A UTILIZAÇÃO DE DERMOCOSMÉTICOS NAS DISFUNÇÕES ESTÉTICAS DURANTE A GRAVIDEZ . PRONTO
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A UTILIZAÇÃO DE DERMOCOSMÉTICOS NAS DISFUNÇÕES ESTÉTICAS DURANTE A GRAVIDEZ . PRONTO


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esteticistas, cosmétologos têm buscado estudar conjuntamente a 
eficácia e os efeitos tóxicos de produtos tópicos destinados ao tratamento e/ou 
prevenção da acne, discromias, envelhecimento precoce, ressecamento da pele e 
outras dermatoses inestéticas, e principalmente seu efeito durante a gravidez 
para combater essas dermatoses (LEONARDI, 2004). 
Em 1979, a FDA (Food and Drug Administration) propôs uma classificação 
para avaliar o risco fetal. São consideradas cinco categorias designadas pelas 
letras A, B, C, D e X, em ordem crescente, conforme o grau de risco e 
considerando o primeiro trimestre de gestação. 
Tabela 1- Categorias FDA (1979) relativas à gravidez. 
Categoria Descrição 
A Medicamentos e substâncias em que os 
estudos controlados em mulheres não 
têm mostrado risco para o feto durante 
o primeiro trimestre de gestação. 
B Os estudos realizados em animais não 
indicam que a substância oferece riscos 
para o feto, mas não há estudos 
controlados em humanos que mostrem 
efeitos adversos sobre o feto. Também 
se aplica aos medicamentos nos quais 
os estudos em animais mostraram 
efeitos adversos sobre o feto, mas os 
estudos controlados em humanos não 
demonstraram riscos para o feto. 
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C Os estudos em animais mostram que 
esses medicamentos podem exercer 
efeitos teratogênicos ou é tóxico para 
os embriões, mas não há estudos 
controlados em mulheres ou não há 
estudos controlados disponíveis em 
animais nem em humanos. 
D Existe evidência de risco para os fetos 
humanos, mas deve ser avaliado o 
risco/benefícios em certas situações. 
X Os estudos em animais ou humanos 
têm demonstrado que o medicamento 
causa alterações fetais ou há evidência 
de aumento no risco para o feto com 
base na experiência em humanos ou 
ambos. O risco é maior do que qualquer 
benefício. 
Fonte: Modificado de Mendes & Figueiredo, 2000. 
Os dermocosméticos são produtos que atuam em camadas mais profundas 
da nossa pele e são capazes de mudar fisiologicamente algumas ações, 
melhorando o aspecto físico da mesma (GONZÁLEZ, 2002). Por isso, é 
extremamente importante para o médico conhecer o que está prescrevendo à 
gestante, os potenciais riscos ao feto e optar pelo melhor benefício sem 
proporcionar risco fetal, pois no desenvolvimento de novas drogas, geralmente 
não são realizados testes em mulheres grávidas. Como consequência, a 
segurança no uso da maioria dos medicamentos em gestantes não foi 
devidamente avaliada (ISIC, 2016). 
Assim como alguns medicamentos não devem ser utilizados na gravidez, 
alguns cosméticos também possuem ingredientes que podem ser prejudiciais à 
saúde do bebê e da gestante. Podemos citar alguns despigmentantes, como a 
hidroquinona e o ácido retinóico, muito utilizados em produtos para 
antienvelhecimento da pele e clareadores do rosto. Ambas as substâncias, em 
estudos com animais, tiveram como consequência a má formação do feto 
(COUTINHO, 2012). 
2.2 ALTERAÇÕES ESTÉTICAS 
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A acne é uma patologia de origem multifatorial. Na gestação, a secreção 
sebácea tende a aumentar no último trimestre da gravidez, em um período em 
que os estrógenos, que suprimem a atividade sebácea, estão aumentados. 
Acredita-se que o fator estimulante venha da hipófise. Durante a lactação, a 
secreção estimula a secreção de prolactina, que pode estimular as glândulas 
sebáceas diretamente ou aumentar a resposta delas aos andrógenos (CUCÉ, 
2001). 
A gestante pode desenvolver acne pela primeira vez, como pode agravar 
uma acne pré existente por influência hormonal e fatores ambientais (REZENDE, 
2006). Segundo Kede (2009), para combater a acne e desenvolver um bom 
cuidado com a pele, orientando o uso de bloqueadores solares livres de óleos e 
sabonetes suaves ou substâncias para limpeza facial livres de sabão na 
higienização da face. Além disso, deve-se evitar o uso demaquiagem ou qualquer 
cosmético comedogênicos durante a gravidez. 
Para a prevenção e tratamento da acne, é necessário atuar em vários 
fatores causais. É fundamental considerar a higienização da pele, porém sem 
excessos para não irritar, adequar o pH dos sabonetes, evitando os mais 
alcalinos, selecionar produtos tópicos menos comedogênicos e aplicar drogas 
somente quando prescritas por médicos especialistas (AZULAY, 2009). 
A combinação de diferentes drogas pode ser também recomendada. No 
período gestacional esta última conduta torna o problema mais relevante tendo 
em vista à contra indicação de drogas mais eficazes, como a tretinoína e 
isotretinoína. Essas drogas, bastante difundidas nos últimos anos, são 
teratogênicas. Seu uso, em mulheres em idade fértil, exige rigoroso controle na 
prevenção da gravidez (AZULAY, 2009). 
Dentre as alterações pigmentares, que são as mais frequentes, a 
hiperpigmentação (melasma ou mancha gravídica) é a mais evidente alteração de 
pigmentação na gravidez. Apresenta-se como uma mancha acastanhada que 
afeta, sobretudo os latinos e asiáticos (SABATOVICH, 2010). 
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O melasma pode ser prevenido restringindo-se a exposição solar excessiva 
e utilizando-se filtros solares potentes. O uso de fotoprotetores químicos ou físicos 
durante a gravidez é de grande auxilio na prevenção de manchas (MAIO, 2004). 
Para o tratamento da hiperpigmentação facial, é possível a utilização de 
despigmentantes, que atuam diretamente na região discromica hiperpigmentada e 
não são contra indicados durante o período gestacional, visto que as manchas 
surgem, em geral, já no segundo trimestre (ZANINI; PASCHOAL, 2004). 
Tanto em mulheres de pele clara como escura pode haver regressão parcial 
ou completa do escurecimento que ocorre, gradualmente, logo após a gravidez. 
Entretanto, alguns autores comentam que o quadro tende a regredir no pós-parto, 
mas a pele, geralmente, não retorna à coloração inicial, o que pode ser motivo de 
angústia para muitas gestantes (VARELLA, 2005). 
As estrias aparecem entre o sexto e o sétimo meses de gravidez e, em 
aproximadamente, 90% das grávidas (Vergnanini, 2006). Nas gestantes, as 
estrias ocorrem em mais de 70% das pacientes (Kede, 2009). E são encontradas 
mais comumente no abdome, no quadril, nas nádegas e nos seios (SALLET, 
2003). Se as estrias surgirem durante a gravidez, o tratamento só poderá ser 
iniciado quando os níveis hormonais regredirem até aos níveis anteriores à 
gravidez (GUIRRO, 2004). 
Sabendo-se que parte da elasticidade da pele é dada pela quantidade de 
água no estrato córneo. A utilização de hidratantes durante a gestação é de 
fundamental importância devido ao aumento da distensão da pele nesse período, 
auxiliando na prevenção da formação de estrias (KEDE, 2009). 
É indicado que a mulher aplique o creme pelo menos duas vezes ao dia, a 
gestante deve usar formulações que contenham uréia, vitamina E, lanolina e 
óleos, sendo que apenas os óleos não previnem de forma eficaz. É contra 
indicada a hidratação dos mamilos, pois a pele dessa região deve estar mais 
endurecida para suportar a sucção do bebê na amamentação (SALLET, 2003). 
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Tabela 2 - Principais drogas utilizadas na gestação, destacando-se as 
restrições de uso de acordo com os possíveis efeitos para o feto e para o 
lactente. 
Agentes Classe 
FDA 
Restrição de uso de acordo com a 
toxicidade para o feto 
Restrição de 
uso de acordo 
com a 
toxicidade para 
o lactente 
DESPIGMENTANTES 
Hidroquin
ona 
C Quando administrada até 300 mg/kg 
não é tóxica para a formação do feto 
Não se 
recomenda 
Arbutin * Não apresenta nenhuma toxicidade, 
não causa irritação e praticamente 
nenhuma reação de hiper 
sensibilidade 
Uso controverso 
Ácido 
ascórbico 
* Uso
marinalva
marinalva fez um comentário
muito bom. me ajudou bastante.
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