Patricio Batsikama   As Origens do Reino do Kongo
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Patricio Batsikama As Origens do Reino do Kongo


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Por exemplo: DIABAKA Diata 
Malembe, isto é, para conseguir (a riqueza) ou para atingir o seu objectivo tem de andar 
ou proceder devagar. ou ainda BATSÎKAMA kadilekanga ko: acordem! Que não morram 
jamais. o portador deste nome foi precedido pelos mortos nascidos e bebés, cuja vida 
tinha alguns dias. Muzabakani: ninguém o pode conhecer ou entender melhor; etc. 
Nome de cargo social: quando alguém está exercer um cargo na vida social, leva um 
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Lômbe ou Mayômbe e pertencia à família das Autoridades. Mvîdi, outra 
forma de Vîli e Manyânga, pertencem, nesta parte, à floresta Mayômbe.
A tradição explica: Mono mbenza. Ntinu Mbênza ye Manyânga (...) 
Mbênza uyâlanga, Ni Mavûngu kayâla ko, ou seja, sou eu Mbênza. o Rei 
Mbênza de Manyânga. eu reino, mas Ni Mavûngu não reina.241.
Começamos por constatar que MBÊNZA ou NtiNU MBÊNZA 
MANYÂNGA está posto em evidência com MAVUNGU. Na verdade, é uma 
ambivalência numa só pessoa. tanto um como o outro é digno de tocar ou 
ornar-se com dentes e pele de leão ou leopardo. Portanto, NtiNU MBÊNZA 
Ye MANYÂNGA desconhece o exercício de poder de Ni MAVÛNGU.
NtiNU MBÊNZA UYÂLANGA significa Chefe Mbênza (Justiça) 
está a governar \u2013 pretérito presente. NtiNU MBÊNZA is GoVeRNiNG 
escreveria um inglês. então, Ni MAVÛNGU KAYÂLA Ko traduz-se por Ni 
Mavûngu, isto é, Não estÁ A GoVeRNAR. De facto, pode-se traduzir Ni 
Mavûngu por não governa, mas a condição diz que ignoremos a primeira 
proposição. Alguns gramáticos podem contra-argumentar-nos e afirmarem 
que a forma mais adequada é MAVÛNGU KAYÂLANGA Ko. obviamente, 
mas numa frase com duas proposições, a repetição de um modo pretérito 
presente (que marca um presente contínuo) já não é necessária. 
os reis nunca deixam de o ser, mesmo mortos. eis o porquê de 
Nzîng\u2019a Nkûwu Ntinu Mbênza, apesar de fazer parte do mundo dos mortos, 
continuar a dirigir. É evidente que \u2013 na forma em que se faz prolixidade \u2013 
Dom João i Nzîng\u2019a Nkûwu Ntinu\u2019a Mbênza, apesar de povoar já o mundo 
dos mortos, continua a ser Rei no pensar dos Kôngo. eis porque, até hoje 
em dia, os da linhagem de NtiNU KÔNGo: «Ntinu\u2019a Kôngo utûkidi kwa 
nome ou título: Mani Kôngo (rei do Kongo), Mani Mbâta (Burgomestre da comuna de 
Mbâta), Ngâng\u2019a Ngômbo (especialista em matéria de divinação), Ngâng\u2019a Nkîsi (espe-
cialista na religião, Padre), etc.
Nome da iniciação: tanto os homens como as mulheres passam pela iniciação de puber-
dade ou outras. em cada iniciação, recebem certos nomes. Quem se chama NKosi não é 
leão, porque este NKosi leva outro sentido.
Nome da cidadania: Mukôngo podia viajar longe da sua localidade sem levar com ele 
muitas provisões. Bastava-lhe, simplesmente, uma faca e um pouco de cola. Quando 
anoitecesse, apresentar-se-ia na aldeia mais próxima. Aqui ele não utilizaria o nome de 
nascimento porque ninguém o reconheceria por irmão ou parente. então, utiliza nomes 
como NZÎNG\u2019A NKÛWU, MPÂNZU\u2019e LAWU, VÎt\u2019A NKÂNGA, LUKeNi LWA MVÊM-
BA, MVÊMB\u2019A NZÎNGA, etc. estes nomes são o conjunto dos patrónimos (nomes dos 
zi-vila) da mãe e do pai. o da mãe vem sempre em primeiro lugar. salientamos que esse 
nome pode ser composto por dois ou mais elementos patronímicos: pode ser dois ou 
mais de uma dezena.
241 Cuvelier J., Nkutama mvila za makanda, p.21
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Avîdi\u2019a Lwângu, kuna Ngôyo»242, ou seja, o rei do Kôngo vem do país dos 
Vîli a Lwângu, mais precisamente do Ngôyo. tal como indicam as nossas 
humildes análises, a questão parece exclusivamente do rei Nzîng\u2019a 
Nkûwu.
iii
ÁRVORE DE ASCENDÊNCIA
NZiNG\u2019A NKÛWU NtiNU\u2019A MBeNZA Ni MAVÛNGU MViDi\u2019A 
VÛNGU MBÊNZA Ye MANYÂNGA é nome de cidadania/cargo social. 
Logo, é um documento evidente a fim de explicar a ascendência.
em princípio, é da família (luvila) kinzinga desde as suas mães (da 
mãe á avó, da avó às bisavós e trisavós, etc.). Pertence, no entanto, à família 
de kinkûwu desde o seu pai e às mães deste último.
Ngôyo, sendo a sua origem directa e pertencente à família das 
autoridades, seria descendente de Nkânga (Nzîng\u2019a Nkânga) ou, ainda, de 
Ne Nkânga. Como veremos nos próximos capítulos, o pacificador deste país 
de Lwangu foi MPÂNDA MVÂNGi, chamado Ne-Nkânga. Não obstante 
entre Ne Nkânga e MBÎNDA MVÂNGi (outra autoridade do Kôngo, um 
dos Heróis de Lwângu, Ngôyo, mais especificamente) assim informam as 
significações destes nomes, passou-se uma época (época em Kôngo inclui 
várias gerações): porque Nkânga é pacificador e Mbînda caçador vem 
continuar a realização deste MVÂNGi ou MPÂNDA MVÂNGi. ora, de 
acordo com os elementos textológicos inerentes às fases civilizacionais de 
Lwângu243, mvângi parece sequência semântica de nkânga. Caçador insinua 
a introdução de uma cultura (de caçador) que não existia anteriormente. 
De Mbînda surgiu Mbênza (justiça), porque não só as insígnias da justiça 
são instrumentos dos caçadores (lança, faca, etc,) mas também as anedotas 
confirmam que entre os caçadores se passa a justiça espontânea. Assim, 
entre eles, a justiça é algo normal244. Por outro lado, as significações de 
242 Cuvelier J., idem, p.78. Desde então, os Kôngo acreditam não só que os Reis de Mbân-
za-Kôngo vêm do Norte (Lwângu), mas também todo o povo Kôngo. eis o porquê de 
CHARi! Razão pela qual, Jean Cuvelier, um dos autores mais escutados em matéria do 
antigo Reino do Kôngo, escreve que «Lwângu foi a origem de todos os Reis do Kôngo 
que precederam Nzing\u2019a Nkûwu». Ver Congo ii, nº 4, 1930, p.474, o artigo intitulado 
«traditions congolaises»
243 Lethur, Etude sur le royaume de Loango et le Peuple Vili, Ngônge, Kinshasa, 1960.
244 «Leopardo e caçador»: o leopardo morreu por se ter deixado levar pela ambição de 
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Nkûwu, Nkûwu\u2019a Nsûngu, precedidos por Vûzi dya Nkûwu fazem entender 
as vicissitudes conhecidas, não só na pacificação de Lwângu, mas também 
até no reino inteiro, tendo um afluxo oriundo do Norte para o sul, em 
relação ao rio Mwânza.
Ne Nkânga quer dizer pacificador; Mpândi\u2019a Mvãngi é herói 
civilizador245, como Mbînda Mvângi (aqui, a civilização é da caça, 
simbolizado pelos instrumentos utilizados). ora, estes dois últimos nomes 
(Vûzi dya Nkûwu e Nkûwu\u2019a Nsûngu) insinuam que «da pacificação à 
civilização» parece ter sidas estabelecidas inúmeras leis e normas entre o 
povo na gerência pública.
Por seu lado, a tradição oral coloca o passado e o presente no 
mesmo abismo. Por exemplo, entre os primeiros Vûzi dya Nkûwu e os 
primeiros Nkûwu\u2019a Nsûngu, passariam os grupos de Ne Nkânga e Ne-
Nzînga \u2013 de diferentes nomes, quer de cidadania (Nzînga), quer de cargo 
social (Ne Nkânga) \u2013 mas, nesta época, imortalizou-se apenas NZÎNG\u2019A 
NKÂNGA. todavia, fica muito difícil explicar quantas autoridades se 
sucederam realmente a este Nzinga\u2019 Nkânga, porque NtU\u2019A NKÔsi\u2019A 
LWÂNGU\u2019A KÔNGo, NGÔMBe Zi KÔNGo, MFULAKAZi ZA KÔNGo, 
etc., são produtos das novas instituições estabelecidas e depois inseridas 
de Lwângu a Mbânza-Kôngo (de acordo com a leitura diacrónica em 
congruência com os repertórios). As relações sociológicas entre essas 
linhagens confirmam o facto, tendo em conta o espaço entre Lwângu/
Mbânza-Kôngo na sua literatura histórica. Aliás, querendo entender estes 
títulos, o primeiro Nkuwu\u2019a Ntinu parece preceder Nsaku Ne Vunda que 
estabeleceu, a Mbanza-Kôngo, outra instituição.
se bem que é fácil reconhecer as transformações de muitas palavras, 
ainda ausentam muitos contributos a fim de a filologia em Kikôngo 
proceda ou facilita a provável datação. No caso de NZiNGA NKUWU, 
podemos somente dizer que uma longa lista das autoridades sucederia 
a Ngôyo e, simultaneamente, a Mbânza Kôngo antes dele. NDÛMBU\u2019A 
NZÎNGA, MBÊNZA MANYÂNGA e MFULAM\u2019A NKÂNGA reinaram no 
país de Lwângu, a Ngôyo. ora, esses antropónimos confundem-se entre 
pessoas e grupos de pessoas, usando títulos sociais. e a Mbânza-Kôngo 
aumenta-se a ascendência
André
André fez um comentário
Gostaria do pdf desse livro. Tem como me disponibilizar?
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