Melhoramento genético aplicado a produção animal   Jonas Carlos Campos Pereira
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Melhoramento genético aplicado a produção animal Jonas Carlos Campos Pereira


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= 0,25
O terceiro passo é determinar o grau de parentesco dos pais de Y, A e B,
corrigido para o coeficiente do consangüinidade do indivíduo comum C. Tem-se
então:
RAB = 0,25(1 +0,25) = 0,3125
O coeficiente de consangüinidade de Y (FY), será:
Há casos de pedigrees mais complexos. Para estes casos, o método das
covariâncias ou uso de programas de computação adequados tornam os
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J
J
cálculos simples e precisos. Metodologias modernas de avaliações genéticas
permitem incluir a matriz de parentesco entre os animais e as relações genéticas
entre estes podem ser individualmente quantificadas.
3. Cálculo da consangüinidade usando-se o método das covariâncias
Este método, também conhecido como do parentesco, tem como regras
básicas as seguintes condições:
a) Ordenar os indivíduos do pedigree segundo a ordem decrescente da idade,
ou seja, os mais velhos primeiro;
b) A covariâncía (r) de um indivíduo com o outro é sempre feita do indivíduo
mais velho com os pais do mais novo;
c) A covariância de um indivíduo com ele próprio é, a priori, igual a unidade,
desde que este não seja consangüíneo. Se o indivíduo for consangüíneo, a
covariância dele será igual a 1,0 mais a metade do grau de parentesco dos
seus pais;
Quando a covariância é feita entre dois indivíduos da mesma geração esta é
dada pela covariância de um com os pais do outro, não importando a ordem.
Exemplo: a covariância dos indivíduos A e B é igual a covariância de A com
os pais de B, ou, reciprocamente, a covariância de B com os pais de A. Os
resultados são idênticos;
Confeccionar, após a efetivação dos cálculos das covariâncias, uma tabela
d)
e)
de parentesco onde todos os indivíduos do pedigree estão incluídos.
Seja o exemplo:
) SALYAN
) O
rGG = 1 + FG = 1 + O + 1,0 = 100%
rGc=^(rGc) = ^(0) = 0
rcc =1 + FC =1 + 0 = 100%
rGF=1/2(rG G + rG C ) = 1/2(1 + 0) = 1/2
rGD=1/2(rGD) = 0
rGE=1/2(rGC+rGF) = 1/2(0+ 1/2) = 1/4
rGB=1/2(rG C+rG E) = 1/2(0+ 1/4) = 1/8
= 1/2(rGC+rGD) = 1/2(0 -
rG i=1/2(rG A+rG B) = 1/2(0+ 1/8) = 1/16
rcc = 1 + Fc = 1 + O = 1,0 = 100%
r C F =1/2( r c c +r C G ) = 1/2(1 + 0) = 1/2
r C E =1/2( r c c +r C F ) = 1/2(1 + 1/2) =3/4
rCB=1/2(rcc+rcE) = 1/2(1+ 3/4) = 7/8
rCA=1/2(r c c+rC D ) = 1/2(1 + 0) = 1/2
r c l=1/2( rC A+rC B ) = 1/2(1/2+ 7/8) = 11/16
rFF =1 + FF =1 + 0 = 1,0 = 100%
rFE = 1 /2(rFC + rFF) = 1 /2(112 +1) = 3/4
rFB = 1 /2(rFC + rFE) = 1 /2(112 + 3/4) = 5/8
rF A=1/2(rF C+rF D) = 1/2(1/2 + 0) = 1/4
rF, = 1 /2(rFA + rFB) = 1 /2(1 /4 + 5/8) = 7/16
246 T
Tabela 12
G
C
F
D
E
B
A
I
G
1,0
.5 - Relação
C
0,0
1,0
de parentesco
F
1/2
1/2
1,0
D
0,0
0,0
0,0
1,0
entre os
E
1/4
3/4
3/4
0
1,0
animais
B
1/8
7/8
5/8
0
1.0
11/8
A
0,0
1/2
1/4
1/2
3/8
7/16
1,0
I
1/16
11/16
7/16
1/4
11/16
29/32
23/32
7/32
Vantagens da Consangüinidade
1. A consangüinidade, pelo aumento da homozigose, permite "apurar"
geneticamente os animais, sendo importante para fixação e refinamento do
tipo desejado.
2. O aumento da homozigose ocorre tanto para genes dominantes como para
recessivos. Quando a homozigose ocorre para genes dominantes os
indivíduos assim obtidos, quando acasalados com outros não
consangüíneos, tendem a imprimir, com maior intensidade, suas
características e isto é chamado de prepotência.
3. Permite a seleção mais eficiente pela separação da população em famílias
diferentes, facilitando a eliminação das piores.
4. Forma linhagens consangüíneas distintas que quando acasaladas entre si
contribuem para aumentar a heterose em características econômicas.
247
5. As dificuldades encontradas para a aclimação de raças taurinas nos trópicos
tornam recomendável o uso controlado da consangüinidade entre os
mestiços, visando a formação de linhagens resistentes ao ambiente tropical.
Desvantagens
A consangüinidade apura tanto defeitos como qualidades, dependendo
do estoque de genes existentes na população antes do início da
consangüinidade. Os efeitos desfavoráveis da consangüinidade são
caracterizados pela redução geral da fertilidade, sobrevivência e vigor dos
animais. Estes efeitos dependem da intensidade da consangüinidade e as
diferentes características são afetadas por intensidades de consangüinidade
diferentes. Raça, sexo e linhagem também são causas importantes de variação
nos efeitos da consangüinidade.
Suínos
Um dos trabalhos experimentalmente conduzido para avaliar os efeitos
da consangüinidade foi mencionado por Hill (1971), onde 146 linhagens de
Large White foram desenvolvidas, atingindo coeficiente de consangüinidade de
40-50%. Somente 18 linhagens sobreviveram e as razões de perdas das 128
restantes estão mencionadas na Tabela 12.6.
Tabela 12.6 - Causas de eliminação de 128 linhagens consangüíneas de Large
White
Razão da eliminação
Leitegada inferior ao nascimento
Leitegada inferior à desmama
Infertilidade
Morte de varrões ou porcas vitais na linhagem
Razão adversa de sexo
Fraqueza de pernas
Intersexos e outros defeitos
Problemas de locomoção
Linhagens sobreviventes ao coeficiente de
consangüinidade 40%
Número de linhagens eliminadas
14
54
15
15
6
7
9
8
18
Fonte: Hill (1971)
O efeito genético da consangüinidade, que é o de aumentar a
homozigose, é indesejável por três razões básicas. A primeira, porque provoca
perda da variação genética e, em conseqüência, reduz a taxa potencial de
progresso genético pela seleção. A segunda, por aumentar a incidência de
anormalidades genéticas pela introdução de genes deletérios que estavam
encobertos na população. A terceira razão relaciona-se com a redução de
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indivíduos heterozigotos, os quais resultarão em diminuição do valor genotípico
médio dos loci dominantes que, por sua vez, provocarão decréscimo no níveis
de desempenho, surgindo daí a depressão endogâmica.
As taxas de depressão endogâmica para algumas características
reprodutivas estão apresentadas na Tabela 12.7
Tabela 12.7 - Efeito do aumento de 10% (dez porcento) do coeficiente de
endogamia sobre a performance reprodutiva da leitegada e da porca.
_ . . Leiteígada
Característica
_ _ N Média Variação N Média
Taxa de ovulação 2
N.° de embriões aos 25 dias 1 -0,60 2
Sobrevivência de embriões aos 2
25dias(%) 1 -3,30
Tamanho da leitegada
N.° total de nascidos 15 -0,29 -2,53 a 0,83 12
N.° de natimortos 2 -0,27 -0,37 a-0,16 2
N.° de nascidos vivos 6 0,01 -0,20 a 0,17 4
N.° aos 21 dias 8 -0,53 -2,78 a 0,20 7
Peso da leitegada
Ao nascer ~ 1 0 - 0 , 1 5 -0,64 a 0,20 7
N= n.° de estimativas
Fonte: Johnson (1990)
Porca
Variação
-1,13 -1,13 a-0,55
-1,75 -2,7 a-0,8
-5,62 -1,09 a-0,33
-0,40
-0,19
-0,30
-0,22
-0,46
-2,18
-1,29
-0,28 a
-0,63
-0,43 a
-1,12a
-4,33 a
aO
0,10
aO
0,03
-0,07
-0,91
N.°aos21 dias i
Peso da leitegada
Ao nascer 1
N= n.° de estimativas
Fonte: Johnson (1990)
Em geral, a consangüinidade promove redução no tamanho da leitegada,
acompanhada por diminuição geral no vigor e na taxa de crescimento.
Aparentemente, a consangüinidade afeta mais algumas linhagens que outras,
embora as evidências mostrem que linhagens derivadas de populações bases
originariamente cruzadas tendem a exibir maiores efeitos de consangüinidade.
Isto pode ser devido a maior heterozigose inicial e, talvez, a uma performance
mais elevada que as populações de raças puras. A consangüinidade, também,
retarda a maturidade sexual e isto tem sido relacionado com a menor taxa de
crescimento dos animais consangüíneos. Diferenças na taxa de ovulação e na
produção de espermatozóides também têm sido relatadas. A mortalidade
embrionária, bem como o declínio no tamanho da leitegada, na viabilidade e no
crescimento têm sido freqüentemente causadas pela consangüinidade.
Bovinos
Em gado de leite, a consangüinidade reduz a viabilidade do bezerro, o
desempenho reprodutivo, crescimento, produção de