Direito Tributário - Resumo
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Direito Tributário - Resumo


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os devedores ou bens à penhora (contam-se 5 anos após um ano no qual o processo ficou suspenso).
A prescrição intercorrente também afeta o direito dos contribuintes, contudo, no prazo pela metade (Decreto nº 20.910/32). Há também prazos prescricionais  que afetam outros direitos dos contribuintes, tais como o prazo prescricional de dois anos para ajuizamento de ação anulatória que combate negativa de pedido administrativo de restituição. Além disso, há o prazo prescricional de 5 anos para a recuperação de indébitos (posição minoritária menciona que tal prazo é decadencial para pedidos administrativos).
f) Consignação em Pagamento
O CTN, art. 164, prevê a consignação judicial pelo sujeito passivo, em caso de recusa de recebimento por parte do fisco, ou subordinar o recebimento ao pagamento de outro tributo ou penalidade, cumprimento de obrigação acessória ou outra exigência administrativa; também cabe quando uma ou mais pessoas jurídicas de direito público exigir tributo idêntico sobre o mesmo fato gerador (ex.: dois municípios discutindo quem deve receber o ISS) ou até mesmo tributo distinto (hipótese não prevista no art. 164, mas possível, por exemplo, se o fisco municipal exigir ISS e o Federal exigir IPI sobre uma mesma atividade).
g) Decisão Administrativa Favorável ao Contribuinte
Embora seja certo que todos os atos administrativo irregulares devem ser desfeitos, bastando para tanto a autotutela da Administração e eventual contraditório (Súmula nº 473-STF), se predominar no julgamento administrativo entendimento válido favorável ao contribuinte, haverá coisa julgada administrativa que extingue o crédito tributário (não há o que anular). Mesmo se houver vício que não seja doloso, também prevalecerá decisão favorável ao contribuinte se passados 5 anos da decisão no âmbito federal (Lei nº 9.784/99, art. 54).
h) Decisão Transitada em Julgado
Nas diferentes modalidades de processo judicial, o trânsito em julgado favorável ao contribuinte extingue a obrigação tributária. A coisa julgada regularmente formada, e que se projeta para o futuro por tempo indeterminado, terá seus efeitos cessados com a mudança da legislação que serviu de parâmetro para a decisão, e também com nova orientação jurisprudencial consolidada contrária (essa posição é dominante em se tratando de decisões vinculantes do STF e há tendência para decisões também do STJ). 
Há vários instrumentos para rescindir a coisa julgada quando a mesma tiver vícios (ação rescisória e ação anulatória de sentença - querela nulitatis insanabilis), e também para decisão que contraria orientação do STJ e do STF (ex.: impugnação do CPC, art. 475-L; embargos do devedor do CPC, art. 741). 
Cabe também rescisória quando a decisão individual contrariar orientação do STF (coisa jugada inconstitucional).
i) Dação em Pagamento de Bens Imóveis
O art. 156, XI, fala na dação em pagamento de bens imóveis como forma de extinção do crédito tributário. Na forma do mesmo preceito, caberá a cada ente federativo regular essa hipótese de extinção que, no entendimento majoritário, não é autoaplicável. 
Não há a previsão para a dação de bens imóveis, mesmo porque envolveria importantes reflexões, sobretudo no âmbito das compras sem licitação.
Há, entretanto, entendimentos no sentido de que seria sim possível a dação de bens de bens móveis, ao seguinte raciocínio: ora, se a Fazenda pode até perdoar o crédito tributário, com maior razão poderia aceitar bens móveis em pagamento de tais créditos. É certo, porém, que a hipótese abriria oportunidade para falcatruas.
Essa hipótese não se confunde com a adjudicação de bens móveis ou imóveis, que se faz normalmente no âmbito das execuções fiscais judicializadas.
4) Exclusão do Crédito Tributário
Também extinguindo o crédito tributário, os arts. 175 e ss. do CTN cuidam da exclusão do crédito tributário pelas vias da isenção e da anistia que, em comum, têm natureza de "favor" (o CTN não cuida da denúncia espontânea que exclui a multa na forma do art. 138 e nem da remissão do art. 172, ambas também "favor ou perdão"). Por representar favor, suas disposições normativas devem ser interpretadas restritivas (também pelo art. 111, sendo princípio gera de interpretação).
Cabe a cada Ente federativo estabelecer as hipóteses de exclusão (salvo exceções), observadas as normas gerais do CTN.
a) Isenção: distinta da imunidade, da não incidência e da alíquota zero, a isenção corresponde a hipótese de exclusão do crédito tributário definida em regra por cada ente federativo, geralmente por lei ordinária (há exceções tais como convênios de ICMS pelo CONFAZ). 
No âmbito acadêmico, discute-se se ocorre o fato gerador quando há lei estabelecendo isenção (não haveria a hipótese de incidência que se somaria ao fato imponível, dada a ausência de lei exigindo o tributo) ou se ocorre fato gerador, etc. para somente após haver exclusão do crédito tributário.
A isenção é da obrigação principal, reportando-se a fatos geradores futuros (em regra há obrigação acessória mesmo havendo isenção da obrigação principal, gerando multa em caso de descumprimento).
Há várias classificações das isenções. Quanto às condições, pode ser condicionada ou incondicionada:
Quanto ao tempo, pode ser permanente ou temporária (prazo certo):
Quanto ao âmbito de aplicação ou extensão, pode ser genérica ou geral, bem como pessoal, regional ou setorial;
Quanto à competência federativa que a concede, pode ser autônoma (quando concedida pelo próprio Ente federativo que detém competência tributária) ou heterônoma (quando concedida por Ente federativo que não possui competência sobre o tributo isento).
A CF/88, art. 151, III, veda à União estabelecer isenções em tributos que não são de sua competência (a CF anterior admitia, e por isso há atos normativos que foram recepcionados e continuam valendo, tal como o Decreto-Lei nº 406). Contudo, a CF/88 expressamente prevê exceções, caracterizando as isenções heterônomas (ex.: lista de produtos exportados sobre os quais não incide ICMS, conforme normas da União). A República Federativa do Brasil não é Ente federativo, sendo representada pela União, razão pela qual pode estabelecer isenções em tributos estaduais e municipais mediante tratados internacionais (posição pacificada no STF). 
Porque os arts. 176 e ss. do CTN tratam a isenção como favor, há previsões de que não constitui direito adquirido o despacho administrativo concedido em caráter pessoal e condicionado. 
A segurança jurídica e a confiança legítima, que garantem direitos dos contribuintes, conduzem ou à inconstitucionalidade de preceitos tais como o art. 176 ou sua interpretação conforme a Constituição, pelo qual a revogação de isenções condicionadas deve se resolver por perdas e danos. 
Embora existam divergências, o CTN, art. 104, III, é expresso ao reconhecer que a extinção ou redução de isenção está sujeita à anterioridade tributária quando for o caso.
b) Anistia: a exemplo da isenção, a anistia é um favor concedido pelo legislador (em regra, lei ordinária) em tributos de sua competência, podendo ser condicionada, incondicionada, geral ou restrita, pessoal, regional ou setorial, temporária ou permanente (não se fala em anistia autônoma e heterônoma).
Tratada nos art. 180 e ss do CTN, reporta-se sempre a infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede (não há isenção para o futuro - se tiver, será anistia), não sendo aplicada a atos definidos como crime ou contravenção, e mesmo que não tipificados resultem de fraude, dolo, conluio, etc. Portanto, a anistia, em regra, alcança apenas as multas, de modo que o "perdão" de maior parte alcançaria o próprio tributo, revelando-se como remissão (essa posição não é pacífica pois muitas leis reduzem multa e tributo e são tratadas como anistia). Por lógica, a anistia sempre é temporária ou delimitada no tempo.
A exemplo da isenção, a anistia não gera direito adquirido mesmo que concedida em caráter pessoa e condicionada - art. 182.
O contribuinte que pagou o tributo regularmente