ritmo e sintaxe O Brik

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palavras:08 simpleslOnasãoaufieien- ,
tesoSe formosmais longe,não teremosbaia necessidadede sona
e poderemosn08lJmitar a signosquaisquer,evocandoimagensrít-
micascorrespondentes.O poetaTchitcherinechegouaté aí: decla-
rou recentementeque o maior maI do quàl sofria a poesiaé a
palavrae queo poeta.deviaescrevernãocomas palavrasmascom
a ajuda decertossiDaispoéticosconvencionais.
A primeirae a segundaimagempecampelo mesmovício: am-
basconsideram·o complexorítmIco e smtá,~::cocomose fossecom-postode dois elementose que um se subme-tesseao outro.De fato,
essesdois elementosnão ~xistemseparadamente,mas aparecem
simultaneamente,criam uma estruturarítmica e semânticaespe-
cüica, tão diferente tanto da língua falada quanto da sucessão
tran8racionaldos 8008. '
O ~ é o resultadodo conflito entre o Mn-.e", e a semân-
tica quotidiana,é umasemântieaparticular que existede ~eira
indepodente e se desenvolvesegundomas próprla,i leis. Podem()8
transformarcada verso num verso traDSraeionalse substituirmos
palavrassignifieADte8por SOO8que exprimema estruturarítmica
e fônica de888Spalavras..Mas,tendoprivado o verso de sua ~-
mântiea,saímosdo quadro da lfngua poéticae 88 variaçõesulte..:!'·
rior~ desseverso serão determinadaanão por seuscoDBtitui.n~
lingüístieos,maspela naturezamusicaldos sonsque constitJlem~)'
sua sonoridade.Em particular, o 8Í.8temados acentose o .~
das ~ntoaçõesexistirão independentementedos acentosé d88:en-
toa~ da língua falada e imitarãoaquelesda frase musical~.,\:".
Em outraspalavra.!,ao privar o versode seu valor ~tico;
868o ÍBolamOldo élementolingüístilMe o transferimOspara o ele-
mentomusieale, por issomesmo,o versodeixade ser um fato lin-
güístico. ,. .
Inversamente,transpondo88 palavraspodemosprivar o verso
dé seus traçospoéticose deie fazer uma frase da língua falada.
11: suficientepara issosubstituir certaspalavraspor sinônimos,in-
troduzir as entoaçõespróprias à língua falada e normalizara es- .
trutura sintática.Depoisde tal dperaçãoo versodeixade ser uma
..
y
estruturalingüísticacspecífica,fuudadasobrccertostraçosda pa·
lavra queestãoemsegundoplano na linguagemquotidiana.
I Mais precisamente,essestraçossecundários(o some o ritmo)
têm uma significaçãodiferente na língua falada e na poética,
e introduzindoas entoaçõesfaladas na líugua poética,remetemos
o versopara o domínioda lmgua falada. O complexolingüístico
construídosegundocerta lei destrói-see seumaterial retomaà. re-
seITa comum.
Se os mestresda língua transracionalseparamo versoda lín-
gua,osdo "verso decorativo"nãoo isolamda massaverbalcomum.
A atitude corretaseriaconsid~raro versocomoum complexo
necessariamentel.ingüístico,masquerepousasobreleis particulares
que não coincidemcom as da língua falada. Por isso, abordaro
verso a partir da imagemgeral do ritmo semconsiderarquc se
trata nãode um materialindifcrente,masde elementosda palavra
humana;éum eaminhotio falível quantocrerquesetrata da língua
falada ridicularizadapor uma decoraçãoexterior.
Deve-secompreendera língua ~tica no quea une e no quea
distingueda língua falada: deve-secompreendersua naturezapro-
priamentelingüística.
1920- 192;
fabiane borsato
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