A prova é a testemunha
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A prova é a testemunha


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seis ou oito policiais 
poderiam ter entrado no apartamento antes da chegada da 
dra. Renata. Ela responde que pelo menos dois verificaram 
se havia de fato um ladrão, conforme informado pelo réu, 
mas que não sabia exatamente o número, e que o advogado 
teria de perguntar para a Polícia Militar. Podval cita uma 
resolução sobre locais de crime em que se estabelece ser 
obrigatório anotar o nome do policial militar que faz a 
preservação e o que é relatado. Renata diz que conhece a 
resolução da Secretaria de Segurança, mas que segue as 
portarias da Delegacia-Geral de Polícia, e diz que está 
anotado quem preservou, mas não quem entrou antes. 
Agora Renata é questionada se, quando viu o corpo da 
vítima na Santa Casa, ela estava despida. Responde que sim 
e 
confirma as lesões que já havia relatado. 
Podval pergunta à delegada em que momento viu Alexandre 
Nardoni pela primeira vez. Ela diz que foi depois que 
esteve 
na Santa Casa, durante a madrugada; ainda não havia 
amanhecido. Depois confirma que ele ficou o dia inteiro na 
delegacia. 
A defesa questiona por que foi pedido, já naquele momento, 
que o pai e a madrasta fossem ao IML, fizessem exame 
toxicológico e de DNA. "Como uma vítima vai a delegacia e 
é levada ao IML para fazer exame de DNA? A senhora, 
naquele momento, queria constatar se o sangue era dele, era 
essa a razão?" O juiz interrompe, dizendo: "O senhor 
mencionou a vítima, doutor. A vítima estava falecida". 
Podval se corrige: "Desculpe, todos são vítimas nessa 
fatídica 
história. Por que é que o Alexandre e a Anna Carolina foram 
encaminhados para fazer o exame de DNA?" 
Renata explica que, quando se depara com um crime de 
autoria desconhecida, pede exames de qualquer pessoa que 
se relacione com a vítima, como da mesma forma que, por 
exemplo, em crimes de arma de fogo, o residuográfico. 
Podval pergunta: "Mas a senhora já tinha dúvidas naquele 
dia?" Ela responde que pede os exames antes mesmo de 
saber se vai utilizá-los diante de novas informações. "Mas 
mesmo o de DNA?", questiona o advogado. "Todos os 
exames", responde a delegada. 
Podval, visivelmente insatisfeito com a resposta, muda de 
assunto. Pergunta se Renata conversou de maneira informal 
e em separado com os réus antes de formalizar a oitiva de 
seus depoimentos. Ela esclarece que conversou primeiro 
com Alexandre, pois Jatobá chegou depois dele, e que, sim, 
o casal estava na sala. Ele pergunta novamente: "Não falou 
com ele sozinho?" A delegada responde que não se lembra, 
mas tenta refazer seu cronograma de ações. "A gente estava 
tentando entender o que tinha acontecido." Ressalva que o 
pai de Alexandre esteve sempre presente. 
Nesse momento, o pai de Alexandre ri de forma irônica e 
fala para sua filha entre cochichos: "Olha como ela mente!" 
Podval quer saber agora se o sr. Antônio não teria chamado 
os advogados porque ouvira gritos dentro da sala em que o 
filho estava. Renata responde que ele nunca falou isso. 
O tema agora passa a ser a ida "informal" de Jatobá ao 
próprio apartamento, acompanhada de um investigador, 
onde se encontrou com Renata Pontes, que já estava lá. A 
resposta: "Diligências que a gente faz rotineiramente". 
Explica que não tem conhecimento da proibição de Jatobá 
ter contato com outros ou de ter sido levada coerci- 
tivamente para essa diligência. 
Podval: "Quem estava no apartamento quando ela chegou?" 
Renata: "O delegado seccional João Rosa, o dr. Calixto, eu 
mesma, o investigador que me levou até o local, dois 
legistas 
que já haviam saído, o perito Sérgio e uma fotógrafa". 
Podval: "Algum advogado estava no apartamento?" 
Renata: "Não". 
O dr. Podval faz as perguntas de forma quase teatral, 
sempre 
apontando com uma caneta, e depois rabisca aquelas que já 
fez e as que parecem não ser mais interessantes. A 
inquirição continua; Jatobá teria ido de viatura até lá, 
mas a 
delegada não sabe se essa viatura era caracterizada ou não. 
Explica novamente as discrepâncias que os legistas 
encontraram entre corpo e texto, e por isso estavam ali. 
Podval pergunta então como se deu a liberação do 
apartamento, e a delegada responde que Sérgio, o perito, 
liberou o local no domingo pela manhã e as chaves foram 
entregues à família. 
Podval pergunta se Antônio Nardoni teria telefonado para 
ela, mesmo com o apartamento já liberado, para informar 
que iria até lá buscar roupas. Ela responde que, com ela, 
não 
falou. O advogado também ressalta o fato de ele ter 
encontrado dois investigadores no apartamento, mas ela 
rebate: "Eu não requisitei a chave do apartamento de volta 
em momento algum!" Explica que os advogados entregaram 
a chave a ela porque não podiam ficar acompanhando todos 
os trabalhos ali. 
O júri é interrompido por um celular que toca na sala. O 
juiz 
fica muito irritado e fala que, da próxima vez que isso 
ocorrer, vai pedir para a pessoa ser retirada do plenário. 
Ainda sobre as chaves, Podval pergunta se o reagente 
Bluestar foi usado nelas para saber se havia sangue. Renata 
alega que usar o reagente nas chaves não levaria a 
conclusão 
alguma na investigação, porque ficaram pelo apartamento e 
poderiam ter encostado em qualquer lugar, portanto essa 
não era uma informação útil. "Eu nem sei se me entregaram 
a chave original ou uma cópia dez dias depois." 
Podval diz que ela argumentou que a chave poderia ser o 
objeto que causou a lesão. Renata explica da seguinte 
maneira a situação: o resultado seria inconclusivo; 
qualquer 
que fosse continuaria a probabilidade de ser a chave, dando 
positivo ou não. Podval insiste no fato de não ter sido 
feito o 
exame na chave, e o juiz interrompe, dizendo que a 
testemunha já havia respondido que a chave fora citada a 
título de exemplo. 
Renata continua, dizendo que a chave era um objeto 
comum da residência, não seria estranho ter DNA ali. 
Podval pergunta se o exame foi feito na quina da mesa; a 
delegada responde que não era compatível com o ferimento. 
E anel? Não foram periciados. Renata volta a explicar que 
no 
boletim de ocorrência citou a quina da mesa genericamente, 
porque não sabia o que havia causado o ferimento, mas 
depois o legista explicou que essa não era uma maneira com- 
patível de causar aquele ferimento. 
É interessante a maneira de Podval inquirir a testemunha, 
porque lhe dá oportunidade de falar muito; e ainda, com 
tantas citações ao nome Ana Carolina, o dr. Cembranelli 
pede que se esclareça de qual delas estão falando. Estão 
falando de Jatobá e sobre sua ida ao apartamento, onde ela 
teria visto todos tomando café em sua sala. Renata explica 
que uma vizinha, esposa do subsíndico, fez café e serviu a 
eles em duas oportunidades, e que inclusive na reprodução 
simulada foi utilizada uma sala no térreo. Podval diz que é 
mentira, e Renata, irritada, diz que ninguém usou a 
cozinha. 
Cita então o nome da vizinha que teria servido o café, e 
Podval emenda: "Café tomado dentro do apartamento! 
Vocês estavam de pé, sentados..." Renata responde que não 
se recorda e também emenda: "Ninguém viu tevê no 
apartamento, a gente discutia os fatos". 
A Defesa pergunta se a perícia trabalhou posteriormente a 
esse domingo com o reagente no local dos fatos. Renata diz 
que sim, mas que poderia ser dez anos depois, que o 
resultado seria o mesmo. 
Podval pergunta se havia ovos de Páscoa no apartamento de 
Anna e Alexandre. Ela responde que o dr. Ricardo abriu o 
armário para verificar o notebook e viu ovo de Páscoa. Mas, 
antes mesmo de