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DisciplinaDireito Constitucional I85.378 materiais1.819.648 seguidores
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prisão cautelar de alguém ofende, de modo frontal, o
postulado da dignidade da pessoa humana, que representa \u2013 considerada a centralidade desse princípio
essencial (CF, art. 1º, III) \u2013 significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira
todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País e que traduz, de modo expressivo, um dos
fundamentos em que se assenta, entre nós, a ordem republicana e democrática consagrada pelo
sistema de direito constitucional positivo.
[HC 85.237, rel. min. Celso de Mello, j. 17-3-2005, P, DJ de 29-4-2005.] 
 
Denúncia. Estado de Direito. Direitos fundamentais. Princípio da dignidade da pessoa humana.
Requisitos do art. 41 do CPP não preenchidos. A técnica da denúncia (art. 41 do CPP) tem merecido
reflexão no plano da dogmática constitucional, associada especialmente ao direito de defesa. Denúncias
genéricas, que não descrevem os fatos na sua devida conformação, não se coadunam com os
postulados básicos do Estado de Direito. Violação ao princípio da dignidade da pessoa humana. Não é
difícil perceber os danos que a mera existência de uma ação penal impõe ao indivíduo. Necessidade de
rigor e prudência daqueles que têm o poder de iniciativa nas ações penais e daqueles que podem decidir
sobre o seu curso.
[HC 84.409, rel. p/ o ac. min. Gilmar Mendes, j. 14-12-2004, 2ª T, DJ de 19-8-2005.]
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal... http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp
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O fato de o paciente estar condenado por delito tipificado como hediondo não enseja, por si só, uma
proibição objetiva incondicional à concessão de prisão domiciliar, pois a dignidade da pessoa humana,
especialmente a dos idosos, sempre será preponderante, dada a sua condição de princípio fundamental
da República (art. 1º, III, da CF/1988). Por outro lado, incontroverso que essa mesma dignidade se
encontrará ameaçada nas hipóteses excepcionalíssimas em que o apenado idoso estiver acometido de
doença grave que exija cuidados especiais, os quais não podem ser fornecidos no local da custódia ou
em estabelecimento hospitalar adequado.
[HC 83.358, rel. min. Ayres Britto, j. 4-5-2004, 1ª T, DJ de 4-6-2004.]
 
Sendo fundamento da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana, o exame da
constitucionalidade de ato normativo faz-se considerada a impossibilidade de o Diploma Maior permitir a
exploração do homem pelo homem. O credenciamento de profissionais do volante para atuar na praça
implica ato do administrador que atende às exigências próprias à permissão e que objetiva, em
verdadeiro saneamento social, o endosso de lei viabilizadora da transformação, balizada no tempo, de
taxistas auxiliares em permissionários.
[RE 359.444, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, j. 24-3-2004, P, DJ de 28-5-2004.]
 
A mera instauração de inquérito, quando evidente a atipicidade da conduta, constitui meio hábil a impor
violação aos direitos fundamentais, em especial ao princípio da dignidade humana.
[HC 82.969, rel. min. Gilmar Mendes, j. 30-9-2003, 2ª T, DJ de 17-10-2003.]
 
Publicação de livros: anti-semitismo. Racismo. (...) Fundamento do núcleo do pensamento do nacional-
socialismo de que os judeus e os arianos formam raças distintas. Os primeiros seriam raça inferior,
nefasta e infecta, características suficientes para justificar a segregação e o extermínio: inconciabilidade
com os padrões éticos e morais definidos na Carta Política do Brasil e do mundo contemporâneo, sob os
quais se ergue e se harmoniza o Estado Democrático. Estigmas que por si só evidenciam crime de
racismo. Concepção atentatória dos princípios nos quais se erige e se organiza a sociedade humana,
baseada na respeitabilidade e dignidade do ser humano e de sua pacífica convivência no meio social.
Condutas e evocações aéticas e imorais que implicam repulsiva ação estatal por se revestirem de densa
intolerabilidade, de sorte a afrontar o ordenamento infraconstitucional e constitucional do País.
[HC 82.424, rel. p/ o ac. min. Maurício Corrêa, j. 17-9-2003, P, DJ de 19-3-2004.]
 
O direito ao nome insere-se no conceito de dignidade da pessoa humana, princípio alçado a fundamento
da República Federativa do Brasil (CF, art. 1º, III).
[RE 248.869, voto do rel. min. Maurício Corrêa, j. 7-8-2003, P, DJ de 12-3-2004.]
 
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DNA: submissão compulsória ao fornecimento de sangue para a pesquisa do DNA: estado da questão
no direito comparado: precedente do STF que libera do constrangimento o réu em ação de investigação
de paternidade (HC 71.373) e o dissenso dos votos vencidos: deferimento, não obstante, do habeas
corpus na espécie, em que se cuida de situação atípica na qual se pretende \u2013 de resto, apenas para
obter prova de reforço \u2013 submeter ao exame o pai presumido, em processo que tem por objeto a
pretensão de terceiro de ver-se declarado o pai biológico da criança nascida na constância do
casamento do paciente: hipótese na qual, à luz do princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, se
impõe evitar a afronta à dignidade pessoal que, nas circunstâncias, a sua participação na perícia
substantivaria.
[HC 76.060, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 31-3-1998, 1ª T, DJ de 15-5-1998.]
 
Discrepa, a mais não poder, de garantias constitucionais implícitas e explícitas \u2013 preservação da
dignidade humana, da intimidade, da intangibilidade do corpo humano, do império da lei e da inexecução
específica e direta de obrigação de fazer \u2013 provimento judicial que, em ação civil de investigação de
paternidade, implique determinação no sentido de o réu ser conduzido ao laboratório, "debaixo de vara",
para coleta do material indispensável à feitura do exame DNA. A recusa resolve-se no plano jurídico-
instrumental, consideradas a dogmática, a doutrina e a jurisprudência, no que voltadas ao deslinde das
questões ligadas à prova dos fatos.
[HC 71.373, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, j. 10-11-1994, P, DJ de 22-11-1996.]
 
A simples referência normativa à tortura, constante da descrição típica consubstanciada no art. 233 do
Estatuto da Criança e do Adolescente, exterioriza um universo conceitual impregnado de noções com
que o senso comum e o sentimento de decência das pessoas identificam as condutas aviltantes que
traduzem, na concreção de sua prática, o gesto ominoso de ofensa à dignidade da pessoa humana. A
tortura constitui a negação arbitrária dos direitos humanos, pois reflete \u2013 enquanto prática ilegítima,
imoral e abusiva \u2013 um inaceitável ensaio de atuação estatal tendente a asfixiar e, até mesmo, a suprimir
a dignidade, a autonomia e a liberdade com que o indivíduo foi dotado, de maneira indisponível, pelo
ordenamento positivo.
[HC 70.389, rel. p/ o ac. min. Celso de Mello, j. 23-6-1994, P, DJ de 10-8-2001.]
 
Nota: O precedente a seguir foi julgado com base na redação anterior do art. 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de
Execução Penal), alterado pela Lei 12.433/2011, que previa a perda total do tempo remido em caso de falta
grave.
 
A natureza jurídica da regressão de regime lastreada nas hipóteses do art. 118, I, da Lei de Execuções
Penais é sancionatória, enquanto aquela baseada no inciso II tem por escopo a correta individualização
da pena. A regressão aplicada sob o fundamento do art. 118, I, segunda parte, não ofende ao princípio
da presunção de inocência ou ao vetor estrutural da dignidade da pessoa humana. Incidência do teor da
Súmula vinculante 9 do STF quando à perda dos dias remidos.
[HC 93.782, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 16-9-2008, 1ª T, DJE de 17-10-2008.]
 
IV - os valores