 1,2 74,8 693 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Benzo(a)pireno 1,1 88,8 763 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Criseno 1,2 108 846 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Dibenzo(a,h)antra ceno 1,0 6,22 135 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Acenafteno 1,3 16,0 500 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Acenaftileno 3,7 44,0 640 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Antraceno 1,1 85,3 1100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Fenantreno 2,6 240 1500 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Fluoranteno 1,3 600 5100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Fluoreno 1,3 19,0 540 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM 2-metilnaftaleno 1,3 70,0 670 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Naftaleno 1,6 160 2100 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Pireno 1,3 665 2600 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Soma de HPAs 1,0 1000 3000 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Tabela 5.6: Concentração de pesticidas e PCBs (µg kg-1) para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos, em comparação com os valores para águas salina-salobras (Nível 1 e 2) da Legislação CONAMA 344/2004. O valor LDM indica o limite de detecção do método. LDM Nível 1 Nível 2 #A2 #A4 #A6 #A12 #A14 #A15 #A16 #A18 #A20 #B2 #B5 #B8 #B10 #B13 #B15 #B18 BHC (Alfa-BHC) 0,12 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM BHC (Beta-BHC) 0,13 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM BHC (Delta-BHC) 0,11 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM BHC (Gama- BHC/Lindano) 0,12 0,32 0,99 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Clordano (Alfa) 0,11 2,26 4,79 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Clordano (Gama) 0,11 2,26 4,79 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM DDD 0,08 1,22 7,81 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM DDE 0,18 2,07 374 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM DDT 0,53 1,19 4,77 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Dieldrin 0,03 0,71 4,30 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM Endrin 0,14 2,67 62,4 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM PCBs Totais 0,88 22,7 180 <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM <LDM RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-1 Tabela 5.7: Dados granulométricos (teor de cascalho, areia, silte e argila) e classificação do tamanho dos grãos (segundo Shepard 1954 e Folk & Ward 1957) para os sedimentos superficiais coletados na jazida de areia da plataforma rasa paranaense, próximo ao município de Matinhos. Pontos Classificação % Cascalho % Areia % Silte % Argila A2 Areia fina 0,02 99,95 0,00 0,03 A4 Areia média 0,04 99,96 0,00 0,00 A6 Areia média 0,01 99,99 0,00 0,00 A12 Areia média 0,05 99,94 0,00 0,00 A14 Areia média 0,02 99,98 0,00 0,00 A15 Areia média 1,98 98,02 0,00 0,00 A16 Areia média 0,00 100,00 0,00 0,00 A18 Areia fina 0,00 99,44 0,00 0,56 A20 Areia fina 0,07 99,93 0,00 0,00 B2 Areia fina 0,04 99,96 0,00 0,00 B5 Areia fina 0,06 99,83 0,11 0,00 B8 Areia fina 0,09 99,91 0,00 0,00 B10 Areia fina 0,00 99,99 0,00 0,01 B13 Areia média 0,43 99,57 0,00 0,00 B15 Areia média 0,23 99,77 0,00 0,00 B18 Areia média 0,71 99,29 0,00 0,00 5.1.1.3.2. Elementos Traço nos Sedimentos Superficiais A tabela 5.8 apresenta os resultados obtidos para os elementos traços analisados nos sedimentos superficiais da área a ser dragada como suprimento de material para a recuperação da orla do município de Matinhos. Tabela 5.8: Concentração dos elementos traços (mg/kg) nos sedimentos superficiais. Para mercúrio (Hg) os valores foram não detectáveis (n.d.). Pontos As Cd Cr Cu Ni Pb Zn Hg 2A 0,930 0,000 2,209 0,260 0,484 0,919 3,419n.d. 4A 3,196 0,089 2,507 0,403 0,766 0,919 4,528 n.d. 6A 1,166 0,104 3,623 0,551 0,995 1,624 5,650 n.d. 12A 0,930 0,000 2,209 0,260 0,484 0,919 3,419 n.d. 14A 1,753 0,062 2,227 0,388 0,591 0,523 2,907 n.d. 15A 0,819 0,074 2,089 0,412 0,629 0,809 4,708 n.d. 16A 1,007 0,132 3,533 0,589 0,910 1,900 6,120 n.d. 18A 1,327 0,109 3,347 0,553 1,025 1,520 6,791 n.d. 20A 0,791 0,038 2,040 0,360 0,553 0,442 4,725 n.d. 2B 1,075 0,113 3,794 0,668 1,040 1,884 7,901 n.d. 5B 1,513 0,148 4,224 0,646 1,219 1,933 6,927 n.d. 8B 1,418 0,166 4,696 0,628 1,084 2,279 7,567 n.d. 10B 1,018 0,082 2,695 0,559 0,749 1,152 7,181 n.d. 13B 1,983 0,050 2,011 0,278 0,540 0,682 3,326 n.d. 15B 1,200 0,068 1,879 0,399 0,547 0,791 3,958 n.d. 18B 1,572 0,066 1,757 0,353 0,715 0,656 7,702 n.d. O plano amostral possibilitou a confecção de mapas com as concentrações dos elementos traço nos sedimentos superficiais da área investigada (Figuras 5.31 a 5.37). Observa-se que todos os elementos apresentaram concentrações situadas abaixo dos valores estabelecidos na legislação Conama 344/04 para o Nível 1 de águas salinas- RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-2 salobras. Apenas para o elemento mercúrio (Hg) as concentrações estiveram abaixo do limite de detecção (<1 µg/kg) utilizada nas amostras analisadas. 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0.7 0.9 1.1 1.3 1.5 1.7 1.9 2.1 2.3 2.5 2.7 2.9 3.1 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos As (mg/kg) Figura 5.31: Distribuição das concentrações de arsênio (As) nos sedimentos superficiais na área investigada. 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos Cd (mg/kg) Figura 5.32: Distribuição das concentrações de cádmio (Cd) nos sedimentos superficiais na área investigada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-3 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 1.6 2 2.4 2.8 3.2 3.6 4 4.4 4.8 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos Cr (mg/kg) Figura 5.33: Distribuição das concentrações de cromo (Cr) nos sedimentos superficiais na área investigada. 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0.26 0.3 0.34 0.38 0.42 0.46 0.5 0.54 0.58 0.62 0.66 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos Cu (mg/kg) Figura 5.34: Distribuição das concentrações de cobre (Cu) nos sedimentos superficiais na área investigada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-4 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0.45 0.55 0.65 0.75 0.85 0.95 1.05 1.15 1.25 0 10 20 km Baía de Paranaguá Matinhos Ni (mg/kg) Figura 5.35: Distribuição das concentrações de níquel (Ni) nos sedimentos superficiais na área investigada. 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2 2.2 0 10 20 Baía de Guaratuba Matinhos Pb (mg/kg) km Figura 5.36: Distribuição das concentrações de chumbo (Pb) nos sedimentos superficiais na área investigada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-5 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 2.8 3.2 3.6 4 4.4 4.8 5.2 5.6 6 6.4 6.8 7.2 7.6 8 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos Zn (mg/kg) Figura 5.37: Distribuição das concentrações de zinco (Zn) nos sedimentos superficiais na área investigada. As concentrações de metais traços e Arsênio normalmente variam conforme a granulometria, ou seja, quanto maior for o teor de material fino (silte e argila) maior serão as concentrações destes elementos. A relação positiva entre os teores dos elementos traço e o teor de sedimento fino é esperada, uma vez que, a concentração de metais em sedimentos não é distribuída homogeneamente, mesmo se considerarmos uma mesma amostra. Um dos fatores que influenciam a heterogeneidade dessa distribuição é o tamanho de grão. Numa distribuição granulométrica, as frações mais finas, constituídas, principalmente, por argila, apresentam valores relativamente mais altos para os metais traço. Óxidos de Ferro, substâncias húmicas e compostos fosfatados, que constituem importantes mecanismos de remoção de elementos menores da coluna d’água, apresentam maior afinidade de ligação com a fração mais fina de sedimento (Salomons & Forstner 1984). Porém, a área investigada na plataforma rasa do litoral paranaense e neste caso a granulometria variou entre areia fina e areia média. Devido a estas condições os teores de matéria orgânica foram baixos, o que explica as baixas concentrações de todos os elementos traço analisados, uma vez que esta é uma das condicionantes para o aprisionamento destes elementos nos sedimentos (Horst & Zabel 2000). Desta forma as concentrações encontradas devem estar associadas à presença de óxi-hidróxidos de ferro e manganês, os quais seriam os principais agentes removedores de elementos traço da coluna d’água neste ambiente, sendo distribuídos pela dinâmica local (Michel et al., 2001). Isto pode ser evidenciado na tabela 5.9, onde a correlação entre os elementos traço e demais parâmetros analisados nos sedimentos superficiais é apresentada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-6 Tabela 5.9: Correlação entre os resultados dos elementos traço e demais parâmetros analisados nos sedimentos superficiais. Correlations (plan análise metais.sta) Marked correlations are significant at p < ,05000 N=16 (Casewise deletion of missing data) Variáveis As Cd Cr Cu Ni Pb Zn C N P M.O. CaCO3 As 1,00 Cd 0,16 1,00 Cr -0,04 0,84 1,00 Cu -0,10 0,91 0,88 1,00 Ni 0,08 0,91 0,92 0,92 1,00 Pb -0,12 0,82 0,97 0,86 0,89 1,00 Zn -0,13 0,72 0,64 0,79 0,79 0,68 1,00 C -0,06 0,19 0,32 0,27 0,28 0,33 0,32 1,00 N -0,09 0,20 0,49 0,26 0,25 0,56 0,19 0,34 1,00 P -0,04 0,50 0,46 0,45 0,39 0,56 0,21 0,07 0,31 1,00 M.O. 0,02 -0,28 -0,42 -0,36 -0,42 -0,35 -0,35 -0,27 -0,24 -0,25 1,00 CaCO3 0,47 -0,14 -0,07 -0,24 -0,17 -0,16 -0,29 0,50 0,20 -0,31 -0,11 1,00 Esta distribuição é similar para quase todos os elementos analisados, exceto arsênio, que apresentaram as maiores concentrações no setor B, enquanto arsênio no setor A. Mas todas estas amostras de maiores concentrações encontram-se ao sul da área investigada, demonstrando que todos os elementos traço possuem o mesmo mecanismo de remoção da coluna d’água, porém a mobilidade geoquímica é uma característica diferente para cada elemento. Por fim, estes valores de concentração dos elementos traço não demonstram níveis de contaminação e refletem a geoquímica regional, pois concentrações similares já foram observadas na plataforma rasa da desembocadura do Complexo Estuarino de Paranaguá (Ademadan 2006). 5.1.1.3.3. Carbono orgânico, Nitrogênio e Fósforo Totais nos sedimentos superficiais A distribuição dos teores de carbono orgânico total, COT (%), nos sedimentos superficiais na área diretamente afetada pelas atividades de dragagem é apresentada na figura 5.38. Como pode ser verificado, as concentrações mais elevadas de COT estão associados aos sedimentos mais finos (areia fina) e também aos níveis mais elevados de elementos traço (Figuras 5.31 a 5.37). Os teores de COT verificados na área investigada não violaram o valor alerta, de 10%, estabelecido pela Resolução CONAMA 344/05 eestão na faixa de valores reportados para muitos sedimentos marinhos costeiros (Knoppers et al. 1999) e são inferiores às concentrações registradas para os sedimentos superficiais da Baía de Guaratuba (Brandini 2008), em frente à área investigada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-7 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 0.2 0.22 0.24 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos % C Figura 5.38: Distribuição das concentrações de carbono orgânico (COT) nos sedimentos uperficiais na área investigada. As concentrações de nitrogênio total (Figura 5.39) e fósforo total (Figura 5.40) também não ultrapassaram os valores alerta preconizados na legislação, de 4000 mg/kg e 2000 mg/kg, respectivamente, e estiveram dentro da faixa de valores reportada recentemente para os sedimentos superficiais da Baía de Guaratuba (Brandini 2008) e do Complexo Estuarino de Paranaguá (Cazati 2006). Entretanto, os padrões de distribuição espacial não seguiram exatamente o dos elementos traço e do COT, evidenciando um enriquecimento ao sul para o nitrogênio e ao norte para o fósforo, os quais poderiam estar associados à aportes da Baía de Guaratuba e de Matinhos, respectivamente. 5.1.1.3.4. Considerações Finais Em todas as amostras analisadas, não foram detectados os contaminantes orgânicos analisados segundo exigência da CONAMA 344/04. Da mesma forma, os elementos traço, bem como o carbono orgânico e o nitrogênio e fósforo totais estiveram abaixo do nível 1 e valores alerta preconizados pela resolução vigente. Estes resultados podem ser justificados em função de dois fatores primordiais: (i) a distância da área de estudo em relação às principais fontes de contaminantes orgânicos descritas para o litoral do estado do Paraná a citar, as atividades indústrias, portuárias e de ocupação populacional desenvolvidas no interior da Baia de Paranaguá, em particular, no entorno da cidade de Paranaguá/PR; (ii) o tipo de sedimento verificado na área de estudo deste diagnóstico. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-8 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos N (mg/kg) Figura 5.39: Distribuição das concentrações de Nitrogênio Total nos sedimentos superficiais na área investigada. 735000 740000 745000 750000 755000 760000 7130000 7135000 7140000 7145000 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 0 10 20 km Baía de Guaratuba Matinhos P (mg/kg) Figura 5.40: Distribuição das concentrações de Fósforo Total nos sedimentos superficiais na área investigada. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-9 5.1.1.4. Modelagem da Dispersão da Pluma de Sedimento A modelagem da dispersão da pluma de sedimento, que possivelmente será gerada com a operação da draga no ponto escolhido para a coleta da areia, é capaz de predizer os níveis e o alcance das concentrações de sedimento na coluna d’água. A coleta da areia será feita a uma profundidade aproximada de 15 m, com a operação da draga, espera-se que o sedimento mais fino seja suspenso na coluna de água, e transportado pelo sistema de correntes. O tamanho da área que será perturbada pela ação da dragagem, depende de alguns fatores, dentre os quais podemos citar: (1) a forma como a dragagem é realizada, (2) o sistema de correntes na área dragada, (3) a composição do sedimento de fundo da área dragada. • Nesse capítulo serão apresentados os dados e resultados considerados de estudos anteriores e o diagnóstico extraído da modelagem hidrodinâmica e de transporte de sedimentos para o local específico da jazida. 5.1.1.4.1. Caracterização Hidrodinâmica A região de maior interesse desse estudo se localiza na plataforma continental interna nas proximidades da desembocadura da baía de Guaratuba, entre as isóbatas de 10 e 15 metros, conforme ilustrado na figura 5.41. Figura 5.41: Localização da área de estudo RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-10 Para se obter uma visão mais abrangente da hidrodinâmica da área de interesse é conveniente realizar uma descrição do sistema de correntes que dominam a circulação de larga escala, ou seja, além da fronteira da plataforma continental, a circulação na região da plataforma continental interna, que é a área onde se localiza a jazida de sedimento que será dragado, e finalmente os sistemas de correntes gerados pela presença dos estuários que se encontram nas proximidades. 5.1.1.4.2. Hidrodinâmica de Larga Escala A circulação no contorno oeste do Atlântico Sul, que se estende entre as latitudes de 20º S e 40º S, é dominada pela presença da corrente do Brasil (CB), que se forma devido à bifurcação da Corrente Sul Equatorial ao redor 15º S (Figura 5.42). A Corrente do Brasil se desloca para sul, acompanhado a quebra da plataforma continental. A 28º S, ou seja, nas proximidades da latitude da região de interesse, Muller et al. (1998) observou que o fluxo da CB atingiu profundidades da ordem de 670 m e apresentou velocidade média de 0,45 m/s. Figura 5.42: Circulação de larga escala – Atlântico Sul Instabilidades hidrodinâmicas de meso-escala sobre a plataforma continental freqüentemente são observadas nas proximidades de irregularidades topográficas onde tanto a plataforma quanto o talude derivam substancialmente de suas formas suaves, tipicamente ao longo da linha de costa. Em inúmeros casos, vórtices ciclônicos têm sido observados sobre a plataforma, localizados entre a costa e o fluxo médio o qual se RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-11 desloca sobre o talude continental. Estes vórtices são tipicamente da ordem de 100 Km de diâmetro e persistem por várias semanas. Wunsch (1993) descreveu vórtices aprisionados no mar de Shelikof nas proximidades da ilha Kodiak no Alasca. Bogden et al. (1993) apresentou evidencias de vórtices anticiclônicos ao norte do Golfo do Alaska, entre as ilhas Kayake Montague. Na região da Corrente do Brasil (CB) vários autores têm mostrado a ocorrência de instabilidades de meso-escala principalmente na região de Cabo Frio. Signorine (1978), capturou um vórtice anticiclônico em sua análise dinâmica de dados hidrográficos, ligeiramente ao norte de Cabo Frio. Campos et al. (1995) destaca uma importante característica sobre a topografia na região de Cabo Frio. Este autor aponta para o fato da mudança de orientação da linha de costa e do gradiente da topografia de fundo (plataforma estreita e abrupta ao norte de Cabo Frio, e mais extensa e suave na Bacia de Santos). Baseado no balanço de vorticidade Campos et al. 1996) sugere que, ao se deslocar do norte ao longo da quebra de plataforma, a CB dirige-se por inércia a águas mais profundas na latitude de Cabo Frio devido à mudança na direção da linha de costa. Para que ocorra conservação de vorticidade, espera-se que a CB meandre ciclonicamente e se comporte como uma onda de Rossby topográfica dentro da Bacia de Santos. Os meandros gerados por essas instabilidades hidrodinâmicas forçam as águas da CB sobre a plataforma continental, fazendo com que a circulação da plataforma continental interna sofra influência do fluxo da CB. 5.1.1.4.3. Hidrodinâmica Próxima da Área da Jazida A hidrodinâmica da área de principal interesse, região onde se encontra a jazida a ser dragada, é dominada para circulação da plataforma interna, que é bastante influenciada pelas forçantes atmosféricas, principalmente os ventos gerados pelos sistemas frontais, que são capazes de inverterema fluxo das correntes. Embora a área de interesse se encontre nas proximidades da desembocadura da baía de Guaratuba, as correntes mais intensas, correntes de maré desse estuário, se concentram no canal principal e perdem energia rapidamente quando se deslocam sobre a plataforma interna. A figura 5.43 é a representação do campo de correntes de maré nas proximidades da área de interesse, ilustrando como as correntes de maré apresentam as maiores velocidades o canal principal do estuário, e perde energia sobre a plataforma continental interna. Observe que as correntes mais intensas ocorrem nos momentos de maré de vazante, e mesmo nessa situação, os máximos valores modelados foram da ordem de 0,90 m/s no canal mais estreito e da ordem de 0,10 m/s nas áreas abertas, ou seja, na plataforma continental interna nas proximidades da jazida, onde o fluxo deriva em direção norte. Durante a enchente (Figura 5.44) as velocidades são um pouco menos intensas no canal de entrada do estuário, mantendo o padrão de baixa energia na área da plataforma continental interna. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-12 Figura 5.43: Campo de corrente em situação de sizígia – maré vazante Figura 5.44: Campo de corrente em situação de sizígia – maré enchente Na região da plataforma continental interna, localizada ligeiramente ao norte da área de interesse, encontramos uma situação análoga, ou seja, o sistema de corrente sendo perturbado pela presença de um estuário, a baía de Paranaguá. Da mesma forma que na área da baía de Guaratuba, o fluxo mais intenso da corrente de maré se concentra no interior do estuário e perde energia na medida em que se desloca em direção a oceano aberto, sobre a plataforma continental. Embora as correntes de maré na região de Paranaguá sejam mais intensas, o comportamento na área da plataforma continental é semelhante, ou seja, a energia das correntes decresce com a distância ao canal de entrada da baía. Esse comportamento pode ser observado na figura 5.45, que RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-13 apresenta o campo de corrente, situação de enchente, modelado na região da baía de Paranaguá. É possível observar ainda que as velocidades na região localizada na plataforma interna apresentaram valores entre 0,05 m/s e 0,15 m/s, ou seja, correntes de baixa energia, como as observadas no exemplo anterior. Figura 5.45: Campo de velocidade enchente na baía de Paranaguá e na plataforma interna. Na situação de vazante (Figura 5.46), os fluxos apresentaram o mesmo comportamento da situação anterior. Ou seja, correntes intensas localizadas nos canais mais estreitos do estuário e correntes de baixa energia localizadas na região da plataforma continental interna. É importante ressaltar que: sendo o campo hidrodinâmico o forçante responsável pelo transporte da pluma de sedimento gerada pela ação da dragagem no local da jazida, é conclusivo que as correntes de baixa energia simuladas nessa região não serão capazes de transportar o sedimento em suspensão na coluna de água por grandes distâncias. Esse fato será explorado com maiores detalhes na seção seguinte, onde serão apresentadas as características dos sedimentos que serão dragadas da área da jazida. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-14 Figura 5.46: Campo de velocidade vazante na baía de Paranaguá e na plataforma interna. 5.1.1.4.4. Características dos sedimentos da jazida utilizada para engordamento da faixa de areia em Matinhos Os sedimentos a serem utilizados para engordamento da faixa de areia em Matinhos serão provenientes de duas áreas localizadas entre aproximadamente 5 a 12 km da costa e entre as linhas de profundidade de 10 e 15 m (Figura 5.47). Figura 5.47: Localização da jazida de sedimentos (pontos vermelhos e verdes) a ser utilizada para engordamento da faixa de areia em Matinhos RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-15 As características sedimentológicas da região da jazida foram estudadas por Veiga et al. (2004) com o levantamento de 16 perfis transversais à linha de costas e amostras retiradas a cada 600 m, conforme ilustrado na figura 5.48. Os resultados da análise granulométrica empreendida por Veiga et al. (2004) indicaram grande predominância de areia fina. Contudo, nas profundidades entre 10 e 15 m, que é a profundidade da jazida ilustrada na figura 5.47, foram encontrados corpos de areia média e grossa. Na parcela de areias finas, os minerais pesados representam 20 a 40% do total. Em areias médias e grossas, que apresentam 90% dos grãos subarredondados e assimetria negativa, este percentual cai para cerca de 5% (Veiga et al., 2004) . A tabela 5.10 mostra os resultados da análise das amostras coletadas em 33 pontos na área da jazida. Tabela 5.10: Classificação do sedimento encontrado na área da jazida. Pontos Média Classificação Pontos Média Classificação d2m 0-20 2.032 Areia fina e6m 0-20 2.045 Areia fina d2m 26-42 3.575 Areia muito fina e6m 75-95 2.969 Areia fina d4m 0-20 2.046 Areia fina f1m 0-20 2.571 Areia fina d4m 65-85 2.452 Areia fina f1m 27-40 1.669 Areia média d5m 0-20 2.693 Areia fina f1m 60-75 3.142 Areia muito fina d5m 49-69 2.244 Areia fina f2m 0-20 2.434 Areia fina d6m 0-20 2.037 Areia fina f2m 62-78 2.447 Areia fina e1m 0-20 0.7891 Areia grossa f3m 0-20 2.193 Areia fina e1m 87-107 1.902 Areia média f3m 63-78 2.875 Areia fina e2m 0-20 2.69 Areia fina f4m 0-20 2.273 Areia fina e2m 77-97 2.591 Areia fina f4m 68-90 2.994 Areia fina e3m 0-20 0.8855 Areia grossa f5m 0-20 1.767 Areia média e3m 40-57 2.813 Areia fina f5m 69-83 2.718 Areia fina e4m 0-20 1.74 Areia média f5m 83-88 1.629 Areia média e5m 0-20 1.576 Areia média f6m 0-20 1.681 Areia média e5m 88-108 3.161 Areia muito fina f6m 55-75 2.482 Areia fina Da análise dos resultados verifica-se que a jazida é composta principalmente por areia grossa, média e areia fina, o que representa 78,99%, com predominância dessa última classe com 39,5% do total. A tabela 5.11 resume a proporção das classes encontradas no monitoramento dos pontos na área de interesse. Tabela 5.11: Porcentagem de cada uma das classes encontradas na área da jazida. Classe Grân. Ar. M. fina Ar. grossa Ar. média Ar. fina Ar.M. fina Silte Argila % 1,30 2,74 10,47 28,62 39,50 9,28 3,46 4,22 Os teores de matéria orgânica encontrados por Veiga et al. (2004) não ultrapassaram 12%, sendo predominantemente inferiores a 2,5%. Os teores de carbonato variaram entre 7,5% e 15%, sendo mais elevados na profundidade da jazida da figura 5.47. A figura 5.49 apresenta as características dos sedimentos amostrados por Veiga et al. (2004) segundo a classificação de Shepard (1954). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-16 Figura 5.48: Localização da área de estudo com os perfis e os pontos amostrais (Veiga et al. 2004) Figura 5.49: Classificação dos sedimentos da plataforma continental interna rasa na porção central do litoral paranaense segundo a classificação de Shepard (1954) (Veiga et al. 2004) RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-17 5.1.1.4.5. Modelagem numérica do transporte de sedimento para região com semelhantes características hidrodinâmicas Nas seções anteriores foram apresentados resultados de simulações hidrodinâmicas para as áreas da baía de Paranaguá, Guaratuba e parte da plataforma continental interna, onde se observou que as correntes mais intensas se concentram nos canais de acesso aos estuários, e que nas proximidades da área, onde será realizada a coleta de areia, as correntes apresentam baixa energia. E ainda foram apresentados argumentos que apontam para a intrínsecarelação entre a intensidade do campo hidrodinâmico e sua capacidade em transportar sedimentos em suspensão na coluna de água. Esse fato pode ser observado na figura 5.50, que mostra uma seqüência de imagens que ilustram a dispersão de sedimentos lançados na coluna de água em uma área de correntes de baixa intensidade. Logicamente, a distância que uma determinada quantidade de sedimento pode ser transportada em suspensão na coluna de água, dependerá não somente da intensidade das correntes marinhas, mas também do tempo que esse sedimento é capaz de permanecer em suspensão. O tempo que um determinado sedimento permanece em suspensão na coluna de água, depende das características desse sedimento, ou seja, sedimentos mais leves como silte e areia muito fina tendem a permanecer em suspensão por períodos mais longos do que areia média e areia grossa. Esse tempo é determinado pela velocidade de queda do sedimento na coluna de água. Figura 5.50: Comportamento da concentração na coluna d'água de 6 descartes de 11.000 m3 de sedimento, mostrado a cada 8 h em condições de maré de sizígia RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-18 Nesse exemplo apresentado na figura 5.50, as simulações foram realizadas considerando uma mistura composta principalmente por areia grossa, areia média e areia fina, lançada na coluna de água em um ponto de baixa circulação hidrodinâmica, localizado na plataforma interna. Assim, a idéia de que o transporte de sedimento em suspensão na coluna de água, em uma região que apresenta correntes com baixa energia, possui curto alcance foi confirmada. 5.1.1.4.6. Modelagem numérica do transporte de sedimento Como comentado anteriormente, a principal forçante responsável pelo transporte de sedimento em suspensão na coluna de água é o campo hidrodinâmico. Assim, para se realizar a modelagem numérica do transporte de sedimento em uma determinada área de interesse, primeiramente deve-se realizar a simulação numérica do regime de correntes que dominam essa região. As simulações foram realizadas com a aplicação do modelo hidrodinâmico e de transporte de sedimento denominado ECOMSED. Trata-se de um código computacional tridimensional da hidrodinâmica e transporte de sedimentos desenvolvido pela HydroQual para aplicação em sistemas marinhos e de água doce. Os componentes do modelo são desenhados para executar em conjunto com outros, de forma que a saída de um modelo é diretamente relacionada aos outros modelos. Os modelos compartilham a mesma estrutura de grid numérico e técnicas de solução numérica. O desenvolvimento do ECOMSED tem suas origens na década de 1980, com a criação do Princeton Ocean Model (POM), que foi seguido por uma versão de atualização denominada ECOM para ambientes de águas rasas, como rios, lagos, estuários e costas oceânicas. Na década de 1990, conceitos de ressuspensão e assentamento de sedimentos desenvolvidos por W. Lick, da Universidade da Califórnia, foram incorporados à estrutura do ECOM. 5.1.1.4.7. Discussão de resultados A seguir são analisados os resultados tanto do ponto de vista teórico, com aplicação direta de equações para análise da velocidade de queda dos sedimentos quanto pela utilização da modelagem numérica do transporte de sedimentos Como era de se esperar, os resultados mostraram que as correntes de maré dominam a circulação nessas regiões e concentra a maior parte da energia nos canais de acesso aos estuários. Esse fato foi observado tanto nos canal de acesso à baía de Guaratuba quanto no canal de Paranaguá. A jazida de onde será retirado o material do engordamento das praias, se localiza na plataforma continental interna, nas proximidades da desembocadura do estuário de Guaratuba. Os resultados da modelagem hidrodinâmica, mostraram que nessa região as correntes são muito menos intensas que as correntes localizadas nos canais de acesso ao interior da baía, ou seja, a energia das correntes de maré decaem rapidamente nas áreas localizadas na plataforma interna. O mesmo comportamento pode ser observado na modelagem realizada para a baía de Paranaguá, que apresentou fluxo de baixa intensidade nas regiões sobre a plataforma interna, entre as isóbatas de 10 m e 20 m. A simulação do transporte de uma pluma de sedimento composta por uma mistura de areia média, areia fina e silte, suspensa na coluna de água em um ponto localizado RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-19 sobre a plataforma interna, na área de correntes de baixa energia, mostrou que a pluma sofre pouco deslocamento. O material mais pesado, composto pelo sedimento não coesivo, areia média e fina, depõe-se rapidamente e sedimenta no fundo oceânico, sendo que o pequeno deslocamento observado é da pluma de silte, que por ser mais leve, permanece em suspensão por um período de tempo um pouco mais longo, ficando exposto à circulação hidrodinâmica da região. A lei de Stokes (equação 16) dá a velocidade de queda para partículas menores 100 µ, que são sedimentos finos e que permanecem por mais tempo em suspensão na coluna de água. Sabendo que a jazida que será dragada é composta na sua maior parte por areia média, areia fina e muito fina, é possível estimar o tempo que uma nuvem de sedimento permanecerá em suspensão na coluna de água. Com comentado nas seções iniciais, o problema a ser entendido é estimar o deslocamento de uma pluma de sedimento em suspensão na coluna de água, gerada pela ação da dragagem no momento de coleta do sedimento na jazida. Assim, analisando o caso mais crítico, que é uma pluma de sedimento composta por materiais muito finos e leves, como partículas da ordem de 64 µm (areia muito fina), suspensa na coluna de água a uma altura de 5 m. Com base na lei de Stokes observa- se uma velocidade de queda da ordem de: Ws = 1,251x10-4 m/s Ou seja, as partículas de areia muito fina, afundam 1,251x10-4 m em um segundo, ou 45 cm em uma hora. As simulações hidrodinâmicas mostraram que o campo de correntes na área da jazida apresenta velocidades médias da ordem de 0,05 m/s, ou 5 cm/s. Com base nessa informação, a pluma de sedimento suspensa a 5 m de altura na coluna de água se deslocará uma distância da ordem de 1900 m e levará ao redor de 10:00 horas para depositar no fundo submarino. A figura 5.51 mostra que a área da jazida se localiza a 9,3 Km, em linha reta, da praia de Matinhos, assim, podemos concluir que a pluma de sedimento em suspensão sedimentará antes de atingir os balneários. Figura 5.51: Distância da área da jazida em relação à costa RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-20 A aplicação do Modelo de Transporte da pluma de sedimentos para o problema foi realizada com os resultados de circulação hidrodinâmica. Os resultados da simulação do Modelo de Transporte podem ser visualizados nas figuras 5.52 a 5.55, na dispersão da pluma do sedimento fino, o diâmetro das partículas é de aproximadamente 64 µm. Por o sedimento ser leve, o mesmo permaneceu bastante tempo em suspensão. Foi escolhida a maré de sizígia para a simulação, pois os fluxos energéticos eram grandes conseqüentemente as correntes e velocidades eram mais altas. Neste experimento a pluma de sedimentos foi lançada a uma profundidade de 5 m em relação ao fundo submarino com o objetivo de simular a ação de uma draga retirando areia. As Figuras a seguir mostram uma parte da baia de Paranaguá, a baía Guaratuba e uma circunferência de raio de 3,5 Km no oceano entre essas baias, região que delimita a evolução da dispersão da pluma de sedimentos na área da Jazida. A figura 5.52 representa o início da simulação, no tempo de 900 segundos. # ####### ################# ### ### ### ## # # ### # # ### # ####### # ### ##### ### ###### ############ ############ ## #### ######## ################ ######### # ##### # # # ## ######### #### ####### ######## ## # ### ## # ##### ##### # # ####### ############ ##### # #### # # # ## ### ########## ##### ########## ######### ## ###### # # ## ########## #### # ######## ######## # ## ########## # ## ##### # ## ### ########## ## ### # # # # ######### #### #### ####### ######## ####### ## #### ###### #### # ###### #### # ## ###### ########## ###### ############# ## # ################### # #### ####### ########### # ####### ######################## # ## ## ############ ################### ####### ############### ########### ################ ################## # ################### ############# ############### # ####### # ######################## # ###### # ########### ################### # ####### ########## # ########### ############# Pl uma de Sedi ment os N 700000 700000 720000 720000 740000 740000 760000 760000 780000 780000 800000 800000 71 40 00 0 7140000 71 60 00 0 7160000 71 80 00 0 7180000 72 00 00 0 7200000 Bai a de Paranaguá e de Guarat uba Legenda Al ti metria 0 - 50 50 - 100 100 - 150 150 - 200 200 - 250 250 - 300 300 - 350 350 - 400 400 - 450 450 - 500 500 - 600 600 - 700 700 - 800 800 - 900 900 - 1000 1000 - 1200 1200 - 1500 1500 - 2700 Oceano e Bai as Buff er 3, 5 Km # Pl u ma# Fonte 4000 0 4000 8000 Metros Figura 5.52: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação de 900 segundos. A figura 5.53 representa o começo da dispersão, no tempo de 10560 segundos. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-21 ## # ## # # ### ## ## # # # # # ## # ## # ## # # # # # # # # # ### # ## #### # # # ### ### # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # ## ## # # # # # # # # ## # ### # # ## ## ## # ## # # ## # ## # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ### # #### ## # # # # # ### # #### # # # ## ## # # # # # # # # ## # #### ## # # # # # ## # # # ## # ## # ## # ## # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # ## # # ## ## # # ## # ### # # # # # ## # # # ## # # # # # # ### # ## # # ## # # # # # # ## # # # # # # ### # # # # # # # ### ## ## # # ### # ## # # # # # # ### # # # ## # ## ## ## # ## # # #### # # # # # ## # # # # ### # # # # # # # ## # # # # # ### # # ### # # # # ## ## # # # # ## ## # # # # #### # # ## ## # ### ## ## # # ### ## # # # # # # # # # # # # # ##### # ## # ## ### # # ## # # # ###### ## ### # # # # # #### # # # # # # ### # # # # # ## # # # # ## # # ## ## ## # ### # # # # # # # # # # # # # ### # #### # # # # # # # # # # # ## 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As figuras 5.54 a 5.55 representam o final da dispersão. # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # ## ## # # # ## # # # # # # ### # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # #### # # # # # # # # # # # # ### # # ## # # # # # ## # # ## # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # ## # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # ## # ## ## # # # # # # # # # # # # # # # # ### # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # ### # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## ## ## # # # # # # # # # # # # ## ## # # # ## # # # # # # ## # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # #### ## # ## # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # ## # # # # # ### # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # ### # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # ## # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # ## # ## ## # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## ## ## # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # ## # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # ## # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # ## # # # ### # # ## # # # # # # ## # # # # # # ## ## # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # ### ## ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## ## ## ## # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## ## ### ### # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## ## # # ## # # # ## # # # # # ## ## # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # ## ## # # # # # # # # # ## ## # # #### # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # # # # # # # ## # # # ## # ## ## # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## ## # # # # # # # # # # # # ## # ## # # ## ## # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # ### # # # # # # # # ## # # # # ## # # Pl u ma de Sedi ment os N 700000 700000 720000 720000 740000 740000 760000 760000 780000 780000 800000 800000 71 40 00 0 7140000 71 60 00 0 7160000 71 80 00 0 7180000 72 00 00 0 7200000 Bai a de Paranaguá e de Guarat uba Legenda Alti metri a 0 - 50 50 - 100 100 - 150 150 - 200 200 - 250 250 - 300 300 - 350 350 - 400 400 - 450 450 - 500 500 - 600 600 - 700 700 - 800 800 - 900 900 - 1000 1000 - 1200 1200 - 1500 1500 - 2700 Oceano e Bai as Buff er 3,5 Km # Pl uma# Fonte 4000 0 4000 8000 Metros Figura 5.54: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 67200 de segundos. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-22 # # # # ## # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # ### # # # # ## # # ## # # # ## # # ## # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## ## ### ## ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # ## # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # ## # # # # # # ## # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ### # # # ## ### # # ## # # # # # # # ## # # # # # ## # # # ## ### # ## # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # ## # # ## # # # # # ## # # # # # # # # # # # ## # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # #### # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # ## # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # ## # # Pl u ma de Sedi ment os N 700000 700000 720000 720000 740000 740000 760000 760000 780000 780000 800000 800000 7140 00 0 7140000 71 60 00 0 7160000 71 80 00 0 7180000 72 00 00 0 7200000 Bai a de Paranaguá e de Guarat uba Legenda Alti metri a 0 - 50 50 - 100 100 - 150 150 - 200 200 - 250 250 - 300 300 - 350 350 - 400 400 - 450 450 - 500 500 - 600 600 - 700 700 - 800 800 - 900 900 - 1000 1000 - 1200 1200 - 1500 1500 - 2700 Oceano e Bai as Buff er 3,5 Km # Pl uma# Fonte 4000 0 4000 8000 Metros Figura 5.55: Pluma de Sedimentos, tempo de simulação 109440 de segundos. A figura 5.56 mostra uma série de elevação para um ponto próximo da jazida. A maré encontrava-se em situação de sizígia e as variações de nível eram altas. A flecha indica o momento da dispersão da pluma da figura 5.55. Figura 5.56: Série de elevação para o nó próximo à jazida. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-23 5.1.2. Meio Biótico 5.1.2.1. Biota terrestre 5.1.2.1.1. Flora Apesar do tamanho relativo, o estado do Paraná abriga grande parte dos ecossistemas brasileiros. O domínio da Mata Atlântica engloba, além das florestas, os ecossistemas da costa litorânea associados às planícies arenosas e às dunas. Tais ecossistemas são chamados Formações Pioneiras de Influência Marinha ou, simplesmente, “restingas” e são ambientalmente frágeis, devido à estrita interdependência substrato-vegetação. 5.1.2.1.1.1. Enquadramento fitogeográfico Ao longo do litoral brasileiro, bem como dos cursos e depressões d’água (como rios, pântanos e lagoas) podem-se observar áreas com vegetação característica, cuja fisionomia repete-se ao longo de todo o país, independente da região geo-climática, diferente do que acontece com outros ecossistemas. Essas áreas são tecnicamente conhecidas como Áreas de Formações Pioneiras e ocupam os terrenos rejuvenescidos pelas seguidas deposições de areia marinha nas praias, os aluviões fluviomarinhos nas desembocaduras dos rios e os solos ribeirinhos aluviais e lacustres. Podem ser classificadas como: de Influência Marinha (Restingas), Fluvial (Caxetais, Mata Ciliar, Pântanos, Várzeas) ou Fluviomarinha (Manguezal) (Veloso & Góes-Filho 1982). A designação “formações pioneiras” neste caso não reflete nenhum estágio de sucessão ecológica, mas, sim, visa a delinear o dinamismo das vegetações de primeira ocupação, vinculadas principalmente a fatores edáficos, e não climáticos (Leite 1994). A vegetação das Formações Pioneiras está assentada sobre solos instáveis e as espécies que a compõe são importantes na preparação do ambiente para espécies mais exigentes e menos adaptadas à instabilidade do meio. A fisionomia das Restingas, ou Formações Pioneiras de Influência Marinha, reflete diretamente as condições extremas do ambiente, como a ação intensa e permanente dos ventos, das marés e da salinidade, e as características desfavoráveis do solo (Roderjan et al. 2002). Essas áreas são caracterizadas pela presença de espécies psamófilas e halófilas e podem ser compostas por ervas, arbustos até árvores, na forma de um gradiente em direção ao continente, onde muitas vezes se confundem com as florestas de terras baixas. Na faixa de praia no estado do Paraná, sobre substratos não consolidados (depósitos psamíticos), são características espécies como Ipomoea pes-caprae (Convolvulaceae), Hydrocotyle bonariensis (Araliaceae), Blutaparon portulacoides (Amaranthaceae), Polygala cyparissias (Polygalaceae), Cordia curassavica (Boraginaceae), Scaevola plumieri (Goodeniaceae), Smilax campestris (Smilacaceae), Canavalia rosea (Fabaceae), muitas Poaceae (como Paspalum, Spartina, Eragrostis e Panicum) e Cyperaceae (Androtrichum, Cyperus, Remirea e Rynchospora) (Roderjan et al. 1996, Roderjan & Kuniyoshi 1988, Roderjan et al. 2002). As espécies que ocupam tal ambiente adverso normalmente possuem diversas características relacionadas a esse ambiente, como folhas pequenas, suculentas e anfiestomáticas (Boeger & Gluzezack 2006), sendo em sua maioria representadas por hábitos reptantes, rizomatosos ou cespitosos (Martins et al. 2008) que, dada a fragilidade do ecossistema, exercem papel fundamental na estabilização do substrato arenoso e na drenagem natural (CONAMA 1996). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-24 Neste contexto, o Código Florestal Brasileiro (Brasil 1965; Lei nº 4.771/65 e alterações posteriores) estabelece a proteção de áreas com função ambiental, como áreas para preservação de recursos hídricos, estabilidade geológica e biodiversidade, visando, além da garantia ao ambiente ecologicamente equilibrado (Brasil 1988; artigo nº 225), a prevenção de desastres sócio-econômicos por degradação ambiental de origem antrópica. A partir de então, tais áreas são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a supressão de sua vegetação, mesmo que parcial, é condicionada à necessidade de ações de utilidade pública ou interesse social, devidamente autorizadas pelo órgão ambiental competente. Entre as APPs explicitamente apontadas pela lei (e normatizadas pelas resoluções CONAMA 004/1993; 007/1996 [São Paulo]; 261/1999 [Santa Catarina]; 303/2002; 341/2003) estão as restingas, pela ação de fixação das dunas e estabilização de manguezais. 5.1.2.1.1.2. Caracterização Florística das Áreas Influenciadas pelo Empreendimento Através de incursão às áreas diretamente afetadas (ADA) e que sofrerão influência direta do empreendimento (AID), pode-se observar um ambiente altamente degradado por ação antrópica, apresentando grande pobreza florística quando comparado a locais próximos mais preservados (p.e. Ilha do Mel - Silva 1998, e Praia do Barranco, Pontal do Paraná – obs. pessoal). Nas praias de Matinhos, a vegetação é dominada por poucas espécies, generalistas, comumente espécies exóticas invasoras, oportunistas ou ruderais, podendo também ser encontradas espécies ornamentais, cultivadas na forma de jardins e canteiros, sobre o substrato da restinga. Também é notável a ausência de algumas espécies indicadoras da vegetação de restinga, atestado o alto grau de alteração da vegetação, além da existência de trechos com completa ausência de vegetação. Muitas espécies consideradas nativas das vegetações de restingas são consideradas também espécies oportunistas ou invasoras, pois possuem naturalmente os atributos para ocupar ambientes adversos em outras áreas. Dentro desse grupo, foram encontradas nas áreas de estudo as ervas Ipomoea pes-caprae (L.) R.Br. (Salsa-da- praia – Convolvulaceae) e Hydrocotyle bonariensis Lam. (Acariçoba - Araliaceae), e o arbusto Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult. (Erva-baleeira - Boraginaceae), sendo as duas ervas especialmente importantes na área de estudo em termos de dominância relativa (cobertura do substrato em comparação às outras espécies). A primeira, uma erva estolonífera, está entre as espécies mais influenciadas pelas marés, e a segunda, uma erva rizomatosa, é mais importante nas zonas adjacentes, mais altas. Entre as espécies características da vegetação de restinga (Figura 5.57) foram encontradas nas ADA e AID espécies de Gramineae (como Spartina ciliata e Schizachyrium condensatum) e Cyperaceae (Cyperus spp. e Remirea maritima), importantes agente na fixação do substrato arenoso, devido aos seu sistema radicular. Também são espécies indicadoras desse tipo de vegetação e foram encontradas nessas áreas o Bredo-da-praia (Blutaparon portulacoides (A. St.-Hil.) Mears – Amaranthaceae), o Rabo-de-bugio, (Dalbergia ecastophyllum (L.) Taub. – Fabaceae), o Carrapicho-da-praia (Acicarpha spathulata R.Br. – Calyceraceae), o Feijão-de-praia (Sophora tomentosa L. – Fabaceae), o Pinheirinho-da-praia (Polygala cyparissias A. St.-Hil & Moq. – Polygalaceae), a Samambaia-preta (Rumohra adiantiformis (G.Fosrt.) Ching. – Dryopteridaceae), a Salsaparrilha (Smilax campestris Griseb.– Smilacaceae), RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-25 Alternanthera littoralis var. maritima (Mart.) Pedersen (Amaranthaceae) e Diodella radula (Willd. & Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Delprete – Rubiaceae). Cenário diferente é constatado quando observadas as áreas indiretamente influenciadas pelo empreendimento (AII). O estado de conservação da vegetação de restinga das praias melhora sensivelmente no sentido Balneário Flórida (Matinhos) – Pontal do Sul (Pontal do Paraná). Assim, pode-se constatar um enriquecimento florístico na mesma direção. Além das espécies típicas da restinga presentes nas ADA e AID, aparecem apenas na AII espécies como a Orelha-de-onça (Tibouchina clavata (Pers.) Wurdack – Melastomataceae), a Barba-de-São-João (Polygala paniculata L. – Polygalaceae), a carqueja (Baccharis genistelloides (Lam.) Pers. - Asteraceae), o Pega-pega (Desmodium intortum (Mill.) Urb.) e a Meladinha (Stylosanthes viscosa (L.) Sw.- Fabaceae). Plantas jovens de árvores como o Araçá (Psidium cattleianum Sabine – Myrtaceae) e o Guanandi (Calophyllum brasiliense Cambess. – Clusiaceae), típicas da vegetação de restinga arbórea (floresta), já podem ser encontradas restinga herbáceo-arbustiva dessas áreas. Figura 5.57: Exemplos de espécies características de vegetação de restinga herbácea encontradas nas áreas estudadas. A. Rumohra adiantiformis; B. Tibouchina clavata; C. Hydrocotyle bonariensis; D. Cordia curassavica. 5.1.2.1.1.3. Espécies Endêmicas Não foram encontradas espécies endêmicas nas áreas diretamente afetadas ou influenciadas pelo empreendimento. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-26 5.1.2.1.1.4. Espécies Raras ou Ameaçadas de Extinção Nas áreas diretamente afetadas ou influenciadas pelo empreendimento não foram encontradas espécies que constem nas listas oficiais de espécies raras ou ameaçadas de extinção do Paraná (SEMA 1995), do Brasil (IBAMA 1992) ou internacionais (IUCN 2009) 5.1.2.1.1.5. Espécies Medicinais, de Interesse Econômico ou Científico Devido a grande descaracterização ambiental das áreas estudadas e ao conseqüente empobrecimento da flora, as espécies medicinais encontradas na área são principalmente espécies oportunistas e ruderais, ou seja, amplamente distribuídas em diversas vegetações por extensas áreas, principalmente próximas a habitações humanas. A caracterização das propriedades medicinal foi baseada em literatura científica específica e, principalmente, em Lorenzi & Matos (2002). A Centela (Centella asiatica (L.) Urban – Apiaceae) é uma espécie exótica invasora, nativa do sul e sudeste da Ásia, amplamente disseminada pelo Brasil, principalmente na planície litorânea. É utilizada na medicina popular no tratamento de doenças cardiovasculares e como agente antiinflamatório e cicatrizante. É componente de diversos produtos fitoterápicos que promovem melhora da circulação sanguínea. A Acariçoba (Hydrocotyle bonariensis Lam. – Araliaceae) é empregada na medicina caseira pela ação diurética, vomitiva e anti-reumática, e para remoção de pintas e sardas. O Mentrasto (Ageratum conyzoides L. – Asteraceae), apesar de nativa no Brasil, é uma espécie oportunista, por invadir espontaneamente ambientes onde não é naturalmente encontrada. Possui propriedades hemostáticas, cicatrizantes e analgésicas. O Algodão-de-preá (Emilia sonchifolia (L.) DC. - Asteraceae) é originária da Ásia tropical e está naturalizada em todo o Brasil. São atribuídas a esta espécie propriedades febrífugas e anti-oftálmicas, sendo amplamente utilizada na medicina popular contra doenças do trato respiratório e urinário. É também relatado seu uso na alimentação, na forma de saladas e refogados. A Erva-baleeira (Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult.) é amplamente utilizada na região litorânea contra dores reumáticas, musculares e da coluna, nevralgias e contusões. Estudos científicos têm comprovado suas propriedades medicinais, e já tem sido comercializada na forma de compostos fitoterápicos. As folhas da Salsa-da-praia (Ipomoea pes-caprae (L.) R. Br. – Convolvulaceae) são consideradas emolientes e vulnerárias, enquanto suas raízes são usadas na medicina caseira pela ação diurética e purgativa. A Vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata L. – Rubiaceae) ocorre naturalmente no Brasil, mas é considerada oportunista por ocorrer espontaneamente em ambientes onde não ocorreria naturalmente. É utilizada na medicina popular amplamente por todo o país, sendo suas raízes utilizadas pela ação vomitiva e diurética, e suas folhas cozidas são usadas em banhos contra erisipela, hemorróidas e varizes. A Barba-de-São-João (Polygala paniculata L. – Polygalaceae) e a Carqueja (Baccharis genistelloides (Lam.) Pers. - Asteraceae) são utilizada há muitos anos na medicina popular das regiões costeiras do Brasil. A primeira é utilizada como agente anti-blenorrágico, vomitivo, purgativo e diurético, enquanto à Carqueja são atribuídas ações para problemas hepáticos, estomacais e intestinais, sendo vastamente comercializada na forma de chá. A Samabaia-preta (Rumohra adiantiformis (G.Fosrt.) Ching. – Dryopteridaceae) é coletada por comunidades litorâneas para a venda ao comércio de floriculturas, devido a sua utilização em arranjos. A Orelha-de-onça (Tibouchina clavata (Pers.) Wurdack – Melastomataceae) e o Araçá (Psidium cattleianum Sabine – Myrtaceae) são cultivados RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-27 e comercializada como espécie ornamental e alimentícia, respectivamente. O Guanandi (Calophyllum brasiliense Cambess. – Clusiaceae) já foi amplamente utilizado e comercializado na região litorânea para a fabricação de pequenas embarcações e, menos comumente, edificações residenciais. Não foram encontradas espécies de especial valor científico nas ADA e AID. 5.1.2.1.1.6. Espécies Exóticas Invasoras A contaminação biológica por espécies exóticas invasoras é considerada a segunda causa mais importante da perda da diversidade biológica em todo o mundo (está atrás apenas da destruição direta dos ambientes pela ação humana). Esta contaminação se dá quando uma espécie não nativa invade um ecossistema e, devido a diversos motivos como ausência de competidores e agressividade natural, esta espécie domina o ambiente, em detrimento das espécies nativas, causando diversos e sérios danos ao meio. Assim, espécies exóticas invasoras são aquelas espécies não nativas que causam algum tipo de dano aos ecossistemas naturais, e sua erradicação é obrigatória (IAP 2007). Entremeadas entre as espécies nativas de Gramineae, figuram na área afetada pelo empreendimento espécies de Braquiária (p.e., Brachiaria decumbems Stapf - Gramineae, Figura 5.58), que infestam praticamente toda a área de vegetação do empreendimento, em maior ou menor grau, chegando a dominar algumas áreas. Estas espécies são poderosas invasoras de difícil erradicação e que, paulatinamente, substituem e impedem o estabelecimento das espécies nativas. Além das braquiárias, são exóticas invasoras as espécies Centela (Centella asiática (L.) Urban – Apiaceae) e o Algodão-de-preá (Emilia sonchifolia (L.) DC. - Asteraceae), já amplamente naturalizadas por todo o Brasil. Figura 5.58: Fisionomia de trecho do balneário Flórida, evidenciado contaminação por Braquiária em primeiro plano. 5.1.2.1.1.7. Caracterização fitofisionômica As ADA e AID podem ser enquadradas na fisionomia de restinga herbácea, vegetação mais influenciada pelas marés e pela salinidade. No entanto, foi constatado alto grau de degradação ambiental nestas áreas, todas se constituindo de vegetação secundária (aquela que coloniza o substrato após supressão total ou parcial da vegetação original). Entre o balneário Flórida e o balneário de Caiobá, área que sofrerá o engordamentoRIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-28 artificial (ADA), a vegetação de restinga está seriamente depauperada e alterada, tanto florística como fisionomicamente, ou mesmo ausente, expondo completamente o substrato (Figura 5.59A e B). Figura 5.59: Fisionomias de diferentes trechos localizados nas áreas estudadas. A. Praia Brava de Caiobá (ADA, Matinhos): vegetação escassa ou ausente; B. Balneário Riviera (ADA, Matinhos): vegetação alterada ou ausente; C. Balneário Flórida (ADA, Matinhos): vegetação em melhor estado; D. Praia de Barranco (AII, Pontal do Paraná): restinga em bom estado de conservação, formando um contínuo com as formações arbustivas e florestais (em último plano). Nas praias de Matinhos, as áreas de vegetação em melhor estado estão localizadas no balneário Flórida (Figura 5.59C), contínuas em direção ao município de Pontal do Paraná, incluindo Praia de Leste. Nesta região, a vegetação está representada por trechos que variam entre 5 e 30 m (Matinhos – Balneário Flórida) ou até 70 m (Pontal do Paraná - Balneário de Praia de Leste) de largura entre a praia e o início do calçamento. Em alguns pontos, a vegetação de restinga prolonga-se além das ruas, em terrenos ainda não ocupados por edificações. Importante notar que, apesar da fisionomia compatível com o esperado para uma vegetação de restinga, essa vegetação apresenta-se seriamente empobrecida em termos florísticos, indicando o alto grau de perturbação. Essa vegetação é constituída predominantemente por espécies herbáceas. Nas áreas mais próximas à praia, a vegetação é dominada por poucas espécies (usualmente Blutaparon portulacoides e Ipomoea pes-caprae), caracteristicamente estoloníferas e rizomatosas, que se distribuem esparsamente sobre o substrato. Poucos metros acima desta área, a vegetação torna-se densa, cobrindo quase a totalidade do substrato. O hábito herbáceo continua a predominar, no entanto, arbustos até um metro de altura já podem ser encontrados (usualmente Lantana undulata Schrank - Verbenaceae e Dalbergia ecastophylla). Árvores não ocorrem nestas áreas (a não ser aquelas plantadas com a finalidade de arborização, como o sombreiro – Terminalia catappa L.) RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-29 e, portanto, não existe estratificação da vegetação em termos de subosque e dossel, e a serapilheira é irrelevante. Gramineae e Cyperaceae são importantes componentes destas áreas, conferindo ao ambiente muitas vezes uma fisionomia campestre. Epífitas são raras nestes ambientes e lianas, quando presentes, adotam um hábito escandente sobre o substrato e a vegetação (p.e. Smilax campestris, Mikania involucrata Hook. & Arn. - Asteraceae.). A área indiretamente influenciada (AII) pelo empreendimento engloba as praias de Pontal do Paraná, que apresentam em vários locais uma vegetação de restinga herbáceo-arbustiva em bom estado de conservação (Figura 5.59D), em alguns pontos continua a restinga arbórea (Praia de Barranco). Nestes trechos é possível ainda observar a seqüência fisionômica natural da restinga, que evolui de uma vegetação esparsa de plantas estoloníferas e rizomatosas, passando pela vegetação herbácea, herbáceo-arbustiva, arbustiva até finalmente a restinga arbórea, que já se confunde com a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas de estágio intermediário de sucessão. 5.1.2.1.1.8. Áreas de Preservação Permanente – APP Áreas de Preservação Permanente (APP) são definidas como áreas cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (Medida Provisória 2166-67/2001, que altera e acrescenta dispositivos ao Código Florestal Brasileiro – Lei 4771/1965). As APP são definidas e delineadas na Resolução Conama 303/2002. Esta resolução determina como APP, entre outras áreas, toda área situada em restinga (Art. 3º, Inciso IX): “a) em faixa mínima de trezentos metros, medidos a partir da linha de preamar máxima; b) em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação com função fixadora de dunas ou estabilizadora de mangues” Dessa forma, as ADA, AID e AII deste empreendimento estão situadas integralmente dentro de área definida como de preservação permanente e a supressão de vegetação nestas áreas está limitada a situações eventuais e de baixo impacto, e apenas a empreendimentos de utilidade pública. No caso do presente empreendimento, a supressão da vegetação requerida é extremamente limitada, visto que o procedimento é necessário apenas em trechos localizados da ADA, que atualmente estão totalmente desprovidos de vegetação ou estão cobertos por vegetação secundária já seriamente comprometida. 5.1.2.1.1.9. Análise da paisagem As áreas afetadas ou influenciadas pelo empreendimento não estão inseridas em Unidades de Conservação. As ADA e AID estão totalmente localizadas em ambiente urbano e sua importância em termos de conectividade com áreas de vegetação em bom estado é desprezível. Dentro da AII estão localizados importantes remanescentes da vegetação de restinga que, no entanto, não deverão sofrer alteração em termos florísticos ou fitofisionômicos pelo empreendimento. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-30 5.1.2.1.2. Fauna de vertebrados terrestres: Herpetofauna, Avifauna e Mastofauna A fauna de vertebrados aqui avaliada inclui animais que, além da importância ecológica, também se destacam como elementos conspícuos na paisagem e por despertar muita atenção, tanto em relação à conservação das espécies quanto no publico em geral. A zona costeira do litoral do Estado do Paraná, apesar da pequena extensão, abriga um mosaico de ecossistemas e, dessa forma, oferece uma variedade de habitats e micro-habitats, que por sua vez possibilitam a ocorrência de elevada biodiversidade, inclusive muitas espécies de interesse conservacionista. Nas áreas de influência do empreendimento ocorrem comunidades biológicas particulares, destacando-se aquelas associadas à plataforma continental, ao entremarés e às formações pioneiras. De uma maneira geral há limitada disponibilidade de estudos científicos referentes aos grupos animais avaliados na região do empreendimento, com um cenário relativamente melhor no caso das aves. No entanto, estudos enfocando vertebrados de ambientes pioneiros sob influência marinha e fluvial praticamente inexistem. 5.1.2.1.2.1. Comunidades da Plataforma Continental Interna A região marinha costeira abriga comunidades características de Répteis, de Aves e de Mamíferos que em sua maioria são representados por animais conspícuos, de vida longa e que se concentram em locais específicos para reproduzir. Essas condições favorecem a condução de estudos de maior abrangência, principalmente relacionados à dinâmica populacional, os quais têm apontado declínios no número de indivíduos de muitas espécies. Nesse sentido, entre as aves classificadas como essencialmente marinhas, cerca de 30% delas estão ameaçadas (Birdlife International Seabird Conservation Programme 2007), bem como as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem em águas brasileiras. No caso dos mamíferos aquáticos, das 39 espécies de cetáceos registradas para costa brasileira, 58,83% delas figuram no Plano de Ação para os Mamíferos Aquáticos do Brasil (IBAMA 2001) como espécies vulneráveis. A costa paranaense, apesar da sua limitada extensão, foi classificada por Avaliação e Ações Prioritárias para a Zona Costeira e Marinha (BIO-RIO 2002) como de extrema importância para a conservação de aves marinhas no Brasil. A importância do litoral paranaense é justificada pela utilização desta área como ponto de parada de espéciesmigratórias, por haver reprodução de aves aquáticas coloniais e também por abrigar importantes sítios de alimentação para aves marinhas em geral. Da mesma forma, este ambiente assume grande importância para mamíferos marinhos e mais recentemente tem sido detectada relevância também para tartarugas marinhas (Rosa 2005, Guebert 2008, Barrera 2009). Herpetofauna - a Herpetofauna da Plataforma Continental no litoral do Paraná é formada apenas por tartarugas-marinhas, com registro de cinco espécies (Tabela 5.12), e destaque para a tartaruga-verde, Chelonia mydas. Todas as espécies têm distribuição cosmopolita (Meylan & Meylan 1999), geralmente são encontradas em mares tropicais e subtropicais (Márquez 1990) e três delas estão ameaçadas de extinção e duas são listadas como vulneráveis (Tabela 5.12). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-31 Tabela 5.12: Lista de espécies de tartarugas marinhas com ocorrência para o Litoral do Estado do Paraná. Registro: Status: EP= em perigo. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná. Táxon Nome comum Status Chelonia mydas Tartaruga verde EP Caretta caretta Tartaruga cabeçuda EP Lepidochelys olivacea Tartaruga oliva EP Eretmochelys imbricata Tartaruga de pente EP Dermochelys coriacea Tartaruga de couro EP A tartaruga-verde, C. mydas, é o representante mais freqüente e abundante entre as cinco espécies do grupo, especialmente indivíduos jovens com medidas de carapaça variando entre 25 e 51 cm (Bjornald & Bolten 1989; D´Amato 1991). Estudos da dieta desta tartaruga revelam um comportamento oportunista e generalista (Guebert 2008), sendo possível destacar a importância de macroalgas do gênero Ulva em ambientes de mar aberto. Avifauna - três espécies de aves marinhas se destacam em relação à frequência e a abundância na região da Plataforma Continental Interna, que são: o atobá, Sula leucogaster, o tesoureiro, Fregata magnificens, e a gaivota, Larus dominicanus (Moraes & Krul, 1995, 1999). No entanto, a comunidade de aves associada à Plataforma Continental é formada por muitas espécies, com destaque para os trinta-réis, Sterna spp., o pingüim-de-magalhães, Spheniscus magellanicus, os albatrozes, Diomedea spp., dentre outras (Tabela 5.13). Tabela 5.13: Lista das espécies de aves da plataforma continental. Registro: Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada. Fonte: Livro da Fauna Ameaçada do Estado do Paraná. Espécies Nome comum Status Spheniscus magellanicus Pinguim-de-magalhães NT Podiceps major Mergulhão-grande Diomedea exulans Albatroz-viageiro VU Diomedea epomophora Albatroz-real Diomedea melanophris Albatroz-de-sobrancelha Diomedea chlororhynchos Albatroz-bico-amarelo Diomedea chrysostoma Albatroz-cabeça-cinza Phoebetria palpebrata Albatroz-marron Macronectes halli Petrel-gigante VU Macronectes giganteus Petrel-gigante VU Fulmarus glacialoides Petrel-prateado Daption capense Pomba-do-cabo Pterodroma incerta Fura-buxo-de-capuz Pterodroma mollis Fura-buxo-de-coroa Pterodroma brevirostris Fura-buxo-cinza Pachyptila belcheri Faigão-de-bico-fino Pachyptila vittata Faigão-de-bico-largo Procellaria aequinoctialis Pardela-preta VU Procellaria conspicilata Pardela-preta VU Callonectris diomedea Pardela-debico-amarelo Puffinus gravis Pardela-de-sobre-branco Puffinus griseus Pardela-escura Puffinus puffinus Pardela pequena Oceanites oceanicus Alma-de-mestre Sula leucogaster Atobá Sula dactylatra Atobá-branco Fregata magnificens Tesourão RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-32 Chionis alba Pomba-antartica Catharacta maccormicki Gaivota-rapineira Catharacta antarctica Gaivota-rapineira Stercorarius parasiticus Gaivota-rapineira-comum Larus dominicanus Gaivota Sterna hirundinacea Trinta-réis-bico-vermelho Sterna hirundo Trinta-réis-boreal Sterna trudeaui Trinta-réis-corôa-branca Thalasseus maximus Trinta-réis-real NT Thalasseus sandvicensis Trinta-réis-bico-amarelo As espécies que compõem a comunidade de aves da Plataforma Continental atuam como predadoras em diversos níveis nas cadeias tróficas e consomem importante parcela da produção. Em mar aberto, ao redor de colônias de reprodução, o consumo pode atingir até 27% da produtividade secundária (Wiens & Scott 1975, Furness 1978, Furness & Nettleship 1990). As aves dessa comunidade apresentam diferentes adaptações para a exploração do ambiente aquático relacionada à captura de presas, que incluem plâncton principalmente, lulas e peixes. Mastofauna - o representante mais comum entre os mamíferos da Plataforma Continental (Tabela 5.14) é o boto-cinza, Sotalia guianensis, embora o número de estudos esteja concentrado em ambientes de baía (Rautenberg 1999, Rosas 2000, Bonin 2001, Oliveira 2003, Filla 2004, Domit 2006, Pereira 2006). Outros representantes a serem destacados são: a toninha, Pontoporia blainvillei, e espécies caracteristicamente oceânicas como o golfinho-pintado-do-atlântico, Stenella frontallis, e o golfinho-comum, Delphinus capensis. Também ocorrem neste ambiente a baleia- franca, Eubalaena australis, que procura as águas temperadas do litoral sul do Brasil para reproduzir e a jubarte, Megaptera novaengliae, também ocorrem neste ambiente (Pinedo et al. 1992). Tabela 5.14: Lista das espécies de mamíferos da Plataforma Continental registradas para o litoral do estado do Paraná. Status: DD=dados deficientes, VU=vulnerável. Fonte: Paraná (2004). Táxon Nome comum Status Eubalaena australis Baleia-franca DD Balaenoptera edeni Baleia-de-Bryde Megaptera novaengliae Jubarte Kogia simus Cachalote-anão Steno bredanensis Golfinho-de-dentes-rugosos Sotalia guianensis Boto-cinza VU Tursiops truncatus Golfinho-nariz-de-garrafa Stenella frontallis Golfinho-pintado-do-atlântico Delphinus capensis Golfinho-comum Orcinus orça Orca Pontoporia blainvillei Toninha Arctocephalus australis Lobo-marinho-do-sul Arctocephalus tropicalis Lobo-marinho-de-subantártico Áreas de influência do empreendimento na Plataforma Continental Área Diretamente Afetada - na Área Diretamente Afetada pelo empreendimento na Plataforma Continental, que diz respeito à jazida de onde será retirado o material para a engorda da praia, ocorrem representantes dos três grandes grupos animais aqui avaliados. Em relação aos répteis, ocorrem apenas tartarugas-marinhas, principalmente a tartaruga-verde, C. mydas, que utiliza este setor principalmente como RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-33 área de deslocamento, pois o fundo é arenoso, condição que não favorece a ocorrência de itens alimentares para esta espécie. Aves e mamíferos marinhos são comuns neste setor e, além de se encontrarem na área em atividade de deslocamento, também há possibilidades desses grupos animais utilizaram a área para a captura de alimento, principalmente pequenos peixes. Área de Influência Direta - na área de Influência Direta destacam-se os costões rochosos do Morro do Boi e da Ilha do Farol como áreas de maior relevância para a tartaruga-verde, C. mydas, pois nestes locais ocorrem os principais itens da sua dieta em ambiente de mar aberto. Observações conduzidas durante o mês de setembro no costão da Ilha do Farol proporcionaram frequentes avistagens de representantes juvenis da espécie. Em relação às proximidades da área da jazida/empréstimo se destaca o trânsito de animais, especialmente C. mydas. Aves e mamíferos marinhos são comuns neste setor e, além de se encontrarem na área em atividade de deslocamento, efetuam a captura de presas, principalmente pequenos peixes. Em relação às aves é freqüente a associação destas, principalmente o atobá, S. leucogaster, e o tesoureiro, F. magnificens, e embarcações pesqueiras que estejam rejeitandopescado sem valor comercial. Área de Influência Indireta - de uma maneira geral, há importantes sítios de alimentação para tartarugas, especialmente para a tartaruga-verde, C. mydas, no entorno do empreendimento. Nesse sentido, destacam-se as ilhas do Arquipélago Currais, as ilhas Itacolomis e os costões associados à desembocadura da Baía de Guaratuba. Estas ilhas também assumem grande relevância para aves marinhas, pois abrigam importantes sítios de reprodução para cinco espécies, que são: o atobá, S. leucogaster, e o tesoureiro, F. magnificens, a gaivota, Larus dominicanus, o trinta-réis- de-bico-amarelo, Sterna eurygnatha, O trinta-réis-de-bico-vermelho, S. hirundinacea (Krul 1999, 2004). 5.1.2.1.2.2. Comunidades do Entremarés As aves representam o grupo de vertebrados que domina o ambiente de entremarés das praias oceânicas, ao passo que representantes dos répteis e dos mamíferos ocorrem principalmente mortos ou debilitados, trazidos pela ação dos ventos, das correntes marítimas e da maré. A região de praias arenosas expostas ao mar aberto, apesar de aparentemente de ser uma região fornecedora de poucos recursos para a fauna em geral, representa local de repouso e de alimentação para muitas espécies de aves residentes e migratórias, conferindo grande importância na manutenção de várias populações (Schiefler & Soares 1994, Bertellotti et al. 2003, Costa 2007, Festti 2007). Estudos recentes conduzidos em praias do município de Pontal do Paraná apontam para uma comunidade formada por 37 espécies, que apresentam diferentes graus de associação a este ambiente, com especial atenção aos Charadriiformes mas para toda a costa paranaense o número acumulado de espécies ao longo do tempo é maior (Tabela 5.15) (Festti 2007, Festti et al. em preparação). A alta porcentagem de Charadriiformes (46,4%) registrada nestes estudos também se confirma em outros trabalhos (Moraes 1998, Moraes & Krul 1999, Vooren & Brusque 1999). Isso reflete adaptações particulares das aves dessa ordem ao ambiente do entremarés, principalmente relacionadas à predação de invertebrados bênticos, caso dos representantes das famílias Scolopacidae e Charadriidae, que são os populares maçaricos e batuíras. Essas aves dependem principalmente da zona intermareal para a obtenção de RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-34 alimento, que é representado por invertebrados da endofauna desses habitats. Representante típico desse grupo é o maçarico, Charadrius collaris, espécie residente da costa paranaense, observada sempre aos pares defendendo território. Porém, a maioria das espécies utiliza as praias como área de invernada, com destaque para as espécies migrantes do Hemisfério Norte. Condições particulares em setores específicos da praia também são importantes fatores que influenciam a ocorrência de aves em ambientes de entremarés. Nesse sentido destaca-se que desembocaduras de rios podem elevar as médias de registro de espécies e de indivíduos em censos, assim como constatado em praias do município de Pontal do Paraná (Figuras 5.60 e 5.61). Da mesma forma, ações antrópicas representadas pela presença de pessoas, de veículos e cães na praia tendem a influenciar negativamente a comunidade de aves desse ambiente (Bueno Netto 1998, Barbieri & Pinna 2005, Festti et al. em preparação). Tabela 5.15: Espécies de aves que ocorrem em ambientes de entremarés de praias oceânicas na costa do Paraná. Status NT= quase ameaçada, DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná (2004). Espécies Nome comum Status Egretta thula Garça-branca-pequena Coragyps atratus Urubu-comum Cathartes aura Urubu-cabeça-vermelha Milvago chimachima Carrapateiro Milvago chimango Chimango DD Polyborus plancus Carcará Falco femoralis Falcão-de-coleira Haematopus ostralegus Piru-piru Vanellus chilensis Quero-quero Pluvialis dominica Batuiruçu Pluvialis squatarola Batuiruçu-de-axila-preta Charadrius semipalmatus Batuíra-da-praia Charadrius collaris Batuíra-de-coleira Charadrius modestus Batuíra Arenaria interpres Vira-pedras Tringa solitaria Maçarico-solitário Tringa flavipes Maçarico-perna-amarela Tringa melanoleuca Maçarico grande Tringa macularia Maçarico pintado Catoptrophorus semipalmatus Maçarico-de-asa-branca Calidris canutus Maçarico-papo-vermelho Calidris fuscicollis Maçarico-de-sobre-branco Calidris melanotos Maçarico-de-colete Calidris alba Maçarico-branco Micropalama himantopus Maçarico-pernilongo Tringites subruficollis Maçarico-acanelado Steganopus tricolor Pisa-n´água Stercorarius parasiticus Gaivota-rapineira-comum Larus dominicanus Gaivota Larus cirrocephalus Gaivota-de-cabeça-cinza Larus maculipennis Gaivota-maria-velha Gelochelidon nilotica Trinta-réis-de-bico-preto Sterna hirundinacea Tinta-réis-bico-vermelho RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-35 Sterna hirundo Trinta-réis-boreal Sterna vittata Trinta-réis-antártico Sterna trudeaui Trinta-réis-corôa-branca Sterna superciliaris Trinta-réis-anão Thalasseus maximus Trinta-réis-real NT Thalasseus sandvicensis Trinta-réis-bico-amarelo Rynchops niger Talha-mar Pitangus sulphuratus Bem-te-vi Tachycineta leucorrhoa Andorinha-testa-branca Tachycineta leucopyga Andorinha Progne tapera Andorinha Progne chalybea Andorinha Notiochelidon cyanoleuca Andorinha Hirundo rústica Andorinha Zonotrichia capensis Tico-tico Figura 5.60: Média e erro padrão do número de espécies de aves associadas ao ambiente de entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. Figura 5.61: Média e erro padrão do número de indivíduos de aves associadas ao ambiente de entremarés em desembocadura de rio e praia arenosa. Áreas de influência do empreendimento no Entremarés Área Diretamente Afetada – Esta área se encontra profundamente impactada: por um lado há processos erosivos intensos sobre a praia e por outro a ocupação desordenada RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-36 da orla (Figura 5.62) associada a intenso fluxo de pessoas nos período de férias. Todos esses fatores atuam em conjunto e tem potencial de alterar o ambiente e conseqüentemente causar variações na estrutura da comunidade de aves. Figura 5.62: Aspecto do ambiente de entremarés na Área Diretamente Afetada. A antropização atua de maneira diferenciada sobre as espécies que, por sua vez, respondem de forma variada. As aves generalistas, como Coragyps atratus e Larus dominicanus geralmente são beneficiadas em áreas antropizadas, explorando todos os tipos de recursos e sendo desta forma favorecidos. Por outro lado, as espécies especialistas são prejudicadas pela perda de espaço e pela limitação dos recursos alimentares, como é o caso dos Charadriideos e Scolopacídeos (Sick 1997, Moraes 1998, Moraes & Krul 1999, Silva Rodriguez et al. 2005). A desembocadura do Rio Matinhos agrega grande número de espécies e indivíduos de aves, principalmente gaivota, L. dominicanus, e garças, Egretta spp. Além disso, a proximidade do Mercado do Peixe tende a realçar a ocorrência destas espécies, pois é comum a interação destas aves com descartes da pesca (Figura 5.63). Figura 5.63: Bando misto de aves consumindo descartes da pesca no ambiente de entremarés. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-37 Área de Influência Direta – nos ambientes de entremarés desta área se observa um gradiente antrópico, com maior pressão na região de Caiobá/Matinhos. De uma maneira geral há possibilidades de ocorrência de uma rica comunidade de aves, pois, até certo ponto, as aves toleram ações antrópicas, embora elas se movam ou voem, quando diretamente perturbadas, assim como constatado na ilha do Mel por Costa (2007) e por Vooren & Brusque (1999) em praiasdo RS. Área de Influência Indireta – nesta área, especialmente na sua porção norte, ocorrem praias com amplo entremarés e menores níveis de pressões antrópicas, representadas principalmente pela presença de pessoas durante os períodos de férias. 5.1.2.1.2.3. Comunidades das Formações Pioneiras Estes ambientes novos, ou seja, áreas recentemente disponíveis à colonização biológica, tanto as regiões de dunas, com predominância de vegetação herbácea, quanto as regiões de brejos de intercordão e taboais, abrigam várias espécies da Herpetofauna e da Mastofauna, ao passo que para a Ornitofauna o número de espécies é muito maior. Para estes três grandes grupos animais praticamente inexistem publicações científicas relacionadas à estrutura das comunidades nestes ambientes específicos na costa paranaense, exceto para as aves (Bornschein & Reinert 1997). No entanto, ressalta-se que a maior estruturação dos ambientes pela sucessão ecológica propicia a ocorrência de maior número de espécies, especialmente naquelas áreas onde há o desenvolvimento de brejos de intercordão e taboais. Apesar das informações sobre a Herpetofauna serem incipientes para toda a planície costeira, os dados disponíveis permitem apresentar uma lista com 18 espécies de anfíbios (Tabela 5.16) e 24 de répteis (Tabela 5.17) para a região costeira do Paraná. Tabela 5.16: Lista das espécies de anfíbios registradas na área de influência e no entorno do empreendimento. Espécies Nome comum Chaunus crucifer Dendrophryniscus leucomystax Dendropsophus berthalutzae Perereca Dendropsophus werneri Perereca Phyllomedusa distincta Perereca Trachycephalus mesophaeus Perereca-grudenta Hypsiboas albomarginatus Perereca-araponga Scinax argyreornatus Pererequinha Scinax cuspidatus Perereca-raspa-cuia Scinax rizibillis Perereca-rizadinha Itapotihyla langsdorffii Perereca-líguen Adenomera bokermanni Leptodactylus ocellatus Rã-manteiga Leptodactylus notoaktites Rã-goteira Physalaemus spiniger Physalaemus nanus Elachistocleis ovalis Sapo-guarda A comunidade de aves é formada por aproximadamente 100 espécies (Tabela 5.18), com maior número de espécies nos ambientes úmidos, destacando-se as saracuras, Porzana spp., os frangos-d’água, Laterallus melanophaius e Gallinula chloropus, o curutié, Certhiaxis cinnamomea, e o chopinzinho, Agelaius cyanopus. Em adição, é importante destacar que nos brejos intercordões ocorrem espécies de aves, Ixobrychus involucris, Botaurus pinnatus, Phleocryptes melanops e Polystictus pectoralis, RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-38 consideradas ameaçadas de extinção. A relevância dessas áreas úmidas também é revelada pela ocorrência de espécies que possuem registros apenas nestas áreas litorâneas do Estado do Paraná. Tabela 5.17: Lista das espécies de répteis registradas na área de influência e no entorno do empreendimento. Espécies Nome comum Hydromedusa tectifera Cágado Caiman latirostris Jacaré-do-papo-amarelo Hemidactylus mabouia Lagartixa Enyalius iheringii Camaleãozinho Diploglossus fasciatus Lagarto-coral Ophiodes fragilis Cobra-de-vidro Tupinambis merianae Lagarto, teiu Colobodactylus taunayi Placosoma cordylinum Lagartinho Placosoma glabellum Lagartinho Leposternon microcephalum Cobra-de-duas-cabeças Chironius exoletus Cobra-cipó Chironius foveatus Cobra-cipó Chironius fuscus Cobra-cipó Chironius laevicollis Cobra-cipó Clelia plumbea Muçarana Dipsas albifrons Dormideira Echinanthera bilineata Cobra-cipó Echinanthera cyanopleura Cobra-cipó Helicops carinicaudus Cobra-d’água Imantodes cenchoa Dormideira Liophis miliaris Cobra-d’água Oxyrhopus clathratus Falsa-coral Sibynomorphus neuwiedi Dormideira Siphlophis pulcher Falsa-coral Sordellina punctata Cobra-d’água Spilotes pullatus Caninana Tropidodryas serra Giboinha Uromacerina ricardinii Cobra-bicuda Xenodon neuwiedii Boipevinha Incertae amarali Micrurus corallinus Coral-verdadeira Bothrops jararaca Jajaraca Bothrops jararacussu* Jararacuçu Tabela 5.18: Aves que ocorrem nos ambientes Pioneiros sob Influência Marinha e Fluvial na costa paranaense. Status: VU= vulnerável, NT= quase ameaçada e DD= dados insuficientes. Fonte: Paraná (2004). Espécies Nome comum Status Podilymbus podiceps Mergulhão Syrigma sibilatrix Maria-faceira Ardea alba Garça-branca-grande Egretta thula Garça-branca-pequena Bubulcus íbis Garça-vaqueira Butorides striatus Socozinho Nycticorax nycticorax Socó-dorminhoco Tigrisoma lineatum Socó-boi Ixobrychus involucris Socoí-amarelo DD Botaurus pinnatus Socó-boi-baio DD RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-39 Dendrocygna bicolor Marreca Anas georgica Marreca Amazonetta brasiliensis Marreca Coragyps atratus Urubu-comum Cathartes aura Urubu-cabeça-vermelha Milvago chimachima Gavião-pinhé Milvago chimango Gavião-chimango DD Polyborus plancus Carcará Falco peregrinus Falcão-peregrino Falco femoralis Falcão-de-coleira Porzana albicollis Saracura-sanã Porzana flaviventer Saracura-pintada DD Laterallus melanophaius Saracura-monjolinho Porphyriops melanops Saracura-monjolinho Gallinula chloropus Frango-d´água Porphyrula martinica Frango-d´água-azul Porphyrula flavirostris Frango-d´água-pequeno DD Fulica leucoptera Carqueja-asa-branca Jacana jacana Jaçanã Nycticryphes semicollaris Narceja Vanellus chilensis Quero-quero Charadrius semipalmatus Batuíra Charadrius collaris Batuíra Zonibyx modestus Batuíra Tringa flavipes Maçarico-perna-amarela Tringa melanoleuca Maçarico-grande Micropalama himantopus Maçarico Tringites subruficollis Maçarico DD Bartramia longicauda Maçarico Numenius phaeopus Maçaricão Gallinago gallinago Narceja Steganopus tricolor Pisa-n´água Crotophaga ani Anu-preto Guira guira Anu-branco Speotyto cunicularia Coruja-buraqueira Chordeiles acutipennis Bacurau Podager nacunda Bacurau Colaptes campestris Pica-pau-do-campo Furnarius rufos João-de-barro Phleocryptes melanops Bate-bico VU Synallaxis spixi Bentererê Certhiaxis cinnamomea Curutié-do-banhado Camptostoma obsoletum Risadinha Elaenia flavogaster Tuque Serpophaga subcristata Alegrinho Tachuris rubrigastra Papa-piri Polystictus pectoralis Papa-moscas-canela DD Pyrocephalus rubinos Príncipe Lessonia rufa Colegial Gubernetes yetapa Tesoura-do-brejo Satrapa icterophrys Siriri-de-sobrancelhas Machetornis rixosa Siriri-cavaleiro RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-40 Tyrannus savana Tesourinha Tyrannus melancholicus Siriri Pitangus sulphuratus Bem-te-vi Tachycineta leucorrhoa Andorinha-testa-branca Tachycineta leucopyga Andorinha Progne tapera Andorinha Progne chalybea Andorinha Notiochelidon cyanoleuca Andorinha Stelgidopteryx ruficollis Andorinha-de-barranco Riparia riparia Andorinha-de-coleira Hirundo rustica Andorinha Petrochelidon pyrrhonota Andorinha-castanha Anthus lutescens Caminheiro Anthus correndera Caminheiro Troglodytes aedon Corruíra Mimus gilvus Sabiá-da-praia Mimus triurus Calandra-real Mimus saturninus Sabiá-do-campo Turdus amaurochalinus Sabiá-poca Zonotrichia capensis Tico-tico Sicalis flaveola Canário-da-terra Sporophila caerulescens Coleirinho Geothlypis aequinoctialis Pia-cobra Agelaius thilius Sargento NT Agelaius cyanopus Chopim-do-banhado Agelaius ruficapillus Garibaldi Leistes militaris Polícia-inglesa Molothrus bonariensis Chopim Dolichonyx oryzivorus Triste-piá Estrilda astrild Bico-de-lacre Passer domesticus Pardal Área Diretamente Afetada – esta área se encontra profundamente reduzida e alterada pela ocupação desordenada da orla marítima. Dessa forma, poucos representantes dessascomunidades animais podem ser encontrados no local. Entre os anfíbios provavelmente ocorre a rã-manteiga Leptodactylus ocellatus, espécie freqüente e abundante em ambientes pioneiros antropizados. Entre os répteis a lagartixa, Hemidactylus mabouia, se faz presente, pois apresenta íntima associação com ambientes antrópicos e periantrópicos. Entre os vertebrados o grupo das aves é o mais conspícuo e com maior número de espécies, podendo se destacar o pardal, Passer domesticus, o bem-te-vi, Pitangus sulphuratus, o urubu, Coragyps atratus, a corruíra, Troglodytes aedon, o joão-de-barro, Furnarius rufus, o sabiá-laranjeira, Turdus rufiventris, e a rolinha, Columbina talpacoti. Entre os mamíferos é possível a presença de gambás, Didelphis spp, e de ratazanas, Rattus spp. Área de Influência Direta – As pressões antrópicas representadas pela ocupação desordenada da costa se fazem presentes, mas a área começa a ser mais representativa em direção norte. Além das espécies citadas para a Área Diretamente Afetada, entre os anfíbios pode-se citar Bufo crucifer e Elachistocleis ovalis e entre os répteis o teiú, Tupinambis merianae e as cobras Liophis miliaris e Helicops carinicaudus. Aves muito comuns são a coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia e o RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-41 quero-quero, Vanellus chilensis, inclusive, durante o mês de setembro de 2009 foi observado ninhos destas duas espécies na praia de Caiobá (Figuras 5.64 e 5.65). Figura 5.64: Nidificação da coruja-buraqueira, Speotyto cunicularia, em área de Formação Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. Figura 5.65: Nidificação do quero-quero, Vanellus chilensis, em área de Formação Pioneira de Influência Marinha na Praia de Caiobá, setembro de 2009. Área de Influência Indireta – os locais temporária e permanentemente alagados abrigam muitas espécies de anfíbios: Hypsiboas spp., Scinax spp., Leptodactylus spp. e Physalaemus, dentre outras. Entre os répteis cita-se a cobra-de-vidro, Ophiodes fragilis, a cobra-dormideira, Sibynomorphus neuwiedi e até serpentes do gênero Bothrops. Entre as aves ocorrem mais de 100 espécies, sendo várias delas de interesse conservacionista, caso do bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), espécie recentemente descrita com base em exemplares capturados no litoral do RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-42 Paraná. Entre os mamíferos podem ser encontrados o furão, Galictis cuja e o preá, Cavia aperea, além de ratos-d’água, Nectomys spp. 5.1.2.2. Biota Aquática 5.1.2.2.1. Plâncton 5.1.2.2.2. Fitoplâncton da Zona de Arrebentação A zona de arrebentação (ZA) constitui a porção do infralitoral próxima à costa, que se estende desde a primeira linha de quebra das ondas até a zona de varrido (Komar 1976). De acordo com McLachlan (1980) muitas praias arenosas e suas respectivas zonas de arrebentação podem funcionar como ecossistemas viáveis, principalmente as praias expostas à forte ação de ondas. Alguns estudos têm mostrado que zonas de arrebentação de praias arenosas podem representar importantes áreas de crescimento e alimentação para muitos peixes marinhos, principalmente devido à grande disponibilidade de plâncton (Lasiak 1981, McLachlan 1990). O fitoplâncton da ZA é extremamente abundante sendo geralmente representado por diatomáceas que promovem uma grande produtividade primária (Brown & McLachlan 1990). As praias do litoral paranaense não têm sido alvo de muitos estudos mas o trabalho de Rezende (1995) fornece uma boa idéia da composição e abundância dos principais grupos. Num estudo realizado no inverno e no verão de 1992, na zona de arrebentação interna (< 1 m de profundidade) da Praia de Pontal do Sul, esta autora registrou 35 gêneros de diatomáceas com 41 espécies, 13 gêneros de dinoflagelados, 3 gêneros de cianofíceas, 1 gênero de euglenofícea, 2 gêneros de silicoflagelados e 3 gêneros de cocolitoforídeos. A lista completa de espécies registradas encontra-se na tabela 5.19. Os grupos mais importantes em termos de abundância e freqüência de ocorrência foram os fitoflagelados (não classificados taxonomicamente) e as diatomáceas. Os maiores valores de abundância dos fitoflagelados foram registrados no verão variando entre aproximadamente 5 x 105 a 3,7 x 106 células mL-1. Com relação as diatomáceas, as espécies mais importantes foram as Penales Asterionellopsis glacialis, Clampylosira cymbelliformes, Nitzschia spp e Phaeodactylum tricornutum, entre outras. Dentre as Centrales, Anaulus sp., Bacteriastrum spp., Chaetoceros spp, Coscinodiscus sp. e Skeletonema costatum, se destacaram durante o período estudado. Embora os picos de abundância das diferentes espécies de diatomáceas, tenham apresentado grande variabilidade temporal, alguns padrões puderam ser observados, como no caso de Asterionellopsis glaciallis e Anaulus sp. que estiveram fortemente associadas as a passagem de sistemas frontais com ventos SE. Já Skeletonema costatum, uma espécie muito abundante em estuários, ocorreu em grandes densidades na zona de arrebentação, principalmente no inverno. Vale enfatizar que de acordo com Rezende (1995), Asterionellopsis glacialis foi responsável por boa parte dos picos de densidade fitoplanctônica registrados na zona de arrebentação de Pontal do Sul, apresentado um máximo em torno de 3 x 106 células mL-1. Este resultado concorda com as informações fornecidas por pesquisas realizadas RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-43 no Rio Grande do Sul, mais precisamente na zona de arrebentação da Praia do Cassino. Tabela 5.19: Organismos fitoplanctônicos identificados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul. Modificado de Rezende (1995). Taxon Diatomáceas Asterionellopsis glacialis Campylosira cymbelliformes Diploneis spp. Haslia wawrickae Nitzchia spp. Phaeodactylum tricornutum Plagiogrammopsis vanheuerckii Pleurosigma sp. Stauroneis sp Stauroneis membranaceae Thalassionema nitzschioides Thalassiothrix frauenfeldii Thalassiothrix mediterranea Actinoptychus sp. Anaulus sp. Asteromphalus sp Biddulphia sp Biddulphia longicruris Bacteriastrum sp Cerataulina pelágica Chaetoceros affinis Chaetoceros spp. Chaetoceros dydimus Chaetoceros coractatus Chaetoceros peruvianus Chaetoceros laevis Chaetoceoros pendulus Climacodium frauenfeldianum Coscinodiscus sp. Corethron criophylum Dytilum brightwellii Cyclotella sp Guinardia flacida Eucampia sp. Hemiaulus membranaceus Hemiaulus sinensis Helichoteca sp. Lauderia sp. Leptocylindrus minimus Leptocylindrus danicus Lithodesmium undulatum Licmophora sp. Odontella mobiliensis Odontella sinensis Melosira sp Paralia sulcata. Rhizosolenia bergonii Rhizosolenia alata Rhizosolenia fragilissima Rhizosolenia delicatula Rhizosolenia imbrincata Rhizosolenia stolterfothii Rhizosolenia cf. setigera Rhizosolenia turris Rhizosolenia cf. styliformis Thalassiosira subtilis Skeletonema costatum Dinoflagelados Amphidinium sp. Ceratium sp. Ceratium contrarium Ceratium decinatum Ceratium furca Ceratium fusus Ceratium kofoidii Ceratium massiliense Ceratium petagonum tenerum Ceratium trichoceros Ceratium tripos Dinophysis sp. Dinophysis ovum Dinophysis tripos Ébria sp. Gymnodinum spp. Gonyaulax sp. Noctiluca miliaris Oxytoxum sp. Podolampas sp. Prorocentrum aporum Prorocentrum compressum Prorocentrum micans Prorocentrum minimum Protoperidinium sp. Pseliodinium sp. Pyrocistys obtusa Scripsiella sp. Cianofícias Anabaena sp Trichodesmium sp. Merismopedia sp. Silicoflagelados Dictyocha fibula RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-44 Cocolitoforídeos Calciopappus sp. Calciosolenia sp. Emiliana huxleyi A Praia doCassino é notoriamente caracterizada por apresentar grandes acumulações da diatomácea penada Asterionellopsis glacialis principalmente após a passagem de frentes frias (Odebrecht et al. 1995, Rörig & Garcia 2003). De acordo com Gianuca (1983, 1985) Asterionellopsis glacialis pode formar manchas marrons escuras conspícuas, desde o fim do verão até início de primavera, sendo que as mesmas podem se estender por vários quilômetros de praia. Este fenômeno se dá pela ação de ventos do quadrante sul, após as passagens de frentes atmosféricas (Odebrecht et al. 1995), chegando a alcançar elevados valores de clorofila a e densidades de até 7 x 108 cel. L-1 (Odebrecht et al. 1995, Rörig 1997, Rörig & Garcia 2003). Em função de sua abundância, Asterionellopsis glacialis tem sido considerada uma importante fonte de alimento para organismos bentônicos suspensívoros (Gianuca 1983 e 1985) e também para organismos nectônicos como no caso de Mugil platanus e Mugil gaimardianus (Vieira 1985). Embora ainda não se tenha muitos estudos sobre a importância das diatomáceas na zona de arrebentação de praias paranaenses, os resultados preliminares apresentados por Rezende (1995) indicam padrões similares àqueles observados para o Rio Grande do Sul. 5.1.2.2.2.1. Zooplâncton da Zona de Arrebentação O zooplâncton da zona de arrebentação de praias arenosas é geralmente dominado por crustáceos, principalmente por copépodes e misídeos. Os copépodes apresentam uma maior quantidade de espécies, mas quando se considera a abundância numérica, os misídeos podem ser responsáveis em algumas situações por até 70% da densidade total (McLachlan 1990, Bersano 1994). Devido à sua grande abundância e biomassa, o zooplâncton da ZA ocupa uma posição chave neste ecossistema pois representa uma importante fonte alimentar para diversas espécies de peixes (Lasiak 1981, McLachlan 1990). Segundo McLachlan (1990) o zooplâncton da ZA pode ser representado por organismos residentes e não-residentes. Os residentes incluem formas verdadeiramente planctônicas e formas bento-planctônicas e/ou hipoplanctônicas (vivem na coluna d’água próximo ao fundo). Os residentes planctônicos são representados por indivíduos de tamanho relativamente grande com boa capacidade de natação, como os misídeos por exemplo. Estes organismos atingem valores de biomassa extremamente elevados e geralmente são considerados os componentes residentes mais importantes da ZA. Os não-residentes são representados pelo holoplâncton (micro, meso e macrozooplâncton) e pelo meroplâncton (larvas de crustáceos, moluscos, poliquetos e demais organismos provenientes de outros ambientes, como estuários, costões rochosos e plataforma continental). A ocorrência dos não-residentes dentro da zona de arrebentação é altamente variável, estando condicionada a advecção de correntes geradas pela ação de ventos, ondas e marés. Os copépodos são na maior parte dos casos os componentes não-residentes mais frequentes e dominantes na ZA. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-45 É importante esclarecer que, pelas razões expostas acima, neste trabalho serão considerados representantes do zooplâncton da ZA apenas os misídeos e os copépodes. No Paraná os estudos sobre o zooplâcton da zona de arrebentação são ainda incipientes sendo que apenas o grupo dos misídeos foi avaliado com maior detalhamento por Calil (2002) e Borzone et al. (2007). Durante o período compreendido entre agosto de 1999 e julho de 2000, Calil (2002) realizou amostragens na ZA em profundidades variando entre 0,2 m e 2,0 m na praia do Atami e registrou a presença de Metamysidopsis neritica (hipoplanctônica) e Bowmaniella brasiliensis (epibêntica), sendo a primeira bem mais abundante e freqüente em todas as profundidades durante todo o período estudado. Com relação a variação da composição, abundância e distribuição dos misídeos para duas praias do litoral paranaense, uma dissipativa (Praia do Atami) e outra refletiva (Praia Mansa), Borzone et al. (2007) registraram a presença de seis espécies, sendo elas: Metamysidopsis neritica, Bowmaniella brasiliensis, Mysidopsis coelhoi, Mysidopsis tortonesei, Brasilomysis castroi, e Promysis atlântica. Estas espécies podem ocorrer em várias regiões do sul e sudeste do Brasil, mas a única que pode ser considerada verdadeiramente planctônica é Metamysidopsis nerítica. De acordo com Borzone et al. (2007) esta espécie foi a mais importante com 97-98.97% da abundância total dos indivíduos registrados para a praia do Atami (4.401 individuos m-3) e para a praia Mansa (23.481 individuos m-3). Embora sejam bastante importantes como pontos de referência para pesquisas futuras no litoral do Paraná, tanto o estudo de Calil (2002) como o de Borzone et al. (2007), buscaram estudar apenas os misídeos distribuídos próximos ao fundo e usaram uma rede de epibentos para a obtenção de amostras na ZA. Sendo assim, é possível que os valores de abundância tenham sido subestimados para espécies que ocorrem também na coluna d’água. Para efeitos comparativos, cabe informar que na praia do Cassino, os maiores picos de abundância de Metamysidopsis ocorrerem geralmente nos períodos de primavera e verão, podendo atingir valores de densidade 112.000 org.m-3 e biomassa de até 8.100 mg C.m-3 (Bersano 1994). Estes valores estão entre os máximos já registrados para áreas costeiras, demonstrando um enorme potencial energético disponível a níveis tróficos superiores. Com relação aos copépodes, representantes holoplanctônicos não-residentes da ZA, pode-se dizer que a composição dos mesmos é regida basicamente pelos processos de circulação vigentes na zona nerítica. Através de uma coleta realizada na ZA da Praia de Pontal do Sul por Bersano (Observação pessoal), foi constatado que as principais espécies encontradas (Tabela 5.20) são comuns no plâncton de águas costeiras do sul do Brasil como o caso de Acartia lilljeborgi, Oncaea waldemari, Paracalanus spp, Subeucalanus pileatus e Temora turbinata (Bjornberg 1981, Bersano & Boxshall 1994), e também, em águas estuarinas como Pseudodiaptomus sp. (Montú 1980). A variação temporal da composição e abundância do zooplâncton de zona de arrebentação e de zona nerítica no sul do Brasil está diretamente relacionada com a influência sazonal de diferentes massas de água, como a Água Tropical e a Água Central do Atlântico, e com as descargas continentais que afetam distintas regiões dos RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-46 estados do sul do Brasil, como os aportes do Rio da Prata, Lagoa dos Patos e da Baia de Paranaguá (Bersano 1994, Montú et al. 1998, Sartori & Lopes 2000). De fato, Bersano (1994) verificou variações sazonais bastante marcadas no holoplâncton da ZA da praia do Cassino – RS, as quais eram geralmente governadas pelos mesmos processos oceanográficos operantes na zona nerítica. Os copépodes Subeucalanus pileatus, e Centropages velificatus, comumente associados com águas costeiras quentes, foram registrados em elevadas densidades nos meses de verão, enquanto que Ctenocalanus vanus esteve geralmente associado com águas frias durante o inverno e primavera. Já Pseudodiaptomus richardi, um copépode estuarino, apresentou maior freqüência na primavera, em função dos regimes de vazante do Estuário da Lagoa dos Patos condicionados sobretudo pela ação de ventos NE. Tabela 5.20: Copépodes coletados na zona de arrebentação da Praia de Pontal do Sul em Novembro de 2009. Táxon COPEPODA Paracalanus spp. Parvocalanus crassirostris Subeucalanus pileatus Centropages velificatus Pseudodiaptomus sp. Labidocera fluviatilis Pontellopsis sp. Temora turbinata Acartia lilljeborgi Oithona spp. Euterpina acutifrons Oncaea waldemari Oncaea spp. Corycaeus spp. Copepoditos ñ ident. Para a plataforma internado Paraná, Sartori & Lopes (2000) registraram durante um ciclo anual a presença de 44 espécies de copépodes pertencentes a 4 ordens e 29 gêneros (Tabela 5.21). Durante o verão Oncaea waldemari foi a mais abundante apresentando até 50% da abundância total, sendo seguida por Temora turbinata, Temora stylifera, Clausocalanus furcatus e Oithona plumifera. Nos meses menos quentes Parvocalanus crassirostris e Subeucalanus pileatus foram bastante importantes, entre outros. Através de uma análise de agrupamento os autores observaram a separação de dois grupos de espécies, um grupo composto por espécies mais oceânicas e outro por espécies típicas de plataforma interna como O. waldemari, Parvocalanus crassirostris, Euterpina acutifros e Oithona hebes. Devido à proximidade com a zona de arrebentação, as espécies pertencentes ao grupo de plataforma interna, são perfeitamente passíveis de ocorrer na zona de arrebentação das praias de Matinhos e de todo o litoral paranaense, fato já confirmado por Bersano (Observação pessoal) para algumas espécies como Parvocalanus crassirostris, RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-47 Subeucalanus pileatus, Centropages velificatus, Temora turbinata, Euterpina acutifrons e Oncaea waldemari (Tabelas 5.20 e 5.21). Em virtude da grande ocorrência e abundância reportada para o misídeo Metamysidopsis e para os copépodes Oncaea waldemari, Temora spp., Parvocalanus crassirostris e Subeucalanus pileatus entre outros, pode-se dizer que os mesmos poderão ser utilizados como indicadores biológicos em estudos de monitoramento ambiental que venham a ser desenvolvidos futuramente na região costeira do Paraná. Tabela 5.21: Copépodes registrados na plataforma interna do Paraná por Sartori & Lopes (2000). Taxon Copépodes Acartia danae Acartia lilljeborgi Acrocalanus longicornis Calanopia americana Calocalanus pavo Calocalanus pavoninus Calocalanus styliremis Candacia sp. Centropages velificatus Clausocalanus furcatus Clytemnestra rostrata Copilia mirabilis Corycareus amazonicus Corycareus giesbrechti Corycareus speciosus Ctenocalanus vanus Dolichocerea tenuis Subeucalanus pileatus Euterpina acutifrons Ferranula gracilis Hemicyclops thalassius Macrosetella gracilis Mecynocera clausi Microsetella sp. Monothula subtilis Oithona hebes Oithona nana Oithona plumifera Oithona simplex Oithona Oncaea waldemari Oncaea media Oncaea venusta venella Paracalanus aculeatus Paracalanus nanus Paracalanus quasimodo Paracalanus sp. Parvocalanus crassirostris Pontellopsis brevis Pseudodiaptomus acutus Sapphirina sp. Temora stylifera Temora turbinata Unidinula vulgaris 5.1.2.2.3. Ictiofauna 5.1.2.2.3.1. Área diretamente afetada – ADA Zona de arrebentação Vinte taxa (18 espécies) de oito famílias foram capturados na zona de arrebentação da área diretamente afetada (Tabela 5.22). A assembléia foi composta principalmente por indivíduos juvenis, que corresponderam a 98,8% dos peixes capturados. Odontesthes bonariensis foi a única espécie representada por indivíduos adultos em estágio reprodutivo e juvenis, o que sugere o uso da área durante todo o seu ciclo de vida. As demais espécies ocorreram exclusivamente como juvenis e parecem utilizar o local somente durante a fase inicial de desenvolvimento. As famílias Carangidae (cinco taxa), Mugilidae (quatro taxa) e Sciaenidae (três taxa) tiveram os maiores números de taxa. Considerando o número de indivíduos, dominaram as famílias Clupeidae (45,8%), Sciaenidae (23,5%), Atherinopsidae (14,3%), Mugilidae (11,2%) e Carangidae (4,2%), com as demais representando individualmente menos de 1% dos indivíduos capturados. Os taxa mais abundantes na RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-48 zona de arrebentação foram Harengula clupeola (45,2%), Menticirrhus littoralis (23%), O. bonariensis (14,3%), Mugil sp. (10,5%) e Trachinotus goodei (2%), que juntos somaram 94,5% dos indivíduos coletados. Quanto à biomassa, a assembleia foi dominada por H. clupeola (29,3%), O. bonariensis (26,3%), T. goodei (17,7%), M. littoralis (12,1%), Mugil gaimardianus (2,7%), Trachinotus carolinus (2,5%) e Sardinella brasiliensis (2,1%), que contribuíram com 92,7% da biomassa total (Tabela 5.22). A guilda dos zooplanctívoros teve maior biomassa e número de taxa (61,5% da biomassa total e seis taxa), seguida pelos zoobentívoros (30,8% e cinco taxa), herbívoros (0,5% e quatro taxa), piscívoros (0,1% e três taxa) e onívoros (0,01% e um taxa). Quanto ao número de indivíduos, os zooplanctívoros (62% dos indivíduos capturados), zoobentívoros (26%) e os herbívoros (11,2%) foram mais abundantes, com os piscívoros e os onívoros tendo as menores contribuições (cada guilda com < 0,01 da abundância total). Entre os peixes zooplanctívoros, H. clupeola (45,3%) e O. bonariensis (14,4%) foram os mais abundantes. Menticirrhus littoralis (23%) teve a maior contribuição entre os zoobentívoros, Mugil sp. entre os herbívoros (10,5%) e O. saurus (0,3%) entre os piscívoros. Hyporhamphus unifasciatus foi a única espécie onívora e contribuiu com menos de 0,1% da abundância total (Tabela 5.22). Entre os 24 taxa capturados na área, 15 são altamente comerciais, três são comerciais e somente um taxa não tem valor comercial (Tabela 5.22). Os taxa altamente comerciais foram mais representativos em biomassa e número de indivíduos (54,6% da biomassa total e 83% dos indivíduos capturados), seguidos pela espécie não comercial O. bonariensis (26,3 e 14,3%) e pelas comerciais (19 e 0,2%). H. clupeola teve maior biomassa e número de indivíduos entre os taxa altamente comerciais e T. goodei entre os comerciais. Tabela 5.22: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada. Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica Atherinopsidae Odontesthes bonariensis 228 14.37 26.33 Zooplanctívoro Não Comercial Carangidae Oligoplites saurus 6 0.38 0.44 Piscívoro Altamente comercial Trachinotus carolinus 20 1.26 2.55 Zooplanctívoro Altamente comercial Trachinotus goodei 33 2.08 17.72 Zoobentívoro Comercial Trachinotus marginatus 4 0.25 0.75 Zoobentívoro Altamente comercial Trachinotus sp. 4 0.25 0.01 Clupeidae Harengula clupeola 718 45.24 29.37 Zooplanctívoro Altamente comercial Sardinella brasiliensis 10 0.63 2.11 Zooplanctívoro Altamente comercial Engraulidae Anchoa tricolor 1 0.06 0.01 Zooplanctívoro Altamente comercial Lycengraulis grossidens 1 0.06 0.28 Piscívoro Altamente comercial Hemiramphidae Hyporhamphus unifasciatus 1 0.06 0.16 Onívoro Comercial Mugilidae Mugil curema 2 0.13 0.75 Herbívoro Altamente comercial Mugil gaimardianus 9 0.57 2.69 Herbívoro Altamente comercial Mugil incilis 1 0.06 1.54 Herbívoro Altamente comercial Mugil sp. 167 10.52 0.79 Herbívoro Altamente comercial Pomatomidae Pomatomus saltarix 4 0.25 0.92 Piscívoro Altamente comercial RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-49 Pristigasteridae Pellona harroweri 4 0.25 1.18 Zooplanctívoro Comercial Sciaenidae Menticirrhus littoralis 365 23 12.14 Zoobentívoro Altamente comercial Stellifer rastrifer 8 0.5 0.2 Zoobentívoro Altamente comercial Umbrina canosai 1 0.06 0.06 Zoobentívoro Altamente comercial Os indivíduos capturados na zona de arrebentação foram em geral, de pequeno porte, com o comprimento total variando entre 18 e 211 mm. Trachinotus sp. teve em média o menor comprimento (19,2 mm) e T. goodei o maior (133,1 mm) (Tabela 5.23). Tabela 5.23: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área diretamente afetada.Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Anchoa tricolor 44 44 44 Harengula clupeola 80.01 ± 8.49 52 143 Hyporhamphus unifasciatus 159 159 159 Lycengraulis grossidens 126 126 126 Menticirrhus littoralis 59.27 ± 23.37 24 172 Mugil curema 124.5 ± 7.77 119 130 Mugil gaimardianus 116.88 ± 4.83 111 126 Mugil incilis 200 200 200 Mugil sp. 27.89 ± 1.22 25 33 Odontesthes bonariensis 104.13 ± 19.77 55 211 Oligoplites saurus 74.33 ± 22.68 52 108 Pellona harroweri 120.75 ± 7.54 116 132 Pomatomus saltarix 103.75 ± 21.2 86 134 Sardinella brasiliensis 116.5 ± 7.1 103 127 Stellifer rastrifer 52 ± 8.46 41 68 Trachinotus carolinus 74.85 ± 20.78 32 117 Trachinotus goodei 133.18 ± 25.6 83 172 Trachinotus marginatus 85.5 ± 11.9 78 103 Trachinotus sp. 19.25 ± 0.95 18 20 Umbrina canosai 63 63 63 Infralitoral raso Um total de 24 espécies pertencentes a 13 famílias foram capturadas no infralitoral raso das praias de Matinhos e Brava (Tabela 5.24). Os juvenis foram dominantes, representando 81,4% do número total de indivíduos capturados. Stellifer rastrifer, Stellifer stellifer e Paralonchurus brasiliensis foram as únicas espécies representadas por indivíduos juvenis e adultos com gônadas maturas, sugerindo o uso da área para reprodução. As 21 espécies restantes foram representadas exclusivamente por juvenis. As famílias Sciaenidae (oito espécies) e Achiridae (três espécies) apresentaram as maiores diversidades de espécies. Em relação ao número de indivíduos, dominaram as famílias Sciaenidae (73,5%), Achiridae (8,5%), Tetraodontidae (6,4%) e Pristigasteridae (3,6%), com as demais famílias tendo menos de 2% do total de indivíduos coletados. As espécies mais representativas em número de indivíduos foram S. rastrifer (40%), S. stellifer (12,1%), P. brasiliensis (11,8%), Larimus breviceps (7,5%), Lagocephalus laevigatus (6,4%) e Achirus lineatus (5%), correspondendo a 82,8% dos indivíduos coletados. Em relação ao peso, S. rastrifer (45,1%), P. brasiliensis (22,9%), S. stellifer (9,9%), Narcine brasiliensis (3,4%) e L. breviceps (2,8%) dominaram, contribuindo com 84,1% da biomassa total (Tabela 5.24). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-50 Os peixes zoobentívoros foram os mais representativos em biomassa e número de espécies (94,7% da biomassa total e 19 espécies), seguidos pelos zooplanctívoros (2,6% e três espécies) e onívoros (2,5% e duas espécies). Em relação ao número de indivíduos, o mesmo padrão se manteve, com os zoobentívoros sendo os mais abundantes (94,2% do número total de indivíduos), seguidos pelos zooplanctívoros (4,6%) e onívoros (1%) (Tabela 5.24). Quanto à importância econômica para a pesca, os peixes altamente comerciais tiveram a maior contribuição em biomassa e número de espécies (60% da biomassa total e 10 espécies), seguidos pelos não comerciais (33,4% e nove espécies) e comerciais (6,5% e cinco espécies). Em relação ao número de indivíduos, o ranque foi o mesmo, com os peixes altamente comerciais sendo os mais abundantes (62,5% do número total de indivíduos), seguidos pelos não comerciais (24%) e comerciais (13,5%) (Tabela 5.24). Tabela 5.24: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada. Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica Achiridae Achirus lineatus 14 5 2.5 Zoobentívoro Não comercial Trinectes microphthalmus 3 1.07 0.52 Zoobentívoro Não comercial Trinectes paulistanus 7 2.5 2.11 Zoobentívoro Não comercial Ariidae Genidens genidens 2 0.71 2.27 Onívoro Comercial Clupeidae Sardinella brasiliensis 3 1.07 1.51 Zooplanctívoro Altamente comercial Cynoglosidae Symphurus plagusia 4 1.43 0.82 Zoobentívoro Não comercial Gadidae Urophycis brasiliensis 2 0.71 0.77 Zoobentívoro Altamente comercial Haemulidae Haemulon steindachneri 1 0.36 0.29 Zoobentívoro Não comercial Monacantidae Monacanthus ciliatus 1 0.36 0.26 Onívoro Não comercial Narcinidae Narcine brasiliensis 2 0.71 3.45 Zoobentívoro Não comercial Pleuronectidae Oncopterus darwinii 2 0.71 0.56 Zoobentívoro Não comercial Pristigasteridae Chirocentrodon bleekerianus 1 0.36 0.14 Zooplanctívoro Altamente comercial Pellona harroweri 9 3.21 1.05 Zooplanctívoro Comercial Sciaenidae Cynoscion microlepidotus 2 0.71 0.24 Zoobentívoro Altamente comercial Isopisthus parvipinnis 2 0.71 0.21 Zoobentívoro Comercial Larimus breviceps 21 7.5 2.88 Zoobentívoro Comercial Paralonchurus brasiliensis 33 11.79 22.89 Zoobentívoro Não comercial Stellifer rastrifer 112 40 45.12 Zoobentívoro Altamente comercial Stellifer stellifer 34 12.14 9.98 Zoobentívoro Altamente comercial Stelllifer sp. 1 0.36 0.04 Zoobentívoro Altamente comercial Umbrina canosai 1 0.36 0.02 Zoobentívoro Altamente comercial Stromateidae Peprilus paru 4 1.43 0.17 Zoobentívoro Comercial Tetraodontidae Lagocephalus laevigatus 18 6.43 1.85 Zoobentívoro Altamente comercial Triglidae Prionotus punctatus 1 0.36 0.32 Zoobentívoro Altamente comercial RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-51 O comprimento médio deferiu entre as espécies, com N. brasiliensis apresentando o maior comprimento médio (154 mm) e Peprilus paru o menor (39 mm). O comprimento total dos indivíduos variou entre 33 e 200 mm. As espécies com maiores amplitudes no comprimento foram P. brasiliensis (55-200 mm) e S. rastrifer (41-155 mm) e as com menores amplitudes foram Urophycis brasiliensis (116-120 mm) e Symphurus plagusia (91-97 mm) (Tabela 5.25). Tabela 5.25: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas no infralitoral raso da área diretamente afetada. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Achirus lineatus 56.71 ± 12.32 43 77 Chirocentrodon bleekerianus 87 87 87 Cynoscion microlepidotus 75.5 ± 6.36 71 80 Genidens genidens 150 ± 0 150 150 Haemulon steindachneri 92 92 92 Isopisthus parvipinnis 67.5 ± 9.19 61 74 Larimus breviceps 66.47 ± 18.28 55 135 Lagocephalus laevigatus 52.16 ± 9.77 43 76 Monacanthus ciliatus 75 75 75 Narcine brasiliensis 154 ± 18.38 141 167 Oncopterus darwinii 70.5 ± 33.23 47 94 Pellona harroweri 61 ± 31.66 38 117 Peprilus paru 39 ± 4.69 33 44 Prionotus punctatus 95 95 95 Paralonchurus brasiliensis 116.96 ± 47.36 55 200 Sardinella brasiliensis 131.33 ± 5.13 127 137 Symphurus plagusia 95 ± 2.7 91 97 Stellifer rastrifer 91.89 ± 29.18 41 155 Stellifer stellifer 89.82 ± 17.02 62 145 Stelllifer sp. 56 56 56 Trinectes microphthalmus 60 ± 7.81 51 65 Trinectes paulistanus 64.14 ± 29.4 38 102 Urophycis brasiliensis 118 ± 2.82 116 120 Umbrina canosai 42 42 42 Plataforma continental No total, 14 espécies de oito famílias foram capturadas na área que será utilizada como jazida de sedimento, localizada entre 12 e 15 m de profundidade, na plataforma continental adjacente a Matinhos (Tabela 5.26). A assembléia foi dominada por indivíduos juvenis, que corresponderam a 86,1% da abundância total. Chirocentrodon bleekerianus, Ctenosciaena gracilicirrhus, Eucinostomus argenteus e Menticirrhus americanus foram representadas por juvenis e adultos. Etropus crossotus, Orthopristis ruber e Chilomycterus spinosus spinosus foram representadas exclusivamente por adultos e as demais espécies somente por juvenis. As famílias com os maiores números de espécies foram Sciaenidae (quatro espécies), Gerreidae, Paralichthyidae e Haemulidae (duas espécies). Em relação ao número de indivíduos, as famílias mais representativas foram Pristigasteridae (33% da captura total), Haemulidae e Sciaenidae (26,6%) e Gerreidae (6,4%). As espécies mais abundantes foram C. bleekerianus (33%), Pomadasys corvinaeformis (24,5%),C. gracilicirrhus (20,2%), E. argenteus (5,3%) e M. americanus (4,3%), com as demais espécies representando individualmente 2,1% ou menos dos exemplares capturados. RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-52 Quanto ao peso, C. spinosus spinosus (27,8%), M. americanus (20,3%), O. ruber (15%), P. corvinaeformis (11,3%), E. argenteus (9,5%) e C. gracilicirrhus (5,2%) dominaram, somando 89% da biomassa total capturada (Tabela 5.26). A guilda trófica dos zoobentívoros foi a mais representativa em número de espécies e indivíduos (11 espécies e 64% dos indivíduos capturados), seguida pelos zooplanctívoros (duas espécies e 35,1%) e por último a guilda dos onívoros (uma espécie e 1%), representada exclusivamente por C. spinosus spinosus. Os zoobentívoros também dominaram na biomassa total capturada (69,4%), e foram seguidos pela espécie onívora C. spinosus spinosus (28%) e pelos zooplanctívoros (3%) (Tabela 5.26). A maioria das espécies capturadas foram altamente comerciais (oito espécies) ou comerciais (cinco espécies), com somente uma espécie sem importância econômica. As espécies altamente comerciais representaram 91,5% dos indivíduos capturados e 52,8% da biomassa, as comerciais foram responsáveis por 7,4% dos indivíduos capturados e 19,9% da biomassa e as não comerciais foram representadas por um único indivíduo, de grande porte, da espécie C. spinosus spinosus, que correspondeu a 1% dos indivíduos capturados e 27,8% da biomassa (Tabela 5.26). A ictiofauna demersal foi representada, em geral, por indivíduos de pequeno porte, com o comprimento total variando entre 32 e 280 mm. As espécies com as maiores médias de comprimento foram O. ruber (254 mm), M. americanus (245 mm) e E. argenteus (166 mm). As espécies C. gracilicirrhus (32-171 mm) e P. corvinaeformis (73-160 mm) tiveram as maiores amplitudes no comprimento, enquanto Etropus crossotus (138-147 mm) e Chloroscombrus chrysurus (109-118 mm) tiveram as menores (Tabela 5.27). Tabela 5.26: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada. Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica Carangidae Chloroscombrus chrysurus 2 2.13 0.79 Zooplanctívoro Altamente comercial Diodontidae Chilomycterus spinosus spinosus 1 1.06 27.8 Onívoro Não Comercial Gerreidae Diapterus rhombeus 1 1.06 1.34 Zoobentívoro Altamente comercial Eucinostomus argenteus 5 5.32 9.54 Zoobentívoro Altamente comercial Haemulidae Orthopristis ruber 2 2.13 14.92 Zoobentívoro Comercial Pomadasys corvinaeformis 23 24.47 11.35 Zoobentívoro Altamente comercial Paralichthyidae Etropus crossotus 2 2.13 2.04 Zoobentívoro Comercial Syacium micrurum 1 1.06 1.06 Zoobentívoro Comercial Pristigasteridae Chirocentrodon bleekerianus 31 32.98 1.96 Zooplanctívoro Altamente comercial Sciaenidae Ctenosciaena gracilicirrhus 19 20.21 5.19 Zoobentívoro Altamente comercial Cynoscion jamaicensis 1 1.06 1.8 Zoobentívoro Altamente comercial Isopisthus parvipinnis 1 1.06 1.89 Zoobentívoro Comercial Menticirrhus americanus 4 4.26 20.3 Zoobentívoro Altamente comercial Stromateidae Peprilus paru 1 1.06 0.03 Zoobentívoro Comercial RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-53 Tabela 5.27: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na plataforma continental na área diretamente afetada. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Chilomycterus spinosus spinosus 280 280 280 Chirocentrodon bleekerianus 72 ± 6.76 60 86 Chloroscombrus chrysurus 113.5 ± 6.36 109 118 Ctenosciaena gracilicirrhus 76.89 ± 27.74 32 171 Cynoscion jamaicensis 173 173 173 Diapterus rhombeus 152 152 152 Etropus crossotus 142.5 ± 6.36 138 147 Eucinostomus argenteus 166.8 ± 29.3 142 209 Isopisthus parvipinnis 177 177 177 Menticirrhus americanus 245.25 ± 25.19 222 269 Orthopristis ruber 254 ± 22.62 238 270 Peprilus paru 35 35 35 Pomadasys corvinaeformis 101 ± 23.15 73 160 Syacium micrurum 147 147 147 5.1.2.2.3.2. Área de influência direta – AID Zona de arrebentação Um total de 29 taxa de 12 famílias foram capturadas na zona de arrebentação da praia de Leste (Tabela 5.28). Cerca de 98% dos exemplares eram juvenis, ocorrendo na área nos estágios juvenil e adulto as espécies Mugil gaimardianus, Mugil incilis, Odontesthes bonariensis, Menticirrhus americanus e Cynoscion leiarchus, enquanto que Mugil curema e Cynoscion leiarchus foram representadas somente por indivíduos adultos. A maioria das espécies parecem não usar a zona de arrebentação como área de reprodução. Um maior número de taxa foi observado nas famílias Carangidae (seis taxa), Sciaenidae (seis taxa), Engraulidae (quatro taxa) e Mugilidae (quatro taxa). Apresentaram maior número de exemplares as famílias Sciaenidae (16,8%), Mugilidae (14,6%), Atherinopsidae (11%), Carangidae (9,5%) e Clupeidae (7,6%), com as demais famílias contribuindo com menos de 1% dos indivíduos capturados (Tabela 5.28). Foram mais abundantes na zona de arrebentação da área de influência direta os taxa Menticirrhus littoralis (23%), Odontesthes bonariensis (8,3%), Mugil sp. (5,3%) e Trachinotus carolinus (5,1%). Na área predominaram em peso Menticirrhus littoralis (28,1%), Harengula clupeola (17,3%), Odontesthes bonariensis (14,8%), Mugil sp. (9,5%) e Trachinotus carolinus (9,1%) (Tabela 5.28). A guilda dos zoobentívoros apresentou a maior captura em peso (45,9% da captura total) e a guilda dos zooplanctívoros apresentou a maior captura em número de indivíduos (46,3%). Uma menor captura em peso foi observada na guilda dos piscívoros (3,3%), enquanto que em número foram menores nas guildas dos herbívoros (16%) e piscívoros (16,2%). Um maior número de taxa era de zoobentívoro (nove taxa), seguido por zooplanctívoros (sete taxa) e piscívoros (sete taxa), com um menor número ocorrendo nos herbívoros (quatro taxa) (Tabela 5.28). As espécies Harengula clupeola (17,3%), Odontesthes bonariensis (14,8%) e Trachinotus carolinus (9,1%) foram as mais abundantes entre os zooplanctívoros, já entre os zoobentívoros dominou em número Menticirrhus littoralis (28,1%). A maior contribuição para a captura em número nos herbívoros foi de Mugil sp. (9,5%) e nos piscívoros de Oligoplites saurus (1,2%) (Tabela 5.28). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-54 Entre as espécies capturadas na zona de arrebentação, 25 são altamente comerciais, uma é comercial e duas não tem valor comercial. A maior captura em número e peso foi dos taxa altamente comerciais, seguido pelos não comerciais (Tabela 5.28). Tabela 5.28: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta. Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica Atherinopsidae Odontesthes bonariensis 193 14,83 10,51 Zooplanctívoro Não Comercial Belonidae Strongylura timucu 3 0,23 1,14 Piscívoro Não Comercial Carangidae Caranx ruber 44 3,38 0,20 Zooplanctívoro Altamente comercial Oligoplites saurus 15 1,15 0,31 Piscívoro Altamente comercial Trachinotus carolinus 119 9,15 6,71 Zooplanctívoro Altamente comercial Trachinotus goodei 32 2,46 7,98 Zoobentívoro Comercial Trachinotus marginatus 3 0,23 0,32 Zoobentívoro Altamente comercial Trachinotus sp. 69 5,30 0,17 Clupeidae Harengula clupeola 225 17,30 7,92 Zooplanctívoro Altamente comercial Sardinella brasiliensis 6 0,46 0,45 Zooplanctívoro Altamente comercial Engraulidae Anchoa parva 2 0,15 0,007 Zooplanctívoro Altamente comercial Anchoa tricolor14 1,07 0,08 Zooplanctívoro Altamente comercial Cetengraulis edentulus 4 0,30 1,27 Piscívoro Altamente comercial Lycengraulis grossidens 2 0,15 0,04 Piscívoro Altamente comercial Gerreidae Diapterus rhombeus 5 0,38 1,41 Zoobentívoro Altamente comercial Haemulidae Pomadasys corvinaeformis 1 0,07 0,48 Zoobentívoro Altamente comercial Mugilidae Mugil curema 8 0,61 8,29 Herbívoro Altamente comercial Mugil gaimardianus 10 0,76 3,32 Herbívoro Altamente comercial Mugil incilis 5 0,38 4,29 Herbívoro Altamente comercial Mugil sp. 123 9,46 0,14 Herbívoro Altamente comercial Paralichthyidae Citharichthys arenaceus 2 0,15 0,46 Zoobentívoro Altamente comercial Pomatomidae Pomatomus saltarix 14 1,07 0,88 Piscívoro Altamente comercial Sciaenidae Cynoscion leiarchus 2 0,25 9,14 Piscívoro Altamente comercial Cynoscion microlepidotus 1 0,07 3,45 Piscívoro Altamente comercial Cynoscion virescens 1 0,07 0,004 Piscívoro Altamente comercial Menticirrhus americanus 23 1,76 5,93 Zoobentívoro Altamente comercial Menticirrhus littoralis 365 28,07 29,19 Zoobentívoro Altamente comercial Stellifer rastrifer 8 0,61 0,008 Zoobentívoro Altamente comercial Tetraodontidae Lagocephalus laevigatus 1 0,07 0,11 Zoobentívoro Altamente comercial A maioria dos exemplares coletados era de pequeno porte, apresentando comprimento total variando entre 17 e 368 mm. Mugil sp. apresentou o menor comprimento médio (27 mm), com a maior média presente em Strongylura timucu (292 mm). As menores amplitudes de variação do comprimento total foram observadas em Mugil sp. (21-33 mm) e Cynoscion leiarchus (31-45 mm), com as maiores nas espécies Menticirrhus littoralis (21-371 mm) e Menticirrhus americanus (24-317 mm) (Tabela 5.29). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-55 Tabela 5.29: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência direta. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Anchoa parva 42.15±8.23 35 71 Anchoa tricolor 48.81±11.83 40 87 Caranx ruber 38.55±3.14 32 52 Cetengraulis edentulus 177.00±27.64 144 215 Citharichthys arenaceus 139.75±22.17 119 164 Cynoscion leiarchus 38.00±9.89 31 45 Cynoscion microlepidotus 368 368 368 Cynoscion virescens 40 40 40 Diapterus rhombeus 140.42±12.10 125 161 Harengula clupeola 80.05±13.76 40 143 Lagocephalus laevigatus 92 92 92 Lycengraulis grossidens 117.00±39.16 78 180 Menticirrhus americanus 69.32±62.01 24 317 Menticirrhus littoralis 65.60±42.68 21 371 Mugil curema 248.42±45.43 119 375 Mugil gaimardianus 111.52±45.46 25 248 Mugil incilis 212.60±11.10 200 227 Mugil sp. 27.24±1.87 21 33 Odontesthes bonariensis 101.52±29.83 39 218 Oligoplites saurus 82.15±23.87 52 188 Pomadasys corvinaeformis 196 196 196 Pomatomus saltarix 101.75±18.07 59 138 Sardinella brasiliensis 55.39±32.58 28 170 Stellifer rastrifer 52.33±7.98 41 68 Strongylura timucu 292.20±77.47 192 393 Trachinotus carolinus 77.41±27.03 18 187 Trachinotus goodei 143.06±23.62 82 178 Trachinotus marginatus 58.42±21.22 45 148 Trachinotus sp. 27.90±8.73 17 53 Infralitoral raso No infralitoral da praia de Leste foram coletados exemplares de 34 taxa de peixes pertencentes a 16 famílias (Tabela 5.30). Cerca de 75% dos indivíduos eram juvenis, com os taxa Trinectes paulistanus, Cetengraulis edentulus, Lycengraulis grossidens, Chirocentrodon bleekerianus, Isopisthus parvipinnis, Menticirrhus americanus, Paralonchurus brasiliensis, Stellifer brasiliensis, Stellifer rastrifer, Stellifer sp. e Sphoeroides testudineus presentes na área nos estádios juvenil e adulto. Todos os demais taxa foram representados exclusivamente por juvenis. A diversidade de espécies foi maior nas famílias Sciaenidae (oito taxa), Achiiridae (três taxa) e Carangidae (três taxa). Em número de indivíduos dominaram as famílias Sciaenidae (81,3%), Carangidae (7,2%), Engraulidae (3,7%), Pristigasteridae (2,4%) e Tetraodontidae (2,3%), com as demais famílias apresentando cada uma, menos de 2% da captura total (Tabela 5.30). No infralitoral predominaram em número as espécies Stellifer rastrifer (60,3%), Paralonchurus brasiliensis (11,2%) e Selene setapinnis (7,1%), representando 78,7% dos peixes coletados. Contribuíram mais para a captura em peso as espécies Stellifer rastrifer (47,7%), Cetengraulis edentulus (8,9%), Paralonchurus brasiliensis (8,9%) e Larimus breviceps (4,1%), correspondendo a 75,2% da biomassa capturada (Tabela 5.30). RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-56 Os peixes zoobentívoros foram os que mais contribuíram em biomassa (79,5%) e número de taxa (25). Foram significativamente menores a biomassa e o número de peixes nas demais guildas tróficas. Em número de peixes, novamente predominaram os zoobentívoros (92,3%), com as demais guildas apresentando cada uma menos de 3% dos exemplares capturados. As espécies Stelifer rastrifer (60,3%) e Paralonchurus brasiliensis (11,2%) foram as mais abundantes entre os zoobentívoros, com uma maior contribuição numérica de Pellona harroweri para os zooplanctívoros e de Lycengraulis grossidens para os piscívoros. As guildas onívora e herbívora tiveram apenas uma espécie cada (Tabela 5.30). Maiores capturas em número de indivíduos (79,5%), peso (72,7%) e número de taxa (17) foram de peixes com alta importância econômica, sendo Stellifer rastrifer a espécie que mais contribuiu para o número e peso dos peixes com este nível de importância econômica. Onze espécies de peixes não comerciais contribuíram com 14% dos exemplares e 14% da biomassa amostrada na área, com a espécie Paralonchurus barsiliensis tendo a maior contribuição para a abundância e a biomassa deste grupo. As seis espécies comerciais responderam 6,3% da captura em número e 13% da biomassa, sendo maior a contribuição das espécies Genidens genidens e Pellona harroweri neste grupo (Tabela 5.30). Tabela 5.30: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica Achiridae Achirus lineatus 1 0,05 0,01 Zoobentívoro Não comercial Trinectes microphthalmus 2 0,09 0,04 Zoobentívoro Não comercial Trinectes paulistanus 3 0,14 0,59 Zoobentívoro Não comercial Ariidae Genidens genidens 23 1,09 4,06 Onívoro Comercial Batrachoididae Porichthys porosissimus 4 0,19 0,08 Piscívoro Não comercial Carangidae Oligoplites saurus 1 0,05 0,01 Piscívoro Altamente comercial Selene setapinnis 150 7,11 1,28 Zoobentívoro Altamente comercial Selene vomer 2 0,09 0,01 Zoobentívoro Altamente comercial Clupeidae Harengula clupeola 1 0,05 0,01 Zooplanctívoro Altamente comercial Cynoglosidae Symphurus plagusia 2 0,09 0,06 Zoobentívoro Não comercial Engraulidae Cetengraulis edentulus 49 2,32 8,89 Herbívoro Altamente comercial Lycengraulis grossidens 29 1,37 5,6 Piscívoro Altamente comercial Haemulidae Anisotremus surinamensis 3 0,14 0,31 Zoobentívoro Altamente comercial Pomadasys corvinaeformis 2 0,09 0,42 Zoobentívoro Não comercial Narcinidae Narcine brasiliensis 1 0,05 0,14 Zoobentívoro Não comercial Paralichthyidae Citharichthys spilopterus 1 0,05 0,1 Zoobentívoro Altamente comercial Etropus crossotus 1 0,05 0,1 Zoobentívoro Comercial Pristigasteridae Chirocentrodon bleekerianus 5 0,24 0,12 Zooplanctívoro Altamente comercial Pellona harroweri 45 2,13 1,5 Zooplanctívoro Comercial Sciaenidae RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-57 Isopisthus parvipinnis 30 1,42 2,91 Zoobentívoro Comercial Larimus breviceps 20 0,95 4,13 Zoobentívoro ComercialMenticirrhus americanus 8 0,38 2,05 Zoobentívoro Altamente comercial Menticirrhus littoralis 5 0,24 0,56 Zoobentívoro Altamente comercial Ophioscion punctatissimus 1 0,05 0,24 Zoobentívoro Não comercial Paralonchurus brasiliensis 237 11,23 8,86 Zoobentívoro Não comercial Stellifer brasiliensis 40 1,9 1,68 Zoobentívoro Não comercial Stellifer rastrifer 1273 60,33 47,73 Zoobentívoro Altamente comercial Stellifer stellifer 14 0,66 1,18 Zoobentívoro Altamente comercial Stelllifer sp. 88 4,17 4,1 Zoobentívoro Altamente comercial Stromateidae Peprilus paru 14 0,66 0,23 Zoobentívoro Comercial Tetraodontidae Lagocephalus laevigatus 43 2,04 0,8 Zoobentívoro Altamente comercial Sphoeroides testudineus 6 0,28 1,96 Zoobentívoro Não comercial Trichiuridae Trichurus lepturus 5 0,25 0,02 Piscívoro Altamente comercial Triglidae Prionotus punctatus 1 0,05 0,05 Zoobentívoro Altamente comercial Em média, foi maior a espécie Genidens genidens (154 mm) e menor Selene setapinnis (39 mm). A ictiofauna apresentou comprimentos variando entre 11 e 980 mm, com as maiores amplitudes de variação ocorrendo em Paralonchurus brasiliensis (47-980 mm), Stellifer rastrifer (11-184 mm) e Menticirrhus americanus (58-228 mm), e as menores em Selene vomer (39-40 mm), Pomadasys corvinaeformis (146-148 mm) e Symphurus paglusia (97-100 mm) (Tabela 5.31). Plataforma continental Foram coletadas 22 espécies de peixes de 13 famílias na profundidade de 12 a 15 m da plataforma interna adjacente a praia de Leste (Tabela 5.32). Na sua maioria os exemplares amostrados nesta área eram juvenis (98%), com a espécie Isopisthus parvipinnis presente nos estágios juvenil e adulto. Todas as demais espécies de peixes só apresentaram indivíduos no estágio juvenil. Uma maior diversidade de espécies ocorreu em Sciaenidae (seis espécies), Gerrreidae, Paralichthyidae, Pristigasteridae e Serranidae, cada uma delas com duas espécies. Um maior número de exemplares foi observado nas famílias Sciaenidae (66,4%), Pristigasteridae (12%), Haemulidae (8,9%), Gerreidae (3,5%), Paralichthyidae (3,1%) e Clupeidae (2,3%), com cada uma das demais famílias contribuindo com menos de 2% da captura total (Tabela 5.32). As espécies com maior número de indivíduos foram: Ctenosciaena gracilicirrhus (54,4%), Cherocentrodon bleekerianus (9,7%), Pomadasys corvinaeformis (8,9%) e Paralonchurus brasiliensis (5,4%). Em termos de biomassa, as maiores contribuições foram das espécies Ctenosciaena gracilicirrhus (20,4%), Pomadasys corvinaeformis (17,3%), Chilomycterus spinosus spinosus (7,8%), Zapteryx brevirostris (7,%) e Diplectrum formosum (6,3%) (Tabela 5.32). Foi mais significativa a contribuição dos zoobentívoros para a captura em número de indivíduos (83,4%), biomassa (82,2%) e número de espécies (15). As espécies Ctenosciaena gracilicirrhus (54,4%) e Pomadasys corvinaeformis (8,9%) foram as mais abundantes entre as zoobentívoras. Cerca de 15,5% do número de indivíduos e 7% da biomassa pertencia a quatro espécies da guilda trófica dos zooplanctívoros, predominando numericamente nessa guilda Chirocentrodon bleekerianus (9,6%) e RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-58 Sardinella brasiliensis (2,3%). A guilda trófica dos onívoros foi representada pela espécie Chilomycterus spinosus spinosus, a qual foi responsável por 0,39% dos exemplares e 7,85 da biomassa coletada. Só duas espécies eram piscívoras, cada uma presente na área com apenas um exemplar (Tabela 5.32). As 14 espécies de peixes com alta importância econômica foram responsáveis por 89,2% dos peixes e 71,1% da biomassa, com maior abundância de Ctenosciaena gracilicirrhus e Pomadasys corvinaeformis. As quatro espécies de peixes com importância comercial foram responsáveis por 3,4 % e 7,8% das capturas em número e peso, respectivamente, enquanto que as quatro espécies sem importância comercial contribuíram com 6,7% dos indivíduos e 21,1% da biomassa. Etropus crossotus foi a espécie mais abundante entre as comerciais e Paralonchurus brasiliensis entre as não comerciais (Tabela 5.32). Tabela 5.31: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência direta. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Achirus lineatus 55 55 55 Anisotremus surinamensis 117.00±9.16 109 127 Cetengraulis edentulus 150.34±8.55 135 171 Chirocentrodon bleekerianus 96.20±14.61 71 109 Citharichthys spilopterus 128 128 128 Etropus crossotus 120 120 120 Genidens genidens 154.13±24.64 122 228 Harengula clupeola 73 73 73 Isopisthus parvipinnis 111.33±41.64 41 191 Lagocephalus laevigatus 55.27±9.43 42 84 Larimus breviceps 145.35±19.81 111 194 Lycengraulis grossidens 152.17±17.49 77 173 Menticirrhus americanus 159.87±52.73 58 228 Menticirrhus littoralis 131.20±19.33 102 151 Narcine brasiliensis 18 128 128 Oligoplites saurus 85 85 85 Ophioscion punctatissimus 175 175 175 Paralonchurus brasiliensis 97.97±65.84 47 980 Pellona harroweri 88.06±20.36 55 148 Peprilus paru 53.92±6.23 42 64 Pomadasys corvinaeformis 147.00±1.41 146 148 Porichthys porosissimus 77.75±3.59 75 83 Prionotus punctatus 105 105 105 Selene setapinnis 53.91±5.94 40 75 Selene vomer 39.50±0.70 39 40 Sphoeroides testudineus 148.33±18.57 124 179 Stellifer brasiliensis 87.05±22.69 12 136 Stellifer rastrifer 116.22±16.85 11 184 Stellifer stellifer 111.07±13.37 76 129 Stelllifer sp. 92.37±17.28 46 132 Symphurus plagusia 98.50±2.12 97 100 Trichurus lepturus 124.60±67.51 51 220 Trinectes microphthalmus 60.00±7.07 55 65 Trinectes paulistanus 122.66±23.18 96 138 O comprimento dos peixes coletados entre a profundidade de 10 e 15 m na plataforma adjacente a praia de Leste variou de 44 a 362 mm, com Selene setapinnis (49,3 mm) tendo o menor comprimento total médio e Eucinostomus argenteus (160,5 mm) o maior. As amplitudes de variação do comprimento foram maiores em Pomadasys RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-59 corvinaeformis (98-221 mm) e Paralonchurus brasiliensis (67-164 mm) e menores em Larimus breviceps (120-124 mm) e Diapterus rhombeus (141-150 mm) (Tabela 5.33). Tabela 5.32: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta. Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica Carangidae Selene setapinnis 3 1,16 0,13 Zooplanctívoro Altamente comercial Centropomidae Centropomus parallelus 1 0,39 5,49 Piscívoro Altamente comercial Clupeidae Sardinella brasiliensis 6 2,32 3,86 Zooplanctívoro Altamente comercial Diodontidae Chilomycterus spinosus spinosus 1 0,39 7,77 Onívoro Não Comercial Gerreidae Diapterus rhombeus 5 1,93 5,11 Zoobentívoro Altamente comercial Eucinostomus argenteus 4 1,54 4,48 Zoobentívoro Altamente comercial Haemulidae Pomadasys corvinaeformis 23 8,88 17,35 Zoobentívoro Altamente comercial Paralichthyidae Etropus crossotus 6 2,32 4,15 Zoobentívoro Comercial Syacium papillosum 2 0,77 2,04 Zoobentívoro Comercial Pristigasteridae Chirocentrodon bleekerianus 25 9,65 2,22 Zooplanctívoro Altamente comercial Pellona harroweri 6 2,32 0,73 Zooplanctívoro Altamente comercial Rhinobatidae Zapterix brevirostris 1 0,39 7,26 Zoobentívoro Altamente comercial Sciaenidae Ctenosciaena gracilicirrhus 141 54,44 20,44 Zoobentívoro Altamente comercial Cynoscion jamaicensis 10 3,86 0,84 Zoobentívoro Altamente comercial Isopisthus parvipinnis 1 0,39 0,62 Zoobentívoro Comercial Larimus breviceps 2 0,77 0,95 Zoobentívoro Comercial Menticirrhus americanus 4 1,54 2,51 Zoobentívoro Altamente comercial Paralonchurus brasiliensis 14 5,41 4,48 ZoobentívoroNão Comercial Serranidae Diplectrum radiale 1 0,39 2,54 Zoobentívoro- Não Comercial Diplectrum formosum 1 0,39 6,29 Zoobentívoro- Não Comercial Trichiuridae Trichurus lepturus 1 0,39 0,47 Piscívoro Altamente comercial Triglidae Prionotus punctatus 1 0,39 0,18 Zoobentívoro Altamente comercial Tabela 5.33: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na plataforma continental na área de influência direta. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Centropomus parallelus 302 302 302 Chilomycterus spinosus spinosus 212 212 212 Chirocentrodon bleekerianus 87.04±7.43 75 101 Ctenosciaena gracilicirrhus 80.54±9.49 58 95 Cynoscion jamaicensis 67.40±19.46 50 119 Diapterus rhombeus 147,00±3.53 141 150 Diplectrum formosum 283 283 283 Diplectrum radiale 212 212 212 Etropus crossotus 144.00±8.64 131 156 RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-60 Eucinostomus argenteus 160.50±27.25 134 185 Isopisthus parvipinnis 139 139 139 Larimus breviceps 122.00±2.82 120 124 Menticirrhus americanus 140.25±23.55 120 169 Paralonchurus brasiliensis 115.64±34.67 67 164 Pellona harroweri 85.33±14.09 75 113 Pomadasys corvinaeformis 126.34±28.10 98 221 Prionotus punctatus 96 96 96 Sardinella brasiliensis 132.50±18.79 97 148 Selene setapinnis 49.33±7.57 44 58 Syacium papillosum 164.50±7.77 159 170 Trichurus lepturus 357 357 357 Zapterix brevirostris 362 362 362 5.1.2.2.3.3. Área de influência indireta – AII Zona de arrebentação Na praia de Barrancos foram capturados sete taxa de cinco famílias de peixes (Tabela 5.34). Todos os indivíduos coletados eram juvenis. Um maior número de taxa foi da família Carangidae (três taxa), com cada uma das demais famílias representadas na praia por apenas um táxon. Foi maior o número de exemplares nas famílias Carangidae (56,9%) e Sciaenidae (32,6%), seguidas pelas famílias Clupeidae (5,5%) e Mugilidae (4,4%), com apenas um exemplar na família Pomatomidae. Foram mais abundantes nessa praia as espécies Trachinotus carolinus (39,8%), Menticirrhus littoralis (32,6%) e Trachinotus goodei (16,6%), que juntas responderam por 88,9% do total de peixes amostrados. Em termos de peso, a ictiofauna foi dominada por Menticirrhus littoralis (37,5%), Trachinotus carolinus (28%), Trachinotus goodei (16,7%) e Harengula clupeola (14,8%), que contribuíram com 97,1% da biomassa total (Tabela 5.34). Os zoobentívoros dominaram em número (49,7%) e peso (51,7%), seguidos pelos zooplanctívoros que responderam por 45,3% do número de peixes e 42,8% da biomassa. Entre os zooplanctívoros foram mais abundantes Trachinotus carolinus (39,8%) e Harengula clupeola (5,5%). Também foi considerável a abundância dos zoobentívoros Menticirrhus littoralis (32,6%) e Trachinotus goodei (16,6%). Os herbívoros e piscívoros estiveram representados nas amostras por apenas um táxon cada (Tabela 5.34). As seis espécies de peixes com alta importância econômica contribuíram com 83,4% do número de exemplares e 83,2% da biomassa coletada, sendo Trachinotus carolinus a mais abundante entre elas. O carangideo Trachinotus goodei, foi a única espécie comercial, sendo responsável por 16,6% dos indivíduos capturados e 16,7% da biomassa amostrada. Não foi coletado nenhum peixe sem importância comercial (Tabela 5.34). Os peixes coletados na área tinham comprimentos totais entre 32 e 130 mm. A espécie Harengula clupeola apresentou o maior comprimento total médio (75 mm), enquanto que o menor foi de Mugil sp. (27 mm). A menor amplitude de tamanho foi de Mugil sp. (26-28 mm), com as maiores amplitudes tendo sido observadas em Menticirrhus littoralis (52-130 mm) e Trachinotus goodei (38-82 mm) (Tabela 5.35). Tabela 5.34: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-61 total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. Família/ Espécie N % N % P Guilda Trófica Importância Econômica Carangidae Trachinotus carolinus 72 39,78 27,97 Zooplanctívoro Altamente comercial Trachinotus goodei 30 16,57 16,75 Zoobentívoro Comercial Trachinotus marginatus 1 0,55 0,44 Zoobentívoro Altamente comercial Clupeidae Harengula clupeola 10 5,52 14,84 Zooplanctívoro Altamente comercial Mugilidae Mugil sp. 8 4,42 0,47 Herbívoro Altamente comercial Pomatomidae Pomatomus saltarix 1 0,55 1,96 Piscívoro Altamente comercial Sciaenidae Menticirrhus littoralis 59 32,6 37,53 Zoobentívoro Altamente comercial Tabela 5.35: Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do comprimento total (em mm) das espécies capturadas na zona de arrebentação da área de influência indireta. Espécie Média ± DP Mínimo Máximo Harengula clupeola 75.50±5.24 68 83 Menticirrhus littoralis 58.55±16.21 32 130 Mugil sp. 27.00±0.75 26 28 Pomatomus saltarix 94,0 94 94 Trachinotus carolinus 44.11±3.86 38 58 Trachinotus goodei 49.63±8.82 38 82 Trachinotus marginatus 45 45 45 Infralitoral raso A ictiofauna amostrada no infralitoral da praia de Barrancos foi constituída por 17 espécies de 10 famílias de peixes. A família Sciaenidae foi representada na área por sete espécies e contribuiu com 68,5% do total de peixes coletados. As espécies Chloroscombrus chrysurus e Selene setapinnis foram as duas representantes da família Carangidae e responderam por 11% dos indivíduos presentes nas amostras. As oito famílias restantes foram representadas por apenas uma espécie cada (Tabela 5.36). Foram mais abundantes na área Isopisthus parvipinnis (20,5%), Paralonchurus brasiliensis (19,2%), Stellifer rastrifer (11%) e Stellifer stellifer (8,2%), as quais contribuíram com 58,9% dos exemplares coletados. Em termos de biomassa, a ictiofauna foi dominada por Isopisthus parvipinnis (27,7%), Stellifer rastrifer (18,5%), Stellifer brasiliensis (11,2%) e Paralonchurus brasiliensis (10,8%), responsáveis por 67,7% da biomassa total (Tabela 5.36). A guilda dos zoobentívoros apresentou as maiores capturas em número de peixes (76,7%) e peso (91,6%), e foi representada na área por 13 espécies. As espécies Isopisthus parvipinnis (20,5%), Paralonchurus brasiliensis (19,2%) e Stellifer rastrifer (11%) foram as mais abundantes dentro dessa guilda trófica. Todas as demais guildas tróficas só tiveram uma espécie cada e responderam por 23,3% do número de peixes e 8,4% da biomassa total (Tabela 5.36). Entre as espécies coletadas no infralitoral da praia de Barrancos, seis são altamente 7comerciais, cinco são comerciais e seis não em valor comercial. Os taxa altamente RIMA – Recuperação da Orla Marítima de Matinhos 5-62 comerciais contribuíram com 34,2% e 33,3% das capturas em número e peso, respectivamente, com uma maior contribuição para estas capturas por parte das espécies Stellifer rastrifer e Stellifer stellifer. Por parte das espécies comerciais, a contribuição para o número e peso da captura foi de 33,6% e 37,6%, respectivamente, com Isopisthus parvipinnis sendo responsável por maior parte destas capturas. Os peixes sem importância comercial foram responsáveis por 31,5% da captura em número e 29% da biomassa, com uma maior contribuição para estes valores por parte de Paralonchurus brasiliensis e Stellifer brasiliensis (Tabela 5.36). Tabela 5.36: Composição, abundância [absoluta (N) e relativa (% N)], contribuição na biomassa total (% peso), guilda trófica e valor econômico das espécies capturadas no infralitoral raso da área de influência indireta. Família/ Espécie N % N % Peso Guilda Trófica Importância Econômica Achiridae Trinectes paulistanus 1 1,37 1,41 Zoobentívoro Não comercial Ariidae Aspistor luniscutis 1 1,37 0,59 Onívoro Comercial