Licitação Passo a Passo   Sidney Bittencourt   2014
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Licitação Passo a Passo Sidney Bittencourt 2014


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houver projeto executivo com-
pleto, com caracterização da obra e quantificação precisa dos seus custos, permitindo a 
formulação de proposta com preços definitivos para o empreendimento concluído. O 
parcelamento do pagamento não descaracteriza o preço global. nestes termos, devem 
ser suportadas por ambas as partes, a cada liquidação parcial realizada, nos limites 
do risco avençado presumível, sem se caracterizar desequilíbrio econômico-financeiro 
das prestações reciprocamente avaliadas, ou coisa que o valha, as quantidades gas-
tas em desproporção com o especificado na Planilha de Custos, porém, como visto, 
tratando-se de contrato avençado pelo resultado material final, remunera-se obra 
acabada. portanto, se a empreitada é por preço global, ainda que as partes ajustem 
o pagamento em parcelas, com medições do que já foi executado, o preço é fixo. Daí 
só ser admitida a empreitada por preço global se houver projeto executivo completo, 
com caracterização da obra e quantificação precisa dos seus custos, permitindo a 
formulação de proposta com preços definitivos para o empreendimento concluído. 
o parcelamento do pagamento não descaracteriza o preço global.190
tem absoluta razão Marcos Juruena ao observar que se a administra-
ção tem ciência da natureza do objeto pretendido, mas não pode precisar 
suas quantidades, o ideal seria adotar o regime de empreitada por preço 
unitário, uma vez que, não conhecendo a natureza das despesas, caberia o 
regime da administração contratada, na qual há repartição dos riscos, vetada 
na Lei nº 8.666/93. 
note-se que, quanto menos a administração conhece os detalhes da obra, maior é a 
transferência de riscos para o contratado, ocasionando a elevação do preço. contratar 
nessas condições pode representar violação do dever de probidade administrativa, 
ou, por outro lado, a única maneira de ser atendido o interesse público gerido por 
uma estrutura pública pouco aparelhada.191
190 souto. Direito administrativo contratual: licitações, contratos administrativos, p. 330. 
191 souto. Direito administrativo contratual: licitações, contratos administrativos, p. 332. 
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4 a \u201cadministração contratada\u201d vetada por ato presidencial
dentre as formas listadas, constava do texto original do estatuto uma 
quinta: a \u201cadministração contratada\u201d. Consoante a definição que lhe dava 
a Lei, essa forma se daria quando a administração contratasse, excepcio-
nalmente, a execução da obra ou do serviço mediante reembolso de todas 
as despesas incorridas para a sua execução e pagamento de remuneração 
ajustada para os trabalhos de administração. 
tendo sido alcançada por veto presidencial, a nosso ver em boa hora, 
a \u201cadministração contratada\u201d não mais existe no ordenamento jurídico 
público brasileiro.
em parecer emitido em 1993, já comentamos os malefícios que tal 
regime trazia para a administração pública, diante de uma oportunista 
utilização por vários setores públicos:
Insta acrescentar que, apesar da definição legal de Administração Contratada, na 
verdade, para não afrontar o princípio de licitação, é defeso à contratada comprar 
em nome da administração pública. tal contrato administrativo é aquele em que, 
repito, defere-se a terceiro a incumbência de orientar e superintender a execução da 
obra ou serviço, ou seja, o particular contratado \u2014 que não tem vínculo empregatício 
algum com a administração \u2014 participa com a direção dos serviços, com o know-
how e com toda a responsabilidade técnica (é o régisseur do direito francês, ou seja, o 
\u201cadministrador\u201d tão-somente).
sobre a questão, convém transcrever as \u201crazões do veto\u201d, conforme 
se manifestou a advocacia-Geral da união:
a experiência tem demonstrado que a execução indireta, nos regimes de administração 
contratada, envolve a assunção de elevadíssimos riscos pela administração, que é 
obrigada a adotar cuidados extremos de fiscalização, sob pena de incorrer em elevados 
prejuízos em face do encarecimento final da obra ou serviço.
como é sabido, nesse regime de execução interessa ao contratado, que se remunera 
à base de um percentual incidente sobre os custos do que é empregado na obra ou 
serviço, tornar esses custos os mais elevados possíveis, já que, assim, também seus 
ganhos serão maximizados.
por outro lado, parece-me induvidoso que, diante da sistemática de planejamento e 
orçamentos públicos instituída pela constituição de 1988, não mais é legítimo admitir-
se a execução da obra ou serviço cujo custo total não esteja prévia e criteriosamente 
fixado, com sua inclusão tanto no orçamento anual quanto no plano plurianual.
tais dispositivos, portanto, se mostram contrários ao interesse público.
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Art. 11. As obras e serviços destinados aos mesmos fins terão projetos padronizados por tipos, 
categorias ou classes, exceto quando o projeto-padrão não atender às condições peculiares do 
local ou às exigências específicas do empreendimento.
Artigo 11
1 obras e serviços com projetos padronizados
este artigo, que repete na íntegra o texto do art. 10 do decreto-Lei 
nº 2.300/86 (que, por sua vez, repetia a Lei paulista nº 6.544/89), procura 
dar racionalidade administrativa às obras e serviços, indicando a adoção 
de projetos padronizados por tipos, categorias ou classes.
É inconteste que a adoção de um projeto-padrão na realização de 
obras e serviços destinados aos mesmos fins é um passo acertado. Um bom 
exemplo verifica-se no projeto favela-bairro na cidade do Rio de Janeiro,192 
ou o projeto de construção de cieps,193 no estado do rio de Janeiro, onde a 
padronização constitui fator de economicidade e funcionalidade.
apesar de o estatuto estabelecer como regra o uso desses projetos, a 
adoção sem cautela determina um enorme risco ao princípio da competiti-
vidade, pois, ao definir o padrão a ser adotado, a Administração exclui de 
pronto a possibilidade de contratação de todos que não estejam em condições 
de executar o objeto padronizado. portanto, como assevera Marçal Justen, 
tal significa que a mera invocação da necessidade de padronizar não seria 
suficiente para adotar certo padrão.194 
Logo, nessa seara, evidencia-se que a administração deverá demons-
trar que o padrão a ser adotado representa efetivamente a melhor solução 
192 sobre o projeto, vide a publicação \u201co rio de Janeiro e o Favela-Bairro\u201d.
193 os centros integrados de educação pública (cieps), faziam parte de um excepcional projeto educa-
cional de autoria do antropólogo darcy ribeiro que, pessoalmente, o considerava \u201cuma revolução na 
educação pública do país\u201d. projeto implantado inicialmente no estado do rio de Janeiro, ao longo dos 
dois governos de Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994), tinha como objetivo oferecer ensino público de 
qualidade, em período integral, aos alunos da rede estadual. o horário das aulas estendia-se das 8 às 17 
horas, oferecendo, além do currículo regular, atividades culturais, estudos dirigidos e educação física. 
os cieps forneciam refeições completas a seus alunos, além de atendimento médico e odontológico. 
a capacidade média de cada unidade era para mil alunos. o projeto objetivava, adicionalmente, tirar 
crianças carentes das ruas, oferecendo-lhes os chamados \u201cpais sociais\u201d, funcionários públicos que, neles 
residentes, cuidavam de crianças também ali residentes. os governos que sucederam aos de Brizola não 
deram continuidade administrativa ao projeto, desvirtuando-lhe a sua principal característica: o ensino 
integral. desse modo, as unidades construídas e operacionais tornaram-se escolas comuns, com o ensino 
em turnos. as demais, parcialmente concluídas, foram simplesmente abandonadas, assim como desati-
vada e desmontada a instalação que produzia
Shayane
Shayane fez um comentário
Ei boa noite, será que tem como vc enviar o arquivo por email? shayane.sas@gmail.com, ou me chama para conversar.
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Shayane
Shayane fez um comentário
Ei boa noite, será que tem como vc enviar o arquivo por email? shayane.sas@gmail.com, ou me chama para conversar. Vc vai me ajudar demais
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danielle
danielle fez um comentário
poderia me enviar? o link n esta funcionando...
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Adriano
Adriano fez um comentário
a d r i a n o f o n t a n e l l i @ h o t m a i l . c o m. Pode me enviar o arquivo?
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