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DisciplinaIntrodução ao Direito I97.505 materiais719.792 seguidores
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os representan-
tes do povo brasileiro, e o Senado Federal, 
em que se encontram os representantes 
dos Estados e do Distrito Federal. Como 
função preponderante, o Legislativo edita 
leis nacionais, que obrigam todos no terri-
tório brasileiro.
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO10
Marcelo Salles da Silva e Carla Matuck Borba Seraphim
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consiste na possibilidade de os Estados-membros 
se auto-organizarem por meio do exercício de 
seu poder constituinte, editando suas respectivas 
Constituições Estaduais, sempre respeitando os 
princípios editados pela Constituição Federal.
O mesmo ocorre com os Municípios, tendo 
autonomia política, administrativa e financeira. 
Possuem, ainda, capacidade de auto-organização 
e normatização, autogoverno e eletividade de seus 
prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. 
Em regra, pela autonomia que os entes fe-
derativos assumem, não pode existir intervenção 
Federal nas competências específicas e privativas 
dos Estados, Municípios e Distrito Federal; no en-
tanto, há um mecanismo destinado a resguardar a 
desagregação da Federação, consistente em pos-
sibilitar à Federação, excepcionalmente, assumir a 
competência de um Estado-Membro, mas sempre 
de forma temporária. Tal intervenção pode ocorrer 
para:
ƒƒ assegurar a unidade nacional; 
ƒƒ manter a ordem;
ƒƒ disciplinar as finanças estaduais. 
Neste capítulo, conhecemos a organização político-administrativa do Estado e suas pessoas políti-
cas: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Analisamos a tripartição dos Poderes e suas atividades 
típicas e atípicas, bem como a necessária harmonia entre eles.
10.1 Resumo do Capítulo
10.2 Atividades Propostas
1. O Poder Legislativo, além de criar leis, tem como competência realizar julgamentos. Explique 
a afirmativa.
2. \u201cOs Poderes que compõem o Estado são independentes e harmônicos entre si.\u201d Explique a 
afirmativa.
AtençãoAtenção
Muito embora as atividades dos três po-
deres se inter-relacionem, num sistema de 
freios e contrapesos, a busca da harmonia é 
necessária à realização do bem da coletivi-
dade e para evitar o arbítrio e o desmando 
de um em detrimento do outro.
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Olá, aluno(a)... Vamos a mais um capítulo de 
nossos estudos!
Como vimos, especialmente, no capítulo em 
que tratamos da Hierarquia das Leis, a Constituição 
Federal de 1988, além de ser um marco na nossa 
história democrática, também assume um papel 
de extrema relevância na compreensão do nosso 
direito. Neste capítulo, abordaremos o estudo da 
Constituição Federal e suas peculiaridades.
A Constituição Federal de 1988 é a lei funda-
mental e suprema de nosso país, pois, ao mesmo 
tempo em que é o \u201ceixo\u201d do nosso ordenamento 
jurídico, determinando seus princípios básicos, 
também é a norma hierarquicamente superior, su-
jeitando-se a ela qualquer outro provimento nor-
mativo criado e, em caso de conflito de uma norma 
criada com ela, a norma não será válida, ou seja, 
será inconstitucional, nula e de nenhum efeito.
Na verdade, a Constituição Federal de 1988 
deve ser respeitada por todos que integram a Fe-
deração, sendo que, atualmente, a ideia de que ela 
representa um simples enunciado de princípios 
políticos, que serviriam apenas como diretivas para 
o legislador, está superada. A Constituição Federal 
de 1988 tem eficácia contida, não autoaplicável, e 
exige a elaboração legislativa de normas que pos-
sibilitem a aplicação de seus comandos.
O controle de constitucionalidade dos atos, 
ou seja, a proteção dos comandos editados pela 
Constituição Federal, é realizado pelo Poder Judi-
ciário, que exerce um controle de regularidade das 
leis em face da Constituição Federal de 1988.
A Constituição Federal inseriu, em nosso 
ordenamento jurídico, princípios constitucionais 
de proteção do cidadão. Tais princípios, portanto, 
formam um conjunto de Direitos e Garantias Fun-
damentais do ser humano, cujas finalidades princi-
pais são o respeito à sua dignidade, com proteção 
ao poder estatal, e a garantia das condições míni-
mas de vida e desenvolvimento do ser humano, 
ou seja, visa a garantir ao ser humano o respeito à 
vida, à liberdade, à igualdade e à dignidade, para 
o pleno desenvolvimento de sua personalidade. 
Essa proteção deve ser reconhecida pelos ordena-
mentos jurídicos nacionais e internacionais de ma-
neira positiva.
AtençãoAtenção
A Constituição Federal de 1988 instituiu, em 
nosso país, um Estado Democrático, sendo 
então conhecida como \u201cConstituição Cida-
dã\u201d.
Saiba maisSaiba mais
A Constituição Federal de 1988 instituiu 
em nosso país um Estado Democrático, 
sendo então conhecida como \u201cConstitui-
ção Cidadã\u201d.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS11
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Fundamento Legal
a) Constituição Federal.
b) Todas as demais legislações.3
Princípios e Entendimentos
O princípio da dignidade da pessoa humana, 
fundamento do Estado Democrático de Direito, 
conforme o art. 1º, inciso III, da Constituição Fede-
ral, trata-se de um valor que deve sobrepor-se a 
qualquer espécie de avanço, quer científico, quer 
tecnológico, uma vez que não se pode aceitar que 
a pessoa humana seja \u201ccoisificada\u201d.
Pietro Perlingieri (2002) também trata do 
assunto, contudo chamando atenção para o fenô-
meno da \u201cdespatrimonialização\u201d. Dessa forma, a 
\u201cdespatrimonialização\u201d é uma tendência pela qual 
o ordenamento jurídico optou, ainda que de forma 
gradativa, em detrimento do personalismo \u2013 supe-
ração do individualismo \u2013 e do patrimonialismo, 
significando este patrimonialidade em si mesma, 
produtivismo e consumismo.
Conclui-se de lege ferenda que o direito não 
aceita situações aviltantes à condição humana, 
embora não possa conter os avanços científicos.
Maria Helena Diniz (2001, p. 18) escreve: 
Urge, portanto, a imposição de limites à 
moderna medicina, reconhecendo-se que 
o respeito ao ser humano em todas as suas 
fases evolutivas (antes de nascer, no nas-
cimento, no viver, no sofrer e no morrer) 
só é alcançado se se estiver atento à dig-
nidade humana. Daí ocupar-se a bioética 
de questões éticas atinentes ao começo e 
fim da vida humana, às novas técnicas de 
reprodução humana assistida, à seleção 
de sexo, à engenharia genética, à materni-
dade substitutiva etc., considerando a dig-
nidade humana como um valor ético, ao 
qual a prática biomédica está condiciona-
da e obrigada a respeitar. Para a bioética e 
o biodireito a vida humana não poder ser 
uma questão de mera sobrevivência física, 
mas sim de \u2018vida com dignidade\u2019.
O princípio da dignidade da pessoa huma-
na está presente não só no ordenamento jurídico 
pátrio como também nas legislações alienígenas. 
Nesse sentido, verificamos que o art. 6º da Decla-
ração sobre a Utilização do Progresso Científico e 
Tecnológico no Interesse da Paz e em Benefício da 
Humanidade (Organização das Nações Unidas \u2013 
ONU) enuncia que
todos os Estados adotarão medidas ten-
dentes a estender a todos os estratos da 
população os benefícios da ciência e da 
tecnologia e a protegê-los, tanto nos as-
pectos sociais quanto materiais, das pos-
síveis consequências negativas do uso 
indevido do progresso científico e tecno-
lógico, inclusive sua utilização indevida 
para infringir os direitos do indivíduo ou 
do grupo, em particular relativamente ao 
respeito à vida privada e à proteção da 
pessoa humana e de sua integridade física 
e intelectual.
O art. 2º da Convenção sobre Direitos Huma-
nos e Biomedicina enuncia que \u201c[...] os interesses e 
o bem-estar do ser humano devem prevalecer so-
bre o interesse isolado da sociedade ou da ciência.\u201d 
Sergio Ferraz (1991, p. 18-19) leciona que
não cremos ser