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Psicologia sócio histórica

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Compromisso Social da Psicologia
 
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 “o homem é o conjunto das relações sociais encarnado no indivíduo” (VYGOTSKY,2000)
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		Psicologia como Ciência ocorre no final do século XIX – solução metodológica predominante o positivismo .
		A realidade é governada por leis racionais passíveis de ser desvendadas pela observação sistemática e rigorosa dos fatos.
		Sem interferência do pesquisador
 
 
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Positivismo
		Identifica o fenômeno psicológico distante das tramas sociais e submetido a leis que não podem ser alteradas pela vontade humana, mas apenas conhecidas. 
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As origens da corrente sócio-histórica estão associadas fundamentalmente a L. S. Vygostsky (1896-1934), A. N. Leontiev (1903-1977) e A. R. Luria (1902-1977). 
Integram trabalhos e interesses de áreas disciplinares diferentes como a Lingüística, a Psicologia, a Pedagogia e a Neurologia. 
Na época em que aparecem seus primeiros trabalhos, a Psicologia Científica estava fortemente marcada pelo experimentalismo
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Base da Psicologia Sócio-Histórica é a 
Psicologia Histórico-Cultural de Vigotski
Fundamenta-se no marxismo 
Adota o materialismo histórico e dialético como filosofia, teoria e método
Concebe o homem como ativo, social e histórico
"Na ausência do outro, o homem não se constrói homem" 
A Sociedade é produção histórica dos homens, que através do trabalho,produzem sua vida material. 
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O materialismo positivista da psicologia social norte-americana se fundava na neutralidade, em um entendimento de que a psicologia do indivíduo explicaria a psicologia da sociedade, e que sua característica naturalizante se baseava na compreensão de uma cognição abstrata e descontextualizada e, por consequência, a-histórica. 
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Usado pelos psicólogos sócio-históricos
Produzia uma visão comprometida com a realidade da população, já que defendiam o resgate da historicidade e a produção de conhecimento comprometido com a transformação social.
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Abandona a visão abstrata do fenômeno psicológico: 
A noção de eu e individualização nascem e se desenvolvem com a história do capitalismo.
Ideia de “mundo interno”, existência de componentes individuais, singulares, pessoais, privados.
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A Psicologia Sócio-Histórica não trabalha com a concepção liberal de homem e de fenômeno psicológico. 
Acredita que o fenômeno psicológico se desenvolve ao longo do tempo. 
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A compreensão do “mundo interno” exige a compreensão do “mundo externo”, pois são dois aspectos de um mesmo movimento, de um processo no qual o homem atua e constrói/ modifica o mundo e este, por sua vez, propicia os elementos para a constituição psicológica do homem.
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O fenômeno psicológico deve ser entendido como construção no nível individual do mundo simbólico que é social. 
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Psicologia sócio-histórica no Brasil
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Sofreu forte influência soviética.
Busca de uma psicologia que fosse capaz de ler a realidade latino-americana.
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O Materialismo Histórico Dialético é uma teoria filosófica e científica; 
Construída por Marx e Engels no século XIX. 
Compreende que os fenômenos materiais são processos. Mundo não é uma realidade estática, é dinâmico, é um complexo de processos. Considera as coisas na sua interdependência recíproca e não somente linear. 
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Consciência do homem mesmo sendo determinada pela matéria, estando historicamente situada, na medida em que se faz também dialética;
O conhecimento do determinismo liberta o homem por meio da ação sobre o mundo, possibilitando inclusive as ações transformadoras. 
Explicação da história por fatores materiais (econômicos, técnicos).
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É aquilo que fica subjacente a desumanização.
 Exemplo: justifica-se o fato de uma empregada doméstica ganhar pouco por ser ignorante e não querer subir na vida; o que se oculta é que a ignorância não é a causa, mas a conseqüência de uma sociedade injusta, de condições inadequadas de educação que ela não pode escapar, mesma coisa para o operário padrão, que suas qualidades o impedem de ter consciência do nível de submissão a que está reduzida a sua classe, que o salário pago pelo trabalho oculta a mais -valia, portanto, a perenização da situação do proletário, que o Estado é a expressão dos interesses da classe dominante e que a lei é feita pela elite. 
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Difunde-se a idéia de que as chances são iguais para todos na sociedade democrática e de que pelo trabalho é possível ascensão social, considera-se o Estado uma instituição que visa o interesse geral e que a lei é igual para todos;
Justificativa que leva a conclusões do tipo natural e universal.
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O homem não sobrevive a não ser em relação com outros homens, portanto ao rever a dicotomia Indivíduo X Grupo percebe-se que é falsa.
A sua participação, as suas ações, por estar em grupo dependem fundamentalmente da aquisição da linguagem que preexiste ao indivíduo como código produzido historicamente pela sociedade.
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Crítica à visão liberal de homem, na qual encontramos idéias como: 
	a) O homem visto como ser autônomo, responsável pelo seu próprio processo de individuação; 
 b) Uma relação de antagonismo entre o homem e a sociedade, em que esta faz a eterna oposição aos anseios que seriam naturais do homem; 
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c) Uma visão de fenômeno psicológico, na qual este é tomado como uma entidade abstrata que tem, por natureza, características positivas que só não se manifestam se sofrerem impedimentos do mundo material e social. O fenômeno psicológico, visto como enclausurado no homem, é concebido como um verdadeiro eu. 
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A Psicologia Sócio-Histórica entende que estas concepções liberais construíram uma ciência na qual o mundo psicológico foi completamente deslocado do campo social e material. Esse mundo psicológico passou, então, a ser definido de maneira abstrata, como algo que já estivesse dentro do homem, pronto para se desenvolver – semelhante à semente que germina. 
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A visão liberal naturalizou o mundo psicológico, abolindo, da Psicologia, as reflexões sobre o mundo social. 
No Brasil, os teóricos da Psicologia Sócio-Histórica buscam construir uma concepção alternativa à liberal.
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	“ A afirmativa de que o positivismo, na procura da objetividade dos fatos, perdera o ser humano decorreu de uma análise crítica de um conhecimento minucioso enquanto descrição de comportamentos que, no entanto, não dava conta do ser humano agente de mudança, sujeito da história. O homem ou era socialmente determinado ou era causa de si mesmo: socio-logismo vs biologismo? 
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	Se por um lado a psicanálise enfatizava a história do indivíduo, a sociologia recuperava, através do materialismo histórico, a especificidade de uma totalidade histórica concreta na análise de cada sociedade. Portanto, caberia à Psicologia Social recuperar o indivíduo na intersecção de sua história com a história de sua sociedade apenas este conhecimento nos permitiria compreender o homem como produtor da história. (Lane, 1984a, p. 13).”
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Lane produziu uma nova psicologia social, cujo objeto, em vez de "relações interpessoais e influências sociais" , como propunha a psicologia social tradicional
o homem como ser histórico, a dialética entre indivíduo e sociedade, o movimento de transformação da realidade. 
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Compreender 
o indivíduo em relação dialética com a sociedade; 
a constituição histórica e social do indivíduo e os elementos que ex-plicam os processos de consciência e alienação; 
as possibilidades de ação do indivíduo frente às determinações sociais. 
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Caráter histórico das relações sociais. 
As realidades concretas do homem brasileiro e se vale da conceitualização da ideologia como fundamentadora das relações de dominação e da possível conscientização, mediante trabalhos em grupos, para permitir que
os homens se desvencilhem dos poderes hegemônicos.
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Compreender o homem dentro da totalidade histórica, a partir das categorias da dialética (totalidade, contradição, empírico-abstrato-concreto, mediação). 
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Sujeito e objeto estão em relação dialética, portanto não há neutralidade no conhecimento, há sempre uma intenção do sujeito sobre o objeto. Essa intenção é histórica e deve ser considerada. 
Permite trabalhar com a historicidade dos fenômenos e, por isso, contrapõe-se à sua naturalização
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Pensar o fenômeno psicológico como abstrato, súbito, que surge no homem, faz uma psicologia descolada da realidade social e cultural que é constitutiva do fenômeno psicológico. 
É desta “descolagem” que se constitui o processo ideológico da psicologia. 
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Passamos a contribuir significativamente para ocultar os aspectos sociais do processo de construção do fenômeno psicológico em cada um de nós. 
Fazemos ideologia!!!!
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Bock (2003), compreende que a ideologia burguesa marca esse ofício, pois seus diversos tipos de tarefas (Psicologia Clínica; Psicodiagnósticos; Orientação Psicopedagó-gica etc.) foram negados à classe traba-lhadora, e quando se abriam a ela os psi-cólogos utilizavam instrumentos provoca-dores e legitimadores da manutenção do ‘status quo' estabelecido, psicologizando. 
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  a autora comprova que a ciência e a profissão advinda da Psicologia sempre existiu para o controle, a categorização, a higienização e a diferenciação do ser humano, e nesse contexto são poucas “ (...) as contribuições da Psicologia para a transformação das condições de vida tão desiguais em nosso país” (p. 16). 
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As idéias psicológicas servem para a manutenção e incentivação do sistema capitalista, e esse modo econômico impõe a construção e a invenção da subjetividade como a competição desenfreada e o consumismo, egoísmo, cinismo e hipocrisia etc. 
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“A psicologia não tem sido capaz de, ao falar do fenômeno psicológico, falar de vida, das condições econômicas, sociais e culturais nas quais se inserem os homens. A psicologia tem, ao contrário, contribuído significativamente para ocultar estas condições. Fala-se da mãe e do pai sem falar da família como instituição social marcada historicamente pela apropriação dos sujeitos; fala-se da sexualidade sem falar da tradição judaico-cristã de repressão à sexualidade; fala-se da identidade das mulheres sem se falar das características machistas de nossa cultura; fala-se do corpo sem inseri-lo na cultura; fala-se de habilidade e aptidões de um sujeito sem se falar das suas reais possibilidades de acesso à cultura; fala-se do homem sem falar do trabalho; fala-se do psicólogo sem falar do cultural e do social. Na verdade, não se fala de nada. Faz-se ideologia!” (Bock, SD)
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A compreensão da ideologia como dominação aponta o entendimento de uma psicologia social crítica que tende ao compromisso social e à conscientização. Assim, sua maior preocupação não está em formular leis gerais sobre o comportamento social, mas sim, no entendimento das relações de dominação ideológicas e de sua possível saída, através da conscientização.

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