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2. Governo Soberano (Soberania)

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Noção de Soberania:
A soberania é o grau supremo a que pode atingir o poder do Estado – Poder Político. Supremo no sentido de não reconhecer outro poder juridicamente superior a ele, nem igual a ele dentro do mesmo Estado.
Quando se diz que o Estado é soberano, deve-se entender que, na esfera da sua autoridade, na competência que é chamado a exercer para realizar a sua finalidade, que é o bem público, ele representa um poder que não depende de nenhum outro poder, nem é igualado por nenhum outro dentro do seu território.
Assim, quando o Estado traça normas para regular as relações dos indivíduos que lhe estão sujeitos, sobre a organização da família, a punição dos crimes, sobre o comércio, a indústria etc., exerce o poder de modo soberano. As regras que edita são coativamente impostas, sem que nenhum outro Poder ou autoridade interfira ou se oponha.
A soberania do Estado é considerada geralmente sob dois aspectos: interno e externo.
Soberania interna – quer dizer que a autoridade do Estado, nas leis e ordens que edita para todos os indivíduos que habitam seu território e as sociedades formadas por esses indivíduos, predomina sem contraste, não podendo ser limitada por nenhum outro poder. O termo “soberania” significa, portanto, que o poder do Estado é o mais alto existente dentro do Estado.
Soberania externa – significa que, nas relações recíprocas entre os Estados Nacionais, não há subordinação nem dependência, e sim igualdade.
No que se refere à soberania externa, a atual Constituição Federal do Brasil – Lei Maior do nosso Estado Nacional – dispôs por meio de seu artigo 4º, que: “a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais (externas), entre outros, pelos seguintes princípios: (...) c) igualdade entre os Estados Nacionais.
Origem e evolução histórica do conceito de Soberania
A doutrina nos dá conta que a origem do conceito de soberania começa historicamente no final da idade média (Século XV), quando a Cúria Romana, organismo central administrativo da Igreja Católica, resolve disputar com o Imperador Romano a supremacia do Poder Político. Resolvem demonstrar a força que cada um possui perante a Sociedade estatal.
No entanto, a teorização do conceito de "soberania" veio com o escritor francês Jean Bodin no século XVI, no seu livro intitulado “Os Seis Livros da República”, no qual sustentava a seguinte tese: a Monarquia francesa é de origem hereditária; o Rei não está sujeito a condições postas pelo povo; todo o poder do Estado pertence ao Rei e não pode ser partilhado com mais ninguém (clero, nobreza ou povo).
No século XIX foi elaborado um conceito jurídico de soberania, segundo o qual esta não pertence a nenhuma autoridade particular, mas ao Estado enquanto pessoa jurídica. Passou-se, então, a distinguir o Poder do Estado do Poder da Igreja e do Poder do Imperador.
Limitações da Soberania (argumentos dos doutrinadores que a defendem):
a) É limitado pelos direitos naturais da pessoa humana, pois, sendo ele inerente à pessoa, se o negasse o Estado não realizaria o bem comum (direito à vida);
b) É limitado pela família, que é uma sociedade natural, que preexistiu ao Estado e que pode mesmo sobreviver a ele quando uma catástrofe o destrói. Os direitos fundamentais da família, que é célula da sociedade, limitam o poder do Estado;
c) É limitado pelo sentimento religioso, que é inato no homem e, portanto, o Estado não pode impedir que ele se manifeste no culto e na agremiação dos que confessam a mesma crença. E, como o Estado não tem competência em assuntos religiosos, o seu poder é limitado pela existência das diversas Igrejas, cujo domínio não pode ser desconhecido nem suprimido pela autoridade política;
d) É limitado pela Sociedade internacional. Isto porque existe a necessidade cada vez mais dos Estados manterem relações com outros Estados Nacionais, provocando uma certa limitação a sua própria Soberania. A relação entre Estados Nacionais se dá por meio de convenções e tratados Internacionais. A assinatura de convenções e a adesão a tratados internacionais geram obrigações para os Estados Nacionais. E obrigações nada mais são que a obediência aos termos do que foi pactuado entre as nações, o que provoca, sem sombra de dúvidas, a limitação da soberania estatal.
A titularidade da Soberania. Duas doutrinas explicam a titularidade da Soberania: as doutrinas teocráticas e as doutrinas democráticas.
Doutrinas teocráticas
Para as doutrinas teocráticas – A soberania possui como base o Poder Divino. Deus é o titular da Soberania. Para os que consideravam os governantes deuses vivos, reconhecem que os governantes são os titulares da Soberania. Ex.: os faraós do Egito, os imperadores romanos, o Imperador do Japão no período da Segunda Guerra Mundial, etc.
Doutrinas democráticas
Para as doutrinas democráticas, sendo a soberania um elemento essencial do Estado e sendo o Estado a Entidade política que representa o povo, conclui-se que a vontade do Estado é, em última análise, a vontade do povo. Desse modo, o titular da soberania é o povo.