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DisciplinaDireito Constitucional I86.130 materiais1.834.700 seguidores
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com a função a ser exercida. Não se tem como
constitucional a exigência de prova física desproporcional à habilitação ao cargo de auxiliar médico-
legista, porquanto a atuação deste, embora física, não se faz no campo da força bruta, mas a partir de
técnica específica.
[AI 851.587 AgR, rel. min. Marco Aurélio, j. 19-6-2012, 1ª T, DJE de 1º-8-2012.]
Vide: RE 150.455, rel. min. Marco Aurélio, j. 15-12-1998, 2ª T, DJ de 7-5-1999.
 
Programa Universidade para Todos (PROUNI). Ações afirmativas do Estado. Cumprimento do princípio
constitucional da isonomia. (...) A educação, notadamente a escolar ou formal, é direito social que a
todos deve alcançar. Por isso mesmo, dever do Estado e uma de suas políticas públicas de primeiríssima
prioridade. A Lei 11.096/2005 não laborou no campo material reservado à lei complementar. Tratou, tão
somente, de erigir um critério objetivo de contabilidade compensatória da aplicação financeira em
gratuidade por parte das instituições educacionais. Critério que, se atendido, possibilita o gozo integral
da isenção quanto aos impostos e contribuições mencionados no art. 8º do texto impugnado. Não há
outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido combate aos fatores
reais de desigualdade. O desvalor da desigualdade a proceder e justificar a imposição do valor da
igualdade. A imperiosa luta contra as relações desigualitárias muito raro se dá pela via do descenso ou
do rebaixamento puro e simples dos sujeitos favorecidos. Geralmente se verifica é pela ascensão das
pessoas até então sob a hegemonia de outras. Que para tal viagem de verticalidade são compensadas
com esse ou aquele fator de supremacia formal. Não é toda superioridade juridicamente conferida que
implica negação ao princípio da igualdade. O típico da lei é fazer distinções. Diferenciações.
Desigualações. E fazer desigualações para contrabater renitentes desigualações. A lei existe para,
diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do
equilíbrio social, impor uma outra desigualação compensatória. A lei como instrumento de reequilíbrio
social. Toda a axiologia constitucional é tutelar de segmentos sociais brasileiros historicamente
desfavorecidos, culturalmente sacrificados e até perseguidos, como, verbi gratia, o segmento dos negros
e dos índios. Não por coincidência os que mais se alocam nos patamares patrimonialmente inferiores da
pirâmide social. A desigualação em favor dos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas
públicas e os egressos de escolas privadas que hajam sido contemplados com bolsa integral não ofende
a Constituição pátria, porquanto se trata de um descrímen que acompanha a toada da compensação de
uma anterior e factual inferioridade ("ciclos cumulativos de desvantagens competitivas"). Com o que se
homenageia a insuperável máxima aristotélica de que a verdadeira igualdade consiste em tratar
igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, máxima que Ruy Barbosa interpretou como o ideal
de tratar igualmente os iguais, porém na medida em que se igualem; e tratar desigualmente os desiguais,
também na medida em que se desigualem.
[ADI 3.330, rel. min. Ayres Britto, j. 3-5-2012, Plenário, DJE de 22-3-2013.]
 
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal... http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp
37 de 1583 11/11/2016 17:34
Atos que instituíram sistema de reserva de vagas com base em critério étnico-racial (cotas) no processo
de seleção para ingresso em instituição pública de ensino superior. (...) Não contraria \u2013 ao contrário,
prestigia \u2013 o princípio da igualdade material, previsto no caput do art. 5º da CR, a possibilidade de o
Estado lançar mão seja de políticas de cunho universalista, que abrangem um número indeterminado de
indivíduos, mediante ações de natureza estrutural, seja de ações afirmativas, que atingem grupos sociais
determinados, de maneira pontual, atribuindo a estes certas vantagens, por um tempo limitado, de modo
a permitir-lhes a superação de desigualdades decorrentes de situações históricas particulares. (...)
Justiça social hoje, mais do que simplesmente retribuir riquezas criadas pelo esforço coletivo, significa
distinguir, reconhecer e incorporar à sociedade mais ampla valores culturais diversificados, muitas vezes
considerados inferiores àqueles reputados dominantes. No entanto, as políticas de ação afirmativa
fundadas na discriminação reversa apenas são legítimas se a sua manutenção estiver condicionada à
persistência, no tempo, do quadro de exclusão social que lhes deu origem. Caso contrário, tais políticas
poderiam converter-se em benesses permanentes, instituídas em prol de determinado grupo social, mas
em detrimento da coletividade como um todo, situação \u2013 é escusado dizer \u2013 incompatível com o espírito
de qualquer Constituição que se pretenda democrática, devendo, outrossim, respeitar a
proporcionalidade entre os meios empregados e os fins perseguidos.
[ADPF 186, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 26-4-2012, P, DJE de 20-10-2014.]
= RE 597.285, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 9-5-2012, P, DJE de 18-3-2014, com repercussão
geral.
 
Na inicial, pede-se a declaração de inconstitucionalidade, com eficácia para todos e efeito vinculante, da
interpretação dos arts. 124, 126 e 128, I e II, do CP (DL 2.848/1940) que impeça a antecipação
terapêutica do parto na hipótese de gravidez de feto anencéfalo, previamente diagnosticada por
profissional habilitado. Pretende-se o reconhecimento do direito da gestante de submeter-se ao citado
procedimento sem estar compelida a apresentar autorização judicial ou qualquer outra forma de
permissão do Estado. (...) O tema envolve a dignidade humana, o usufruto da vida, a liberdade, a
autodeterminação, a saúde e o reconhecimento pleno de direitos individuais, especificamente, os direitos
sexuais e reprodutivos de milhares de mulheres. No caso, não há colisão real entre direitos
fundamentais, apenas conflito aparente. (...) Cumpre rechaçar a assertiva de que a interrupção da
gestação do feto anencéfalo consubstancia aborto eugênico, aqui entendido no sentido negativo em
referência a práticas nazistas. O anencéfalo é um natimorto. Não há vida em potencial. Logo não se
pode cogitar de aborto eugênico, o qual pressupõe a vida extrauterina de seres que discrepem de
padrões imoralmente eleitos. (...) Anencefalia e vida são termos antitéticos. Conforme demonstrado, o
feto anencéfalo não tem potencialidade de vida. Trata-se, na expressão adotada pelo CFM e por
abalizados especialistas, de um natimorto cerebral. Por ser absolutamente inviável, o anencéfalo não
tem a expectativa nem é ou será titular do direito à vida, motivo pelo qual aludi, no início do voto, a um
conflito apenas aparente entre direitos fundamentais. Em rigor, no outro lado da balança, em
contraposição aos direitos da mulher, não se encontra o direito à vida ou à dignidade humana de quem
está por vir, justamente porque não há ninguém por vir, não há viabilidade de vida. Aborto é crime contra
a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, repito, não existe vida possível. (...). (...)
mesmo à falta de previsão expressa no CP de 1940, parece-me lógico que o feto sem potencialidade de
vida não pode ser tutelado pelo tipo penal que protege a vida. (...) este Supremo Tribunal proclamou que
a Constituição "quando se reporta a \u2018direitos da pessoa humana\u2019 e até dos \u2018direitos e garantias
individuais\u2019 como cláusula pétrea está falando de direitos e garantias do indivíduo-pessoa, que se faz
destinatário dos direitos fundamentais \u2018à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade
(...)'." Ora,