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Psicologia Jurídica - Aula 07 - As inter-relações familiares

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Psicologia Jurídica - Direito
	Profª Ms. Cecilia Santos	 Apostila 07
As inter-relações familiares: casamento, conflito conjugal, separação e guarda de filhos.
Modelos de família no Brasil. Avaliação Psicológica em Processos de Guarda e Regulamentação de Visitas. Síndrome da Alienação Parental
No campo do direito de família, são reconhecidas as contribuições da psicologia jurídica, propiciando maior compreensão da personalidade dos atores envolvidos, do desenvolvimento da dinâmica familiar e social, dos novos contornos e arranjos familiares – que nem sempre têm como referencia a família nuclear e tradicional. 
... “embora as relações entre esposo e esposa, pais e filhos tenham se transformado, a ponto de algumas análises apontarem a redução do significado da família no processo de socialização, no entanto, a família continua a ser importante, sobretudo pelo papel de transmitir a subjetividade, relacionada ao controle e à expressão dos sentimentos.” (Romanelli, 2006)�. 
Processo de formação e rompimento do vínculo familiar
O conceito de família...
... no contexto contemporâneo, a estabilidade e a intensidade dos laços afetivos entre seus integrantes ganham relevância, em lugar da exclusiva consanguinidade ou dos papéis tradicionalmente atribuíveis a cada um deles, tamanha a variedade e a complexidade das estruturas de convivência que se desenvolvem.
Segundo Correa (1993), a família patriarcal, baseada na manutenção da propriedade e de interesse políticos, bem como na constituição de um núcleo homogêneo, onde predominava a dominação masculina, a submissão da mulher, o casamento entre parentes e a negação das diferenças, foi, ao longo do tempo, substituída pela família conjugal moderna, na qual predomina a satisfação de impulsos sexuais afetivos. E, talvez por isso mesmo, a família continua a ser importante, sobretudo porque inclui a transmissão da subjetividade relacionada ao controle e à expressão dos sentimentos.
A formação de vínculos afetivos se dá em um processo que envolve afeto, corresponsabilidade, tolerância, segurança, entre outros aspectos. É evidente que crianças e adultos são mais felizes e podem desenvolver melhor seus talentos quando se sentem seguros e protegidos.
Além desses aspectos positivos, o processo de formação de vínculos inclui outros negativos, que podem levar a frustrações, mágoas e resentimentos, que permeiam por muito tempo a vida conjugal e que podem culminar na dissolução da união. 
Tipos de família conforme a Cartilha do Divórcio para os Pais da Escola Nacional de Mediação e Conciliação – ENAM: 
Tradicional ou nuclear – pai, mãe e filhos vivem todos juntos. 
Monoparental – os filhos vivem apenas com um dos pais. 
Recomposta ou reconstituída – o pai ou a mãe voltou a se casar com outra pessoa. 
Alargada ou ampliada – outros parentes (avós, tios e primos) vivem com a família nuclear (pais e filhos). 
Binuclear – composta pelos dois lares que se formam após o divórcio de pessoas que tiveram filhos. Ambos os pais continuam responsáveis pelos cuidados dos filhos, atendendo às suas necessidades afetivas, espirituais, econômicas e físicas. 
Homoparental – os dois ascendentes são do mesmo sexo, sejam homens ou mulheres.
Maria Berenice Dias in Manual de Direito das Famílias destaca algumas configurações familiares no capitulo intitulado Famílias Plurais das quais destacamos as seguintes�: 
Família Matrimonial - decorre do casamento como ato formal, litúrgico. 
Família Informal / Concubinato - conforme o Código Civil - Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato.
Família Poliafetiva - é a relação afetiva entre mais de duas pessoas. Não se trata bigamia, não são amantes e, inclusive, a relação entre os poliafetivos deve ser exclusiva, como se todos fossem casados entre si. Os poliafetivos podem inclusive lavrar escritura pública para documentar a relação entre si �.
Família Substituta - Excepcionalmente, portanto, como na hipótese em que a família natural não seja capaz de garantir direitos e garantias decorrentes do princípio da proteção integral (maus-tratos, abandono, dependência a entorpecentes, orfandade etc.), promover-se-á a colocação da criança e adolescente, sempre tendo em vista o melhor interesse destes, em uma família substituta, esta que compreende três espécies: a guarda, a tutela e a adoção. 
Família Unipessoal - é a composta por apenas uma pessoa. Recentemente, o STJ lhe conferiu à proteção do bem de família, como se infere da Súmula 364: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. (03/11/2008) Euclides de Oliveira30 destaca que a proteção dada pela referida Súmula se dá em resguardo ao direito constitucional de moradia�.
Casamento e separação
Casamento
O Código Civil, art. 1.511, diz que “o casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”.
União estável - O Código Civil “Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.”
A guarda dos filhos e o exercício do poder familiar devem respeitas o mesmo disciplinamento concernente ao casamento formal
Dissolução e rompimento do vínculo familiar
Código Civil - Art. 1.579. O divórcio não modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos.
A separação implica em fim da conjugalidade e não da parentalidade.
... Nas varas de família, o fim do relacionamento conjugal deve ser entendido não só como um drama judicial, mas também como uma situação que envolve aspectos afetivos e emocionais muito fortemente marcados, ainda eu não expressamente denunciados pelas partes. 
Na separação, observam-se diversas figura a se intercambiar ao longo do processo; algumas vêm de modo manifesto, outras, em atitudes e comportamentos que deixam implícitos os reais interesses das partes.
Assim, o juiz e o advogado podem ter de lidar com litigantes representando diversos papeis, consciente ou inconscientemente.
Há o cônjuge manipulador, que irá articular os fatos e a própria audiência de modo a atrair para si as atenções que deseja.
Aparece o vitimizado, o que, em termos de relações de gênero evidencia-se sobremaneira nas questões relativas à violência doméstica.
O cônjuge dependente economicamente muitas vezes poderá ceder em aspectos fundamentais imaginando que com isto poderá garantir a manutenção de suas necessidades básicas. Há o dependente afetivo que cede a uma separação consensual imaginando, assim, ganhar as atenções do parceiro e a possibilidade de reatar a convivência apenas suportada, mas não compartilhada plenamente.
Utiliza-se o termo separação para indicar processos de rompimento de vínculo familiar, em sentido lato, refere-se às modalidades jurídicas de separação, divórcio e dissolução de união estável. 
A respeito do poder familiar, o Código Civil estabelece, em seus artigos 1.630 ao 1.638, que este será exercido por a pai e mãe; havendo, porém, divergências quanto ao exercício do mesmo por qualquer um ou ambos, poderão recorrer ao juiz para solucionar o desacordo.
Do Poder FAMILIAR
 Seção I
Disposições Gerais
Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores.
Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade.
Parágrafo único. Divergindo os pais quanto ao exercício do poder familiar, é assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do desacordo.
Art. 1.632. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre