Anatomia do Dente - Carlos Madeira - 5ED

UFMA

Disciplina: anatomia-buco-dental11 materiais

seguidores

  • + 135

Pré-visualização

e triedros*, acentuando-se assim as convexidades
das várias faces.
Para o desbaste consciente do excesso ainda existente, tem-se que determinar
os locais onde nenhum corte pode ser feito. São as áreas correspondentes à
linha equatorial"" e ao maior contorno inciso (ocluso)-cervical nas quatro fa-
ces axiais*.
Começa-se então a esculpir cíngulo, cúspides, fossas, cristas, sulcos e fossetas.
Promove-se ou acentua-se as convergências das faces nos sentidos horizontal e
vertical. Demarca-se a linha cervical e dá-se forma ao início da raiz.
A escultura da face oclusal é iniciada depois que ela já esteja com seu contorno
delineado e as bordas mais ou menos arredondadas. Desta maneira, obtém-se
melhor noção da localização definitiva das cúspides e cristas marginais.
Traça-se na face oclusal linhas que corresponderão ao tamanho e a posição dos
sulcos (Fig. 5-2). Escultura-se com a espátula Lê Cron inclinada em 45°, com o
gume cortando a cera em direção às linhas traçadas. Ao se aprofundar o corte,
as linhas se transformarão nos sulcos e os planos de corte, nas vertentes das
cúspides e nas cristas marginais (Fig. 5-3).
Terminada a escultura da face oclusal, faz-se uma judiciosa análise da peça escul-
pida para que pequenos detalhes sejam acertados ou refeitos. Se se for compa-
rar com um dente modelo, colocam-se ambas as peças sempre nas mesmas
posições e tenta-se perceber o que a natureza fez, sem que fosse bem imitada.
Para completar o acabamento, deve-se remover irregularidades e atingir o bri-
lho final, usando-se pano de seda ou algodão, primeiro seco e depois umedeci-
do em sabão líquido.

• Erros mais comuns
As primeiras esculturas de incisivos e caninos geralmente mostram uma série
de falhas. O estudante sem prática frequentemente comete os seguintes erros:

1. falta de convexidade e de inclinação lingual da face vestibular (a borda in-
cisai fica deslocada vestibularmente e não centrada no eixo do dente);

2. faces de contato paralelas e não convergentes para a cervical (sentido verti-
cal) e para a lingual (sentido horizontal);

3. cíngulo diminuto e cristas marginais não evidentes;
4. dimensão vestíbulo-lingual excessiva no terço cervical e delgada no terço

incisai;
5. colo exageradamente constrito;
6. falta de bossa vestibular (excesso de cera no terço médio e escassez no terço

cervical);
7. excesso de arredondamento do ângulo disto-incisal.



117

Figura 5-2 - Contorno oclusal em cera de premolares (primeiro superior e segundo infe-
rior) e molares (primeiro superior, primeiro inferior e segundo inferior), com a demarcação
de linhas para orientar o início da escultura da face oclusal.

Figura 5-3 - Estágios da escultura da face oclusal de um primeiro premolar superior: a)
contorno oclusal com linhas de orientação (corresponde ao primeiro desenho da Fig. 5-2);
b, c, d, e) escultura das vertentes triturantes e arestas das cúspides vestibular e lingual;
f) escultura da crista marginal e respectiva fosseta.

O treinamento faz com que, a partir da ceroplastia dos premolares, as falhas sejam
menos grosseiras. Mesmo assim, detectam-se as seguintes mais frequentes:

8. cúspide muito arredondada (sem evidenciar arestas e vertentes);
9. contorno oclusal impróprio (ovóide quando deveria ser pentagonal no pri-

meiro premolar superior, "quadradão" nos molares superiores);
10. falta de bossa vestibular e colo muito constrito (para se evitar esta forte

tendência, pode-se deixar excesso de cera ao nível do colo durante o recor-
te e só removê-lo no acabamento);

11. cúspides dos premolares superiores muito próximas ou muito distantes
entre si;

12. cristas marginais muito delgadas;
13. falta de inclinação lingual da face vestibular do molar inferior;
14. face vestibular chapada no molar superior;
15. ponte de esmalte saliente e fora de posição no primeiro molar superior.



ESCULTURA EM CERA DE DENTES ISOLADOS

Considerações finais
As etapas da escultura do incisivo estão indicadas no trabalho sequencial rea-
lizado em seis blocos de cera e mostradas na figura 5-4.
Esta técnica simples de escultura dental para alunos dos primeiros anos com-
pleta seu estudo anatómico. Ela pode ser complementada pela construção de
porções ausentes de dentes naturais danificados por cárie ou fratura. A tarefa
começa com o preenchimento da área faltante com cera derretida em excesso e
continua-se com a escultura das elevações e depressões, para que seja devolvi-
da ao dente a sua formação anatómica original (Figs. 5-5, 5-6 e 5-7). Outras
técnicas mais refinadas poderão ser praticadas em disciplinas mais avançadas
do currículo odontológico.
Modificações da técnica apresentada são as mais variadas. Professores criati-
vos costumam adaptá-la a sua maneira de trabalhar. O que importa é que o
aprendiz se desenvolva o suficiente para esculpir qualquer face de qualquer
dente, com boa proporção e acabamento.
Fazer uma escultura com todos os detalhes bem acabados, de memória, signi-
fica ter desenvolvido habilidade e ter aprendido a anatomia do dente.

Figura 5-4 - Etapas da escultura, conforme especificadas na figura 5-1.



119

Figura 5-5 - Dentes molares
inferiores com a coroa semides-
truída por cárie e preenchida
com cera derretida em exces-
so, para ser esculpida.

Figura 5-6 - Restabelecimen-
to da forma original dos dentes
da figura anterior, pela escultu-
ra de cúspides, sulcos e cristas
marginais que haviam sido des-
truídos.

Figura 5-7 - Os mesmos den-
tes das duas figuras anteriores,
vistos por outros ângulos de
observação.



Apêndice

l Estudo Dirigido l Glossário l índice Remissivo l



123

Estudo Dirigido
Em parceria com
Roelf J. Cruz Rizzolo

CUR.SOOEODONÍUU,
R!BLiCTECA,PROFDR.FRANCISCOaÂi..M'u

Estudo dirigido sobre incisivos superiores
Estudar diariamente e não apenas sob pressão, como
nas vésperas das avaliações. Mas estudar com vontade
(sem vontade é o mesmo que comer sem apetite) e, se
ela estiver sempre distante, tentar transformar-se, tra-
çar metas de aprendizagem, fazer projetos de estudo.

Depois do estudo teórico da anatomia dos incisivos superiores, que introduz e
contextualiza o assunto, nada melhor que desenvolver um estudo prático para
dar realidade ao aprendizado e consolidá-lo. É o procedimento próprio dás
aulas práticas de graduação, em laboratório, contando com material didático
apropriado.
Tenha ou não participado da prática de laboratório em sua faculdade, provi-
denciamos para você este roteiro de estudo prático, individual. Servirá para
complementar aulas assistidas ou para substituir aulas perdidas.
Esteja de posse de alguns espécimes típicos, ilesos (livres de cárie ou fratura),
de incisivos centrais e laterais superiores, para acompanhar e aproveitar bem
este roteiro. Modelos de boa qualidade também servem.

L. Comecemos pelo incisivo central superior (ICS). Segure-o pela raiz, de modo
que a coroa fique para baixo, com a face vestibular de frente para você.
Repare que a coroa é bastante larga, com suas bordas mesial e distai convergin-
do para cervical. Em alguns dentes há pouca convergência e as bordas são qua-
se paralelas. Repare também que a raiz não é longa, mas é bastante robusta. Ela
é pouca coisa maior que a altura da coroa. Outro detalhe: normalmente a raiz
é retilínea, sem (ou com muito pouco) desvio distai.
Pronto; você já fez o primeiro exame do dente pela face vestibular e já reteve na
memória sua forma e contorno. Se quiser fazer um desenho desse contorno,
seu estudo será mais significativo. Vamos agora aos pormenores.

2. Veja a área do colo e examine os lados mesial e distai da junção cemento-esmal-
te. Perceba que o lado mesial é retilíneo e o distai apresenta uma pequena angula-
ção entre a coroa e a raiz. Este fato nos remete a uma característica comum a todos
os dentes, dentre várias outras, explicada na pág. 16, sob a denominação "Desvio
distai da raiz". Ainda que no ICS esse desvio seja mínimo, ele existe e faz com que
o longo eixo da raiz não coincida com o longo eixo da coroa; daí a angulação.



APÊNDICE

3. Passemos a outro detalhe: diferenças entre os lados