TÉCNICA CIRÚRGICA
105 pág.

TÉCNICA CIRÚRGICA


DisciplinaCirurgia3.925 materiais42.046 seguidores
Pré-visualização25 páginas
GABRIELA CARVALHO ABREU 
 
1 TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
1ª AULA 
INTRODUÇÃO 
Atualmente, empregam-se os antibióticos para: 
\uf0b7 Evitar infecções de feridas operatórias e nosocomiais. 
\uf0b7 As condutas de assepsia e antissepsia tornaram-se fundamentais para a redução 
da morbidade e mortalidade e da contaminação cruzada. 
\uf0b7 Antibioticoprofilaxia: deve-se manter um nível plasmático de antibiótico durante 
todo procedimento cirúrgico, iniciada uma hora antes da indução anestésica. 
Não é necessário em feridas limpas, exceto para colocação de próteses e 
pacientes imunossuprimidos. Dura enquanto o procedimento durar e é aceitável 
até 24h após o ato cirúrgico. Em cirurgias contaminadas e potencialmente 
contaminadas é obrigatório. Nas cirurgias infectadas faz-se antibiótico-terapia 
(se usado de 8h em 8h faz-se nestes casos de 4h em 4h). Nos casos de empiema 
pleural, endometrite, e infecções do pós-operatório, como abcessos pélvicos, 
deve-se colher material e obrigatoriamente mandar o mesmo para o exame 
microbiológico. Não é indicado esperar o resultado sair para dar o antibiótico. 
Com o resultado em mãos pode-se fazer a troca ou não, dependendo se o 
antimicrobiano é sensível ou resistente. 
Deve-se o quanto possível manter livre de germes o doente (responsabilidade do 
cirurgião), a equipe cirúrgica (responsabilidade da enfermagem) e o ambiente 
(responsabilidade do pessoal da limpeza). 
INFECÇÃO 
Penetração, desenvolvimento e multiplicação de um microrganismo no organismo 
animal, que pode resultar em consequências variadas, geralmente nocivas. 
1. INFECÇÕES INTRÍNSECAS: 
\uf0b7 Microbiota indígena ou autóctona. 
o A microbiota indígena habita a pele, cavidade oral, trato gastrointestinal, 
e trato respiratório superior. A composição dessa microbiota varia 
qualitativamente e quantitativamente nos diversos sítios. Exerce ações 
benéficas ao hospedeiro, decorrentes de seu metabolismo, mas também 
pode constituir reservatório de microrganismos potencialmente 
patogênicos, principalmente em indivíduos imunossuprimidos. Diversos 
fatores ambientais podem interferir na microbiota indígena, como por 
exemplo a higiene pessoal, tipo de dieta, uso de antimicrobianos, 
hospitalização, e outros fatores. O conhecimento da microbiota indígena 
dos diversos sítios permite uma melhor análise de exames 
microbiológicos, além de maior eficácia de terapias empíricas e medidas 
profiláticas. 
 
 GABRIELA CARVALHO ABREU 
 
2 TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
\uf0b7 Simbiose\uf0e0Relação Parasitária. 
\uf0b7 Mudança de localização do microrganismo. 
o Ex: infecção urinária. 
 
2. INFECÇÕES EXTRÍNSECAS: 
\uf0b7 Fontes externas de contaminação. 
\uf0b7 Diretas ou Indiretas. 
ASSEPSIA E ANTISSEPSIA 
As intervenções cirúrgicas exigem cuidados quanto ao risco de transmissão de infecções 
devido ao grave problema de saúde pública que acarretam com alto custo social e 
econômico. 
Os procedimentos anti-infecciosos se reúnem em: limpeza, descontaminação, assepsia 
ou desinfecção, esterilização e antissepsia. 
1. LIMPEZA: É a remoção da sujeira e detritos. Antecede quase todos os métodos 
anti-infecciosos. Utiliza métodos manuais, mecânicos (água e detergente) ou 
enzimáticos. Reduz a população bacteriana dos materiais e facilita o contato com 
agentes antimicrobianos. 
2. DESCONTAMINAÇÃO: Antecede em alguns casos a limpeza de materiais 
contaminados por sangue, pus ou secreções. Seu objetivo é livrar os materiais 
de agentes contaminantes destruindo microrganismos patogênicos na forma 
vegetativa para fornecer segurança para o pessoal técnico. É realizada por 
métodos físicos e/ou enzimáticos. 
3. ASSEPSIA OU DESINFECÇÃO: É a destruição de microrganismos patogênicos na 
forma vegetativa em superfícies inertes por meio da aplicação de agentes 
químicos ou físicos. O termo significa ausência total de todo agente infeccioso 
em equipamentos e objetos inanimados. Utiliza-se desinfetantes, pois são 
altamente tóxicos para todos os tipos de células. 
4. ESTERILIZAÇÃO: É a destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias 
vegetativas ou esporuladas, fungos e vírus) via aplicação de agentes físicos (calor, 
radiação ionizante e filtração) e químicos (formas líquidas e gasosas). 
5. ANTISSEPSIA: Resultado transitório (elimina a microbiota transitória). Permite a 
eliminação (morte) de microrganismos ou inativação de vírus durante a cirurgia. 
O objetivo é reduzir o número de microrganismos na superfície do corpo. 
Portanto, são substâncias providas de ação letal ou inibitória da reprodução 
microbiana, de causticidade e alergenicidade baixas destinada à aplicação em 
pele e mucosas. 
 
 
 
 GABRIELA CARVALHO ABREU 
 
3 TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
CUIDADOS COM O DOENTE 
Fatores predisponentes: 
\uf0b7 IDADE: imaturo (criança) ou em declínio (idoso). 
\uf0b7 ALTERAÇÕES METABÓLICAS E DE NUTRIÇÃO: reduzem a imunidade. 
o Diabetes, obesidade e subnutrição. 
o Uso prolongado de esteroides. 
\uf0b7 DURAÇÃO DA HOSPITALIZAÇÃO E DA OPERAÇÃO: aumenta à exposição aos 
riscos. 
o Utilização de drenos e sondas. São vias de contaminação, e portanto, 
devem ser bem indicados. 
o Tamanho da incisão. Aumenta a área exposta. 
Obs: Atualmente usa-se monoterapia por período menor. O ideal é não internar 
paciente na véspera da cirurgia. A prioridade para leito hospitalar é para pacientes que 
tiveram alta do CTI. 
Véspera: 
\uf0b7 Banho com especial atenção para a cabeça, axilas e genitais. Recomenda-se o 
banho na noite anterior, porém ainda é controverso, pois pode indicar 
desequilíbrio da microbiota. 
\uf0b7 Banho contraindicado no dia da operação. 
\uf0b7 Trocar roupa de cama e roupa pessoal (pijama limpo). 
\uf0b7 Tricotomia não é mais tão indicada, apenas em alguns casos. 
\uf0b7 Recomenda-se que o paciente entre na sala operatória sem as roupas e lençóis 
que saíram do quarto ou enfermaria. Se necessário troca-se a maca ou a cadeira 
de rodas. 
CUIDADOS COM A EQUIPE CIRÚRGICA 
Toda a equipe cirúrgica: 
\uf0b7 Hígida. Livre de qualquer sinal ou sintoma. 
\uf0b7 Livre de infecções localizadas ou sistêmicas. 
\uf0b7 Livre de lesões abertas ou em atividade. 
Técnicas de assepsia: 
\uf0b7 Minimizar o risco de contaminação. 
\uf0b7 Imediatamente antes da operação: 
o Uso de vestuário apropriado. A entrada no bloco exige roupa nova. 
o Escovação das mãos e antebraços. 
o Paramentação cirúrgica 
 
 
 GABRIELA CARVALHO ABREU 
 
4 TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
Vestuário apropriado: 
\uf0b7 Banho: disseminador de germes. Segue a mesma orientação para do doente. 
\uf0b7 Roupas. Também serão trocadas. No bloco existe armário e cabideiro. 
o Gorros e toucas: cobrem todo o cabelo. A esterilizada não é a melhor 
opção. 
o Máscara: boca e nariz. A vida útil de uma máscara é cerca de 2h. Ela 
umidece e perde a capacidade filtrativa. Portanto, quanto mais fala-se 
durante a cirurgia menor o tempo de vida da máscara. 
o Óculos e Propé. 
o Sapato fechado. 
Lavagem das mãos, antebraço e cotovelo: 
\uf0b7 As mãos e os cotovelos são sempre mais contaminados. 
\uf0b7 Duração de 5 a 7 minutos no mínimo. E 3 minutos para a segunda lavagem, se a 
primeira cirurgia do dia foi limpa ou potencialmente contaminada, com duração 
menor ou igual a 3h. Se a primeira cirurgia foi contaminada ou infectada deve-
se trocar a roupa de bloco e escovar as mãos novamente. 
\uf0b7 A princípio molha tudo e lava com degermante sem regra e sem enxague. 
\uf0b7 A franja da escova é destinada apenas para a região subungueal. 
\uf0b7 Movimento sempre distal para proximal e paralelamente (descendo das mãos 
até alcançar os cotovelos \u2013 nem sempre é necessário alcançar os cotovelos). 
\uf0b7 Fazer 25 movimentos. 
\uf0b7 Escovação das unhas e dos dedos do 5º ao 1º. 
\uf0b7 Estabelecer uma