Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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do flexor curto
do polegar) acarretando uma deformida-
de em garra da mão, caracterizada por
hiperextensão da articulação metacarpo-
falangeana e flexão das interfalangea-
nas, principalmente dos dedos mínimo e
anular. Pela paralisia dos interósseos há
perda da capacidade de adução e abdu-
ção dos dedos. Os músculos da eminên-
cia hipotenar (abdutor, flexor curto e opo-
nente do dedo mínimo) encontram-se
paralisados e hipotróficos. O dedo míni-
mo encontra-se abduzido devido a preva-
lência do extensor comum dos dedos e
extensor do dedo mínimo em relação à
ação da musculatura lumbrical e adutora
deste. O adutor do polegar e a porção
profunda do flexor curto paralisados com-
prometem a função de adução do pole-
gar.
A perda sensitiva ocorre, em geral, no
dedo mínimo e metade ulnar e volar do
dedo anular
Nas lesões mais altas, os músculos
flexor ulnar do carpo e flexor profundo do
quarto e quinto dedos são afetados.
A principal dificuldade dos pacientes
com lesão do nervo ulnar é a diminuição
em média de 50% da força de preensão.
Esta é principalmente atribuída a incapa-
cidade de abdução dos dedos, prejudi-
cando a circundução de um objeto no ato
de preensão. 
A ineficiência da ação da musculatu-
ra adutora do polegar dificulta também a
execução de pinçamentos com o indica-
dor.
NERVO RADIAL
A lesão do nervo radial é reconhecida
pela postura em flexão devido a paralisia
da musculatura extensora do punho,
dedos e polegar: abdutor longo do polegar,
extensor curto do polegar, extensor longo
do polegar, extensor radial curto e longo
do punho, extensor comum de dedos,
extensor próprio dos dedos indicador e
mínimo e extensor ulnar do carpo. 
Funcionalmente esta lesão acarreta
uma grande dificuldade em realizar a
preensão de um objeto pois o paciente
não consegue posicionar a mão para
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REIMPLANTE DE MEMBROS
segurá-lo. Sendo assim, a mão não esta-
bilizada é pouco utilizada nas atividades
pessoais. 
A sensibilidade promovida pelo nervo
radial corresponde a face dorsal do pole-
gar, indicador, terceiro dedo e porção
radial do quarto dedo.
Como sabemos, as lesões dos nervos
periféricos, no aparelho locomotor, vão
ser traduzidas por:
ALTERAÇÕES MOTORAS
A paralisia é observada claramente
logo após a lesão . A hipotrofia muscular
é progressiva, sendo evidente após cer-
ca de 4 a 6 semanas. Os músculos tor-
nam-se degenerados e fibróticos caso a
reinervação não ocorra até cerca de dois
anos.
ALTERAÇÕES SENSITIVAS
Todas as modalidades de sensações
(dor, tato, temperatura, estereognosia e
discriminação de dois pontos) podem ser
perdidas, exceto a propriocepção do
movimento articular e a sensação cinéti-
co-postural.
ALTERAÇÕES VASOMOTORAS
A desnervação promove uma diminui-
ção na circulação. Esta, associada ao
desuso, pode provocar alterações tróficas
da pele e da unha. Estas alterações são
graduais e se caracterizam, principalmen-
te, pela mudança na textura e cor da pele.
Quanto mais precoce for a reparação
do nervo, melhor o prognóstico. As fibras
musculares estriadas, após cerca de dois
anos de desnervação, sofrem processo
de degeneração irreversível e sua reiner-
vação não é acompanhada por retorno de
sua função. Da mesma forma, o retorno
da função dos receptores de sensibilidade
dependerão da precocidade de sua rei-
nervação.
Outro dado importante é o comporta-
mento dos cotos de um nervo periférico
lesado. Quando há solução de continuida-
de completa, os cotos do nervo retraem
progressivamente, tornando sua recons-
trução mais complexa e, às vezes, depen-
dente de enxertos. 
Sendo assim, é importante classificar
as lesões em recentes ou tardias, depen-
dendo do tempo entre o trauma e o aten-
dimento prestado. Até três semanas são
consideradas recentes e, após este perío-
do, tardias. O reparo primário, até cinco a
sete dias da lesão, é indicado quando: a
lesão do nervo periférico é limpa, incisa,
sem componentes de esmagamento, não
há lesão associada, a cobertura cutânea é
adequada, a contaminação é mínima e a
equipe e o instrumental cirúrgico são
apropriados.
As vantagens quando a sutura do ner-
vo é realizada no tempo correto implicam
numa menor manipulação e desbrida-
mento do coto nervoso, pouco tecido cica-
tricial formado, sutura sem tensão, redu-
ção do tempo de desnervação. Nas repa-
rações secundárias deve-se buscar um
leito vascular adequado na area da repa-
racão.
TÉCNICA CIRÚRGICA
O nervo periférico pode ser tratado
através da neurólise, reconstrução por
suturas, enxertos e outras formas . A neu-
rólise é o procedimento cirúrgico de libera-
ção e descompressão de um nervo perifé-
rico submetido a compressão que pode
causar lesão mecânica ou isquêmica. A
neurólise pode ser externa (sem abrir o
epineuro externo) nos quadros compressi-
vos extrínsecos causados, por exemplo,
por tumores. A neurólise pode ser interna
(abrindo o epineuro interno) quando a
fibrose peri ou intra-neural causa uma
compressão mecânica dos fascículos e
dos vasos sangüíneos que nutrem o nervo,
como nos neuromas em continuidade.
A técnica de sutura do nervo é um dos
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
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REIMPLANTE DE MEMBROS
Neurólise externa em nervo submetido a compressão extrínseca por tumor cístico.
Neurólise interna em nervo com neuroma em continuidade. Notar a abertura do epineuro externo e a integri-
dade dos grupo fasciculares.
fatores que interfere no retorno de sua
função, devendo ser um item a ser rela-
cionado ao coletarmos dados sobre a his-
tória do paciente e a lesão. As reconstru-
ções podem ser realizadas através de
suturas perineurais, epiperineurais e epi-
neurais internas e externas. Além disso, é
possível utilizar enxertos de nervo inter-
fasciculares. O enxerto de nervo utilizado
com maior freqüência é o do nervo sural.
A sutura epineural externa: é utilizada
para nervos mono ou oligofasciculares
puramente sensitivos ou motores.
A sutura epineural interna (grupos
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Sutura epineural externa em nervo digital (oligofascicular e puramente sensitivo)
Esquema da sutura epineural externa.
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REIMPLANTE DE MEMBROS
Sutura epineural interna 
do nervo ulnar ao nível do
punho (nervo com fascículos
organizados em grupos 
fasciculares bem definidos).
Observar a sutura de 
dois conjuntos de grupo 
fasciculares, um mais radial e
ventral (sensitivo) e outro
ulnar e dorsal (motor).
fasciculares) é utilizada preferencialmente para os nervos polifasculares ou aqueles que
possuem uma estrutura organizada de grupos fasciculares. A dissecção e sutura ao
nível do epineuro interno proporciona maior precisão no afrontamento fascicular
A sutura perineural é perigosa pois pode causar lesão da fibra. É utilizada principal-
Esquema da sutura 
epineural interna.
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
A sutura epineural interna e externa pode ser utilizada concomitantemente em situa-
ções de tensão na zona de sutura.
Detalhe da sutura epineural interna com separaçào em grupos fasciculares:
À esquerda suturas dos nervos mediano e ulnar realizadas de forma inadequada. À direita sutura epineural interna e externa para promover o
afrontamento fascicular e maior resistência mecânica.
Esquema da
sutura perineural
mente quando o epineuro é espesso e em lesões parciais. O perineuro é particularmen-
te mais espesso nas regiões próximas às articulações.
A sutura epiperineural pode ser utilizada em situações de maior tensão e quando o
perineuro é espesso.
Os enxertos nervosos são realizados obedecendo a distribuição dos grupos fasciculares
(enxertos interfasciculares).
Existem outras técnicas para tratar as perdas segmentares, algumas antigas como a
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REIMPLANTE DE MEMBROS
Sutura perineural 
em lesão parcial