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Diretrizes da Saude Mental

Documento das Diretrizes de Saúde Mental do Espírito Santo; reúne políticas e organização da rede (SUS, atenção primária, regionalização), atribuições de profissionais e pontos de atenção, atendimento de urgência/emergência, psicoses, depressão, álcool e outras drogas e atenção a crianças e adolescentes.

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José Renato Casagrande
GOVERNADOR DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
José Tadeu Marino
SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE
Geraldo Correa Queiroz
SUBSECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE PARA ASSUNTOS
DE REGULAÇÃO E ATENÇÃO À SAÚDE
Lucio Fernando Spelta
SUBSECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE PARA ASSUNTOS
DE ADMINISTRAÇÃO E FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO À SAÚDE
Gisele Aparecida de Lima Oliveira e Oliveira
SUBSECRETÁRIA DE ESTADO DA SAÚDE PARA ASSUNTOS
DE GESTÃO HOSPITALAR
Maria Gorette Casagrande dos Santos
GERENTE DE REGULAÇÃO ASSISTENCIAL
Pedro Benevenuto Junior
GERENTE DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
VITÓRIA, 2011
DIRETRIZES DA 
SAÚDE MENTAL
Primeira Reimpressão
SECRETARIA DE ESTADO 
DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO
VITÓRIA, 2011.
PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E INFORMAÇÕES:
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO
Gerência de Regulação e Assistência à Saúde
Gerência de Vigilância em Saúde
Endereço:
Av. Mal. Mascarenhas de Morais, 2025
Bento Ferreira, Vitória/ES - CEP 29050-625;
Telefone (27) 3137-2397 - FAX (27) 3137-2310
E-mail: gera@saude.es.gov.br e gevs@saude.es.gov.br
Site: www.saude.es.gov.br
1ª Edição, 2008
Primeira Reimpressão, 2011
SUMÁRIO
I. O Sistema Único de Saúde ............................................................................................................................... 9
1.1 Atenção Primária à Saúde ............................................................................................................................. 9
II. A política nacional de saúde mental .........................................................................................................15
III. A política de saúde mental e o plano diretor de regionalização do Espírito Santo ..........................................21
IV. Pontos de atenção da rede de saúde mental .......................................................................................25
4.1 A rede de atenção psicossocial .................................................................................................................25 
4.2 Atribuição dos profissionais de saúde mental ...................................................................................30
V. A rede de saúde no atendimento aos transtornos mentais ..............................................................39
VI. Atribuições dos pontos de atenção no atendimento às situações de urgência e 
 emergência ......................................................................................................................................................43
6.1 Unidades Básicas de Saúde (US e USF) ...................................................................................................43 
6.2 Pronto-atendimento ....................................................................................................................................44
6.3 Pronto-socorro ...............................................................................................................................................45
VII. Grandes áreas clínicas ..................................................................................................................................47
7.1 Patologias ..........................................................................................................................................................47 
7.2 Psicoses ..............................................................................................................................................................48
7.3 Depressão .........................................................................................................................................................60
VIII. Atenção a usuários de álcool e outras drogas ....................................................................................65
8.1 Classificação quanto ao consumo ............................................................................................................66
8.2 O acolhimento ................................................................................................................................................66
8.3 Evento agudo ..................................................................................................................................................67
8.4 Risco por overdose ......................................................................................................................................69
8.5 Evento Crítico ................................................................................................................................................71
8.6 Outras drogas e seus efeitos mais importantes ................................................................................72
IX. Crianças e adolescentes ...............................................................................................................................87
9.1. Atenção à criança e ao adolescente .......................................................................................................87 
9.2. Prioridades para a atenção à saúde mental da criança e do adolescente ................................88
X. Pessoa idosa ......................................................................................................................................................93
10.1 Modelo de atenção à saúde mental do idoso ...................................................................................94
10.2 Direitos e legislação – estatuto da pessoa idosa ............................................................................101
XI. Situações específicas ...................................................................................................................................103
11.1 Agitação psicomotora ..............................................................................................................................103 
11.2 Transtorno mental orgânico ..................................................................................................................105
11.3 Psicoses ........................................................................................................................................................ 106
11.4 Suicídio ..........................................................................................................................................................110
XII. Direitos das pessoas com transtornos mentais .................................................................................121
12.1 Cidadania e direitos humanos ...............................................................................................................121
Anexos ....................................................................................................................................................................125
Lista de siglas e abreviaturas ..........................................................................................................................163
Referências bibliográficas ................................................................................................................................165
7DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
APRESENTAÇÃO
A Secretaria de Estado da Saúde, a fim de estabelecer estratégias e diretrizes para a melhoria das condições de saúde da população ca-pixaba, apresenta coletânea intitulada “Coleção uma nova saúde”, 
composta por linhas-guia e manuais que orientam a organização das redes de 
atenção à saúde. 
Compõem a primeira etapa da coletânea as linhas-guia Hipertensão e Diabetes, 
Saúde do Idoso, Saúde Mental, Saúde Bucal, DST/Aids, Hanseníase e os manu-
ais da Atenção Primária e do Prontuário da Família. 
As linhas-guia são a base para a organização sistêmica dos serviços e um meio 
para se alcançar a racionalização dos recursos,a otimização do trabalho, a ma-
nutenção e melhoria da qualidade do atendimento.
Todas as linhas-guia foram elaboradas por especialistas e avalizadas por socie-
dades de especialidades afins e seu conteúdo orienta os profissionais quanto 
à gestão da clínica, conforme a complexidade de cada ponto de atenção, e 
quanto ao fluxo de atendimento aos usuários desses serviços.
8 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Acreditamos que, ao fortalecermos a Atenção Primária como eixo estruturan-
te da rede de atenção, estaremos avançando no propósito de consolidação e 
aprimoramento do sistema estadual de saúde, possibilitando maior acesso do 
usuário e melhorando a integralidade da atenção almejada pela população..
Secretaria de Estado da Saúde
9DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
I. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
O Sistema Único de Saúde (SUS), fruto do Movimento da Reforma Sa-nitária iniciado na década de 80, tem em seus princípios e diretrizes buscando construir a atenção integral à saúde da população brasilei-
ra. Nesse processo, expresso em Normas Operacionais Básicas e da Assistên-
cia, portarias e construção de consensos entre gestores e a sociedade brasi-
leira, é que se busca a reorientação do modelo assistencial e a estruturação de 
sistemas de serviços de saúde.
1.1 ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
O manejo e tratamento de transtornos mentais no contexto da atenção 
primária é um passo fundamental que possibilita ao maior número pos-
sível de pessoas ter acesso mais fácil e rápido aos serviços (...) Isso não 
só proporciona uma atenção melhor como também reduz o desperdício 
resultante de exames supérfluos e tratamentos impróprios ou não-espe-
cíficos (OPAS/OMS, p. 148, 2001).
10 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
A atenção primária à saúde (APS), do ponto de vista conceitual, é concebida 
como organizadora do sistema de serviços de saúde e não apenas como nível 
de atenção. 
Para Mendes (2002), “[...] a Atenção Primária da Saúde vem sendo adotada, na 
história recente de diversos países, para organizar e ordenar os recursos do sis-
tema de saúde para que respondam de maneira apropriada às necessidades de 
suas populações” (ibidem, p. 7). Já para o Conselho Nacional de Secretários de 
Saúde (CONASS. 2004) “[...] é um conjunto de intervenções de saúde no âmbito 
individual e coletivo que envolve: promoção, prevenção, diagnóstico, tratamen-
to e reabilitação” (ibidem, p.7).
O Manual da Atenção Primária (Espírito Santo, 2007) destaca que os sistemas 
de saúde estruturados a partir dos princípios ordenadores da APS são mais efi-
cazes e de melhor qualidade e que a Estratégia Saúde da Família, adotada para 
reorganizar o modelo de atenção brasileiro, propõe novas práticas sanitárias 
centradas no estabelecimento de vínculos, na criação de laços de compromis-
so e co-responsabilidade entre profissionais e população. 
A base conceitual da Estratégia Saúde da Família é o princípio da vigilância à 
saúde concebida a partir dos seguintes pilares: a territorialização - não só como 
espaço geofísico, mas como produto de uma dinâmica política, cultural e social, 
onde se tensionam conflitos de interesses, projetos e sonhos; o enfoque por 
problema - representação social de necessidades sanitárias, decorrentes das 
condições de vida; e a intersetorialidade - onde o enfrentamento dos problemas 
em um território requer ações que transcendam a responsabilidade única do 
setor saúde.
Para o Ministério da Saúde (2005), as ações de saúde mental na APS, funda-
mentadas nos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, devem obedecer 
o modelo de redes de cuidado, de base territorial e atuação transversal com 
outras políticas específicas e que busquem o estabelecimento de vínculos e 
acolhimento. Essa articulação entre saúde mental e atenção primária à saúde 
pode ser sintetizada nos seguintes princípios fundamentais entre:
11DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
noção de território; ‰
organização da atenção à saúde mental em rede; ‰
intersetorialidade; ‰
reabilitação psicossocial; ‰
multiprofissionalidade / interdisciplinaridade; ‰
desinstitucionalização; ‰
promoção da cidadania; ‰
construção da autonomia possível de usuários e familiares. ‰
APOIO MATRICIAL DA SAÚDE MENTAL ÀS EQUIPES DA ATENÇÃO 
PRIMÁRIA A SAÚDE
A articulação das ações de saúde mental na atenção primária deve se constituir 
a partir do apoio matricial que se constitui como “[...] um arranjo organizacional 
que visa outorgar suporte técnico em áreas específicas às equipes responsá-
veis pelo desenvolvimento de ações básicas de saúde para a população” (BRA-
SIL, p. 36, 2005).
Nesse arranjo, as equipes de saúde mental e da APS compartilham as situações 
encontradas no território numa atitude de co-responsabilização pelos casos, 
que podem se efetivar através de discussões conjuntas de caso, intervenções 
junto às famílias e comunidades ou em atendimentos unificasos.
A responsabilização compartilhada exclui a lógica do encaminhamento, pois 
visa a aumentar a capacidade resolutiva de problemas de saúde pela equipe 
local. Assim, ao longo do tempo e gradativamente, também estimula a interdis-
ciplinaridade e a ampliação da clínica na equipe. A ampliação da clínica significa 
o resgate e a valorização de outras dimensões, que não somente a biológica e a 
12 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
dos sintomas, na análise singular de cada caso. Assim, riscos1 como os sociais 
e outros se incorporam à avaliação clínica (BRASIL, 2005).
RESPONSABILIDADES COMPARTILHADAS ENTRE AS EQUIPES DE 
SAÚDE MENTAL E ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
O texto a seguir foi produzido pela Área Técnica de Saúde Mental do Ministério 
da Saúde (2001) e foi reproduzido na íntegra, tendo em vista sua relevância e 
contribuição. São apresentadas as ações que devem ser compartilhadas entre 
as equipes:
Desenvolver ações conjuntas, priorizando casos de transtornos mentais se-a) 
veros e persistentes, uso abusivo de álcool e outras drogas, egressos de 
internações psiquiátricas, pacientes atendidos nos CAPS, tentativas de sui-
cídio, vítimas de violência doméstica intradomiciliar;
Discutir casos identificados pelas equipes da atenção básica que necessi-b) 
tem de uma ampliação da clínica em relação às questões subjetivas;
Criar estratégias comuns para abordagem de problemas vinculados à vio-c) 
lência, ao abuso de álcool e outras drogas, às estratégias de redução de 
danos, etc. nos grupos de risco e nas populações em geral;
1 Exemplos de situações de risco:
Exclusão social (pacientes egressos de hospital psiquiátrico, em prisão domiciliar, em situação de rua, 
idoso em abandono, crianças e adolescentes em risco pessoal e social etc.);
Transtornos mentais severos e persistentes (graves);
Suicídios e tentativas de suicídio em adolescentes e adultos jovens;
Violência intrafamiliar;
Problemas clínicos relacionados ao uso e abuso de álcool e outras drogas;
Abuso e dependência de benzodiazepínicos.
Fonte: Oficina de trabalho para discussão do Plano Nacional de Inclusão das Ações de Saúde Mental na 
Atenção Básica. Brasília, março de 2001.
13DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Evitar práticas que levem à psiquiatrização e medicalização de situações d) 
individuais e sociais, comuns à vida cotidiana;
Fomentar ações que visem à difusão de uma cultura de assistência não ma-e) 
nicomial, diminuindo o preconceito e a segregação com a loucura;
Desenvolver ações de mobilização de recursos comunitários, buscando f) 
construir espaços de reabilitação psicossocial na comunidade, como ofi-
cinas comunitárias, e destacando a relevância da articulação intersetorial 
(conselhos tutelares, associações de bairro, grupos de auto-ajuda, etc);
Priorizar abordagens coletivas e de grupos como estratégias para atenção g) 
em saúde mental, que podem ser desenvolvidas nas unidadesde saúde, 
bem como na comunidade;
Adotar a estratégia de redução de danos nos grupos de maior vulnerabilida-h) 
de, no manejo das situações envolvendo consumo de álcool e outras dro-
gas. Avaliar a possibilidade de integração dos agentes redutores de danos a 
essa equipe de saúde mental;
Trabalhar o vínculo com as famílias, tomando-a como parceira no tratamen-i) 
to, e buscar constituir redes de apoio e integração.
15DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
II. A POLÍTICA NACIONAL DE 
SAÚDE MENTAL
A Política de Saúde Mental no Brasil, até a década de 70, era essencial-mente privatizante, hospitalocêntrica e cronificadora do sofrimento psíquico. Essa forma de assistência acentuava a deterioração psíqui-
ca e dificultava a participação do paciente na vida coletiva. Os extensos perío-
dos de internação traziam, como conseqüência, a perda dos vínculos sociais e 
familiares, chegando a uma situação em que uma imensa população passou a 
residir nos hospitais psiquiátricos.
Em conseqüência de tal situação, os profissionais de saúde mental passaram 
a questionar essa realidade assistencial, numa série de eventos do campo da 
saúde mental que se sucederam nos anos 70 e 80, consolidando o movimento 
da reforma psiquiátrica e influenciando a definição de uma nova Política de Saú-
de Mental em implantação no país. 
Uma das discussões importantes ocorreu em 1987, na “I Conferência Nacional 
de Saúde Mental”, com o estabelecimento do consenso sobre a necessidade 
de mudança do modelo assistencial e de que o melhor modo de tratamento era 
o realizado em serviços extra-hospitalares de base comunitária. 
16 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Várias discussões sucederam-se na década de 90, sendo que as decisões polí-
ticas mais importantes foram:
a divulgação, na sociedade, do diagnóstico da assistência em que os indi- ‰
cadores demonstravam e justificavam a necessidade premente de mudan-
ça do modelo assistencial;
a “Declaração de Caracas” como documento que refletiu uma discussão ‰
ampliada sobre a situação da assistência, resultando numa “carta de inten-
ções” clara e facilitando, nesse sentido, a negociação com os gestores;
a pactuação social estabelecida na “II Conferência Nacional de Saúde Men- ‰
tal”, em 1992;
a decisão do Ministério da Saúde de assumir a condução do processo de ‰
reformulação da assistência com o estabelecimento das portarias.
Podemos considerar esses marcos, como os que efetivamente respaldaram a 
definição dos rumos da Política de Saúde Mental, ou seja, a definição norteado-
ra a ser seguida, a substituição progressiva dos hospitais.
A partir desse ponto, o Ministério da Saúde toma, então, para si a responsabi-
lidade e a tarefa de conduzir o processo de implantação da Política de Saúde 
Mental, no contexto da construção do Sistema Único de Saúde que tinha sido 
aprovado em dezembro de 1990. 
Assim, no início da década de 90 foi tomada uma importante decisão política 
pelo Ministério da Saúde, que colocou a público o diagnóstico da situação da 
assistência psiquiátrica no Brasil. 
Esse diagnóstico permitiu trazer à luz várias distorções, indicadores precisos 
da má qualidade da assistência psiquiátrica, sob o ponto de vista da política 
pública no Brasil. 
Dentre os principais, estava uma taxa de 19,9% de ocupação dos leitos do Sis-
tema Único de Saúde (SUS) por internações psiquiátricas. Um outro indicador 
17DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
referia-se à proporção de leitos por habitantes que era de 0,56 por mil habi-
tantes, superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 
Por fim, o gasto com a internação psiquiátrica era o segundo maior do SUS, só 
superado pelas de clínica médica, fato que demonstrava a utilização de apenas 
um tipo de recurso para a assistência psiquiátrica.
Essa situação da assistência auxiliou a sensibilização dos gestores para o tema 
saúde mental, na medida em que era impossível a um gestor não se compro-
meter diante de indicadores tão claros da má qualidade. Permitiu, também, 
trazer a sociedade para o debate desse grave problema de saúde pública.
Outra contribuição importante para a implantação da Política Nacional de Saú-
de Mental a partir da década de 90 foi o investimento do Ministério da Saúde 
(MS) em normatizações, que permitiram avanços visíveis e conquistas concre-
tas para essa política pública, possibilitando aos municípios a implantação de 
ações e serviços de saúde mental. 
Sabemos que é essencial, para a consolidação de uma política pública, estar 
munida dos recursos financeiros para a sua efetivação. Nessa direção, o Minis-
tério da Saúde tem trabalhado na instituição de “normatizações” que viabilizem 
o incentivo financeiro adequado à estruturação de serviços e à re-alocação dos 
recursos centralizados nos hospitais, para a implantação das moradias e a cria-
ção de bolsas de incentivo, tendo em vista a ressocialização da clientela de 
longa permanência.
O estabelecimento inicial das portarias SNAS/MS189/1991 e SAS/MS224/1992 
permitiram respectivamente a remuneração dos procedimentos necessários à 
implantação das ações de saúde mental e o estabelecimento do padrão míni-
mo necessário ao funcionamento dos serviços ambulatoriais e hospitalares de 
saúde mental no país.
A discussão sobre a implantação da política pública específica para a área de 
saúde mental, a definição do norte a ser seguido e a pactuação das diretrizes da 
política encontraram, na década de 90, o contexto necessário ao seu desenvol-
vimento e consolidação. As “normatizações” lançadas nessa época e as experi-
18 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
ências pioneiras que se concretizaram no Brasil ainda nos anos 80 provaram ser 
possível a efetivação de ações para a conversão do modelo hospitalocêntrico.
Em 2001, a aprovação da Lei Federal da Reforma Psiquiátrica1 traz o processo 
para um novo estágio, colocando-o definitivamente na luz do debate sobre a 
cidadania e as políticas públicas e selando com isso uma das mais importantes 
conquistas políticas da reforma psiquiátrica. 
Podemos dizer que a implantação da Política de Saúde Mental foi possível por-
que se apoiou essencialmente nas “normatizações” do Ministério da Saúde, no 
consenso estabelecido entre gestores técnicos e sociedade e no sucesso das 
experiências nos novos serviços.
Progressivamente, as novas práticas foram se expandindo pelo país, passando 
a serem respaldadas por legislações específicas de iniciativas estadual, federal 
e municipal, que trouxeram o respaldo legal e viabilizaram a sua consolidação.
Hoje, a inclusão da saúde mental nos cuidados prestados pela Atenção Básica 
tem sido discutida no sentido de se conquistar a integralidade no cuidado e 
levando-se em conta também a abrangência do cuidado prestado pela rede 
de Atenção Básica. Segundo dados da Organização Pan-americana de Saúde 
(OPAS) de 2001, os transtornos mentais têm alta prevalência na população ge-
ral, estando situados dentre as dez principais causas de incapacitação.2. O Mi-
nistério da Saúde estima que 1/5 das pessoas são de alguma forma afetadas, 
ao longo de sua vida, por problemas mentais, psicológicos ou neurológicos, e 
que 10% da população geral necessitam de alguma forma de acompanhamen-
to, mesmo que eventual.
Um outro motivo para que a atenção às pessoas em situação de sofrimento 
1 Lei 10.216, de 4 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de 
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
2 Segundo dado apresentado no “Relatório Sobre a Saúde Mental no Mundo” da Organização Pan-ame-
ricana de Saúde (OPAS)/Organização Mundial da Saúde, de 2001, os transtornos mentais já representam 
quatro das dez principais causas de incapacitação em todo o mundo.
19DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
mental possam ter acesso e acolhimento adequado na atenção básica é que 
os dados nos indicamque as unidades básicas de saúde são responsáveis por 
suprir 80% das necessidades de saúde da população, incluído aí a mental. A 
necessidade de inserir a atenção aos transtornos mentais na Atenção Primária 
à Saúde, apresenta-se também em consonância com a diretriz da integralidade 
prevista no SUS.
Diante dessa realidade e tendo em vista as diretrizes da política que discute as 
formas para inclusão da saúde mental na atenção básica, o Ministério da Saúde 
afirma que o ponto atual de desenvolvimento do SUS coloca o imperativo de os 
campos da Saúde Mental e da Atenção Primária se entrecruzarem e se poten-
cializarem um ao outro.
Por fim, tendo em vista a necessidade de ampliação dos cuidados em saúde 
mental, podemos concluir que a atenção em saúde mental deve ser feita dentro 
de uma rede de cuidados. Estão incluídos aí a atenção primária, os serviços re-
sidenciais terapêuticos, os ambulatórios, os leitos em Hospital Geral, os centros 
de convivência, os clubes de lazer, entre outros. Além disso, a rede de saúde 
mental deverá extrapolar a de saúde. Ela é complexa e deve ser intersetorial, se 
pretende dar conta da complexidade da assistência proposta.
21DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
III. A POLÍTICA DE SAÚDE 
MENTAL E O PLANO DIRETOR 
DE REGIONALIZAÇÃO DO 
ESPÍRITO SANTO
A s Normas Operacionais de Saúde e, em especial Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS) de 2002, reforça a importância da im-plantação de serviços regionalizados que atendam a uma população 
adstrita. Portanto, trabalha-se numa perspectiva de uma assistência territoriali-
zada que extrapole exclusivamente o aspecto geográfico e inclua os aspectos e 
as referências socioculturais, afetivas e econômicas. 
A NOAS – 2002, ao ampliar as responsabilidades dos municípios na garantia de 
acesso a serviços na Atenção Básica e definir o processo de regionalização da 
assistência, torna-se, segundo o Ministério da Saúde, o elemento central para 
o avanço do processo de implementação do SUS.
O processo de regionalização da assistência é uma estratégia de hierarquização 
dos serviços de saúde e “(...) deverá contemplar uma lógica de planejamen-
to integrado, compreendendo as noções de territorialidade na identificação de 
prioridades de intervenção (...)” Brasil, (2002), que visa a garantir o acesso dos 
cidadãos aos serviços que atendam aos problemas de saúde de uma determi-
nada população.
22 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O Plano Diretor de Regionalização, no Espírito Santo (PDR/ES) foi elaborado e 
coordenado pela equipe técnica da Secretaria de Estado da Saúde com a parti-
cipação dos gestores e a aprovação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), 
em consonância com o Plano Estadual de Saúde, objetivando:
(...) promover a descentralização de ações e serviços de saúde e reduzir 
as desigualdades mediante criteriosa alocação de recursos, garantindo 
o acesso da população a serviços e ações de saúde com integralidade e 
resolubilidade (Espírito Santo, 2003).
O desenho das regiões no Estado passou a constitui-se de 16 módulos assis-
tenciais, com base populacional acima de 30 mil habitantes, oito microrregiões 
com população acima de 150 mil habitantes e três macrorregiões, com popula-
ção acima de 500 mil habitantes.
O PDR define um conjunto de ações e serviços que deverá ser oferecido aos cida-
dãos o mais próximo de sua residência. Em saúde mental esse conjunto é descrito 
como o tratamento dos distúrbios mentais e psicossociais mais freqüentes. 
O desenho da rede de atenção em saúde mental - CAPS, Serviço Residencial 
Terapêutico e leitos psiquiátricos em hospital geral seguiram os parâmetros es-
tabelecidos através de um conjunto de fatores que se entrecruzaram com os já 
definidos no PDR: a cobertura populacional, o coeficiente de internação psiquiá-
trica, os dados epidemiológicos disponíveis, a existência de serviço ambulatorial 
e de recursos humanos disponíveis, e a existência de hospital geral público ou 
conveniado ao SUS. Foram previstos CAPS por cada módulo assistencial, leitos 
em hospital geral por microrregião e CAPS ad (Caps ad - para usuários de álcool e 
outras drogas) e i (Caps i - para infância e adolescência) por macrorregião.
Essa rede de atenção em saúde mental vem se delineando a partir da absorção 
das diretrizes da política, de forma compartilhada com novos atores, gestores, 
profissionais de saúde, usuários e familiares.
O canal de comunicação entre esses novos atores tem se constituído a partir 
de espaços deliberativos, como nas Conferências Macrorregionais e Estadual 
23DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
de Saúde Mental, em 2001, e em colegiados locais, como o Fórum Estadual 
de Saúde Mental e o Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial, que se conso-
lidaram como espaços de veiculação de informações, troca de experiências, 
pactuação, planejamento, socialização e reivindicação.
O desenho proposto no PDR por si só não garante a implementação e efetiva-
ção da atenção integral aos cidadãos, demandando um processo contínuo de 
reflexão e articulação. Para tanto, o plano diretor deverá ser sensível, contínuo, 
dinâmico e reconstruído sempre que necessário, para atender à demanda, se-
guindo a racionalidade política descrita por Rivera (1989) segundo o qual “(...) o 
planejamento responde a pressões políticas que se fazem sentir na direção da 
legitimidade e da mudança (...)”. Portanto, a consolidação do PDR deve “captu-
rar” as condições subjetivas da realidade e considerar a correlação de forças e 
os interesses dos distintos segmentos constantes no campo da saúde coletiva.
25DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
IV. PONTOS DE ATENÇÃO DA 
REDE DE SAÚDE MENTAL
4.1 A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
C onsideramos que a rede de atenção à saúde mental é constituída pe-las Unidades Básicas de Saúde com a equipe de saúde mental, pe-los Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Ambulatórios de Saúde 
Mental, Pronto-socorro Psiquiátrico, Leitos Psiquiátricos em Hospitais Gerais, 
Serviço Hospitalar de Referência em Atenção Integral a Usuários de Álcool e 
Outras Drogas (SHR-ad), Hospital Especializado em Psiquiatria e Serviços Resi-
denciais Terapêuticos (SRT). 
As características gerais dos serviços são fundamentadas no documento 
“PRINCÍPIOS PARA A PROTEÇÃO DE PESSOAS COM PROBLEMAS MENTAIS 
E PARA MELHORIA DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL”1. 
1 O documento “PRINCÍPIOS PARA A PROTEÇÃO DE PESSOAS COM PROBLEMAS MENTAIS E PARA 
MELHORIA DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL” pode ser encontrado na íntegra nos ANEXOS deste 
Protocolo.
26 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
A assistência em Saúde Mental abrange não só a Psiquiatria, mas também 
assistência médica, odontológica, social, jurídica, reabilitação, educação e ga-
rantia de trabalho protegido ou não. A atenção em Saúde Mental não deve 
ser realizada em manicômios (instituição fechada), mas em serviços abertos, o 
menos restrito possível, tais como: Hospital Geral, Centro e Núcleos de Aten-
ção Psicossocial, Centros de Convivência, Cooperativas, Grupos de Trabalho, 
Micro-empresas, Hospitais - Dia e Noite, Lares e Pensões Abrigados, Associa-
ções Comunitárias, Grupos de Auto-ajuda, Oficinas Abrigadas, etc2. 
Os serviços de saúde devem permitir e incentivar os usuários a se organizarem 
em grupos, conselhos populares, associações de usuários, familiares, traba-
lhadores de saúde mental e comunidade, que objetivem a transformação do 
preconceito sobre a loucura, na sociedade em geral, nas leis, na organização e 
na fiscalização. 
Além disso, devem ser o mais próximo possível do local de moradia dos usuá-
rios, de forma descentralizada, garantindo-se o direito de escolha pelos profis-
sionais de sua preferência. 
Também deverá garantir o bem-estar físico, mental e emocional de seus usu-
ários e as exigências mínimas de higiene, segurança, condições ecológicas e 
ambientais, conforto, privacidade ealimentação de qualidade com supervisão 
profissional. 
Todo usuário terá direito ao meio de transporte que garanta o acesso gratuito 
ao serviço, bem como a sua medicação, sem com isso induzir a discriminação 
ou preconceito. 
As crianças e os adolescentes não poderão ser tratados em serviços que não 
garantam os direitos reconhecidos pelo Estatuto dos Direitos da Criança e do 
Adolescente. 
2 A partir da portaria GM nº 336/2002, os serviços que se consolidaram no país foram os Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS). A Portaria GM nº106/2000 institui os Serviços Residenciais Terapêuticos 
(SRT). Outros serviços previstos são os Centros de Convivência e as Cooperativas de Trabalho para a 
geração de renda.
27DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Os serviços especializados devem ser adequados ao atendimento de crianças, 
adolescentes, adultos e idosos, que apresentem problemas relacionados a al-
coolismo, autismo, toxicomania, deficiência, HIV positivo, dentre outros. 
Todo serviço de Saúde Mental deve oferecer orientação, suporte e terapêutica 
para os familiares dos usuários, bem como mecanismos de participação nas 
decisões e fiscalização dos serviços. 
OS DISPOSITIVOS DE CUIDADO
Consideramos que a rede de atenção à saúde mental é constituída pelas Uni-
dades Básicas de Saúde com equipe de saúde mental, CAPS, Ambulatórios 
de Saúde Mental, Pronto-socorro Psiquiátrico, leitos psiquiátricos em Hospital 
Geral, SRT, Serviço Hospitalar de Referência para Atenção Integral aos Usuários 
de Álcool e outras drogas (SHR-ad), Hospital Especializado em Psiquiatria. 
UNIDADES BÁSICAS COM EQUIPE DE SAÚDE MENTAL – UBS
São Unidades de Saúde onde estão localizadas equipes de saúde mental cons-
tituídas por médico psiquiatra ou clínico e dois outros profissionais de nível 
superior, cuja função é implantar as ações dos Programas Municipais de Saúde 
Mental. 
O Estado possui atualmente 39 municípios com equipes de saúde mental e 44 
com algum serviço de saúde mental em funcionamento. 
Em 2000, a definição do indicador estadual na Programação Pactuada Inte-
grada da Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI-ECD), pela Sesa, criou a 
possibilidade para a composição das equipes de saúde mental nos municípios 
independente de sua base populacional3. 
3 Considerando a característica dos municípios do Estado, onde 74,3% são de pequeno porte (abaixo 
de 30 mil habitantes), a previsão de uma equipe mínima por município, sem o requisito do tamanho da 
população, é uma conquista da política local. 
28 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS)
São serviços abertos de base comunitária e caracterizam-se por ofertar cuida-
do intensivo à clientela com transtornos mentais graves. 
Desenvolvem atividades de grupos, oficinas, atendimento à família, e atendi-
mento médico e psicológico, através de equipe multidisciplinar. 
Devem estar inseridos na comunidade e trabalhar em parceria com a atenção 
primária e recursos comunitários. 
As formas de inserção no serviço deverão ser definidas de acordo com o perfil 
de cada usuário e poderão se dar em regime intensivo, semi-intensivo e não-
intensivo. 
Funcionam de segunda a sextas-feiras em horário integral4.
AMBULATÓRIOS DE SAÚDE MENTAL
São unidades ambulatoriais específicas para o atendimento em saúde mental. 
Compostas por equipe multidisciplinar podem desenvolver atividades de gru-
pos, oficinas, atendimento à família, e atendimento médico e psicológico. 
Funcionam de segundas a sextas-feiras em horário integral.
PRONTO-SOCORRO PSIQUIÁTRICO
Serviço específico para o atendimento das urgências e emergências em saúde 
mental com funcionamento 24 horas. 
4 A Portaria GM nº336/2002 prevê a criação dos CAPS III. Trata-se de serviço de maior complexidade, 
com funcionamento 24 horas e leitos para internação. No Estado ainda não houve a criação desses servi-
ços, embora esteja previsto no planejamento da Política Estadual de Saúde Mental.
29DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Constituído por equipe com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfer-
meiros e outros profissionais necessários ao desenvolvimento das atividades. 
Deve possuir leitos de apoio para internação que são de observação de até 72 
horas como suporte para estabilização das crises, reduzindo o fluxo para as 
internações em hospital psiquiátrico. 
É regido pela Portaria SNAS nº 224/1992, que prevê o padrão mínimo para o 
funcionamento desses serviços. 
LEITOS PSIQUIÁTRICOS EM HOSPITAL GERAL
Leitos especializados em psiquiatria e que devem obrigatoriamente funcionar 
em hospital geral. Destinam-se ao atendimento de curta permanência dos ca-
sos de internações em psiquiatria, devendo funcionar com equipe específica. 
São dispositivos importantes para a descentralização do atendimento para as 
microrregiões do Estado, evitando a concentração das internações nos hospi-
tais psiquiátricos, muitas vezes distantes do local de residência dos usuários, 
levando à quebra dos vínculos familiares e sociais.
SERVIÇO HOSPITALAR DE REFERÊNCIA NA ATENÇÃO INTEGRAL A 
USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS (SHR - AD)
O Serviço Hospitalar de Referência em hospital geral para atenção em urgência 
e outros procedimentos relacionados ao uso excessivo de álcool e/ou outras dro-
gas constitui-se de quatro a 16 leitos clínicos em período de internação de até 15 
dias, para usuários nas faixas etárias de 12 a 16 anos e de 17 anos acima. 
Destina-se ao atendimento de pessoas que apresentam síndrome de abstinên-
cia, dependência do álcool ou de outras drogas, intoxicação aguda, e síndrome 
de abstinência grave com complicações clínicas e/ou psiquiátricas. 
O SHR-ad, composto por equipe multidisciplinar, deverá trabalhar com a huma-
nização do cuidado e da convivência nas lógicas da atenção psicossocial e da 
redução de danos. 
30 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O serviço é regido pela Portaria do Ministério da Saúde Nº. 1612 de setembro 
de 2005.
A implantação progressiva de SHR’s - ad em municípios com CAPS ad e cober-
tura por microrregiões no ES consistirá em um dispositivo inovador na assistên-
cia hospitalar. 
HOSPITAL ESPECIALIZADO EM PSIQUIATRIA
Deve funcionar de acordo com as normas definidas pela Portaria GM nº 251/2002, 
que estabelece as diretrizes e normas para o funcionamento dos leitos psi-
quiátricos, instituindo o processo sistemático de avaliações da rede hospitalar 
psiquiátrica, efetuadas pelo Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hos-
pitalares/Psiquiatria (PNASH). A condução do processo de avaliação tem sido 
efetuada de forma gradativa e prima pelo cuidado e pela não-desassistência. 
O objetivo é reconfigurar a rede hospitalar, atingindo a meta de substituição dos 
macro-hospitais por outros de pequeno porte com maior qualidade no atendi-
mento. 
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS (SRT)
Destinados à moradia de pacientes egressos de hospitais psiquiátricos com 
tempo de permanência na hospitalização de no mínimo dois anos. São conside-
rados, por unanimidade, dispositivos imprescindíveis para a política de desins-
titucionalização. 
A Portaria GM nº. 106/2000 oferece os instrumentos para a criação dos Servi-
ços Residenciais Terapêuticos, garantindo a desinstitucionalização da clientela 
internada, sem causar desassistência.
4.2 ATRIBUIÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL 
Busca-se ênfase na hierarquização da assistência para garantia de complemen-
tariedade entre os serviços, desenvolvendo um trabalho em rede. A perspecti-
31DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
va do trabalho em rede introduz a idéia de cuidados progressivos, ininterruptos, 
passando de um âmbito para outro, conforme complexidade de resposta de 
cada caso face às necessidades. A rede básica de saúde (atenção primária) 
ocupa lugar estratégico e complexo de atribuições, tanto mais resolutivas para 
conjuntos cada vez maiores deproblemas.
À rede de atenção à saúde mental, indica-se a incorporação do conceito de in-
tegralidade, investindo no acolhimento e nas concepções de responsabilidade 
e resolutividade.
Considerando os preceitos da Reforma Psiquiátrica e as políticas da desospi-
talização e desinstitucionalização que norteiam os serviços de saúde mental 
atuais, cabe às equipes multiprofissionais de saúde mental organizadas com 
perspectiva de atuação interdisciplinar, dentro de um modelo de atenção psi-
cossocial nas respectivas UBS’s, CAPS-ad, CAPS i e CAPS transtornos, prioriza-
rem o atendimento às seguintes demandas:
Egressos de internação psiquiátrica; ‰
Pessoas com transtornos mentais graves (psicoses e neuroses graves); ‰
Usuários abusivos e dependentes de substâncias psicoativas (álcool e ou- ‰
tras drogas);
Pacientes em situação de risco e vítimas de violência (agressão sofrida ou ‰
auto-infringida: abuso sexual, tentativas de suicídio, etc).
Psiquiatra:
Participação nos Grupos de Acolhimento; ‰
Atendimento psiquiátrico individual/ familiar/ grupal; ‰
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰
Fornecer laudos psiquiátricos à demanda que está no serviço. ‰
32 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Clinico Geral:
Participação nos Grupos de Acolhimentos; ‰
Atendimento ambulatorial na clinica médica diária individual/ familiar/ grupal; ‰
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade. ‰
Psicólogo:
Realizar atendimento psicoterapêutico individual, grupal e educativo, se- ‰
guindo prioridade estabelecida neste protocolo; 
Realizar grupos terapêuticos e de atenção psicossocial com os demais pro- ‰
fissionais da equipe, de acordo com a necessidade e perfil da clientela;
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰
Elaborar relatórios específicos do acompanhamento quando necessário. ‰
Assistente Social:
Realizar atendimento social individual, grupal e de educação em saúde, se- ‰
guindo prioridade estabelecida neste protocolo;
Realizar atendimento grupal, participar de grupos terapêuticos e de aten- ‰
ção psicossocial com os demais profissionais da equipe, de acordo com a 
necessidade e perfil da clientela;
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰
Orientar e viabilizar o acesso aos recursos sociais e comunitários necessá- ‰
rios, visando a promover a inclusão social;
Elaborar relatórios, realizar estudo social e emitir parecer e laudo social ‰
quando verificada a necessidade.
33DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Terapeuta Ocupacional
Atender o paciente individualmente e em grupos; ‰
Realizar atendimento domiciliar; ‰
Realizar atividades sociais, culturais e artesanais com cunho terapêutico; ‰
Participar das reuniões de equipe, atendimento à família e acolhimento dos ‰
usuários;
Realizar oficinas terapêuticas; ‰
Realizar atendimento externo: procedimento desenvolvido fora do espaço ‰
terapêutico institucional; 
Orientar atendimentos das atividades da vida diária, prática, de trabalho, e ‰
lazer;
Participar do processo de alta da Terapia Ocupacional e da Instituição. ‰
Enfermeiro / Técnico de Enfermagem:
Atender o paciente e/ ou familiar para orientação e administração (quando ‰
necessária) da medicação psicotrópica prescrita;
Promover orientação sobre os cuidados geral e integral à saúde e ativida- ‰
des da vida diária aos pacientes e familiares;
Realizar grupos terapêuticos e de atenção biopsicossocial com os demais ‰
profissionais da equipe, de acordo com a necessidade e perfil da clientela;
Participar dos grupos de acolhimento com equipe multidisciplinar; ‰
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade. ‰
34 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Farmacêutico:
Encaminhar periodicamente à equipe de saúde mental informação sobre a ‰
medicação psicotrópica disponível (uso do formulário);
Dispensar medicação conforme prescrição médica do Programa de Saúde ‰
Mental / Estratégia de Saúde da Família;
Orientar e/ ou estimular o paciente e a família sobre a importância da conti- ‰
nuidade do acompanhamento/tratamento;
Utilizar e atualizar o cadastro dos pacientes em acompanhamento para con- ‰
trole da medicação em uso, sua dispensação e o retorno;
Fornecer periodicamente para a Gerência de Assistência Farmacêutica da ‰
Secretaria de Estado da Saúde o número de pacientes em acompanhamen-
to /tratamento medicamentoso e o consumo mensal de psicotrópicos; 
Realizar grupos terapêuticos e de atenção biopsicossocial com os demais ‰
profissionais da equipe de acordo com a necessidade e perfil da clientela. 
Auxiliar administrativo:
Assessorar a equipe multidisciplinar em cada período de trabalho; ‰
Orientar e acompanhar o fluxo de pacientes; ‰
Ajudar a organizar o espaço físico; ‰
Agendar e marcar retorno às consultas dos pacientes ou reforçar a neces- ‰
sidade do reagendamento no setor específico;
Atualizar diariamente os dados de atendimento dos pacientes cadastrados; ‰
Realizar visita institucional quando verificada a necessidade. ‰
35DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Coordenador de Saúde Mental:
Realizar planejamento e avaliações constantes das ações desenvolvidas; ‰
Conhecer os níveis de complexidade dos serviços e práticas de saúde; ‰
Desenvolver habilidades técnicas e políticas em Saúde Mental/ Transtorno ‰
Mental;
Promover capacitação das equipes do Programa de Saúde Mental; ‰
Organizar reuniões periódicas com a equipe multidisciplinar; ‰
Estimular nos profissionais das equipes a utilização de maior coeficiente de ‰
autonomia para a construção de projetos terapêuticos eficientes e eficazes;
Acompanhar a organização do trabalho de equipe através de discussões ‰
democráticas;
Promover discussões intersetoriais. ‰
Atribuições comuns à equipe multidisciplinar:
Acolher a demanda; ‰
Avaliar a demanda dos outros programas de saúde existentes nas unidades ‰
com vistas a um possível atendimento;
Desenvolver intervenções diárias diversificadas para os pacientes e seus ‰
familiares;
Realizar o cadastramento dos pacientes com psicoses e neuroses graves ‰
para sistematizar o acompanhamento biopsicosocial, garantindo o recebi-
mento da medicação, conforme a necessidade;
Conscientizar e/ou estimular sobre a importância da continuidade do acom- ‰
panhamento/tratamento;
36 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Organizar cronograma para reunião técnica da equipe; ‰
Participar efetivamente das reuniões técnicas conforme cronograma; ‰
Realizar visitas domiciliares em equipe, quando solicitadas e/ ou verificada ‰
a necessidade;
Programar atividades/intervenções ‰ prioritariamente coletivas, atendendo a 
necessidade da área de abrangência;
Incluir e reagendar os pacientes assegurando o acompanhamento sempre ‰
que necessário, de acordo com a organização do serviço;
Identificar e relacionar os pacientes mais graves e egressos de internação ‰
psiquiátrica, viabilizando o encaminhamento para nível de assistência de 
maior complexidade (CAPS - ad / CAPS Transtorno e Urgência Psiquiátrica);
Fornecer dados precisos sobre os diagnósticos dos pacientes atendidos de ‰
modo a subsidiar planejamento estratégico em saúde;
Organizar plano de ação anual em saúde mental. ‰
Atribuições da Equipe de Saúde Mental:
Divulgar a noção de saúde mental como qualidade de vida e direito do ci- ‰
dadão;
Atuar segundo o enfoque comunitário, priorizando a família e os recursos ‰
saudáveis da comunidade;
Viabilizar o acesso ao serviço de saúde mental, quando necessário; ‰
Sensibilizar para a não existência de preconceitos aos portadores de trans- ‰
tornos mentais;
Realizar atendimento em conjunto com as equipes da Estratégia de Saúde ‰
da Família, quando verificada a necessidade;
37DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰Instrumentalizar, de forma contínua, as equipes da Estratégia de Saúde da ‰
Família, com vistas a uma maior resolutividade dos casos de transtornos 
mentais;
Divulgar a política nacional, Estadual e Municipal de Saúde Mental junto ‰
aos atores sociais (conselheiros tutelares, professores, pedagogos, admi-
nistradores de escolas e de unidades de saúde etc.), objetivando o funcio-
namento em rede.
39DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
V. A REDE DE SAÚDE 
NO ATENDIMENTO AOS 
TRANSTORNOS MENTAIS
A s pessoas com transtornos mentais deverão ter acesso ao atendi-mento em todos os pontos de atenção da rede de saúde, ou seja, nas Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, Pronto 
Atendimentos, Pronto-socorros e leitos em Hospital Geral.
Para tanto, os profissionais desses serviços deverão ser capacitados e ampa-
rados por recursos materiais e humanos dos serviços de referência em saúde 
mental municipal e microrregional. 
Os serviços da rede de saúde, por exemplo, os Hospitais Gerais e os Pronto-
socorros, poderão também investir na contratação de recurso humano especia-
lizado (psiquiatras, psicólogos) ou capacitar a equipe de clínicos, enfermeiros e 
assistentes sociais etc. para o atendimento da população.
EVENTOS AGUDOS
Nos eventos agudos os profissionais das US/USF, PA e PS deverão, prestar o 
atendimento aos usuários. 
40 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Após, os usuários deverão ser referenciados para os pontos de atenção ade-
quados a cada situação, estabelecidos neste protocolo, ou permanecer no ser-
viço caso seja indicado1.
Os municípios que possuem equipes de saúde mental (matriciais ou não), loca-
lizadas em Unidades Básicas de Saúde, ou então, serviços específicos da rede 
de saúde mental, poderão acionar essas equipes para apoio e orientação. 
Caso necessário poderá ser acionado o Serviço Móvel de Urgência (SAMU) ou a 
intervenção das Centrais de Regulação de Vagas. Nos casos de necessidade de 
internação, essa deverá ser feita preferencialmente em leitos de hospital geral.
EVENTOS CRôNICOS
O acompanhamento dos casos estabilizados poderá ser feito pela equipe das 
US/USF capacitadas e com a supervisão e o apoio das Equipes de Saúde Men-
tal localizadas em UBS e/ou pelas equipes dos CAPS.
1 Observar os agravos e os pontos de atenção definidos e pactuados neste Protocolo Clínico.
41DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ALGORITMO DE REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA 
EM SAÚDE MENTAL
RECURSOS SOCIAIS, COMUNITÁRIOS, GRUPOS DE MÚTUA AJUDA
43DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
VI. ATRIBUIÇÕES DOS 
PONTOS DE ATENÇÃO NO 
ATENDIMENTO ÀS SITUAÇÕES 
DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 
6.1 UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (US E USF)
A s atribuições e prerrogativas das unidades básicas de saúde e das unidades de saúde da família em relação ao acolhimento/atendimento das urgências de baixa gravidade/complexidade devem ser desem-
penhadas por todos os municípios brasileiros, independentemente de estarem 
qualificados para atenção básica (PAB) ou básica ampliada (Paba), conforme 
Portaria GM nº. 2048/2002.
Nesse sentido, os agravos da saúde mental que deverão ser atendidos nas US 
são os descritos abaixo:
Síndromes extra-piramidais (parkinsonismo, acatisia, distonia); ‰ 1
Fugas do lar e deambulação excessiva e vaga, sem agitação psicomotora; ‰
1 Definições e outras informações consultar a página 57.
44 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Crise convulsiva em paciente com transtorno mental associado (epiléptica); ‰
Crise histérica (epileptiformes); ‰
Estados de embriaguez; ‰
Situações de risco psicossocial sem quadro agudo (pessoa incapaz de cui- ‰
dar de si mesma, desestruturação familiar, recusa do tratamento, popula-
ção de rua, deambulação);
Vítimas de maus tratos e abuso sexual; ‰
Crise de ansiedade; ‰
Transtornos depressivos leve e moderado. ‰
6.2 PRONTO-ATENDIMENTO
Trata-se de unidade não-hospitalar de atendimento às urgências e emergências. 
Essas deverão funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo 
assistência e dispondo de leitos de observação de até 24 horas. 
Deverá dispor minimamente de equipe de saúde composta por médico e enfer-
meiro nas 24 horas, para atendimento contínuo de clínica médica e clínica pedi-
átrica.
Os agravos da área de saúde mental que deverão ser atendidos nessas Unida-
des estão discriminados abaixo:
Comportamento histriônico com ingestão moderada de substâncias psico- ‰
ativas;
45DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Transtorno mental com condições clínicas associadas (sem risco de vida); ‰
Intoxicações/abstinência por álcool e/ou drogas (comprometimento mode- ‰
rado e leve);
Agitação psicomotora por quadro de uso prejudicial de álcool e outras dro- ‰
gas;
Agitação psicomotora leve e moderada por quadro de transtorno mental ‰ 2.
6.3 PRONTO-SOCORRO
São serviços que funcionam exclusivamente para a assistência às urgências. 
Abertos nas 24 horas do dia, acabam por funcionar como “porta de entrada” do 
sistema de saúde, acolhendo as urgências propriamente dita, quadros percebi-
dos como urgências, pacientes desgarrados da atenção primária e especializa-
da e urgências sociais.
Essas unidades devem estar habilitadas a prestar assistência correspondente 
ao primeiro nível de assistência da média complexidade.
Devem estar aptas a prestar atendimento resolutivo aos pacientes acometidos 
por quadros agudos ou crônicos agudizados. São estruturas de complexidade 
intermediária entre as unidades básicas de saúde e de saúde da família e as 
Unidades Hospitalares de Atendimento às Urgências e Emergências (Portaria 
GM nº 2.048). 
2 Os três últimos agravos descritos (relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas) deverão 
ser atendidos preferencialmente nos Centros de Atenção Psicossocial onde houver a presença desses 
serviços. Lembramos que os serviços específicos para essa clientela são os CAPSad e os CAPS I. Nas 
microrregiões com menor capacidade instalada em saúde (inclusive saúde mental) e sem a presença dos 
CAPS deverá ser adotado como ponto de atenção de referência o PA ou o PS. 
46 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Essas unidades devem contar, no mínimo, com equipe de saúde composta por 
médico e enfermeiro nas 24 horas para atendimento contínuo de clínica médica 
e pediátrica. Essa equipe deverá ser capacitada para o atendimento dos agra-
vos em saúde mental.
No caso dos transtornos mentais agudos, essas unidades deverão possuir pro-
fissional treinado ou especializado com o objetivo de interromper o fluxo de 
internação em leitos psiquiátricos.
Devem ainda possuir retaguarda de maior complexidade previamente pactua-
da, com fluxo e mecanismos de transferência claros, mediados pela Central de 
Regulação, a fim de garantir o encaminhamento dos casos que extrapolem sua 
complexidade (Portaria GM nº 2.048).
Dentre os agravos da saúde mental, os abaixo discriminados deverão ser refe-
renciados para esse ponto de atenção:
Intoxicações/abstinência por álcool e outras drogas (comprometimento ‰
grave)3;
Overdose; ‰
Risco de suicídio; ‰
Auto e heteroagressividade (com risco de vida para si mesmo ou para ou- ‰
trem);
Síndrome neuroléptica maligna; ‰
Condições clínicas associadas que levem a situação de risco de vida. ‰
3 Conforme definido no Protocolo Clínico da Saúde Mental. Caso necessário a equipe da ES deverá referen-
ciar para serviço de urgência de maior complexidade ou para leito psiquiátrico (Micro ou Macrorregional).
47DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
VII. GRANDES ÁREAS CLÍNICAS
7.1 PATOLOGIAS
A s doenças mentais não são “entidades anátomo-clínicas”, mas formas de existência ou consciência patológica que se distinguem e diferem por sua fisionomia clínica, estrutura e evolução. 
As psicoses se definem, geralmente, pelo caráter grave dos distúrbios psíqui-
cos (e, sobretudo, pelo Delírio ou pelos Distúrbios doHumor) e pelas circuns-
tâncias de seu aparecimento, tanto “endógenas” quanto “exógenas”.
Designam-se por: 
Neuroses, as doenças mentais que desorganizam menos profundamente a 
consciência e a personalidade;
Demências, as que acarretam uma deteriorização profunda da atividade psíquica;
Estados de retardo mental ou oligofrenias, as formas congênitas de insuficiên-
cia do desenvolvimento intelectual.
48 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
7.2 PSICOSES
DEFINIÇÃO E SINTOMAS MAIS CARACTERÍSTICOS 
A descrição a seguir tem como finalidade instrumentar o clínico para o diagnós-
tico sindrômico desse transtorno. 
O clínico deverá estar atento para a possibilidade de causas orgânicas que jus-
tifiquem os sintomas e também para a existência de doenças clínicas associa-
das. Dessa forma, os transtornos psicóticos caracterizam-se pela presença de 
alucinações e/ou delírios:
Alucinações: ‰ são alterações do senso-percepção, nas quais o paciente apre-
senta percepções falsas (na ausência de um estímulo real), que podem ocor-
rer nas diferentes modalidades sensoriais (auditiva, gustativa, visual e tátil).
Delírios: ‰ são alterações do conteúdo do pensamento, geralmente envol-
vendo interpretação incorreta dos fatos.
Também podem ocorrer alterações do curso do pensamento, o que reflete no 
discurso que se torna desorganizado.
O paciente com psicose pode apresentar comportamento desorganizado, even-
tualmente com agitação importante ou catatonia, e alterações do afeto, que 
pode estar embotado (menos intenso do que o esperado) ou incongruente com 
o estímulo.
Vários transtornos mentais podem apresentar sintomas psicóticos, descritos 
acima: a esquizofrenia, o mais grave deles, a depressão grave e o transtorno 
bipolar, a demência e o dellirium tremens.
ACOLHIMENTO
Espera-se dos profissionais de saúde uma constante postura de acolhida ao 
receber usuários com transtornos mentais em serviços de saúde. Sendo assim, 
é importante:
49DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o paciente; ‰
Buscar estabelecer um vínculo, o que será essencial para sua adesão ao ‰
tratamento e confiança na equipe;
Abordar a família no sentido da importância da adesão ao tratamento; ‰
Atenção aos pontos de vulnerabilidade e quebra de vínculos familiares e ‰
sociais;
Estreitamento dos vínculos entre a equipe e familiares de portadores de ‰
transtorno mental;
Escuta cuidadosa e atenta para a identificação das demandas; ‰
Orientações quanto ao convívio familiar com o portador de transtorno men- ‰
tal;
Orientação em relação aos procedimentos adotados; ‰
Discutir com a família sobre o encaminhamento para outro serviço de refe- ‰
rência mais adequado à situação, inclusive, a possibilidade de internação 
hospitalar.
EVENTO AGUDO
Avaliação:
Agitação psicomotora; ‰
Risco de suicídio; ‰
Risco psicossocial (pessoa incapaz de cuidar de si mesma, desestrutura- ‰
ção familiar, recusa de tratamento);
Transtornos graves com resposta insatisfatória à medicação usual; ‰
50 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Todos os pacientes com quadro psicótico, mesmo com história anterior de ‰
psicose devem ser submetidos a uma avaliação clínica geral, afastando-se 
causas orgânicas e identificando co-morbidades clínicas;
O diagnóstico de transtornos psicóticos deve ser firmado pelo especialista, ‰
quando o indivíduo, com quadro agudo, em geral está agitado, incoerente 
e incapaz de informar sua história adequadamente;
Quadros decorrentes de efeitos colaterais dos antipsicóticos (extra-pirami- ‰
dais).
Procedimentos:
Seguir protocolo geral caso tenha agitação ou risco de suicídio (contenção ‰
mecânica e/ou medicamentosa);
Efetuar diagnóstico diferencial com quadros orgânicos cerebrais e outras ‰
doenças;
Os principais efeitos colaterais dos antipsicóticos, que podem caracterizar ‰
evento agudo, estão descritos no quadro 2, juntamente com o seu manejo. 
Nesses casos não esquecer de explicar ao paciente e seus familiares o que 
está acontecendo;
Há necessidade de diferenciar quadros orgânicos cerebrais e outras doen- ‰
ças, como intoxicações medicamentosas, que podem cursar com sintomas 
de psicose.
Contenção física:
É um método seguro, eficiente e reversível, não afetando o nível de consci- ‰
ência do paciente;
Havendo risco da integridade dos profissionais, poderá ser solicitada ajuda ‰
da polícia militar para fazer a contenção;
51DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
É necessária a participação de, no mínimo, quatro profissionais; ‰
O material para a contenção é constituído de quatro faixas (uma para cada ‰
membro), de aproximadamente 12 metros de comprimento por 40 cm de 
largura, com tiras finas em uma das extremidades (figura 1).
TÉCNICA DA CONTENÇÃO
O paciente deverá ser deitado sobre uma cama, maca ou colchão e três ou 1. 
mais pessoas devem segurar os membros do paciente, estendidos (nos 
ossos longos; não fazer pressão sobre as articulações);
Retirar do paciente: cinto, pulseiras, relógios, anéis, colares, objetos nos 2. 
bolsos, chaves ou outros que possam machucá-lo;
Desenrolar cerca de 1 metro da faixa, juntar as duas partes fazendo uma 3. 
alça e colocar a mão direita pelo espaço da alça (figura 2);
52 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Dobrar a laçada que ficou sobre a mão, colocando-a por cima da junção das 4. 
faixas (figura3);
Firmar o laço que se formou com a mão esquerda, deixando a mão direita 5. 
dentro da laçada (figura 4);
Cada uma das 6. quatro faixas deverá ser colocada em um dos punhos e tor-
nozelos do paciente (por um dos quatro profissionais envolvidos), utilizando-
se a mesma laçada (figura 5);
53DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
 Introduzir, a seguir, a ponta mais curta da faixa dentro da laçada, o que evi-7. 
ta que ela aperte o paciente que está sendo contido, mantendo sempre a 
mesma tensão (pode-se verificar se a tensão está adequada introduzindo os 
dedos indicador e médio entre a faixa e o corpo do paciente);
 O restante da ponta mais curta deve ser amarrado à estrutura da cama, 8. 
imobilizando o paciente (o ideal é que a pessoa mais treinada faça as quatro 
laçadas, enquanto as outras contêm o paciente);
 Com a parte da faixa que estava enrolada envolver por três vezes o membro 9. 
que já está imobilizado pela laçada, sempre no sentido distal-proximal1, de 
forma a envolver joelhos e cotovelos;
A seguir, 10. quatro pessoas, duas de cada lado da cama, farão a contenção 
propriamente dita, passando as faixas (duas pessoas para superiores e duas 
para inferiores) sobre o paciente e por baixo da cama (figura 6);
As faixas que prendem os membros superiores devem vir dos ombros até 11. 
o abdome e as que prendem os membros inferiores dos tornozelos até a 
cintura (figura 7);
1 A imobilização acontece das extremidades para o tronco.
54 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
As faixas deverão ser colocadas na horizontal ou com pequenas inclinações, 12. 
o que dificulta que o paciente afrouxe a contenção (figura 8);
É fundamental que as faixas fiquem bem esticadas. Para tanto, sempre que 13. 
uma volta for concluída puxar a faixa para dar a tensão necessária (nem 
muito apertada nem frouxa), e firmar os membros estendidos (nos ossos 
longos; não fazer pressão sobre as articulações);
55DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
No caso de pacientes que necessitem soroterapia ou medicação endove-14. 
nosa, após a imobilização dos braços com a laçada, as faixas são passadas 
por cima de um dos braços, do ombro até a cintura, e por baixo do outro, de 
modo a deixar livre parte do mesmo, permitido o acesso venoso (figura IV.9).
CUIDADOS COM O PACIENTE CONTIDO
Nunca deixá-lo sozinho − a presença de cuidadores junto ao paciente con- ‰
tribui para acalmar;
Observá-lo constantemente em relação à segurança e ao conforto da con- ‰
tenção (observar a pressãoda faixa sobre a região contida);
Manter tronco e cabeça levemente elevados; ‰
Monitorar sinais vitais e o nível de consciência, a cada 15 minutos e anotá- ‰
los na ficha de contenção (anexo 3);
Caso a contenção seja mantida por mais de 1 hora, o paciente deverá ser ‰
reavaliado pelo médico de hora em hora (ou com maior freqüência);
Não permitir que seja alimentado ou fume nesse período; ‰
Em caso de sede, molhar o algodão e passar nos seus lábios; ‰
Não administrar medicação por via oral nesse período; ‰
Não desfazer a contenção em situações de necessidades fisiológicas; ‰
Desfazer a contenção imediatamente em casos de emergência clínica, ‰
como dificuldades respiratórias, crises convulsivas e outras;
Ao transportar o paciente para outro local, deixá-lo contido com faixa de ‰
segurança e explicar que esse procedimento é rotina;
Caso a contenção física não seja suficiente para o controle da situação de ‰
crise, pode ser indicada a química.
56 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
CONTENÇÃO MEDICAMENTOSA
PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NA CONTENÇÃO QUÍMICA: 
PRINCIPAIS INDICAÇÕES E INCONVENIENTES
PSICOFÁRMACO POSOLOGIA INDICAÇÕES INCONVENIENTES
HALOPERIDOL
(Antipsicótico de 
alta potência)
5 mg, IM, cada 
30 minutos, até 
a diminuição dos 
sintomas
Máximo: 6 doses
Primeira escolha:
Quadros psicóti- 9
cos;
Episódios manía- 9
cos.
S 9 intomas extrapirami-
dais;
Contra-indicado em into- 9
xicações por inalantes.
CLORPROMAZINA
(Antipsicótico de
baixa potência)
25 mg, IM
Segunda escolha:
Quadros Psicóti- 9
cos.
Maior poder de sedação; 9
Risco aumentado de 9
formação de abscessos e 
reações granulomatosas;
Causa hipotensão e efei- 9
tos anticolinérgicos;
Contra-indicado em into- 9
xicações por inalantes.
DIAZEPAM
(Ansiolítico)
10 a 20 mg, VO
Dose máxima,
VO: 120 mg ao 
dia
Primeira escolha: 9
Intoxicação alcoóli-
ca aguda;
Abstinência de ál- 9
cool ou de drogas 
hipnótico sedati-
vas;
Intoxicaçã 9 o por 
cocaína, alucinó-
genos inalantes, 
maconha e antico-
linérgicos;
Quadros não-psi- 9
cóticos; tratamen-
to das convulsões.
Início da ação não é 9
rápido;
Efeito sedativo; 9
Risco de depressão res- 9
piratória;
Efeito paradoxal eventual; 9
N 9 ão usar via IM em 
intoxicações por alucinó-
genos, maconha,cocaína 
e anticolinérgicos.
57DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIPSICÓTICOS E SEU TRATAMENTO
PARKINSONISMO DISTONIA ACATISIA
SÍNDROME 
NEUROLÉPTICA 
MALIGNA
Q
ua
dr
o 
C
lín
ic
o
Alterações de 9
marcha (marcha à 
petitpas)
Bradicinesia 9
Facies em máscara 9
Rigidez tipo roda 9
denteada
Salivação excessiva 9
Tremor de repouso 9
Desenvolvimen- 9
to súbito de con-
trações breves 
ou prolongadas 
dos músculos 
agonistas e 
antagonistas, 
produzindo 
posturas anor-
mais da cabeça, 
pescoço, tronco 
ou membros
Desejo subjeti- 9
vo de estar em 
constante movi-
mento
Dificuldade em 9
permanecer 
parado: caminha, 
mexe os pés, 
cruza e descruza 
os braços, etc
Sensação interna 9
de inquietação 
pode ser confun-
dida como piora 
da agitação ou 
ansiedade
Delirium 9
Febre 9
Hipertensão 9
arterial
Rigidez muscular 9
Sudorese 9
Fatal em cerca 9
de 20% dos 
casos
Fa
to
re
s/
 P
er
ío
d
o 
d
e 
Ri
sc
o
Primeira semana 9
de tratamento
Aumento da 9
dosagem do 
antipsicótico
3 primeiros 9
meses de tra-
tamento com 
antipsicóticos de 
alta potência (ex. 
haloperidol)
Antipsicóticos 9
de alta potência, 
especialmente 
na forma depot
Aumento rápido 9
da dose
Desidratação 9
Desnutrição 9
Outras intercor- 9
rências clínicas
M
an
ej
o 
da
 
C
ris
e
Substituir o antipsicótico em uso, ou 
reduzir a dose pela metade 
Biperideno 2 mg, 1 ampola via 
intramuscular, visando ao alívio rápido 
(antes de uma hora) da sintomatologia;
Substituir o 
antipsicótico em 
uso, ou reduzir a 
dose pela metade 
Propanolol 40 mg 2 
a 3 vezes ao dia
Emergência clínica 
– transferir para UTI 
(suspender o uso 
de antipsicóticos)
M
an
ut
en
çã
o
Biperideno 2 mg, 1 comp. via oral 2 a 3 
vezes ao dia, por 14 a 21 dias.
Encaminhar para o 
ambulatório.
58 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
ENCAMINHAMENTOS:
Identificação dos casos pela equipe PACS/ESF/ESM; ‰
Encaminhamento para avaliação por ESM; ‰
Após avaliação na U.S., encaminhar, caso necessário, para atendimento no ‰
PA/Urgência em Hospital Geral local, microrregional ou macrorregional;
Encaminhamento pela ESM da U.S., caso necessário, para o Centro de ‰
Atenção Psicossocial (CAPS) para avaliação e elaboração de PTI2 (Projeto 
Terapêutico Individual) e seguimento por equipe multidisciplinar (ESM ou 
CAPS);
Seguimento em serviço extra-hospitalar (CAPS), caso necessário, munici- ‰
pal ou microrregional, por indicação da Equipe de Saúde Mental (ESM);
Atendimento e internação para tratamento em Pronto Atendimento/Pronto- ‰
socorro local3;
Internação prioritariamente em leito psiquiátrico em Hospital Geral (HG), ‰
municipal, regional ou microrregional;
Internação em hospital psiquiátrico se esgotadas todas as possibilidades ‰
de tratamento em leito psiquiátrico em HG local, micro ou macrorregional;
Internação em hospital clínico no caso de doenças orgânicas; ‰
Atendimento e orientação à família pela equipe da U.S. sobre aspectos da ‰
doença, incentivando sua participação na continuidade do cuidado;
2 O Projeto Terapêutico Individual (PTI) é um conjunto de atendimentos que respeite a particularidade, 
personalize o atendimento de cada pessoa e proponha atividades durante a permanência no serviço se-
gundo suas necessidades.
3 O atendimento em Pronto-socorro psiquiátrico deverá ser feito nos casos em que a rede não conseguir 
a remissão do quadro de pacientes da região metropolitana.
59DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais como parte do PTI (pro- ‰
jetos de diferentes áreas que possam auxiliar na reinserção social).
EVENTO CRôNICO
Avaliação:
Paciente com quadro estabilizado; ‰
Aceita medicação; ‰
Com suporte familiar ou social. ‰
Procedimentos:
Avaliação especializada por ESM em U. S. para diagnóstico; ‰
Avaliação clínica para afastar possíveis causas orgânicas ou doença clínica ‰
associada.
Encaminhamentos:
Acompanhamento por Equipe de Saúde Mental (ESM) multidisciplinar com ‰
elaboração de PTI voltado para reabilitação psicossocial;
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais (projetos de diferentes ‰
áreas que possam auxiliar o trabalho de inserção social);
Caso não haja no município profissional especializado ou capacitado, o pa- ‰
ciente deverá primeiramente ser avaliado em serviço/equipe especializada, 
micro ou macrorregional, para diagnóstico e orientação sobre a continuida-
de do tratamento, com revisões periódicas por esse serviço/equipe;
Na situação acima o paciente deverá ser acompanhado por equipe da ESF ‰
com atendimento regular e visitas domiciliares com freqüência programada 
para cada caso.
60 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
7.3 DEPRESSÃO
DEFINIÇÃO, TIPOS E SINTOMAS MAIS CARACTERÍSTICOS
Os transtornos do humor caracterizam-se por rebaixamento ou elevação do ‰
humor, que também pode ser irritável. Eles interferem intensa e negativa-
mente na qualidade de vida dos indivíduos;
O transtorno depressivo maior se caracteriza por um ou mais episódios ‰
depressivos maiores;
A distimia é um transtorno com sintomas menos intensos, porém com du- ‰
ração de pelo menos dois anos, quando ocorrem episódios de elevação do 
humor, ou mania (período com aumento da atividade, gastos excessivos, 
aumento da libido, euforia ou irritabilidade). Em geral, associados a outros 
de humor depressivo, temos os transtornosbipolares;
O risco de um adulto apresentar transtorno depressivo maior é de 10 a 25% ‰
em mulheres e 5 a 12% em homens, durante a vida (American Psychiatric 
Association, 1994);
Cerca de 15% dos indivíduos com transtorno depressivo maior morrem por ‰
suicídio;
80% dos indivíduos que receberam tratamento para um episódio terão um ‰
segundo episódio na vida, sendo quatro a média ao longo da vida;
A duração de um episódio é de seis meses ou mais; ‰
12% dos pacientes têm um curso crônico sem remissão dos sintomas; ‰
A depressão é a quarta causa específica de incapacitação. ‰
EVENTO AGUDO
Avaliação:
Idéias e/ou ‰ comportamento suicida;
Transtornos Graves (pacientes não sai do leito, não se alimenta, não se cuida); ‰
61DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Risco psicossocial (pessoa incapaz de cuidar de si mesma, desestrutura- ‰
ção familiar, recusa de tratamento);
Agitação, ansiedade, pânico; ‰
Efeitos colaterais graves da medicação (vide quadro de sintomatologia de- ‰
corrente da intoxicação por medicamentos antidepressivos).
Procedimentos:
Avaliação especializada por ESM e encaminhamento para tratamento no PA; ‰
É fundamental afastar causas orgânicas, por isso torna-se imprescindível ‰
efetuar diagnóstico diferencial com quadros orgânicos cerebrais e outras 
doenças. 
Encaminhamentos:
Identificação dos casos pelas equipes PACS/ESF/ESM; ‰
Avaliação por ESM; ‰
Após avaliação, a ESM deverá encaminhar, caso necessário, para atendi- ‰
mento no PA/Urgência em Hospital Geral local, micro ou macrorregional;
Encaminhamento pela ESM da U.S., caso necessário, para o Centro de ‰
Atenção Psicossocial (CAPS) para avaliação e elaboração de PTI4 (Projeto 
Terapêutico Individual) e seguimento por equipe multidisciplinar (ESM ou 
CAPS);
Seguimento em serviço extra-hospitalar (CAPS), caso necessário, munici- ‰
pal ou microrregional, por indicação da Equipe de Saúde Mental (ESM);
4 O Projeto Terapêutico Individual (PTI) é um conjunto de atendimentos que respeita a particularidade, 
personaliza o atendimento de cada pessoa e propõe atividades durante a permanência no serviço segun-
do suas necessidades.
62 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Atendimento e internação para tratamento em Pronto Atendimento/Pronto- ‰
socorro local5;
Internação prioritariamente em leito psiquiátrico em Hospital Geral (HG), ‰
municipal, regional ou microrregional;
Internação em hospital psiquiátrico se esgotadas todas as possibilidades ‰
de tratamento em leito psiquiátrico em HG local, microrregional ou macror-
regional;
Internação em hospital clínico no caso de doenças orgânicas; ‰
Atendimento e orientação à família, pela equipe da U.S. sobre aspectos da ‰
doença, incentivando sua participação na continuidade do cuidado;
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais deverão fazer parte do ‰
PTI (projetos de diferentes áreas que possam auxiliar na reinserção social).
EVENTO CRôNICO
Avaliação:
Paciente com quadro estabilizado; ‰
Aceita medicação; ‰
Com suporte familiar ou social. ‰
Procedimentos:
Avaliação especializada por ESM em U. S. para diagnóstico; ‰
Avaliação clínica para afastar possíveis causas orgânicas ou doença clínica ‰
associada.
5 O atendimento em pronto-socorro psiquiátrico deverá ser feito nos casos em que a rede não conseguir 
a remissão do quadro de pacientes da região metropolitana.
63DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Encaminhamentos:
Acompanhamento por Equipe de Saúde Mental (ESM) multidisciplinar, com ‰
elaboração de PTI voltado para reabilitação psicossocial;
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais (projetos de diferentes ‰
áreas que possam auxiliar o trabalho de inserção social);
Caso não haja no município profissional especializado ou capacitado, o pacien- ‰
te deverá primeiramente ser avaliado em serviço/equipe especializada, micro 
ou macrorregional, para diagnóstico e orientação sobre a continuidade do tra-
tamento, com revisões periódicas determinadas por esse serviço/equipe;
Na situação acima o paciente deverá ser acompanhado por equipe da ESF ‰
do município, com atendimento regular e visitas domiciliares com freqüên-
cia programada para cada caso.
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE OS PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NO 
TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS DO HUMOR
Categoria Droga Apresentação Dose diária
Antidepressivos 
tricíclicos
Cloridrato de 
Amitriptilina 25 mg cápsula 50-300 mg
Cloridrato de 
Clomipramina
10 mg cápsula
50-300 mg
25 mg cápsula
Nortriptilina 50 mg compr 50 – 300 mg
Estabilizadores 
do humor
Carbamazepina 200 mg compr 400-1600 mg
Carbonato de Lítio1 300 mg compr 900-2100 mg*
Ácido Valpróico 250 mg cápsula 400-1600 mg
Clonazepam
0,5 mg compr
0,5 – 6 mg
2 mg compr
ISRS Cloridrato de Fluoxetina 20 mg cápsula 20 – 80 mg
*1 – A dosagem laboratorial da litemia é indispensável, devido ao risco de intoxicação. No tratamento da 
fase aguda, o nível sérico de lítio deve ser de 0,9 a 1,2 mEq/l, e na manutenção, de 0,6 a 0,9 mEq/l.
65DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
VIII. ATENÇÃO A USUÁRIOS DE 
ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
15 a 30% da população adulta, em algum momento da vida, tem problemas ‰
associados ao uso de álcool;
12,3% da população brasileira de 12 a 65 anos apresentam dependência do ‰
álcool (CEBRID, 2006);
Constam 20.472 registros de alcoolismo referido no Sistema de Informação ‰
da Atenção Básica (SIAB), em 2006; 
Das internações psiquiátricas no ES de 2002 a 2006, 13.444 foram por ál- ‰
cool e outras drogas;
Com relação às outras drogas (exceto álcool e tabaco), o uso entre estudan- ‰
tes de 1º e 2º graus, em dez capitais brasileiras, variou de 18 a 23%;
Cada dependente químico afeta diretamente a vida de pelo menos quatro ‰
ou mais pessoas;
Aproximadamente 20% dos pacientes tratados na rede primária fazem uso ‰
de bebida alcoólica, um nível considerado de alto risco;
No caso de mulheres grávidas ou que estão amamentando, o abuso do ‰
álcool pode provocar malformações no bebê.
66 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
8.1 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO CONSUMO
É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo critérios científicos, 
para desfazer o preconceito de que todos sejam “viciados”, “marginais” ou “ma-
conheiro”. Assim, a Unesco distingue quatro tipos:
Experimentador: ‰ limita-se a experimentar uma ou várias drogas, em geral, 
por curiosidade, sem dar continuidade ao uso; 
Usuário ocasional: ‰ utiliza uma ou várias substâncias, quando disponível 
ou em ambiente favorável, sem rupturas nas relações afetivas, sociais ou 
profissionais; 
Usuário habitual: ‰ faz uso freqüente, ainda controlado, mas já se observam 
sinais de rupturas nas relações; 
Usuário dependente (toxicômano, drogadito, dependente químico): ‰ faz 
uso intenso, vivendo pela droga e para a droga, descontroladamente, com 
rupturas em seus vínculos sociais, com marginalização e isolamento.
8.2 O ACOLHIMENTO
Orienta-se aos profissionais de saúde uma constante “postura” de acolhida ao 
receber usuários de álcool e outras drogas em serviços de saúde. Sendo assim, 
é importante:
Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o nosso paciente; ‰
Levantar dados sobre sua personalidade, e sócio-culturais; ‰
Investigar o lugar que a droga ocupa em sua vida, as dificuldades trazidas ‰
pelo uso, as razões que levaram ao uso e as que fizeram continuar usan-
do;
Abordar as perdas sofridas, os recursos internos e externos que podem au- ‰
xiliar no tratamento, entre outros, para podermos melhor traçar seu plano 
de tratamento;
67DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Buscar estabelecer um vínculo com o paciente, o que será essencial para ‰
sua adesão ao tratamento e confiança na equipe.
8.3 EVENTO AGUDO
Estados de intoxicação; ‰
Estados de abstinência; ‰
Psicose alcoólica; ‰
Síndrome de abstinênciaalcoólica (SAA) - ver Anexo III. ‰
Avaliação:
Principais sinais e sintomas:
Taquicardia ‰
Hipertensão Arterial ‰
Náuseas/Vômitos ‰
Tremores ‰
Aumento da temperatura corporal ‰
Sudorese ‰
Inquietação ‰
Insônia ‰
Ansiedade ‰
Depressão ‰
Confusão mental ‰
Alucinações ‰
Convulsões ‰
68 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
PRINCIPAIS CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE DEVEM SER LEVADAS EM 
CONSIDERAÇÃO COMO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE SAA
Infecções (pneumonia, meningite, encefalite) Ö
Traumatismo crânio-encefálico, hematoma subdural Ö
Encefalopatia hepática, má nutrição Ö
Efeitos adversos de outros medicamentos Ö
Convulsões: tumor, alterações minerais ou hidroeletrolíticas Ö
Delirium Tremens: outras causas de Delirium Ö
Procedimentos:
Avaliação laboratorial:
Hemograma ‰
Enzimas hepáticas ‰
Magnésio, sódio e potássio ‰
Tratamento não-farmacológico:
Esclarecimento sobre a SAA (ver Anexo III) ‰
Monitoramento freqüente do paciente ‰
Ambiente tranqüilo ‰
Limitação de contatos pessoais ‰
Hidratação ‰
Cuidados com a nutrição ‰
Tratamento farmacológico: ‰
Reposição de Tiamina – 300mg/dia intramuscular 
Benzodiazepínico – dose adequada para a intensidade de sintomas de 
cada paciente, sendo utilizados, em média, de 30 a 120 mg de Diaze-
69DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
pam no primeiro dia, com retirada de 20% da dose diariamente, termi-
nando seu uso em cerca de sete dias.
Casos graves – reposição de Magnésio (Haloperidol, 5mg por dia). ‰
O que não fazer:
Não administrar glicose, indiscriminadamente, por risco de ser precipitada ‰
a Síndrome de Wernicke. Só deve ser aplicada parenteralmente após a ad-
ministração de tiamina; 
Não fazer uso rotineiro de difenil-hidantoína (fenitoína) parenteral; ‰
Não aplicar Diazepam endovenoso sem os recursos para reverter uma pos- ‰
sível parada cardíaca;
Não hidratar indiscriminadamente; ‰
Não utilizar a clorpromazina e outros neurolépticos sedativos de baixa po- ‰
tência para controle de agitação, uma vez que podem induzir convulsões. O 
haloperidol é a indicação mais adequada;
Contenção física inadequada e indiscriminada, que provoque lesões nos ‰
pacientes. 
8.4 RISCO POR OVERDOSE
Uma dimensão muito importante quando se discute o uso de drogas (ver anexo 
IV) é o problema da overdose, entendendo essa como situação na qual o uso 
agudo produziu conseqüências graves, requerendo cuidados médicos e não 
raro levando à morte. 
Sob esse aspecto, o risco é grande tanto para a heroína como para a cocaína: 
ambas desencadeiam alterações profundas do sistema nervoso central que po-
dem matar.
70 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Avaliação:
Conheça os sintomas:
Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo; ‰
Respiração lenta ou curta ou parada da respiração; ‰
Sem pulso ou pulso fraco; ‰
Lábios roxos; ‰
Convulsões, movimentos involuntários, desmaios; ‰
Palpitação, taquicardia, dor no peito. ‰
Procedimentos:
Chame o resgate ou ajuda médica para emergências, imediatamente;
Nunca deixe a pessoa sozinha; ‰
Deite a pessoa de lado, tenha certeza de não haver comida ou vômito na ‰
garganta;
Afaste o queixo do peito; ‰
Nunca dê outra droga para combater o efeito; ‰
Nunca ponha nada na boca da pessoa, incluindo água ou medicamentos; ‰
Se a pessoa estiver tendo uma convulsão segure a sua cabeça com cuida- ‰
do para não bater no chão ou em algum móvel. 
Encaminhamentos:
Serão feitos de acordo com a avaliação do nível de comprometimento e com o 
diagnóstico clínico e psiquiátrico: 
71DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
COMPROMETIMENTOS PONTOS DE ATENÇÃO
Grave (usuário habitual e ou 
dependente)
Pronto-socorro; Hospital Geral; UTI; Leito 
psiquiátrico em Hospital Geral; CAPS ad; 
Programa de Redução de Danos
8.5 EVENTO CRÍTICO
Avaliação:
Diretrizes diagnósticas da dependência:
Forte desejo de consumir; ‰
Dificuldade de controlar o consumo; ‰
Uso persistente apesar de conseqüências nocivas; ‰
Prioridade do uso da droga; ‰
Tolerância; ‰
História de Síndrome de Abstinência. ‰
Procedimentos:
Avaliar eventuais co-morbidades clínicas e/ou psiquiátricas; ‰
Buscar informações básicas sobre o padrão de consumo dos últimos anos, ‰
avaliando a quantidade e a freqüência do beber. O último consumo ou dimi-
nuição são dados importantes a serem avaliados;
Levando em consideração a complexidade do diagnóstico, é possível clas- ‰
sificar o comprometimento do usuário crônico de álcool em três níveis: 
leve, moderado e grave (vide classificação a seguir);
72 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O paciente deve ser informado com clareza sobre o diagnóstico, receben- ‰
do orientações sobre a dependência e a síndrome de abstinência, além 
de tratamento específico para a fase de privação aguda de acordo com a 
necessidade. O encaminhamento será direcionado para o tratamento am-
bulatorial;
Buscar a vinculação e o engajamento do paciente no tratamento da depen- ‰
dência, prevenindo as síndromes de abstinência mais graves no futuro;
Informar ao paciente e à família. Deve-se esclarecer à família e, sempre que ‰
possível, ao próprio paciente sobre os sintomas apresentados, os procedi-
mentos a serem adotados e as possíveis evoluções do quadro.
Encaminhamentos:
Serão feitos de acordo com a avaliação do nível de comprometimento e com o 
diagnóstico clínico e psiquiátrico: 
COMPROMETIMENTOS PONTOS DE ATENÇÃO
Leve
Unidade Básica de Saúde/ Saúde da Família; 
Ambulatório de Especialidades; Programa de 
Redução de Danos e Recursos Comunitários
Moderado/Grave
Unidade Básica de Saúde/ Saúde da Família; 
CAPS ad; Programa de Redução de Danos, 
Pronto Atendimento / Pronto-socorro (Local, 
Microrregional, Macrorregional)
8.6 OUTRAS DROGAS E SEUS EFEITOS MAIS IMPORTANTES
ALUCINÓGENOS
Os alucinógenos (drogas psicodélicas) são substâncias químicas que possuem 
a propriedade de produzir distúrbios alucinatórios (percepção de objetos que 
73DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
não existem na realidade) e delírios (crenças incompatíveis com a nossa realida-
de), resultando numa perturbação mais ampla do sistema nervoso central.
Diversos alucinógenos são extraídos de plantas e cogumelos (naturais). Outras 
substâncias desse grupo são produzidas sinteticamente em laboratório.
Principais produtos
Naturais: cogumelos Psilocybe cubensis e Paneoulus (psilocibina), vinho de Ju-
rema preparado à base da planta Mimosa hostilis (dimetiltriptamina – DMT), 
cacto Mescal (mescalina), Ayahuasca preparada à base das plantas Caapi e 
Chacrona e utilizada nos rituais do Santo Daime (DMT) e a Trombeteira ou Chá 
de Lírio (anticolinérgico atropina e escopolamina);
Sintéticos: LSD 25 (dietilamina do ácido lisérgico), ecstasy (MDMA – metilenodioxi-
metanfetamina, Artane (Triexifenidila), Akineton (Biperideno) e Bentyl (Diciclomina).
Efeitos psíquicos
Já foi assinalado que os alucinógenos induzem a alucinações e delírios. É im-
portante ressaltar que esses efeitos variam de acordo com a substância e a 
dose utilizadas, a sensibilidade e personalidade de cada indivíduo, a expectativa 
que a pessoa tem sobre os efeitos, o ambiente, a presença de outras pessoas 
e associação com outras drogas. As reações psíquicas podem ser agradáveis 
(“boa viagem”) e a pessoa experimentará uma sensação prazeroza, sentindo-
se recompensada pelas alterações da percepção vivenciadas (cores brilhantes, 
alucinações visuais e melhor sonoridade). Em outras ocasiões, são desagradá-
veis (“má viagem”), como visões terrificantes, sensações de deformação do 
próprio corpo, distorções da realidade, delírios persecutórios, sensação iminen-
te de morte etc.
ANFETAMINAS
As anfetaminas são substâncias sintéticas que aumentam a atividade do sis-
tema nervoso central, fazendo com que o cérebro trabalhe mais rapidamente. 
74 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Dessa forma, inibem a sensaçãode fome, cansaço e sono. Por esse motivo, são 
muito usadas para o emagrecimento e para aumentar a capacidade de traba-
lho. As pessoas obesas são as que mais freqüentemente fazem uso, buscando 
perder peso bem como os motoristas de caminhões e ônibus, que necessitam 
dirigir durante varias horas ininterruptas.
Principais produtos
Dietilpropiona (Anfepramona), Fenproporex, Manindol, Metanfetamina e Metil-
fenidato.
Efeitos físicos
Pupilas dilatadas, aumento da freqüência cardíaca (taquicardia) e da pressão 
sanguínea. Com doses muito altas, pode-se observar aumento da temperatura 
(hipertermia), palidez cutânea e convulsões. Alguns casos evoluem para compli-
cações cardio-circulatórias (derrame cerebral e infarto do miocárdio).
Efeitos psíquicos
Insônia, perda do apetite, aumento da disposição e do ânimo, hiperatividade, lo-
quacidade (tagarelice) e sensação de euforia. Em alguns casos, ocorre aumen-
to da ansiedade, irritabilidade fácil e comportamentos agressivos. Doses altas 
podem determinar os delírios paranóides (psicose anfetamínica), caracterizados 
por excessiva desconfiança e idéia persistente de perseguição.
Uso crônico
O principal problema relacionado ao consumo crônico é a síndrome de depen-
dência. Quanto maior o tempo de uso, maior será a possibilidade de desenvol-
vimento da tolerância, motivo pelos quais alguns indivíduos consomem uma 
enorme quantidade de comprimidos por dia.
Estudos em laboratório mostram que o uso de anfetaminas pode levar a dege-
neração irreversível de determinadas células do cérebro.
75DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Abstinência
Existem dúvidas sobre a ocorrência de uma síndrome de abstinência para es-
tas substâncias. Entretanto, alguns indivíduos apresentam, após a interrupção, 
quadro caracterizado por intensa ansiedade, tristeza, desânimo e forte compul-
são, difícil de ser suportada.
BENZODIAZEPÍNICOS
Também chamados de tranqüilizantes ou ansiolíticos, são os medicamentos 
psicoativos mais prescritos no mundo. Quando usados por alguns meses se-
guidos, podem determinar estados de dependência.
Principais produtos
Diazepan (Valium, Dienpax, Ansilive, Kiatrium), Bromazepan (Lexotan Somalium), 
Lorazepan (Lorax), Clobazan (Urbanil, Frisium), Clonazepan (Rivotril), Cloxazolan 
(Olcadil, Clozal), Alprazolan (Frontal, Apraz), Midazolan (Dormonid), Flunitraze-
pan (Rohypnol), Flurazepan (Dalmadorm), Clordiazepóxido (Psicosedin, Meno-
tensil), Clorazepato (Tranxilene), Nitrazepan (Sonebon) etc.
Efeitos psíquicos
Os benzodiazepínicos diminuem a atividade ds sitema nervoso central, promo-
vendo os seguintes efeitos:
redução da ansiedade;a) 
indução do sono (efeito hipnótico);b) 
relaxamento muscular;c) 
redução do estado de alerta;d) 
diminuem a freqüência de convulsões em alguns casos de epilepsia;e) 
podem causar excitação e estados de agitação (reação paradoxal), principal-f) 
mente em crianças e idosos.
76 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Intoxicação
Pode ocorrer sedação acentuada, além de arritmias cardíacas e depressão res-
piratória.
Abstinência
Após a redução ou retirada dos benzodiazepínicos, pode ocorrer intenso dese-
jo pela droga, ansiedade, insônia, tremores, fraqueza, náuseas, vômitos, câim-
bras, hipotensão e hiperreflexia; após 24 horas, pode haver convulsões e delírio 
(confusão mental).
Complicações psiquiátricas 
Alterações da memória de fixação, redução da capacidade de julgamento e ra-
ciocínio, comportamento agressivo, estado depressivo, além da diminuição da 
performance motora por sedação.
COCAÍNA
A cocaína é a mais potente substância estimulante do SNC. Os efeitos sobre o 
organismo dependem da via de administração (nasal, endovenosa e pulmonar) 
e do produto ingerido. É uma droga ilícita e apresenta grande potencial para 
determinar estados de dependência.
Principais produtos
Cocaína em pó (branquinha), “crack”, merla, melado, pasta-base, chás.
Efeitos físicos
Aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial e da temperatura; pupilas 
dilatadas, suor excessivo, tremores excessivo, tremores de extremidades, con-
tração muscular e vaso-constricção.
77DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Efeitos psíquicos
Sensação de bem-estar, euforia, poder, excitação e hiperatividade, inibição da 
sensação de fome, cansaço e sono. Com doses mais altas, observa-se ansieda-
de, irritabilidade, desconfiança e apreensão, que podem aumentar até o apare-
cimento da paranóia (idéia de perseguição) e alucinações; pode ainda provocar 
ataques de pânico.
Abstinência
Observa-se em usuários crônicos, após episódios de uso compulsivo continu-
ado por varias horas. Caracteriza-se por apatia, sonolência excessiva, aumento 
do apetite, irritabilidade e humor depressivo. Durante a abstinência, nota-se 
presença de irresistível compulsão pelo uso da droga, o que aumenta o risco 
de recaída.
Complicações psíquicas
Os principais problemas relacionados ao uso freqüente de cocaína são a de-
pendência propriamente dita e os estados psicóticos induzidos pelo seu uso. 
Já existem evidências de alterações na irrigação sanguínea cerebral, o que de-
terminaria, progressivamente, modificações do seu funcionamento.
Complicações clínicas
Arritmias cardíacas, acidente vascular encefálico, convulsões, perfurações do 
septo nasal, rabdomiólise (degeneração irreversível dos músculos esqueléticos) 
e infecções das vias respiratórias. No uso por via endovenosa, observam-se 
flebites, abscessos subcutâneos, endocardites bacterianas, hepatites virais (B 
e C em particular), sífilis e infecção pelo HIV (SIDA/AIDS).
ESTERÓIDES ANABOLIZANTES
Embora não sejam consideradas substâncias psicoativas, essas drogas tem as-
sumido uma importância muito grande em nossa cultura, em virtude do uso abu-
sivo, sem orientação médica, feito por esportistas, para melhorar o desempenho 
78 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
físico, e por adolescentes, para melhorar a aparência visual (estética), com o au-
mento da massa muscular. Algumas causas relacionadas com o abuso incluem 
insatisfação com a aparência física, baixa auto-estima, pressão social e culto pelo 
corpo que a sociedade contemporânea tanto valoriza.
Principais produtos
Durateston, Androxon e Deca-Durabolin.
Efeitos físicos
Em razão do uso abusivo de esteróides: tremores, acne grave, dores nas ar-
ticulações, aumento da pressão sangüínea e risco de doenças coronarianas, 
alterações da função hepática (hepatites instantâneas), deficiência imunológica 
e tumores no fígado.
Outros efeitos
No homem: diminuição ou atrofia do volume testicular, redução da quantida-
de de espermatozóides, impotência, infertilidade, calvície, desenvolvimento de 
mamas, dificuldade ou dor para urinar, aumento da próstata e ginecomastia 
(desenvolvimento da glândula mamária no homem), nem sempre reversível;
Na mulher: crescimento de pêlos com distribuição masculina, alterações ou 
ausência do ciclo menstrual, voz grossa, aumento do clitóris e diminuição dos 
seios;
No adolescente: amadurecimento esquelético precoce com baixa estatura e 
puberdade acelerada.
Efeitos psíquicos
O abuso de anabolizantes pode determinar alterações do humor, resultando em 
agressividade e raiva incontroláveis, o que leva a comportamentos violentos, 
como suicídios e homicídios. Observa-se, ainda, com maior freqüência de sin-
tomas depressivos, aumento da irritabilidade, distorções do julgamento (senti-
mentos de invencibilidade), confusão mental e esquecimentos.
79DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
INALANTES
Os solventes ou inalantes são substâncias que reduzem a atividade do sistema 
nervoso central. Chama a atenção o fato de ser uma das quatro substâncias 
mais consumidas entre os adolescentes e adultos jovens. Vale assinalar, ainda, 
a alta prevalência de consumo dessas entre meninos e meninas em situação 
de risco. As principais substâncias químicas presentesnesses produtos são os 
hidrocarbonetos: tolueno, xilol, acetona, acetato de etila etc.
Principais produtos
Aerossóis, tintas, vernizes, colas, esmaltes, removedores de tinta e esmalte, 
thinners. Episodicamente, no período do carnaval, observa-se consumo abusi-
vo e em larga escala de dois inalantes em particular: lança-perfume e “cheirinho 
da loló” (mistura de inalantes).
Efeitos físicos
Irritação das mucosas do nariz e da boca, tosse, hiperemia conjuntival, fotofo-
bia (maior sensibilidade dos olhos à luz), diplopia (visão dupla) e zumbido nos 
ouvidos. Podem ocorrer, ainda, náuseas, vômitos, diarréia, e dores torácicas, 
musculares e articulares.
Efeitos psíquicos
Sensação de euforia (inicial e passageira), e de estar flutuando, desinibição, ver-
tigem, ilusões, tonturas e sonolência. Ocasionalmente, pode ocorrer amnésia 
(esquecimento completo).
Intoxicação
Eventualmente, observam-se convulsões. Em altas doses, pode haver depres-
são respiratória e arritmias cardíacas, levando à perda de consciência e morte 
súbita.
80 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Abstinência
Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo.
Complicações clínicas
Arritmias cardíacas, hepatite, insuficiência renal, anemia, miastenia, perturba-
ções gastrointestinais e doenças dos nervos periféricos.
Prejuízos pelo uso crônico
Déficit de memória, menor destreza manual, cansaço, cefaléia, confusão men-
tal, descoordenação motora, fraqueza muscular e paralisia dos membros infe-
riores (degeneração dos nervos periféricos). O uso continuado pode resultar em 
lesão irreversível do SNC, com tremor grosseiro, ataxia (perda da coordenação 
dos movimentos) e distúrbio do pensamento.
MACONHA
Denominação dada às folhas e flores da Cannabis sativa. As substâncias psico-
trópicas encontradas na maconha são os canabinóides, das quais a principal é 
o delta-9-tetrahidrocabinol (THC). A concentração de THC presente na maconha 
pode variar de acordo com o tipo de solo, clima, estação do ano, época da co-
lheita, e o tempo decorrido entre a colheita e o consumo. Os efeitos em cada 
pessoa dependem de sua experiência pessoal e de outros fatores, tais como: 
a concentração de THC (potencia da maconha), a expectativa que a pessoa 
tem quando usa, o ambiente onde é usada, a forma de uso e a associação com 
outras substâncias psicoativas. Das drogas ilícitas é a que apresenta a maior 
prevalência de consumo.
Principais produtos
Maconha, também conhecida como erva, beck, marijuana, baseado etc., o ha-
xixe, o óleo de haxixe, o skank e a sinsemilla (sem semente) são variações mais 
potentes da Cannabis sativa.
81DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Efeitos físicos
Taquicardia, hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos), boca seca, tremores 
nas mãos, prejuízo da coordenação motora e diminuição da força muscular e 
aumento do apetite.
Efeitos psíquicos
Em geral, promovem sensação de relaxamento, diminuição da ansiedade, eu-
foria, vontade de rir e alteração da percepção do tempo e do espaço. Com 
doses mais altas, podem ocorrer alterações da memória, atenção e pensamen-
to, medo, ansiedade, sensação de estar sendo perseguido, alucinações e mal-
estar difuso (“má viagem”).
Abstinência
Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo.
Complicações clínicas
Maior incidência de infecção nas vias pulmonares e de bronquite crônica; dimi-
nuição da capacidade pulmonar (a maconha contém um teor de alcatrão maior 
que o cigarro comum). Discute-se muito sobre o aumento na incidência de cân-
cer pulmonar. Outro efeito indesejável é a diminuição da fertilidade masculina, 
por diminuição da produção de espermatozóides.
Complicações psiquiátricas
Pelo uso crônico, entre os prejuízos destaca-se o déficit da memória de fixa-
ção (para fatos recentes). Sabe-se, ainda, que o uso freqüente compromete a 
capacidade de aprendizagem e pode induzir a um estado de desmotivação e 
desinteresse para as atividades do cotidiano – síndrome amotivacional.
OPIÁCEOS OU OPIÓIDES
Denominação dada às substâncias extraídas da Papoula (Papaver somniferum). 
O ópio é o primeiro produto retirado da papuola. Nele existem várias outras 
82 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
substâncias com grande atividade analgésica e hipnótica. As mais conhecidas 
são a morfina e a codeína (opiáceos naturais). Através de uma pequena mudan-
ça na fórmula química da morfina, obtém-se a heroína (opiáceo semi-sintético), 
importante pela alta prevalência de consumo nos países da Europa. Existem, 
ainda, substâncias totalmente sintéticas (produzidas em laboratório), com ação 
semelhante à dos opiáceos, que são chamados de opióides: a meperidina, a 
metadona, o propoxifeno, e o tramadol são alguns exemplos. Todos os opiáce-
os e opióides diminuem a atividade do SNC.
Efeitos físicos
Provocam significativa diminuição na freqüência cardíaca (bradicardia), na fre-
qüência respiratória (bradipnéia), e na pressão sangüínea (hipotensão); obsti-
pação intestinal, supressão da tosse, miose (fechamento das pupilas) e tremo-
res.
Efeitos psíquicos
Produzem uma sensação rápida e intensa de prazer, seguida de bem-estar e 
sonolência, além de determinarem um potente efeito analgésico. Ainda podem 
ocorrer alterações de humor, sensação de estar flutuando, euforia e estados 
confusionais.
Intoxicação
Em doses mais altas, ocorrem reações tóxicas e sérios problemas clínicos, po-
dendo resultar, inclusive, em morte. Tais reações variam de acordo com a droga 
utilizada, o estado geral do paciente e o tempo de uso. Tais sintomas incluem 
depressão respiratória, edema pulmonar e cerebral, cianose (extremidades ro-
xas), arritmias cardíacas e convulsões.
Abstinência
A retirada abrupta dessas substâncias provoca uma síndrome de abstinência gra-
ve e dolorosa, com náuseas e vômitos, diarréia, câimbras musculares, cólicas 
83DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
intestinais, lacrimejamento, coriza, aumento da freqüência cardíaca e da pressão 
sangüínea, desejo intenso pela droga, irritabilidade, fraqueza e insônia, merecen-
do, quase sempre, a atenção por parte de profissionais especializados.
Complicações clínicas
Além dos graves efeitos da intoxicação por altas doses, e do fato de serem uti-
lizadas quase que exclusivamente pela via venosa, constatam-se complicações 
resultantes do uso de agulhas e equipamentos contaminados, tais como: abs-
cessos de pele e tecido subcutâneo, endocardites bacterianas (inflamação das 
válvulas cardíacas), septicemias (infecções generalizadas, disseminadas pela 
via sangüínea), infecções pulmonares, hepatites virais, sífilis e AIDS.
TABACO (NICOTINA)
A nicotina é a segunda substância mais consumida em todo mundo. É prova-
velmente a maior (embora não seja a única) produtora de reforço no consumo 
do tabaco. Além da nicotina, os principais componentes do tabaco são o alca-
trão, que contém aminas aromáticas possivelmente causadoras de câncer, e o 
monóxido de carbono, responsável pela redução na capacidade do sangue em 
transportar oxigênio e pelo desenvolvimento de doença cardíaca.
A nicotina é rapidamente absorvida através dos pulmões e do trato digestivo; 
uma tragada de fumaça resulta em níveis detectáveis de nicotina no cérebro, 
dentro de segundos. Constitui-se, hoje, num grave problema de saúde pública, 
sendo responsável por altas taxas de morbidade e mortalidade.
Principais produtos
Cigarros, charutos, fumo de rolo (de mascar), rapé e chicletes (gomas de mascar).
Efeitos físicos
A nicotina produz aumento da freqüência cardíaca, na pressão sangüínea, na 
freqüência respiratória e na atividade motora. No sistema digestivo reduz as 
84 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
contrações estomacais, o que dificulta a digestão. Podem ocorrer, ainda, náu-
seas, vômitos, dores abdominais e diarréia. Os efeitos sobre o aparelho respira-
tório incluem irritação local, depósito de substânciacarcinogêncicas e diminui-
ção da capacidade vital pulmonar.
Efeitos psíquicos
No sistema nervoso central observa-se um estado de alerta aumentado, junto 
com uma sensação de estímulo inicial, que pode ser seguido por uma sensação 
de calma, elevação leve no humor e diminuição do apetite.
Abstinência
Os sintomas de abstinência tendem a se iniciar após as primeiras horas da 
interrupção do uso, aumentando durante as primeiras 12 horas. Os sintomas 
mais prevalentes são: compulsão, irritabilidade, ansiedade, agitação, dificulda-
de de concentração e atenção. Reações adicionais incluem uma sensação de 
sonolência ou embotamento, sentimentos de hostilidade, cefaléia e problemas 
no sono.
Problemas clínicos
Com exceção do álcool, o tabaco possui o mais alto custo social dentre as subs-
tâncias psicoativas. O uso intenso e constante aumenta a probabilidade da ocor-
rência de algumas doenças, como, a pneumonia, câncer, infarto do miocárdio, 
bronquite crônica, efisema pulmonar, derrames cerebrais, úlceras digestivas etc. 
O consumo, durante a gravidez pode resultar em significativa redução do peso 
do recém-nascido, menor estatura, além de alterações neurológicas importan-
tes. Está relacionado também a um maior risco de abortamento espontâneo. 
Vale lembrar que, durante a amamentação, as substâncias tóxicas do tabaco são 
transmitidas também através do leite materno.
XANTINAS (CAFEÍNA)
O consumo de xantinas data, provavelmente, dos tempos pré-históricos, quando 
os nossos antepassados parecem ter reconhecido que essas substâncias pode-
85DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
riam funcionar como estimulantes, elevando o humor e aumentando a capacidade 
de trabalho. São substâncias que apresentam efeitos psicoativos relativamente 
leves e benignos. As três xantinas mais conhecidas são a cafeína (encontrada no 
chá, café, cacau, refrigerantes colas, bebidas energéticas e chocolates), a teobro-
mina (encontrada primariamente no chocolate) e a teofilia (encontrada na maioria 
dessas bebidas e, também, comercializada como um agente antiasmático). Entre 
as bebidas, o nível mais elevado de cafeína é encontrado nas energéticas, no café 
expresso e no café passado em coador. Encontramos uma quantidade menor de 
cafeína nos chás e ainda menos nos refrigerantes colas e chocolates.
Efeitos físicos
Os efeitos físicos da cafeína estão relacionados com a dose utilizada. No apa-
relho cardiovascular, tende a acentuar a contratilidade cardíaca, e a aumentar 
resistência vascular, resultando em elevação da pressão sangüínea. Com doses 
menores, observa-se a diminuição da resistência vascular. Os efeitos sobre o 
aparelho digestivo estão relacionados ao aumento da secreção gástrica ácida, 
bem como a uma irritação direta da mucosa; os mais observados são diarréia, 
dor epigástrica e sensação de queimor (pirose ou azia). Efeitos adicionais in-
cluem um aumento na tensão muscular.
Efeitos psíquicos
As ações sobre o sistema nervoso central provavelmente são importantes na 
sedução que estas substâncias exercem. Parece haver uma estimulação direta 
do córtex cerebral, com uma inibição da sensação do sono e um fluxo aumenta-
do de pensamento. Em virtude do seu efeito vasoconstritcor, a cafeína e alguns 
derivados das xantinas podem ser úteis no tratamento de cefaléias (dores de 
cabeça). Doses mais altas podem resultar em insônia, agitação, tremor e ansie-
dade. As bebidas cafeinadas podem induzir a um quadro clássico de pânico e 
agravar as síndromes de ansiedade pré-existentes.
Intoxicação
Uma superdosagem tende a ser relativamente leve e a morte é excepcional-
mente rara. A maioria dos pacientes com esses quadro apresentam um quadro 
86 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
clínico caracterizado por hiperestimulaçao, altos níveis de ansiedade, tonturas, 
zumbidos e sentimentos de irrealidade, que podem progredir para confusão e 
alucinações visuais. Os efeitos cardiovasculares podem determinar um aumen-
to súbito da pressão sangüínea, taquicardia e possíveis extrassístoles. Com 
doses de cafeína de 500-600 mg diárias, os sintomas de “cafeinismo” lembram 
aqueles dos ataques de pânico.
Abstinência
A interrupção rápida da ingestão pesada tem sido associada a uma série de sinto-
mas leves, porém perturbadores. A maioria dos pacientes queixa-se de cefaléia, 
associada a níveis aumentados de tensão muscular, irritabilidade, ansiedade e fadi-
ga; esses sintomas têm início poucas horas após a interrupção do consumo.
87DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
IX. CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
9.1. ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
Historicamente no Brasil, a partir do movimento da Reforma Psiquiá-trica, as políticas públicas relacionadas à atenção às pessoas com sofrimentos psíquicos estão progressivamente redirecionando a as-
sistência. A construção de uma política de atenção em saúde mental inclusiva 
para a criança e o adolescente segue as determinações da lei nº. 10.216, o 
relatório final da III Conferência Nacional de Saúde Mental e as conclusões do 
Fórum Nacional de Saúde Mental Infanto-juvenil de 2005.
Esses orientam sua implementação em base territorial, inter e intra-setorial, 
com atenção integral e garantia da equidade, que reverta à tendência institucio-
nalizante e agregue na sua operacionalização os esforços coletivos de profissio-
nais das múltiplas áreas: saúde, direito, educação, assistência social, esporte, 
cultura e familiares.
A constituição dessa política tem o Estatuto da Criança e do Adolescente como 
princípio e considera os sujeitos com direitos e responsabilidades. A singulari-
88 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
dade de cada sujeito e o respeito às diferenças devem demarcar a abordagem 
na perspectiva clínica. 
9.2. PRIORIDADES PARA A ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Indicadores de prioridades clínicas:
Neuroses graves ‰
Psicoses ‰
Autismo ‰
Tentativas de auto-extermínio ‰
Uso de álcool e/ou de outras drogas ‰
Envolvimento em situações graves: violência doméstica, abuso sexual, ‰
maus tratos, abandono, perda, rompimento ou ausência de vínculos fami-
liares próximos e outras situações que estejam causando danos à sanidade 
mental da criança e do adolescente.
AVALIAÇÃO CLÍNICA:
Na avaliação clínica, levando-se em conta sua história pessoal, familiar e o exa-
me da criança e do adolescente, devem ser considerados os impactos do sofri-
mento psíquico em sua subjetividade. 
A anamnese deve conter o maior número de dados que contribuam na identi-
ficação do problema. Devem ser levantados também aspectos relacionados à 
socialização da criança e do adolescente, bem como fatores que indiquem sua 
exposição a riscos e sua vulnerabilidade social.
89DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Ressalta-se observar:
Constituição familiar e história de vida, como gestação, nascimento e ama- ‰
mentação;
Controle dos esfíncteres; ‰
Aspectos que possam ter ocasionado atraso de desenvolvimento; ‰
Dificuldades e crises familiares; ‰
Desempenho escolar, déficit de atenção; ‰
Dificuldades no sono; ‰
Dificuldades alimentares; ‰
Alterações de humor (irritabilidade, medo, insegurança, tristeza excessiva); ‰
Alterações de comportamento (isolamento, hiperatividade, agressividade, ‰
timidez);
História familiar de doenças e outros agravos. ‰
Frente à presença de alguns dos sintomas descritos acima, investigar:
Início e duração; ‰
Freqüência; ‰
Intensidade; ‰
Circunstâncias em que ocorrem; ‰
Manejo familiar; ‰
Fatores que amenizam e exacerbam os sintomas; ‰
Tratamentos anteriores; ‰
90 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Intercorrências orgânicas; ‰
Doenças crônicas. ‰
Do Adolescente:
Além do descrito acima, considerar especialmente:
Os relacionamentos familiares, escolares, com o grupo de pares, afetivos ‰
e comunitários;
 Relação com o próprio corpo, sexualidade e autocuidado; ‰
A presençade dispnéia, vômitos e outras queixas somáticas; ‰
O uso e abuso de álcool e/ou de outras drogas; ‰
A investigação de sinais e sintomas de transtornos mentais, especialmente ‰
depressão, distúrbios de conduta, psicoses.
ALGUNS CRITÉRIOS PARA O ENCAMINHAMENTO DA CRIANÇA E 
DO ADOLESCENTE AO ATENDIMENTO EM SAÚDE MENTAL
Crianças que possuam algum tipo de deficiência (auditiva, física, mental, ‰
visual ou múltipla) devem ser acolhidas e avaliadas pelas Equipes de Saú-
de Mental quando apresentam uma questão ou um sintoma relacionado a 
distúrbio psíquico; 
Crianças vítimas de violência podem apresentar sinais de sofrimento psí- ‰
quico que exijam cuidados em saúde mental;
Crianças e adolescentes com problemas na escola - dificuldades de apren- ‰
dizagem, comportamento e atenção - não devem ser encaminhadas de for-
ma imediata para a Equipe de Saúde Mental das Unidades de Saúde, e sim, 
quando esses problemas forem realmente significativos de um sofrimento 
psíquico;
91DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Crianças e adolescentes que apresentam problemas relacionados ao uso ‰
de álcool e/ou outras drogas devem ser acolhidos, avaliados e atendidos 
pelas Equipes de Saúde Mental nas unidades de saúde da atenção primá-
ria. As crianças e os adolescentes avaliados com indicação no padrão de 
uso de drogas com risco moderado a grave devem ser encaminhados para 
atendimento em Centros de Atenção Psicossocial:
- CAPS i - específico para atendimento de crianças e adolescentes. A Portaria 
SAS MS Nº. 189/2002 considera a atenção em saúde mental para crianças e 
adolescentes com transtornos mentais, como autismo, retardo mental leve e 
moderado, psicoses, neuroses graves e os relacionados ao uso de álcool e ou-
tras drogas nas três modalidades. 
- CAPS ad - específico para atendimento de usuários de álcool e outras drogas, 
mas há CAPS ad que inclui atendimento a crianças e adolescentes usuárias de 
álcool e outras drogas. 
Todas tentativas de auto-extermínio indicam uma condição de gravidade. ‰
Devem ser acolhidas e avaliadas pelas Equipes de Saúde Mental em qual-
quer nível de estruturação, seja nas unidades da atenção primária, nos Cen-
tros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenis - os CAPS i - ou outros;
Crianças e adolescentes em situações de crise devem ser acolhidos ime- ‰
diatamente em qualquer nível de organização do serviço de Saúde Mental 
mais próximo, mobilizando-se os recursos necessários e disponíveis como: 
Clínica Médica, Urgência Psiquiátrica, Serviço Hospitalar de Referência para 
Atenção a Crianças e Adolescentes Usuários de Álcool e Outras Drogas – 
SHR – ad, recursos comunitários, familiares, de acordo com o que requerer 
cada situação apresentada.
O encaminhamento para serviço de atenção psicossocial como o CAPS i ou ad 
deve ser feito, sempre que possível, por um profissional da Saúde Mental.
O PERCURSO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA REDE
92 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O atendimento de criança e adolescente deve ser feito pelo profissional da 
equipe de saúde mental na unidade de saúde da família ou na unidade bási-
ca existente, sobretudo para aqueles quadros menos graves, que respondam 
bem ao tratamento. uma oferta possível nas unidades de saúde com Equipe 
de Saúde Mental, além de atendimentos individuais, é proporcionar atividades 
coletivas, oficinas e outros serviços, incluindo a família.
Contudo, serviços com outros padrões e níveis diferenciados de intervenção 
devem ser disponibilizados. Os CAPS i são serviços de atenção diária destina-
dos ao atendimento de crianças e adolescentes com grave comprometimento 
psíquico. Estão incluídos nessa categoria os portadores de autismo, psicoses, 
neuroses graves, usuários de álcool e outras drogas, retardo mental leve e mo-
derado e todas aquelas crianças e adolescentes que, por sua condição psíquica 
num dado momento, apresentem dificuldades de manter ou estabelecer laços 
sociais.
Os casos em acompanhamento pelas equipes de saúde mental nas unidades 
de saúde, quando necessário, serão encaminhados para profissionais de outras 
especialidades (neurologista, otorrinolaringologista, etc). 
Objetivando a inserção cidadã e a construção de projetos de vida, crianças e 
adolescentes em tratamento com equipe de saúde mental poderão ser enca-
minhadas para programas - da rede pública do município, de ONG’s ou da rede 
privada conveniada - nas áreas de cultura, esporte, educação, lazer, dentre ou-
tros. 
Assim, demonstra-se que proporcionar atenção integral a crianças e adolescen-
tes é também considerar redes de atenção amplamente articuláveis, comple-
mentares e potenciais na construção de novas e efetivas parcerias.
93DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
X. PESSOA IDOSA
O aumento da população idosa verificada nas últimas décadas em nú-meros relativos e absolutos, sobretudo nos países em desenvolvi-mento, aponta para a necessidade de se organizar a atenção ao ido-
so e incluí-la em planos geral e específico.
A dilatação do tempo de vida do idoso oferece oportunidades de realização e 
bem-estar, mas ao mesmo tempo potencializa condições que afetam a saúde e 
a adaptação da pessoa às várias condições de sua vida em contínua mudança.
As mudanças, muitas vezes rápidas, que ocorrem na vida do idoso e que podem 
levar à inadaptação e à doença, podem de maneira simplificada (superficial e 
artificial) ser classificadas em dois grupos.
FATORES PSICOSSOCIAIS:
São aqueles relacionados à dinâmica da pessoa, seu modo de vida e de enfren-
tar os problemas, seus mecanismos de defesa, sua visão de mundo; a forma 
como o ambiente, as situações e conhecimentos afetam a sua vida, etc.
94 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Exemplos desses fatores que influenciam de forma especial o idoso são: a 
perda do seu papel na família e na sociedade em função do reordenamento 
familiar (casamento de filhos, mudanças de casa), aposentadoria, incapacidade 
física etc, perda de suas relações sociais por falecimento de seus conhecidos 
coetâneos, sentimento de solidão e dificuldade de comunicação decorrente do 
que foi anotado anteriormente; dificuldade de construção de novas relações; 
sentimento de rejeição etc; sentimento de fracasso, consciência de ser explo-
rado e desconsiderado.
FATORES BIOLÓGICOS:
O idoso está sujeito a fatores biológicos gerais associados às doenças e condi-
ções comuns e, portanto deve estar incluído nas medidas gerais preventivas e 
curativas destinadas à população. No entanto, está também submetido à atu-
ação de fatores biológicos associados ao envelhecimento, que podem deter-
minar patologias mais típicas, como demências não podemos dizer que são 
determinadas pelo envelhecimento, mais são mais comuns nessa faixa etária).
É claro que a consideração de distinguir e classificar os fatores que contribuem 
para a produção da doença ou condição de incapacidade no idoso só tem sentido 
se servir para ajudar a compreender a sua situação, e atuar de forma resolutiva no 
seu problema e não ser meramente uma informação racionalizante da questão.
10.1 MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL DO IDOSO
Considerando o que foi exposto na introdução, a atenção ao idoso precisa ser 
abrangente e estrategicamente multidisciplinar, no sentido de oferecer trata-
mento e atenção integral e resolutiva.
O idoso tem suas peculiaridades, mas tem também muitas similaridades com 
a população geral, de forma que, a eficácia e resolutividade da atenção dada ao 
idoso devem contemplar o aspecto geral e o específico.
95DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ASPECTO GERAL:
O idoso deve usufruir das atenções, programas e planos oferecidos à popula-
ção geral quando a sua situação, condição geral ou patologia não exigir proce-
dimentos ou planejamentos específicos. 
Nesse caso, deve se beneficiar de qualquer aperfeiçoamento tecnológico, téc-
nico ou estratégico que beneficie a populaçãogeral. Esse aspecto da atenção 
ao idoso aplica-se às condições bem-sucedidas do envelhecimento.
ASPECTO ESPECÍFICO:
Nos casos em que a situação do idoso apresentar condições e complicações 
que exijam tratamento e planejamento diferenciado, ele deve ser acolhido e 
atendido em um programa que atenda às suas necessidades, com avaliação 
inicial criteriosa, formulação de plano terapêutico, referência e vinculação a um 
serviço de atenção, acompanhamento e avaliação, e indicação de alternativas 
nas intercorrências. Esse aspecto da atenção ao idoso aplica-se às condições 
normais do envelhecimento.
A organização da atenção ao idoso no plano específico deve-se estabelecer:
Nas Unidades Básicas e/ou de Saúde da Família, com equipe capacitada para ‰
acolher o idoso, avaliá-lo e promover planejamento e tratamento para a maio-
ria das condições consideradas nas complicações (agudas e crônicas).
Referenciar o idoso, que, em razão de suas complicações ou da complexida- ‰
de do seu estado, não pode ser atendido integralmente na unidade básica.
Fazer a estruturação estratégica do atendimento, seu controle e avaliação, e ‰
também concentrar e racionalizar os registros epidemiológicos.
Unidades de referência municipal: unidades de saúde e de referência es- ‰
tratégica, sanitária e epidemiológica com equipe capaz de acolher, avaliar 
,prover tratamento e referenciar o idoso, que, em razão de suas complica-
96 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
ções ou da complexidade do seu estado, não pode ser atendido integral-
mente na unidade básica.
As unidades de referência municipal: devem também ter equipe capaz de ‰
fazer a estruturação estratégica do atendimento, seu controle e avaliação, e 
também concentrar e racionalizar os registros epidemiológicos.
Serviços de apoio: avaliações, especializados, laboratórios etc. ‰
Sistemas de encaminhamentos: rotinas e referências. ‰
97DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ACESSO AO SUS: 
AGENTES COMUNITÁRIO DE SAÚDE OU UNIDADE DE SAÚDE
Identificação dos indivíduos
com idade 60 
Definição do grau de risco
e patologias da pessoa idosa
A equipe deve checar 
• vacinação, 
• saúde bucal, 
• demandas sociais 
• demandas orgânicas 
Auxilia
Baixo risco clínico
Encaminhamento para avaliação
da equipe básica do PSF/UBS
Alto risco clínico
Cuidados
na ESF / US
Encaminhamento ao Centro 
de Referência de Atendimento 
ao Idoso ou CRE 
Encaminhamento a 
outros profissionais da 
equipe necessários
Transtorno mental grave? Transtorno mental grave?
Não Sim Não Sim
ESF/US CAPS/ESM CRE/CRAI Atendimento conjunto entre 
serviços especializados: 
CAPS/CRAI
FLUXO DE ATENDIMENTO DA PESSOA IDOSA
Fonte: Diretrizes da Saúde da Pessoa Idosa SESA, 2007
98 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
TEXTO EXTRAIDO DA LINHA GUIA DE ATENÇÃO À SAUDE DA PESSOA IDOSA
Avaliação de Risco e “Idoso Frágil”
Com o rápido envelhecimento da população, surge a necessidade de definir 
uma parcela dos idosos mais propensa a internações, declínio funcional e mor-
te, a qual requer mais atenção do sistema de saúde. Há algumas propostas de 
estratificação de risco, sendo a maior parte delas de aplicação enfadonha na 
prática diária. 
O conceito de fragilidade deve ser abordado para melhor compreensão de risco 
no envelhecimento. Fragilidade não possui definição consensual, mas consti-
tui-se em uma síndrome multidimensional da interação de fatores biológicos, 
psicológicos e sociais ao longo da vida, que culmina em um estado de maior 
vulnerabilidade e riscos de adversidades, como declínio funcional, quedas, hos-
pitalização, institucionalização e morte. Cerca de 7% dos maiores de 65 anos e 
20% dos maiores de 80 anos podem ser considerados idosos frágeis.
Idoso frágil é aquele que possui diminuição da reserva energética e resistência 
a estressores. Uma combinação de fatores influencia seu estado fisiológico até 
um ponto em que exposição posterior a mínimos agentes estressores é sufi-
ciente para levar a vários desfechos clínicos negativos, incluindo dependência 
e morte. Acredita-se hoje que a síndrome seja um continuum potencialmente 
reversível quando identificada e abordada precocemente.
Os sintomas de fragilidade constituem-se em perda de peso, fadiga, redução 
de força, atividade física e velocidade de caminhada, e estão entre os sinais clí-
nicos sarcopenia, osteopenia, alterações do equilíbrio e da marcha, limitações 
funcionais, descondicionamento físico e desnutrição.
Há critérios de definição de fragilidade mais completos, porém de difícil aplica-
ção clínica diária. O idoso deve ser considerado de alto risco para fragilização e 
desfechos negativos, e deve ser referenciado para serviços de maior complexi-
dade quando apresentar o proposto a seguir:
Idade ≥ 80 anos; ‰
99DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Idade ≥ 60 anos e um dos abaixo: ‰
Polipatologia (≥5 diagnósticos); 
Polifarmácia (≥5 medicações/dia); 
Presença de Gigante da Geriatria: imobilidade parcial ou total, inconti- 
nência urinária ou fecal, instabilidade de marcha ou incapacidade cog-
nitiva;
História de internações freqüentes ou pós-alta hospitalar; 
Dependência nas atividades básicas de vida diária; 
Portadores de fraturas de fêmur ou vertebrais (osteoporóticas) ou Pa- 
rkinsonismo;
Insuficiência familiar: mora só ou é institucionalizado. 
ROTINAS E FLUXO DA ASSISTÊNCIA:
Considerando o aspecto saúde mental deve-se diferenciar as seguintes situa-
ções:
Paciente com transtorno mental prévio – é a pessoa que já apresentava transtor-
no mental e envelheceu sendo acompanhado na atenção geral. Deve continuar 
na atenção geral até que apresente alguma alteração no seu estado mental que 
exija avaliação e tratamento mais específico, sendo nesse caso referenciado.
CONDUTA: continuar sendo acompanhado no sistema ambulatorial geral.
Paciente sem transtorno mental prévio – preferencialmente deve ser avaliado 
por uma equipe de atenção ao idoso (equipe básica e/ou da Estratégia da Saú-
de da Família), podendo continuar na atenção específica ou ser encaminhado à 
atenção geral.
CONDUTA: entrar no sistema ambulatorial através de um protocolo mínimo.
Avaliação do estado geral; ‰
Avaliação neurológica; ‰
100 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Exame psiquiátrico; ‰
Equipes de acolhimento/avaliação; ‰
Sistema de acompanhamento. ‰
Obs: o idoso com transtorno mental prévio, que apresenta alterações em seu 
estado mental, sobretudo com sobreposição de sintomas confusionais, deve 
passar por nova avaliação criteriosa como aquele sem transtorno prévio.
INDICAÇÕES PARA O TIPO DE ATENÇÃO:
Atenção específica – estado mental complexo, complicações comportamen-
tais, evidência ou forte suspeita de organicidade e complicações clínicas, fragi-
lidade constitucional etc.
Atenção geral – bom estado geral; alterações mentais simples ou expectativas 
de serem reativas ou transitórias; sem complicações orgânicas; boa disposição 
constitucional.
ROTINAS DE AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
Avaliação multidisciplinar:
Avaliar em conjunto, ouvir as impressões dos participantes da equipe e tentar 
formular uma avaliação consensual após discutir o caso do paciente:
Anamnese; ‰
Exames geral, neurológico, psicopatológico; ‰
Exames complementares; ‰
Avaliações complementares/pareceres; ‰
Diagnósticos clínico e descritivo (partilhado); ‰
101DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Planejamento terapêutico ou referência; ‰
Acompanhamento e reavaliação. ‰
Plano terapêutico:
Inserir o paciente nos serviços comunitários de atenção local; 
Contactar com o conselho da pessoa idosa do município a fim de orientações 
sobre questões legais, de direito e assistência; 
Incluir nos grupos de pessoa idosa na tentativa de ampliar o círculo de amiza-
de; 
Realizar intervenções nos ambientes familiar e social no sentidode mudança na 
cultura de aceitação da pessoa idosa para ampliar o círculo de relacionamentos 
e amizade com pessoas de outras faixas etárias.
10.2 DIREITOS E LEGISLAÇÃO – ESTATUTO DA PESSOA IDOSA
OBSERVAR O ATENDIMENTO PREFERENCIAL em todas as situações e níveis 
de referência; não deve haver demora no atendimento às requisições e enca-
minhamentos.
ATENDIMENTO INTEGRAL – deve contemplar os aspectos médico, social, psi-
cológico, assistencial, jurídico e etc.
GUIAR-SE PELA TRÍADE GERAL DE EFICIÊNCIA
Clareza de informações – informar à comunidade os locais e condições de as-
sistência;
Facilidade de acesso – unidades e locais de assistência conhecidos e acessí-
veis com facilidade, inclusive pelo transporte público;
102 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Resolutividade – a unidade de assistência deve resolver a maior parte dos pro-
blemas de sua alçada; fazer de tudo para não transferir para outra unidade o 
que for de sua competência.
103DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
XI. SITUAÇÕES ESPECÍFICAS
11.1 AGITAÇÃO PSICOMOTORA
Agitação psicomotora, assim como as tentativas de suicídio, são situações de 
urgência/emergência.
Abordaremos a avaliação e conduta do paciente violento.
O comportamento violento pode ser definido como aquele que conduz ou ame-
aça conduzir a um dano físico em pessoas ou objetos. É determinado pela inte-
ração de múltiplos fatores sociais, psicológicos e biológicos. 
Perfil do paciente violento:
Homem; ‰
Jovem (15 a 30 anos); ‰
Baixo nível sócio-econômico; ‰
Desempregado; ‰
104 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
História prévia de atos violentos; ‰
Vítima de violência na infância; ‰
Usuário de drogas. ‰
Diagnóstico:
Ao nos depararmos numa emergência com um paciente que apresentou ameaça 
ou está com um comportamento agressivo, devemos avaliar concomitantemente:
Alteração do nível de consciência:
Um paciente de olhos abertos não significa estar lúcido; ele pode estar so- ‰
nolento, com obnubilação da consciência, em estado crepuscular ou com 
dissociação da consciência;
Devemos avaliar principalmente: orientação alo e autopsíquica, alterações ‰
da atenção (hipotenacidade, hipervigilância, hipovigilância).
A “etiologia” do comportamento agressivo:
Nas psicoses devemos avaliar alterações do pensamento, senso, percep- ‰
ção, afeto e humor;
Pensamento acelerado, descarrilhamento - pensar em esquizofrenia; ‰
Fuga de idéias - pensar em mania; ‰
Perseveração - pensar em demência; ‰
Concretude - pensar em oligofrenia ou esquizofrenia; ‰
Senso-percepção: ilusões, alucinações, pseudo-alucinações, alucinose; ‰
Afeto: embotado - pensar em esquizofrenia; ‰
Labilidade afetiva - pensar em doenças orgânicas; ‰
Humor - eufórico, ansioso, irritado. ‰
105DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Potencial para a violência no futuro próximo:
É de fundamental importância a designação da causa do comportamento agres-
sivo. Para isso, o médico deve realizar um diagnóstico diferencial e procurar ca-
tegorizar o paciente em um dos três grupos:
11.2 TRANSTORNO MENTAL ORGÂNICO
É muito importante a avaliação de uma causa orgânica como determinadora de 
agitação psicomotora. Nesses casos, em vez de somente controlar a violência, 
devemos tratar o distúrbio orgânico adjacente. Dentre as etiologias orgânicas, 
podemos citar:
Intoxicação por álcool ou outras drogas; ‰
TCE - Traumatismo Craneo Encefálico; ‰
Infecções do SNC – Sistema Nervoso Central; ‰
Epilepsia; ‰
Doenças metabólicas: hipoglicemia, etc; ‰
Hipóxia; ‰
Abstinência. ‰
O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
É feito por uma boa anamnese e exame físico, sucedido por exames comple-
mentares que ajudarão no diagnóstico e facilitarão o estabelecimento de uma 
terapêutica adequada. Na avaliação clínica, o sintoma mais proeminente é a 
obnubilação da consciência, acompanhada de ilusões e alucinoses mal-estrutu-
radas que vão desaparecendo com medidas terapêuticas sintomáticas.
106 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
11.3 PSICOSES
Os pacientes violentos desse grupo geralmente são esquizofrênicos ou maní-
acos e dificilmente são influenciados por intervenções verbais. O diagnóstico 
diferencial entre agitação esquizofrênica e maníaca pode ser difícil, mas, nor-
malmente, os maníacos experimentam uma inefável sensação de bem-estar, 
enquanto os esquizofrênicos se sentem atingidos por mal-estar vago e indefi-
nido.
TRANSTORNOS NÃO-PSICÓTICOS, NÃO-ORGÂNICOS
Esse grupo inclui pacientes principalmente com transtornos de personalidade, 
que, freqüentemente, cedem à intervenção verbal sem isolamento e conten-
ção. Esses pacientes tendem a agir, em vez de falar sobre seus conflitos. A vio-
lência pode durar de minutos a horas e está muito associada com a utilização 
de álcool. Os transtornos de personalidade mais comumente relacionados são 
o boderline, anti-social e paranóide.
Outros quadros de transtornos não-orgânicos, não-psicóticos incluem o ciúme 
patológico que pode levar a situações de auto e heteroagressividade e casos 
de simulação que, quando são bem “estudados”, pode haver necessidade de 
internação para esclarecimento do diagnóstico.
QUANTO AO POTENCIAL DE AGRESSIVIDADE DO PACIENTE
Deve haver uma avaliação cuidadosa dos riscos de se permanecer sozinho pró-
ximo a um paciente em franca agitação psicomotora. 
O comportamento do paciente durante a entrevista é o preditor mais importan-
te de violência iminente. 
Atenção especial deve ser dada:
Paciente com as mãos fechadas; ‰
107DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Musculatura tensa; ‰
Sentado na ponta da cadeira; ‰
Inquieto; ‰
Paciente que fala alto, de forma ameaçadora; ‰
Paciente paranóide ou com humor irritado, exaltado ou eufórico; ‰
Paciente intoxicado por álcool ou outras drogas. ‰
Conduta:
Manejo verbal:
Independente do diagnóstico, a violência representa, muitas vezes, um movi-
mento defensivo contra sentimentos intoleráveis de fragilidade e desproteção. 
Assim, o tratamento mais efetivo é a intervenção verbal.
O médico deve ter atitude calma, respeitosa e direta, tratando o paciente com 
honestidade e dignidade. A comunicação deve transmitir um desejo consisten-
te de auxiliar.
O paciente violento deve ser estimulado a falar de seus sentimentos, mas deve 
estar esclarecido de que seus atos agressivos não serão aceitos e de que o en-
trevistador tem meios de contê-los. É extremamente importante que isso não 
seja dito em tom desafiador.
Se a intervenção verbal não for suficiente, adotam-se outras formas de conduta.
Contenção mecânica: 
Não deve ser encarada como um procedimento isolado, apenas para “se livrar” 
do paciente. Sua maior importância é propiciar segurança à equipe médica e ao 
próprio paciente. Além disso, com a contenção é mais fácil obter-se dados da 
história e estado mental que permitam uma conduta mais adequada.
108 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Ao contrário do que se imagina, a reação do paciente é, ao fim do tratamento, 
de gratidão, ao se dar conta de que foi impedido de atos destrutivos.
Algumas recomendações são feitas:
Durante todo o procedimento, o paciente sempre deve ser esclarecido so- ‰
bre o que está sendo feito, o motivo e o caráter não-punitivo (mesmo que 
esteja psicótico). O médico é a pessoa mais indicada para informá-lo e 
pode dizer, por exemplo: “Você está sendo contido para não causar danos 
aos outros e nem a si próprio”;
O ideal é o envolvimento de cinco pessoas, sendo uma que coordena e fala ‰
com o paciente;
As faixas de contenção devem ser de material resistente, como o couro; ‰
A posição de decúbito lateral, com a cabeça levemente elevada é a mais ‰
indicada;
O paciente deve ser observado, tanto em relação à segurança e ao confor- ‰
to da contenção quanto a outros parâmetros, como sinais vitais e nível de 
consciência. 
Tranqüilização rápida:
Seria o tratamento farmacológico com o intuito de diminuir a tensão,a hiperati-
vidade, a agitação e/ou a agressividade.
É importante salientar que a avaliação causal do paciente violento precede qual-
quer forma de tratamento e, portanto, uma tranqüilização medicamentosa em 
um indivíduo com transtorno orgânico subjacente só irá prejudicá-lo, retardan-
do suas reais necessidades terapêuticas.
MEDICAÇÕES DE ESCOLHA
Antipsicóticos de alta potência: 
Haloperidol, 5 mg IM, de 30 em 30 minutos até o fim dos sintomas, pode ‰
ser usado, não ultrapassando 45 a 100 mg nas 24 horas;
109DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
A via EV tem efeito mais rápido, mas impõe problemas práticos evidentes. ‰
Neurolépticos de baixa potência:
Clorpromazina, por exemplo; ‰
Têm o inconveniente da sedação e hipotensão, mas podem ser uma opção, ‰
25 a 100 mg IM;
Nunca devem ser usados EV; ‰
Caso sejam utilizados em pacientes alcoolistas ou usuários de outras dro- ‰
gas e portadores de doença física podem piorar a agitação, precipitar cri-
ses convulsivas e piorar arritmias cardíacas preexistentes.
Benzodiazepínicos: 
Têm sido citados como principais alternativas aos antipsicóticos; ‰
Os inconvenientes seriam o efeito sedativo, depressão respiratória (sobre- ‰
tudo em pacientes intoxicados por outras drogas e com doenças pulmona-
res), e o eventual efeito paradoxal apresentado por algumas pessoas;
Principalmente idosos e pacientes com transtornos mentais orgânicos po- ‰
dem ter piora da agitação; 
Já a agitação do Delirium Tremens é reduzida com a administração de clor- ‰
diazepóxido ou Diazepan. 
Por fim, é importante lembrar da importância dos relatos de acompanhantes 
e, principalmente, familiares na complementação da história colhida com o pa-
ciente. Além disso, deve estar claro a todos o fato de que o paciente violento 
necessita de um acompanhamento cuidadoso e que o tratamento adequado 
não se limita às medidas tomadas na emergência.
110 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
11.4 SUICÍDIO
PREVENÇÃO
Este manual é direcionado a destacar os principais transtornos e outros fatores 
associados com o suicídio e prover informações referentes à identificação e ao 
manejo de pacientes suicidas.
SUICÍDIO E TRANSTORNOS MENTAIS
O suicídio hoje é compreendido como um transtorno multidimensional, que re-
sulta de uma interação complexa entre fatores ambientais, sociais, fisiológicos, 
genéticos e biológicos. 
Estima-se que o risco de suicídio ao longo da vida em pessoas com transtornos 
do humor (principalmente depressão) é de 6 a 15%; com alcoolismo, de 7 a 
15%; e com esquizofrenia, de 4 a 10%. 
Assim, a melhora na detecção, referenciamento e manejo dos transtornos psiqui-
átricos na atenção primária são passos importantes na prevenção. 
Um achado comum naqueles que cometem o suicídio é a presença de transtor-
nos comórbidos. 
TRANSTORNOS DO HUMOR
Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados com suicídio. Esses 
incluem transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo 
recorrente e transtornos do humor persistentes (p.ex., ciclotimia e distimia).
O suicídio é, então, um fator de risco significativo na depressão não-reconheci-
da e não-tratada. 
A depressão tem uma prevalência alta na população geral e não é reconhecida 
por muitos como uma doença. Estima-se que 30% dos pacientes vistos por um 
111DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
médico sofram de depressão. Aproximadamente 60% daqueles que iniciam o 
tratamento procuram um clínico geral. 
É um desafio especial para o médico trabalhar com doença física e transtornos 
psicológicos simultaneamente. Em muitos casos, a depressão é mascarada e 
os pacientes apresentam apenas queixas somáticas.
São sintomas que se apresentam na depressão:
Cansaço; ‰
Tristeza; ‰
Perda de concentração; ‰
Ansiedade; ‰
Irritabilidade; ‰
Distúrbios do sono; ‰
Dores em diferentes partes do corpo. ‰
Esses sintomas deveriam alertar o profissional da saúde para a presença de 
depressão e levar a uma avaliação do risco de suicídio. 
Características clínicas específicas associadas com aumento do risco de suicí-
dio na depressão são:
Insônia persistente; ‰
Negligência com os cuidados pessoais; ‰
Doença grave (particularmente depressão psicótica); ‰
Déficit de memória; ‰
Agitação; ‰
Ataques de pânico. ‰
112 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Em episódios depressivos típicos, o indivíduo normalmente sofre de:
Humor deprimido (tristeza); ‰
Perda de interesse e prazer; ‰
Redução na energia (fatigabilidade e diminuição das atividades). ‰
Os seguintes fatores de risco aumentam o risco de suicídio em pessoas com 
depressão:
Idade menor que 25 anos em homens; ‰
Fases precoces da doença; ‰
Abuso de álcool; ‰
Fase depressiva de um transtorno bipolar; ‰
Estado misto (maníaco-depressivo); ‰
Mania psicótica. ‰
A depressão é um fator importante para o suicídio tanto para adolescentes 
quanto para idosos, mas aqueles com depressão de início tardio estão em maior 
risco. Avanços recentes no tratamento da depressão são muito relevantes para 
a prevenção do suicídio em nível de atenção básica à saúde. A educação do 
médico clínico geral, bem como da equipe de saúde, para a identificação e o o 
tratamento da depressão é muito importante.
Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de 
suicídio entre os deprimidos. A dose terapêutica plena da medicação deve ser 
mantida por vários meses. No idoso, pode ser necessário continuar o tratamen-
to por dois anos depois da recuperação. Verificou-se que os pacientes em uso 
regular de lítio em terapia de manutenção têm um risco de suicídio diminuído.
113DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ALCOOLISMO
Existem explicações sociais, psicológicas e biológicas para a correlação entre 
suicídio e alcoolismo. 
Fatores específicos associados com maior risco de suicídio entre alcoolistas:
Início precoce de ingestão de álcool; ‰
História crônica; ‰
Alto nível de dependência; ‰
Humor depressivo; ‰
Saúde física precária; ‰
Desempenho no trabalho precário; ‰
História familiar; ‰
Eventos disruptivos recentes ou perda de uma relação interpessoal impor- ‰
tante.
ESQUIZOFRENIA
O suicídio é a maior causa de morte prematura entre os esquizofrênicos.
São fatores de risco específicos:
Sexo masculino, jovem, desempregado; ‰
Recaídas recorrentes; ‰
Medo de deterioração, especialmente naqueles com altas habilidades in- ‰
telectuais;
Sintomas positivos – desconfiança e delírios; ‰
Sintomas depressivos. ‰
114 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O risco de suicídio é maior nas seguintes épocas:
Estágios precoces da doença; ‰
Recaída precoce; ‰
Recuperação precoce. ‰
O risco de suicídio diminui de acordo com o tempo de duração da doença.
TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE
Os transtornos de personalidade que mais freqüentemente se associam com o 
suicídio são os transtornos de personalidade borderline e anti-social. Transtor-
nos de personalidade histriônica e narcisista e certos traços psicológicos como 
impulsividade e agressividade, também se associam com suicídio.
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
Entre os transtornos de ansiedade, o do pânico tem sido o mais freqüentemen-
te associado com suicídio, seguido do obsessivo-compulsivo (TOC). O trans-
torno somatoforme e os alimentares (anorexia nervosa e bulimia) também se 
relacionam aos comportamentos suicidas.
HIV/AIDS
A infecção pelo HIV e a AIDS representam um risco maior para suicídio em in-
divíduos jovens. O risco é maior no momento da confirmação do diagnóstico e 
nos estágios precoces. Usuários de drogas endovenosas estão em risco ainda 
mais alto.
Como identificar pacientes em alto risco de comportamento suicida:
Transtornos psiquiátricos (geralmente depressão, alcoolismo e transtornos ‰
de personalidade);
115DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Doenças físicas (terminais, dolorosas ou debilitantes, AIDS);‰
Tentativas anteriores; ‰
História familiar, alcoolismo e/ou outros transtornos psiquiátricos; ‰
Estado marital solteiro, viúvo ou separado; ‰
Viver sozinho (isolamento social); ‰
Desemprego ou aposentadoria; ‰
Luto na infância. ‰
Se o paciente encontra-se sob tratamento psiquiátrico, o risco é maior naqueles 
que:
Tiveram alta recentemente do hospital; ‰
Têm história de tentativas anteriores. ‰
Além disso, fatores de vida estressores recentes que foram associados com 
um risco aumentado para suicídio incluem:
Separação marital; ‰
Luto; ‰
Problemas familiares; ‰
Alterações no status ocupacional ou financeiro; ‰
Rejeição de uma pessoa significativa; ‰
Vergonha e medo de ser culpado de algo. ‰
Existem várias escalas que avaliam o risco de suicídio, como uma boa entrevista 
clínica na identificação dos indivíduos que estão em risco imediato de cometer 
116 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
suicídio, tempo em tratamento para depressão, que mora sozinho, com história 
de tentativas de suicídio anteriores. 
Quando os profissionais de saúde têm indicativos razoáveis de que o pacien-
te pode ser um suicida, encontram o dilema de como proceder. É importante 
para os médicos estarem conscientes desse sentimento e procurarem ajuda de 
colegas e possivelmente de profissionais de saúde mental, quando confronta-
dos com esse tipo de paciente. É essencial não ignorar ou negar o risco. Se o 
médico decide realizar algum procedimento, o passo mais imediato é reservar 
mentalmente um tempo adequado para o paciente, mesmo que muitos outros 
possam estar aguardando na sala de espera. 
Mostrando a vontade de compreender, o médico começa a estabelecer um 
relacionamento positivo. Questões fechadas e diretas no começo da entrevis-
tas não são muito úteis. Comentários do tipo “Você parece muito incomodado, 
fale-me mais sobre isso”, podem ser úteis. Escuta com empatia é, em si, o pas-
so mais importante na redução do nível do desespero suicida.
MITOS /REALIDADE
Os pacientes que falam em suicídio raramente o cometem. Os pacientes que 
cometem suicídio normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. 
As ameaças devem ser levadas a sério. Perguntar sobre suicídio pode provocar 
atos suicidas. Perguntar sobre suicídio freqüentemente reduzirá a ansiedade a 
respeito desse tema. O paciente pode sentir-se aliviado e melhor compreendi-
do.
COMO PERGUNTAR?
Não é fácil perguntar aos pacientes sobre suas idéias suicidas. É útil chegar ao tó-
pico de maneira gradual. Uma seqüência útil de questões pode ser a seguinte:
Você sente-se infeliz ou sem esperança? ‰
117DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Você sente-se desesperado? ‰
Você sente-se incapaz de enfrentar os dias? ‰
Você sente que sua vida é um fardo? ‰
Você acha que não vale a pena viver? ‰
Você pensa em cometer suicídio? ‰
Feitas de maneira suave, demonstrando a empatia do profissional de saúde 
com o paciente. 
QUANDO PERGUNTAR?
Depois de se estabelecer um bom relacionamento com o paciente. ‰
Quando o paciente sentir-se confortável para expressar seus sentimentos. ‰
Quando o paciente estiver no processo de expressão de sentimentos ne- ‰
gativos.
Tais questões podem incluir:
Você já fez algum plano de terminar sua vida? ‰
Como você planeja isso? ‰
Você possui (pílulas/armas/outros meios)? ‰
Você já pensou em quando se matar? ‰
PRECAUÇÕES
Melhora falsa ou enganosa: ‰ quando um paciente agitado de repente fica 
calmo, ele pode ter tomado a decisão de cometer suicídio, daí a calma após 
a decisão.
118 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Negação: ‰ pacientes que tem intenções muito sérias de suicidar-se podem 
deliberadamente negar a ideação suicida.
Avaliação do suporte: ‰ o médico deve avaliar os sistemas de suporte dis-
poníveis, identificar um parente, amigo, conhecido, ou outra pessoa que 
possa oferecer suporte ao paciente, e solicitar a ajuda.
Contrato: ‰ estabelecer um “contrato de não-suicídio” é uma técnica útil na 
prevenção. Outras pessoas próximas ao paciente podem ser incluídas na 
negociação. 
A negociação deve promover a discussão de vários aspectos relevantes. Na 
maioria das vezes o paciente respeita as promessas que fazem ao médico. O 
estabelecimento de um contrato só é válido quando os pacientes têm controle 
sobre suas ações. 
Na ausência de doença psiquiátrica ou ideação suicida severas, o médico pode 
iniciar e providenciar tratamento farmacológico, geralmente com antidepressi-
vos e terapia psicológica. 
Devem ser estruturados de modo a preencher necessidades individuais, no enco-
rajamento da independência e na ajuda que o paciente necessita para aprender a 
lidar com maneiras diferentes de relacionar-se com os fatores estressores da vida.
ENCAMINHAMENTO A UM ESPECIALISTA/ EQUIPE SAÚDE MENTAL
Os pacientes devem ser encaminhados a um psiquiatra e/ou equipe de SM 
quando eles têm:
Uma doença psiquiátrica; ‰
Uma história de tentativas anteriores; ‰
Uma história familiar de suicídio, alcoolismo e transtornos psiquiátricos; ‰
Doença física; ‰
Suporte social precário. ‰
119DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Como encaminhar:
Depois de optar pelo encaminhamento, o profissional de saúde deve:
Explicar ao paciente, com tempo, as razões para o encaminhamento; ‰
Diminuir o estigma e a ansiedade com relação às medicações psicotrópicas; ‰
Deixar claro que as terapias psicológicas e farmacológicas são eficazes; ‰
Enfatizar que encaminhamento não significa “abandono”; ‰
Providenciar uma consulta / tratamento contínuo com um psiquiatra e equi- ‰
pe de SM;
Reservar tempo para o paciente depois da sua consulta com o psiquiatra; ‰
Assegurar que a relação com o paciente continuará. ‰
Quando hospitalizar um paciente:
Pensamentos de suicídio recorrentes; ‰
Alto nível de intenção de morrer no futuro imediato (as próximas horas ou ‰
dias);
Agitação ou pânico; ‰
Existência de plano de uso de métodos violentos e imediatos. ‰
Como hospitalizar o paciente:
Não deixar o paciente sozinho; ‰
Providenciar hospitalização; ‰
Providenciar transporte para o hospital por uma ambulância ou pela polícia; ‰
Informar as autoridades necessárias e a família. ‰
120 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
RISCO DE SUICÍDIO: IDENTIFICAÇÃO, MANEJO E PLANO DE AÇÃO
Nenhum. ‰
Com problemas emocionais: ‰
Perguntar sobre pensamentos suicidas 
Escutar com empatia 
Idéias vagas de morte: ‰
Perguntar sobre pensamentos suicidas 
Escutar com empatia 
Ideação suicida vaga: ‰
Avaliar a intencionalidade (plano e método) 
Explorar as possibilidades 
Identificar apoio 
Idéias suicidas SEM transtornos psiquiátricos: ‰
Avaliar a intencionalidade (plano e método) 
Explorar as possibilidades 
Identificar suporte 
Idéias suicidas e transtornos psiquiátricos ou fatores estressores graves: ‰
Avaliar a intencionalidade (plano e método) 
Estabelecer um contrato 
Encaminhar para um psiquiatra 
Idéias suicidas e transtornos psiquiátricos ou fatores estressores graves ou ‰
agitação e tentativas prévias:
Ficar com o paciente (para prevenir o acesso aos meios letais) 
Hospitalizar 
121DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
XII. DIREITOS DAS PESSOAS 
COM TRANSTORNOS MENTAIS
12.1 CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS
A Lei 10.216 de 6 de abril de 2001 dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o mo-delo assistencial em saúde mental.
Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental de que 
trata essa lei são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto a 
raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, 
família, recursos econômicos e grau de gravidade ou tempo de evolução de seu 
transtorno, ou qualquer outra.
É responsabilidade do Estadoo desenvolvimento da política de saúde mental, 
a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos 
mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será pres-
122 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
tada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou 
unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos 
mentais.
A Lei 10.708 de 31 de julho de 2003 institui o auxílio-reabilitação psicossocial 
para assistência, acompanhamento e integração social, fora de unidade hospi-
talar, de pacientes acometidos de transtornos mentais, egressos de internação 
psiquiátrica, cuja duração tenha sido, comprovadamente, por um período igual 
ou superior a dois anos. Esse auxílio (R$240,00) é parte integrante de um pro-
grama de ressocialização de pacientes internados em hospitais ou unidades 
psiquiátricas, denominado “De Volta Para Casa” sob coordenação do Ministério 
da Saúde. Essa estratégia vem ao encontro de recomendações da OPAS e OMS 
para a área de saúde mental, com vistas a reverter gradativamente um modelo 
de atenção centrado na referência à internação em hospitais especializados por 
um modelo de atenção de base comunitária, consolidado em serviços territo-
riais e de atenção diária. 
Juntamente com o programa “De Volta Para Casa”, o SRT vem concretizando as 
diretrizes de superação do modelo de atenção centrado no hospital psiquiátri-
co. A desinstitucionalizaçao e efetiva reintegração de pessoas com transtornos 
mentais graves são uma tarefa a que o SUS vem se dedicando com especial 
empenho.
Os SRT ou residência terapêutica ou simplesmente “moradia” são casas locali-
zadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de mo-
radia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas 
ou não, em razão dessas não contarem com suporte adequado na comunidade, 
na família e na sociedade. A inserção em um SRT é o início de longo processo 
de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador.
Um outro direito das pessoas acometidas por transtornos mentais é a inclusão 
social pelo trabalho, daí a importância de os Ministérios da Saúde e do Trabalho 
e Emprego estarem articulados, sob a inspiração da Economia Solidária. Para 
tanto é necessário construir condições objetivas, por meio de políticas públi-
cas e da participação da sociedade, para que experiências como cooperativas, 
123DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
oficinas de geração de renda e trabalho se consolidem, ampliem e possam 
atender com mais efetividade às necessidades dos usuários, propiciando uma 
cooperação solidária de toda a sociedade com o processo de superação dos 
hospitais psiquiátricos. 
Esses direitos visam a contribuir efetivamente para o processo de inserção so-
cial dessas pessoas, incentivando a organização de uma rede ampla e diversifi-
cada de recursos assistenciais e cuidados, facilitadora do convívio social, capaz 
de assegurar o bem-social global e estimular o exercício pleno de seus direitos 
civis, políticos e de cidadania.
125DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ANEXOS
ANEXO I - PRINCÍPIOS PARA A PROTEÇÃO 
DE PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS:
PRINCÍPIO 1:
LIBERDADES FUNDAMENTAIS E DIREITOS BÁSICOS: 
Todas as pessoas têm direito à melhor assistência disponível à saúde men-1. 
tal, que deverá ser parte do sistema de cuidados sociais e de saúde. 
Todas as pessoas com transtornos mentais, ou que estejam sendo tratadas 2. 
como tal, têm direito à proteção contra exploração econômica, sexual, ou 
de qualquer outro tipo, abusos físicos ou de outra natureza, e tratamento 
degradante.
Não haverá discriminação sob alegação de transtorno mental. 3. 
 Toda pessoa com transtornos mentais terá o direito de exercer todos os 4. 
direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. 
126 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
 Qualquer decisão em que, em razão de transtorno mental, a pessoa perca 5. 
sua capacidade legal, um representante pessoal tenha que ser designado, 
somente poderão ser tomadas após uma audiência legítima a cargo de um 
tribunal independente e imparcial estabelecido pela legislação nacional. 
 Nos casos em que uma corte ou outro tribunal competente julgar que uma 6. 
pessoa com transtornos mentais esteja incapacitada para gerir seus pró-
prios assuntos, deve-se tomar medidas no sentido de garantir a proteção 
dos interesses da pessoa, adequadas às suas condições e necessidades. 
PRINCÍPIO 2: 
VIDA EM COMUNIDADE:
Toda pessoa com transtornos mentais deverá ter o direito de viver e trabalhar, 
tanto quanto possível, na comunidade. 
PRINCÍPIO 3:
DETERMINAÇÃO DE TRANSTORNO MENTAL:
 A determinação de que uma pessoa apresenta transtorno mental deverá 1. 
ser feita de acordo com os padrões médicos aceitos internacionalmente. 
 Uma história de tratamento anterior ou uma hospitalização não deverão por 2. 
si mesmas justificar qualquer determinação presente ou futura de quadro 
de transtorno mental. 
 Nenhuma pessoa ou autoridade de qualquer instituição classificará uma 3. 
pessoa como portadora, ou indicará de qualquer outro modo que uma pes-
soa apresenta transtorno mental, fora dos propósitos diretamente relaciona-
dos ao problema mental ou suas conseqüências. 
127DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
PRINCÍPIO 4:
EXAME MÉDICO:
Nenhuma pessoa será compelida a submeter-se a exame médico com o obje-
tivo de determinar se apresenta ou não transtorno mental, que não esteja de 
acordo com procedimentos autorizados pela legislação nacional.
PRINCÍPIO 5:
CONFIDENCIALIDADE:
Deve-se respeitar o direito de todas as pessoas às quais se aplicam esses prin-
cípios à confidencialidade das informações que lhes concernem.
PRINCÍPIO 6:
O PAPEL DA COMUNIDADE E DA CULTURA:
Todo usuário terá o direito de ser tratado e cuidado, tanto quanto possível, 1. 
na comunidade onde vive. 
Nos casos em que o tratamento for realizado em um estabelecimento de 2. 
saúde mental, o usuário terá o direito, sempre que possível, de ser tratado 
próximo à sua residência ou à de seus parentes ou amigos e terá o direito 
de retornar à comunidade o mais breve possível. 
Todo usuário terá o direito de receber tratamento adequado à sua tradição 3. 
cultural.
PRINCÍPIO 7:
TRATAMENTO:
O tratamento e os cuidados a cada usuário serão baseados em um plano 1. 
prescrito individualmente, discutido com o usuário, revisto regularmente, 
128 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
modificado quando necessário e administrado por profissional qualificado.
A assistência à saúde mental será sempre oferecida de acordo com padrões 2. 
éticos aplicáveis aos profissionais de saúde mental, inclusive internacional-
mente aceitos.
O tratamento de cada usuário deverá estar direcionado no sentido de pre-3. 
servar e aumentar sua autonomia pessoal.
PRINCÍPIO 8:
MEDICAÇÃO:
 A medicação deverá atender da melhor maneira possível as necessidades 1. 
de saúde do usuário, sendo administrada apenas com propósitos terapêuti-
cos ou diagnósticos.
 Toda medicação deverá ser prescrita por um profissional de saúde mental 2. 
autorizado pela legislação e ser registrada no prontuário do usuário.
PRINCÍPIO 9:
CONSENTIMENTO PARA O TRATAMENTO:
Nenhum tratamento será administrado a um usuário sem seu consentimen-1. 
to informado. 
O usuário pode requerer a presença de uma pessoa ou pessoas de sua es-2. 
colha durante o procedimento de obtenção do consentimento.
O usuário nunca deverá ser convidado ou induzido a abrir mão do direito ao 3. 
consentimento para interromper o tratamento. Se o usuário quiser fazê-lo 
deverá se explicar a ele que o tratamento não poderá ser administrado sem 
o consentimento informado.
129DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
O tratamento também poderá ser administrado a qualquer usuário sem o 4. 
seu consentimento informado, se umprofissional de saúde mental qualifi-
cado e autorizado por lei determinar que é urgentemente necessário, a fim 
de se evitar dano imediato ou iminente ao usuário ou a outras pessoas. 
Nos casos em que algum tratamento foi autorizado sem o consentimento 5. 
informado do usuário, serão feitos todos os esforços para informá-lo acerca 
da natureza do tratamento e de todas as alternativas possíveis, buscando 
envolvê-lo, tanto quanto seja possível, como participante no desenvolvi-
mento do plano de tratamento. 
Todos os tratamentos serão imediatamente registrados nos prontuários mé-6. 
dicos dos usuários, com a indicação de terem sido administrados voluntária 
ou involuntariamente.
Não deverá ser empregado a restrição física ou o isolamento involuntário de 7. 
um paciente, exceto de acordo com os procedimentos oficialmente aprova-
dos, adotados pelo estabelecimento de saúde mental, e apenas quando for 
o único meio disponível de prevenir dano imediato ou iminente ao paciente 
e a outros. 
Um procedimento médico ou cirúrgico de magnitude somente poderá ser 8. 
realizado em uma pessoa com problemas mentais quando permitido pela 
legislação nacional.
PRINCÍPIO 10:
INFORMAÇÃO SOBRE OS DIREITOS:
O usuário de um estabelecimento de saúde mental deverá ser informado, 1. 
tão logo quanto possível após sua admissão, de todos os seus direitos, de 
acordo com esses princípios e as leis nacionais, na forma e linguagem que 
possa compreender, o que deverá incluir uma explicação sobre esses direi-
tos e o modo de exercê-los. 
130 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Caso o usuário esteja incapacitado para compreender tais informações, e 2. 
pelo tempo que assim estiver, seus direitos deverão ser comunicados ao re-
presentante pessoal, se houver e for apropriado, e à pessoa ou pessoas mais 
habilitadas a representar os interesses do usuário e dispostas a fazê-lo. 
O usuário com a capacidade necessária terá o direito de nomear a pessoa 3. 
que deverá ser informada em seu nome, bem como a para representar seus 
interesses junto às autoridades do estabelecimento. 
PRINCÍPIO 11:
DIREITOS E CONDIÇÕES DE VIDA:
Em estabelecimentos de saúde mental 
Todo usuário de um estabelecimento de saúde mental deverá ter, em es-1. 
pecial, o direito de ser plenamente respeitado em seu reconhecimento, em 
qualquer lugar, como pessoa perante a lei.
O ambiente e as condições de vida nos estabelecimentos de saúde mental 2. 
deverão aproximar-se, tanto quanto possível, das condições de vida nor-
mais de pessoas de idades semelhantes, e deverão incluir, instalações e 
estímulo para sua utilização, para o engajamento do usuário em ocupação 
ativa adequada à sua tradição cultural, e para medidas adequadas de reabi-
litação vocacional que promovam sua reintegração na comunidade. 
PRINCÍPIO 12:
RECURSOS DISPONÍVEIS NOS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE 
MENTAL:
Um estabelecimento de saúde mental deverá dispor de equipe profissional 1. 
apropriada, com espaço adequado para oferecer a cada usuário privacidade 
e um programa terapêutico apropriado e ativo; tratamento adequado, regu-
lar e abrangente, incluindo fornecimento de medicação. 
131DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
PRINCÍPIO 13:
PRINCÍPIOS PARA A ADMISSÃO:
Nos casos em que uma pessoa necessitar de tratamento em um estabele-1. 
cimento de saúde mental, todo esforço será feito para se evitar uma admis-
são involuntária. 
O acesso a um estabelecimento de saúde mental será oferecido da mesma 2. 
forma que em qualquer outro frente a outro problema de saúde qualquer. 
Todo usuário que não tenha sido admitido involuntariamente terá o direito 3. 
de deixar o estabelecimento a qualquer momento, a menos que se aplique 
o critério para sua retenção como paciente involuntário, conforme o Princí-
pio 15, devendo-se informar esse direito ao usuário. 
PRINCÍPIO 14:
ADMISSÃO INVOLUNTÁRIA:
Uma pessoa pode ser admitida involuntariamente como usuário em um es-1. 
tabelecimento de saúde mental; ou tendo sido admitida voluntariamente 
como usuário, ser retida como paciente involuntário no estabelecimento de 
saúde mental se, e apenas se, um profissional de saúde mental qualificado 
e autorizado por lei para esse fim.
A admissão ou retenção involuntárias deverão inicialmente ocorrer por um 2. 
período curto, conforme especificado pela legislação nacional. 
Um estabelecimento de saúde mental só poderá receber usuários admiti-3. 
dos involuntariamente se tiver sido designado para isso por uma autoridade 
competente prescrita pela legislação nacional.
132 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
PRINCÍPIO 15:
SALVAGUARDA PROCESSUAIS:
 O usuário terá o direito de escolher e nomear um advogado para representá-1. 
lo como tal, incluindo a representação em qualquer procedimento de queixa 
e apelação. Se o usuário não puder garantir tais serviços, colocar-se-á um 
advogado à sua disposição, gratuitamente, enquanto perdurar sua carência 
de meios de pagamento. 
O usuário e seu advogado podem requerer e produzir, em qualquer audi-2. 
ência, um relatório de saúde mental independente e quaisquer outros rela-
tórios e provas orais, escritas e outras evidências que sejam relevantes e 
admissíveis.
Cópias dos registros do usuário e quaisquer relatórios e documentos a serem 3. 
apresentados deverão ser fornecidos ao usuário e a seu advogado, exceto em 
casos especiais quando for determinado que a revelação de uma informação 
específica ao usuário poderá causar dano grave à sua saúde ou pôr em risco 
a segurança de outros, conforme prescrição da legislação nacional.
Qualquer decisão a respeito do caráter público ou privado de uma audiência 4. 
ou parte dela, e da possibilidade de uso público de seus atos e relatórios, 
deverá levar em consideração o desejo do usuário, a necessidade de respei-
to à sua privacidade e de outras pessoas, e a necessidade de evitar danos 
sérios à saúde do usuário ou colocar em risco a segurança de outros.
PRINCÍPIO 16:
ACESSO À INFORMAÇÃO:
O usuário (esse termo, nesse princípio, inclui um ex-usuário) deverá ter di-1. 
reito de acesso à informação concernente a ele, à sua saúde e aos registros 
pessoais mantidos por um estabelecimento de saúde mental. Esse direito 
poderá estar sujeito a restrições com o fim de evitar danos sérios à saúde 
do usuário e colocar em risco a segurança de outros. 
133DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Qualquer comentário feito por escrito pelo usuário, seu representante pes-2. 
soal ou advogado deverá, se assim for requerido, ser inserido no prontuário 
do usuário. 
PRINCÍPIO 17:
DOS INFRATORES DA LEI:
Esse princípio se aplica as pessoas cumprindo sentenças de prisão por cri-1. 
mes, tenham sido determinada à presença de transtorno mental, ou a pos-
sibilidade de sua existência. 
Todas essas pessoas devem receber a melhor assistência à saúde mental dis-2. 
ponível. Esses princípios serão aplicados a elas na maior extensão possível.
A legislação nacional poderá autorizar um tribunal ou outra autoridade com-3. 
petente a determinar, baseando-se em opinião médica competente e inde-
pendente, que tais pessoas sejam admitidas em um estabelecimento de 
saúde mental. 
PRINCÍPIO 18:
QUEIXAS:
Todo paciente ou ex-paciente terá o direito de apresentar queixas conforme os 
procedimentos especificados pela legislação nacional.
PRINCÍPIO 19:
MONITORAMENTO E MECANISMOS DE INTERVENÇÃO:
Os Estados devem assegurar que mecanismos adequados entrem em vigor 
para promover a aceitação desses princípios, a inspeção de estabelecimentos 
134 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
de saúde mental, para a apreciação, investigação e resolução das queixas, e 
para estabelecer procedimentos disciplinares ou judiciais apropriados para ca-
sos de má conduta profissional ou violação dos direitos de um usuário. 
PRINCÍPIO 20:
IMPLEMENTAÇÃO:
Os Estados devem implementar esses princípios por meios de medidasapro-
priadas de caráter legislativo, judicial, administrativo, educacional e outras, que 
deverão ser revistas periodicamente.
Os Estados devem tornar esses princípios amplamente conhecidos, por meios 
apropriados e dinâmicos. 
PRINCÍPIO 21:
ALCANCE DOS PRINCÍPIOS RELACIONADOS AOS 
ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE MENTAL:
Esses princípios se aplicam a todas as pessoas admitidas em um estabeleci-
mento de saúde mental. 
PRINCÍPIO 22:
PROTEÇÃO DOS DIREITOS EXISTENTES:
Não haverá restrição ou diminuição de qualquer direito já existente dos usu-
ários, incluindo os reconhecidos em legislação internacional ou nacional apli-
cável, sob o pretexto de que esses princípios não os reconhecem ou que os 
reconhecem parcialmente.
135DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ANEXO II - LEGISLAÇÃO EM SAÚDE MENTAL
A Declaração de Caracas, 1990, foi o marco da Reforma Psiquiátrica nas Amé-
ricas. Com a adesão do governo brasileiro, deu-se o início ao processo legal da 
reestruturação da assistência em saúde mental no país.
AS LEIS FEDERAIS
As novas legislações em Saúde Mental aqui referidas encontram sustentação 
na Constituição Federal de 1988, que elenca em seu Título II, Capítulo I, o rol 
dos direitos e garantias fundamentais de todos os residentes no país, conforme 
dispõe o art. 5º caput: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qual-
quer natureza, garantindo-se aos brasileiros, e aos estrangeiros residentes no 
país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a 
propriedade (...)”
No que diz respeito à saúde, o direito do cidadão é garantido pelo poder público 
nas esferas federal, estadual e municipal através de políticas voltadas para di-
minuir o risco de doenças e que possibilitem a implementação de ações e ser-
viços de promoção, proteção e recuperação da saúde, constituindo o Sistema 
Único de Saúde, criado pela Constituição Federal em vigor.
O Sistema Único de Saúde foi regulamentado pela lei nº 8.080, conhecida como 
Lei Orgânica da Saúde, e pela Lei 8.142/90, que trata da participação da comu-
nidade na gestão do SUS e das transferências intergovernamentais de recursos 
financeiros. O SUS possui, ainda, normas e regulamentos que disciplinam as 
políticas de ações em cada esfera governamental. 
A legislação sanitária brasileira é reconhecida internacionalmente como uma 
das mais avançadas nesse campo. 
Na área específica da Saúde Mental, a Lei Federal nº 10.216 de 06/04/01 (tam-
bém conhecida como Lei Paulo Delgado, ou Lei da Reforma Psiquiátrica), após 
doze anos de tramitação no Congresso Nacional, foi enfim aprovada. 
136 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Garante a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos men-
tais, sem qualquer discriminação; preconiza cuidado especial com a clientela 
internada por longos anos; prevê a possibilidade de punição para a internação 
involuntária arbitrária e/ou desnecessária; e redireciona o modelo assistencial 
para serviços abertos e inseridos na comunidade, que substituirão gradativa-
mente o tratamento em regime fechado. 
Tem como base o projeto do deputado mineiro Paulo Delgado, elaborado a partir 
de discussão do movimento da luta antimanicomial, aprovado com algumas mo-
dificações. Constitui um dos atuais respaldos legais da Reforma Psiquiátrica. 
A Lei nº 10.708 de 31/7/2003, aprovada em curto prazo pelo Congresso Na-
cional, instituiu o Programa De Volta para Casa. Essa nova lei possibilita a alta 
e reinserção social de pessoas internadas há mais de dois anos em hospitais 
psiquiátricos. Recebendo uma bolsa-auxílio reabilitação, essas pessoas podem 
retornar para o próprio lares substitutos, ou moradias protegidas. A cada alta 
hospitalar, sucede-se o fechamento do respectivo leito. 
As diretrizes dessa nova lei foram, na verdade, gestadas desde 1993: um Grupo de 
Trabalho, convocado pelo Ministério da Saúde, produziu a proposta do Programa de 
Apoio à Desospitalização (PAD), cuja diretriz básica de redirecionar os recursos gas-
tos com a internação para viabilizar a reinserção social é retomada na lei 10 708. 
LEIS E DECRETOS ESTADUAIS
MENÇÕES AOS PORTADORES DE SOFRIMENTO MENTAL NOS 
CÓDIGOS PENAL E CIVIL BRASILEIROS
CÓDIGO PENAL
O Código Penal Brasileiro, modificado pela lei nº 7.209, de 11 de julho de 1984, 
contém nos artigos 26,27e 28; art.83 e artigos 96, 97,98 e 99 disposições a res-
peito dos atos infracionais praticados por pessoas portadoras de transtornos 
mentais.
137DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Vejamos alguns pontos essenciais. Um deles é a isenção de pena para a pessoa 
que, “por doença mental, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente 
incapaz de entender o caráter ilícito do fato”: essa pessoa é considerada inim-
putável. Caso seja ao menos parcialmente capaz desse entendimento, não há 
isenção de pena, mas possibilidade da sua redução. 
O outro ponto se refere às medidas de segurança: para os portadores de sofri-
mento mental inimputável, a pena é substituída pelas medidas de segurança, 
que consistem na internação em hospitais de custódia e tratamento psiquiá-
trico (ou manicômios judiciários) ou, à falta desses, em outro estabelecimen-
to adequado; ou ainda, conforme o caso, em tratamento ambulatorial. Esses 
tratamentos são obrigatórios, por tempo indeterminado, e perduram até que, 
mediante perícia médica, seja afirmada a cessação de periculosidade1. 
CÓDIGO CIVIL
Nos artigos 5º ao 9º do Código Civil, são definidos como “absolutamente inca-
pazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil”, dentre outros, os ”loucos 
de todo gênero” (expressão utilizada literalmente no Código). Essas pessoas, 
tidas como incapazes, ficam sujeitas à interdição e à curatela-tema tratado nos 
artigos 446 ao 458. 
A interdição é promovida mediante solicitação de familiares ou do Ministério 
Público, ou seja, solicita-se que a pessoa, considerada louca, seja impedida de 
exercer os atos da vida civil. Quando aceita o pedido de interdição, o juiz no-
meia um curador, ou seja, uma outra pessoa, preferencialmente o familiar mais 
próximo, que deve passar a cuidar dos interesses da pessoa curatelada. 
Na prática, a interdição e a curatela muitas vezes são solicitadas e concedidas 
indevidamente, incapacitando e limitando as possibilidades de decisão e es-
colha de portadores de sofrimento mental que se encontram em plenas condi-
ções de exercê-las. 
1 Vide O louco infrator: atenção ao portador de sofrimento mental autor de ato infracional.
138 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Além do mais, certos auxílios-doença, como o Benefício de Prestação Con-
tinuada da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), são, lamentavelmente, 
atrelados à interdição prévia do paciente. 
PORTARIAS ESTADUAIS
Destacamos as seguintes:
PORTARIA Nº 083-R DE 29/10/2004 que desvincula técnica e administrativa-
mente o CAPS Moxuara do Hospital Adauto Botelho. 
PORTARIA N° 284-5 DE 11 DE DEZEMBRO DE 2003 que institui a Comissão 
para Criação e implantação de Serviços Residenciais Terapêuticos.
LEIS E PORTARIAS MINISTERIAIS
Existem várias Portarias Ministeriais, que são normas legais reguladoras da 
rede de atenção à Saúde Mental, emitidas pelo Poder Executivo. Dentre elas, 
destacamos:
A Lei N° 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001 que dispõe sobre a proteção e os di-
reitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo 
assistencial em saúde mental.
A Lei Nº 10.708, DE 31 DE JULHO DE 2003 que institui o auxílio-reabilitação 
psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de 
internações.
A Portaria nº 336, resultado de um longo e coletivo processo de revisão da his-
tórica portaria nº 224, que estabeleceu a tipologia dos CAPS, distinguindo os 
CAPS pelo porte (I, II, III) e pela finalidade (atendimento a transtornos mentais 
graves e persistentes em clientela adulta, infanto-juvenil e usuáriosde álcool e 
outras drogas). Nessa portaria, importa ressaltar também a criação das moda-
lidades de cuidado “intensivo”, “semi-intensivo” e “não-intensivo”, introduzindo 
uma dimensão clínica ainda não abordada em ato normativo. 
139DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
A Portaria nº 251 de 31.02.02 estabelece diretrizes e normas para a assistência 
hospitalar em psiquiatria, reclassifica os hospitais psiquiátricos, define e estru-
tura a porta de entrada para as internações psiquiátricas na rede do SUS.
Portaria/GM n º 106, de 11 de fevereiro de 2000 que cria os Serviços Residen-
ciais Terapêuticos em Saúde Mental, no âmbito do Sistema Único de Saúde, 
para o atendimento ao portador de transtornos mentais.
A Portaria Nº 2077/GM de 31 de outubro de 2003 que dispõe sobre a regulamen-
tação da Lei nº 10.708, de 31 de julho de 2003, nos termos de seu artigo 8º.
ANEXO III - CONSENSO DA SÍNDROME DA ABSTINÊNCIA DO ÁLCOOL
Resumo do Consenso Brasileiro sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool 
(SAA) e o seu tratamento baseado no trabalho de Ronaldo Laranjeira (SP), Sér-
gio Nicastri (SP), Claudio Jerônimo (SP), Ana C Marques (SP) e equipe*, publi-
cado no Jornal Brasileiro de Dependências Químicas, Vol. I, Número I, 2000. 
p.5-15.
1. INTRODUÇÃO
Alcoolistas quando diminuem o consumo ou se abstêm completamente deste 
podem apresentar um conjunto de sintomas e sinais, denominados Síndrome 
de Abstinência do Álcool (SAA). 
Os sinais e sintomas mais comuns são: agitação, ansiedade, alterações de hu-
mor (irritabilidade, disforia), tremores, náuseas, vômitos, taquicardia, hiperten-
são arterial, entre outros. Ocorrem complicações como alucinações, Delirium 
Tremens (DT) e convulsões. 
Esse consenso visa a orientar o profissional de saúde na avaliação, diagnóstico 
e tratamento da SAA e também nas complicações clínicas e psiquiátricas as-
sociadas.
140 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
O manejo da SAA é o primeiro passo no tratamento da dependência do álcool 
e representa um momento privilegiado para motivar o paciente a permanecer 
em seguimento. 
2. BASES BIOLÓGICAS 
 O que se conhece dos sintomas da SAA tem sido explicado pelo fenômeno de 
neuroadaptação que ocorre no SNC, quando há exposição crônica ao etanol. 
2.1 SAA E MONOAMINAS 
Os sintomas e sinais da SAA estão relacionados à alteração nos níveis de libe-
ração de noradrenalina e dopamina, como descrito abaixo:
taquicardia por ativação de receptores beta-adrenérgicos; ;
hipertensão por ativação de vias alfa-adrenérgicas; ;
aumento da força de contração do músculo cardíaco por ação adrenérgica ;
inotrópica positiva; 
náuseas e vômitos devido à redução do esvaziamento gástrico; ;
piloereção; ;
midríase; ;
tremores pela facilitação da neurotransmissão muscular; ;
aumento do consumo de oxigênio; ;
aumento da temperatura corporal em até 2˚C. ;
141DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
2.2 SAA E AMINOÁCIDOS NEUROTRANSMISSORES 
O etanol atua como um antagonista dos receptores NMDA (N-Metil–D-Aspar-
tato), um receptor do tipo excitatório do SNC. O consumo crônico provoca um 
aumento da densidade desses receptores. A ativação pode ser responsável 
pelas convulsões.
Na SAA há uma hipoatividade GABAérgica. Os receptores GABAA têm uma 
atividade inibitória. Esse é o local de ação dos benzodiazepínicos e do etanol. 
Dessa maneira, justifica-se o uso de benzodiazepínicos no tratamento da SAA.
2.3 SAA E CANAIS DE CÁLCIO
Com a exposição crônica ao etanol, há uma alteração nos canais de cálcio do 
tipo L. A ação do cálcio nos terminais nervosos é fundamental para a liberação 
dos neurotransmissores na fenda sináptica. 
A Figura 1 resume esses dados:
Figura 1 - Bases biológicas dos sinais e sintomas da SAA
142 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
3. DIAGNÓSTICO
O quadro de SAA se inicia após seis horas da diminuição ou da interrupção 
do uso do álcool, representados por tremores, ansiedade, insônia, náuseas e 
inquietação. 
Outros sintomas: febre baixa, taquipnéia, tremores e sudorese profusa. Convul-
sões podem se desenvolver em 5% dos casos. 
Outra complicação grave é o Delirium Tremens (DT), caracterizado por alucina-
ções, alteração do nível da consciência e desorientação. 
A mortalidade nos pacientes que apresentam DT é de 5 a 25%. 
O aparecimento dos sintomas em relação ao tempo após interrompido o uso de 
bebida alcóolica e a porcentagem dos pacientes que apresentam sintomas da 
SAA estão ilustrados na Figura 2. 
Figura 2 - Relação entre a interrupção do uso de bebida alcoólica e o 
aparecimento de sintomas como tremores, alucinações e delirium tremens 
Fonte: Adaptado de Vitor e Adams, 1953 (in Trevisam e Col. 1998)
143DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Figura 3 - Avaliação do paciente
4. AVALIAÇÃO DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO ÁLCO-
OL (SAA) 
4.1.1 ANAMNESE 
Uma história completa sobre o paciente, levando-se em conta suas várias di-
mensões, com o objetivo de avaliar o paciente como um todo.
4.1.2 HISTÓRIA DO USO DE ÁLCOOL 
Deve-se buscar informações básicas sobre o padrão de consumo dos últimos 
anos, avaliando a quantidade e a freqüência do beber. O último consumo ou 
diminuição são dados importantes a serem avaliados.
144 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
A partir do diagnóstico da SAA, dois tipos de avaliações mais pormenorizadas 
deverão ser as próximas etapas: a gravidade da SAA e eventuais co-morbida-
des clínicas e/ou psiquiátricas. Também avaliar a disponibilidade da rede de 
serviços de saúde de cada local e de seu sistema familiar/social, para decisão 
de que tratamento adotar. 
Levando em consideração a complexidade do diagnóstico, é possível classificar 
o comprometimento do usuário crônico de álcool em dois níveis: leve/modera-
do e grave. 
Nível I – Quando o comprometimento é leve/moderado e, portanto, apresenta 
uma síndrome de abstinência leve/moderada, compreendendo os seguintes as-
pectos:
Biológicos: leve agitação psicomotora; tremores finos de extremidades; ;
sudorese facial discreta; episódios de cefaléia; náuseas sem vômitos; sen-
sibilidade visual, sem alteração da percepção auditiva e tátil. 
Psicológicos: o contato com o profissional de saúde está íntegro; o pacien- ;
te encontra-se orientado temporo-espacialmente; o juízo crítico da realida-
de está mantido; apresenta uma ansiedade leve; sem relato de episódio de 
violência auto ou heterodirigida. 
Sociais: mora com familiares ou amigos e essa convivência está regular ou ;
boa; sua atividade produtiva vem sendo desenvolvida, mesmo que atual-
mente esteja desempregado/afastado, a rede social está mantida. 
Co-mórbidos: sem complicações e/ou co-morbidades clínicas e/ou psiqui- ;
átricas graves.
Para os pacientes classificados como nível I a intervenção deverá ser psicoe-
ducacional e clínica, isto é, o paciente deve ser informado com clareza sobre 
o diagnóstico, recebendo orientações sobre a dependência do álcool e a sín-
drome de abstinência, além de tratamento específico para a fase de privação 
aguda de acordo com a necessidade. O encaminhamento será direcionado para 
o tratamento ambulatorial.
145DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Nível II – Quando o comprometimento é grave e, portanto, apresenta uma sín-
drome de abstinência grave com os seguintes aspectos: 
Biológicos: agitação psicomotora intensa; tremores generalizados; sudo- ;
rese profusa; cefaléia; náuseas com vômitos; sensibilidade visual intensa; 
quadros epiletiformes agudos ou relatados na história pregressa. 
Psicológicos: o contato com o profissional de saúde está prejudicado; o ;
paciente encontra-se desorientado temporo-espacialmente; o juízo crítico 
da realidade está comprometido; apresenta-se com uma ansiedade inten-
sa; refere história de violência auto ou heterodirigida; o pensamento está 
descontínuo, rápido e de conteúdo desagradável e delirante; observam-se 
alucinaçõesauditivas, táteis ou visuais. 
Sociais: o relacionamento com familiares ou amigos está ruim; tem estado ;
desempregado, sem desenvolver qualquer atividade produtiva; a rede so-
cial de apoio é inexistente ou restrita ao ritual de uso do álcool; não possui 
familiares auxiliando no tratamento. 
Co-mórbidos: com complicações e/ou co-morbidades clínicas e/ou psiqui- ;
átricas graves detectadas ao exame geral. 
Para os pacientes nível II, o paciente será encaminhado para tratamento hos-
pitalar, sendo que a família deverá receber uma intervenção psicoeducacional 
sobre o transtorno. A Figura 4 sintetiza os níveis de gravidade da SAA. 
146 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Figura 4 – Níveis de gravidade da SAA
147DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
5. CO-MORBIDADES
Tabela 1- principais complicações e/ou co-morbidades clínicas associadas a SAA
Sistema nervoso central
Apagamentos (amnésia lacunar);
Convulsão;
Diminuição da habilidade motora e transtornos motores;
Diminuição da capacidade cognitiva;
Neuropatia sensório-motora periférica;
Síndrome de “Wernicke-Korsakoff”: oftalmoplegia + alaxia + confusão 
mental + alterações de memória;
Degeneração cerebelar;
Encefalopatia hepática;
Demência relacionada ao álcool;
Transtornos neuropsicológicos relacionados ao álcool;
Traumatismo crânio encefálico. 
Sistema gastrintestinal
Pancreatite crônica;
Esteatose hopática;
Hepatite alcoólica;
Hemorragia digestiva;
Cirrose hepática com ou sem hepatite alcoólica;
Gastrite;
Esofagite de refluxo;
Tumores.
Sistema ósteo-muscular
Fraqueza muscular proximal;
Miopatia generalizada;
Osteopenia;
Quedas freqüentes e fraturas.
Anormalidades hematológicas
Distúrbios de coagulação;
Anemias por deficiência nutricional.
Sistema cardiovascular
“Holiday Heart Syndrome”, episódios de arritmia supraventricular após 
grande ingestão alcoólica;
148 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Arritmias: fibrilação atrial, flutter atrial, extrassistólia;
Insuficiência cardíaca;
Miocardiopatia alcoólica;
Hipertensão arterial.
Sistema endócrino
Hipoparatireoidismo transitório;
Alteração do ritmo menstrual;
Impotência sexual (por diminuição de testosterona);
Ginecomastia;
Diabetes;
Infertilidade;
Diminuição da libido;
Diminuição dos caracteres sexuais masculinos.
Alterações metabólicas
Hipomagnesemia;
Hipoglicemia;
Hipopotassemia;
Cetoacidose.
Renal
Rabdomiólise / insuficiência renal aguda;
Dermatológico
Pelagra;
Afecções secundárias de pele;
Eczemas;
Queda de cabelo;
Aranhas vasculares;
Eritema palmar;
Dermatite seborréica, rinofima;
Prurido;
Rubor facial;
Ecmoses;
Xerodermia;
Alterações nutricionais;
Deficiências vitamínico-minerais;
Deficiências protóicas.
149DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Tabela 2 - Principais co-morbidades e/ou complicações psiquiátricas
Alteração do sono
Transtorno de personalidade anti-social
Suicídio e ideação suicida
Transtornos depressivos
Transtornos ansiosos
 6. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
Abaixo estão listadas as principais condições clínicas que deveriam ser levadas 
em consideração como diagnóstico diferencial da SAA. 
Tabela 3 - Principais condições clínicas que deveriam ser levadas em 
consideração como diagnóstico diferencial da SAA
Infecções (pneumonia, meningite, encefalite)
Tramatismo crânio-encefálico, hematoma subdural
Encefalopatia hepática, má nutrição
Efeitos adversos de outros medicamentos
Com convulsões, tumor, alterações minerais ou 
hidroeletrolíticas, traumatismo craniano
Com DT: outras causas delirium
7. AVALIAÇÃO LABORATORIAL
Exames indicados: o volume corpuscular médio (VCM); os níveis das enzimas 
hepáticas (TGO,TGP,GGT); e eletrólitos, como o magnésio, o sódio e o potássio. 
150 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
8. TRATAMENTO
Os objetivos do tratamento da síndrome de abstinência do álcool são:
Alívio dos sintomas existentes; 1. 
Prevenção do agravamento do quadro com convulsões e delirium;2. 
Vinculação e engajamento do paciente no tratamento da dependência; 3. 
Prevenir síndromes de abstinência mais graves no futuro. 4. 
8.1. PLANEJAMENTO GERAL DO TRATAMENTO
Tratamento não-farmacológico: monitoramento freqüente do paciente; tenta-
tivas de propiciar um ambiente tranqüilo, não-estimulante, com luminosidade 
reduzida; fornecimento de orientação ao paciente (com relação a tempo, local, 
pessoal e procedimentos); limitação de contatos pessoais; atenção a nutrição 
e reposição de fluidos; e reasseguramento dos cuidados e encorajamento po-
sitivo. 
Tratamento farmacológico: reposição de vitaminas (sobretudo a tiamina). Uso 
de benzodiazepínicos (BZD) é a medicação de primeira escolha para o controle 
dos sintomas da SAA. Esquemas de administração são planejados de acordo 
com a intensidade dos sintomas. Devemos buscar a dose adequada para a in-
tensidade de sintomas de cada paciente, sendo utilizados, em média, de 30 a 
120 mg de Diazepan no primeiro dia, com retirada de 20% da dose diariamente, 
terminando seu uso em cerca de sete dias.
Ao receber o paciente, a atitude do profissional de saúde deve ser acolhedora, 
empática e sem preconceitos. O tratamento da SAA (quadro agudo) é um mo-
mento privilegiado para motivar o paciente para o tratamento da dependência 
(quadro crônico). Deve-se esclarecer à família e, sempre que possível, o próprio 
paciente sobre os sintomas apresentados, os procedimentos a serem adotados 
e as possíveis evoluções do quadro. 
151DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Deve ser propiciado ao paciente e à família o acesso facilitado a níveis mais 
intensivos de cuidados (serviço de emergência, internação) em casos de evolu-
ção desfavorável. É importante ainda reforçar a necessidade de comparecimen-
to nas consultas remarcadas, que serão tão freqüentes quanto possível, nos 
primeiros 15 dias do tratamento. 
TRATAMENTO HOSPITALAR:
Essa modalidade é reservada aos casos mais graves, que requerem cuidados 
mais intensivos. Doses mais elevadas de BZDs são geralmente necessárias e 
sua prescrição deve ser baseada em sintomas avaliados de hora em hora. Deve 
ser dada atenção especial à hidratação e correção de distúrbios metabólicos 
(eletrólitos, glicemia, reposição vitamínica). 
CONTENÇÃO FÍSICA:
Os pacientes agitados que ameaçam violência devem ser contidos. A conten-
ção deve ser feita por pessoas treinadas. 
8.2. MANEJO DAS COMPLICAÇÕES
Convulsões: a maioria das crises é do tipo tônico-clônica generalizada. As cri-
ses convulsivas correspondem a uma manifestação relativamente precoce da 
SAA, mais de 90% ocorrem até 48 horas após a interrupção do uso de álcool 
(pico entre 13 e 24 horas) e estão associadas com evolução para formas graves 
de abstinência. Cerca de 1/3 dos pacientes que apresentam crises evoluem 
para delirium tremens, se não forem tratados. O diazepam (ou um BDZ de ação 
longa) é a medicação de escolha. O uso endovenoso é especialmente indicado 
durante os episódios convulsivos. 
Delirium Tremens: ; forma grave de abstinência, geralmente iniciando-se 
entre um a quatro dias após a interrupção do uso de álcool, com duração 
de até três ou quatro dias. É caracterizado por rebaixamento do nível de 
152 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
consciência, com desorientação, alterações sensoperceptivas, tremores e 
sintomas autonômicos (taquicardia, elevação da pressão arterial e da tem-
peratura corporal). Doses elevadas de BDZ são necessárias, mas o uso 
associado de neurolépticos é geralmente indicado. O tratamento farmaco-
lógico inclui: diazepam 60mg por dia e haloperidol 5mg por dia. 
Alucinose Alcoólica: ; quadro alucinatório predominantemente auditivo, 
com sons do tipo cliques, rugidos, barulho de sinos, cânticos e vozes. As 
alucinações podem ser também de natureza visual e tátil. Os pacientespodem apresentar medo, ansiedade e agitação em decorrência dessas ex-
periências. É tratado com neurolépticos, particularmente o haloperidol 5mg 
ao dia. Neurolépticos podem induzir distonias agudas e outros distúrbios 
de movimento, que podem ser tratados com anticolinérgicos. 
8.3. O QUE NÃO FAZER
A administração de glicose, indiscriminadamente, por risco de ser precipi- ;
tada a Síndrome de Wernicke. A glicose só deve ser aplicada parenteral-
mente após a administração de tiamina; 
O uso rotineiro de difenil-hidantoína (fenitoína) parenteral; ;
A administração de clorpromazina e outros neurolépticos sedativos de bai- ;
xa potência para controle de agitação, uma vez que podem induzir convul-
sões. O haloperidol é a indicação mais adequada; 
A contenção física inadequada e indiscriminada, que provoque lesões nos ;
pacientes. 
Ao lado, na Figura 5, planos de tratamento, contra-indicações e o manejo das 
complicações estão resumidos para consulta. 
153DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Figura 5 – Tratamento, contra-indicações e manejo das complicações
Ambulatório e internação domiciliar
Cuidados Gerais
Esclarecimento sobre SAA para o paciente e familiares; retornos freqüentes ou visitas da 9
equipe no domicílio: não dirigir veículos. Dieta leve ou restrita: hidratação adequada.
Ambiente calmo, com pouca estimulação audiovisual, com supervisão de familiares e 9
encaminhamento para emergência, se necessário.
Farmacoterapia
Tiamina: 300 mg/dia intramuscular, a seguir oral. 9
Sedativos: depende do caso, a seguir, redução gradual. 9
Diazepam: de 20 a 40 mg dia/oral ou 9
Clordiazepóxido: de 100 a 200 mg/dia/oral ou
Lorazepam (hepatopatia associada): de 4 a 8 mg/dia/oral.
Internação hospitalar
Cuidados Gerais
Repouso absoluto, dieta leve ou jejum. Controle pela CIWA-Ar. 9
Monitorização da glicemia, dos eletrólitos e da hidratação. 9
Farmacoterapia
Tiamina: 300 mg/dia intramuscular. Se apresentar confusão mental, 9
Ataxia, nistágmo, aumentar a dose. A seguir, administração oral. 9
Sedativos:
Diazepam: 10 a 20 mg/oral de hora em hora ou 9
Clordiazepóxido: 50 a 100 mg/oral de hora em hora ou
Lorazepam: 2 a 4 mg/oral de hora em hora.
Se necessário, diazepam endovenoso, 10 mg em quatro minutos, com retaguarda para 9
o manejo da parada respiratória.
Redução da medicação gradualmente. 9
Complicações
Convulsões
Diazepam: de 10 a 30 mg/dia oral ou 10 mg/ev na crise. 9
Delirium tremens
Diazepam: 60 mg/dia oral ou 9
Lorazepam 12 mg/dia oral.
Associar, se necessário, haloperidol: 5 mg/dia oral ou 9
Clonidina: 0,1 a 0,2 mg/dia oral.
Alucinose alcoólica
Haloperidol: 5 mg/dia 9
O que não fazer:
Hidratar indiscriminadamente. 9
Administrar glicose. 9
Administrar clorpromazina ou fenil-hidantoína. 9
Aplicar Diazepam endovenoso, sem recursos para reverter uma possível parada respiratória. 9
154 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
ANEXO VI - MAPA DOS SERVIÇOS DE SAUDE MENTAL
RJ
MG
BA
MARILÂNDIA 
FUNDÃO
ARACRUZ 
SANTA
LEOPOLDINA
SERRA
CARIACICA
VILA VELHA
VIANA
ITAGUAÇU 
LARANJA
DA TERRA 
COLATINA
BAIXO
GUANDU
ITARANA
VITÓRIA
ITAPEMIRIM
PRESIDENTE 
KENNEDY
KENNEDY
ATILIO
VIVACQUA
MUQUI
JERÔNIMO
MONTEIRO
MIMOSO
DO SUL
APIACÁ
BOM 
JESUS
DO NORTE
SÃO
JOSÉ
DO
CALÇADO 
GUAÇUÍ
DORES DO
RIO PRETO 
ALEGRE
MUNIZ
FREIRE
IBATIBA
IÚNA
IRUPI
IBITIRAMA
PIÚMA
ANCHIETA
ICONHA 
CASTELO
ALFREDO
CHAVES
DOMINGOS
MARTINS
MARECHAL
FLORIANO
AFONSO
CLÁUDIO 
SANTA MARIA
DE JETIBÁ
RIO BANANAL
LINHARES 
PANCAS
MONTANHA
PEDRO
CANÁRIO
CONCEIÇÃO
DA BARRA 
NOVA VENÉCIA
VILA PAVÃO 
SÃO MATEUS
PINHEIROS
ECOPORANGA
ÁGUA
DOCE
DO
NORTE
BARRA DE
SÃO FRANCISCO
JAGUARÉ
ÁGUIA
BRANCA
MANTENÓPOLIS
ALTO
RIO
NOVO
CONCEIÇÃO
DO CASTELO 
RIO NOVO
DO SUL
SÃO GABRIEL
DA PALHA
SÃO DOMINGOS
DO NORTE
SANTA
TERESA
IBIRAÇU
VENDA
NOVA
DO IMIGRANTE
VARGEM
ALTA
DIVINO DE
SÃO
LOURENÇO
BOA ESPERANÇA 
MUCURICI
SOORETAMA
VILA
VALÉRIO
PONTO
BELO
BREJETUBA 
MARATAÍZES
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N
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JOÃO
NEIVA 
GUARAPARÍ
CACHOEIRO
DE
ITAPEMIRIM
SÃO ROQUE
DO CANAÃ 
S E R VIÇ OS AS S IS T E NC IAIS E M S AÚDE ME NT AL
Municípios do Espírito Santo - 2006
LEGENDALEGENDALEGENDA
GOVERNADOR
LINDENBERG
Centro de Atenção Psicossocial- CAPS
Equipe de Saúde Mental
Profissional de Referência em Saúde Mental
Consórcio Intermunicipal de Saúde
155DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
ANEXO V - CARTA DOS DIREITOS DOS USUARIOS 
DOS SERVIÇOS DE SAUDE MENTAL
ADITAL - 
* Carta de direitos dos Usuários e Familiares de Serviços de Saúde 
Mental, enviada pela ONG Manicômios Nunca Mais, produzida no III 
Encontro Nacional dos Usuários e Familiares da Luta Antimanicomial, 
de grande importância para o fortalecimento do Movimento Nacional 
SANTOS, DEZEMBRO DE 1993.
DIREITOS GERAIS NA SOCIEDADE 
A todos os usuários deve ser garantido o direito a uma vida plena em suas di-
mensões psicológica, existencial, social e política; 
A assistência à saúde mental é um direito de todo cidadão, independente de 
sua situação social, familiar e racial, e essa assistência não poderá, em hipótese 
alguma, justificar a violação de quaisquer direitos de cidadania; 
Todo usuário tem direito à liberdade, à dignidade e a ser tratado e ouvido como 
pessoa humana, com direitos civis, políticos e sociais como qualquer cidadão; 
Não haverá discriminação ou preconceito em relação ao usuário de serviços de 
saúde mental, inclusive no mercado de trabalho e em seus direitos trabalhistas 
e instituições sociais em geral; 
Todo usuário tem direito de expressão, de ser respeitado em seus credos reli-
giosos, manifestações culturais e sexualidade; 
Nenhum usuário pode ser submetido a exploração econômica, sexual, abuso 
físico e moral, ou comportamento degradante. 
156 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
OBSERVAÇÃO:
Utilizamos a expressão usuário, assim como a expressão “técnicos” para desig-
nar situações específicas. Na verdade, nós, usuários entre aspas, somos pes-
soas, seres humanos totais e integrais, acima das condições apenas circuns-
tanciais da comunidade dos serviços de saúde mental. Queremos ser autores 
do nosso próprio destino. Desejamos a verdadeira integração na sociedade, 
com os chamados normais. Entretanto, as pessoas nesse movimento não se 
chamam umas às outra de usuários, mas de companheiros, participantes e 
amigos.
II. CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE 
MENTAL E SERVIÇOS COMPLEMENTARES 
A assistência em saúde mental abrange não só a assistência psiquiátrica, mas 
também a médica, odontológica, social, jurídica, reabilitação, educação e ga-
rantia de trabalho, protegido ou não; 
A atenção em saúde mental não deve ser realizada em manicômios, mas em ser-
viços abertos, e o menos restrito possível, tais como: hospitais gerais, centros e 
núcleos de atenção psicossocial, centros de convivência e cooperativa, grupos 
de trabalho e microempresas, hospitais dia e noite, lares e pensões abrigados, 
associações comunitárias, grupos de auto-ajuda, oficinas abrigadas etc; 
Todo serviço de saúde mental deverá ter um representante jurídico de caráter 
reconhecidamente público e legal, capaz de assegurar a escuta e implementa-
ção dos direitos de cidadania de seus usuários; 
Os serviços de saúde devem permitir e incentivar os usuários a se organizarem 
em grupos, conselhos populares, associações de usuários, familiares, trabalha-
dores de saúde mental e comunidade que objetivem propor e construir ações 
que transformem a relação com a loucura na sociedade em geral, na legislação 
e na vivência, organização e fiscalização dos serviços; 
157DIRETRIZES DA SAÚDE MENTALOs serviços de saúde mental devem se localizar o mais próximo possível da 
moradia dos usuários, de forma descentralizada, garantindo-se o direito de es-
colha do usuário pelos serviços e profissionais de sua preferência; 
Todo serviço de saúde metal deverá garantir o bem-estar físico, mental e emo-
cional de seus usuários, e as exigências mínimas de higiene, segurança, condi-
ções ecológicas e ambientais, conforto, privacidade e alimentação de qualidade 
com supervisão profissional; 
Todo usuário terá direito ao meio de transporte que garanta o acesso gratuito 
ao serviço de saúde mental, bem como à medicação, sem com isso induzir à 
discriminação ou ao preconceito; 
As crianças e os adolescentes não poderão ser tratados em serviços exclusivos 
de adultos, exigindo-se serviços especializados que garantam os direitos reco-
nhecidos no Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente; 
Os serviços de saúde mental devem ser gratuitos e preferencialmente públicos. 
Todos os serviços, e preferencialmente os de caráter privado e lucrativo con-
veniados, devem estar sob a supervisão e fiscalização em qualquer momento 
pelo poder público e entidades de usuários, familiares e profissionais. 
III. CARACTERÍSTICAS DOS TRATAMENTOS EM SAÚDE 
MENTAL
Todo serviço de triagem em saúde mental deve incluir uma avaliação psiquiátri-
ca, psicológica, médico clínica e social que garanta uma visão ampla e integra-
da do usuário e que respeite a sua fragilidade e dignidade de pessoa humana; 
Deverão ser proibidas as formas de tortura e violência pretensamente “terapêu-
ticas”:
Camisa de força,•	
Psicocirurgia,•	
158 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Insulinoterapia,•	
Esterilização involuntária,•	
Cela forte,•	
ECT,•	
Amarrar, •	
Superdosagem de medicamentos, do tipo DEPOT e “sossega leão”. •	
Sobre as formas de admissão, qualquer internação psiquiátrica efetuada deverá 
ser comunicada num prazo de 48 horas ao Ministério Público e a um ouvidor 
não convocado pela própria instituição, mas sim escolhido pelas entidades de 
usuários;
Todo usuário deverá ser informado, em linguagem de seu entendimento, das 
opções de serviços e tratamento, e a decisão final deverá contar com o consen-
timento do usuário e/ou pessoa de sua confiança; 
Todo programa de saúde mental deverá promover abordagens e serviços espe-
cializados e adequados aos diversos grupos da clientela, tais como alcoolistas, 
crianças e adolescentes, idosos, autistas, drogaditos, portadores de deficiên-
cia, de HIV positivo, etc.;
Todo serviço de saúde mental deve oferecer orientação, suporte e/ou terapêuti-
ca para os familiares dos usuários, bem como mecanismos de participação nas 
decisões e fiscalização dos serviços. 
IV. DIREITOS DOS USUÁRIOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
MENTAL 
Todo usuário tem direito à expressão responsável de sua afetividade e sexuali-
dade nos serviços de saúde mental, bem como à orientação, à educação sexual 
e ao acesso aos meios de contracepção; 
159DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Todo usuário deve ter garantido o direito: 
de acesso às informações contidas no prontuário, •	
de acesso aos meios de comunicação, tais corno a TV, jornais, rádios e •	
telefone, 
ao sigilo e inviolabilidade de correspondência, •	
à privacidade e individualidade, •	
à participar das decisões nos serviços, nos conselhos populares, conferên-•	
cias e encontros de saúde,
à uma representação legal gratuita em caso de incapacidade civil, •	
ao acesso às informações dos direitos dos usuários e familiares. •	
V. REIVINDICAÇÕES - TEMAS DE LUTA E MOÇÕES 
Que seja encaminhada, aos poderes Legislativo e Judiciário, a proposta de con-
siderar a aplicação do ECT como crime inafiançável; 
Que a “Carta de Direitos dos Usuários” seja publicada nos principais jornais 
privados e oficiais; que seja afixada em lugar visível em todos os serviços de 
saúde mental e seja difundida, em cartilha, entre os usuários; 
Encaminhar ao Congresso Nacional a proposta de emenda ao Código Civil, eli-
minando a expressão “loucos de todo gênero” e “incapazes para os atos da vida 
civil” (artigo 5º do Código Civil em vigor), e que sejam amplamente discutidas 
e revisadas as categorias de periculosidade e inimputabilidade atribuídas ao 
portador de transtorno mental no Código Penal em vigor; 
Promover programas de orientação aos policiais, corpo de bombeiros e outros 
técnicos que prestam serviços sociais em relação aos cuidados especiais e 
direitos do portador de transtorno mental em crise; 
160 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Que a coordenação do movimento e a Comissão Nacional de Reforma Psiqui-
átrica façam uma campanha na mídia, a nível nacional, para esclarecimento da 
população sobre o que vem a ser saúde mental, e não doença mental; 
Que se tomem medidas contra a discriminação do usuário com relação a em-
pregos e vida pública. Sugerir ao governo que se facilite apoio ao usuário atra-
vés de abertura do campo de trabalho, por exemplo, através de leis que esta-
beleçam que firmas com mais de cem empregados tenham de oferecer vagas, 
numa proporção ainda a ser definida, para usuários dos serviços de saúde men-
tal, que essa mesma medida se estenda ao poder público de maneira geral e 
também, de forma específica, aos equipamentos de saúde mental, tais como 
centros de convivência, cooperativas, hospitais-dia, lares abrigados, etc. Que 
haja incentivos fiscais para as firmas que contratarem usuários e para aquelas 
que colaborem em programas de reabilitação e treinamento de usuários para o 
mercado de trabalho; 
Que a fala em qualquer encontro da luta antimanicomial seja simplificada para 
entendimento de todo usuário;
Que o movimento procure sensibilizar os candidatos a cargos políticos a inte-
grarem em suas plataformas os objetivos da luta antimanicomial; 
Que em todos os municípios sejam implantados, na prática, os conselhos mu-
nicipais e distritais de saúde, bem como os municipais da pessoa deficiente, 
com inclusão dos representantes dos movimentos de saúde mental nesses 
conselhos;
Que sejam denunciados os municípios que não cumprirem a legislação do Sis-
tema Único de Saúde; 
Que os municípios e serviços de saúde mental invistam na formação e trei-
namento dos trabalhadores de saúde mental, com ênfase na abordagem dos 
objetivos da luta antimanicomial; 
Estimular a criação e o desenvolvimento das organizações não-governamentais 
especializadas em questões jurídicas para defender a cidadania dos portadores 
de transtorno mental; 
161DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Estabelecer uma instância de revisão obrigatória para todos os casos de interdi-
ção civil, com a participação de todos os seguimentos da sociedade civil. Que 
essas instâncias contemplem também os caos das pessoas com sofrimento 
psíquico presas em medida de segurança; 
Exigir do Estado uma atenção integral e um programa de ressocialização espe-
cífica para aquele usuário de longa permanência nos asilos; 
Exigir do judiciário uma revisão das políticas de manicômios judiciários com o 
desenvolvimento de programas alternativos;
Exigir que ensaios clínicos e experimentais em saúde mental não sejam aplica-
dos sem o consentimento informado dos usuários;
Que as leis existentes e as em tramitação sejam revistas, considerando as pro-
postas aprovadas e as diretrizes da II Conferência Nacional de Saúde Mental 
(dezembro, 1992) e do I Encontro Nacional da Luta Antimanicomial de Salvador, 
e basear-se na Carta dos Direitos dos Usuários, produzida no III Encontro Nacio-
nal de Entidades de Usuários e Familiares, realizado em Santos; 
Que se incentive o desenvolvimento de associações populares e organizações não- 
governamentais na prestação de serviços alternativos e inovadores em saúde 
mental, com amplo suporte técnico e financeiro dos governos e do Sistema 
Único de Saúde;
Que se encaminhe uma revisão e ampliaçãoda discussão do projeto de lei 
estadual de Política de Saúde Mental, em discussão na Assembléia Legislativa 
do Rio de Janeiro, tendo como base a “Carta de Direitos dos Usuários e Fami-
liares”; 
Que seja criado pelo poder público um sistema especial de atendimento aberto 
aos portadores de transtorno mental que vivem nas ruas das cidades em nosso 
país. 
Essa plenária manifesta o seu repúdio à política deliberada da destruição da 1. 
rede de serviços alternativos em saúde mental pela atual Prefeitura de São 
Paulo; 
162 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE
Essa plenária expressa o seu repúdio ao projeto de lei da deputada Laura 2. 
Carneiro, do Rio de Janeiro, que delibera o recolhimento da população de 
rua em uma instituição de saúde mental privada; 
Esta plenária manifesta seu repúdio ao corte da Supervisão Institucional 3. 
dos Trabalhadores de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de 
São Paulo; 
O III Encontro Nacional de Entidades de Usuários e Familiares de Saúde 4. 
Mental vem exigir que seja aprovado imediatamente o projeto de lei 366/92 
de Reforma Psiquiátrica do Estado de São Paulo, de autoria do deputado 
estadual Roberto Gouveia e outros, que se encontra em tramitação na As-
sembléia Legislativa de São Paulo. 
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=25230
163DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
LISTA DE SIGLAS E 
ABREVIATURAS
AIH – Autorização para Internação Hospitalar
CAPAAC - Centro de Atendimento Psiquiátrico Dr. Aristides Alexandre Campos
CAPS – Centro de Atenção Psicossocial
CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Saúde 
HAB – Hospital Adauto Botelho
HSL – Hospital São Lucas
HPM – Hospital da Polícia Militar
MS – Ministério da Saúde 
NOAS – Norma Operacional Básica de Assistência à Saúde 
NOB – Norma Operacional Básica
PRH – Programa Anual de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica
PSF – Programa Saúde da Família
SRT-Serviço Residencial Terapêutico
SESA – Secretaria de Estado da Saúde
SIA – Sistema de Informação Ambulatorial
SIH – Sistema de Informação Hospitalar
SUS – Sistema Único de Saúde
UBS – Unidade Básica de Saúde
USF-Unidade Saúde da Família
URS – Unidade Regional de Saúde
165DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS
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psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: FIORUZ, 1995.
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RUZ, 2007.
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nário do Conass para construção de consensos. Brasília, CONASS, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas e Estratégicas. Coordenação Geral de Saúde Men-
tal. Política Nacional de Saúde Mental – Orientação aos Gestores. Brasília.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas e Estratégicas. Coordenação Geral de Saúde Men-
tal. Saúde Mental em Dados. Ano I, nº 2, junho de 2006.
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de Ações Programáticas e Estratégicas. Coordenação Geral de Saúde Men-
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apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde 
Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, 2005.
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Saúde. Legislação em saúde mental: 1990-2004. 5ªed. ampl. Brasília: Minis-
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BRASIL. Ministério da Saúde. Norma Operacional da Assistência. 2001. di-
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BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório final da III Conferência Nacional de 
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DELGADO, Pedro Gabriel. Saúde mental e pública para todos. O Globo, jul. 
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Mental. 2000-2003.
ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenação Estadual de 
Saúde Mental. Relatório de Gestão, 2001.
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ização, 2003. Disponível em htpp//www.saúde.es.gov.br. 
ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde Coordenação Estadual de 
Saúde Mental. Relatório de Gestão, 2005.
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FERREIRA, Lilia E. Almeida Ferreira. Análise de política pública de saúde men-
tal: o caso do Estado do Espírito Santo. Dissertação de Mestrado, Instituto 
de Psiquiatria. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005.
 
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de outubro de 1997, na Plenária Final do V Congresso Brasileiro de Terapia 
Ocupacional, realizado em Belo Horizonte/MG).
167DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
MENDES, Eugênio Vilaça. A Regionalização e as Redes de Atenção à Saúde: 
os sistemas integrados de serviços de saúde, um modelo de atenção para 
o SUS. Oficina de trabalho e alinhamento. Guia do Participante. Secretaria 
de Estado da Saúde, 2004.
PITTA, Ana. Tecendo uma teia de cuidados em saúde mental. In: VENÃNCIO, 
Ana Teresa A. & CAVALCANTI, Maria T. (orgs). Saúde Mental: campos, sa-
beres e discursos. Rio de Janeiro. Edições IPUB, 2001, p. 277-282.
PREFEITURA DE VITÓRIA. Secretaria de Estado – Centro de Prevenção e 
Tratamento de Toxicômanos- CPTT. Drogas: isso lhe interessa? Confira aqui. 
Vitória, 2002.
ROTELLI, Franco et al.Desinstitucionalização. Hucitec, São Paulo, 2001.
SARACENO, Benedetto. Libertando identidades: da reabilitação psicossocial 
a cidadania possível. Rio de Janeiro: Te Cora Editora/ Instituto Franco Basa-
glia, 1999. 
UNGLERT, Carmem Vieira de Sousa. Territorialização em Sistemas de Saúde.
In: Distrito Sanitário – MENDES, Eugênio Vilaça (org.) O processo social de 
mudança das práticas sanitárias do Sistema Único de Saúde. Hucitec-Abras-
co, São Paulo-Rio de Janeiro, 1993.
169DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL
Agradecemos a todos os profissionais de saúde mental que participaram da 
elaboração destas Diretrizes.
Agradecemos aos diversos profissionais de saúde mental inseridos nos servi-
ços hospitalares e extra-hospitalares, municipais e estaduais, cujas experiên-
cias clínica, social e política contribuem para a construção da Reforma Psiquiá-
trica Capixaba e efetivação da Política Estadual de Saúde Mental.
Agradecemos de forma especial a Drª Maria Emi Shimazaki pelo empenho, de-
dicação e zelo na condução da consultoria destas Diretrizes.
A todos que têm contribuído na implantação e consolidação de uma rede de 
atenção em Saúde Mental no Espírito Santo realmente substitutiva ao hospital 
psiquiátrico.
AGRADECIMENTOS
COLABORADORES:
Andréa Romanholi
Psicóloga
Antonio Dimas Majeviski
Médico Psiquiatra
Fernanda de Souza Jureves
Enfermeira
Francielle Bosi Rodrigues
Enfermeira 
Lívia Maria Fernandes Araújo
Terapeuta Ocupacional
Luiza Helena Victal e Bastos
Psicóloga
Nadia Almeida Carpanedo
Psicóloga
Rosane Cremasco
Psicóloga
Zenith Marta Gagno Azolin
Psicóloga
EQUIPE RESPONSÁVEL
EQUIPE RESPONSÁVEL
COORDENAÇÃO:
Joanna D’Arc Victoria Barros De Jaegher
Simone Jogaib Daher
Antônio Schirmer
COORDENAÇÃO ESTADUAL DE SAÚDE MENTAL
Claudia Gomes Rossoni
Inêz Maria Antunes Paes Torres 
Jacqueline Silvestri
Lilia Emilia Almeida Ferreira
Luiz Manoel d`Almeida Flores
CONSULTORIA:
Maria Emi Shimazaki
VALIDADORES CATEGORIA PROFISSIONAL
AlexandreCardoso da Cunha Terapeuta Ocupacional e Professor Universitário
Associação Beneficente Santa Rita de Cássia São Gabriel da Palha
Centro de Atenção Psicossocial I CAPS Anchieta
Centro de Atenção Psicossocial II CAPS Cidade
Centro de Atenção Psicossocial i CAPS – i Vitória
Coordenação Estadual da Saúde da Pessoa Idosa
Vicente P. Ramatis Lima Psiquiatra do Hospital São Lucas
Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional CREFITO 2

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