Jornalismo 2.0
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Jornalismo 2.0


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às notícias. 
O jornal USA Today percebeu isto há anos quando inseriu os salários dos jogadores profis-
sionais de beisebol, futebol, basquetebol e hockey em um banco de dados (www.usato-
day.com/sports/salaries/index/htm). Outros jornais, como o Louisville Courier-Journal,
começaram a reunir seus bancos de dados em uma área específica de seus web sites (
www.courierjournal.com/apps/pbcs.dll/section?category=data).
Sua \u201cAssim chamada vida digital\u201d
Se a sua empresa não lhe oferece uma ferramenta fácil de usar para capturar notas, 
listas e itens de calendário, use um serviço grátis da Web como o Backpack (backpac-
kit.com). Com ele você vai poder administrar seu tempo adicionando encontros e entrevis-
tas num calendário e, ao mesmo tempo, vai poder administrar uma lista do que fazer. Você
pode acessá-lo de qualquer lugar, via Web, e até compartilhar os dados com outras pes-
soas em sua redação. Um sistema eletrônico como este é melhor do que o papel porque é
fácil editar e modificar listas, mudar a ordem de prioridades, guardar seus itens de calen-
dário e listas como um arquivo.
Se você puder, use um banco de dados: No Ventura County Star, Howard Owens construiu
um banco de dados para fontes de notícias e o disponibilizou para que todos os repórte-
res pudessem compartilhar os dados na Web. \u201cToda fonte de informação era guardada lá e
ficava accessível a toda a redação\u201d, disse Owens.
Muitas redações instalaram bancos de dados similares, mas não em número suficiente. 
O ideal é que um banco de dados seja capaz de guardar o nome da fonte, os dados 
do contato, informação de background e o nome do arquivo, bem como a localização de
uma foto tipo 3x4, caso exista. Deve poder guardar também informação pessoal como data
de aniversário (para se conhecer a idade), nome da esposa, filhos, título profissional e
entidades às quais está ligado.
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Mais exemplos: Para outros tipos de arquivos de dados que podem ser úteis 
para a elaboração de material jornalístico acesse o
htpp://powerreporting.com/files/index.html.
As participações em instituições do tipo escola, empresa ou agências associativas podem
ser guardadas numa planilha diferente para serem acessadas rapidamente e relacionadas à
ficha principal da fonte de informação jornalística. Assim, qualquer um na redação pode
procurar pelo nome, especialidade ou órgão a que pertence. 
Na medida em que mais jornalistas se digitalizam, está cada vez mais fácil compartilhar
informação. Derek Willis do Washington Post, escreveu no primeiro de uma série de 
artigos publicados em seu blog, humildemente chamado de Consertando o Jornalismo:
\u201cVocê poderia imaginar um negócio baseado na informação que permitisse a seus empre-
gados construir muros em torno da informação? Você pode imaginar isso acontecendo
hoje?\u201d (Leia a série completa no www.thescoop.org/thefix.)
Pense em toda a informação que circula dentro das empresas de notícias todos os dias.
Agora, pense no quanto ela é pouco accessível àqueles que trabalham lá, ou ainda mais
importante, ao público que gostaria de acessá-la. Esse é um problema a ser enfrentado
pelas empresas jornalísticas. E precisa ser resolvido agora. Você pode começar armazenan-
do sua informação eletronicamente e lançar mão de instrumentos de compartilhamento de
dados como páginas wiki para uso interno e bancos de dados compartilhados. 
Fazer um calendário de eventos deve ser o ponto de partida em sua redação. Se os seus
funcionários ainda têm o hábito de inserir cada evento como um documento Word, você
tem um problema. Se você tiver um banco de dados, basta dar um enter, para acessar infor-
mações como local, endereço e telefone, reduzindo em muito sua carga de trabalho (e a
chance de erros de digitação).
Há muitas outras oportunidades para criar bancos de dados em setores da informação onde
se gasta anualmente muito esforço para guardar dados e documentos que não podem ser
acessados pelo público do jornal ou audiência de TV. Aqui estão algumas poucas áreas de
informação onde nós estamos arquivando (ou planejando arquivar) material em banco de
dados, em Tacoma:
\u2022 Listas de acampamentos de verão.
\u2022 Campos para treinamento esportivo.
\u2022 Listas de restaurantes e cinemas.
\u2022 Estatísticas de nascimentos, mortes, divórcios.
\u2022 Empresas jornalísticas, empregos e promoções.
\u2022 Caminhada da semana.
\u2022 Guia de locais de áreas de esqui.
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Capítulo 4: Novos métodos de reportagem
Cada um desses conteúdos foi pesquisado pela equipe de redação durante anos, até déca-
das. Nós podemos maximizar o valor dos dados fornecendo-os para nossa audiência dentro
de um formato de banco de dados, ao mesmo tempo que simplificamos nossa operação e
reduzimos a quantidade de entradas de dados que fazemos.
Você pode usar um banco de dados numa cobertura jornalística? Sim, pode. Muitos jor-
nais adotaram o \u201cformato alternativo de narrativa jornalística\u201d para coberturas básicas,
onde a reportagem ou artigo é dividida em partes de leitura fácil e tituladas com expres-
sões do tipo \u201cO que aconteceu\u201d, \u201cO que significa\u201d ou \u201cPróximos Passos\u201d. O Oregonian, em
Portland, padronizou a edição de textos e o sistema de cobertura jornalística por meio de
pequenos textos de atualização colocados dentro de quadros nas páginas do jornal. Este
novo formato de notícia, com etiquetas como \u201cO Que Está em Questão\u201d. \u201cAtualize-se\u201d,
\u201cPróximos Passos\u201d e \u201cSaiba Mais\u201d indicam que os dados estão sendo publicados em forma-
tos consistentes e que podem ser facilmente transformados num banco de dados. 
Pense na cobertura de uma reunião do Conselho Municipal ou do Conselho Escolar de sua
cidade. Se você tiver um banco de dados com registros pertinentes (data da reunião, itens
mais importantes da agenda com um pequeno sumário, os votos e até um campo para aná-
lise), você pode usar este material para produzir um artigo
alternativo para a edição impressa do jornal. Na versão onli-
ne, o público (e os repórteres do jornal) poderia recuperar
e selecionar os dados de reuniões anteriores.
Conteúdos Produzidos por Usuários 
da Web (Crowdsourcing)
Conforme discutido no capítulo 2, o conceito de Web 2.0
refere-se a uma fase da Internet onde comunidades motiva-
das e entusiasmadas podem agir conjuntamente, aumentan-
do o valor e a importância de uma determinada página Web.
O conceito de Crowdsourcing \u2013 público como fonte de notí-
cia ou conteúdos produzidos por usuários \u2013 enfatiza o poder
do público num projeto específico e demonstra como um
grupo grande de indivíduos comprometidos entre si pode
superar a atuação de um grupo reduzido de profissionais
experientes (e pagos). 
A versão online da Enciclopédia Britânica, por exemplo, não
pode competir com o Wikipedia em termos de atualização
de artigos e informação. E a Microsoft, com todos os recursos de que dispõe, lutou para
acompanhar o desenvolvimento do navegador Firefox, um projeto impulsionado por um
grupo de voluntários e patrocinado pela Fundação Mozilla (que não tem fins lucrativos).
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Exemplo de um Box atuali-
zado no jornal Oregonian.
Crowdsourcing é um termo relativamente novo, cunhado por Jeff Howe num artigo publi-
cado em 2006, no serviço online de notícias Wired News3. Muitas pessoas o consideram
quase um sinônimo de investigação ou reportagem \u201ccompartilhada\u201d, \u201ccolaborativa\u201d, \u201cdis-
tribuída\u201d ou em \u201ccódigo aberto\u201d. Para fazermos uma distinção entre o que significam essas
expressões, pense em crowdsourcing como outsourcing, termo que deu origem à expressão
terceirização e que significa buscar fontes fora do ambiente de trabalho. 
O foco do crowdsourcing está normalmente na produção continuada de informação, en-
quanto a reportagem compartilhada está ligada à