A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Direitos Humanos - Aula 05

Pré-visualização | Página 1 de 2

UNIDADE II: DESENVOLVIMENTO HISTORIO DO DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS DE 1948. DECLARAÇÃO DE VIENA DE 1993.
Perspectiva Histórica
No final do século XVIII, a Declaração Francesa de 1789 e a Declaração Americana de 1776, consagravam a ótica contratualista liberal, pela qual os direitos humanos se reduziam aos direitos à liberdade, segurança e propriedade. Estamos nos referindo ao Estado Liberal sob a influência das ideias de Locke, Montesquieu e Rousseau. Na doutrina do liberalismo, o Estado sempre foi o fantasma que atemorizou o indivíduo.
	Caminhando na história, verifica-se que após a Primeira Guerra Mundial, ao lado do discurso liberal da cidadania, sendo elaborada a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado da então Republica Soviética Russa, em 1918, passando-se do primado da liberdade ao primado da igualdade.
	A Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado da Republica Soviética Russa de 1918, bem como as Constituições Sociais do início do século XX, como a Constituição Mexicana de 1917, por exemplo, primou por conter um discurso social da cidadania, e que a igualdade era o direito basilar e um extenso elenco de direitos econômicos, sociais e culturais era previsto.
	Considerando esse contexto, a Declaração de 1948 combina o discurso liberal da cidadania com o discurso social, passando a elencar tanto os direitos civis e políticos (artigos 3º ao 21), como direitos sociais, econômicos e culturais (artigos 22 a 28), afirmando a inter-relação, indivisibilidade e interdependência de tais direitos.
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948
A Declaração foi adotada em 10 de dezembro de 1948, pela aprovação de 48 Estados e 8 abstenções (Bielo-Rússia, Checoslováquia, Polônia, Arábia Saudita, Ucrânia, URSS, África do Sul e Iugoslávia).
2.1. Características
Amplitude
A Declaração compreende um conjunto de direitos e faculdades sem as quais um ser humano não pode desenvolver sua personalidade física, moral e intelectual.
Universalidade
É aplicável a todas as pessoas de todos os países, raças, religiões e sexos, seja qual for o regime político dos territórios nos quais incide. O cidadão de seu pais torna-se um cidadão do mundo, pois lhe é assegura a proteção internacional.
Desta forma, a Declaração objetiva delinear uma ordem pública mundial fundada no respeito à dignidade humana, ao consagrar valores básicos universais, trazendo absoluta ruptura com o legado nazista, que condicionava a titularidade dos direitos a raça pura ariana.
Indivisibilidade
Os direitos dos seres humanos são indivisíveis, quer sejam civis e políticos, ou econômicos, sociais e culturais. Os governos devem ser ativos, de cunho positivo, planejando e se comprometendo com os programas econômico-sociais da sociedade.
Interdependência
Sendo universais e indivisíveis, os direitos humanos são interdependentes e inter-relacionados, um não podendo existir na ausência dos outros.
2.2. Classificação dos Direitos Constantes da Declaração
Direitos Pessoais
Inclui-se o direito à vida, a nacionalidade ao reconhecimento perante a lei, a proteção contra tratamentos ou punições cruéis, degradantes ou desumanas e à proteção contra a discriminação racial, étnica, sexual ou religiosa (artigos 2º a 7º e 15).
Direitos Judiciais
Acesso a remédios por violação dos direitos básicos, presunção da inocência, garantia de processo público justo e imparcial, irretroatividade das leis penais, proteção contra a prisão, detenção ou exilio arbitrários, e contra a interferência na família e no lar (artigos 8º a 12).
Direitos ou Liberdades Civis
Liberdades de pensamento, consciência e religião, de opinião e expressão, de movimento e resistência, de reunião e associação pacifica (artigos 13 a 18 e 20).
Direitos de Subsistência
Direitos a alimentação e a um padrão de vida adequado à saúde a ao bem estar próprio da família (artigo 25).
Direitos Econômicos
Direito ao trabalho, ao repouso e ao lazer, bem como à segurança social (artigos 22 a 24)
Direitos Sociais e Culturais
Direito à instrução e a participação na vida cultural da comunidade (artigos 26 a 28).
Direitos Políticos
Direito a tomar parte do governo e a eleições legitimas com sufrágio universal e igual (artigo 21).
2.3. Valor Jurídico
	A Declaração Universal não é um tratado, mas uma resolução que não apresenta força de lei.
	Entretanto, os Estados membros da ONU têm a obrigação de promover o respeito e a observância universal dos direitos proclamados pela Declaração. Trata-se, pois, de um compromisso.
	Há, contudo, aqueles que defendem que a Declaração teria força jurídica vinculante por integrar o direito costumeiro internacional e/ou os princípios gerais de direito, apresentando, assim, força jurídica vinculante. Tal corrente baseia-se em três pontos principais: a) a incorporação das previsões da Declaração no que tange aos direitos humanos pelas Constituições Nacionais; b) as referências feitas por resoluções da ONU à obrigação legal de todos os Estados de observar a Declaração Universal; c) decisões proferidas pelas Cortes Nacionais que se referem à Declaração Universal como fonte do direito (exemplos: proibição da escravidão, genocídio, tortura, tratamento cruel ou degradante).
Direitos Humanos e a Conferência de Viena de 1993
Folha de S. Paulo, 13/01/2010
Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas
Se há um campo onde as fronteiras entre a administração de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se encontram, é o dos direitos humanos. As pessoas que militam nessa área, se não chegam a colocar as convicções humanitárias à frente das divisões partidárias, cultivam o salutar hábito de não transigir sobre o que consideram ser princípios.
Não surpreendem, assim, as fortes semelhanças entre os planos de direitos humanos de ambas as gestões. Outro fator que ajuda a explicar as congruências diz respeito à gênese desses textos. Eles existem por recomendação da ONU. Como explica Guilherme Assis de Almeida, professor de filosofia do Direito da USP, os programas nacionais de direitos humanos (PNDHs) nascem da Declaração de Viena - o documento aprovado pelas 171 nações participantes da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos de 1993. 
A grande novidade de Viena é que ali se estabeleceu a interdependência entre democracia, desenvolvimento econômico e direitos humanos. Superando a noção preponderante na Guerra Fria, determinou-se também a indivisibilidade desses direitos - um país não pode escolher ficar só com os “direitos econômicos”, por exemplo. 
O texto da declaração faz ainda referência específica aos direitos de mulheres, crianças e populações indígenas, menciona a pobreza, o racismo, as perseguições a minorias e destaca a gravidade da tortura. 
Tudo isso contribuiu para formar a pauta inchada dos PNDHs que, à medida em que eram tratados como projetos de baixa prioridade dos governos, ganhavam ainda mais capítulos e acréscimos retóricos. Quando se deram conta de que os planos tinham mais o objetivo de dar um lustro humanitário à administração e satisfazer a militância do que de converter-se em políticas de Estado, seus formuladores sentiram-se livres para avançar com propostas cada vez mais ousadas. 
Em Viena foi definitivamente legitimada a noção de indivisibilidade dos direitos humanos, cujos preceitos devem se aplicar tanto aos direitos civis e políticos quanto aos direitos econômicos, sociais e culturais. A Declaração de Viena também enfatiza os direitos de solidariedade, o direito à paz, o direito ao desenvolvimento e os direitos ambientais.  
Sob o impacto da atuação do movimento de mulheres os textos de Viena redefiniram as fronteiras entre o espaço público e a esfera privada, superando a divisão que até então caracterizava as teorias clássicas do direito. A partir desta reconfiguração, os abusos que têm lugar na esfera privada - como o estupro e a violência doméstica - passam