Bens jurídicos - Resumo
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Bens jurídicos - Resumo


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Conceito
Classicação geral
São quaisquer objetos, materiais ou imateriais, que sejam capazes de compor o patri-
mônio de pessoas jurídicas ou naturais, compondo relações jurídicas e criando direitos e
deveres para essas pessoas, sob uma ótica objetiva.
Não são bens jurídicos todas as coisas que, de tão abstratas, não permitem ao direito
classicar como objeto jurídico, como os sentimentos humanos, por exemplo.
Os bens jurídicos criam relações jurídicas, o que gera um dever para o devedor e um
direito ao credor, daí porque se exigir que o bem jurídico, para ser considerado como
tal, deva ser sempre algo lícito, sendo expressamente proibido que um negócio jurí-
dico tenha um objeto ilícito.
Bens considerados em si mesmos: aqueles cuja classicação independe de relação
com qualquer outro.
Bens imóveis: Solo e tudo quanto se lhe incorporar, natural ou articialmente. Pode-
rão ser imóveis por natureza, por acessão ou por determinação legal.
Bens móveis: São os bens que possam ser movidos sem alteração de substância ou
da destinação, o que chama “mobilidade natural”. Poderão ainda ser móveis por de-
terminação legal ou por antecipação, isto é, recebem mobilidade por vontade humana
(ex.: árvore para corte).
Semoventes: Todos os bens que se movimentam naturalmente, sem ação do Homem
(exemplo: gado).
Quanto à Fugibilidade
Possibilidade de ser o bem
substituído por outro de
igual espécie, qualidade,
quantidade etc.
Fungíveis
Exemplo: Notas de dinheiro
Infungíveis
Exemplo: Obra de arte
Bens Jurídicos
Direito Civil
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Quanto à Consuntibilidade
Ser o bem levado ao exaurimento
em decorrência de seu consumo.
Quanto à
Compartilhabilidade
Via de regra, os bens se consider-
am de per si, ainda que reunidos
com os demais.
Natural
Exemplo: Água e alimentos
Singulares
Exemplo: Obra de arte
Jurídica
Exemplo: Bem vendido
Coletivos
De fato
Exemplo: rebanho de gado
De direito
Exemplo: herança
Quanto à Divisibilidade
Possibilidade ou não de se fracion-
ar o bem, sem que lhe haja alter-
ação de substância, valor, uso etc.
Divisíveis
Indivisíveis
Bens reciprocamente considerados
São aqueles que guardam relação de dependência entre si, tornando um principal (bem
que existe sobre si, abstrata e concretamente) e o outro acessório (bem cuja existência
faz supor a do principal.
Atenção! Os bens acessórios podem ser:
Pertenças: destinam-se ao uso, serviço, de modo duradouro. Ex: trator de uma fazenda.
Benfeitorias: ação do proprietário, possuidor ou detentor da coisa para lhe agregar
melhoramento. As benfeitorias podem ser necessárias (conservar a coisa ou evitar
que se deteriore ex. reparo nas colunas de um prédio), úteis (aumentar ou facilitar o
uso da coisa – ex. aumento do estacionamento de um prédio) ou voluptuárias (mero
deleite ou recreio – ex. construção de uma piscina).
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Frutos e Produtos: é fruto aquilo que decorre da coisa sem que haja diminuição ou
transformação do principal, sendo produto dependente da diminuição ou transfor-
mação industrial da coisa principal.
Acréscimos e Melhoramentos Naturais e Administrativos: São naturais aqueles
que ocorrem sem a ação humana, não podendo ser considerados benfeitorias; são
administrativos os oriundos do incremento realizado pelo Poder Público.
Bens públicos
Bem de família
Coisas fora do comérico
São públicos os bens que pertencem às pessoas jurídicas de direito público interno em
domínio nacional, divididos em:
De uso comum do povo: bens de uso coletivo de toda a população. Ex.: ruas, praças.
De uso especial: imóveis utilizados pela administração pública. Ex.: Sede do governo.
Dominicais ou do domínio privado do Estado: móveis ou imóveis sem destinação es-
pecial, que só podem ser alienados em casos especicados em lei. Ex.: imóveis desocu-
pados. Em regra são inalienáveis!
Dupla disciplina legislativa: Código Civil (art. 1.711 a 1.722), que institui o bem de família
voluntário/legal, o qual será escolhido pelo proprietário através de escritura pública ou
testamento; e Lei 8.009/1990, que trata do bem de família legal, sendo este o único
imóvel ou aquele residencial utilizado pela entidade familiar para moradia permanente.
Conceito: Pretende proteger da penhora, ou qualquer tipo de constrição, o imóvel
residencial pertencente a entidade familiar, sendo esta um casal, uma união estável,
monoparental, anaparental, socioafetiva ou até mesmo, conforme Súmula 364, STJ,
os solteiros, os viúvos e os separados/divorciados.
Objetivo: Garantir o direito à moradia, a dignidade da pessoa humana e o mínimo
existencial, inclusive os bens acessórios, excetuados os suntuosos, e as pertenças.
Sua extinção legal só é permitida nos casos previstos no art. 3º da L. 8.009/90.
Conceito: Para Pablo Stolze, são os bens que não podem ser negociados, seja por razão
natural (elementos essenciais da natureza, como o ar; além dos direitos da personalida-
de) ou legal, pela vontade do legislador. Exemplo: Bens de uso comum do povo.