DIREITO PENAL   Conceito de crime, tipos de culpa e dolo (RESUMÃO)
18 pág.

DIREITO PENAL Conceito de crime, tipos de culpa e dolo (RESUMÃO)


DisciplinaDireito Penal I75.972 materiais1.270.637 seguidores
Pré-visualização6 páginas
DIREITO PENAL - RESUMÃO P.2
CONCEITO DE CRIME
Nosso atual CP não nos fornece um conceito de crime, somente diz em sua Lei de Introdução que é reservada uma pena de reclusão ou detenção ao crime, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. 
Todavia, há um conceito doutrinário de crime, que pode ser dividido sob 3 aspectos: formal, material e analítico.
Sob o aspecto formal, crime seria toda conduta que atentasse e colidisse frontalmente contra a lei penal editada pelo Estado.
Sob o aspecto material, conceituamos o crime como qualquer conduta que viola os bens jurídicos mais importantes.
Como se percebe, os conceitos formal e material não traduzem o crime com precisão, pois não conseguem defini-lo. Surge, portanto, o conceito analítico, que realmente analisa as características e elementos que compõem a infração penal. O crime, na concepção analítica, é toda ação típica (tipicidade), ilícita (ou antijurídica) e culpável. Ausentes qualquer um desses elementos, não há configuração de crime.
Como vimos, no conceito analítico, para que se possa falar em crime é preciso que o agente tenha praticado uma ação típica, ilícita e culpável. O crime é, certamente, um todo unitário e indivisível. Ou o agente comete o delito (típico para o direito penal, ilícito e culpável) ou o fato por ele praticado será considerado um indiferente penal.
O fato típico (a conduta típica) é a ação ou omissão promovida pelo seu autor e prevista em lei como crime.
A ilicitude, expressão sinônima de antijuridicidade, é aquela relação de contrariedade, de antagonismo, que se estabelece entre a conduta praticada e o ordenamento jurídico. Caso o agente tenha manifestado sua conduta, a licitude ou juridicidade é encontrada por exclusão, isto é, somente será lícita a conduta se o agente houver atuado amparado por uma das causas excludentes da ilicitude, previstas no art. 23 do CP.
Em outras palavras, a antijuridicidade se verifica quando se estabelece uma relação de antagonismo entre a conduta do autor e a norma jurídica, que se caracteriza quando não verificadas as circunstâncias excludentes da ilicitude.
Nesse contexto, indagamos o que seria delito: é uma conduta humana individualizada mediante um dispositivo legal (tipo: homicídio, abandono de incapaz, furto, roubo, etc.) que revela sua proibição (pois é uma ação típica para o Direito Penal), que por não estar permitida por nenhum preceito jurídico (causa de justificação) é contrária ao ordenamento jurídico (antijurídica) e que, por ser exigível do autor que atuasse de outra maneira nessa circunstância, lhe é reprovável (culpável).
A culpabilidade, por sua vez, ocorre quando é possível opor ao autor do fato a responsabilidade penal pelo que praticou. Aqui se verifica se o autor é imputável, tem potencial consciência da ilicitude e, na ocasião do fato, teve a possibilidade de realizar conduta diversa.
A culpabilidade deve ser entendida como condição para a imposição da pena.
CONDUTA
A ação ou conduta compreende qualquer comportamento humano comissivo (positivo) ou omissivo (negativo), podendo ser ainda dolosa (quando o agente quer ou assume o risco de produzir o resultado) ou culposa (quando o agente infringe o seu dever de cuidado, atuando com negligência, imprudência ou imperícia).
 Conduta humana omissiva: o agente pratica o crime ao se omitir e esse seu \u201cnão fazer nada\u201d é que resulta em crime. Em outras palavras, o agente é punido por deixar de fazer algo que deveria ter feito (omissão de socorro, por exemplo).
 Conduta humana comissiva: é a forma mais comum, quando o agente efetivamente faz algo e esse \u201cfazer\u201d gera o crime. Em outras palavras, o agente é punido por fazer algo que a lei proíbe.
2.A - CONDUTAS DOLOSAS E CULPOSAS
Ao autor da prática do fato podem ser imputados dois tipos de condutas: dolosa ou culposa. Ou o agente atua com dolo (quando quer diretamente o resultado ou assume o risco de produzi-lo) ou age com culpa (quando dá causa ao resultado em virtude de sua imprudência, imperícia ou negligência).
OBS: na ausência da conduta dolosa ou culposa, afasta-se a tipicidade.
Quando alguém quer cometer um delito ou assume o risco de cometê-lo, ele estará agindo dolosamente. Mas se ele cometeu o crime apenas por negligência, imprudência ou imperícia, ele estará agindo culposamente.
Assim, se Pedrinho dá um tiro em Zezinho, ele agiu dolosamente, pois quis matá-lo. Se pega um revólver, retira a metade dos projéteis, coloca-o contra a cabeça de Zezinho e diz que vai brincar de roleta-russa, aperta o gatilho e o mata, ele pode até não ter querido matá-lo, mas assumiu o risco de fazê-lo e, por isso, terá agido dolosamente, pois ninguém em sã consciência brinca de roleta-russa sem saber que está assumindo o risco de fazer a arma disparar.
Por outro lado, se Mariazinha deixa seu revólver cair da bolsa sem querer, e ao bater no chão ele dispara e mata Rosinha, ela não desejou e nem assumiu o risco de matar Rosinha, mas agiu com imprudência, pois ninguém deveria andar com uma arma destravada em uma bolsa.
IMPERÍCIA é quando alguém que deveria dominar uma técnica não a domina. É o caso do médico que erra na hora de suturar um paciente. Depois de seis anos estudando medicina, ele deveria saber suturar. Se não sabe, é imperito.
NEGLIGÊNCIA é quando aquele que deveria tomar conta para que uma situação não aconteça, não presta a devida atenção e a deixa acontecer. É o caso da mãe que deveria tomar conta do neném quando está dando banho nele, vai atender o telefone e o neném acaba se afogando. Ela não queria e nem assumiu o risco de matá-lo, mas não tomou conta o suficiente para evitar sua morte.
IMPRUDENTE é a pessoa que não toma os cuidados que uma pessoa normal tomaria. É a pessoa que, ao dar marcha-ré com o carro, esquece de olhar para trás e acaba atropelando alguém.
Como a separação entre imprudência, negligência e imperícia é, às vezes, muito tênue, a lei não faz diferenciação entre essas três formas de agir. Todas são consideradas formas culposas de agir.
Quando estamos diante de uma lei penal, temos que tomar cuidado para diferenciar o dolo da culpa. Primeiro, porque as punições contra as modalidades dolosas são bem mais severas, pois o agente quis o resultado e, segundo, porque a regra é que todo delito é punido apenas na forma dolosa (eles não são punidos quando a pessoa o cometeu sem querer). Apenas quando a lei diz especificamente que aquele crime também é punido na modalidade culposa é que ele poderá ser punido mesmo se o agente não o quis cometer ou não assumiu tal risco. 
É o caso do homicídio, por exemplo. O art. 121 do Código Penal diz que quem matar alguém será sentenciado entre 6 e 20 anos de prisão. Como o artigo não falou nada, deduz-se que essa punição é para a modalidade dolosa. Mas no §3º do mesmo artigo ela diz: \u201cse o homicídio é culposo \u2013 detenção de 1 a 3 anos\u201d. Justamente porque disse que o homicídio também é punível na modalidade culposa é que existe o homicídio culposo. 
Já o art. 155, por exemplo, diz que quem furtar será apenado com 1 a 4 anos de reclusão. Como não há menção à modalidade culposa, ninguém pode ser condenado por furto se pegou um bem móvel sem querer e o levou para casa.
A regra para o CP é de que todo crime seja doloso, somente sendo punida a conduta culposa quando houver previsão legal expressa, conforme determina o § único do art. 18: \u201cSalvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente\u201d.
Assim, se alguém no interior de uma loja de departamentos derrubar uma prateleira de cristais agindo com imprudência, embora tenha a obrigação de reparar os prejuízos causados, não estará sujeito a sanção alguma de natureza penal, uma vez que o CP somente fez previsão para a conduta dolosa dirigida à destruição, deterioração ou inutilização de coisa alheia (art. 163) propositadamente.
O advogado que pede a absolvição de um homicídio porque o réu não o quis cometer está cometendo uma grande bobagem, pois este fato apenas o descaracteriza
D&G
D&G fez um comentário
Excelente Contribuição !
0 aprovações
Carregar mais