Atlas de Anatomia Fratura de Escafóide
3 pág.

Atlas de Anatomia Fratura de Escafóide


DisciplinaAnatomia I35.076 materiais268.810 seguidores
Pré-visualização1 página
Rogério Gozzi 
 
 
 
Estudo de Caso: Fratura de Escafóide 
 
Dentro da ortopedia com certeza não existe osso com maior dificuldade de consolidação quanto o 
Escafóide. Vamos entender agora porque a fratura do Escafóide é uma das mais temidas, mas para isso temos 
que entender a sua anatomia, sua vascularização e seu mecanismo de fratura. Entendendo estes fatores você vai 
se convencer que não é um bom negócio fratura-lo. Sempre falo aos meus alunos: - Frature qualquer osso, 
menos o Escafóide!!! O destino e minha moto foram cruéis comigo, e nesta vídeo aula vou apresentar o estudo 
de caso de minha fratura. 
 
Anatomia: O Escafóide é um osso localizado no punho, em uma região denominada carpo. O carpo 
possui 8 ossos e é organizado em duas fileiras de 4 ossos: Escafóide, Semilunar, Piramidal e Pisiforme (fileira 
proximal); Trapézio, Trapezóide, Capitato e Hamato (fileira distal). Os ossos da fileira proximal articulam-se 
com o Rádio formando a articulação Rádio-Cárpica, responsável pela maior parte da amplitude dos 
movimentos realizados no punho. Entre as duas fileiras (proximal e distal) destaca-se a articulação Médio-
Cárpica, e entre a fileira distal e os metacarpos observamos as articulações Carpo-Metacárpicas. O Escafóide é 
o osso da fileira carpal proximal que fica posicionado na região LATERAL desta fileira e articula-se com o 
Rádio. Quando ocorre uma queda com a mão espalmada é muito comum ocorrer fratura do terço distal do 
Rádio (fratura de Colles), fratura da cabeça do Rádio ou a fratura do Escafóide, dentre outras. 
 
 
 
Vascularização: A maior parte dos ossos do corpo costumam consolidar-se em cerca de 4 a 8 
semanas (1 a 2 meses), porém o Escafóide demora cerca de 12 semanas (3 meses) se não houver nenhuma 
complicação em seu processo de consolidação. Mas por que o Escafóide demora tanto para se consolidar? A 
resposta para isso é a dificuldade de circulação sanguínea deste osso. 
 
O suprimento sanguíneo é importantíssimo para a consolidação óssea, pois permite a chegada de Cálcio 
e Fosfato aos ossos para que eles cristalizem, formando cristais de hidroxiapatita (parte mineral do osso) e 
posteriormente o famoso calo ósseo. A maioria dos ossos recebe sangue das artérias no sentido PROXIMAL 
para DISTAL, ou seja, do coração para o órgão. 
 
O problema do Escafóide é que quando a artéria Radial penetra no carpo ela se divide em dois ramos, 
um volar (palmar) e outro dorsal. Estes dois ramos entrarão no Escafóide no sentido DISTAL para 
PROXIMAL, ou seja, \u201cno sentido contrário\u201d (do órgão para o coração). O nome disto é circulação retrógrada. 
Isto deixa a circulação do Escafóide mais lenta dificultando seu processo de consolidação, permitindo a 
ocorrência de necrose avascular, não-consolidações e pseudoartroses. 
 
O ramo dorsal é responsável por cerca de 70 a 80% da vascularização do Escafóide (terços médio e 
proximal) e o ramo volar (palmar) é responsável por cerca de 20 a 30% da vascularização do Escafóide (terços 
distal e médio). 
 
 
 
 
 
Mecanismo de Fratura: A fratura do Escafóide representa cerca de 60% das fraturas do CARPO, 
sendo portanto uma fratura de punho relativamente comum. Ela ocorre geralmente quando a pessoa sofre uma 
queda com as mãos espalmadas e o peso do corpo sobre o punho leva à fratura do Escafóide ou do Rádio. 
Quando ocorre fratura de Escafóide a pessoa sente dores na tabaqueira anatômica durante a movimentação de 
punho e polegar, acompanhada de edema na região e eventualmente equimose depois de alguns dias. 
 
 
Geralmente a fratura do Escafóide não aparece em radiografias logo após a fratura, podendo dar um 
falso negativo de fratura. Quando houver suspeita de fratura de Escafóide a pessoa deve ser imobilizada com 
gesso antebraquio-palmar e imobilização do polegar. Outra radiografia deve ser realizada cerca de 2 semanas 
após a primeira, e se o Escafóide estiver fraturado aparecerá um traço de fratura neste segundo raio-x. Isso 
ocorre por causa da vascularização pobre do Escafóide (discutida no tópico anterior), retardando a fase 
inflamatória e a reabsorção óssea, o que dificulta a visualização do traço de fratura. Existem várias 
classificações da fratura de Escafóide de acordo com a \u201cAO foundation\u201d e a mais comum e didática é a 
seguinte: 
 
Tipo 1: Fratura de terço médio: Consolidação entre 10 e 12 semanas 
Tipo 2: Fratura de terço distal: Consolidação entre 10 a 12 semanas 
Tipo 3: Fratura de terço proximal: Consolidação entre 10 e 20 semanas 
Tipo 4: Fratura do turbérculo: Consolidação entre 04 a 06 semanas 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
\u2022 Luz Daregt Rojas Castañeda \u2013 Las Manos 
\u2022 Ângelo Machado \u2013 Neuroanatomia Funcional 
\u2022 Hoppenfeld - Propedêutica Ortopédica: Coluna e Extremidades 
\u2022 Kapit - Anatomia: Manual para Colorir 
\u2022 Netter - Atlas de Anatomia Humana 
\u2022 Rohen/Yokochi - Anatomia Humana: Atlas Fotográfico 
\u2022 Sobotta - Atlas de Anatomia Humana 
\u2022 Spence - Anatomia Humana Básica 
\u2022 Tixa - Atlas de Anatomia Palpatória do Pescoço e do Tronco Superior 
\u2022 Tixa - Atlas de Anatomia Palpatória do Membro Inferior 
\u2022 Wolf-Heideger - Atlas de Anatomia Humana