Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
216 pág.

Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


DisciplinaOrtopedia2.077 materiais11.463 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de nervo.
Sutura perineural em lesão
parcial de nervo periférico
Esquema de 
reconstrução com
enxertos de nervo
interfasciculares
transposição de nervos e outras modernas como os neurotubos (tubos de ácido poliglico-
cólico, colágeno, etc.). Da mesma forma, estudam-se fatores de crescimento de nervo (-
NGF \u2013 \u201cnerve growth factor\u201d) e outras substâncias que favorecem o processo de regene-
ração nervosa. Algumas substâncias como gangliosídeos e neurocinas já vem sendo uti-
lizadas com finalidade terapêutica. 
O adesivo de fibrina pode ser utilizado com vantagens nas reconstruções complexas,
21
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
À esquerda lesão do nervo mediano no punho em grande extensão. À direita, ressecção da lesão e reconstru-
ção do nervo mediano com enxerto de nervo sural.
Lesão do nervo ulnar ao nível do cotovelo. Notar os neuromas na figura à esquerda. Após a ressecção dos 
quando se utiliza enxertos nervosos.
Ao colar um enxerto ao outro (vários
cabos unidos pelo adesivo) diminuí-
mos a quantidade de pontos necessá-
rios para o bom afrontamento fascicu-
lar e, consequentemente, a agressão
da manipulação da sutura, mesmo
que realizada com técnica e material
microcirúrgico. Da mesma forma, a uti-
lização do adesivo de fibrina diminui o
tempo cirúrgico.
É possível utilizar um adesivo de
fibrina para reconstrução do nervo
periférico baseando-se na reação:
REABILITAÇÃO
FIBRINOGÊNIO FIBRINA INSTÁVEL
TROMBINA
CÁLCIO
APROTININA
PRODUTOS DE
DEGRADAÇÃO 
DA FIBRINA
FATOR XIII
CÁLCIO
FIBRINA ESTÁVEL
Na reabilitação das lesões do nervo
periférico lesado devemos levar em consi-
deração: idade do paciente, dominância
da mão, profissão, desempenho nas ativi-
dades de vida diária, atividades de seu
interesse, nível e natureza da lesão, tipo
de reparo e componentes de função afe-
tados (motor, sensitivo e simpático). Após
a avaliação será possível adequar o trata-
mento de acordo com a necessidade real
do paciente.
A reabilitação deve, preferencialmen-
te, ser iniciada na fase pré-operatória,
com o objetivo de manter a mobilidade
articular, promover boa condição de pele,
reduzir as aderências e orientar o pacien-
te sobre o processo de reabilitação e ree-
ducação que irá se submeter até sua
recuperação funcional.
É preciso ressaltar ao paciente o cui-
dado que deve ser tomado com a manipu-
lação de objetos cortantes, aquecidos ou
com saliências pontiagudas, pois, com a
alteração da sensibilidade protetora, são
maiores os riscos de novos ferimentos. O
paciente com alteração sensitiva deve
compensar sua perda com o auxílio da
visão, devendo ser orientado para isto.
PóS-OPERATóRIO
Após a reconstrução do nervo perifé-
rico é preciso aguardar sua cicatrização
que ocorre em 3 a 4 semanas. Até este
período, o local da reconstrução deve ser
protegido de ação mecânica através de
imobilização com aparelho gessado ou
órtese. O paciente deve ser mandado
para a reabilitação e a regeneração deve
ser avaliada periodicamente pela evolu-
ção do sinal de Tinel (o choque à percus-
são deverá caminhar numa velocidade de
1 milímetro por dia). A presença de dor e
choque no mesmo local, sem progressão
para região distal à reconstrução indica
mau prognóstico.
A utilização de imobilizações intermi-
tentes, com órteses, tem por objetivo a pre-
venção das deformidades provocadas pela
paralisia e perda do equilíbrio muscular nas
diversas formas de lesão dos nervos peri-
féricos. Deve-se ter em mente que nenhu-
ma órtese estática consegue restaurar a
dinâmica funcional normal. Além disso, a
perda da sensibilidade pode prejudicar a
função motora e aumentar a chance de
ferimentos cutâneos. Tais dificuldades tor-
nam o emprego e a adaptação da órtese
um desafio para o terapeuta. 
Os propósitos e princípios da utiliza-
ção de órteses em lesão de nervos perifé-
ricos são:
\u2022 evitar o estiramento constante dos mús-
culos paralisados provocado pela ação
dos antagonistas
\u2022 prevenir deformidades articulares
\u2022 prevenir o desenvolvimento de padrões
de substituição de função
\u2022 maximizar a função do membro
As órteses podem ser utilizadas
22
REIMPLANTE DE MEMBROS
Nervo periférico reconstruído com adesivo de fibrina humana. À esquerda observar o bisel da agulha adicionan-
do uma gota de fibrinogênio no local da reconstrução. À direita observar a rede de fibrina estável mantendo o
afrontamento do nervo.
assim que houver condições adequadas
de cobertura cutânea. As órteses devem
ser leves, não provocar áreas de hiper-
pressão e estar associadas aos outros
recursos de reabilitação e um bom progra-
ma de exercícios. 
1. Lesão distal do nervo ulnar
Paralisias
Todos músculos da eminência hipote-
nar (flexor, abdutor e oponente do dedo
mínimo), interósseos dorsais, interósseos
palmares, lumbricais para os dedos míni-
mo e anular, adutor polegar, porção pro-
funda do flexor curto do polegar.
Perda sensitiva
volar \u2013 dedo mínimo e metade ulnar
do dedo anular;
dorsal \u2013 dedo mínimo e anular.
Deformidades
Deformidade em garra dos dedos
mínimo e anular, perda do arco transverso
da mão.
Principal perda funcional
Incapacidade de abrir a mão para
preensão de objetos
Objetivo da órtese
Evitar a distensão dos músculos
intrínsecos paralisados dos dedos anular
e mínimo através do bloqueio da hiperex-
tensão da metacarpofalangeana. Ao man-
ter a articulação metacarpofalangeana
destes dedos em flexão os extensores
extrínsecos serão capazes de estender as
interfalangeanas. A órtese deve deixar a
maior parte da região palmar livre e não
impedir a flexão dos dedos e a movimen-
tação do punho. 
2. Lesão proximal 
do nervo ulnar
Paralisias
Todos músculos referidos na lesão
distal em associação com o flexor profun-
do do dedo mínimo e anular, e flexor ulnar
do carpo.
Perda sensitiva
volar \u2013 dedo mínimo e metade ulnar
do dedo anular;
dorsal \u2013 dedo mínimo e nular.
Deformidades
Deformidade em garra não é tão nítida.
Após reinervação, a deformidade em garra
torna-se cada vez mais intensa e o uso de
órtese, nesta situação, é obrigatório.
Objetivo da órtese
Semelhante ao da lesão distal. A
manutenção da flexão passiva total dos
dedos anular e mínimo é fundamental.
3. Lesão distal 
do nervo mediano
Paralisias
Músculos oponente, abdutor e porção
superficial do flexor do polegar, e múscu-
los lumbricais para dedos indicador e
médio.
Perda sensitiva
volar \u2013 polegar, dedo indicador, médio
e metade radial do dedo anular;
dorsal \u2013 polegar, dedo indicador e
médio.
Deformidades
Adução do polegar
Objetivos da órtese
Impedir a contratura da primeira
comissura e evitar o estiramento dos mús-
culos oponente e abdutor do polegar.
4. Lesão proximal 
do nervo mediano
Paralisias
Todos músculos da lesão distal em
associação com o pronador redondo, pro-
nador quadrado, flexor superficial dos
dedos, flexor profundo dos dedos indica-
dor e médio, flexor longo do polegar, fle-
xor radial do carpo e palmar longo
Perda sensitiva
volar \u2013 polegar, dedo indicador, médio
e metade radial do dedo anular;
dorsal \u2013 polegar, dedo indicador e
médio.
Deformidades
23
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Supinação do antebraço, extensão do
polegar, indicador e médio.
Objetivos da órtese
Impedir a contratura da primeira
comissura, evitar o estiramento dos mús-
culos oponente e abdutor do polegar e
manter mobilidade do dedo indicador e
médio
5. Lesão proximal 
do nervo radial
Paralisias
Supinador, extensores radiais longo e
curto do carpo, extensor comum dos
dedos, extensor próprio do indicador e
dedo mínimo, extensor longo e curto do
polegar, abdutor longo do polegar e exten-
sor ulnar do carpo.
Perda sensitiva
Tabaqueira anatômica, dorso do pole-
gar (sem importância clínica)
Deformidades: \u201cmão caída\u201d