Resumo de Processo Penal I
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Resumo de Processo Penal I


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do foro privativo. Ademais, a própria Carta da Republica institui, em seu art. 25, o princípio da simetria, dispondo que os estados organizam-se e se regem pelas constituições e leis que adotarem, observando-se, contudo, os princípios por ela adotados.
Outra parte da doutrina e jurisprudência entende que, no concurso de jurisdições de diversas categorias, prevalecerá a de maior graduação (art. 78, III, CPP). Além disso, a Súmula 721 do STF estabelece que \u201ca competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual\u201d, bem como a Súmula 702 STF pode ser aplicado por analogia. Assim, a competência estabelecida pela Constituição Federal prevaleceria, sendo competente o Tribunal do Júri.
14. Conexão e Continência
A conexão e continência acarreta a unidade de processo e a prorrogação de foro. Ocorre onde há uma interligação de dependência de fatos.
Conexão
Conexão é uma relação de interdependência recíproca que interliga os fatos.
O art. 76 estabelece quando ocorrerá a conexão intersubjetiva, dispondo que ocorrendo duas ou mais infrações, haverá a conexão quando: 
I \u2013 houver simultaneidade/ocasional de infrações, concurso de pessoas e reciprocidade.
II \u2013 facilitar, ocultar (existência), tornar impune (autoria), assegurar a vantagem (produto de crime).
III \u2013 instrumental ou probatória.
Continência
A continência ocorre quando uma causa está contida dentro da outra e está estabelecida no art. 77. 
I - co-autoria (concurso de pessoas), todas serão processadas por um único crime no mesmo processo.
II \u2013 art. 70 CP: concurso formal \u2013 uma ação ou omissão com mais de uma crime. Se o crime for próprio, o agente não desejava os dois resultados, aplicando-se a pena mais grave com aumento fracional; se impróprio, o agente desejava os dois resultados, ocorrendo a soma das penas. 
Art. 73 CP: aberratio ictus - Erro na execução/ desvio no golpe. É a mesma dinâmica do art. 20, §3º, CP (erro sobre a pessoa). A diferença está no erro quanto à pessoa. No art. 20, §3º, CP ocorre um erro de representação, um erro quanto à pessoa, onde a o agente confunde a vítima por se tratar de alguém parecido (sósia, gêmeo) da vítima virtual. No art. 73, CP, não há erro quanto à vítima, e sim um \u201cerro no golpe\u201d. O agente responde conforme seu dolo, como se tivesse atingido a vítima virtual. Se atingir as duas vítimas (virtual e real) aplica-se o art. 70, CP (concurso formal).
Art. 74 CP: aberratio criminis - resultado diverso do pretendido, há desvio no golpe de coisa para pessoa ou de pessoa para coisa. A norma determina que o resultado diverso do pretendido seja punido a título de culpa. Podem ocorrer várias hipóteses:
1.º) O autor deseja danificar um objeto e atinge uma pessoa (aberratio criminis com resultado único). De acordo com a norma, responde pelo resultado produzido a título de culpa (homicídio ou lesão corporal culposos).
2.º) O agente pretende ofender uma pessoa e atinge uma coisa (aberratio criminis com resultado único). Como não há delito comum de dano culposo, o autor só pode ser responsabilizado por tentativa de homicídio ou tentativa de lesão corporal, conforme o elemento subjetivo.
3.º) O sujeito almeja ofender fisicamente uma pessoa, vindo a atingir esta e uma coisa (aberratio criminis com resultado duplo). Subsiste o resultado pessoal sofrido pela vítima, uma vez que não existe crime de dano culposo.
4.º) O agente quer atingir uma coisa, vindo a ofender esta e uma pessoa (aberratio criminis com resultado duplo). Existem, de acordo com a regra do art. 74, dois delitos: dano (art. 163 do CP) e homicídio culposo ou lesão corporal culposa em concurso formal, aplicando-se a pena do crime mais grave com o acréscimo de um sexto até metade.
Juízo/ Foro prevalente
Nos casos de conexão e continência, em que o Juiz for obrigado a junção dos processos, o Código no art. 78 fixa as regras de atração, estabelecendo qual juízo vai atrair o outro.
1- Diz o Código que toda vez que houver concurso de crimes da competência do júri com crime da competência Juiz singular, o Tribunal do júri atrai para si a competência;
2- No concurso de jurisdições da mesma categoria será foro de atração a Comarca onde tiver acontecido o crime de pena mais grave. Ex.: Roubo (mais grave) e furto;
3- Se as penas forem de igual gravidade, prevalecerá o local onde houvesse praticado o maior número de infrações;
Não sendo possível aplicar-se nenhuma regra anterior, fixar-se-á pela prevenção. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (art. 83 CPP).
5- No concurso de jurisdição de diversas categorias prevalecerá a mais graduada. Ex.: Juiz e motorista praticam roubo, ambos serão julgados pelo Tribunal que só o Juiz teria direito (prerrogativa de ser julgado por tribunal).
Toda vez que concorrerem tribunais inferiores e superiores prevalecerá o mais graduado. Salvo nos casos do Júri. Ex.: crimes contra a vida. O Juiz e o motorista, o Juiz julgado pelo Tribunal e o motorista pelo Júri.
6- No concurso de jurisdição comum e especial prevalecerá a especial. Ex: Justiça Eleitoral prevalece sobre as demais.
OBS.: Se houver conflito de crimes entre a Justiça Comum Federal e a Justiça Comum Especial, ou se o crime Federal guarda uma relação de conexão com a Justiça Comum Estadual, ambos serão julgados pela Justiça Comum Federal (Súmula 122 STJ).
OBS.: Em se tratando de navio ou aeronave militar, ou que estejam a serviço das forças armadas a consequência será sempre da Justiça Militar Federal, independente do lugar onde ele esteja. Todavia não se tratando de navio ou aeronave militar a competência será da Justiça Federal.
No caso de embarcação que estava percorrendo o mar territorial a competência será da Justiça Federal do primeiro porto aonde ele parar (arts. 89 e 90, CPP). Se ele só parar em porto estrangeiro a competência será da Justiça Federal de onde ele partiu.
A mesma coisa ocorre com aeronave, a competência será da Justiça Federal do primeiro local onde ele aterrizou. Se ele só aterrizar no exterior a competência será da Justiça Federal do local de onde ele decolou. 
 
Separação obrigatória de processos
O art. 79, CPP, trata de alguns casos que mesmo havendo conexão e continência a lei determina a separação do processo quando houver concurso entre a jurisdição comum e a jurisdição militar e no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. Além disso, os processos seguem em separado se ocorrer superveniência de doença mental de algum co-réu, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia ou na hipótese do art. 461 CPP.
Afora estes casos do art. 79, há outras causas genéricas no art. 80, CPP, em que o Juiz pode atendendo a conveniência de cada caso decidir pela disjunção dos processos, mesmo cabendo conexão.