Direito Agrário - Resumo
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Direito Agrário - Resumo


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01 - Direito Agrário - Introdução
1) Introdução ao Direito Agrário
1.1) Conceito
Normalmente, os autores se referem a uma certa dificuldade quanto ao conceito de direito agrário, até pela especificidade de seu objeto. A doutrina especializada, nada obstante, traz alguns conceitos esclarecedores. A esse respeito, por exemplo, diz o Professor Arnaldo Rizzardo: "o Direito Agrário é um conjunto de normas de direito público e privado que visam a disciplinar as relações decorrentes da atividade rural, com base na função social da propriedade". Por outro lado, há quem conceitue de modo pouco distinto, como é o caso de Tormim Borges, que assim se coloca: "Direito Agrário é o conjunto sistemático de normas jurídicas que visam a disciplinar as relações do homem com a terra, tendo em vista o progresso econômico do rurícola e o enriquecimento da comunidade". Percebe-se por estes conceitos que o grande fundamento do Direito Agrário diz respeito à necessidade de se organizar juridicamente a posse da terra, de tal modo que o acesso a ela e à atividade agrícola se realize de uma maneira igualitária, em prol do bem estar da sociedade e do bom desenvolvimento econômico do país.
1.2) Objeto do Direito Agrário
No tocante ao objeto do Direito Agrário, a doutrina de uma maneira geral admite que ele se constitua pela "atividade agrária". Em outros termos, o que se quer dizer com isto é que o Direito Agrário tem o propósito de disciplinar todo tipo de atividade que diga respeito ao campo, à posse da terra, a extração de benefícios, etc. Diante disto, é a "atividade agrária", entendida como resultado da ação humana sobre a natureza, em participação funcional, como condicionante do processo produtivo, o grande motivo da existência do Direito Agrário.
Como o conceito de atividade agrária é bastante abrangente, vale a pena salientar que ele compreende a exploração de atividade rurais típicas (agricultura, pecuária, etc.), assim como as atividades agrárias atípicas (agronegócio, agroindustria, etc.) e bem assim outras atividades complementares àquelas vinculadas (transporte, comercialização de produtos agrícolas, etc.).
1.3) Finalidade do Direito Agrário
Quando se investiga a finalidade do Direito Agrário, normalmente se depara com o fato de se tratar de um ramo do direito brasileiro estabelecido recentemente, e em virtude de necessidades sociais objetivas. Registre-se que o Direito Agrário veio a ter lugar em meados dos anos 60, no século passado quando por meio de uma Emenda Constitucional, se atribuiu à União o dever de legislar sobre a matéria. É por isto que logo depois foi editada a Lei nº 4.504/64, que se estabeleceu com um propósito firme e objetivo: regular a atividade agrária com vistas à facilitação e promoção da reforma agrária (art. 1º - Estatuto da Terra).
A  necessidade de uma exploração racional da terra por meio de sua redistribuição tomou vulto nos anos 60, quando veio à tona a questão dos latifúndios, da acumulação da propriedade da terra nas mãos de um percentual pequeníssimo da população, que se defrontava permanentemente com a pobreza e a fome no campo. Dessa maneira, movimentos sociais internos e internacionais realizaram intensos debates, especialmente na América Latina, provocando a reação dos governos sul-americanos, entre eles o do Brasil. Particularmente aqui, a distribuição da terra se fez desde o princípio de modo irracional, o que provém da distribuição pela coroa portuguesa das sesmarias em benefícios de alguns potentados. Desde aquela época, então, o latifúndio passou a ser um dado da realidade rural brasileira.
Sesmaria: forma de obtenção da posse de terras, cuja propriedade pertencia à Coroa, sob a condição de cultivá-las, torná-las produtivas;
Potentado: pessoa poderosa.
Esclarecidos estes pontos, torna-se possível afirmar que a finalidade do Direito Agrário é a de regular direitos e obrigações concernentes aos imóveis rurais, para viabilizar a reforma agrária e impor uma política agrícola.
1.4) Fontes do Direito Agrário
a) CF/88: o texto constitucional, a partir do art. 184, no Título relativo à Ordem Econômica, vem disciplinar a chamada Política Agrícola Nacional. Logo, as primeiras fontes se encontram entre o art. 184 e 191 da Constituição;
b) Lei: no campo da legislação ordinária, a fonte primordial é o denominado Estatuto da Terra, introduzido pela Lei nº 4.504/64, que traça as diretrizes fundamentais do Direito Agrário para o país. Outras leis ordinárias compõem um feixe legislativo responsável pela matéria, como é o caso da legislação do trabalhador rural, da Lei Complementar nº 88/96 (procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária), assim como da Lei Complementar nº 93/98 (Institui o Fundo de Terras e da Reforma Agrária - Banco da Terra), dentre outras;
c) Princípios do Direito Agrário;
d) Diretivas internacionais destacadas em Convenções ou Tratados firmados pelo Brasil.
1.5) Princípios do Direito Agrário 
A doutrina especializada faz alusão permanente ao conjunto de princípios que regem o direito agrário. O princípio fundamental, sempre referido, é o relativo à função social da propriedade rural. A partir dele, se concebem outros princípios, tais como o da justiça social, o da prevalência do interesse coletivo, o da fixação do homem no campo, o do acesso à propriedade da terra, sem prejuízo do princípio da preservação da biodiversidade, dentre outros.
a) Função Social da Propriedade Rural
Conforme sabido, o princípio da função social da propriedade, admitido constitucionalmente já no art. 5º, XVI, passou a ser um elemento integrante do direito de propriedade, em todas as suas hipóteses. Como se sabe, função social exprime uma ideia de ônus que pesa sobre o titular da situação proprietária, e que se reflete por meio de encargos de interesse social que seu direito lhe impõe. Nessa medida, a função social opera sobre o proprietário de tal maneira a lhe fixar limites positivos e negativos, indicando a necessidade de que ele realize as faculdades que o direito lhe permite de modo obrigatório, e ao mesmo tempo não o faça de modo a transgredir interesses coletivos ou individuais que precisam ser preservados. Na hipótese da função social da propriedade rural, o constituinte agiu de maneira absolutamente clara, dispondo no art. 186 da CF/88 que a propriedade rural só cumpre a função social à medida que, em relação a ela se constate: 
Aproveitamento racional e adequada da terra (produtividade);
Utilização adequada dos recursos naturais, além da preservação do meio-ambiente;
Exploração de maneira a promover o bem estar do proprietário e dos trabalhadores rurais que lhe prestam serviços.
É nessa medida que se vislumbram todos os institutos de direito agrário, uma vez permanentemente dependentes desse preceito geral. 
Melhor expressão de função social: "a propriedade obriga" (Leon Duguit) ao exercício da propriedade. Todo direito está inclinado à satisfação de um interesse social.
b) Justiça Social
Segundo este princípio, o Direito Agrário deve atuar no sentido de promover a eliminação do latifúndio improdutivo e, também, na direção de favorecer o acesso do homem do campo à terra, seja por meio da Reforma Agrária e respectiva redistribuição das áreas rurais em prol de pequenos proprietários, seja por intermédio do favorecimento a direitos de exploração da terra concebidos por meios contratuais, etc.
c) Prevalência do interesse coletivo
Segundo a doutrina, o Direito Agrário tem uma face eminentemente social, definindo-se suas normas pelo objetivo de promover no campo a redistribuição da propriedade da terra e o bem-estar de todos aqueles que a exploram, sejam proprietários ou rurícolas. Por isso, o Direito Agrário é uma matéria em que se persegue um interesse que vai além do privado, destinando-se a permitir a uma coletividade específica de pessoas garantias indispensáveis à dignidade humana. Em resumo,
Débora
Débora fez um comentário
Poderia por gentileza me enviar por email? dreba24@gmail.com Obrigado
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Leo
Leo fez um comentário
Parabéns pelo material .. #Top
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