Anatoliy Golitsyn   Novas Mentiras Velhas
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Anatoliy Golitsyn Novas Mentiras Velhas


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da 
64 Denis Warner, \u201cHurricane from China\u201d (Nova York: Macmillan, 1961), 
p.123 
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desinformação; este não é sacrificável. Já os segredos militares, 
científicos e tecnológicos, econômicos e de contra-espionagem, 
são secundários e formam um reservatório do qual pode ser 
extraída informação dispensável para propósitos estratégicos, 
particularmente se houver razões para acreditar que essa 
informação possa já ter sido exposta por vazamentos genuínos ou 
por meios técnicos. Por exemplo, as identidades de agentes 
secretos, que por uma razão ou outra, tenham se tornado 
descartáveis para o lado comunista, podem ser entregues através 
dos préstimos de uma outra fonte, na qual os comunistas queiram 
que o Ocidente passe a confiar. A boa-fé de fontes ocidentais 
secretas ou de desertores do lado comunista, não fica 
automaticamente estabelecida pelo simples fornecimento de 
grande quantidade de informações sobre assuntos militares, 
econômicos, científicos, tecnológicos ou de contra-espionagem, ou 
ainda porque dão vazão a espetaculares repúdios e condenações 
públicas do comunismo. Um critério mais importante é o que 
essas fontes e desertores têm a dizer a respeito da política de longo 
alcance e sobre o uso da desinformação. O número de líderes, 
autoridades, altos funcionários e intelectuais comunistas que tem 
conhecimento total do escopo e escala do programa de 
desinformação é bastante limitado, mas o número daqueles que 
participam de um ou outro de seus aspectos, é bastante grande. A 
maioria das fontes secretas ou de desertores, se é que eles de fato 
transferiram a sua lealdade ao Ocidente, deveria ao menos ter algo 
valioso a dizer sobre as técnicas comunistas nesse campo, mesmo 
que eles próprios não percebam a significância completa do que 
sabem. 
 Ao avaliar informações técnicas e científicas que chegam ao 
Ocidente, deve ser dada a devida atenção ao fato de que Shelepin, 
em seu relatório de maio de 1959 e nos artigos dirigidos aos 
membros da KGB na Chekist, conclamava à preparação de 
operações de desinformação destinadas a confundir e desorientar 
os programas científicos, tecnológicos e militares do Ocidente; a 
provocar mudanças nas prioridades ocidentais; e a envolver o 
Ocidente em linhas de pesquisa e desenvolvimento caras, inúteis e 
ineficazes. Dessa forma, é de se esperar que as informações 
disponíveis no Ocidente acerca dos projetos espaciais soviéticos, 
dos sistemas de armas, de estatísticas militares e sobre 
desenvolvimentos científicos e tecnológicos soviéticos, contenham 
elementos de desinformação. 
 Saber que um programa de desinformação total está em 
operação e que o lado comunista está bem ciente do interesse 
ocidental em interceptar suas comunicações, implica também em 
saber que os indícios derivados de comunicações comunistas feitas 
em linguagem clara ou usando códigos e cifras frágeis e de 
interpretação relativamente fácil, são particularmente suspeitos. De 
fato, deveriam ser tratados da mesma maneira que os indícios 
oriundos de fontes comunistas oficiais. De acordo com a imprensa 
ocidental, pelo menos parte dos indicativos sobre baixas na 
\u201cguerra\u201d sino-vietnamita em 1979, encaixava-se nessa categoria. 
A Nova Metodologia e as Fontes Comunistas
 Todas as fontes comunistas estão permanentemente 
disponíveis para o uso como canais de desinformação; todas 
devem amoldar-se ao padrão corrente se é para ser mantida a 
credibilidade do próprio padrão. Não obstante, é possível 
distinguir aquelas fontes que têm mais ou menos probabilidade de 
uso para a condução de desinformação ao Ocidente e aquelas que 
têm mais ou menos probabilidade de conter informações 
reveladoras sobre a implementação da política de longo alcance. 
Fontes Comunistas Oficiais 
Começando pelas declarações e decisões oficiais 
decorrentes dos encontros comunistas internacionais, aqueles do 
período de 1957 à 1960 são de fundamental importância, não 
apenas porque foi o período da formulação e adoção da política de 
longo alcance, mas também por causa da natureza da política 
mesma. Um elemento essencial nela contido era o de que sua 
existência e modus operandi não deveriam ser percebidos no 
Ocidente. Era de se esperar, portanto, que uma vez adotada, as 
declarações subseqüentes sobre diretivas políticas tenham sido 
menos reveladoras dos objetivos de longo alcance e dos métodos 
para atingi-los do que aqueles documentos fundamentais do 
período de formulação da política. Entre esses, deveriam ser 
incluídos os documentos do congressos dos partidos comunistas do 
bloco em 1957, do 21.o Congresso do PCUS em janeiro-fevereiro 
de 1959 e o relatório estratégico de Krushchev, emitido em 6 de 
janeiro de 1961. 
 A maioria dos analistas ocidentais, baseando-se largamente 
em evidências retrospectivas acerca de desacordos durante o 
Congresso dos Oitenta e Um Partidos, concluiu que as decisões 
desse congresso representavam uma acomodação entre as posições 
conflitantes de vários partidos comunistas, os quais assinaram o 
Manifesto com variados graus de relutância ou de disposição de 
permanecer fiéis às decisões do congresso. Esta conclusão estava 
incorreta. 
 O congresso durou várias semanas. Não há dúvida de que 
muitos partidos diferentes falaram abertamente sobre muitas visões 
diferentes, pois tinham todo o direito de assim fazê-lo, de acordo 
com os princípios leninistas de centralismo democrático, mas tudo 
isso antes que a política tivesse sido adotada. Uma vez que as 
discussões foram concluídas e a política foi ratificada por decisão 
da maioria, todos os países signatários do Manifesto assumiram o 
sério compromisso de trabalhar pela implementação da política. 
Qualquer partido que tivesse discordado seriamente das decisões 
do congresso não teria assinado o Manifesto e teria sido levado ao 
ostracismo pelo movimento comunista internacional. Qualquer 
partido desejoso em manter sua posição no movimento deveria 
demonstrar que fez esforços consistentes para levar as decisões do 
congresso a efeito. Se os partidos comunistas em geral não 
levassem a sério as decisões das mais altas instâncias de 
autoridade do movimento e não se esforçassem denodadamente 
para implementá-las, não seriam os entes políticos disciplinados e 
eficazes como são de fato conhecidos. O elemento de 
determinismo político não deveria ser menosprezado ou 
descartado, considerando aquilo que foi diariamente revelado nas 
declarações e ações dos partidos comunistas dentro e fora do bloco 
e nos procedimentos dos congressos nacionais dos respectivos 
partidos durante os últimos vinte anos e na implementação da 
política e de suas estratégias concomitantes. 
 Ao aceitar a evidência de que o Congresso dos Oitenta e 
Um Partidos significava um marco na falta de unidade do mundo 
comunista, ao invés do exatamente oposto, os analistas ocidentais, 
sem ter ciência do programa de desinformação, cometeram um 
erro fundamental, sobre o qual os estrategistas comunistas tiveram 
facilidade em desenvolver as suas estratégias mais importantes 
para a Europa, o Terceiro Mundo e para os campos militar e 
ideológico. Muito em função desse erro, \u201cevidências\u201d posteriores 
sobre a falta de unidade comunista, oriundas de fontes comunistas 
oficiais, foram aceitas facilmente no Ocidente pelo seu valor 
nominal. 
 Considerando que o programa de desinformação é dirigido 
prioritariamente (mas não exclusivamente) ao mundo nãocomunista, 
é imperativo distinguir aqueles discursos, publicações e 
transmissões que são destinados prioritariamente ao público 
comunista daqueles destinados prioritariamente ao público nãocomunista. 
Obviamente, é provável que a segunda categoria 
contenha mais desinformação que a primeira. Não é possível 
ocultar totalmente uma política e a sua implementação exatamente 
daqueles de quem se espera que a coloquem em prática. Por
Helmonth
Helmonth fez um comentário
Oi! como faço pra baixar o pdf?
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