CPC NOVO ANOTADO   OAB RS
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CPC NOVO ANOTADO OAB RS


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em que a produção da prova pericial e atuação do perito contam com pro-
cedimentos legais estritos (arts. 156 a 158 e 464 a 480, NCPC). Aliás, não encon-
tramos no texto legal qualquer óbice para a inclusão da manifestação do amicus 
curiae entre as deliberações sobre prazos, prerrogativas e ônus processuais que os 
sujeitos podem negociar com base nos artigos 190 e 191, NCPC.
Por fim, cumpre comentar a restrição de o amicus curiae apenas ter legitimi-
dade recursal no caso de Embargos de Declaração ou contra decisão que julgar o 
Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR). É verdade que aqui o 
texto legal afinou-se com a jurisprudência, que tem entendido em maioria pela 
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ausência de poder recursal do amicus curiae, porém questiona-se o seguinte: se 
a justificativa para a possibilidade recursal do interveniente em IRDR está na re-
percussão social que tais conflitos apresentam, será que em outros processos que 
não se tratem de IRDR esta mesma repercussão social não poderá, também, se 
fazer presente? Aliás, conforme o art. 138, a repercussão social é um dos critérios 
para a própria intervenção do amicus curiae, daí que não se verifica linearidade 
na exclusão da sua legitimidade recursal para algumas causas com repercussão e 
permissão, para outras. Ora, nada impediria que, caso a caso, o juízo de admissi-
bilidade do recurso apresentado pelo amicus curiae renovasse a análise do seu in-
teresse institucional e a conveniência e benefício da condução da demanda para o 
segundo grau a partir das razões que o sujeito apresentaria, perquirindo o efetivo 
interesse recursal do terceiro que, por vezes, pode estar presente ou não. Ademais, 
é possível que o sistema encontre certos conflitos entre o texto do artigo 138, do 
novo CPC, e as previsões legais anteriores que, tratando com especificidade a in-
tervenção anômala de certas entidades, expressamente permitem a via recursal a 
tais órgãos. Este é o caso do art. 31, § 3º, da Lei nº 6.385/76, que confere à CVM 
o poder de recorrer, quando as partes não o fizerem.
TÍTULO IV
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA
CAPÍTULO I
DOS PODERES, DOS DEVERES E DA RESPONSABILIDADE DO JUIZ
Art. 139.  O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
incumbindo-lhe:
I - assegurar às partes igualdade de tratamento;
II - velar pela duração razoável do processo;
III - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça e in-
deferir postulações meramente protelatórias;
IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou 
sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, in-
clusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária;
V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com 
auxílio de conciliadores e mediadores judiciais;
VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de 
prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efeti-
vidade à tutela do direito;
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VII - exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força poli-
cial, além da segurança interna dos fóruns e tribunais;
VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, 
para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de 
confesso;
IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de 
outros vícios processuais;
X - quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, ofi-
ciar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros 
legitimados a que se referem o art. 5o da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e o 
art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a 
propositura da ação coletiva respectiva.
Parágrafo único.  A dilação de prazos prevista no inciso VI somente pode ser 
determinada antes de encerrado o prazo regular.
Art. 140.  O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuri-
dade do ordenamento jurídico.
Parágrafo único.  O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-
lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige inicia-
tiva da parte.
Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se servi-
ram do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o 
juiz proferirá decisão que impeça os objetivos das partes, aplicando, de ofício, as 
penalidades da litigância de má-fé.
Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva orde-
nar de ofício ou a requerimento da parte.
Parágrafo único. As hipóteses previstas no inciso II somente serão verificadas 
depois que a parte requerer ao juiz que determine a providência e o requerimento 
não for apreciado no prazo de 10 (dez) dias.
Anotações aos artigos 139 a 143:
Angelo Maraninchi Giannakos
Mestre e Especialista em Direito Processual Civil
Professor de Direito Processual Civil
Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul aposentado
Advogado
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Consolidam-se, em um só artigo, o art. 139, sem prejuízo de sua repetição 
em dispositivos esparsos, os poderes/deveres do juiz que antes estavam dispersos. 
Dentre os poderes/deveres que já eram previstos no texto revogado e repetem-se 
no atual CPC, embora com diferente redação, estão os de: a) zelar pela duração 
razoável do processo, b) prevenir ou reprimir atos contrários à dignidade da 
justiça e aplicar de ofício as sanções por litigância de má-fé, c) valer-se da técnica 
de tutela mandamental ou executiva (sub-rogatória), d) buscar a conciliação das 
partes, e) exercer o poder de polícia e requisitar força policial quando necessário 
(acrescentando-se também menção expressa à possibilidade de acionar a segurança 
dos fóruns e tribunais), f) determinar o comparecimento das partes e g) o de 
determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outras 
nulidades processuais (AMARAL, Guilherme Rizzo. Comentários às alterações 
do novo CPC. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 220).
Especial destaque merecem as hipóteses previstas no inciso VI (dilatar os 
prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-
os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do 
direito, que somente pode ser determinada antes de encerrado o prazo normal, 
consoante o parágrafo único) e no inciso IX (determinar o suprimento de 
pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios processuais). Cabe 
relevar o inciso X, que prevê a iniciativa de o magistrado oficiar legitimados para 
ações coletivas, em especial o Ministério Público e a Defensoria Pública para, 
querendo, tomarem a iniciativa de ingressar em juízo com as \u201cações cabíveis\u201d 
quando houver \u201cdiversas demandas individuais repetitivas\u201d. O dispositivo tinha 
tudo para dialogar com a \u201cconversão da ação individual em ação coletiva\u201d 
prevista no art. 333. O veto presidencial àquele dispositivo, contudo, não interfere 
na importância (e suficiência) do precitado inciso X do art. 139 para os fins de 
viabilizar um maior (e mais racional) número de \u201cações coletivas\u201d que tenham 
início no primeiro grau de jurisdição (BUENO, Cassio Scarpinella. Novo Código 
de Processo Civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 138).
O art. 140 incorporou a ideia sedimentada de que a lei em sentido estrito 
é apenas uma das fontes do direito, sendo que a tarefa hermenêutica consiste 
na interpretação de todo o sistema ou ordenamento jurídico, mas não significa 
o desprezo às regras ou ao direito legislado, pois tal postura implicaria sério 
prejuízo ao valor segurança jurídica, o que deve ser evitado.
Quanto ao art. 141, a modificação não possui maior relevância,