Angela Kleiman   Oficina de Leitura teoria e pratica
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Angela Kleiman Oficina de Leitura teoria e pratica


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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CJP) 
(Câmara Brasileira do I ivrn. SP, llrasil) 
Kleiman. Angela 
Glicina de Leitura : Teoiui e Prática. Angela Kleiman 
91 Feição, Campinas, SP: Pontes. 2002 
Bibliografia 
ISUN 85 7113-077-9 
1. Leitura 1. Titulo 
93-0472 CDD-302 2244 
índice para catálogo sistemático: 
I Leitura ; Comunicação 302.2244 
Angela Kleiman 
icina 
leiturh 
teoria 
9 a E D I Ç Ã O 
Pontes 
2002 
Copyright © 1992 Angela Kleiman 
Coordenação editorial: Ernesto Guimarães 
Capa: Cláudio Roberto Martini 
Preparação de Originais: Vânia Aparecida da Silva 
Revisão Maria F.lisa Mcirclles 
PONTOS EDITORES 
Rua Maria Monteiro, 1635 
13025-152 Campinas SP Brasil 
Fone (019) 3252.6011 
Fax (019) 3253.0769 
Li-inail: ponteseditor@lexxa.com.br 
www.pontesedilores.com.br 
2002 
Impresso no Brasil 
ÍNDICF. 
Apresentação 7 
Capítulo 1 \u2014 Leitura e Aprendizagem 
1.1 Um Binômio Fantástico? 9 
1.2 Plano do Livro 12 
Resumo 14 
Notas Bibliográficas 14 
Capítulo 2 \u2014 A Concepção Escolar da Leitura 
2.1 Por Que Meu Aluno Não Lc? 15 
2.2 Exame De Uma Prática 17 
2.3 Uma Concepção Alternativa: Um Exemplo 27 
Resumo 29 
Notas Bibliográficas 30 
Capítulo 3 \u2014 Como Lemos: Uma Concepção Não Escolar Do Processo 
3.1 O Processamento Cognitivo 31 
3.2 Dificuldades no Processamento: Diferenças Entre a Forma 
Escrita e a Falada 37 
3.3 Tornando o Processo Mais Complexo: A Leitura do Livro 
Didático 39 
Resumo 46 
Notas Bibliográficas 46 
Capítulo 4 \u2014 O Ensino da 1 .eitura: A Relação Entre Modelo e 
Aprendizagem 
4.1 Estratégias de Leitura 49 
4.2 Modelando Estratégias Metacognitivas 51 
Resumo 61 
Notas Bibliográficas 61 
Apêndice 62 
Capítulo 5 A Interface de Estratégias e Habilidades 
5.1 A Aprendizagem Mediante o Ensino de I labilidades: 
Uma Proposta 65 
5.2 O Vocabulário NoTcxto:Duas Abordagens de Ensino 67 
5.3 Análise do Conlexio 75 
Resumo HO 
Notas Bibliográficas 80 
Capítulo 6 \u2014 A Construção do Sentido do Texto 
6.1 Habilidades Linguísticas e Compreensão Global 83 
6.2 Construção de Estrutura 84 
6.3 Interação: Atribuição de Intencionalidade 92 
Resumo 1 
Notas Bibliográficas 100 
Apêndice 102 
6 
APRESENTAÇÃO 
No decorrer dos últimos anos, tive a oportunidade de oferecer diversos 
cursos de leitura em língua materna para professores que. embora preocupa-
dos porque seus alunos não gostam de ler, nào sabem como promover condi-
ções em sala de aula para o desenvolvimento do leitor. Isso porque nunca ti-
veram uma aula teórica sobre a natureza da leitura, o que ela é, que tipo de en-
gajamento intelectual é necessário, em quais pressupostos de cunho social 
ela se assenta. As concepções do professor sobre essa atividade são apenas 
empíricas, e suas práticas de ensino estão baseadas em dicas e programas de 
outros professores, utilizados porque são os únicos enfoques disponíveis, 
não porque cies representem uma história de sucesso. 
O ensino de leitura c fundamental para dar solução a problemas rela-
cionados ao pouco aproveitamento escolar: ao fracasso na formação de leito-
res podemos atribuir o fracasso geral do aluno no primeiro e segundo graus. 
Alarmam-se os professores de Ciências. História e Geografia pelo falo 
de seus alunos não lerem, e, no entanto, nada fazem para remediar essa situa 
ção. A palavra escrita é patrimônio da cultura letrada, e todo professor é, em 
princípio, representante dessa cultura. Dai que permanecer á espera do cole-
ga de Português resolver o problema, além de agravar a situação, consiste nu-
ma declaração de sua incompetência quanto à função de garantir a participa-
ção plena de seus alunos na sociedade letrada. 
Assim, este livro não está dirigido apenas a professores de Português, 
embora alguns dos capítulos apresentem análises textuais que se sustentam 
em análises lingüísticas. Nessas análises, enfatiza-se a função referencial da 
linguagem, isto é, a carga informacional do texto. A função estética, que tem 
a ver com a forma como o texto está construído, é sobretudo destacada na sua 
relação com a veiculação dos temas e com a marcação de pontos de vista e in-
tencionalidade. 
No resto do livro, são focalizadas as estratégias do leitor que poderão 
ser as mesmas na leitura de textos diferentes, pois o leitor as muda segundo 
seus objetivos e necessidades, não segundo a matéria que ele estiver lendo. 
Cremos que essas estratégias devem ser conhecidas por todo profissional do 
ensino: assim, quando o professor de Geografia solicitar do aluno a leitura de 
7 
um texto de apoio, ele poderá reforçar o trabalho do professor de Português. 
Para isso, aquele também precisa saber sobre a leitura. 
Dessas oficinas de leitura, nos últimos dois anos, surgiu a ideia de jun-
tar as diversas atividades ali desenvolvidas num volume só, que permitisse o 
acesso dos diversos participantes aos diversos aspectos tratados nesses cur-
sos e aos materiais neles usados, Este livro é o resultado dessa iniciativa. 
Nessas oficinas, houve, muitas vezes, interação: conseguimos transpor 
as barreiras da formação diferente, das perspectivas diferenciadas quanto à 
natureza do objeto, atingindo, então, a aprendizagem c o ensino mútuos. Por 
isso, são muitas as vozes de professores que estão inscritas nas páginas deste 
volume. A todos eles, agradeço. 
Ouvi muitas c excelentes propostas de atividades, relatadas por profes-
sores participantes dessas oficinas, outras foram diretamente presenciadas 
por mim. Algumas dessas experiências serão recontadas neste livro e por elas 
agradeço à professora F.liana Gagliardi e seus colaboradores da Escola Cara-
vela de São Paulo, às professoras Sheila V. de Camargo Grilho e Maria An-
gélica Laurctti, do grupo de estudos da Prefeitura de Campinas e às professo-
ras Fátima Regina C. L. Beraldo e Traudi H. Bonato, de meu grupo de profes-
sores pesquisadores de Paulínia. 
Outras vezes, a discussão que surgia na oficina sugeria a exploração de 
novos aspectos; por essas enriquecedoras discussões, agradeço aos professo-
res do curso organizado pelas Escolas de Grupo de São Paulo, aos participan 
tes do curso organizado pelo 1GCongresso Brasileiro para Ação Pedagógica, 
às professoras e coordenadoras da Escola e do Centro de Pesquisa e Forma-
ção de Educadores Balão Vermelho de Belo Horizonte, aos professores do 
grupo de estudos da Prefeitura de Campinas e seu coordenador. Percival Le-
me Britto; aos professores do curso organizado pelo 79 Congresso de 1 .eitura 
do Brasil, COLE. aos meus alunos de pós-graduação. 
O conteúdo deste livro, é claro, reflete não apenas aquelas experiências 
como também a influência de uma longa c continuada convivência académi-
ca com duas colegas, alunas e amigas que muito contribuíram com suas innii-
ções, experiências e conhecimento. A Sylvia H. Terzi e Ivani Ratto meus 
agradecimentos pela critica generosa c construtiva. 
Outros nomes que gostaria de registrar aqui. pelos valiosos comentá-
rios e sugestões, são os de Marilda Cavalcanti e Inês Signorini. A esta última 
também por seu papel, junto com Ivani Ratto c Maria Célia C. Lopes, de lei-
tores críticos das primeiras versões deste volume. As possíveis falhas que 
permanecem são da minha inteira responsabilidade. 
Campinas. 30 de julho de 1992. 
Angela B. Kleiman 
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CAPÍTULO 1 
LEITURA E APRENDIZAGEM 
Educador\u2014educando e educando\u2014 educador, 
no processo educativo l ibertador, são ambos 
sujeitos cognoscen/es diante de objetos 
cognoscíveis, que os mediatizam. 
Paulo Freire 
1.1 UM BINÓMIO FANTÁSTICO? 
Gianni Rodani nos diz, em seu livro Gramática da fantasia, que no bi 
nômio fantástico as palavras não estão presas ao seu significado cotidiano, 
mas libertas da cadeia verbal da qual fazem pane cotidianamente. Este volu-
me tem por objetivo desambieniar sistematicamente as palavras