Direito Tributário - Resumo
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Direito Tributário - Resumo


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de trabalho, o primeiro passo consiste em estabelecer o parâmetro adequado para a comparação, que deve ter relação lógica e legítima com o fim para o qual se compara. Uma vez estabelecido o parâmetro de comparação, as situações comparadas devem ser agrupadas, quando igual e quando desiguais, a partir do que deve se dar tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais; as diferenças feitas entre as situações desiguais estão sujeitas a discricionariedade, e por isso têm limites ao menos na razoabilidade/proporcionalidade.
Dentre as diversas previsões relacionadas à igualdade, há:
art. 145, §1º - prevê que sempre que possível, os tributos terão caráter pessoal, e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. Embora esse preceito seja dirigido a tributos pessoais, a aplicação do princípio da igualdade também deve pautar a tributação que incide sobre coisas (tributos reais) tal como a progressividade do IPTU (essa progressividade não deve ser confundida com a tributação progressiva que visa a utilização da propriedade segundo sua função social, pois essa tem natureza extrafiscal);
art. 150, II - prevê a regra geral da igualdade, proibindo qualquer distinção, mas afirmando que o tratamento tributário deve considerar os contribuintes que se encontrem em situação "equivalente", dando fundamento normativo para a igualdade relativa (tratar igual de forma igual, e desigual de forma desigual);
art. 151 - prevê: (i) o princípio da uniformidade, obrigando a União a estabelecer tributação igual para todas as regiões brasileiras. Contudo, à luz da igualdade relativa, do objetivo fundamental do art. 3º, III, da proposta das regiões de desenvolvimento do art. 43, dentre outros da CF/88, e especialmente pela parte final do art. 151, I, é possível estabelecer tributação diferenciada em favor do crescimento e do desenvolvimento de regiões com atraso nas áreas sócio-econômicas (ex.: via SUDENE, SUDAM, etc.);
art. 151, II, e art. 152 - prevêem a uniformidade exigindo que os títulos ou obrigações da dívida pública de qualquer ente federativo tenha a mesma tributação estabelecida pela União, assim como a tributação dos agentes públicos, vedando ainda qualquer diferença tributária  entre bens e serviços, em razão de sua procedência ou destino;
art. 195, §9º - prevê a possibilidade de tratamento diferenciado em matéria de contribuição para a seguridade social, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. Há várias formas de diferenciação, sendo uma delas alíquotas diferenciadas de contribuição previdenciária em razão de acidentes de trabalho (há riscos pequenos, médios e grandes);
Além dos incentivos regionais em forma de tributação favorecida (art. 151, I), há também incentivos setoriais em favor de determinados segmentos considerados estratégicos (ex.: incentivos para automação industrial, etc.).
Há ainda tributos seletivos que aumentam suas alíquotas na medida em que se supõe consumos essenciais (ex.: ICMS sobre energia elétrica) ou já partem de alíquotas em razão da não essencialidade dos produtos (supérfluos).
Obs.:
a) A LC 123/2006 (Simples Nacional) não viola o princípio por excluir algumas atividades profissionais (geralmente de caráter intelectual - sociedades simples):
EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Tributário. Sistema 'SIMPLES'. Art. 9º da Lei 9.317/96. Ofensa ao princípio da isonomia. Inocorrência. Precedente. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 476.106)
b) Lei Complementar Estadual que isente magistrados e servidores do Judiciário local do recolhimento de custas e emolumentos fere o princípio da isonomia
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 240 DA LEI COMPLEMENTAR 165/1999 DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. ISENÇÃO DE CUSTAS E EMOLUMENTOS AOS MEMBROS E SERVIDORES DO PODER JUDICIÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 150, II, DA CONSTITUIÇÃO. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. I \u2013 A Constituição consagra o tratamento isonômico a contribuintes que se encontrem na mesma situação, vedando qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida (art. 150, II, CF). II \u2013 Assim, afigura-se inconstitucional dispositivo de lei que concede aos membros e servidores do Poder Judiciário isenção no pagamento de custas e emolumentos pelos serviços judiciais e extrajudiciais. III \u2013 Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 240 da Lei Complementar 165/199 do Estado do Rio Grande do Norte. (ADI 3.334)
c) Lei Estadual que transfira parte das receitas das custas judiciais para caixa de assistência aos advogados fere a isonomia
EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CUSTAS E EMOLUMENTOS: NATUREZA JURÍDICA: TAXA. DESTINAÇÃO DE PARTE DO PRODUTO DE SUA ARRECADAÇÃO A ENTIDADE DE CLASSE: CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS: INCONSTITUCIONALIDADE. Lei 5.672, de 1992, do Estado da Paraíba. I. - As custas, a taxa judiciária e os emolumentos constituem espécie tributária, são taxas, segundo a jurisprudência iterativa do Supremo Tribunal Federal. Precedentes do STF. II. - A Constituição, art. 167, IV, não se refere a tributos, mas a impostos. Sua inaplicabilidade às taxas. III. - Impossibilidade da destinação do produto da arrecadação, ou de parte deste, a instituições privadas, entidades de classe e Caixa de Assistência dos Advogados. Permiti-lo, importaria ofensa ao princípio da igualdade. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. IV. - Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 1.145)
5) Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária
CF/88, art. 150
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
Não se aplica a Lei nova a fatos geradores pretéritos.
A Súmula 584-STF, superada pela CF/88, fere o Princípio da Irretroatividade (Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.)
6) Princípio a Anterioridade Tributária
CF/ 88, Art. 150, III
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b;
Tanto quanto a irretroatividade, o Princípio da Anterioridade garante a segurança jurídica. A irretroatividade reporta-se à consolidação de um direito (portanto, na perspectiva de circunstâncias que já ocorreram), enquanto a anterioridade projeta-se para o futuro.
A anterioridade tributária coloca um ponto de equilíbrio entre a necessidade de alteração (majoração) da carga tributária por parte do poder público e o planejamento e execução do processo produtivo tributado por parte dos contribuintes. A anterioridade é manifestação da "confiança legítima" em relação à legislação posta pelo Poder Público.
O princípio se aplica a todos os tributos (não apenas só para impostos). A regra geral é que alterações que importem em elevação da carga tributária ou surgimento de novos tributos, até mesmo ampliando a sujeição passiva de tributos já existentes, só pode ser aplicada a atos e fatos tributados que ocorram após os seguintes prazos, dos dois o maior:
90 dias após a data da publicação do ato normativo que majorou a carga;
1º dia do ano civil (equivale a exercício financeiro) seguinte à data da publicação que majorou a carga. Há uma diferença entre ano civil e exercício financeiro para fins orçamentários, isto é, o ano civil é o ano no qual se prepara a peça orçamentária, de modo que o exercício financeiro é sempre o ano seguinte ao ano civil.
Parte da doutrina emprega a expressão "anualidade" como sinônimo de anterioridade. No entanto, é possível diferencia-las, uma vez que a anualidade é previsto na CF/88, art. 165, §2º, e diz respeito à elaboração do orçamento, exigindo que as elevações da carga tributária já estejam previstas