AÇÃO PENAL  AULA
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AÇÃO PENAL AULA


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único: A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato (grifos nossos)
 "Ação penal contra pessoa jurídica por crime ambiental exige imputação simultânea da pessoa física responsável - Responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais é admitida desde que haja a imputação simultânea do ente moral e da pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício, já que não se pode compreender a responsabilização do ente moral dissociada da atuação de uma pessoa física, que age com o elemento subjetivo próprio. A decisão é da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou o recebimento de denúncia de crime ambiental praticado por uma empresa paranaense.
O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra uma empresa, pela prática do delito ambiental previsto no artigo 41 da Lei n. 9.605/98 (provocar incêndio em mata ou floresta), que foi rejeitada em primeira instância.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), por sua vez, proveu o recurso em sentido estrito para determinar o recebimento da denúncia oferecida exclusivamente contra a pessoa jurídica pela prática de crime ambiental. Para o TJ, a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política, como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio ambiente, mas também de prevenção geral e especial. Além disso, a lei ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas, de prestação de serviços à comunidade, restritivas de direitos, liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica, todas adaptadas à sua natureza jurídica. Ao recorrer ao STJ, o Ministério Público sustentou violação do Código Processual Penal quando da sentença e dos embargos e ofensa à Lei n. 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Por fim, argumentou a impossibilidade de oferecimento da denúncia unicamente contra a pessoa jurídica.
Ao decidir, o relator, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou que \u201cnão houve denúncia contra a pessoa física responsável pela empresa e, por essa razão, o acórdão que determinou o recebimento da denúncia deve ser anulado ".
Nossos comentários: a decisão está em consonância com nossa posição doutrinária (cf. GOMES, L. F. e GARCÍA-PABLOS DE MOLINA, Direito penal-Introdução, v. 1, 2. ed., São Paulo: RT, 2009, p. 365 e ss.) assim como com a jurisprudência do próprio STJ (STJ, RMS 20.601-SP) . Adotou-se a teoria da dupla imputação, ou seja, é impossível imputar o delito ambiental exclusivamente à pessoa jurídica. Por trás do ato criminoso sempre existe uma pessoa física. Logo, impõe-se descobri-la para que faça parte (necessariamente) do polo passivo da ação penal. Impossível imputar um delito ambiental exclusivamente à pessoa jurídica, visto que, nesse caso, o efeito preventivo do Direito penal desaparece. De outro lado, o Direito penal foi pensado para pessoas de carne e osso. A responsabilidade da pessoa jurídica, a rigor, não é "penal". Ela pertence ao que chamamos de direito judicial sancionador.
STF - Sem embargo da clareza da lei, o STF recentemente decidiu que é possível manter a condenação da pessoa jurídica mesmo que fique comprovado que seu representante legal não praticou o delito. No julgamento do AgR no RE 628582/RS, o Ministro relator, Dias Toffoli consignou em seu voto que:
\u201c(\u2026) Ainda que assim não fosse, no que concerne à norma do § 3º do art. 225 da Carta da República, não vislumbro, na espécie, qualquer violação ao dispositivo em comento, pois a responsabilização penal da pessoa jurídica independe da responsabilização da pessoa natural.
(\u2026)
Conforme anotado por Roberto Delmanto et al, ao colacionarem posicionamento de outros doutrinadores \u201csegundo o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.605/98, \u2018a responsabilidade da pessoa jurídica não exclui a das pessoas naturais\u2019, podendo assim a denúncia ser dirigida \u2018apenas contra a pessoa jurídica, caso não se descubra a autoria ou participação das pessoas naturais, e poderá, também, ser direcionada contra todos. Foi exatamente para isto que elas, as pessoas jurídicas, passaram a ser responsabilizadas. Na maioria absoluta dos casos, não se descobria a autoria do delito\u2019 (Leis Penais Especiais Comentadas. Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 384)\u201d 
Legitimação ordinária e legitimação extraordinária
Essa idéia está posta no art. 6º, do Código de Processo Civil:
\u201cArt. 6º  Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei\u201d.	
Legitimação ordinária \u2013 \u201calguém postula em nome próprio a defesa de interesse próprio\u201d. Essa é a forma comum de legitimação. 
	Legitimação extraordinária (ou substituição processual) \u2013 \u201cAlguém postula em nome próprio a defesa de interesse alheio\u201d. Isso é possível? Somente nos casos autorizados por lei. A legitimação extraordinária é uma exceção. É isso o que diz o art. 6º, do CPC. 
	Quando é essa legitimação extraordinária ocorre no processo penal? A Constituição coloca nas mãos do MP a titularidade da ação penal. Então, quando ele ingressa em juízo, é caso de legitimação ordinária. Casos de legitimação extraordinária:
Ação penal privada \u2013 o ofendido ingressa em juízo, na defesa do direito de punir do Estado\u201d. Quando a vítima entra em juízo com uma queixa, vc age em nome próprio, mas o direito não é da vítima porque o direito de punir é do Estado.
Ação civil ex delicto (ação civil indenizatória oriunda do delito) proposta pelo MP em favor de vítima pobre \u2013 art. 68, do CPP:
\u201cArt. 68.  Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público\u201d.
O MP vai estar agindo em nome próprio na defesa de um interesse alheio, que é o interesse da vítima na reparação patrimonial. Essa reparação é interesse disponível ou indisponível? É disponível. O MP pode ir atrás de interesses disponíveis patrimoniais, de uma vítima individualizada? O art. 68 foi recepcionado pela Constituição? Ao MP, pela CF, cabe a tutela dos interesses individuais indisponíveis, interesses coletivos e difusos. No caso do art. 68, o interesse é patrimonial que está sendo buscado pelo MP. 
\u201cO art. 68, do CPP, é dotado de uma inconstitucionalidade progressiva\u201d. Como assim? Quando se fala isso, significa que um dia, será inconstitucional. Hoje ele vale, mas depois será inconstitucional. Ocorre o seguinte: \u201cNas comarcas em que não houver Defensoria Pública, o MP pode pleitear em juízo a reparação do dano em favor de vítima pobre (STF \u2013 RE 135.328)\u201d. Se o STF tivesse dito que esse artigo já era inconstitucional, haveria um sério prejuízo à pessoa pobre que não conseguiria obter essa reparação patrimonial. Ele conciliou dessa forma: enquanto não houver Defensoria, o MP poderá agir. \u201cCom a Lei 11.719/08, pode o juiz, na sentença condenatória, fixar um valor mínimo para a reclamação dos danos materiais causados pela infração penal.\u201d Essa é uma novidade, mas que será estudada em Processo Penal II. Agora o juiz já pode fixar um valor. Então, se na lesão corporal culposa, vc trouxer aos autos esses elementos, o juiz já pode fixar um valor. Antes, vc tinha que pegar a sentença e passar para a liquidação. Agora, não. Vc pode executar esse mínimo fixado pelo juiz na sentença condenatória!!!!!
Sucessão processual
Cuidado porque substituição processual, de modo algum se confunde com sucessão processual. Sucessão processual, para o Processo Penal, o que nos interessa é o que está no art. 31, do CPP:
\u201cArt. 31.  No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge (companheiro), ascendente, descendente ou irmão.\u201d
Se uma vítima de um delito de ação penal privada vem a óbito, seus sucessores poderão ingressar com