Imputação Objetiva    Damásio de Jesus
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Imputação Objetiva Damásio de Jesus


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objetiva en el Derecho Penal, introdução à obra de CLAUS ROXIN, 
La imputación objetiva en el Derecho Penal, trad. Manuel A. Abanto Vásquez, Lima, IDEM- 
SA, 1997, p. 23; HORACIO ROLDÁN BARBERO, Adecuación social y teoria jurídica dei 
delito, Córdoba, Universidad de Córdoba, 1992, p. 109.
175. Nesse sentido: CLAUS ROXIN, Reflexões sobre a problemática da imputação em 
Direito Penal, in Problemas fundamentais de Direito Penal, trad. Ana Paula dos Santos Luís 
Natscheradetz, Lisboa, Vega, 1986, p. 150 e 151; CLAUS ROXIN, La imputación objetiva 
en el Derecho Penal, trad. Manuel A. Abanto Vásquez, Lima, IDEMSA, 1997, p. 98.
176. Introducción a la imputación objetiva, Bogotá, Centro de Investigaciones de De­
recho Penal y Filosofia dei Derecho, Universidad Externado de Colombia, 1996, p. 71, n. 3 .0 
exemplo pode variar, lançando o sujeito na represa um alfinete ou uma pedrinha. Pergunta- 
se: se tivesse errado o alvo, lançando a pedrinha ou o alfinete fora da água, haveria tentativa 
de crime de inundação?
177. HORACIO ROLDÁN BARBERO, Adecuación social y teoria jurídica dei delito, 
Córdoba, Universidad de Córdoba, 1992, p. 109.
178. MUNOZ CONDE, Introducción al Derecho Penal, Barcelona, 1975, p. 59.
179. NILO BATISTA, Introdução critica ao Direito Penal brasileiro, Rio de Janeiro, 
Revan, 1990,p .87.
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modo que o direito repressivo não deve intervir quando a lesão jurídica é 
mínima, reservando-se para as ofensas graves.
O princípio da insignificância tem sido adotado na jurisprudência em 
casos de: 1) furto de bagatela180; 2) lesões corporais mínimas181; 3) maus- 
tratos182; 4) porte mínimo de maconha183; 5) delito tributário184; 6) estelio­
nato de bagatela185; 7) contrabando e descaminho de pequena monta186; 8) 
dano de pequena monta187; 9) crime contra o meio ambiente188.
A insignificância juríd ica do resultado conduz à atipicidade do 
fato189.
14.2. Diminuição do risco
Princípio:
Não há imputação objetiva da conduta ou do resultado quando o su­
jeito age com o fim de diminuir o risco de maior dano ao bem jurídico.
180. JTACrimSP, 69:441; STJ, 6a Turma, RHC 4311, rei. Min. Vicente Cemicchiaro, 
DJU, 19 jun. 1995, p. 18751; TACrimSP, ACrim 262.549, JTAERGS, 69:101 e 79:25; RT, 
582:386; BMJTACrimSP, 10:8.
181. JTACrimSP, 69:442 e 75:336; STJ, 5a Turma, RHC 3.557, DJU , 2 maio 1994, p. 
10016, tratando de lesão culposa levíssima; RT, 705:381 e 713:363; RSTJ, 59:107; RJDTA­
CrimSP, 6:106; JTAERGS, 57:112.
182. JTACrimSP, 75:44 e RT, 725:613.
183 .RJTJRS, 127:51.
184. TRF, Ia Reg., RCrim 01.00.945468-6, DJU, 6 abr. 1998, p. 281.
185. RTy 773:361.
186. TRF, Ia Reg., 3a Turma, ACrim 94.02.03892, EJTRFy Brasília, v. 1,5:76; TRF, Ia 
Reg., Porto Alegre, ACrim 940.407.385, DJU, 3 ago. 1994, p. 41161; TRF, Ia Reg., Brasília, 
ACrim 940.107.888, DJU, 8 ago. 1994, p. 41781; TRF, 3a Reg., São Paulo, PTurrna, ACrim 
96.03.057751-0, rei. Juiz Sinval Antunes, j. 30-9-1997, valor da mercadoria: US$ 772,59, 
Revista do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Brasília, Ministério da 
Justiça, Imprensa Nacional, jan/jun. 1997, n. 9, v. l , p . 133.
187. TACrimSP, ACrim 614.803, RJDTACrimSP, 9:75 e 76.
188. RTy 747:11%.
189. Nesse sentido: CEZAR ROBERTO BITENCOURT, Lições de Direito Penal, 
Porto Alegre, Livr. do Advogado Ed., 1995, p. 40; Manual de Direito Penal, Parte Geral, 
São Paulo, Revista dos Tribunais, 1995, p. 258; LUIZ FLÁVIO GOMES, Tendências polí- 
tico-criminais quanto à criminalidade de bagatela, Revista Brasileira de Ciências Criminais, 
São Paulo, Revista dos Tribunais, n. especial de lançamento, dez. 1992, p. 94, n. 1, a. No 
mesmo sentido, na jurisprudência: STJ, 6a Turma, RHC 4.311, rei. Min. Vicente Cemicchia­
ro, DJU, 19 jun. 1995, p. 18751; STJ, 6a Turma, REsp 112.600, rei. Min. Vicente Cemic­
chiaro, DJU, 17 ago. 1998, p. 96; RT, 727:60V, 733:519; RJDTACrimSP, 7:216.
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O agente causa um dano menor ao objeto jurídico para lhe evitar um 
maior. Não cria e nem aumenta o perigo juridicamente reprovável à objeti­
vidade protegida. Ao contrário, atua para reduzir a intensidade do risco de 
dano. Efeito: atipicidade da conduta190.
Exemplo:
CASO DO ATIRADOR DE PEDRAS. A atira uma pedra na direção 
da cabeça de B, com intenção de matá-lo. O arremesso, pela forma de exe­
cução, é mortal. C desvia a pedra com as mãos, vindo esta a atingir D, 
causando-lhe lesões corporais191.
Não resta dúvida de que subsiste uma tentativa de homicídio de A 
contra B. Quanto à responsabilidade pelas lesões corporais sofridas pela 
vítima D, de se considerar que, aplicando-se a teoria da causalidade material, 
encontram-se ligadas à conduta do interveniente: se o sujeito C não tivesse 
interferido, D não sofreria ferimentos. De ver-se, contudo, que não se mos­
tra justa a incriminação de C pelos ferimentos produzidos em D. A norma 
não proíbe condutas que reduzem o risco de dano a um bem jurídico: a 
interferência de C diminuiu o risco à vida de B. A que título, porém, C deve 
ser isento de responsabilidade: atipicidade por falta de dolo, exclusão de 
tipicidade do fato em face de ausência de imputação objetiva ou incidência 
de causa de justificação?
Para a teoria da imputação objetiva, como vimos, trata-se de atipici­
dade da conduta192. 0 assunto, entretanto, não é pacífico. MEZGER, p. ex., 
que incluía o dolo na culpabilidade, entendia inexistir culpabilidade por 
ausência de dolo: \u201cse a interferência\u201d do agente \u201ctinha por objeto salvar\u201d B 
\u201cda agressão, falta responsabilidade por ausência de culpabilidade\u201d193.
190. No sentido da atipicidade do resultado: SERGIO POLITOFF LIFSCHITZ, Dere­
cho Penal, Santiago, Editorial Jurídica Conesur, 1997, p. 272. No sentido da inexistência de 
imputação objetiva: L. DELPINO, Diritto Penale, Parte Generale, Napoli, Esselibri-Somo- 
ne, 1995,p . 153.
191. Exemplo encontrado em CLAUS ROXIN, Reflexões sobre a problemática da 
imputação em Direito Penal, in Problemas fundamentais de Direito Penal, trad. Ana Paula 
dos Santos Luís Natscheradetz, Lisboa, Vega, 1986, p. 149.
192. Nesse sentido: CLAUS ROXIN, Reflexões sobre a problemática da imputação em 
Direito Penal, in Problemas fundamentais de Direito Penal, trad. Ana Paula dos Santos Luís 
Natscheradetz, Lisboa, Vega, 1986, p. 149; CLAUS ROXIN, La imputación objetiva en el 
Derecho Penal, trad. Manuel A. Abanto Vásquez, Lima, BDEMSA, 1997, p. 96; CARLO 
FIORE, Diritto Penale, Parte Generale, Napoli, UTET, 1993,7:207.
193. Tratado de Derecho Penal, trad. José Arturo Rodriguez Munoz, Madrid, Revista 
de Derecho Privado, 1955,7:230 e 231.
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Não estaríamos em face de hipótese de aberratio ictus (CP, art. 73)?
Cremos que não, uma vez que no delito aberrante o agente atinge 
pessoa diversa \u201cda que pretendia ofender\u201d .
O agente não se encontraria acobertado por uma causa excludente da 
ilicitude, como o estado de necessidade?
De ver-se que, aceitando a idéia da incidência de uma causa excluden­
te da ilicitude, seja legítima defesa ou estado de necessidade de terceiro, 
estaríamos acatando haver C cometido um fato típico (cumprido o tipo 
objetivo), exatamente o que se pretende afastar194. Daí a solução da redução 
do risco, afastando a tipicidade. O Direito Penal não pode considerar típica 
a conduta do interveniente195. Como diz CARLO FIORE, o reconhecimen­
to da atipicidade toma supérflua a indagação sobre a existência de uma 
causa de justificação196.
Outro exemplo:
SALVANDO A RESERVA ECOLÓGICA. Imagine-se que um fazen­
deiro, ante a aproximação de um incêndio devastador, coloque fogo num 
bosque de sua propriedade com intenção de evitar que aquele alcance uma 
grande reserva ecológica. Causou um dano menor para impedir um maior. 
O evento jurídico menos grave não lhe pode ser imputado no plano da tipi­
cidade, deixando de responder por crime contra o meio ambiente (art. 41 
da Lei n. 9.605, de 12 de fevereiro de
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