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de um lugar que, em contato com 
as massas continentais ou oceânicas, provocam fenômenos como a aridez, umidade ou 
precipitações. Climatologia é a disciplina que descreve os climas e traça sua gênese, 
proporcionando dados para ciências aplicadas como a meteorologia. 
 
 
 
O clima de uma região é determinado por variáveis como temperatura, umidade, 
pressão atmosférica, direção e velocidade dos ventos, quantidade e qualidade (chuva, 
neve ou granizo) das precipitações. Fazem parte do clima elementos como a 
nebulosidade, as horas de radiação solar nas diferentes estações do ano, a intensidade 
das tempestades e a existência de neblina e geadas. Todos os elementos que 
constituem o clima variam de um ano para outro ou dentro de períodos mais longos. 
 
 
 
Os primeiros estudos climatológicos se limitavam ao registro das observações sobre o 
clima de determinadas regiões. Tal método, próprio da climatologia analítica, levou à 
classificação dessa ciência como um ramo da geografia ou da meteorologia. 
Posteriormente, a climatologia dinâmica acrescentou a seu objeto de estudo os 
fenômenos que dão origem às mudanças do tempo atmosférico a longo prazo. Isso 
permitiu que a disciplina fosse utilizada como área de pesquisa e previsão 
meteorológicas. Ainda não se descobriu, no entanto, um método preciso e confiável de 
previsão das condições climáticas. 
 
 
 
A climatologia se subdivide em diversos ramos, segundo suas aplicações práticas. A 
climatologia aeronáutica se aplica à determinação de rotas de navegação aérea e à 
escolha dos lugares adequados à construção de aeroportos. A climatologia marítima 
serve a finalidades análogas. Os estudos climatológicos agrícolas visam a estabelecer 
as melhores relações entre o clima e as atividades de plantio e colheita. A 
bioclimatologia analisa a relação entre elementos climáticos e fenômenos biológicos e 
inclui a bioclimatologia humana. Esta se subdivide em ramos como a climatopatologia, 
que estuda a relação entre o clima e as doenças, e a climatoterapia, que se ocupa da 
influência das variações climáticas na cura ou erradicação de enfermidades. A 
climatologia urbana investiga o microclima das cidades e a influência exercida sobre o 
clima pela contaminação atmosférica produzida nos grandes núcleos populacionais. 
 
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Radiação solar. No sistema atmosfera-superfície terrestre, a energia irradiada pelo Sol 
é captada durante o dia pela superfície curva e diferenciada da Terra e por seu 
envoltório gasoso, que refletem ou absorvem as radiações em diferentes proporções. A 
maior parte da radiação é absorvida e convertida em calor pela superfície terrestre, que 
o cede à atmosfera na forma de raios infravermelhos. A atmosfera é, assim, aquecida 
pela base e, como não se deixa atravessar facilmente pelas radiações emitidas pela 
superfície terrestre, dificulta a dissipação de calor nas altas camadas e impede que os 
resfriamentos noturnos sejam muito pronunciados. 
 
 
 
A atmosfera e a superfície terrestre formam, portanto, um verdadeiro sistema de 
recepção da energia radiante do Sol e trocas de calor entre si. Do balanço dessas 
trocas decorrem as características térmicas fundamentais de cada região. 
 
 
 
Teoricamente, qualquer ponto da superfície terrestre recebe 4.384 horas anuais de 
radiação solar, o que não significa que o balanço da radiação seja idêntico em todos. 
Devido à curvatura da Terra, os raios solares que incidem nas latitudes maiores são 
mais inclinados, o que acentua a reflexão e aumenta a absorção pela própria 
atmosfera. Nas altas latitudes, a energia solar se reparte por superfícies maiores. 
Ambos os fenômenos concorrem para que essas regiões recebam insolação menos 
intensa. 
 
 
 
A duração da insolação não é a mesma nas diferentes latitudes. Nas zonas temperadas 
e frias, onde as noites são curtas no verão e são longas nos invernos, os contrastes, 
entre as estações do ano são notáveis e a amplitude térmica anual é maior que a 
amplitude térmica diária, ou seja, as temperaturas variam relativamente mais de 
estação para estação do que de acordo com a hora do dia. Nas zonas intertropicais, 
onde os dias e noites têm quase a mesma duração o ano todo, as estações se 
diferenciam pouco e a amplitude térmica diária é maior que a amplitude térmica anual. 
 
 
 
De maneira geral, o balanço da radiação é positivo na zona tórrida e subtropical da 
Terra, entre os paralelos de 35° de latitude norte ou sul, e se torna negativo a partir 
desses paralelos até as regiões polares de cada hemisfério. Poder-se-ia inferir dessa 
relação que a temperatura aumentaria de maneira constante dos pólos para o 
 
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equador, e vice-versa. Entretanto, no conjunto do planeta há um equilíbrio, mantido pela 
circulação de ar atmosférico, que exerce um papel compensador e impede grandes 
variações térmicas ao longo dos paralelos. 
 
 
 
Outro indutor de mudança do clima a longo prazo, relacionado com a radiação solar, é 
a modificação do traçado elíptico da órbita da Terra em torno do Sol. Existem também 
variações periódicas na quantidade de energia irradiada pelo Sol, o que faz com que 
aumente ou diminua a quantidade de energia recebida pela Terra. 
 
 
 
Durante centenas de milhares de anos, a temperatura da Terra tem variado numa faixa 
relativamente estreita, o que significa que não houve perda ou ganho substancial de 
calor, mas equilíbrio entre a energia captada e a energia emitida. A atmosfera 
desempenha papel fundamental na manutenção da temperatura, principalmente por 
ação de dois de seus componentes: vapor d'água e dióxido de carbono, que permitem a 
passagem das radiações solares com maior facilidade que as radiações emitidas pela 
crosta terrestre. Sem interferência da atmosfera, a temperatura média da superfície da 
Terra cairia aproximadamente 40° C. Assim, o aumento da concentração de dióxido de 
carbono na atmosfera, provocado pelo consumo de combustíveis orgânicos, pode 
causar profundas alterações na temperatura da superfície da Terra. 
 
 
 
Depois de atravessar a atmosfera, os raios solares chegam à superfície terrestre e são 
refletidos, em maior ou menor medida, conforme a matéria sobre a qual incidam. O 
potencial de difusão de uma superfície determinada denomina-se albedo e constitui um 
fator de notável interesse climatológico. Seu valor é alto para a neve e a areia, por 
exemplo, e reduzido para a água, quando os raios solares incidem perpendicularmente. 
 
Temperatura, pressão atmosférica e ventos. No equador e em suas proximidades, 
registram-se temperaturas médias mais elevadas, que em geral decrescem ao 
aumentar a latitude, tanto ao norte como ao sul. Entretanto, como vimos, a latitude não 
é o único fator determinante da temperatura. Em latitudes equivalentes, as 
temperaturas são superiores no hemisfério norte, já que nele se situa a maior parte da 
terra firme do planeta, que se aquece mais rapidamente que a água e perde calor mais 
lentamente que ela. 
 
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A água atua como regulador térmico. Em geral, as maiores variações de temperatura 
diária ou anual ocorrem em regiões distantes do mar. As oscilações térmicas aumentam 
à medida que diminui a umidade do ar. O aquecimento torna o ar mais rarefeito e assim 
ele provoca movimentos ascendentes chamados: correntes de convecção. Ao subir, o 
ar se resfria devido à diminuição de pressão exercida sobre ele pelas camadas 
atmosféricas superiores. A cada cem metros de altitude, há um decréscimo de cerca de 
um grau centígrado na temperatura do ar. Essa variação denomina-se queda térmica 
ou gradiente de temperatura. 
 
 
 
A pressão exercida pela atmosfera é mais alta nas regiões subtropicais e menor