CPC NOVO ANOTADO   OAB RS
840 pág.

CPC NOVO ANOTADO OAB RS


DisciplinaEngenharia Civil12.206 materiais38.211 seguidores
Pré-visualização50 páginas
isso é proibido, apenas são discutíveis os re-
quisitos do pronunciamento estrangeiro. Igualmente, as normas fundamentais do 
Estado brasileiro não poderão ser infringidas. A regulamentação do procedimen-
to das rogatórias está na Resolução 09/05 do STJ. Esta merece breve análise, para 
esclarecimentos. O procedimento inicia com o requerimento da parte interessada 
ESA - OAB/RS
77
(art. 3° da Resolução). A inadequação do procedimento independe do nommen 
juris e corrige-se de ofício (art. 7° da Resolução). A parte interessada é citada para 
contestar ou impugnar, conforme se trate, respectivamente, de AHSE ou rogatória, 
no prazo de 15 dias (art. 8° da Resolução), admitindo-se urgência inclusive inaudi-
ta altera parte. Estabelecem-se as limitações cognitivas da homologação (art. 9° da 
Resolução), bem como a competência \u2013 em havendo contestação ou impugnação 
em carta rogatória decisória \u2013 da Corte Especial. Dá-se vista ao Ministério Públi-
co, por 10 dias (art. 10 da Resolução) e, retornados os autos, profere-se decisão 
recorrível por agravo regimental, acaso proferida apenas pelo Presidente a tal deci-
são (art. 11 da Resolução). As demais disposições dizem com a fase de cumprimen-
to da medida objeto da homologação, devendo-se anotar que este se faz por carta 
de sentença (AHSE) ou remessa da carta (rogatórias), sendo que são embargáveis 
quaisquer atos relativos ao cumprimento das rogatórias e, nestes, as decisões são 
recorríveis por agravo regimental (arts. 11, 12 e 13 da Resolução). Após efetivada a 
medida objeto da carta, fixa-se prazo de 10 dias para remessa ao STJ e, mais 10 dias, 
deste para envio à autoridade administrativa competente (art. 14 da Resolução).
Artigos 37 e 38:
1. Pedidos de cooperação ativa. As cartas rogatórias e os demais pedidos de co-
operação jurídica internacional formulados pelo Judiciário brasileiro, especialmente 
o auxílio direto, devem ser encaminhados à Autoridade Central brasileira, para aná-
lise e tramitação. Se o pedido de cooperação for baseado em acordo internacional 
que preveja a comunicação entre Autoridades Centrais, a Autoridade Central brasi-
leira verifica o preenchimento dos requisitos determinados pelo tratado e providen-
cia a transmissão do pedido à Autoridade Central estrangeira. Quando devolvida, a 
documentação diligenciada, cumprida ou não, é recebida pela Autoridade Central 
brasileira, que a encaminhará à Autoridade Requerente. Se o pedido de cooperação 
não possuir embasamento em tratado internacional, fato que enseja a tramitação 
pelos meios diplomáticos, a Autoridade Central o transmitirá ao Ministério das Re-
lações Exteriores para os procedimentos pertinentes junto às representações diplo-
máticas do país no exterior. Após o diligenciamento do pedido, o Ministério das Re-
lações Exteriores devolve a documentação à Autoridade Central, que providenciará 
a transmissão à Autoridade Requerente.
Artigo 39:
1. A exemplo do já comentado art. 26, §3º do novo CPC, a norma em análise 
reafirma a soberania e as formas compreensivas de direito no espaço de juridicida-
de brasileiro; por outro lado, cria incerteza no contexto relacional. Pensamos esta 
ESA - OAB/RS
78
possibilidade de controle como indispensável. Todavia, o incremento da incerteza 
sobre a cooperação determina uma exigência: as restrições à cooperação deverão 
ter sempre fundamentação em grau suficiente para justificar essa grave interven-
ção nas possibilidades de cooperação internacional. Assim, todo pedido de coope-
ração passa por juízo interno cognitivo, o qual é limitado e sumarizado, vinculado 
minimamente à manifesta violação à ordem pública e que varia em profundidade 
e extensão segundo a modalidade procedimental que requer \u2013 homologatória, ro-
gatória ou auxílio direito. Ora, é incontroversa a delibação, mas note-se: este juízo 
não é puramente asséptico, formal. Compreende a análise da ofensa à ordem pú-
blica, que, notoriamente, é questão de matéria, especificamente matéria de direito, 
porém limitada e sumarizada sua análise: não se aprofunda o caso concreto, não 
se retorna às provas mas, sublinhe-se: quando um tribunal diz que uma decisão 
ofende a ordem pública interna, diz que o pedido executivo não procede, porque 
juridicamente impossível face ao direito (matéria exclusivamente de direito) inter-
no (essencialmente, uma decisão meritória).
Artigo 40:
1. A execução de decisão estrangeira se faz através de rogatória ou AHSE. 
Note-se que a tendência de permitir cartas rogatórias com caráter executório na 
jurisprudência (e na resolução do STJ, nomeadamente: art. 7° da Resolução n.° 
9/2005) ganhou, no CPC 2015, legitimação formal. Relembre-se: a AHDE está ob-
jetivamente associada a decisões definitivas e sujeita a juízo de delibação pelo STJ 
para o fim de homologação (ou não) do provimento estrangeiro; já a rogatória está 
objetivamente associada a atos ordinatórios, bem como a decisões interlocutórias, 
incluso de caráter assecuratório ou satisfativo provisório, sujeita ao juízo de deli-
bação pelo STJ, para o fim da concessão do exequatur (ou não) ao ato estrangeiro. 
Ambas fazem, eficazes no Brasil, as decisões proferidas em espaços jurisdicionais 
sitos no estrangeiro. Ligando isso com a figura do auxílio direto, tem-se: AHSE e 
rogatória cabem quando o que se quer é reconhecimento para a execução de atos 
importantes; auxílio direto, quando se busca (i) decisão integral e (ii) execução de 
atos administrativos e, segundo certa corrente (e esta é a posição do novo CPC), 
(iii) a procedimentalização, inclusive por órgão do judiciário do Estado requerido, 
de atos pouco relevantes e ordenados no estrangeiro (atos de comunicação e pro-
vas) \u2013 note-se: em todos estes casos de auxílio direto pode-se argumentar que não 
há decisão jurisdicional estrangeira a ser delibada.
Artigo 41:
1. Autenticidade dos documentos é questão de direito probatório de segun-
do grau. Prova, semanticamente, pode significar o próprio objeto probando, bem 
ESA - OAB/RS
79
como sua documentação, isto é, o instrumento da prova. Documentos são instru-
mentos da prova (quando esta é entendida como o fato probando). Compreende-
se, pois, a autenticidade como questão probatória de segundo grau. A autenticida-
de é a demonstração da veracidade do instrumento (documento) da prova (fato, 
v.g., manifestação de vontade consciente e dirigida a um fim). Assim, a regra do 
art. 41 do CPC visa a facilitar a prova de segundo grau. Deveras, haver Autoridade 
Central estabelecida pelo direito interno estrangeiro já é demonstração suficiente 
da legitimidade do encaminhante, bem como de presunção de veracidade de seus 
atos, porque atos administrativos internacionais (porque estrangeiros). Assim, 
prima facie, o ato de encaminhar autentica-se pelo critério subjetivo: se o sujeito 
que envia é autoridade central formalmente designada, a prova de segundo grau 
está firmada e dá-se segundo o trâmite baseado em tratados. É dizer: quando ba-
seada em tratados, procede-se aos pedidos segundo o esquema de autoridades 
centrais. Daí que a autoridade e o tratado que sustenta o trâmite funcionam como 
suficientes procedimentos de legalização. A norma contida no parágrafo único diz 
com uma ressalva relativa à reciprocidade. De fato, se o Estado estrangeiro rejeita a 
autenticidade de documentos encaminhados por autoridades centrais brasileiras, 
desconfia, não presume a verdade destes fatos, prejudica o andamento e a efetivi-
dade dos processos que correm em Brasil. Assim, comutativamente, desconfia-se 
do Estado quando este é solicitante. Nada mais que reciprocidade.
TÍTULO III
DA COMPETÊNCIA INTERNA
CAPÍTULO I
DA COMPETÊNCIA
Seção I
Disposições Gerais
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites 
de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, 
na forma da lei.
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distri-
buição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato