Poder de Investigação das Comissões Parlamentares de Inquérito - OLIVEIRA, Geovan Ferreira de.
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Poder de Investigação das Comissões Parlamentares de Inquérito - OLIVEIRA, Geovan Ferreira de.


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Faculdades Integradas Pitágoras \u2013 FIPMoc 
Geovan Ferreira de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Poder de investigação das comissões parlamentares de inquérito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Montes Claros/MG 
Junho/2016 
 
Geovan Ferreira de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Poder de investigação das comissões parlamentares de inquérito 
 
Monografia apresentada pelo acadêmico Geovan 
Ferreira de Oliveira como exigência do curso de 
graduação em Bacharelado em Direito das Faculdades 
Integradas Pitágoras de Montes Claros sob a orientação do 
Professor Lucas Santana Borges. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Montes Claros/MG 
Junho/2016 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
A toda minha família, em especial aos meus 3 irmãos, pois são eles minha maior fonte 
de motivação. 
A minha companheira, Érika Santiago pelo amor e carinho sempre, 
independentemente de qualquer coisa. 
Ao Prof. Lucas Santana Borges, que me acompanhou, transmitindo-me o 
conhecimento necessário para que o presente trabalho monográfico fosse concluído com 
sucesso. 
 
 
RESUMO 
 
 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é um instituto previsto no ordenamento jurídico 
brasileiro com função atípica do Poder Legislativo. O procedimento das CPI\u2019s pode ser 
realizado em nível municipal, quanto estadual e federal. A CPI objetiva investigar atos ilícitos 
praticados pelos entes da Administração Pública, bem como os demais envolvidos nos atos 
praticados por estes. O presente trabalho monográfico buscou conhecer o procedimento 
investigativo das CPI\u2019s no sistema de perquisição do Poder Legislativo brasileiro. A 
metodologia utilizada para a elaboração do seguinte trabalho foi a pesquisa documental, 
através de leis, regimentos internos das Casas Legislativas, analise de decisões referentes ao 
tema proferidas pelo STF, doutrina e jurisprudências. Verificou-se que para a instauração do 
referido instituto, deve-se observar alguns requisitos básicos inerentes ao seu prelúdio, sendo 
estes o aspecto formal (requerimento de quórum mínimo das casas legislativas), substancial 
(tratar de fato certo e determinado em seus trabalhos) e temporal (ter prazo certo para decorrer 
com a investigação parlamentar). Também pode-se identificar a constante inobservância do 
referido instituto frente às garantias constitucionais inerentes aos indivíduos. Deste modo, a 
proteção destas garantias somente pode ser assegurada pela constante intervenção do Poder 
Judiciário dentro das CPI\u2019s, pelos mecanismos do Mandado de Segurança e Habeas Corpus. 
Conclui-se que, a investigação parlamentar é de fundamental importância, no tocante a 
elucidação de fatos que envolvem a administração pública. Destarte, estas investigações 
frequentemente ultrapassam suas competências estabelecidas pelo complexo de normas que 
regulam a matéria, e por este motivo, através dos remédios constitucionais impetrados em 
face das comissões, o Poder Judiciário deve garantir a observância dos preceitos fundamentais 
inerentes ao indivíduo, de forma que este não sofra com os abusos praticados pelas CPI\u2019s. 
 
Palavras-chave: Comissão Parlamentar de Inquérito. Garantias Fundamentais. Habeas 
Corpus. Mandado de Segurança. 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO 05 
 
CAPÍTULO I \u2013 A COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO 07 
1.1. Conceito, natureza jurídica e instauração 07 
1.2. Poder, competência de investigar e procedimento das CPI\u2019s 10 
1.3. Aplicação subsidiária das normas de Processo Penal às CPI\u2019s 13 
 
CAPÍTULO II \u2013 AS CPI\u2019S E AS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DOS 
INVESTIGADOS 17 
2.1. Apontamentos sobre garantias constitucionais 17 
2.2. Dados Pessoais, sigilo bancário, fiscal e telefônico 21 
2.3. Garantia de não auto incriminação e a presunção de inocência (nemo tenetur se detegere)
 25 
 
CAPITULO III \u2013 EFEITOS JURÍDICO-PENAIS DAS CPI\u2019S 28 
3.1. Relatório Final e conclusão das CPI\u2019s 28 
3.2. A aplicabilidade dos remédios constitucionais às CPI\u2019s 32 
3.3. Apontamentos sobre a jurisprudência das CPI\u2019s 37 
 
CONSIDERAÇOES FINAIS 40 
 
REFERÊNCIAS 42 
 
5 
INTRODUÇÃO 
 
 
O presente trabalho monográfico tem por objeto analisar o procedimento para a 
instauração das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no sistema de investigação 
legislativa do Brasil, dando ênfase à análise dos abusos praticados pela persecução legislativa 
frente ao cidadão, levando em consideração ainda as formas que o judiciário tem para 
proteger as garantias individuais descritas na Constituição da República Federativa do Brasil 
de 1988. 
As CPI\u2019s têm seu primeiro retrato histórico flagrado em meados do séc. XIV, na 
Inglaterra, durante o reinado do rei Eduardo II e do rei Eduardo III. A primeira CPI da qual se 
tem registro foi constituída logo após o conflito que trouxe a Irlanda para o domínio do Reino 
Unido (SILVA, 2014). 
No ordenamento jurídico brasileiro, nas primeiras constituições, não foi previsto o 
instituto das comissões, porém a norma constitucional também não vedava a criação de 
grupos de parlamentares para discutir e investigar temas inerentes a demanda da sociedade. O 
referido instituto, somente se fez presente positivamente no ordenamento jurídico brasileiro, 
após a Constituição de 1934, e a partir dessa esteve presente em todas as constituições do 
estado brasileiro, com exceção apenas para a Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 
1937, durante o período de Estado de Sítio. 
Embora a CRFB/88, em seu art. 58, §3º, mencione o fato de que as CPI\u2019s terão 
poderes de investigação próprio das autoridades judiciais, sendo suas conclusões 
encaminhadas ao Ministério Público para que proceda na apuração das responsabilidades civil 
e criminal dos investigados, há que se analisar qual sentido real da expressão \u201cpoderes de 
investigação próprio das autoridades judiciais\u201d (BRASIL, 1988) e como se delimita a 
competência de atuação e os limites das CPI\u2019s, tendo em vista ser recorrente a intervenção do 
Poder Judiciário no processo de investigação das comissões, através dos remédios 
constitucionais Habeas Corpus e Mandado de Segurança, visando assegurar as garantias 
individuais do cidadão, frente aos abusos cometidos pelas investigações das CPI\u2019s. 
Para proporcionar os estudos, o presente trabalho monográfico foi dividido em 
três capítulos, utilizando-se do método de pesquisa dedutivo exploratório bibliográfico. 
O primeiro capítulo analisará o surgimento e a evolução histórica do instituto, 
bem como o entendimento referente ao atual conceito de CPI dentro do ordenamento jurídico 
brasileiro. Em seguida, tratará da natureza jurídica das comissões, sustentada pela CRFB/88 e 
6 
pelas normas infraconstitucionais, os regimentos internos das Casas Legislativas, tal como lei 
específicas sobre a matéria, e o procedimento para instauração da dessas, definido pela lei nº 
1.579/52, e tendo como os requisitos, o formal, substancial e o temporal. Analisar-se-á 
também os limites dos poderes de investigação da CPI, bem como a competência de 
investigação e como se processa o instituto, utilizando as normas oriundas do