27246553_APOSTILA_COMPLETA_DIREITO_PROCESSUAL_DO_TRABALHO.pdf
155 pág.

27246553_APOSTILA_COMPLETA_DIREITO_PROCESSUAL_DO_TRABALHO.pdf


DisciplinaDireito Processual do Trabalho I5.221 materiais61.122 seguidores
Pré-visualização50 páginas
forma da inicial.\u201d 
 
 O dispositivo deve trazer toda a condenação imposta à parte vencida. Deve 
constar ainda a forma de liquidação, caso não conste a forma de liquidação, se pressupõe 
seja esta por artigos. Deve dispor sobre os juros e correção monetária, a partir de que 
data são devidos e de que forma. Deverá o magistrado arbitrar valor à condenação, o 
qual servirá de base para o pagamento de custas e depósito recursal, em caso de recurso. 
Deverá dispor ainda sobre os honorários advocatícios e de perito, se for o caso, 
determinando a notificação destes. Deve dispor sobre a assistência judiciária gratuita, caso 
haja pedido nesse sentido. Igualmente, sobre as custas, estas de 2% sobre o valor da 
condenação, do valor arbitrado ou do valor dado à causa (art. 789 da CLT, com a redação 
atribuída pela Lei 10.537, de 27-08-02). 
 
 No dispositivo, caso seja mais de um A e mais de um réu, deverá constar o nome 
correto de todos, sob pena de nulidade. Inclusive, caso isto passe despercebido, poderá 
dificultar a execução do julgado ou impedi-la. 
 
 A falta de uma das partes, antes mencionadas, da sentença lhe causa a nulidade. 
Salvo em relação ao procedimento sumaríssimo, onde é dispensado o relatório (art. 852-I 
da CLT), sendo que as demais partes são obrigatórias. 
 
 Quanto ao conteúdo da sentença, estabelece o art. 832 da CLT que a sentença 
deverá conter: o nome das partes, o resumo da defesa, a apreciação das provas, os 
fundamentos da decisão e respectiva conclusão. Na procedência do pedido, deverá 
conter o prazo e as condições para o cumprimento da decisão (§ 1.º). A decisão deverá 
mencionar as custas a serem pagas (§ 2.º). As decisões de conhecimento ou homologatórias 
deverão indicar a natureza jurídica das parcelas objeto da condenação ou do acordo (§ 3.º). 
 
 
1.1.7.5 \u2013 Pressupostos 
 
 A sentença, além das partes antes mencionadas (relatório, fundamentação e 
conclusão) ela deve ser clara, completa e, como regra geral, certa e líquida, podendo 
entretanto ser ilíquida e neste caso será procedida a liquidação. 
 
 A sentença líquida é aquela que envolve condenação em quantia certa e 
determinada, fixando-lhe o valor devido, constituindo a decisão título executivo. 
 
 A sentença ilíquida é aquela que, conquanto condenatória, não especifica o valor 
da condenação, tornando necessária a liquidação da sentença para fixação do valor da 
condenação, o que se fará: ou por artigos, ou por cálculo do contador ou arbitramento. 
 
 
56 Ob. cit., pág. 340. 
 68 
 Caso hajam erros ou enganos de escrita, de datilografia ou de cálculo, estes 
poderão, antes de iniciada a execução, ser corrigidos ex officio ou a requerimentos dos 
interessados ou da Procuradoria da JT (art. 833 da CLT). Ex. A A. se chamava Márcia e na 
sentença constou Márcio. A condenação era de R$ 10.000,00, no entanto constou R$ 
1.000,00. 
 
1.1.7.6 \u2013 Abrangência 
 
 A sentença deve abranger todo o litígio, ou seja, dirimir todas as questões 
suscitadas no processo, pelas partes, abstendo-se de manifestar-se sobre questões não 
foram objeto de pedido, ou seja, a ação deve ser decidida de acordo com o que foi 
pleiteado na inicial e na peça contestatória. 
 
 Ultra ou extra petita \u2013 Sempre que o juiz prolatar sentença condenando uma das 
partes além daquilo que foi postulado, ocorre decisão ultra ou extra petita (além ou fora do 
pedido). Este excesso é tido como nulo. Segundo Martins57 os art. 467 (salários em atraso, 
multa de 50%) e 496 (pagamento da indenização dobrada, em troca da estabilidade) da 
CLT autorizam o juiz a julgar, nesses casos, extra petita. 
 
 Citra ou infra petita (Aquém ou a menos do que foi pedido) \u2013 No caso da decisão 
não resolver todo o conflito posto, esta decisão será considerada infra petita. Neste caso as 
parte deverá interpor embargos de declaração (o que será examinado no subitem a seguir), 
para que a decisão seja complementada. A sentença que não exauri a matéria posta é 
igualmente nula. 
 
1.1.7.7 \u2013 Ciência/intimação 
 A ciência ou a intimação das decisões proferidas em ações trabalhistas, 
consideram-se feitas na audiência em que são proferidas (art. 834 da CLT). No entanto, 
em caso de revelia, o revel deve ser intimado da decisão (art. 852 da CLT), na forma do 1.º 
do art. 841 da CLT. 
 
 No caso de ausência da parte à audiência em prosseguimento, este não será 
intimado e o prazo para recurso conta-se da data da publicação da sentença (Enunciado 197 
do TST)58 
 
 Quando a sentença não é prolatada na audiência de instrução, ou quando o Juiz não 
junta aos autos a ata de audiência em que proferiu a sentença, no prazo de 48 horas (art. 
851, § 2.º, da CLT), as partes deverão ser intimadas pessoalmente ou seu procurador da 
decisão, conforme preceitua o Enunciado de n.º 30 do TST.59 
 
 
 
57 Ob. cit. pág. 351 
58 ENUNCIADO Nº 197 DO TST \u2013 PRAZO - O prazo para recurso da parte que, intimada, não comparecer 
à audiência em prosseguimento para a prolação da sentença, conta-se de sua publicação.(RA 3/85 - DJU 
01.04.1985) 
59 ENUNCIADO Nº 30 DO TST - INTIMAÇÃO DA SENTENÇA - Quando não juntada a ata ao processo 
em 48 horas contadas da audiência de julgamento (art. 851, § 2º, da CLT), o prazo para recurso será contado 
da data em que a parte receber a intimação da sentença. (RA 57/70 - DO-GB 27.11.1970) 
 69 
1.1.7.8 \u2013 Embargos de declaração 
 
 Os embargos de declaração, no processo do trabalho, estão previstos no art. 897-A 
da CLT. E poderão ser interpostos, no prazo de 5 dias, da ciência/intimação da sentença 
ou acórdão, inclusive com efeito modificativo, para solução de omissão ou contradição 
no julgado, bem como no caso de manifesto equívoco no exame dos pressupostos 
extrínsecos do recurso (objetivos). A Fazenda Pública, por força da OJ n.º 192 da SDI do 
TST, tem prazo em dobro para embargar de declaração, ou seja, 10 dias. A doutrina não 
concorda com tal posicionamento, em especial, Sérgio Pinto Martins, Manoel Antônio 
Teixeira Filho, por não se tratar recurso, na exata acepção da palavra, e, portanto, o prazo 
seria de 5 dias. Cumpre destacar, por oportuno, que os embargos de declaração, no 
processo civil, estão previstos no Capítulo V e artigos 1022 e seguintes do CPC , que trata 
justamente dos recursos. Mas, mesmo assim a doutrina entende que não se trata de recurso. 
 
 Por força do art. 1.022, I, do CPC60, de aplicação supletiva nesta Especializada, 
também é possível a oposição de embargos de declaração quando a decisão proferida 
contenha obscuridade (falta de clareza, a ponto de torná-la ininteligível), ou ainda por 
motivo de erro material (art. 1022, III, do CPC) 
 
 A interposição dos embargos declaratórios, por qualquer das partes, interrompe o 
prazo para interposição do recurso cabível (art. 1026 do CPC). Quando protelatórios 
cabe a aplicação de multa de até 2% da causa (parágrafo 2º do art. 1026 do CPC)61. Em 
caso de reincidência a multa poderá chegar até 10% do valor atualizado da causa (art. 
1026, § 3º, do CPC. Quando os embargos forem considerados protelatórios, por duas 
vezes, a utilização de embargos, pela terceira vezes, não serão admitidos (§ 4º do art. 1026 
do CPC). Cumpre destacar que em caso de embargos intempestivos ou quando houver 
irregularidade na representação, os embargos não interrompem o prazo recursal (§ 3º do 
art. 897-A da CLT). 
 
60 Art. 1022 do CPC. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: 
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; 
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia