RESUMO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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RESUMO DIREITO PROCESSUAL CIVIL


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se lograsse a 
composição do litígio. 
Formação do processo 
O processo é uma relação jurídica, pois apresenta tanto o seu elemento material (o 
vínculo entre as partes e o juiz) como o formal (regulamentação pela norma jurídica), 
produzindo uma nova situação para os que nela se envolvem. 
Teoria angular: a teoria de Hellwig, hoje a mais aceita pelos modernos processualistas, 
segundo a qual a relação processual tem a forma angular, estando os direitos e deveres 
processuais de cada parte voltadas para o juiz. Os litigantes, dessa forma, não atingem um ao 
outro diretamente, no processo, mas por meio das decisões do juiz. 
Art. 329 CPC. 
As possibilidades de alteração do pedido e da causa de pedir, no regime do CPC, 
podem ser esquematicamente vistas da seguinte forma: 
1 \u2013 Antes da citação, a inovação pode dar-se por ato unilateral e livre do autor. 
2 \u2013 Depois da citação e antes do saneamento do processo, as partes são livres para 
fazê-lo, mediante consenso, independentemente de aprovação judicial. 
3 \u2013 Depois da fase de saneamento, as partes ainda poderão fazê-lo mediante negócio 
jurídico processual, cujo efeito, todavia, dependerá de controle e aprovação do juiz. 
Suspensão do processo 
Ocorre a suspensão do processo quando um acontecimento voluntário, ou não, 
provoca, temporariamente, a paralisação dos atos processuais. 
Art. 314 CPC \u2013 Causas de ordem física, lógica e jurídica. 
A suspensão sempre depende de uma decisão judicial que a ordene, pois o comando 
do processo é do juiz. Essa decisão, todavia, é meramente declarativa, de sorte que, para todos 
Igor Demétrio 
 
os efeitos, considera-se suspenso o processo desde o momento em que ocorreu o fato que a 
motivou e não apenas a partir de seu reconhecimento nos autos. 
Art. 313 a 315 CPC. 
Art. 313 II CPC. 
Permite que as partes convencionem a suspensão do processo, mas seu acordo para 
produzir efeitos depende de ato subsequente do juiz, posto que, no sistema do Código, o 
impulso do procedimento é oficial, isto é, o andamento do processo não fica na dependência 
da vontade ou colaboração das partes (Art. 2º CPC). 
Não é dado ao juiz vetar a suspensão. 
Suspensão por prejudicialidade 
Art. 313, V, CPC. 
Prejudiciais: são as questões de mérito que antecedem, logicamente a solução do 
litígio e nela forçosamente haverão de influir. 
Prejudicial interna: quando submetida à apreciação do mesmo juiz que vai julgar a 
causa principal. 
Prejudicial externa: é quando é objeto de outro processo pendente. 
Art. 313, V, a, CPC \u2013 Prejudicial externa. 
Processo e procedimento 
O processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação 
jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir 
diversas feições ou modos de ser. A essas várias formas exteriores de se movimentar o 
processo aplica-se a denominação de procedimentos. 
Procedimento é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se 
movem os atos no processo. 
Art. 318 CPC. 
Procedimento comum é o que se aplica às causas para as quais não seja previsto algum 
procedimento especial. 
Fases do procedimento comum 
1 \u2013 Fase postulatória: é a que dura da propositura da ação à resposta do réu, podendo 
ocasionalmente penetrar nas providências preliminares determinadas pelo juiz, como 
preâmbulo do saneamento. 
2 \u2013 Fase saneadora: desde o recebimento da petição inicial até o início da fase de 
instrução, o juiz exerce uma atividade destinada a verificar a regularidade do processo, 
Igor Demétrio 
 
mediante decretação das nulidades insanáveis e promoção do suprimento daquelas que forem 
sanáveis. 
3 \u2013 Fase instrutória: destina-se à coleta do material probatório, que servirá de suporte à 
decisão do mérito. 
4 \u2013 Fase decisória: É a que se destina à prolação da sentença de mérito. 
Procedimento Comum 
Fase de Postulação 
O Procedimento comum, costuma ser dividido, pedagogicamente, em quatro fases 
lógicas: de postulação (Arts. 319 a 346 CPC), de saneamento (Art. 347 a 357 CPC), de 
instrução (Arts. 358 a 484 CPC) e de decisão (Arts. 485 a 508 CPC). Eventualmente, podem-
se agregar duas outras fases: a de liquidação, quando a sentença condenatória se apresentar 
como genérica ou ilíquida (Arts. 509 a 512 CPC), e a satisfativa, quando haver necessidade de 
promover o cumprimento forçado do comando sentencial (Arts. 513 a 538 CPC). 
Petição Inicial 
A demanda vem a ser, tecnicamente, o ato pelo qual alguém pede ao Estado a 
prestação jurisdicional, isto é, exerce o direito subjetivo público de ação, causando a 
instauração da relação jurídico-processual que há de dar solução ao litígio em que a parte se 
viu envolvida. 
O veículo de manifestação formal da demanda é a petição inicial, que revela ao juiz a 
lide e contém o pedido da providência jurisdicional, frente ao réu, que o autor julga necessário 
para compor o litígio. 
A petição inicial só poderá ser elaborada por escrito (Art. 319 CPC). 
Requisitos da Petição Inicial \u2013 Art. 319 CPC. 
Após examinar os requisitos o juiz proferirá uma decisão que pode assumir quatro 
naturezas, as saber: 
1 \u2013 De determinação da citação: se a petição estiver em termos, o juiz a despachará, 
ordenando a citação do réu para responder. É o chamado despacho positivo. 
2 \u2013 De saneamento da petição: quando a petição apresentar-se com lacunas, defeitos 
ou irregularidades, mas esses vícios forem sanáveis, o juiz não a indeferirá de plano (Art. 321 
CPC). 
3 \u2013 De indeferimento da petição: do exame da inicial, ou do não cumprimento da 
diligência saneadora de suas deficiências pelo autor, pode o juiz ser levado a proferir uma 
decisão de caráter negativo, que é o indeferimento da inicial. 
Igor Demétrio 
 
4 \u2013 De improcedência liminar do pedido: o juiz profere julgamento in limine litis de 
rejeição do pedido, ou seja, mediante julgamento de mérito negativo imediato, independente 
de citação do réu. 
Indeferimento da Petição Inicial 
Art. 330 CPC. 
Extensão do indeferimento 
Pode haver indeferimento total ou parcial da petição inicial. Será parcial quando, 
sendo vários os pedidos manifestados pelo autor, o despacho negativo relacionar-se apenas 
com um ou alguns deles, de modo a admitir o prosseguimento do processo com relação aos 
demais. 
Será total quando o indeferimento trancar o processo no nascedouro, impedindo a 
subsistência da relação processual. 
O primeiro é decisão interlocutória, e o segundo, sentença terminativa. 
Improcedência liminar do pedido 
Art. 332 CPC. 
O CPC autoriza o julgamento imediato de improcedência do pedido, 
independentemente da citação do réu. 
Esse julgamento liminar do mérito da causa é medida excepcional e se condiciona aos 
seguintes requisitos: 
1 \u2013 Preexistência de enunciado de súmula dos tribunais superiores ou do tribunal de 
justiça local; acórdão proferido pelo STJ ou pelo STF em julgamento de recursos repetitivos; 
ou de entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de 
assunção de competência. 
2 \u2013 a matéria controvertida deve prescindir de fase instrutória. 
Art. 332 §§3º e 4º CPC. 
Se ocorrer a revogação, determinar-se-á o prosseguimento do feito, devendo o 
demandado ser citado para responder à ação. Se o caso for de manutenção da sentença, 
também haverá citação do réu, mas não para contestar a ação, e sim, para responder ao 
recurso, em quinze dias, ou seja, para apresentar contrarrazões à apelação. 
O Pedido 
O núcleo da petição inicial é o pedido, que exprime aquilo que o autor pretende do 
Estado frente ao réu. É a revelação da pretensão que o autor espera ver acolhida e que, por 
isso, é deduzida em juízo.