Resumo de Direito Empresarial II
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Resumo de Direito Empresarial II


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nos casos previstos em lei.
Acordo de acionistas (art. 118 LSA)
É um contrato que visa preservar o interesse desse grupo de acionistas que os obriga a votar no mesmo sentido. Para poder ser invocado perante a Cia, deve ser arquivado em sua sede, sob pena de não ser obrigatório perante ela.
Uma vez proferido um voto, a S/A não tem competência para mudá-lo. Havendo necessidade, ela o desconsiderará, não o computando.
Representação de acionista domiciliado no exterior
A sua citação não se faz por carta rogatória. O acionista tem a obrigação de deixar um representante legal na sede da S/A, devidamente nomeado por procuração. O representante deve ser citado mesmo que o mandado de procuração seja feito sem reserva de poderes.
Suspensão do direito do acionista
Ocorre por descumprimento legal ou descumprimento estatutário, cessando a suspensão logo que cumprida a obrigação (art. 120 LSA).
Livros Sociais
São documentos onde ficam registradas as práticas das atividades da S/A, servindo como meio de prova. Não se pode ter rasura ou emendas.
Qualquer empresário tem a obrigação de manter o livro diário e os livros especiais (art. 100 LSA).
Os livros especiais podem ser livros de atas (constam atas, assembleia geral, presença de acionista, atas do conselho administrativo, atas do conselho fiscal e atas de reunião diretorial) ou livros de registro e transferência de títulos (registro de ações, transferência de ações, registro de parte beneficiária, transferência de parte beneficiária, registro de debênture, transferência de debênture).
A qualquer pessoa, desde que se destinem a defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários, serão dadas certidões dos assentamentos constantes dos livros de Registro e Transferência, de forma não integral, e por elas a companhia poderá cobrar o custo do serviço, cabendo, do indeferimento do pedido por parte da companhia, recurso à Comissão de Valores Mobiliários.
Os acionistas terão acesso a qualquer livro de forma integral. Para isso, o acionista deve representar 5% do capital social e deve haver prova de ilegalidade ou fortes indícios que apontem ilegalidade ou irregularidade.
Se forem prestadas informações indevidas que causem prejuízo a alguém, quem responde é a Cia, pois ela é responsável pelo preenchimento correto dos seus documentos.
Poder de Controle
A Lei 6404/76, no art. 116 apresenta duas características que devem estar presentes simultaneamente para a caracterização do acionista controlador. São elas: (i) ser titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e (ii) usar efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.
O acionista controlador será eleito pela maioria dos votos dos acionistas com ações com direito à voto.
O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender.
A Lei determina expressamente a responsabilização dos acionistas controladores por atos praticados com abuso de poder, ou seja, o exercício do poder com fim distinto ao determinado na lei e no estatuto da companhia. Indo além, a Lei ainda cita modalidades de exercício abusivo de poder, conforme dispõe art. 117 LSA.
O controle interno pode ser realizado por pessoa física ou jurídica (aqui por meio dos sócios) (art. 116).
O controle externo não é exatamente uma forma de controle propriamente dita, consiste em fatos relevantes econômicos que atingem qualquer espécie societária. São exemplos: a intervenção do estado reduzindo impostos para controle de mercado; o contrato de franquia em que o franqueado fica obrigado a procedimento internos da S/A; contrato de tecnologia, em que há dependência entre o fornecedor da tecnologia e a Cia; a respeito dos credores (bancos) a Cia fica com uma situação econômico/financeira de vulnerabilidade na qual o banco para manter a relação creditícia, impõe determinados procedimentos administrativos.
Órgãos da S/A
Os órgãos são capazes de compor a estrutura para desenvolvimento da atividade econômica organizada da S/A.
A Assembleia Geral é o órgão máximo da companhia, representado pelos acionistas com direito a voto. É órgão deliberante que toma decisões de qualquer espécie (art. 121 LSA). Sua competência privativa está estabelecida no art. 122 LSA.
A Assembleia Geral Ordinária (AGO) deve ocorrer pelo menos uma vez por exercício social (ou seja, é anual), nos primeiros quatro meses do ano. Exige o quórum de 25% do capital votante em 1ª convocação e qualquer número em 2ª convocação. A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) ocorre sempre que necessário. Quórum pode ser diferente. Exemplo: para modificar estatuto, 2/3 em 1ª convocação e qualquer número em 2ª.
A Assembleia-geral ordinária e a Assembleia-geral extraordinária poderão ser, cumulativamente, convocadas e realizadas no mesmo local, data e hora, instrumentadas em ata única (art. 131, parágrafo único LSA).
O Conselho de Administração (CA) é órgão deliberativo obrigatório nas companhias de capital aberto. É composto por, no mínimo, três membros eleitos pela Assembleia Geral. Todos precisam ser acionistas e não podem ser pessoas jurídicas. Sua competência está estabelecida no art. 142 LSA.
A Diretoria é órgão executivo que visa executar a administração da Cia, sendo obrigatória a qualquer espécie de sociedade anônima. Composta por, no mínimo, 2 membros indicados pela Assembleia Geral ou pelo Conselho de Administração. Não precisam ser acionistas e o mandato é de 3 anos com reeleição permitida. Membros do Conselho de Administração podem fazer parte da Diretoria até a proporção máxima de 1/3.
O Conselho Fiscal (CF) é órgão fiscalizatório da administração da S/A (art. 161 LSA) formado por 2 (mínimo) a 5 (máximo) membros (acionistas ou não) eleitos pela Assembleia Geral e igual número de suplentes. Pode ser convocado por 10% dos acionistas com direito a voto ou 5% dos sem direito a voto.
Sua competência está estabelecida no art. 163 LSA. Para a doutrina, a constituição deste órgão é obrigatória, mas o seu uso é facultativo.
Cisão, fusão, incorporação, transformação
 
A cisão é a transferência total ou parcial do patrimônio de uma sociedade para outra. A transferência parcial não extingue a sociedade transferidora; a total extingue, ficando a outra sociedade responsável integralmente (patrimônio de A > B).
A fusão é a união de sociedades que formará uma nova pessoa jurídica (sujeito de direito) que ficará responsável integralmente (art. 228 LSA) (A + B = C).
A incorporação ocorre quando uma companhia é absorvida por outra, conservando a personalidade desta última e extinguindo-se as Cias incorporadas (A + B = A). 
Os credores não correm risco, pois há a sucessão universal, em que a Cia incorporadora assume todos os direitos e deveres das incorporadas. Caso os credores se sintam prejudicados, eles podem impedir a incorporação.
Para que a incorporação ocorra, a Cia pode depositar em juízo (depósito elisivo) o pendente para aqueles credores ou nomear bens que servirão de garantia.
A transformação é a alteração da espécie societária, sem extinção da pessoa jurídica (art. 220 LSA) (de empresa A Ltda. para empresa A S/A). A transformação exige o consentimento unânime dos sócios ou acionistas, salvo se prevista no estatuto ou no contrato social, caso em que o sócio dissidente terá o direito de retirar-se da sociedade (Art. 221 LSA).
Dissolução, liquidação, extinção
A dissolução ocorrerá nas hipóteses do art. 206 podendo se dar: I - de pleno direito: a) pelo término do prazo de duração; b) nos casos previstos no estatuto; c) por