Resumo de Processo Penal I
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Resumo de Processo Penal I


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O princípio da presunção de inocência impede qualquer antecipação de juízo condenatório ou de culpabilidade, ou seja, a restrição de liberdade do acusado antes do trânsito em julgado de sentença condenatória sé deve ser admitida à título de medida cautelar, e desde que presentes os pressupostos legais. Portanto, o Poder Público está impedido de agir e de se comportar, em relação ao suspeito, indiciado, ao denunciado ou ao acusado, como se estes já houvessem sido condenados, definitivamente, enquanto não houver sentença condenatória com trânsito em julgado.
Para Aury Lopes Junior esse dever de tratamento atua em duas dimensões:
1º DIMENSÃO: Na dimensão interna, é um dever de tratamento imposto \u2013 primeiramente \u2013 ao juiz, determinando que a carga da prova seja inteiramente do acusador (pois se o réu é inocente não precisa provar nada) + e que a dúvida conduza inexoravelmente à absolvição.
Ainda na dimensão interna, implica severa restrições ao abuso das prisões cautelares (pois como prender alguém que não foi definitivamente condenado?). Não pode ser utilizada como antecipação executória da própria sanção penal. 
2º DIMENSÃO: Externamente ao processo, a presunção de inocência exige uma proteção contra a publicidade abusiva e a estigmatização precoce do réu. Significa dizer que a presunção de inocência e as garantias constitucionais da imagem, dignidade e privacidade deve ser utilizada como verdadeiros limites democráticos à abusiva exploração midiática em torno do fato criminoso e do próprio processo judicial. O bizarro espetáculo montado pelo julgamento midiático deve ser coibido pela eficácia da presunção da inocência. 
10. Inquérito policial
	Procedimento administrativo inquisitório e preparatório consistente em conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa para a apuração da infração penal e de sua autoria, presidido pela autoridade policial a de fim de fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.
O inquérito policial, por conceito, é a investigação criminal realizada pela polícia, visando a apuração da justa causa (indícios de autoria e materialidade do crime), de forma a viabilizar a propositura da ação penal pela acusação.
	Por ser um procedimento administrativo, eventuais vícios existentes no inquérito não afetam a ação penal a que deu origem. Só há que se falar em nulidade no curso do processo. Se é um procedimento meramente administrativo, esses vícios vão ser uma irregularidade ou uma ilegalidade, mas que de modo algum afetará o processo.
	Não se pode concluir, ao extremo, que somente o Poder Público possa apurar crimes. A imprensa, os órgãos sindicais, a OAB, as organizações não governamentais e até mesmo a defesa do investigado também podem investigar infrações penais. Qualquer pessoa (física ou jurídica) pode investigar delitos, até mesmo porque a segurança pública é \u201cresponsabilidade de todos\u201d (art. 144, caput, da CF/88).
Obviamente que a investigação realizada por particulares não goza dos atributos inerentes aos atos estatais, como a imperatividade, nem da mesma força probante, devendo ser analisada com extremo critério, não sendo suficiente, por si só, para a edição de um decreto condenatório (art. 155 do CPP). Contudo, isso não permite concluir que tais elementos colhidos em uma investigação particular sejam ilícitos ou ilegítimos, salvo se violarem a lei ou a Constituição.
O inquérito deve ser instaurado de ofício pelo delegado, não havendo inércia na fase investigativa. Não é necessário que haja provocação da autoridade policial para instaurar o inquérito; ao contrário, é uma incumbência oficiosa instaurar a investigação (art. 5°, I, do CPP).
Polícia investigativa \u2013 art. 144, §1º, I e IV CF e §4º (\u2260 polícia judicial).
Fica a cargo da autoridade policial, exercendo as funções de polícia judiciária. Geralmente, a autoridade policial é determinada pelo local da consumação do delito. Se o crime ocorreu na circunscrição da minha delegacia, eu autoridade policial, devo investigá-lo. Óbvio que essa regra não se aplica às grandes capitais onde há delegacias especializadas para a apuração de certos crimes.
A maioria da doutrina usa a expressão polícia judiciária (a que investiga o delito). Porém alguns doutrinadores a diferenciam de polícia investigativa. É a mesma polícia. Ora exercendo funções de polícia judiciária, ora de polícia investigativa. 
Polícia Judiciária \u2013 é a polícia que auxilia o Poder Judiciário no cumprimento de suas ordens.
Polícia Investigativa \u2013 é a polícia quando atua na apuração de infrações penais e de sua autoria.
Termo Circunstanciado
É utilizado para as infrações de menor potencial ofensivo, quais sejam todas as contravenções e crimes cuja pena máxima não seja superior a 2 anos, cumulada ou não com multa e sujeita ou não a procedimento especial, ressalvadas as hipóteses de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Inquérito ministerial
Segundo o STF, na voz da ministra Ellen Gracie e segundo a doutrina majoritária, Hugo Nigro Mazilli, o MP poderá conduzir investigação criminal que conviverá harmonicamente com o IPL, além disso o promotor que investiga não é suspeito ou impedido para atuar na fase processual, súmula 234 do STJ.
	A ministra se valeu da teoria dos poderes implícitos, como a CF dá expressamente ao promotor o poder de processar (art. 129, I, CF FINALIDADE), implicitamente, lhe dá os meios (INVESTIGAÇÃO) de promover esse fim.
	Em Julgado, o STF decidiu que é perfeitamente possível que o órgão do Ministério Público promova a colheita de determinados elementos de prova que demonstrem a existência da autoria e da materialidade de determinado delito. Tal conclusão não significa retirar da Polícia Judiciária as atribuições previstas constitucionalmente, mas apenas harmonizar as normas constitucionais (arts. 129 e 144) de modo a compatibilizá-las para permitir não apenas a correta e regular apuração dos fatos supostamente delituosos, mas também a formação da opinio delicti.
	A posição contrária entende que o MP não pode presidir investigação criminal, não só por ausência de disciplina legal quanto ao procedimento, como também em razão de que: a) a atividade investigatória, consoante o art. 144, § 1º, IV e § 4º, CF é exclusiva da polícia judiciária; b) a investigação procedida pelo MP viola o sistema acusatório, porquanto promove um desequilíbrio entre a acusação e a defesa; c) MP tem o poder de requisitar diligências ou a instauração de IP, mas jamais presidi-los, nos termos do art. 129, III; d) a inexistência de previsão legal de instrumento hábil a permitir e demarcar limites das investigações.
Características
Peça escrita: Art. 9º, CPP - Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
Instrumental: Em regra, o inquérito é o instrumento utilizado pelo Estado para colher elementos de informação quanto à autoria e materialidade do crime. O inquérito é obrigatório (não que deva sempre existir). Havendo um mínimo de elementos, o delegado é obrigado a instaurar o inquérito.
Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia (art. 5º, § 2º, CPP).
Dispensável: \u2013 art. 27 e 39, §5º CPP. O IPL é obrigatório para o delegado, mas não preciso dele para dar início a uma ação penal. Se o titular da ação penal contar com peças de informação, com provas do crime e de sua autoria, poderá dispensar o inquérito policial.
Procedimento sigiloso: Art. 20, CPP. O inquérito policial deve assegurar o direito à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem do investigado, nos termos do art. 5º, X, da CF/88.
Não se deve esquecer que milita em favor de qualquer pessoa a presunção de inocência enquanto não sobrevindo o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (CF, art. 5º, LVII).
Ademais, a divulgação da linha de investigação, dos fatos a serem investigados, das provas já reunidas etc.