História da filosofia   III - Nicola Abbagnano
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História da filosofia III - Nicola Abbagnano


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Segunda e Terceira Filosofia, parcialmente em COUSIN, Ouvrage8

inédits

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d'Abélard; outras partes das Glosas a Boécio o ao Timeu, em JOURDAIN, NOtices

et extraits, ece., XX, 2, Paris, 1862, e no escrito de PARENT noutro lado

citado. -FLATTEN, Die Phil. des W. v. C., Coblenza, 1929; OTTAVIANO, Um ramo

inédito da "Philosophia" de G. de C., Nápoles, 1935; PARENT, La doctrine de

Ia création dans 1'école de Chartres, cit.; GREGORY, op. cit.

Bernardo Silvestre: De mundi universitate, ed. Barach-Wrobel, 1nnsbruck,

1876. - GILSON, La cosmogonie de B. d. S., In "Arch. Hist. Doet. de Ia Litt.

m. a.", 1928; THORNDIRE, A History of Magic, 11, 1929.

§ 216. Gilberto de Ia Porrée: as Glosas a Boécio, juntamente com os opúsculos

teolõgicos de Boécio, in P. L., 64.-, 1225-1412; de alguns destes comentários

existem edições recentes: De Hebdomadibus, in "Traditio", 1953; "Contra

Eutychen et Nestorium, in "Arch. Hist. Doctr. de Ia Litt. m. ã.", 1954;

VANNI-ROVIGHI, La filosofia di G. P., in "Misc, dell'Università Catt. di

Milano", 1956.

§ 217. João de Sa.Iisbúria: obras in P. L.@ 199.o: Policratus, ed. Webb,

Oxford, 1909; Metalogicus, ed. Webb, Oxford, 1929; Historia pontificalis, ed.

Poole, Oxford, 1927.-WEBB, J. of S., Londres, 1932; DAL PRA, G. di Salisbury,

Milão, 1951 (com bibl.); HOHENLEUTNER, J. V. S. in der Literatur der letzen

zehn Jahre, in " Hist. Jahrb.", 1958.

§ 218. Alano de Lille: obras in P. L.@ 210.o; Trac- tatus de virtutibus, ao

cuidado de Lottin, in "Medieval Studies", 1950; Suma quoniam homines, ao

cuidado de Glorieux, in "Arch. Hist. Doctr. de Ia Litt. m. ã.",

1954; Anticlaudianus, nova ed. Bossuat, Paris, 1955. -BAUMGARTNER, em

"Beitrage", 11, 4, 1896; PARENT, em "Beitrage", supp1. 111, 1935; VASOLI, Due

studi per Alano di Lilla, in "Riv. Crit. di St. della FiI.", 1961; Le idee

filofiche di Alano di Lilla, nel "De planctu" e neZ "Anticlaudianus", in

"Giorn. Crit. delila ffios. itali.", 1961.

§ 219. Sobre AmaIrico de Bena e David de Dinant: HAUR£AU; Hist. de Ia philos.

schol., 11, 1, p. 83-107; DUHEM, Système du monde, V, 244-260; CAPELLE, A. de

B., Paris, 1932; DAL PRA, AmaIrico de Bena, Milão, 1951, com bibliografia.

§ 220. De Joaquim de Piore, as seguintes ediç.: Concordia Veteris et Novi

Testamenti, Veneza, 1519: Expositio super apocalypsim, Veneza, 1527;

Psalterium

147

de-cem cordarum Veneza 1527; Super quattor Evangelia, Roma, 1930

("Fonti,della Storia D'Italia"). Escritos menores: De articulis fidei, ed.

Buonaiuti, Roma, 1936; Liber contra Lombardum (escola de J. de F.), ed.

Ottaviano, Roma, 1934.-FOURNIER, Êtudes sur J. de F. et ses doctrines, Paris,

1909; BUONAUTI, Gioacchino da Fiore: I tempi-La vita-II messaggio, Roma,

1931; F. RuSso, Bibliografia Gioachimita. Florença, 1954; BLLOOMFIELD, J. of

P., "Traditio", 1957.

148

VIII

O MISTICISMO

§ 221. CARACTERES DO MISTICISMO MEDIEVAL

O renascimento filosófico do século XII é também um renascimento do

misticismo. Mais precisamente, esse renascimento torna possível o

reconhecimento da mística como uma via autónoma de elevação para Deus, uma

via que em qualquer caso é alternativa ou rival da investigação racional.

Esta via não era ainda conhecida da primeira idade da escolástica: basta

pensar nas obras de Escoto Erígena que punha na deificatio o último termo da

investigação racional. Mas vendo bem, essa posição não surgia como

radicalmente distinta da posição racional e muito menos contraposta a ela. As

condições históricas do século XII conduzem, pelo contrário, ao

estabelecimento de tal distinção. Por um lado o número e a importância das

correntes heréticas que florescem neste século, por outro a liberdade

crescente de que a razão faz uso no próprio domínio da especulação teológica,

levam a encarar a via mística como correctivo

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eficaz que permite reconhecer em Deus e apenas em Deus a iniciativa e o

sustentáculo do esforço do homem na direcção da verdade. Com efeito, é

próprio da mística a tentativa de aproximar-se da Verdade pela própria força

da Verdade; de se unir a Deus mediante a ajuda sobrenatural e directa de Deus

e de deixar a ele apenas a iniciativa da investigação. O esforço do místico é

dirigido unicamente para o fim de se tornar digno de sofrer a iniciativa

divina; já que é Deus que do alto o atrai a si e o ergue até à compreensão

dos seus mistérios. Por isso a via mística consiste numa transumanizt@ção,

vencendo os limites humanos para se abrir à própria vida de Deus e à

beatifica acção da sua graça.

Nos confrontos dos movimentos heréticos que concluíam todos por negar

qualquer função ao aparelho eclesiástico, o misticismo oferecia a tal

aparelho um poderoso instrumento de defesa, porque lhe consentia reivindicar

para si a administração dos poderes carismáticos sem os quais a ascese

mística não seria possível. E nos confrontos da razão, a que faziam apelo as

escolas filosóficas contemporâneas, o misticismo oferecia ao mesmo aparelho

eclesiástico o modo de contrapor ao carácter incerto e até então erróneo dos

resultados a que a razão conduzia, a certeza e a glória do êxito místico que

permitem reunir os poderes sobrenaturais da Igreja. Não é nada de espantar,

portanto, que, na época de que agora nos ocupamos, o misticismo tenha servido

em primeiro lugar de arma polémica contra as aberrações das heresias e as

divagações da dialéctica; isto é , como arma polémica para afirmar o poder da

Igreja e reforçar a ortodoxia doutrinal pela qual esse poder era justificado.

Mas não foi esta a única função do misticismo medieval. Decorrida a fase

polémica ou em concomitância com esta fase, o misticismo coloca-se,

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com o fundamento de uma mais nítida distinção dos limites entre a razão e a

fé, já não como alternativa rival da investigação racional mas como

complemento e coroamento dessa mesma investigação. É nesta forma que aparece

na escola dos Vitorinos e se conserva na escolástica sucessiva, até ao século

XIV, em que a mística alemã assume de novo a posição anti-racionalista mas

desta vez fora de qualquer preocupação de defesa da Igreja.

§ 222. BERNARDO DE CLARAVAL

Como arma de combate contra todas as formas de heresia religiosa ou

filosófica e como instrumento de reforço do poder eclesiástico assim foi

entendido o misticismo por Bernardo de Garaval, chamado, pela sua eloquência,

o doctor melifluus. Bernardo nasceu em Fontaines, perto de Dijon, em

1091. Aos 21 anos torna-se monge em Citeaux e passados três anos abade do

convento de Claraval, onde morreu em 1153. Durante toda a sua vida foi um

defensor encarniçado da ortodoxia religiosa e da autoridade eclesiástica.

Quando em 1130 foi oposto ao papa Inocêncio 11 o antipapa Anacleto II, a obra

de Bemardo serviu para impedir o cisma e para convencer Anacleto a renunciar

à sua oposição. No concílio de Sens de 1140 pregou contra os erros de

Abelardo, que foram condenados. A segunda Cruzada de 1147 foi obra das suas

predicações. As doutrinas de Gilberto de Ia Porrée, encontraram nele um

opositor violento. Fez igualmente valer, com idêntica força, as armas da sua

polémica contra a seita herética dos Cátaros.

De grande importância histórica são as suas Epistolae. Contra Abelardo

dirigiu dois escritos: Contra quaedam capitula errorum Abelardi e Capitula

haeresum Petri Abelardi. Numerosos são, pois,

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os escritos místicos, entre os quais: De gradibus humilitatis et superbiae

(composto em 1121); De deligendo Deo (em 1126); De gratia el libero arbitrio

(1127); Sermones in cantica canticorum, De consideratione (1149-1152).

A doutrina de S. Bernardo, nos seus pontos essenciais, não é mais que o plano

estratégico da luta contra as heresias, a favor da autoridade absoluta da

Igreja. Os pontos fundamentais desta doutrina podem ser assim resumidos: