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Jean Carlos Almeida Damasceno Projeto de Pesquisa

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por crianças menores de 15 anos que trabalham ou se empregam com o objetivo de ganhar o próprio sustento e o de suas famílias qualquer que seja sua condição laboral. No entanto, uma segunda definição, chamada de ampliada, estabelece como trabalho infantil qualquer atividade que não seja educativo-formativa, nem lúdica, com uma finalidade econômica, impedindo assim a freqüência à escola, a convivência da criança com seus pares, e prejudicando seu desenvolvimento biopsicossocial.
Ainda sobre o conceito de trabalho infantil, Kassouf (2004) diz que até a própria definição de infância difere de um país para outro, assim como a idéia relacionada ao trabalho da criança. E que é importante fazer a distinção entre trabalho infantil e exploração de mão de obra infantil, pois não há consenso entre cientistas e sociedade civil organizada, se algum tipo de trabalho durante a infância pode ser considerado educativo.
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 (art. 7º, XXXIII) admite o trabalho a partir dos 16 anos, defeso, entretanto nos casos de trabalho noturno, perigoso ou insalubre, nos quais a idade mínima se dá aos 18 anos. A Constituição admite, também, o trabalho a partir dos 14 anos (art. 227, § 3º, I), mas somente na condição de aprendiz (art. 7º, XXXIII)
Nesse passo, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, garante ao trabalhador adolescente entre 14 e 18 anos algumas vantagens, detalhadas em seu Capítulo IV (artigos 402 a 441), são elas: a proibição do trabalho em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social, e em horários e locais que não permitam a freqüência na escola (art. 403, § único); e ainda concede ao trabalhador estudante menor de 18 anos, o direito de fazer coincidir suas férias com as férias escolares (art. 136, § 2º).
De certo é que quando o sujeito (de direitos) é inserido no mercado de trabalho precocemente enseja a não realização as atividades concernentes à aptidão físico, cognitivo, emocional, social e moral da criança. Ademais, destaca-se que a criança exposta a esse tipo de exploração sofre lesões que tende a carregar para o resto da vida.
Nesse tom, é consenso na literatura que esse movimento de inserção de crianças e adolescentes em atividades laborais é produto de fatores de diversas ordens, e, por conseguinte, gera malefícios de várias espécies, dentre os culturais, políticas, econômicas, além do fator saúde, já que o impacto do trabalho precoce na saúde da criança e adolescentes são de graus elevados.
Uma das implicações mais diretas do trabalho infantil é a situação de pobreza. Moreira Lima (1997, p. 23) afirma: “O Trabalho Infantil tem a ver, sim, com toda essa crise [...] a criança que é obrigada a trabalhar não está solta no espaço, ela faz parte de uma família pobre e desestruturada”. O mesmo autor, sugere que o resultado da grande apartação social, enorme fosso que divide aqueles que concentram rendas, riquezas e terras e os que nada possuem (...) também resulta da incapacidade histórica dos poderes públicos de absorver esta criança no sistema educacional e de proporcionar aos adultos oferta de trabalho. 
Consoante Silva J. Ferreira Júnior e Antunes (2002) lecionam há duas características marcantes no trabalho infantil, sendo que a primeira se refere ao fato do trabalho ser predominante em atividades agrícolas e a segunda, a forte associação ao setor informal. Nesse passo, quando há concentração nos setores informais, o trabalho infantil torna-se distante da inspeção e do controle das instituições do Estado e órgãos fiscalizadores.
São, pois, amplas e inesgotáveis as possibilidades de ocorrência do trabalho infantil, e, em regra, a sua existência sempre poderá descortinar uma realidade de exploração, abuso e violência, perante a qual resolve-se refletir a responsabilidade (civil, penal, trabalhista, etc) da própria família, de beneficiários do labor desenvolvido e também do Poder Público.
METODOLOGIA 
O projeto fundamentar-se-á na pesquisa bibliográfica e, conseguinte, análise da legislação pertinente ao objeto de análise, quais sejam: Carta Magna vigente, Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como tratados internacionais ratificados pelo Brasil, utilizando para tanto, o método dedutivo. 
O itinerário metodológico será empreendido a partir de uma perspectiva crítica e dialética, pautado nas contradições (internas e externas) da vida social, in casu, na contradição entre direitos assegurados e ineficácia material dos mesmos a partir de seus fatores (econômicos, políticos e socioculturais) determinantes. 
Quanto aos procedimentos técnicos da pesquisa, compreendendo as estratégias de coletas de dados e consecução de possíveis resultados, procurar-se-á examinar bibliografia especializada, sobretudo, em meio eletrônico via Internet. Ou seja, documentos oficiais, publicações das mais diversas espécies (Livros, Teses, Artigos, Monografias, etc.) voltadas para a problemática do trabalho infantil, bem como estudos realizados pelos institutos de pesquisa oficiais, v.g., Ministério Público do Trabalho serão empregados para consubstancia o instrumental teórico da pesquisa. Além disso, visitas a instituições envolvidas com o combate ao trabalho infantil, de defesa da criança e do adolescente e entrevistas com representantes das mesmas instituições e autoridades competentes iram compor este trabalho.
 O material coletado será objeto de leitura minuciosa, em seguida, discutido junto com a professora orientadora para passar por um devido filtro intelectual. Finalmente, pretende-se elaborar de uma cartilha de caráter educativo e formadora de opinião a ser disponibilizada ao público em geral.
RECURSOS
Para o desenvolvimento deste projeto contamos com os espaços propícios para o aperfeiçoamento de pesquisas científicas, quais sejam: bibliotecas públicas; laboratórios de informática com pleno acesso à internet; etc. Contudo, espera-se, a colaboração, especialmente a financeira quanto à elaboração e distribuição de cartilhas educativas, de entes (públicos e privados) que estimulem o fomento da pesquisa e extensão, por entende-los como processos essenciais ao âmbito acadêmico na realização da função social da Universidade. 
 
CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
	ATIVIDADES
	MAR
	ABR
	MAIO
	JUN
	AGO
	SET
	OUT
	NOV
	
Encontros com o orientador
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Levantamento bibliográfico 
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Leituras e elaboração de resumos, fichamentos
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Revisão bibliográfica 
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Trabalho de Campo
	
	
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Coleta e tabulação de dados
	
	
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Preparação do Relatório e da Cartilha Educativa
 
	
	
	
	
	
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Apresentação e Entrega da Cartilha
	
	
	
	
	
	
	
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.
______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/. Acesso em: 01 dez. 15.
______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Decreto n.º 3.597, de 12 de setembro de 2000. Promulga Convenção 182 e a Recomendação 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e a Ação Imediata para sua Eliminação, concluídas em Genebra, em 17 de junho de 1999. Disponível em: http://www.presidencia.gov.br/legislacao/decretos1/. Acesso em: 01 dez. 15.
LAKATOS, E.M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1991
MOREIRA LIMA, Terezinha.Trabalho infantil: reflexos da nova ordem social e da barbárie capitalista. Caderno de Práticas de Pesquisa, São Luís, ti. 1,1997.
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