protocolo saude mulher   2016
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protocolo saude mulher 2016


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é, o alcance da integralidade na 
Atenção Básica pressupõe a superação da restrição do cuidado às mulheres a ações programáticas 
por meio do desenvolvimento de ações abrangentes de saúde e de acordo com as necessidades 
de saúde das usuárias.
Nesse sentido, com o intuito de contribuir com a consolidação dos princípios do SUS, o 
primeiro capítulo dos Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, intitulado \u201cAtenção aos 
Problemas/Queixas mais Comuns em Saúde das Mulheres\u201d, apresenta os principais motivadores de 
contato espontâneo das usuárias com os serviços de saúde que usualmente não estão contemplados 
nas ações programáticas já consolidadas (também abordadas na sequência do material). 
Esse primeiro capítulo apresenta um conjunto de temas bastante diverso, essencialmente 
clínico, e está disposto em formato diferente dos demais. Os problemas e a respectiva abordagem 
pela equipe multiprofissional na Atenção Básica são apresentados em formato de fluxogramas. Os 
fluxogramas trazem, de forma objetiva, os passos do cuidado desde o primeiro contato da mulher 
com a equipe de Atenção Básica até o plano de cuidados, o qual sempre deve ser realizado de forma 
compartilhada com a usuária. Nos passos do fluxograma, faz-se referência também às categorias 
profissionais habilitadas, do ponto de vista técnico e ético-legal, para realizarem as atividades ou os 
procedimentos indicados. Alguns temas possuem quadros com informações complementares aos 
fluxogramas. Em algumas situações, apresenta-se um quadro inicial referente aos \u201csinais de alerta\u201d, 
que contém: i) por um lado, os sinais, sintomas e dados clínicos que podem remeter a um risco mais 
elevado; e ii) por outro, as situações que necessitam de avaliação clínica em caráter de urgência/
emergência ou prioritária (condições em que se pode prever alguma gravidade, embora sem risco 
de vida iminente no momento primordial da avaliação). 
São abordados os seguintes temas no primeiro capítulo: problemas relacionados à 
menstruação (sangramento uterino anormal, ausência de sangramento menstrual, sintomas pré-
menstruais, entre outros), lesões anogenitais, corrimento vaginal, mastalgia, descarga papilar, dor 
pélvica, avaliação de achados em ultrassonografia pélvica, perda urinária e disúria.
Por sua vez, os capítulos subsequentes abordam os seguintes temas: atenção às mulheres 
no pré-natal de baixo risco, no puerpério e promoção do aleitamento materno; planejamento 
reprodutivo; prevenção dos cânceres do colo do útero e de mama; atenção às mulheres no 
climatério; e atenção às mulheres em situação de violência. Estes capítulos foram estruturados 
em cinco blocos principais: introdução, quadro-síntese, quadros explicativos, textos/informações 
complementares e saiba mais. 
O \u201cquadro-síntese\u201d sumariza o conjunto de ações de cada capítulo, sob uma abordagem 
integral das mulheres, e discrimina os profissionais responsáveis pela realização do cuidado 
qualificado do ponto de vista técnico e ético-legal. O conteúdo segue a lógica de produção do 
cuidado às mulheres na Atenção Básica, partindo do acolhimento à demanda espontânea, com 
escuta qualificada, até as ações previstas como ofertas possíveis para a atenção integral e promoção 
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PROTOCOLOS DA ATENÇÃO BÁSICA | Saúde das Mulheres
da saúde desta população. Estas ações estão agrupadas na avaliação global (entrevista e exame 
físico geral e específico) e no plano de cuidados de forma ampliada, incluindo ações de avaliação 
dos problemas (exames complementares), abordagem medicamentosa e não medicamentosa, 
atividades de educação em saúde, acompanhamento e vigilância em saúde, a depender do tema 
em questão.
\u201cAcolhimento com escuta qualificada\u201d é a primeira categoria do quadro-síntese \u2013 bem como 
dos fluxogramas de todas as seções \u2013 e uma das diretrizes para qualificação e humanização das 
práticas de saúde no SUS, que devem estar fundamentadas no trabalho em equipe e na construção 
do relacionamento entre profissionais e usuárias.6,7 Acolhimento pode ser entendido por diferentes 
perspectivas, tanto como um modo de organização do processo de trabalho para ampliação do 
acesso e organização da demanda espontânea, assim como uma postura ético-política dos(as) 
profissionais, ao estabelecerem vínculo de cuidado com as usuárias, com respeito à autonomia das 
pessoas e consideração das necessidades, desejos e interesses dos atores envolvidos no cuidado. 
Sendo assim, incluir o acolhimento com escuta qualificada como princípio básico das ações dos 
profissionais de saúde tem por objetivos:6, 7 
\u2022	a melhoria do acesso das usuárias aos serviços de saúde, modificando a forma tradicional 
de entrada por filas e a ordem de chegada;
\u2022	a humanização das relações entre profissionais de saúde e usuárias no que se refere à 
forma de escutar as usuárias em seus problemas e suas demandas;
\u2022	a mudança de objeto (da doença para o sujeito);
\u2022	a abordagem integral a partir de parâmetros humanitários de solidariedade e cidadania;
\u2022	o aperfeiçoamento do trabalho em equipe, com a integração e a complementaridade das 
atividades exercidas por categoria profissional, buscando-se orientar o atendimento das 
usuárias nos serviços de saúde pelos riscos apresentados, pela complexidade do problema, 
pelo acúmulo de conhecimentos, saberes e de tecnologias exigidas para a solução;
\u2022	o aumento da responsabilização dos(as) profissionais de saúde em relação às usuárias e 
a elevação dos graus de vínculo e confiança entre eles; e
\u2022	a operacionalização de uma clínica ampliada que implica a abordagem da usuária para além 
da doença e suas queixas, bem como a construção de vínculo terapêutico para aumentar 
o grau de autonomia e de protagonismo dos sujeitos no processo de produção de saúde.
Ainda no detalhamento da categoria \u201cAcolhimento com escuta qualificada\u201d, foi utilizado como 
referencial o conceito de \u201cmotivos de consulta\u201d (MC) da Classificação Internacional de Atenção 
Primária (CIAP) \u2013 incorporado pelo Ministério da Saúde (MS) no Prontuário Clínico do Cidadão 
(PEC) do Sistema e-SUS da Atenção Básica (e-SUS AB) \u2013, adaptado nos Protocolos da Atenção 
Básica como \u201cmotivos de(o) contato\u201d.8, 9 Em analogia ao conceito de MC, o motivo de contato se 
refere a qualquer razão, fator ou motivação que leve a um encontro entre profissional de saúde e 
usuário, com ênfase na demanda apresentada pelo usuário ao serviço de saúde, nas necessidades 
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MINISTÉRIO DA SAÚDE / INSTITUTO SÍRIO-LIBANÊS DE 
ENSINO E PESQUISA
apresentadas pelas pessoas que buscam cuidado: \u201cpoderá se tratar de sintomas ou queixas 
[...], doenças conhecidas [...], pedidos de exames de diagnóstico ou preventivos [...], pedido de 
tratamento [...], conhecer os resultados de testes, ou por razões administrativas [...]\u201d.8 
A adoção do termo \u201cmotivo de contato\u201d deve-se ao fato de os Protocolos da AB contemplarem 
amplo leque de ações em saúde, realizadas por diferentes profissionais e que não se restringem a 
consultas, embora as contemplem. Além disso, favorece que não seja feita a vinculação direta, sem 
a interpretação conjunta entre profissional e usuária, entre a demanda dos sujeitos e a necessidade 
de uma consulta como solução daquela. Importante parcela do cuidado prestado na Atenção 
Básica \u2013 resolutivo, ampliado e adequado às necessidades das pessoas \u2013 é realizada em ações 
extraconsultório, como nas visitas domiciliares, atividades em grupos, espaços de educação em 
saúde, ações coletivas e intersetoriais, bem como no próprio acolhimento à usuária nos serviços de 
saúde. 
De forma geral, as categorias dos quadros-síntese, dispostas nas linhas, foram inspiradas nas 
notas de evolução (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano \u2013 SOAP), do modelo de Registro Clínico 
Orientado para o Problema (RCOP) \u2013 ou Prontuário Orientado para o Problema e para a Evidência 
(Pope) \u2013, também adotado pelo Ministério da Saúde no PEC do e-SUS AB.9,