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assim, de 
um exercício atípico legislativo, exercido 
pelo Poder Executivo;
ƒƒ Decretos: são decisões de autoridades 
superiores, com força de lei, para discipli-
AtençãoAtenção
A norma jurídica, quando criada, somente 
terá força para revogar outra de sua espé-
cie ou alguma de força menor à sua.
HIERARQUIA DAS LEIS7
Marcelo Salles da Silva e Carla Matuck Borba Seraphim
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nar um fato específico ou uma situação 
particular. Dessa forma, o Decreto é hie-
rarquicamente inferior e não pode con-
trariar a lei, mas pode regulamentá-la. 
Pronto, aluno(a), encerramos um capítulo muito importante para a efetiva aplicação do direito no 
seu dia a dia, que, na verdade, nos auxilia também a resolver o problema de conflito entre normas jurídi-
cas. Neste capítulo, estudamos a ordem hierárquica de cada uma das leis que existem em nosso ordena-
mento jurídico.
Mas preste sempre atenção; a nossa Constituição Federal sempre estará acima de qualquer norma 
jurídica em nosso país, por isso conhecê-la é muito importante.
1. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, caput, estabelece que todos são iguais perante 
a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros 
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade. 
Com a referida disposição legal, a Constituição Federal cria o Princípio da Igualdade em nosso 
país, não permitindo nenhuma distinção ou diferença de tratamento entre os cidadãos. 
O Código de Defesa do Consumidor, que é uma lei especial, cria um mecanismo de prote-
ção do consumidor em relação ao fornecedor, estabelecendo uma relação de proteção muito 
maior do consumidor que do fornecedor. Esse mecanismo de proteção pode ser considerado 
um ferimento ao Princípio da Igualdade criado pela Constituição Federal, que não poderia ser 
afrontado por uma lei especial, por ocasião da hierarquia?
2. Considerando um elevado índice de violência e criminalidade, o Prefeito de uma Cidade do In-
terior do Paraná decide, por intermédio de uma lei municipal, proibir que as pessoas circulem 
pela cidade no período das 23h às 5h. A proibição será aplicada somente àquelas pessoas que 
não estiverem a trabalho ou estudando, nem mesmo àquelas que estão em circulação por 
situação de emergência (a caminho de hospitais ou outras necessidades comprovadas). Tais 
mecanismos foram adotados por uma situação de segurança e aqueles que descumprirem 
serão imediatamente presos.
Encontramos, nesse caso, algum problema decorrente de hierarquia das leis?
7.1 Resumo do Capítulo
7.2 Atividades Propostas
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Olá, aluno(a)!
Pronto! Já compreendemos uma série de es-
truturas do nosso direito brasileiro, mas essas es-
truturas que facilitam a compreensão e aplicação 
das leis não farão qualquer sentido se não com-
preendermos qual a sua principal finalidade. Como 
vimos anteriormente, o direito tem como principal 
finalidade a regulamentação do comportamento 
social; esses comportamentos, em regra, se apre-
sentam na forma de relação jurídica. Então, o que 
são relações jurídicas? Neste capítulo, vamos com-
preender também a estrutura básica das relações 
jurídicas formadas entre as pessoas. 
Considerando as diversas relações sociais, 
que ocorrem como consequência da vida em so-
ciedade, várias são as ciências voltadas ao estudo 
dessas relações. A ciência jurídica, como segmen-
to da sociologia, ocupa-se do estudo de relações 
sociais, mas somente daquelas que efetivamente 
envolverem direitos e obrigações entre os sujeitos 
das relações. A relação que não envolver direitos e 
obrigações será um indiferente jurídico à ciência 
do direito.
Devemos partir da ideia de que toda relação 
deve, necessariamente, envolver mais de um sujei-
to; no caso das relações jurídicas, no mínimo, dois 
sujeitos são envolvidos em direitos e obrigações. 
Por tal razão, dizemos que a relação jurídica é 
sinalagmática. A obrigação de um sujeito pagar 
desencadeia necessariamente, em outro, o direito 
de receber. Assim, para todo direito, teremos uma 
obrigação correspondente.
Sempre que dois ou mais sujeitos envol-
verem-se em uma relação jurídica, sempre terão 
como objetivo a satisfação de um desejo, seja ele 
patrimonial ou extrapatrimonial, em torno do qual 
celebrarão a relação. Podemos citar, como exemplo, 
a compra de um veículo, na qual teremos sempre o 
comprador e o vendedor, cujo desejo de aquisição 
e venda recai sobre o objeto veículo.
Dessa forma, a relação jurídica terá como ele-
mentos de formação:
a) Pessoas com manifestação livre de von-
tade;
b) Objeto lícito e possível.
DicionárioDicionário
Relação Jurídica Sinalagmática: relação jurídica 
que envolve direitos e obrigações simultâneos 
entre os sujeitos. 
AtençãoAtenção
A relação jurídica é sinalagmática, ou seja, 
envolve direitos e obrigações simultâneos 
entre os sujeitos.
A RELAÇÃO JURÍDICA E SEUS 
ELEMENTOS8
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Então, vamos detalhar melhor o primeiro ele-
mento, as pessoas e suas personalidades e formas 
de capacidade civil.
As pessoas, como sujeitos da relação jurídi-
ca, merecem um tratamento e estudo acurados 
de sua estrutura jurídica. Sem pessoas, a relação 
jurídica não se aperfeiçoa; sem relação jurídica, 
não há direito. Nessa esteira de entendimento, 
podemos perceber que as pessoas são, sem dú-
vida, os elementos essenciais da relação jurídica.
As pessoas podem ser divididas em dois 
grandes grupos: as pessoas físicas e as pessoas ju-
rídicas.
As pessoas físicas, também conhecidas como 
pessoas naturais, são aquelas que nascem da mu-
lher. Enquanto as pessoas jurídicas, na verdade, são 
invenções do mundo jurídico para atribuir a alguns 
bens, objetos ou coisas a condição de pessoa, pos-
sibilitando a eles participar de relações jurídicas. 
Como exemplo, temos uma sociedade empresarial 
que, na verdade, é um conjunto de bens, direitos e 
obrigações, mas a ela é conferida a classificação de 
pessoa, possibilitando a participação ativa ou pas-
siva em contratos, a abertura de contas bancárias e 
emissão de títulos de crédito, como se pessoa física 
ou natural fosse.
As pessoas, para estarem hábeis à prática de 
relação jurídica, devem estar revestidas de perso-
nalidade e capacidade. Vejamos.
Personalidade é o atributo ligado à pessoa 
que lhe confere a característica de pessoa, ou seja, 
somente terá personalidade quem for pessoa. As 
pessoas físicas adquirem sua personalidade no 
momento do seu nascimento com vida, enquan-
to as pessoas jurídicas, no momento do registro 
de seus atos constitutivos. O fim da personalida-
de das pessoas físicas ou naturais ocorrerá com o 
seu falecimento, enquanto o das pessoas jurídicas 
ocorrerá no momento do encerramento regular de 
suas atividades ou com o encerramento do proces-
so falimentar.
A personalidade fixa a possibilidade de o 
sujeito ter direitos e obrigações, mas o seu exer-
cício dependerá da existência de capacidade para 
tanto. Assim, capacidade é a possibilidade de o 
sujeito exercer ou exercitar seus direitos e obri-
gações. O sujeito somente adquire capacidade na 
medida em que demonstra amadurecimento para 
realizar de forma consciente e livre os atos da vida 
social. Assim, a lei civil estabeleceu a regra da capa-
cidade civil, a saber:
a) incapacidade plena: do nascimento aos 
16 anos incompletos;
b) capacidade relativa: dos 16 anos com-
pletos aos 18 anos incompletos;
c) capacidade plena: a partir dos 18 anos 
completos.
Assim, diante da regra legal da capacidade 
civil, o sujeito menor de 16 anos é plenamente in-
capaz, não reunindo condições de exercitar seus 
direitos decorrentes