BOCK, A.M.B; FURTADO, O; TEIXEIRA, M.L.T - Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002 (pp 18-43) .pdf
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DisciplinaPsicologia Como Ciência10 materiais121 seguidores
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SENSO COMUM: UMA VISAO-DE-MUNDO 
Esse conhecimento do senso comum, alem de sua prodw;ao 
caracteristica, acaba por se apropriar, de uma maneira muito singu­
lar, de conhecimentos produzidos peIos outros setores da produ­
<;ao do saber humano. 0 senso comum mistura e recicla esses ou­
tros saberes, muito mais especializados, e os reduz a um tipo de teo­
ria simplificada, produzindo uma determinada visao-de-mundo. 
o que estamos querendo mostrar a voce e que 0 senso co­
mum integra, de um modo precario (mas e esse 0 seu modo), 0 co­
nhecimento humano. E claro que isto nao ocorre muito rapida­
mente. Leva um certo tempo para que 0 conhecimento mais sofis­
tkado e especializado seja absorvido pelo senso comum, e nunca 0 
e totalmente. Quando utilizamos termos como &quot;rapaz complexa­
do&quot;, &quot;menina histerica&quot;, &quot;ficar neurotico&quot;, estamos usando termos 
definidos pela Psicologia cientifica. Nao nos preocupamos em de­
finir as palavras usadas e Hem por isso deixamos de ser entendidos 
pelo outro. Podemos ate estar muito proximos do conceito cienti­
fico mas, na maioria das vezes, Hem 0 sabemos. Esses sao exemplos 
da apropria<;ao que 0 senso comum faz da ciencia. 
AREAS DO CONHECIMENTO 
Somente esse tipo de conhecimento, porem, mio seria suficiente 
para as exigencias de desenvolvimento da humanidade. 0 homem, 
desde os tempos primitivos, foi ocupando cada vez mais espa<;o neste 
planeta, e somente esse conhecimento intuitivo seria muito pouco para 
que ele dominasse a Natureza em seu proprio proveito. Os gregos, par 
volta do seculo 4 a.c., ja dominavam complicados dlculos matemati­
cos, que ainda hoje sao considerados dificeis por qualquerjovem cole­
gial. Os gregos precisavam entender esses caIculos para resolver seus 
problemas agricolas, arquitetonicos, navdis etc. Era uma questio de so­
brevivencia. Com 0 tempo, esse tipo de conhecimento foi-se especiali­
zando cada vez mais, ate atingir 0 nive! de sofistica<;ao que permitiu ao 
homem atingir a Lua. A este tipo de conhecimento, que definiremos 
com mais cuidado logo adiante, chamamos de ciencia. 
Mas 0 senso comum e a ciencia nao sao as iinicas formas de 
conhecimento que 0 homem possui para descobrir e interpretar a 
realidade. 
Povos antigos, e entre eles cabe sempre mencionar as gregos, 
preocuparam-se com a origem e com 0 significado da existencia hu­
mana. As especula<;oes em lOrno desse tema formaram urn corpo de 
..!i.i4r.t:JMMiii'Vil4,t.·1ti.]MMi!iiii _t:-.. 
conhecimentos denominado f'dosofia. A formula­ ~ de urn conjunto de pensamentos sobre a ori­ ~ gem do homem, seus misterios, prindpios morais, 
forma um omro corpo de conhecimento humano, ~ 
conhecido como religiao. No Ocidente, um livro 
muito conhecido traz as cren<;as e tradi<;oes de nos­
sos antepassados e e para muitos um modelo de 
conduta: a Biblia. Esse livro e 0 registro do cqnheci­
mento religioso judaico-cristio. Um outro livro se­
melhante eo livro sagrado dos hindus: Livro dos Vedas. Veda, em sans­
crito (antiga Ifngua classica da India), significa conhecimento. 
Por fim, 0 homem, ja desde a sua pre-historia, deixou marcas 
de sua sensibilidade nas paredes das cavernas, quando desenhou a 
sua propria figura e a figura da ca<;a, criando uma expressao do co­
nhecimento que traduz a emo<;ao e a sensibilidade. Denominamos 
arte a esse tipo de conhecimento. 
Arte, religiao, filosofia, ciencia e senso comum sao dominios 
do conhecimento humano. 
A PSICOLOGIA CIENTiFICA 
Apesar de reconhecermos a existencia de uma psicologia do sen­
so comum e, de certo modo, estarmos preocupados em defini-Ia, e 
com a outra psicologia que este livro devera ocupar-se a Psicologia 
cientffica. Foi preciso definir 0 senso comum, para que 0 leitor pudes­
se demarcar 0 campo de atua<;aode cada uma, sem confundi-las. 
Entretanto a tarefa de definir a Psicologia como ciencia e bem 
mais ardua e complicada. Comecemos por definir 0 que entende­
mos por ciencia (que tambem nao e simples), para depois explicar­
mas por que a Psicologia e hoje considerada uma de suas areas. 
o QUE ECIENCIA 
A ciencia com'poe-se de um conjunto de conh~dmentos sobr.e 
fatos au aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso por 
meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos 
devem ser obtidos de maneira programada, sistematica e controla­
da, para que se permita a verifica<;ao de sua validade. Assim, pode­
mos apontar 0 objeto dos diversos ramos da ciencia e saber exata­
mente como determinado conteudo foi construido, possibilitando 
a reprodu<;ao da experiencia. Dessa forma, 0 saber pode ser trans­
mitido, verificado, utilizado e desenvolvido. 
cren<;:as e 
tradi<;:6es 
para as 
futuras 
gera<;:6es. 
... 0 homem,ja 
desde asua 
pre-historia, 
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sua: senslbilidade 
nas paredes das 
cavernas. . 
Marcelim
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TEXTO BÁSICO 1 - A Psicologia CientíficanullReferência:nullBOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.
\u2022\u2022 
r--­
pm 
... um novo 
conhecimento e 
proouzido sempre 
apartir de alga 
anteriormente 
desenvolvido. 
Aciencia tern 
ainda uma 
caracteristica 
fundamental: ela 
aspira a 
objetividade. 
_i'Melle@t.S._ 
Essa caracteristica da produc;;ao cientifica possibilit.a sua con­
timiidade: urn novo conhecimento e produzido sempre a partir de 
algo anteriormente desenvolvido. Negam-se, reafirmam-se, desco­
brem-se novos aspectos, e assim a ciencia avanc;;a. Nesse sentido, a 
ciencia caracteriza-se como urn processo. 
Pense no desenvolvimento do motor movido a alcool hidrata­
do. Ele nasceu de uma necessidade concreta (crise do petroleo) e 
foi planejado a partir do motor a gasolina, com a alterac;;ao de pou-. 
cos componentes deste. No entanto, os primeiros autom6veis mo­
vidos a alcool apresentaram muitos problemas, como 0 seu mau 
funcionamento nos dias frios. Apesar disso, esse tipo de motor foi­
se aprimorando. 
A ci(mcia temaindauma caracterfstica fundamental: ela as­
pira aobjetividade. Suas conclusoes devem ser passfveis de verifi­
caC;;ao e isentas de emoc;;ao, para, assim, tornaremcse validas para 
todos. 
Objeto especifico, linguagem rigorosa, metodos e tecnicas es- i. 
pecificas, processo cumuJativo do conhecimento, objetividade fa­
zem da ciencia uma forma de conhecimento que supera em muito 
o conhecimento espontaneo do senso comum. Esse conjunto de 
caracteristicas e 0 que permite que denominemos cientifico a urn 
conjunto de conhecimentos. 
OBJETO D~ ESTUDO DA PSICOLOGIA 
Como dissemos anterionnente, urn conhecimento, para ser con­
siderado cientifico, requer urn objeto especffico de estudo. 0 objeto 
da Astronomia sao os astros, e 0 ol?jeto da Biologia sao os seres vivos. 
Essa classificac;;ao bern geral demonstra que e possivel tratar 0 oqjeto 
dessas ciencias com uma certa distancia, ou seja, e possivel isolar 0 
objeto de estudo. No caso da Astronomia, 0 cientista-observador 
fenomeno fisico 
e pensar sobre 
algo e.xterno ao 
homem. 
Estudar 0 
homeme 
pensar sobre si 
mesmo. 
esta, por exem­
plo, num observa­
torio, e 0 astro ob­
servado, a . anos­
luz de distancia 
de seu telescopio. 
Esse cientista mio 
corre 0 minimo 
risco de confun­
dir-se com 0 feno­
meno que esta es­
tudando. 
_!~1B·'t'itJ6C,&quot;Ft.i·41ti·'t.$i6~. 
o mesmo nao ocorre com a Psicologia, que, como a Antropo­
logia, a Economia, a Sociologia e todas as ciencias humanas, estu­
daohomem. 
Certamente, esta divisao e ampla demais e apenas coloca a 
Psicologia entre as cifmcias humanas. Qual e, entao, 0 objeto espe­
cifico de estudo da Psicologia? 
Se dermos a palavra a urn psicologo comportamentalista,