Jornalismo 2.0
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Jornalismo 2.0


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os Mais Vistos e Mais discutidos, e encontrar rapidamente
o clipe de maior sucesso do momento. 
Em outubro de 2006, a Google comprou o You Tube por 1.6 bilhões de dólares em ações. 
O Flickr, que foi lançado em fevereiro de 2004, foi desenvolvido pela Ludicorp, uma empre-
sa sediada em Vancouver. Um ano mais tarde, a Yahoo comprou o web site de compartilha-
mento de fotos, mas fez pouco para integrá-lo a seu pesado portal. 
Flickr é mais do que um lugar para se compartilhar fotos pessoais. É também uma plata-
forma comunitária que usa tags (etiquetas de indexação) para aumentar a organização do
material arquivado e facilitar a localização de fotos sobre tópicos específicos. Também é
bastante funcional para os blogueiros, que podem arquivar fotos no site e exibi-las em
seus blogs facilmente.
O Flickr.com permite que se faça 
uma busca por tags de assuntos,
como arquitetura. 
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Tags e folksonomia: novas formas de organizar conteúdo
Os participantes da revolução Web 2.0 usam tags para catalogar ou apenas localizar, con-
teúdos que eles próprios criaram. Os tags são escolhidos informalmente e não pertencem a
nenhum esquema de classificação formalmente definido. Isto é chamado de folksonomia e
é diferente de uma taxonomia, na medida em que a estrutura é definida pelos usuários e
está mudando constantemente.
Os blogueiros usam tags que podem ser rastreados através de mecanismos de busca como
Technorati e o Ice Rocket. Os fotógrafos usam tags para organizar fotografias nos sites de
foto como o Flickr. Os navegadores da Web usam tags para compartilhar sites com outros
que têm interesses similares no del.icio.us . Até o Gmail, serviço de e-mail do Google, per-
mite a classificação por tags.
Uma nuvem de tags (do inglês tag cloud) é um sistema automático inserido num site para
visualizar as tags mais usadas pelos visitantes da página. O código do computador gera uma
nuvem de tags e as exibe com uma fonte maior, conforme a freqüência de uso, permitindo
que os usuários visualizem rapidamente o conteúdo principal relacionado a cada tag. 
Tag cloud do Flickr.com em 
31 de Janeiro de 2007.
Página de notícias do Digg.com
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Você consegue usar o Digg?
A Web 2.0 usa intensivamente a sabedo-
ria popular e poucos sites ilustram tão
bem isto quanto o Digg. Ao lado do res-
peitável site Slashdot e dos recentes Re-
ddit e Newsvine, ele conta com os leito-
res para submeter e promover artigos e
notícias de outras páginas da Web. As-
sim, esses sites \u2013 que muita gente qua-
lifica como fonte de informações (todos,
menos o Newsvine, tratam de assuntos
ligados à tecnologia) \u2013 na verdade não
publicam notícias. Os usuários do Digg
encontram conteúdo interessante em ou-
tro site online, depois submetem os links
e sumários à consideração do Digg. Em
seguida, outros usuários do Digg \u201cvo-
tam\u201d nas histórias que eles mais gosta-
Capítulo 2: Web 2.0
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ram dando a elas Diggs (nome dado a um voto no Digg). Se um texto receber muitos Diggs,
ele será publicado na primeira página do site.
O efeito Digg pode ser visto em muitas páginas importantes de notícias que acabaram adi-
cionando a seus sites uma lista dos mais lidos, dos mais enviados por e-mail ou dos textos
impressos mais publicados.
Embora a maioria dessas páginas de notícias não estejam prontas para delegar a seleção
de notícias aos seus usuários, elas já reconhecem que é fundamental levar em conta aqui-
lo que os leitores valorizam no site, em vez de adotar apenas sua visão mais tradicional
do que é notícia. 
Qual o significado de tudo isso para o jornalismo?
Os leitores não são mais receptores passivos de mensagens. Eles criam, compartilham e
comentam. E eles esperam poder fazer isso também nos sites de notícias.
Jay Rosen, professor de jornalismo da Universidade de Nova Iorque e autor do blog Press
Think, faz referência às \u201cpessoas anteriormente conhecidas como público\u201d. (para ler mais
sobre isto, vá ao Google e faça uma busca com a sigla TPFKATA \u2013 The People Formerly
Known as the Audience). O reconhecimento desta mudança fundamental na maneira pela
qual as mensagens da grande imprensa são recebidas pelo público altera radicalmente a
lição que muitos de nós recebemos no primeiro contato com a comunicação personaliza-
da: nós enviamos a informação, eles recebem.
Essa mudança também se expressa na frase: \u201ca notícia é uma conversa, não uma pales-
tra\u201d. É importante reconhecer a mudança no público. As pessoas querem participar, por-
tanto ajude-as a fazer isso. Muitas empresas de notícias tradicionais incluem links de e-
mail em seus artigos para facilitar o contato dos leitores com o repórter e o envio de
perguntas ou comentários sobre as matérias. Alguns foram ainda mais longe e permitem
que os leitores comentem diretamente a matéria online, para que todos os demais usuá-
rios possam ver também. 
Se você tiver a oportunidade, leia os comentários sobre suas matérias e escreva para aque-
les que merecem uma resposta. Seja pró-ativo buscando feedback das matérias antes que
elas sejam publicadas. É tão simples quanto fazer um aviso aos leitores no jornal ou tão
avançado quanto criar um catálogo eletrônico de endereços de pessoas importantes. Por
exemplo, se você cobre educação, faça uma lista de professores e administradores e envie
torpedos por email, quando você precisar de comentários gerais para sua matéria.
Mesmo que você não esteja pronto para incorporar em suas reportagens a colaboração de
seus leitores, tire vantagem da tecnologia Web 2.0. Sites que empregam os tags, por exem-
plo, são úteis nas reportagens sobre tópicos específicos (del.icio.us, é o principal deles).
Use os tags para organizar suas buscas e para ver outros tags muito usados e relacionados
à sua reportagem.
Você não sabe aonde isso vai levar?
Parte da dificuldade enfrentada hoje em dia pelos jornalistas tradicionais é que nós não
somos muito bons em caminhar para frente, se não sabemos para onde estamos indo. O
problema é que ninguém sabe o quanto a comunicação online vai mudar o que nós faze-
mos ou que oportunidades este novo modelo nos apresenta. A única forma que temos de
tirar vantagem é estarmos conectados às tecnologias e participarmos ativamente na
mudança de cenário.
\u201cO RSS e os tags são ferramentas que eu uso para mapear e obter informação no tempo
certo\u201d declarou John Cook, repórter de economia do Seattle Post-Intelligencer. \u201cAlém
disso, eles me ajudam a publicar informação online rapidamente.\u201d
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Tarefa: Participe da revolução
Para compreender completamente como funciona a Web 2.0, você precisa usar 
estes sites. Abra uma conta em todos eles e teste os serviços que eles oferecem. Cada
uma dessas tarefas deve ocupar menos do que uma meia hora. Se você fizer uma por
dia, vai completar as quatro etapas em uma semana.
1. Insira fotos e coloque tags nelas no Flickr.
2. Descubra uns poucos sites que são interessantes para você e coloque tags no
del.icio.us.
3. Visite Technorati e navegue pelo conteúdo do blog usando tags.
4. Visite o Digg, Slashdot, Reddit e Newsvine e compare as matérias que você encon-
tra em cada um deles com suas fontes normais de notícias.
1 Opt out é uma modalidade de marketing via mensagem por e-mail onde é dado ao destinatário a alter-
nativa de optar pelo não recebimento de novas mensagens.
2 Tradução literal da expressão inglesa brick-and-mortar, usada para definir atividades econômicas feitas
fora da internet.
3 No final dos anos 90, houve uma enorme expansão dos investimentos em projetos na Web visando a cria-
ção de empresas online, as chamas ponto com (tradução do