CCJ0043-WL-C-AMMA-15-John Rawls e Dworkin
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DisciplinaFilosofia Geral e Jurídica955 materiais9.351 seguidores
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há mais de um princípio válido que poderia ser invocado. Ou poderá ocorrer a ausência de princípios válidos para o caso.
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AULA 1
NOME DA DISCIPLINA
Ronald Dworkin: a questão dos princípios 
CURSO DE DIREITO
AULA 6
Vamos ver mais um exemplo?
Imagine-se vivendo em um país em que a Constituição garanta direitos básicos incluindo a proteção às mais diferentes formas de ação autônoma. Num dos Estados integrantes desse país emite-se uma lei segundo a qual a vida é sagrada, proibindo-se o aborto, salvo nas hipóteses para salvar a vida da gestante.
Pergunta-se: esta lei poderia ser declarada inconstitucional? Há uma garantia constitucional para as ações autônomas, logo fere o direito da mulher de livremente decidir sobre questões que afetam diretamente o seu corpo.
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AULA 1
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Ronald Dworkin: a questão dos princípios 
CURSO DE DIREITO
AULA 6
Esta lei não estaria ferindo a autonomia concedida pela Constituição? Como um Juiz desse Estado poderia decidir na hipótese de uma cidadã solicitar autorização para o aborto, fundamentando seu pedido em princípios constitucionais e argumentando que o feto é portador de doença gravíssima.
O direito a escolha autônoma 
X 
o direito à vida do feto
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AULA 1
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Ronald Dworkin: a questão dos princípios 
CURSO DE DIREITO
AULA 6
Para Dworkin, a essência do direito depende de uma hermenêutica. As leis são vagas e sempre haverá espaço para livre interpretação. 
Como se decide uma questão controvertida? 
Direito é um fenômeno político
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AULA 1
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Ronald Dworkin: a questão dos princípios 
CURSO DE DIREITO
AULA 6
Normas, diretrizes e princípios:
A crítica de Dworkin ao positivismo se fundamenta na distinção entre normas, diretrizes e princípios. O positivismo é normativo e se limita às normas.
Diretrizes = são objetivos sociais que devem ser alcançados e que são considerados socialmente benéficos.
Princípios = fazem referência à justiça e à equidade.
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AULA 1
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AULA 6
No que se refere às normas, são aplicáveis ou não. Os princípios oferecem razões para decidir num determinado sentido. Estes fornecem um conteúdo às normas de maneira que a sua literalidade poderá ser desatendida quando violar um princípio que, no caso específico, se considera como importante.
Dworkin observa um raciocínio jurídico (moral) que invoca e utiliza princípios (morais). E assim assinala que a experiência jurídica constituída por normas, diretrizes e princípios é suficiente para dar uma resposta adequada a um caso difícil (FARIA, 2009).
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AULA 1
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Dworkin utiliza-se do termo princípio para indicar o conjunto de padrões que não são regras, e, por vezes, faz uma distinção entre princípios e políticas (FARIA, 2007, p. 33).
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Denomino \u2018princípio\u2019 um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou equidade ou alguma outra dimensão da moralidade. 
Denomino \u2018política\u2019 aquele tipo de padrão que estabelece um objetivo a ser alcançado, em geral uma melhoria em algum aspecto econômico, político ou social da comunidade [...]
Os argumentos de princípio são argumentos destinados a estabelecer um direito individual; os argumentos de política são argumentos destinados a estabelecer um objetivo coletivo. Os princípios são proposições que descrevem direitos; as políticas são proposições que descrevem objetos\u201d (DWORKIN, 2007, p. 36 )
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A aplicação de tais princípios não é automática, exige o raciocínio jurídico integrado em uma teoria coerente, construída para que possa oferecer uma resposta correta.
Assim, sustenta que na hipótese de lacunas ou contradições, o juiz não tem liberdade porque está sendo determinado por princípios que não se confundem com pseudo regras.
Para ele, a discricionariedade comprometeria os direitos individuais (CALSAMIGLIA, 1984).
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Segundo Renato L. M. de Faria, em nosso país os princípios fazem parte do ordenamento jurídico e estão submetidos axiologicamente à sociedade política, o que dá maior força ao argumento de Dworkin (2009, p 34).
ATENÇÃO
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A distinção entre os princípios e regras é de natureza lógica. As regras são aplicáveis ou não. São válidas ou não. Os princípios, como são uma aproximação entre o direito e a moral, teriam lugar na resolução dos casos difíceis (FARIA, 2009, p. 35)
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Qual seria a função da teoria do direito para Dworkin?
 
A função de reduzir a incerteza do direito. Teria, assim, um aspecto descritivo e prescritivo, não apenas vinculado ao conhecimento do que é o direito, mas para auxiliar o juiz.
Nas hipóteses de casos difíceis permite que o juiz decida com fundamento racional. A teoria se afigura como fundamento de validade das teses de uma resposta correta a um caso.
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Por isso, Dworkin retomou os casos difíceis para mostrar que sua teoria é capaz de justificar e explicar tais situações, afastando-se da tese de Hart da discricionariedade do juiz. 
Dworkin entende que os juízes não estão legitimados a legislar nos casos difíceis. Deve-se exigir que busquem critérios a partir de teorias que justifiquem a decisão. Devem recorrer aos princípios ( sem considerar uma hierarquia entre eles). Sendo certo dizer que são princípios dinâmicos, mudam com grande rapidez (CALSAMIGLIA, 1984).
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Como observa Calsamiglia (1984, p.17) no prólogo da obra de Dworkin, \u201cA garantia dos direitos individuais é a função mais importante do sistema jurídico. O direito não é nada além de um dispositivo que tem como finalidade garantir os direitos dos indivíduos frente às agressões da maioria e do governo\u201d.
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O que Dworkin sugere quando há conflitos entre princípios?
Dworkin reconhece a possibilidade de conflitos em sociedades pluralistas, mas sustenta que em tais hipóteses não se deve deixar ao arbítrio de um juiz. Neste caso deverá prevalecer aquele que tenha maior força de convicção. A tarefa do juiz será a de justificar racionalmente o princípio eleito para se alcançar a resposta correta.
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AULA 1
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Qual o modelo judicial de Dworkin?
É o denominado de \u201cmodelo da resposta correta\u201d em que o juiz carece de discricionariedade. Neste modelo a resposta corresponde à teoria que é capaz de justificar da melhor forma os materiais jurídicos vigentes.
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AULA 1
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Quais os problemas que este modelo poderia evitar?
1 \u2013 que o juiz se afigure como legislador;
2 \u2013 é compatível com a separação dos poderes, evita que o juiz se afaste da função de garantidor de direitos;
3 \u2013 se afasta do modelo silogístico em que o Juiz tem uma tarefa lógico-mecânica (subsumir um caso a uma