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CCJ0033-WL-A-LC-Crimes de Roubo e Extorsão - Rafael Damaceno de Assis

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CRIMES DE ROUBO E EXTORSÃO
Rafael Damaceno de Assis
1. DO CONCEITO DE ROUBO E NOÇÕES GERAIS:
O crime de roubo se encontra inserido no rol dos crimes contra o patrimônio. Esse crime possui as mesmas características do furto, porém, possui fatores que, agregados ao elemento do tipo subtrair, geram um novo tipo penal. Há no roubo a subtração de coisa alheia móvel, para si ou para outrem, porém com a existência de grave ameaça ou com o emprego de violência contra a pessoa, os fatores que empregados fazem com que haja a entrega da coisa, são as circunstâncias especiais que relevam sua diferença para o furto. Assim ensina Heleno Cláudio Fragoso: "A distinção conceitual entre furto e roubo é que no primeiro a subtração é clandestina; no segundo, o arrebatamento é público e violento". Nesse sentido é a descrição típica do artigo 157 do Código Penal: "Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência. Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa".
A tutela jurídica oferecida pelo tipo penal do roubo é a de acobertar o patrimônio contra terceiros. A essência do crime de roubo é a de ser um crime contra o patrimônio. Porém, convém lembrarmos que este é um crime complexo, conforme elucida Júlio Fabbrini Mirabete: "Tratando-se de crime complexo, objeto jurídico imediato do roubo é o patrimônio. Tutelam-se, também, a integridade corporal, a liberdade e, no latrocínio, a vida do sujeito passivo". A proteção normativa se desdobra em dois planos distintos, porém, de existência vital, pois são feridos dois bens jurídicos distintos. No primeiro ele visa a proteção do patrimônio contra eventual subtração por via da iminência da aplicação da sanção penal que, no tipo em estudo, se revela de alto teor. Em um segundo momento, podemos verificar que há a tutela à manutenção do estado do corpo-humano, zelando ora pela sua integridade física ora pela totalidade da existência da vida humana, evitando que este seja afrontado para obtenção de um bem material de gradação inferior a vida humana, que se encontra no ápice dos bens nos quais o direito tutela, conforme corolário constitucional. 
O crime de roubo é um crime comum, portanto, qualquer um pode ser o sujeito ativo. Porém, quanto ao sujeito passivo não há um liame necessário entre o ato ofensivo e a pessoa que seja seu possuidor, detentor ou proprietário. A violência pode ser utilizada contra um terceiro, com vistas a obter o bem de um outro. Mas ambos serão vítimas do crime de roubo. Edgard Magalhães Noronha tece interessantes considerações sobre o tema: "...pode essa ofensa não recair diretamente sobre o possuidor da coisa, mas como a violência ou ameaça constituem, com a subtração, um todo que corporifica o delito, haverá um sujeito passivo direto da violência ou da ameaça, e um sujeito passivo direto da violação possessória. Os dois serão sujeitos passivos do roubo. Ambos estarão estreitamente ligados pelo objetivo final do agente: a subtração e o apossamento da coisa alheia".
2. TIPO OBJETIVO E SUBJETIVO:
Heleno Cláudio Fragoso anota que: "A execução deve dar-se, porém, mediante violência à pessoa (esforço corporal sobre a vítima), ameaça (violência moral) ou por qualquer meio que reduza a vítima à impossibilidade de resistir (narcóticos, estupefacientes)".
O delito descrito no tipo penal preceitua que a subtração da coisa deve vir jungida com a violência ou a grave ameaça, sendo esta empregada, antes ou depois, contra a pessoa. A conduta deve ser por uma via apta a causar o temor na vítima (sofrimento psíquico), tornando diminuta sua capacidade de resistência à intenção de subtrair, ou impor a ela algum tipo de dor, martírio, que é vislumbrado por meio da violência (sofrimento físico), mas deve ser abstraído o grau da lesão corporal, de lesividade à integridade física que fora empregado, bastando a constrição física.
Damásio de Jesus anota que a violência pode ser de algumas espécies: "própria com o emprego de força física, consistente em lesão corporal ou vias de fato; imprópria com emprego do 'qualquer outro meio' descrito na norma incriminadora, abstraída a grave ameaça; imediata: contra o titular do direito de propriedade ou posse; mediata: contra um terceiro; física: emprego da vis absoluta (força física) e moral com o emprego da vis compulsiva (grave ameaça)".
A ameaça independe de uma gradação, porém, revela-se contumaz, para sua configuração a aparição dos seus reflexos na vítima, gerando a ela, um temor, um medo em relação à sua integridade física. A vis moralis pode aparecer de formas diversas, não exigindo o comando legal uma vinculação a formas específicas de gerar a ameaça. Esta pode se dar por via de gestos, gritos (ameaçando com palavras de matar o ente querido que está no lugar ou apontando a arma para outra pessoa na sala). Essa ameaça de ocorrência de violência deve recair sobre pessoa humana, não podendo de forma alguma ser sobre um objeto. No caso de ser sobre objeto, estaremos, pois, diante de uma necessária desclassificação para o crime de furto qualificado (art.155, § 4º, I do CP. A violência deve ser manifestadamente física, com a utilização de meio apto a lesionar, a causar uma alteração no estado de integridade física da pessoa. A gravidade, o teor da lesão corporal deve ser apreciada para fins de aplicação do princípio da absorção ou não. Sendo a lesão leve, será absorvida pelo roubo, pois, está inserido no tipo, mas, ao revés, se for o dano físico subsumido a forma grave, estaremos defronte a uma qualificadora, conforme o artigo 157, V, § 3º do Código Penal. Porém, se essa lesão for de cunho gravíssimo a conduta será apreciada em crime autônomo na forma concursal com o artigo 69 do Código Penal.
O meio capaz de reduzir a possibilidade de resistência deve ser compreendido como todo aquele que seja apto a tornar diminuta a capacidade de apresentar repulsa a subtração patrimonial. Para a determinação do meio que tenha eficácia para decrescer a vontade de evitar o ilícito deve ser determinado de forma subjetiva, sob a resistência dele ao meio e não submetendo isso a critérios objetivos (homem médio). "Tem-se entendido que devem ser consideradas as condições pessoais da vítima, como vida social, sexo, grau de instrução, idade, saúde, etc". Alguns exemplos podem ser colhidos na doutrina, tais como, sonífero, emprego de drogas, hipnose, intoxicação etílica. Os meios definidos no artigo como garantidores da consumação do delito, que no primeiro momento revela como crime de furto, com o fato agressor da integridade física ou psíquica, sendo agregado e dando a configuração de roubo.
O elemento subjetivo do tipo é o ânimo de ter para si coisa móvel pertencente a terceiros. Essa vontade de subtrair traz consigo o emprego de algumas das formas vinculadas no caput do artigo, sendo exigido o chamado dolo específico. Ou como ponderam César Roberto Bitencourt e Luís Régis Prado: "o dolo e o elemento subjetivo do tipo constituído pelo fim especial de apoderar-se da coisa subtraída, para si ou para outrem".
3. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA:
O roubo é considerado consumado quando a coisa sai completamente do domínio da vítima, ou, como salienta Júlio Fabbrini Mirabete: "O delito de roubo, tal como o de furto, somente se consuma quando a coisa sai da esfera de vigilância da vítima". Mas o crime estará consumado se o agente, tendo a posse calma da coisa, mesmo que por pouco tempo, tendo que se desfazer dela para evitar o flagrante ou a perde durante a perseguição, estaremos diante do delito na sua forma consumada. O lapso temporal em que há a posse tranqüila é irrelevante para a consumação do fato típico. O requisito é a existência dessa posse em algum momento, não precisando desse liame entre a passividade da posse e o tempo decorrido do alcance da posse.
4. ROUBO IMPRÓPRIO:
O roubo impróprio é o cerne do presente trabalho, que encontra base normativa no artigo 157: "Na mesma pena

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