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Psicologia e Arquitetura, Interdisciplinaridades

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Resenha sobre a atuação do psicólogo em áreas variadas 
Julia Casteletti Ramiro RA - 729.746
 
Uma questão de complementariedade
Em Psicologia e Arquitetura, duas das áreas mais proximamente ligadas ao estudo da relação pessoa-ambiente, esta questão não é diferente. Gradualmente a Psicologia ampliou sua área de atuação do indivíduo para o social e o ambiental, “redefinindo” e complementando seu objeto de estudo de modo a abarcar as interações ambiente-comportamento,e contribuindo para um conhecimento mais amplo da realidade através de um enfoque ecológica e humanamente consistente. Em Arquitetura, por sua vez, aos poucos observa-se o deslocamento da ênfase na análise de aspectos estéticos/construtivos/ funcionais do edifício para a preocupação com a percepção/satisfação dos usuários e com as implicações das intervenções em termos de paisagem, propiciando a elaboração de propostas mais centradas no indivíduo e/ou no social e nas implicações ecológicas das interferências realizadas.
É claro que muitos têm preferências definidas, como os que gostam de verde ou detestam azul, e essa parte é também levada em consideração. Mas tem também o lado que fica escondido, que a pessoa não sabe que quer, e você tem que saber ler nas entrelinhas para saber qual linha seguir. Isso é até meio inconsciente às vezes, essa percepção. Uma pessoa que demonstre sintomas de irreverência dificilmente vai se sentir bem em um ambiente muito padronizado, por exemplo.
E junto com essa leitura de cada pessoa, é preciso também saber aplicar as ideias, ou seja, lidar com os efeitos gerados pelos materiais e formas de maneira a atingir o resultado desejado. A arquitetura tem um potencial muito além do estético, porque mexe com sensações, e esse é um campo com muitas possibilidades de exploração. 
Se existir essa preocupação, de perceber cada pessoa e projetar de acordo com ela, a arquitetura tem mais chances de cumprir com o seu papel original, que é o de gerar bem-estar, tanto funcional quanto psicológico, pessoal ou coletivo, e garantir a cada um que pelo menos dentro de casa seja possível se sentir bem. Nesse quesito , a atuação do psicólogo em escritórios de arquitetura é totalmente cabível , e talvez essencial a alguns clientes mais exigentes .
Para a psicologia, a casa representa o ser humano em seus elementos mais fundamentais, em sua essência; de certa forma, é a pedra angular de sua personalidade. A representação de uma casa leva em conta as interações entre a natureza e a cultura, entre o inato e o adquirido, entre o indivíduo e a sociedade. Em sua obra Le dessin dune Maison: image de ladaptation sociale de lenfant, J. Royer afirma que a casa constitui um arquétipo dos mais complexos e, por isso, mais difíceis de interpretar. Para esse autor, a casa é o símbolo de todas as "peles" sucessivas que nos envolvem – o seio materno, corpos, família, universo – e vão se encaixando e modelando. É o termo mais carregado de ressonância afetiva, mais capaz de desencadear lembranças, sonhos, paixões: a casa da infância, a casa da família, a casa das férias, a casa dos sonhos matrimoniais, a casa de retiro, a última moradia.
Segundo o psiquiatra e psicanalista Wilhelm Reich (1897-1957), o caráter é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações. Inclui atitudes e valores conscientes, estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo). Sendo assim, determinada pessoa irá se relacionar com outras pessoas ou objetos de acordo com seus traços de caráter. O mesmo pode-se dizer a respeito de suas escolhas na construção e decoração de sua casa, destacando-se:
(1) Caráter esquizoide: apresenta como comportamento principal a esquiva e a racionalização. Geralmente são pessoas frias, distantes e reservadas. Preferem ambientes monocromáticos ou compostos de cores frias como o azul e o lilás. Poucos móveis, idealmente produzidos em metal ou madeira escura, pisos limpos e iluminação sóbria costumam ser solicitações desse tipo de cliente. É raro haver muitos moradores nessa casa, onde sala de leitura é um cômodo obrigatório.
(2) Caráter oral: são pessoas mais extrovertidas, amáveis e ótimas anfitriãs. Preferem receber amigos a visitá-los. Optam por cores quentes, estampas florais e fibras naturais, que colaborem para ambientes aconchegantes e acolhedores, sendo a sala e a cozinha os locais mais movimentados.
(3) Caráter obsessivo-compulsivo: são pessoas conservadoras e apegadas às tradições. Gostam da casa organizada, prática e cheia de normas, onde tudo deve ser funcional. Preferem uma decoração básica em móveis de madeira bem tradicionais e cores sóbrias e neutras em todos os ambientes, com uso do verde musgo, bordô ou azul nos detalhes.
(4) Caráter masoquista: ansiedade, sentimento de culpa e tendência ao desapego a bens materiais são traços marcantes desse tipo. Apresentam preferências por ambientes bem despojados e integrados, com presença de vasos de plantas e floreiras, cores claras e discretas e móveis que transmitam um clima amistoso e acolhedor. São indispensáveis quarto de hóspedes e varandas nesse projeto.
(5) Caráter fálico-narcisista: são pessoas alegres, dinâmicas e cheias de movimentos. São moradores que têm muito "jogo de cintura" para trabalhar com as mudanças constantes em suas vidas. Não gostam de monotonia, por esse motivo estão sempre trocando os móveis de lugar e fazendo reformas. Gostam de conforto e luxo, de modo que trabalham muito para conseguir prosperar. São ótimos anfitriões, fazendo com que a sala de estar e cozinha sejam os locais preferidos. Desejam passar uma impressão de sucesso, riqueza, solidez material, segurança e poder.
(6) Caráter histérico: são pessoas alegres, falantes e inquietas, com tendência a gostar de coisas diferentes, exóticas e chamativas, de ambientes com espelhos, luzes, metais, brilho, cores fortes e vibrantes, texturas e materiais nobres. No projeto arquitetônico é importante prever espaços amplos ou multifuncionais, bem como armários ou locais especiais para guardar roupas, brinquedos, equipamentos e móveis componíveis e de fácil remanejamento.

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